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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Trio De Ouro - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 101 (2014)


Ultrapassando a barreira das 100 edições , o Grand Record Brazil chega justamente à centésima-primeira.  E, para abrilhantá-la em grande estilo, eis aqui um dos grupos vocais mais queridos e populares de nossa música popular: o Trio de Ouro.  A história do trio começa em 1932, ocasião em que Herivelto Martins e Francisco Sena faziam parte do Conjunto Tupi, de J. B. de Carvalho, e ao mesmo tempo formaram a Dupla do Preto e do Branco. Com a morte prematura de Sena, em 1935, Herivelto reorganiza a dupla, agora com Nilo Chagas.  No ano seguinte, Herivelto conhece Dalva de Oliveira, e esta, a seu convite, passa cantar junto com o duo. Inicialmente conhecidos como Dalva de Oliveira e Dupla Preto e Branco, foram depois rebatizados como Trio de Ouro. O grupo estreou em gravações na Victor, em 1937, interpretando “Ceci e Peri” e “Itaquari”. Nessa ocasião, Herivelto e Dalva se casam, e dão a seu primeiro filho o nome de Pery (o excelente cantor Pery Ribeiro), tirado justamente da marchinha “Ceci e Peri” (se fosse menina, claro, seria Ceci, conforme combinado com os ouvintes de rádio).  O Trio de Ouro, em sua primeira fase, deixou um acervo de mais de 50 gravações, a maioria na Odeon, com passagem também pela Columbia, futura Continental, repertório esse de grande valor artístico, sem as exigências comerciais que se registrariam tempos depois. Entretanto, o grupo se desfez em 1949, com a ruidosa separação de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins. Um ano mais tarde, o Trio de Ouro retoma suas atividades, ainda com Nilo Chagas (já com as relações bastante estremecidas com Herivelto) e, agora, com Noemi Cavalcanti, descoberta por Príncipe Pretinho, que a ouvira no programa de César de Alencar, na Rádio Nacional, levada pelo também compositor  Raul Sampaio, capixaba de Cachoeiro de Itapemirim.  Ele desempenhou papel decisivo para que o trio não acabasse de vez com a retirada de Dalva, e tem mais de 250 músicas gravadas como autor,  entre elas clássicos como “Eu chorarei amanhã”, “Nono mandamento” e “Meu pequeno Cachoeiro” (que seu conterrâneo Roberto Carlos converteu em hit nacional, em 1970). O primeiro disco dessa segunda formação, lançado em agosto de 1950, trouxe o samba “A Bahia te espera” e o samba-canção “Caminho certo”.  Essa fase, porém, dura pouco, pois, no começo de 1952, Nilo Chagas e Noemi Cavalcanti abandonam Herivelto Martins em definitivo, deixando um saldo artístico de 15 discos gravados, todos pela RCA Victor. Uma noite, Herivelto Martins e Raul Sampaio foram à casa de Nélson Gonçalves, a fim de entregar uma nova composição de Herivelto para o “metralha do gogó de ouro” gravar. É quando a então mulher de Nélson, Lourdinha  Bittencourt, se oferece para cantar no Trio de Ouro.  