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quinta-feira, 5 de março de 2020

Cantores No Carnaval – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 154 (2020)



O Grand Record Brazil chega ao seu volume 154. E, como os dois anteriores, dedicado ao carnaval, trazendo 15 faixas raras nas vozes de intérpretes masculinos. Iniciando esta seleção, duas faixas com Francisco Alves, “o rei da voz”, ambas sucessos do carnaval de 1936, e com acompanhamento dos Diabos do Céu, de Pixinguinha. A primeira é a marchinha “A.M.E.I.”, de Nássara e Eratóstenes Frazão, cujos primeiros compassos estão calcados na ária “E lucevan le stelle”, da ópera “Tosca”, de Giacomo Puccini, composta em 1900. Gravação Victor de 7 de janeiro de 1936, uma terça-feira, lançada bem em cima da folia, em fevereiro, com o número 34033-B, matriz 80078. Chico Alves também cantou a música no filme “Alô, alô, carnaval”, da Cinédia. Na mesma sessão de estúdio, Chico gravou o “samba tristonho” “Comprei uma fantasia de Pierrô”, de Lamartine Babo e Alberto Ribeiro. A Victor o lançou, também em fevereiro de 36, sob número 34024-B, matriz 80079. Na faixa 3, Carlos Galhardo, “o cantor que dispensa adjetivos”, apresenta a marchinha “Girassol”, do carnaval de 1952, de autoria de Haroldo Lobo, Mílton de Oliveira e Wilson Frade. Gravação RCA Victor de 6 de setembro de 51, uma quinta-feira, lançada ainda em dezembro sob número 80-0844-A, matriz S-093062. Em seguida, duas faixas com Orlando Silva, “o cantor das multidões”. A primeira é a marchinha “Lero-lero”, de Benedito Lacerda e Eratóstenes Frazão, sucesso no carnaval de 1942, e com participação especial de Dalva de Oliveira, não creditada no selo original. Gravação Victor de 7 de outubro de 41, uma terça-feira, lançada ainda em dezembro com o número 34841-A, matriz S-052381. Em seguida, Orlando interpreta a marchinha “Carioca”, de Arlindo Marques Jr., Roberto Roberti e Eratóstenes Frazão, do carnaval de 1940. Também gravação Victor, esta de 24 de outubro de 39, uma terça-feira, lançada ainda em dezembro com o número 34536-A, matriz 33242. Na faixa 6, temos Nélson Gonçalves com o samba “Sabiá de Mangueira”, sucesso no carnaval de 1944, de autoria de Benedito Lacerda e Eratóstenes Frazão. Gravação Victor de 6 de outubro de 43, uma quarta-feira, lançada ainda em dezembro com o número 80-0134-A, matriz S-052842. Na faixa 7, Nuno Roland interpreta o samba “Seja o que Deus quiser”, de Mário Morais e Vadico, do carnaval de 1938. Gravação Odeon de 3 de outubro de 37, um domingo (!), lançada ainda em dezembro sob número 11546-A, matriz 5681. Na faixa 8, temos o primeiro grande sucesso de Jorge Veiga, “o caricaturista do samba”. É “Iracema”, samba de Raul Marques e Otolindo Lopes, gravação Odeon de 3 de fevereiro de 1944, uma quinta-feira, só lançada após o carnaval, em março, sob número 12428-B, matriz 7482. Na faixa 9, Gastão Formenti, acompanhado pelos Diabos do Céu, interpreta a marchinha “Coração na boca”, do carnaval de 1936, de exclusiva autoria de Oswaldo Santiago. Gravação Victor de 3 de dezembro de 35, uma terça-feira, lançada um mês antes da folia, em janeiro, sob número 34004-A, matriz 80028. Na faixa 10, Almirante, “a maior patente do rádio”, interpreta a marchinha “O cantar do galo”, do carnaval de 1938, de autoria de Benedito Lacerda e Darcy de Oliveira. Gravação Odeon de 25 de novembro de 37, uma quinta-feira, lançada um mês antes da folia, em janeiro, sob número 11562-B, matriz 5713. Na faixa 11, volta Orlando Silva, desta vez cantando a marchinha “A voz do povo”, de Francisco Malfitano e Eratóstenes Frazão, do carnaval de 1941. Gravação Victor de 10 de dezembro de 40, uma terça-feira, lançada bem em cima da folia, em fevereiro, sob número 34712-B, matriz 52071. Na faixa 12, temos o primeiro grande sucesso do cantor Albertinho Fortuna, que mais tarde se especializaria em música romântica, especialmente tangos: é a “Marcha dos gafanhotos”, de Roberto Martins e Eratóstenes Frazão, merecido êxito no carnaval de 1947. Gravação RCA Victor de 22 de outubro de 46, uma terça-feira, lançada um mês antes da folia, em janeiro, sob número 80-0489-A, matriz S-078631. Na faixa 13, volta Carlos Galhardo, desta vez apresentando o maior sucesso do carnaval de 1941: uma valsa! Por sinal, muito bem feita e divertida. É “Nós queremos uma valsa”, de Nássara e Eratóstenes Frazão, que Galhardo também interpretou no filme “Vamos cantar”, da Pan-América Filmes. Gravação Victor de 21 de dezembro de 40, um sábado (!), lançada bem em cima da folia, em fevereiro, sob número 34708-A, matriz 52089. Na faixa 14, volta Almirante, agora com o samba “Criança, toma juízo”, do carnaval de 1935 (que caiu em março), de autoria do flautista Benedito Lacerda (que também faz o acompanhamento com seu regional) em parceria com Russo do Pandeiro. Gravação Victor de 6 de dezembro de 34, uma quinta-feira, lançada dois meses antes da folia, em janeiro, sob número 33890-B, matriz 79798. E, para finalizar, Sílvio Caldas apresenta outro samba de sucesso do carnaval de 1935, “Eu sonhei”, com a respeitável assinatura de Ary Barroso. Gravação Odeon de 9 de novembro de 34, uma sexta-feira, lançada ainda em dezembro sob número 11178-B, matriz 4944. E nos próximos volumes teremos muito mais carnaval. Até lá!


a m e i - francisco alves
comprei uma fantasia de pierrot - francisco alves
girassol - carlos galhardo
lero-lero - orlando silva
sabiá de mangueira - nelson gonçalves
seja o que deus quiser - nuno roland
iracema - jorge veiga
coração na boca - gastão formenti
o cantor do galo - almirante
a voz do povo - orlando silva
marcha dos gafanhotos - albertinho fortuna
nós queremos uma valsa - carlos galhardo
criança toma juízo - almirante
eu sonhei - silvio caldas


*Texto de Samuel Machado Filho 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

A Música De Alvaiade E De Djalma Mafra - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 108 (2014)



Dois grandes compositores cariocas abrilhantam a centésima-oitava  edição do Grand Record Brazil: Alvaiade e Djalma Mafra. Alvaiade, na pia batismal Oswaldo dos Santos,  nasceu na Estrada da Portela, no subúrbio carioca de Oswaldo Cruz, a 21 de dezembro de 1913. Órfão de pai aos cinco anos, começou a trabalhar aos treze, como empregado de uma tipografia, assim sustentando a família. Desde criança interessou-se por música, e sua primeira composição data de 1926: o choro “O que vier eu traço”,em parceria com Zé Maria, só gravado em 1945 por Ademilde Fonseca.  Em 1928, a convite de Paulo da Portela, deixou o pequeno bloco carnavalesco  de que participava em Oswaldo Cruz para integrar a escola de samba dirigida por Paulo, a Vai Como Pode, que mais tarde se transformou na atual Portela. Inicialmente, Alvaiade (apelido que recebeu de companheiros de futebol, tendo jogado no time da própria Portela e na Associação Atlética Portuguesa) apresentava-se fazendo um cavaquinho (que tocava de ouvido) de centro,  acompanhando o samba, e mais tarde passou a compor para a escola. Era também percussionista. Na Portela, desempenhou funções várias, inclusive administrativas, e tendo também lançado compositores como Manaceia, Walter Rosa, Candeia e Chico Santana. Apresentou-se nas rodas de samba do Teatro Opinião, na década de 1970, fez parte da ala de compositores da Portela e foi um dos fundadores da UBC (União Brasileira de Compositores). Alvaiade faleceu em seu Rio natal em 23 de junho de 1981, já aposentado da UBC e dos serviços tipográficos, e seu corpo permaneceu dois dias no IML (Instituto Médico Legal), antes de ser reconhecido, sendo depois sepultado no cemitério do Irajá. E foi justamente o bairro carioca do Irajá o berço natal de Djalma Mafra, que veio ao mundo no dia 2 de novembro de 1916, e faleceu, também no Rio de Janeiro, em plena véspera de Natal de 1974, ou seja, a 24 de dezembro. Djalma sempre esteve muito ligado ao carnaval, especialmente de Madureira, do qual foi grande folião. Teve inúmeras composições gravadas, especialmente sambas e marchinhas,  em parceria com outros nomes de prestígio:  Geraldo Pereira, o próprio Alvaiade, que também abordamos aqui, Ataulfo Alves, Joel de Almeida, etc. Nesta edição do GRB, um pouco do expressivo legado de Alvaiade e Djalma Mafra, em catorze preciosas gravações. Abrindo-a, o samba “O coração ordena”, de Alvaiade e Paquito, do carnaval de 1939, gravação Victor de J. B. de Carvalho, em 27 de setembro de 38, lançada ainda em dezembro sob n.o 34392-A, matriz 80906. Do carnaval seguinte é outro samba de Alvaiade, agora em parceria com Alcides Lopes, “Eu chorei”, gravado na Odeon por Joel e Gaúcho em 4 de dezembro de 1939 e lançado um mês antes da folia de 40, em janeiro, disco 11820-B, matriz 6286. De ambos os nossos focalizados, Alvaiade e Djalma Mafra, em parceria, é o samba-canção “Brigas de amor”, gravado na Sinter por Flora Matos (não confundir com a “rapper” brasiliense), com lançamento em maio-junho de 1955, disco 00-00.400-A,matriz S-889. Flora, também compositora, gravou 16 discos 78 com 32 músicas, entre 1946 e 1960, e participou de LPs coletivos. De Alvaiade e Ari Monteiro é o samba “De sol a sol”, do carnaval de 1942, gravação Victor de Linda Batista em  12 de novembro de 41, lançada um mês antes dos festejos momescos, em janeiro, com o n.o 34860-B, matriz S-052419. De Djalma Mafra sem parceiro é o samba “Banco de réu”, que o mestre de Miraí, Ataulfo Alves, com suas Pastoras a tiracolo, lança pela Star em  maio de 1949, disco 132-B. Logo em seguida, acompanhado por sua Academia de Samba, Ataulfo interpreta outro samba, “Deus me ajude”, do carnaval de 1943, de autoria de Alvaiade, Estanislau Silva e Humberto de Carvalho, gravação Odeon de 11 de setembro de 42, lançada ainda em dezembro, disco 12232-A, matriz 7063. Novamente com as Pastoras, Ataulfo interpreta em seguida “Brasil”, outro samba de Alvaiade, agora com a parceria de Nílson Gonçalves, do carnaval de 1945, também gravado na “marca do templo” em 19 de outubro de 44 e lançado ainda em dezembro, disco 12525-A,matriz 7682. O paulista Risadinha (Francisco Ferraz Neto, 1921-1976), interpreta depois um samba só de Alvaiade, “Eu ainda sou eu”,  outra gravação Odeon, esta de 14 de abril de 1952, lançada em maio do mesmo ano com o n.o 13292-B, matriz 9282. Na faixa 9, volta Ataulfo Alves, com sua Academia de Samba, agora para interpretar o samba “Leonor”, dele próprio com Djalma Mafra, em registro Odeon de 9 de setembro de 1943, lançada em novembro seguinte sob n.o 12372-B, matriz 7376. Djalma Mafra assina em seguida,com Joel de Almeida, a marchinha ‘Cavalinho bom”, do carnaval de 1944, que Joel grava com Gaúcho na mesmíssima Odeon em 5 de agosto de 43 com lançamento ainda em novembro, disco 12373-B, matriz 7354. Marilu (Maria de Lourdes Lopes), carioca da Vila Isabel, aqui comparece com o samba “Réu primário”, de Djalma Mafra e Amaro Silva, também destinado ao carnaval de 1944. Gravação Victor de 12 de outubro de 43, lançada ainda em dezembro com o n.o 80-0137-A,matriz S-052854. O eterno ‘Formigão”, Cyro Monteiro,  interpreta em seguida o samba “Dentro da capela”, parceria de Djalma Mafra com Alcides Rosa, gravado na RCA Victor ao apagar das luzes de 1946, 20 de dezembro, indo para as lojas em março de 47 com o n.o 80-0502-B, matriz S-078703. O cantor José Ribamar, que deixou uma escassa discografia (apenas cinco discos 78 com dez músicas, entre 1954 e 1958), vem aqui com o lado B de seu primeiro disco, o Todamérica TA-5479: o samba “Falsidade”, de Djalma Mafra e João Pereira de Lucena, gravado em 17 de agosto de 1954 e lançado em outubro do mesmo ano, matriz TA-720. Para encerrar, o  trombonista  e maestro Astor Silva, à frente do grupo Rio Melodian’s, executa o choro “Comprando barulho”, de Djalma Mafra e Jorge Tavares, gravação da marca Rio, de existência efêmera, disco 10-0034-B, datado de 1951. Aqui fica a homenagem do GRB a estes compositores que muito contribuíram para nossa música popular, Alvaiade e Djalma Mafra, para a alegria e o deleite de todos os que apreciam o que é bom! 

Texto de Samuel Machado Filho

segunda-feira, 3 de março de 2014

Carnaval B - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 92 (2014)