Assim começa a terceira fase do grupo vocal, com Lourdinha, Herivelto e Raul. O primeiro disco do novo trio sai pela RCA Victor em agosto de 1952, trazendo uma regravação do clássico “Ave-Maria  no Morro”, e o bolero “Se a saudade falasse” (este último aqui incluído). Aqui, já se registra, de forma mais acentuada, a necessidade de sucesso imediato, e até versões como “Índia”, “Luzes da ribalta” (ambas nesta seleção) e “Vaya com Diós” são gravadas pelo trio, atendendo a interesses comerciais, mas o grupo nunca deixou de cultivar nossas origens. Nessa  fase, o Trio de Ouro gravou 32 discos em 78 rpm, quase todos pela RCA Victor, e a  formação duraria bem mais tempo: até 1979,com o falecimento de Lourdinha  Bittencourt. Contudo, para matar as saudades de seus fãs, Herivelto e Raul continuaram a recompor o Trio de Ouro em ocasiões especiais, com a colaboração da excelente cantora Shirley Dom. A morte de Herivelto  Martins, em 1992, encerraria definitivamente a longa trajetória do Trio de Ouro. Trajetória esta que agora o GRB revive,  apresentando 13 gravações de suas três fases (principalmente da primeira, com Herivelto, Dalva de Oliveira e Nilo Chagas), sempre se mantendo em alto nível artístico. A seleção abre com uma gravação da terceira fase, a conhecidíssima guarânia paraguaia “Índia”,de José Asunción Flores e Manuel Ortiz Guerrero, em versão de José Fortuna. Como todos sabem, este foi um dos carros-chefes da dupla Cascatinha e Inhana, que lançou a versão com êxito arrebatador em 1952. Aqui, a gravação do terceiro Trio de Ouro, na RCA Victor, datada de 13 de março de 1953, e lançada em maio seguinte com o número 80-1120-A, matriz BE3VB-0045. Pulamos depois para a primeira fase, com o batuque “Lamento negro”, de Constantino “Secundino” Silva e Humberto Porto (este falecido prematuramente, em 1943, aos 35 anos), lançado pela Columbia em maio de 1941, sob número  55270-B, matriz 385. Lourdinha Bittencourt e Raul Sampaio voltam a cantar com Herivelto na faixa seguinte, “Luzes da ribalta” (“Limelight”), de Charles Chaplin, do filme de mesmo nome, o último em que ele interpretou Carlitos, só lançado nos EUA em 1972, uma vez que o comediante estava na lista negra do macartismo. A versão de Antônio Almeida e João de Barro, o Braguinha, teve inúmeros registros, e o do Trio de Ouro, na RCA Victor, em ritmo de bolero,  é de 14 de agosto de 1953, lançada em outubro seguinte com o número 80-1216-A, matriz BE3VB-0239. Já do final da primeira fase do trio é a marchinha “Minueto”, sucesso do carnaval de 1948. De autoria de Herivelto Martins e Benedito Lacerda, é gravação Odeon de 27 de novembro de 47, lançada um mês antes dos festejos momescos, em janeiro, disco 12830-A,matriz 8299. Dessa fase também é o samba “Calado venci”, que, segundo o próprio Herivelto Martins, foi a única parceria dele com Ataulfo Alves. É do carnaval de 1947, gravado na Odeon em 6 de dezembro de46, lançada bem em cima da folia, em fevereiro, sob número 12758-B, matriz 8145. Waldemar de Abreu, o Dunga, e Mário Rossi assinam o samba “Fantasia”, que o Trio de Ouro grava na “marca do templo” em 2 de outubro de 1945 e é lançado em novembro do mesmo ano com o número 12644-A,matriz 7915. Lauro “Gradim” dos Santos e Príncipe Pretinho vêm em seguida com outro samba, “Sorri”, para o carnaval de 1941, que o trio grava na Columbia em 11 de novembro de 1940, com lançamento ainda em dezembro, disco 55252-B, matriz 343. “Adeus, Estácio”,outro samba, é de Benedito Lacerda e Gastão Viana,para o carnaval de 1939, numa gravação Odeon do primeiro Trio de Ouro, feita em 8 de dezembro de 38 e lançada bem em cima da folia momesca, em fevereiro, disco 11696-B, matriz 5989. Da terceira fase do grupo é a regravação, em ritmo de baião, do samba-canção “Um caboclo apaixonado”, da parceria Herivelto Martins-Benedito Lacerda, originalmente lançado em 1936 por Sílvio Caldas. Herivelto, Raul Sampaio e Lourdinha Bittencourt o reviveram na RCA