O carnaval continua aqui no Grand Record Brazil. Apresentamos nesta semana mais 14 músicas destinadas à folia de Momo, gravadas na era das 78 rotações por minuto. Várias delas clássicos inesquecíveis. E começamos com o pé direito, apresentando um clássico inesquecível: “Pastorinhas”, de João “Braguinha” de Barro e Noel Rosa. Esta composição havia sido lançada originalmente para o carnaval de 1935, na voz de João Petra de Barros, com o nome de “Linda pequena”, sem no entanto repercutir. Após o falecimento prematuro de Noel, em 1937, Braguinha resolveu relançar esta bela marcha-rancho para a folia do ano seguinte, fazendo uma ou outra alteração na letra e rebatizando-a “Pastorinhas”. Sílvio Caldas a imortalizou na Odeon em 13 de dezembro de 1937, com lançamento em janeiro de 38 sob n.o 11567-A, matriz 5733. E “Pastorinhas”, além de ser um sucesso inesquecível, venceria o concurso oficial de carnaval da prefeitura do Rio de Janeiro. A vencedora na categoria marcha tinha sido “Touradas em Madri”, também de Braguinha com Alberto Ribeiro, mas acabou sendo desclassificada sob a alegação de que se tratava de um passo-doble espanhol. Evidentemente, Braguinha não ficou sem o primeiro lugar entre as marchas, pois “Pastorinhas” subiu do segundo para o primeiro lugar! A faixa seguinte é mais uma clássica marchinha, esta do carnaval de 1932: “Teu cabelo não nega”, adaptação feita por Lamartine Babo para o frevo-canção “Mulata”, dos irmãos Raul e João Valença. Castro Barbosa levou a música a disco, tornado-a um sucesso permanente da folia de Momo, e a regravaria outras vezes. A versão desta edição, também gravada na RCA Victor, é de 17 de outubro de 1952, lançada em dezembro do mesmo ano sob n.o 80-1072-A, matriz SB-093524, e mantém sua famosa introdução instrumental. E tome marchinha clássica! Agora é “Mamãe, eu quero”, de Jararaca e Vicente Paiva, do carnaval de 1937, um sucesso que é lembrado até hoje e ultrapassou as fronteiras do Brasil (tocou até em desenho animado de Tom e Jerry!). O próprio Jararaca imortalizou a marchinha na Odeon em 17 de dezembro de 1936, com lançamento um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 11449-A, matriz 5499. Destaque, na gravação, para o hilariante diálogo inicial, em que o papel da mãe é feito por Almirante. Prosseguindo nosso desfile de clássicos carnavalescos, Orlando Silva, o eterno “cantor das multidões”,  nos brinda com a impecável marcha-rancho “Malmequer”, de Newton Teixeira e Cristóvão de Alencar, o “amigo velho”, hit inesquecível do carnaval de 1940. Gravação Victor de 4 de novembro de 1939, lançada um mês antes do tríduo momesco, em janeiro, sob n.o 34544-A, matriz 33248. O eterno e sempre bem-humorado Lamartine Babo volta à cena neste retrospecto carnavalesco, agora com a marchinha “Linda morena”, absoluta no carnaval de 1933, que ele próprio interpreta ao lado de Mário Reis. Gravação Victor de 26 de dezembro de 1932, lançada bem em cima da folia, em fevereiro, sob n.o 33614-A, matriz 65631. Destaca-se no coro, deste registro, uma voz feminina que parece ser a de Cármen Miranda. E falando em Cármen Miranda, ela aqui comparece com duas faixas. A primeira, da parceria Braguinha-Alberto Ribeiro, muitos conhecem na  interpretação de Gal Costa: é a famosa marchinha “Balancê”, de João “Braguinha” de Barro e Alberto Ribeiro, do carnaval de 1937. Cármen a gravou na Odeon em 19 de novembro de 1936, com lançamento um mês antes do carnaval, em janeiro, sob n.o  11430-A, matriz 5457. Apesar de ter obtido alguma aceitação, “Balancê” ficou esquecida com o passar do tempo, até que Gal Costa,  mais de 40 anos depois, a tirasse do esquecimento no LP “Gal tropical” e a transformasse em hit permanente de todos os carnavais a partir de 1980. A outra marchinha com Cármen Miranda nesta edição é a maliciosa “Eu dei...” (“O que foi que você deu, meu bem?”), do carnaval de 1938. Gravação Odeon de 21 de setembro de 1937, lançada ainda em dezembro com o número 11540-B, matriz  5670. No fim, descobre-se que a personagem havia dado um beijo, e quem canta os versos finais (“guarde para mim unzinho, que mais tarde pagarei com um jurinho”) é o próprio Ary Barroso! Aurora Miranda, irmã de Cármen, aqui comparece com outras duas marchinhas, ambas do carnaval de 1940, e em gravações Victor. A primeira é “Que horas são estas?”, de Antônio Almeida e Oswaldo Santiago, do carnaval de 1940. Foi gravada em 18 de outubro de 1939, e lançada ainda em dezembro sob n.o  34530-A, matriz 33191. Dias antes, a 3 de outubro de 39, Aurora já havia gravado “Não vejo jeito”, de Ismael Silva, lançada em novembro seguinte com o n.o 34519-B, matriz 33170. A carioca Dora Lopes (1922-1983), grande compositora e intérprete de sambas, comparece aqui com a divertida marchinha “Fila do gargarejo”, dela própria em parceria com José Batista e Nilo Viana. É do carnaval de 1958, lançada em fins do ano anterior pela Mocambo, gravadora do Recife que pertencia aos irmãos Rozenblit, sob n.o 15196-A, matriz R-910. As Irmãs Pagãs (Elvira e Rosina, esta falecida recentemente, anos depois de Elvira) apresentam-nos “Água mole em pedra dura”, marchinha do carnaval de 1940, de autoria de Sátiro de Melo e Manoel Moreira. Foi gravada na Columbia em 24 de outubro de 1939, e lançada ainda em dezembro com o número 55181-A, matriz 224. Dois inesquecíveis intérpretes se reúnem na faixa seguinte: Francisco Alves, o Rei da Voz, e Dalva de Oliveira, o Rouxinol do Brasil, interpretam a belíssima marcha-rancho “Andorinha”, de Herivelto Martins (então marido de Dalva) e Haroldo Barbosa, um dos sucessos do carnaval de 1946, conhecido como o “carnaval da vitória” por ter acontecido após o término da Segunda Guerra Mundial, com a vitória dos países aliados sobre os do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). A dupla a imortalizou na Odeon em 5 de dezembro de 1945, e o lançamento se deu um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 12660-A, matriz 7954. Para finalizar, trazemos a cantora Lolita França, sobre a qual pouquíssima coisa se sabe. Aqui ela revive a “marcha-canção” (como foi editada originalmente)“Taí” (cujo título original era “Pra você gostar de mim”), de Joubert de Carvalho,  com a qual Cármen Miranda despontou para o estrelato em 1930. A regravação de Lolita é de 7 de julho de 1939, lançada pela Victor em setembro do mesmo ano, disco  34486-B, matriz 33116. Lolita França gravou, entre 1939 e 1942, onze discos com vinte e duas músicas, e suas gravações obtiveram algum sucesso na Argentina. Enfim, esta é a segunda e última parte do retrospecto carnavalesco do Grand Record Brazil, por certo expressiva contribuição para a preservação da memória musical do Brasil. Divirtam-se!

*Texto de Samuel Machado Filho 



sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Carnaval A - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 91 (2014)

 Ó abre alas que o Grand Record Brazil quer passar! E apresenta para os amigos, cultos e associados do Toque Musical a primeira de duas partes de uma seleção dedicada ao carnaval. Vocês por certo irão se deliciar, e muito, com as músicas que o Augusto escolheu para esta seleção, muitas delas verdadeiros clássicos da folia de Momo, cantadas nos bailes até hoje, nas vozes de intérpretes renomados. Nesta primeira parte, oferecemos catorze gravações, todas elas marchas ou marchinhas. Abrindo esta seleção, temos Blecaute (Otávio Henrique de Oliveira, Espírito Santo do Pinhal, SP, 1919-Rio de Janeiro, 1983), cantor que recebeu esse apelido do Capitão Furtado, apresentador de programas sertanejos do rádio paulistano, por causa dos apagões que havia na época da Segunda Guerra Mundial, a fim de evitar ataques inimigos, nos quais a orla marítima do Brasil ficava às escuras. Com inúmeros hits carnavalescos no currículo, Blecaute,  de início, nos oferece a deliciosa “Maria Escandalosa”, de Klécius Caldas e Armando Cavalcanti, sucesso absoluto no carnaval de 1955, lançado pela Copacabana em janeiro desse ano sob n.o 5354-B, matriz M-999, e também abrindo o LP coletivo da gravadora com músicas para essa folia, em 10 polegadas. Em 1992, esta marchinha foi revivida na novela “Deus nos acuda”, da TV Globo, na voz de Ney Matogrosso, como tema de uma personagem também chamada Maria Escandalosa, interpretada  por Cláudia Raia. Em seguida, o eterno “general da banda” recorda, dos mesmos autores, a “Marcha do gago”, lançada originalmente em 1950 por Oscarito, astro da lendária Atlântida Cinematográfica, que também a interpretou no filme “Carnaval no fogo”. O registro de Blecaute é do LP de 10 polegadas “Carnaval do Rio”, também da Copacabana, lançado em 1955. Bill Farr (Antônio Medeiros Francisco, Sapucaia, RJ, 1925-Rio de Janeiro, 2010), outro intérprete da época áurea do rádio, nos oferece “Maricota Cervejota”, de autoria de João de Barro, o Braguinha, verdadeiro campeão de carnavais. Feita para o carnaval de 1956, a marchinha foi gravada na Continental em 21 de setembro de 55,e lançada ainda em novembro-dezembro sob n.o 17208-A, matriz C-3701, e no LP coletivo de 10 polegadas “Carnaval de 56”. Encontraremos em seguida, na interpretação de Orlando Silva (Rio de Janeiro, 1915-idem, 1978), o eterno “cantor das multidões”, um inesquecível clássico carnavalesco: “A jardineira”, de Benedito Lacerda e Humberto Porto, calcada em motivo popular do final do século XIX, e que dominou a folia de 1939.  Teve quatro gravações por Orlando  (que também a interpretou no filme “Banana da terra”, da Cinédia) na Victor: as duas primeiras em 21 de outubro de 1938 (matrizes 80917-1 e 80917-2), a terceira dez dias depois (matriz 80925-R) e finalmente a quarta e definitiva, que ouvimos nesta seleção, em 6 de dezembro de 38, matriz 80917-3, sendo o disco lançado pouco depois com o número 34386-B (dos quatro registros, o primeiro não teria sido lançado). Ainda hoje está presente nos bailes, e é um sucesso permanente de nosso cancioneiro carnavalesco. Outro campeão de carnavais, Lamartine Babo (Rio de Janeiro, 1904-idem, 1963) aqui nos oferece uma de suas marchinhas clássicas, feita em parceria com Paulo Valença: “Aí, hein?”, um dos hits do carnaval de 1933, por ele interpretado em dueto com Mário Reis. Gravação Victor de 25 de novembro de 32, lançada um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 33603-A, matriz 65601. Lalá também está na faixa 13, “Grau dez”, de sua parceria com Ary Barroso, em dueto com Francisco Alves, sucesso do carnaval de 1935, gravado na Victor em 16 de outubro de 34, com lançamento um mês antes da folia, em janeiro, disco 33880-B, matriz 79737. Na faixa 6, Carlos Galhardo (1913-1985) nos oferece outro clássico inesquecível e muito cantado nos bailes até hoje: “Alá-lá-ô”, de autoria de outros dois colecionadores de hits carnavalescos, Haroldo Lobo e Nássara. Sucesso absoluto do carnaval de 1941, também interpretado por Galhardo no filme “Vamos cantar”, da Pan-América Filmes, foi por ele imortalizada na Victor em 21 de novembro de 40, com lançamento um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 34697-A, matriz 52055, e ganhou súbita atualidade neste verão de 2014, no qual têm se registrado altíssimas temperaturas, com os desconfortos de praxe. Destaque também  para a introdução instrumental, obra de gênio do mestre Pixinguinha. Outro clássico momesco vem em seguida: “Pierrô apaixonado”, de Noel Rosa e Heitor dos Prazeres, do carnaval  de 1936. Gravação Victor de Joel de Almeida (“o magrinho elétrico”) em dupla com Gaúcho, datada de 26 de dezembro de 35 e lançada um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 34012-A, matriz 80060. Logo depois, outra divertida e clássica marchinha do mestre Lamartine Babo, “História do Brasil”, do carnaval de 1934. Foi imortalizada na Victor por Almirante (“a maior patente do rádio”) em 15 de dezembro de 1933, com lançamento um mês antes do tríduo momesco de 34, em janeiro, sob n.o 33740-B, matriz 65917. Talento precoce revelado pela Rádio Record de São Paulo, Mário Ramos de Oliveira, o Vassourinha, teve morte prematura, em 1942, aos 19 anos, de doença óssea, deixando gravados seis discos com doze músicas, todos pela Columbia. De seu terceiro disco, n.o 55308-A, lançado em dezembro de 1941 com vistas ao carnaval de 42, matriz 474, é esta marchinha de Antônio Almeida, “Chic chic bum”, interessante crônica do tempo em que o bonde era o principal meio de transporte no Rio de Janeiro. De Herivelto Martins em parceria com o pistonista Bonfiglio de Oliveira é “Mais uma estrela”, do carnaval de 1935, gravada na Victor por Mário Reis em 5 de outubro de 34, com lançamento ainda em novembro sob n.o 33850-A, matriz 79712. O problema da falta de moradia, já crônico naqueles tempos, é glosado por Peterpan (José Fernandes de Almeida) e Afonso Teixeira na “Marcha do caracol”, sucesso do carnaval de 1951, gravado na RCA Victor pelos Quatro Ases e um Coringa em 4 de outubro de 50 e lançado ainda em dezembro, disco 80-0728-A, matriz S-092771. Traduzindo as dificuldades causadas pela Segunda Guerra Mundial, com escassez generalizada de combustíveis e alimentos, vem a marchinha “Eu brinco”, de Pedro Caetano e Claudionor Cruz, do carnaval de 1944, imortalizada pelo eterno Rei da Voz Francisco Alves na Odeon em primeiro de dezembro de 43 e lançada um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 12404-A, matriz 7431. A marchinha mostra a disposição de se brincar o carnaval ainda que em tempo de vacas magras, sem pandeiro ou dinheiro...  Para encerrar esta edição carnavalesca do GRB, Sílvio Caldas (1906?-1998), o eterno “caboclinho querido”, apresenta outro sucesso inesquecível  de João “Braguinha” de Barro, “Linda lourinha”. Foi uma das músicas mais cantadas no carnaval de 1934,  gravada por Sílvio na Victor em 15 de novembro de 33, com lançamento um mês antes do tríduo momesco, em janeiro, sob n.o 33735-A, matriz 65889. E, na próxima segunda-feira, tem mais carnaval pra vocês aqui no GRB. Aguardem...

* Texto de Samuel Machado Filho

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

A Música de Ismael Silva Na Voz De... - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 86 (2014)