Victor em 13 de março de 1953, com lançamento em maio do mesmo ano, disco 80-1120-B, matriz BE3VB-0046. Voltando à primeira fase, temos o interessante samba-crônica “Bom dia, Avenida”, dando boas vindas à Avenida Rio Branco, antiga Central, como novo palco dos desfiles das escolas de samba cariocas, em substituição à Praça Onze de Junho, demolida para dar lugar a outra avenida, a Presidente Vargas (nem se sonhava com o atual Sambódromo da Rua Marquês de Sapucaí!). De autoria de Herivelto Martins e do ator Grande Otelo (Sebastião Bernardes de Souza Prata), que também fizeram pouco antes o clássico “Praça Onze” (glosando tal demolição), foi gravado pelo trio na Odeon em 23 de novembro de 1943, sendo lançado um mês antes do carnaval de 44, janeiro, disco 12406-B, matriz  7425. Voltando à terceira fase, temos outro samba de Herivelto, agora em parceria com David Nasser: “Maria Loura”, gravação RCA Victor de 14 de agosto de 1953, lançada em outubro seguinte com o número 80-1216-B, matriz BE3VB-0240. Da segunda fase do trio (Herivelto, Nilo Chagas e Noemi Cavalcanti) é a penúltima faixa, o samba-canção “Vingança”, de Lupicínio Rodrigues, gravado na mesmíssima RCA Victor em 10 de abril de 1951, e lançado em junho do mesmo ano, disco 80-0776-B, matriz S-092932. Este registro original, porém, passou em branco, pois, como todos sabem, “Vingança” só fez sucesso meses mais tarde, na interpretação de Linda Batista, que o tornou um clássico, sendo talvez o maior de todos os hits de Lupicínio como autor (com os direitos autorais da música, ele até comprou um carro que apelidou de “Vingança”!).  Foi inspirado numa mulher com quem Lupi viveu seis anos, e a quem ele abandonou ao descobrir que ela o traía (quando ela tentou uma reconciliação, Lupi compôs “Nunca”, hit de Dircinha Batista, irmã de Linda, um ano mais tarde). Encerrando esta seleção do GRB, temos justamente o lado A do primeiro disco da terceira fase do Trio de Ouro, o RCA Victor 80-0957, do qual falamos lá atrás:  o bolero “Se a saudade falasse”, de Herivelto sem parceiro, gravação de 11 de junho de 1952, lançada em agosto do mesmo ano, matriz SB-093321. Uma seleção que traz aos amigos cultos, ocultos e associados do GRB e do TM um pouco da trajetória do Trio de Ouro, que, durante todos esses anos, sempre fez por merecer seu nome. Ouçam e confirmem!  

* Texto de Samuel Machado Filho

segunda-feira, 10 de março de 2014

A Música De Principe Pretinho - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 93 (2014)

Esta semana, o Grand Record Brazil apresenta a primeira parte de uma retrospectiva dedicada a um compositor com várias músicas gravadas, mas sobre o qual pouquíssima coisa se sabe. Estamos falando de Príncipe Pretinho, cujo nome verdadeiro era José Luiz da Costa, nascido no Rio de Janeiro em data ignorada e ali mesmo falecido em 1946. Um personagem tão misterioso quanto fascinante, que muito incentivou a carreira de outro grande nome  de nossa música popular, Herivelto Martins, ao apresentá-lo a J.B. de Carvalho, fundador e líder do Conjunto Tupi, no qual Herivelto participou. Nesta primeira parte, apresentamos dezoito composições de Príncipe Pretinho, interpretadas por cantores de prestígio em sua época. Abrindo-a, temos sua primeira composição levada a disco, o samba “Gamela quebrada”, sem parceiro, do carnaval de 1931, gravação Victor de Sílvio Caldas em 13 de dezembro de 1930, lançada bem em cima da folia, em fevereiro, sob