Chegamos à edição de número 86 do Grand Record Brazil, apresentando a terceira parte de nossa retrospectiva da obra do compositor Ismael Silva (1905-1978). São mais dezessete composições deste notável mestre do samba, cantadas por intérpretes diversos, inclusive ele mesmo. Para começar, temos um dos mais expressivos intérpretes da obra de Ismael, Mário Reis.  Ele interpreta aqui, como solista, as quatro primeiras faixas deste volume do GRB,  todas elas sambas e em gravações Odeon, a saber: “Novo amor”, de Ismael sem parceiro, gravação de 27 de fevereiro de 1929, lançada em abril do mesmo ano com o n.o 10357-A, matriz 2400; “Sofrer é da vida”, parceria de Ismael com Francisco Alves e Nílton Bastos, gravado em 28 de novembro de 1931 com vistas ao carnaval, mas só lançado em julho de 32 (deveria, pela lógica, ter saído em janeiro) com o n.o 10872-A, matriz 4375; “Ao romper da aurora”, parceria de Ismael e Francisco Alves com outro mestre, Lamartine Babo,  também do carnaval de 1932, disco 10881-A, matriz 4398; e “Uma jura que fiz”, da parceria de Ismael Silva com Noel Rosa e Francisco Alves, que Mário gravou em 12 de julho de 1932, disco 10928-A, matriz 4482. Na faixa seguinte, volta a dupla Francisco Alves-Mário Reis, de quem apresentamos alguns registros  na edição anterior, agora interpretando uma obra-prima do samba, “Arrependido”, da santíssima trindade Ismael Silva-Chico Viola-Nílton Bastos, gravação Odeon de 28 de fevereiro de 1931, lançada em abril do mesmo ano sob n.o 10780-A, matriz 4163 (em nosso volume anterior apareceu o outro lado, “O que será de mim?”).  Sílvio Caldas, o eterno “caboclinho querido”, aqui comparece com duas faixas assinadas exclusivamente por Ismael Silva, que gravou na Odeon em  14 de dezembro de 1934 com lançamento em fevereiro de 35 (claro que para o carnaval) sob n.o 11194, o samba ‘Agradeças a mim” (lado B, matriz 4974) e a marchinha “Cara feia é fome” (lado A, matriz 4972). Jonjoca (João de Freitas Ferreira) vem em seguida com outro samba só de Ismael, ‘Não te dou perdão”, lançado pela Odeon em fevereiro de 1930 para o carnaval, disco 10579-A, matriz 3366. J. B. de Carvalho,  que se converteu à umbanda e gravou por toda a carreira a música de sua religião (teve até terreiro e programa de rádio do gênero), aqui comparece com outro samba de Ismael Silva sem parceiro, “Com a vida que pediste a Deus”, gravação Odeon de 26 de outubro de 1939, lançada em janeiro de 40 para o carnaval, “of course”, sob n.o 11803-B, matriz 6237. “Fã”, outro samba de Ismael sem parceria, foi gravado na mesmíssima Odeon por Gilberto Alves em  14 de julho de 1942, com lançamento em setembro do mesmo ano sob n.o 12189-B, matriz 7015. Compositor e humorista de rádio, Silvino Neto, pai do comediante Paulo Silvino, aqui interpreta uma marchinha de Ismael Silva sem parceiro, “Boa boca”, gravada na Victor em 18 de fevereiro de 1941 e lançada bem em cima do carnaval de 42, em fevereiro, disco  34873-B, matriz S-052447. Nélson Gonçalves, o eterno “metralha do gogó de ouro”, vem com o samba “Não tenho queixa”, parceria de Ismael Silva com David Raw, gravação também da Victor, datada de  15 de dezembro de 1942 com lançamento bem cima do carnaval de 43, em fevereiro, disco  80-0050-A, matriz S-052678. Orlando Silva, o sempre lembrado “cantor das multidões”, comparece com um samba que Ismael fez com Roberto Roberti e Arlindo Marques Jr.,  “Se eu tiver que escolher”, gravação Odeon de 12 de dezembro de 1945, editada bem em cima do carnaval de 46, em fevereiro, sob n.o 12672-B, matriz 7958. A faixa seguinte é “Antonico”, samba com o qual Ismael Silva retornou às paradas de sucesso, depois de anos no ostracismo. Foi imortalizado na Odeon por Alcides Gerardi em 19 de janeiro de 1950, com lançamento em  abril do mesmo ano sob n.o 12993-B, matriz 8625. É um samba pungente que foge à linha tradicional do autor, pelo andamento um pouco mais lento (o personagem Nestor, de que fala a letra, é o próprio Ismael Silva, na época enfrentando problemas financeiros). Clássico inúmeras vezes regravado. Cyro “Formigão” Monteiro, “o cantor das mil e uma fãs”, comparece aqui com a marchinha “Eu sou um”, também de Ismael sem parceiro, do carnaval de 1940. Gravação Victor de 11 de outubro de 39, lançada ainda em dezembro sob n.o 34529-A, matriz 33184. O Ismael Silva intérprete dá as caras nesta seleção com seu samba “Me diga o teu nome”, lançado pela Odeon em dezembro de 31 (lógico, para o carnaval de 32) sob n.o 10858-A, matriz 4280. No selo original, Francisco Alves e Nílton Bastos aparecem como co-autores, mas, em regravações posteriores, só Ismael  aparece como autor deste samba. Conhecido como “a voz de dezoito quilates”, João Petra de Barros aqui interpreta outro samba só de Ismael, “Não é tanto assim”, gravação Odeon de 18 de dezembro de 1933, lançada em janeiro de 34 para o carnaval, disco 11089-B, matriz 4771, finalizando a terceira parte de nossa retrospectiva.   Enfim, mais uma contribuição do GRB à preservação de nossa memória musical. Até a semana que vem!  


*Texto de Samuel Machado Filho

domingo, 5 de janeiro de 2014

Orlando Silva - Compacto Odeon (1959)

Olá amigos cultos e ocultos! Feliz 2014 para todos! Aqui estamos de volta, trazendo sempre algo para se ouvir com outros olhos. Discos raros, curiosos, bootlegs, gravações e coletâneas exclusivas.
Como maneira de provar o quanto são poucos aqueles que perdem alguns minutinhos lendo nossas postagens, vou deixar aqui uma mensagem interessante, a qual eu não pretenndo repetir novamente. Quem leu, entendeu e vai aproveitar bem a dica. É o seguinte, a partir desta postagem estarei deixando um link relativo ao título apresentado, de maneira bem discreta, na última letra do texto (antes da relação da músicas). Clicando na letra final vocês terão acesso ao arquivo direto, através de seu provedor (no caso e até o momento, o Deposit Files). Essa é uma alternativa que estou criando, inicialmente como um teste. Vamos ver quantos vão 'pescar' a ideia ;)
Começamos o ano bem, trazendo o grande Orlando Silva em um raro compacto de 1959, um dos primeiros lançados no Brasil pela Odeon. Trata-se de um compacto duplo trazendo quatro temas marcantes, que Orlando Silva interpreta com toda a sua classe. Me parece que foi também a última gravação feita pelo cantor na Odeon. Imagino também que este compacto tivesse uma capinha ilustrada, como era comum nos primeiros disquinhos de 7 polegadas. O que eu tenho, infelizmente, não tem capa. Daí, para embalar o presente, criei essa aqui, exclusiva do Toque Musical.

rosalina
quando as aves emigram
timidez
lago da esperança

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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Especial De Natal Parte 2 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 83 (2013)

Nesta que é a semana do Natal, o Grand Record Brasil apresenta a segunda parte de sua seleção de músicas do gênero, gravadas na era das 78 rotações por minuto, feita a partir de uma compilação realizada em 2006 por nosso amigo e colega Thiago Mello, para seu blog Bossa Brasileira (http://bossa-brasileira.blogspot.com). São as últimas onze gravações de nosso retrospecto, perfazendo um total de vinte.  
Orlando Silva (1915-1978), o sempre querido e lembrado “cantor das multidões”, abre esta segunda parte com o fox-canção “Noite de Natal”, de Maugéri Neto e Maugéri Sobrinho, lançado pela Copacabana em outubro-novembro de 1952 sob n.o 5010-B, matriz M-260. Nessa época, Orlando retornara ao convívio do grande público, após um período marcado por problemas de ordem pessoal, inclusive amorosa, e substituiu Francisco Alves, morto em acidente rodoviário naquele ano, em seu programa de domingo na Rádio Nacional do Rio de Janeiro.  Em seguida, as duas partes de “Cantigas de Natal”, pot-pourri de conhecidas músicas do gênero (“Noite feliz”, “Tannenbaum”, “Jingle bells”, “Amanhã vem o Papai Noel”, etc.), com arranjo de Radamés Gnattali e Paulo Tapajós, e interpretadas pelos trios Melodia (do qual Tapajós fazia parte, junto com Albertinho Fortuna e Nuno Roland) e Madrigal (Edda Cardoso, Magda Marialba e Lolita Koch Freire). Esta seleção saiu pela Continental em 1951 com o número 20106, matrizes 2720 e 2721. Já que falamos em Francisco Alves (1898-1952), o eterno Rei da Voz aqui comparece com duas faixas. A primeira é a marchinha “Meu Natal”, parceria sua com Ary Barroso, em gravação Victor de 19 de outubro de 1934, lançada em dezembro seguinte sob n.o  33857-A, matriz 79762. No acompanhamento a orquestra Diabos do Céu, do mestre Pixinguinha. A outra é a canção-marcha “Natal”, de Herivelto Martins e Rogério Nascimento, gravação Odeon de 23 de outubro de 1945, lançada em dezembro seguinte com o n.o 12650-B, matriz 7926. Junto com ele está o Trio de Ouro em sua primeira formação, com Herivelto, Dalva de Oliveira e Nilo Chagas, todos acompanhados plea orquestra de Fon-Fon  (Otaviano Romero Monteiro).  Carlos Galhardo, “o cantor que dispensa adjetivos”, vem com outras duas faixas, em gravações RCA Victor. A primeira é a singela canção “Feliz Natal”, de Peterpan (cunhado da cantora Emilinha Borba, que regravaria a música um ano mais tarde) e Giuseppe Ghiaroni, gravada por Galhardo em 4 de agosto de 1950 e lançada em outubro do mesmo ano sob n.o  80-0697-A, matriz S-092728 (na verdade a música fora lançada um ano antes, na Star, pelo coral da Rádio Nacional do Rio). O registro de Galhardo, curiosamente, seria reeditado com o n.o 80-1061-A, em dezembro de 1952. A outra faixa dele aqui é exatamente a música que inaugurou entre nós o gênero natalino: a marcha “Boas festas”, de Assis Valente, aqui em seu registro original, de 17 de outubro de 1933, lançado em dezembro seguinte pela então Victor com o n.o 33723-A, matriz 65864. Foi, aliás, o primeiro grande hit nacional do cantor, que a gravaria mais duas vezes. Em seguida, vem o grande Blecaute (Otávio Henrique de Oliveira, Espírito Santo do Pinhal, SP, 1919-Rio de Janeiro, 1983), com a conhecidíssima “Natal das crianças”, de sua autoria, lançada pela Copacabana em dezembro de 1955 sob n.o 5502-A, matriz M-1273, Blecaute rotulou a música, modestamente, como “valsinha de roda”, sem ao certo imaginar que seria um dos maiores hits do cancioneiro natalino brasileiro em todos os tempos!  Temos depois outra “Noite de Natal”, desta vez uma valsa de Newton Teixeira em parceria com (Murilo) Alvarenga, que a gravou na Odeon com Ranchinho (Diésis dos Anjos Gaya) em 30 de outubro de 1941 com lançamento em dezembro seguinte, disco 12079-A, matriz 6826. Para encerrar, temos Dick Farney (Farnésio Dutra e Silva, Rio de Janeiro, 1921-São Paulo, 1987), interpretando “Feliz Natal”, singela canção da festejada dupla Armando Cavalcanti-Klécius Caldas, lançada pela Continental entre outubro e dezembro de 1949 sob n.o 16123-A, matriz 2173, com acompanhamento da orquestra do também compositor José Maria de Abreu. Curiosamente, este registro teve reedição em 1955, sob n.o 17230-B. A todos os amigos cultos, ocultos e associados do Toque Musical , os nossos mais sinceros votos de um Natal maravilhoso e um ano novo de 2014 repleto de alegria, paz, saúde e realizações positivas!

* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A Música De Geraldo Pereira - Parte 2 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 81 (2013)

Estamos de volta com o Grand Record Brazil, em sua edição de número 81. Desta vez, focalizamos mais uma substancial parcela da preciosa obra de Geraldo Pereira (1918-1955), interpretada por cantores contemporâneos do compositor.  O programa compõe-se de onze gravações de importância  histórica, artística e cultural indiscutíveis. Abrindo a seleção desta semana do GRB, temos Roberto Paiva (Helim Silveira Neves) interpretando dois sambas do mestre Geraldo, em gravações Victor.  O primeiro é “Lembras-te daquela zinha?” , parceria com Augusto Garcez, em registro de 9 de junho de 1941, lançada em agosto seguinte com o n.o 34784-A, matriz S-0522238. O segundo é “Já tenho outra”, em que Geraldo Pereira conta com a parceria de Augusto Garcez, gravado por Paiva em 11 de junho de 1943 e lançado em  11 de junho de 1943 e lançado em setembro do mesmo ano com o n.o 80-0113-B, matriz S-052791. Bem mais adiante, na faixa 8, Roberto Paiva interpreta “Brigaram pra valer”, parceria de Geraldo com José Batista. É um samba do carnaval de 1949, lançado pela Continental em janeiro desse ano sob n.o 15983-A, matriz 2003. Orlando Silva (1915-1978), o sempre lembrado “cantor das multidões”, comparece com outros dois sambas. “Jurei” é uma parceria de Geraldo Pereira com o “amigo velho” Cristóvão de Alencar,  destinada ao carnaval de 1946. Gravação Odeon ainda de 45, feita a 8 de novembro,  e lançada bem em cima da folia, em fevereiro, disco 12662-B, matriz 7934. Depois, Orlando interpreta um samba de Geraldo sem parceiro, só gravado seis anos após a morte do compositor. É “Vai”, registro RCA Victor (gravadora à qual Orlando havia retornado definitivamente) datado de 20 de abril de 1961, e lançado em maio seguinte sob número 80-2326-A, matriz M2CAB-1254, sendo também  incluído no compacto duplo de 45 rpm “Ontem à tarde”. Outro expressivo intérprete da obra de Geraldo Pereira, Déo (Ferjallah Rizkallah, 1914-1971), “o ditador de sucessos”, interpreta dois sambas só de Geraldo Pereira, que gravou na Continental em 2 de junho de 1946 com lançamento em agosto sob n.o 15660. Abrindo-o, matriz 1507, “Só quis meu nome”, e no verso, matriz 1506, “Ainda sou seu amigo”. No acompanhamento, o regional de Benedito Lacerda, com sua flauta inconfundível. Conhecido como “o príncipe do samba”, Roberto Silva (Rio de Janeiro, 1912-idem, 2012) interpreta aqui um samba de Geraldo Pereira sem parceria, lançado pela Star em 1949 sob número 147-B. É “Minha companheira”, inspirado em Isabel, a grande paixão da vida do compositor. Segundo depoimento dela própria, o samba foi composto por Geraldo bem antes deste registro, quando ambos ainda moravam juntos no bairro carioca da Cruz Vermelha. Um dos pioneiros da gravação em disco no Brasil, o  já veterano Patrício Teixeira (1893-1972) aqui comparece com “Adeus”,  samba da parceria Geraldo Pereira-Augusto Garcez, gravação Victor de 12 de março de 1942, lançada em maio do mesmo ano, disco 34926-A, matriz S-052497. Canto de discografia escassa mas bastante significativa (oito discos 78, um LP e um compacto duplo, Abílio Lessa (Rio de Janeiro, 1926-idem, 1975), morto prematuramente, aos 49 anos, de câncer no esôfago,  aqui comparece com “Liberta meu coração”, samba da parceria Geraldo Pereira-José Batista, destinado ao carnaval  de 1948. Foi gravado na RCA Victor ainda em 47, no dia 27 de outubro, com lançamento em dezembro seguinte sob n.o 80-0563-B, matriz S-078803. E para encerrar, o samba-canção “Promessa de um caboclo”, parceria de Geraldo Pereira com Arnaldo Passos. A referência, na letra, às festas de São João, pode ser lembrança dos tempos de menino de Geraldo, em sua cidade natal (Juiz de Fora, Minas Gerais). Quem canta é Francisco Carlos (Francisco Rodrigues Filho, 1928-2003), o eterno “El broto”, astro da Rádio Nacional e dos filmes da Atlântida, em gravação RCA Victor de 27 de março de 1952, lançada em junho seguinte sob n.o 80-0909-B, matriz S-093229. Enfim, é mais um trabalho do GRB que certamente será bastante apreciado por nossos amigos, cultos, ocultos e associados. Ouçam e desfrutem!