n.o 33407-B, matriz 65058. Em seguida, o Conjunto Tupi interpreta a marchinha ”Me dá, me dá”, igualmente de Príncipe Pretinho e ninguém mais, do carnaval de 1933. Outra gravação Victor, esta de25 de outubro de 1932, lançada ainda em dezembro, disco 33599-A, matriz 65569. Francisco Sena (Bahia, c.1900-Rio de Janeiro,1935), primeiro integrante da Dupla Preto e Branco, ao lado de Herivelto Martins, interpreta solo o ponto de macumba “Quem tá de ronda?”, também só de Príncipe Pretinho, gravada na Victor em 25 de maio de 1933 e só lançada em julho de 35 (!), disco 33953-B, matriz 65751. No samba “Tereré não resolve”, do carnaval de 1938, Príncipe Pretinho tem a parceria de Rogério Nascimento. Quem canta é Miguel Baúso (1913-?). em gravação Odeon de 27 de dezembro de 1937, lançada bem em cima dos festejos momescos, em fevereiro, sob n.o 11576-B, matriz 5750. O Trio de Ouro (apresentado inicialmente nos selos “Dalva de Oliveira e Dupla Preto e Branco”, isto é, Herivelto Martins e Nilo Chagas) apresenta-nos as duas músicas de seu disco de estreia, o Victor 34206, gravado em primeiro de julho de 1937 e lançado em novembro seguinte com vistas ao carnaval de 38, ambas apenas e tão-somente de Príncipe Pretinho. Na faixa 6, o lado A, a marchinha “Ceci e Pery”, matriz 80513. Nessa ocasião, Dalva e Herivelto combinaram que seu filho, então prestes a nascer, teria o nome de Ceci, caso fosse menina, e o de Pery, se fosse menino. E foi mesmo Pery, o excelente cantor Pery Ribeiro, outro de saudosa memória. Na faixa 5 está o lado B, matriz 80512, o batuque “Itaquari”. O Trio de Ouro interpreta depois o samba “Palavra de rei”, em que Príncipe Pretinho tem a parceria de Waldemar Crespo. Também destinado ao carnaval de 1938, foi gravado na mesmíssima Victor em 28 de julho de 37, com lançamento um mês antes da folia, em janeiro,sob n.o 34263-A, matriz 80557. Para essa folia, na mesma Victor e no mesmo dia, 28 de julho de 1937, a Dupla Preto e Branco, sem Dalva, ainda gravaria o samba “Bate palmas”, onde o parceiro de Príncipe Pretinho é Boanerges Guedes. Saiu ainda em dezembro de 37, com o n.o 34247-A, matriz 80558, O Trio de Ouro volta a se reunir na faixa seguinte, o batuque “Quem mora na lua”, só de Príncipe Pretinho, gravação Odeon de 27 de junho de 1938, mas só lançada em abril de 39 com o número  11652-A, matriz 5878. No samba “Nosso amor não convém”, do carnaval de 1939, Príncipe Pretinho tem a parceria de Peterpan (José Fernandes de Paula, Maceió, AL, 1911-Rio de Janeiro, 1983). A gravação ficou por conta de Carlos Galhardo, na Victor, em 16 de dezembro de 1938, com lançamento um mês antes dos festejos momescos, em janeiro, disco 34401-B, matriz 80970. Na faixa seguinte, volta o Trio de Ouro, desta vez interpretando o belíssimo samba-rumba  “Alvorada”, em que Príncipe Pretinho tem a parceria de um certo E. J. Moreira. Marcou a estreia do trio na Columbia, em gravação de 10 de maio de 1939, com lançamento em  junho seguinte, disco 55066-B, matriz 150. Da escassa discografia da cantora Janir Martins, outra cuja biografia é um mistério (dois discos com quatro músicas, ambos pela Columbia), foram pinçadas as duas músicas do primeiro disco, número 55175, gravado em 20 de setembro de 1939 e lançado em novembro do mesmo ano, ambas por ela cantadas em dueto com Jorge Nóbrega, parceiro de Príncipe Pretinho nas duas composições,  destinadas ao carnaval de 1940: a marchinha “Eu me rasgo todo”, matriz 