Testo de SAMUEL MACHADO FILHO



segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Orlando Silva / Nelson Gonçalves - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 42 (2012)

Já em sua quadragésima-segunda edição, o meu, o seu, o nosso Grand Record Brazil homenageia dois intérpretes inesquecíveis que deixaram inestimável contribuição para a história de nossa música popular: Orlando Silva e Nélson Gonçalves.
Orlando Garcia da Silva era carioca do Engenho de Dentro, nascido a 3 de outubro de 1915 na Rua General Clarindo, hoje Rua Augusta. Era filho do violonista José Celestino da Silva, que participou de serenatas, peixadas e feijoadas junto com o mestre Pixinguinha, ambiente em que também viveu Orlando por três anos, até o falecimento do pai, vitimado pela gripe espanhola. Orlando teve uma infância normal, sempre gostando muito de violão e já fã, na adolescência, de Carlos Galhardo e Francisco Alves. Seu primeiro emprego foi como estafeta da Western, indo depois para o comércio, onde foi sapateiro, vendedor de roupas e tecidos e trocador de ônibus. Quando era “office-boy”, ao saltar de um bonde para entregar uma encomenda, sofreu grave acidente que causou o amputamento de parte de um dos pés, ficando inativo por um ano. Estimulado por amigos, Orlando começou sua peregrinação pelas rádios, querendo ao menos ser ouvido, sem conseguir, dada sua aparência de moço pobre e mal trajado, que mancava. Quando já estava a ponto de desistir, foi ouvido pelo compositor Bororó (autor do clássico “Da cor do pecado”) nos corredores da Rádio Cajuti. Impressionado, Bororó arranjou uma audição com Francisco Alves, que aconteceu dentro de seu carro! E Chico, encantado com a voz de Orlando, o escalou imediatamente para seu programa dominical na Cajuti, e sua estreia aconteceu em 24 de junho de 1934. Em janeiro do ano seguinte, lançava seu primeiro disco, pela Columbia, para o carnaval, interpretando a marchinha “Ondas curtas” e o samba “Olha a baiana”. Ainda em 1935, foi para a RCA Victor, onde ficaria até 1942, lançando sucessos sobre sucessos ('A última estrofe”, “Lábios que beijei”, “Carinhoso”, “Rosa”, “Abre a janela”, “A jardineira”, “Meu consolo é você”, recebendo do locutor esportivo Oduvaldo Cozzi o apelido de “cantor das multidões”, após o retumbante êxito de sua primeira apresentação em São Paulo, em janeiro de 1938. Um fenômeno de popularidade como poucos. Gravou também na Odeon, na Copacabana e na Mocambo, voltando definitivamente à RCA Victor em 1960. Morreu em 7 de agosto de 1978, em seu Rio natal, vitimado por uma trombose.
Para esta edição do GRB, foram selecionadas gravações de Orlando na Odeon, na Victor e na Copacabana. Da Copacabana temos: do disco 5067, lançado em maio-junho de 1953, os dois lados: no lado A, faixa 8 de nossa sequência, matriz M-392, o samba-canção “Meu lampião”, de Alberto Ribeiro e Alcyr Pires Vermelho e, no verso, matriz M-393 e faixa 7 de nossa sequência, o samba “Escravo do amor”, de J. Cascata, Leonel Azevedo (autores dos clássicos “Lábios que beijei” e “Juramento falso”, também gravados por Orlando) e Lilinha Fernandes. Ainda dessa marca, o lado B do disco 099, lançado em agosto de 1952 e faixa 9 de nossa sequência, apresentando o choro cantado “Moreninha”, de autoria do descobridor de Orlando, Bororó (de quem o cantor também gravou o hit “Curare”, em 1940). A faixa 10, da primeira fase de Orlando na Victor, tem outro choro cantado: “Mentirosa”, de Custódio Mesquita e Mário Lago, gravado em 9 de junho de 1941 e lançado em agosto seguinte, disco 34783-B, matriz S-052240. Por fim, apresentamos, da Odeon, a canção-marcha “A carta”, de Custódio Mesquita, que é, como o nome indica, uma carta escrita por um expedicionário da FEB, então lutando na Itália durante a Segunda Guerra Mundial, a sua mãe no Brasil. Gravação de 21 de julho de 1944, lançada em setembro seguinte com o número 12487, ocupando os dois lados do disco, matrizes 7613 e 7614.
As 6 primeiras faixas desta nossa edição foram destinadas a Nélson Gonçalves, nome artístico de Antônio Gonçalves. O “gogó de ouro” nasceu na cidade gaúcha de Santana do Livramento, em 25 de junho de 1919, filho dos portugueses Manoel e Libânia, que ganhavam a vida vendendo cortes de tecidos a domicílio, de porta em porta. Era o irmão mais velho de Joaquim, o Quincas, que também seria cantor, gravando alguns discos de fados lusitanos. Conforme documentos disponíveis, a família mudou-se para São Paulo em 1926, morando primeiro no Canindé, e depois fixando-se no Brás. Ali Nélson e o irmão começaram a estudar, no Liceu Eduardo Prado. Para reforço da economia familiar, “seu” Manoel levava os filhos para cantar nas feiras livres, em cima de caixotes, acompanhando-os ao violão. Nélson (para a família apenas Nico) , apesar de ser gago (ou “taquilárico”), cantava com dicção normal, desenvolvendo seus dotes em bares, restaurantes, festas e rodas de amigos. Logo ele iria conhecer momentos de trabalho duro: primeiro como operário numa fábrica de tamancos e depois como polidor de metais na Wolff, atividades de fato insalubres, chegando até a praticar pugilismo amador. Em 1937, numa festa de casamento no Brás, é ouvido pela cantora Sônia Carvalho, que deixara a carreira para se casar, e, encantada, deu-lhe o nome artístico que o eternizou: Nélson Gonçalves. Sônia deu-lhe aulas de canto em sua casa por cerca de 4 meses, e o levou para um teste na Rádio São Paulo, PRA-5 (“a voz amiga”), então dirigida pelo maestro Gabriel Migliori, sendo aprovado e contratado, pedindo dispensa da Wolff. Em um período que ficou afastado do rádio, Nélson foi garçom no bar do irmão Quincas, na Avenida São João e, em 1940, cantou em programas da PRE-4, Rádio Cultura (“a voz do espaço”), com auditório na mesma avenida. Em 1941, vai ao Rio de Janeiro tentar a sorte em programas de calouros, sendo várias vezes reprovado. Dois meses mais tarde, volta ao Rio, agora com um acetato gravado na Rádio Record, onde cantava a valsa “Se eu pudesse um dia” e a canção “Os anos carregaram”, ambas de Orlando Monello e Oswaldo França, aprovado pelo diretor da Cássio Muniz, então representante da RCA Victor em São Paulo. Nélson vai até à gravadora apresentar o acetato para o diretor artístico Vittório Lattari, que o ouve mas não acredita ser ele o cantor, e que ele tinha “roubado” essa prova de alguém, dada sua gagueira. Com o ambiente pesado, Nélson só volta para pegar o acetato de volta no dia seguinte, e para sua sorte lá estava o compositor e flautista Benedito Lacerda, que resolve tirar a prova acompanhando Nélson com seu regional. Provado que o cantor era ele mesmo, e com a profecia de Benedito (“esse vai ser o maior cantor do Brasil!”), Nélson Gonçalves é finalmente contratado pela RCA Victor, que seria sua primeira, única e última gravadora. Sua primeira sessão de gravação acontece em 4 de agosto de 1941, com as músicas “Se eu pudesse um dia”, “Sinto-me bem” (primeiro disco), “Formosa mulher” e “A mulher dos sonhos meus” (segundo disco). Em quase 60 anos de atividade, Nélson gravaria 869 músicas, e seria um dos maiores vendedores de discos da RCA Victor em todo o mundo: mais de 50 milhões de cópias! Apresentou-se também nos EUA, mais precisamente em Nova York, no Radio City Music Hall, em novembro de 1960. Entre seus maiores sucessos estão: “Quem mente perde a razão”, “Deusa do Maracanã”, “Maria Betânia”, “Normalista”, “A volta do boêmio” (certamente o maior de todos), “Deusa do asfalto”, “Escultura”, “Fica comigo esta noite” e muitos, muitos mais. O envolvimento com cocaína prejudicou em muito sua carreira, mas ele conseguiu se recuperar do vício após um tratamento de choque no qual ficou quatro meses enclausurado em seu quarto (até batia na mulher!). Seu último trabalho em disco foi o CD “Ainda é cedo”, uma homenagem a cantores e compositores de nossa música pop surgidos nos anos 1980, lançado em 1997. Nélson morreria em 18 de abril do ano seguinte, 1998, no Rio de Janeiro, e vários episódios de sua vida e carreira só se esclareceram com a publicação, em 2002, do livro “A revolta do boêmio – A vida de Nélson Gonçalves”, escrito por Marco Aurélio Barroso.
Nesta edição do GRB, temos seis gravações de Nélson Gonçalves, todas, claro, pela RCA Victor:  “Primeira mulher”, de Kid Pepe e Theo Magalhães, gravado em 30 de maio de 1944 e lançado em agosto seguinte (80-0198-B, matriz S-052969), “Ciúme”, de Nóbrega de Macedo e José Batista, gravação de 4 de março de 1947 lançada em maio seguinte (80-0511-A, matriz S-078729), “Dona Rosa”, nostálgico e divertido dueto com Isaura Garcia, de autoria dos irmãos Aloysio e Armando Silva Araújo, gravação de 21 de novembro de 1946, lançada em março de 47 (80-0493-B, matriz S-078644), sendo as três músicas sambas. Depois, vem a canção “Os anos carregaram”, de Oswaldo França e Orlando Monello, que Nélson gravou em seu acetato de apresentação e registraria comercialmente em 13 de janeiro de 1942 com lançamento em seu quinto disco, em maio seguinte, com o número 34879-A, matriz S-052452. Para encerrar, mais dois sambas: “Seus olhos na canção”, de Marino Pinto e Waldemar Gomes, gravação de 29 de janeiro de 1946 lançada em maio seguinte (80-0400-A, matriz S-078427) e “Ela me beijou”, de Herivelto Martins e Artur Costa, gravado em 10 de agosto de 1944 e lançado em outubro seguinte sob número 80-0218-B, matriz S-078033. Desta gravação participa o Trio de Ouro original (Herivelto Martins, Dalva de Oliveira e Nilo Chagas), não creditado no selo certamente por serem então contratados da Odeon.
Enfim, dois cantores inesquecíveis, de vozes privilegiadas, que o GRB agora oferece para os amigos cultos, ocultos e associados do TM. Ouçam e recordem! 

TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO 

sábado, 23 de abril de 2011

Coletânea Bolachão (2011)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! O dia hoje foi longo e bastante atarefado, mas ainda assim cheguei a tempo de marcar o ponto. Como hoje é (ainda) dia de coletânea, aqui vai uma seleção extraída de gravações das décadas de 20, 30 e 40. Esta coletânea já estava pronta há algum tempo atrás. Ficou na reserva, mas acabou sendo aproveitada hoje por já estar prontinha para a publicação.
Como podemos ver na lista a baixo, temos aqui um time variado de artistas em gravações raras, reunidas em 26 músicas, que equivalem à 13 bolachas de 78 rpm, que juntas dão um bolachão.
Desculpem, mas amanhã (hoje) vai ser um dia duro. É domingo de Páscoa, mas eu vou trabalhar. Trabalho bom, com certeza, senão eu não estaria nessa... Boa Páscoa a todos!

adeus estácio
azulão - olga praguer coelho
agora é cinza - mario reis
morena cor de canela - elise houston
você nõa gosta de mim - carlos galhardo
yaya linda flor - aracy cortes
quatro horas - dupla preto e braco
mulata - olga praguer coelho
mulher enigma - francisco alves
você... você - laura suarez
cadê vira-mundo? - conjunto tupy
ritmo do coração - alzira camargo
eu vivo sem destino -silvio caldas
cecy e pery - trio de ouro
que fim levou você - neide martins
nada além - orlando silva
ciúme de cabocla -elsinha coelho
meiga flor - vicente celestino
pirata - dircinha batista
por causa desta cabocla - silvio caldas
jura - aracy cortes
eu não posso perder pra você - gstão formenti
estrela do céu - olga praguer coelho
dor de cabeça - fernando jazz band sul americano
sem você - aurora mirada
maricota saí da chuva - trio madrigal e trio melodia


sábado, 16 de abril de 2011

Coletânea Do Lindenor - Hipopótamo Zeno (2007)

Muito bom dia a todos, amigos cultos e ocultos. Infelizmente, para alguns ocultos (metidos a cultos), o dia vai ser babando e roncando na cama (e sozinho), recompensando a noite amarga que passaram como raposas desprezando as uvas. É foda, a inveja é mesmo uma merda! Por certo, não há desculpas para erros, pelo menos para aqueles que conseguem ver uma espinha no rosto na Gisele Bundchen. Depois que inventaram um corretor automático de textos, tem nêgo aí se achando... Eu, não tenho nem como negar, sou um analfabeto buscando aprender a escrever. Mas nessa 'escolinha', que mais parece a do professor Raimundo Canabrava (digo, Canavieira), o que tem de aluno 'colando' os meus exercícios, não é pouco. Outros, invejando o meu progresso, vão jogando pedras. Mas fazem isso de maneira covarde, ocultos em seus anonimatos. Fazem críticas dessa natureza porque não sabem nada além da espinha na Gisele Bundchen. Mesmo sendo 'crititica', não deixam de estar me prestando um favor. Vão aí apontando os meus erros, que eu de cá irei corrigindo. No final, quem fica mesmo 'bem na fita' sou eu ;)
Mas, mudando de pau para cacete (ou vice versa), eu quero mesmo é chocolate! Levanto, sacudo a poeira e dou a volta por cima...
Hoje, nosso encontro é com as coletâneas e convidados. Como eu já havia informado anteriormente, os sábados por aqui (até segunda ordem) passaram a ser dedicados às coletâneas, minhas e dos meus convidados. Estou, aos poucos, convidando os parceiros de blogs musicais para nos brindarem com suas seleções. Acho essa ideia bem legal, pois abre um diálogo maior com os colegas, uma forma de interação do grupo e compartilhamento das nossas afinidades. Se você, amigo blogueiro, ainda não recebeu o meu convite, aguarde... eu chego já ;)
Estou trazendo para vocês uma seleção musical feita pelo amigo DJ Mandacarú, do site Hipopótamo Zeno. Ao convidá-lo, por sorte, de imediato ele já tinha uma coletânea prontinha, que fez em homenagem ao seu   falecido pai. Ele até já a havia postado no HZ e fez muito sucesso. Pelas circunstâncias e mais ainda pelo repertório, bem ao gosto do Toque Musical, eu não tive a menor dúvida. Tomei a liberdade de criar essa capinha, usando o nome do Seu Lindenor. É esta mesma a postagem do dia. Reproduzo a baixo a lista das músicas relacionadas conforme a maneira bem original feita pelo nosso amigo. 

1 - Coqueiro Velho, mega sucesso de Orlando Silva em 1940.
2 - Camisola do Dia, ouvida em primeira mão uns seis meses antes de ser gravada, com o próprio Nelson Gonçalves no Clube Recreativo Iguatuense.
3 - Aqueles Olhos Verdes, boleraço com o Trio Irakitan.
4 - You'll Never Know, com o invejadíssimo Dick Haymes – pela voz e por ter sido marido da Rita Hayworth.
5 - September Song e 6 - Days of Wine and Roses, com o preferido acima de todos Frank Sinatra.
7 - Basin Street Blues, com a preferida acima de todas Ella Fitzgerald.
8 - Canção da Mulher Amada, do único disco do rádio-ator Roberto Faissal, acompanhado pelo Evaldo Gouveia.
9 - Eu e o Rio, com o Miltinho acompanhado apenas pelo violão do Baden Powell.
10 - Canção de Amor, da paixão da vida toda, Elizeth Cardoso.
11 - Go Down Moses, com o Louis Armstrong largando o hot jazz e caindo de cabeça em hinos religiosos.
12 - Devagar Com a Louça, com Os Cariocas, dando roupa nova aos sambas da antiga.
13 - Desafinado, com o Tamba Trio entortando mais ainda a bossa nova.
14 - Saudade do Brazil, pela beleza atemporal da música de Tom Jobim.