215, por certo inspirada no tango “Por vos yo me rompo todo”, de Francisco Canaro, e o samba “Podes crer”, matriz 216. Para esse mesmo carnaval Príncipe Pretinho fez sozinho a marchinha “Na Turquia”, outra gravação do Trio de Ouro na Columbia, em 15 de dezembro de 1939, lançada um mês antes da folia, em janeiro de 40, sob n.o 55200-B, matriz 248. Nessa ocasião, vez por outra, Dalva de Oliveira, que integrava o Trio de Ouro, tinha oportunidade de gravar como solista. É o que acontece na mazurca “Menina de vestido branco”, de Príncipe Pretinho e mais ninguém, gravação Columbia de 24 de maio de 1940, lançada em junho do mesmo ano sob n.o 55218-B, matriz 286. Cármen Costa e Henricão apresentam em dueto dois sambas de Príncipe Pretinho, ambas do disco Columbia 55239, gravado em 19 de julho de 1940 e lançado em agosto do mesmo ano: “Dance mais um bocado”, parceria do próprio Henricão, matriz 307, e “Não quero conselho”, em que o parceiro é Constantino Silva, o Secundino, matriz 308. Para encerrar, Janir Martins interpreta, de seu segundo e último disco, o Columbia 55241-A, a marchinha “É espeto”, parceria de Príncipe Pretinho com Rogério Nascimento, gravada em 20 de setembro de 1940 e lançada em novembro seguinte, matriz 318, por certo para o carnaval de 41. Enfim, um atraente e histórico apanhado da obra musical de Príncipe Pretinho, que continuaremos a abordar na próxima semana. A gente se vê!

*Texto de Samuel Machado Filho 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Especial De Natal Parte 2 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 83 (2013)

Nesta que é a semana do Natal, o Grand Record Brasil apresenta a segunda parte de sua seleção de músicas do gênero, gravadas na era das 78 rotações por minuto, feita a partir de uma compilação realizada em 2006 por nosso amigo e colega Thiago Mello, para seu blog Bossa Brasileira (http://bossa-brasileira.blogspot.com). São as últimas onze gravações de nosso retrospecto, perfazendo um total de vinte.  
Orlando Silva (1915-1978), o sempre querido e lembrado “cantor das multidões”, abre esta segunda parte com o fox-canção “Noite de Natal”, de Maugéri Neto e Maugéri Sobrinho, lançado pela Copacabana em outubro-novembro de 1952 sob n.o 5010-B, matriz M-260. Nessa época, Orlando retornara ao convívio do grande público, após um período marcado por problemas de ordem pessoal, inclusive amorosa, e substituiu Francisco Alves, morto em acidente rodoviário naquele ano, em seu programa de domingo na Rádio Nacional do Rio de Janeiro.  Em seguida, as duas partes de “Cantigas de Natal”, pot-pourri de conhecidas músicas do gênero (“Noite feliz”, “Tannenbaum”, “Jingle bells”, “Amanhã vem o Papai Noel”, etc.), com arranjo de Radamés Gnattali e Paulo Tapajós, e interpretadas pelos trios Melodia (do qual Tapajós fazia parte, junto com Albertinho Fortuna e Nuno Roland) e Madrigal (Edda Cardoso, Magda Marialba e Lolita Koch Freire). Esta seleção saiu pela Continental em 1951 com o número 20106, matrizes 2720 e 2721. Já que falamos em Francisco Alves (1898-1952), o eterno Rei da Voz aqui comparece com duas faixas. A primeira é a marchinha “Meu Natal”, parceria sua com Ary Barroso, em gravação Victor de 19 de outubro de 1934, lançada em dezembro seguinte sob n.o  33857-A, matriz 79762. No acompanhamento a orquestra Diabos do Céu, do mestre Pixinguinha. A outra é a canção-marcha “Natal”, de Herivelto Martins e Rogério Nascimento, gravação Odeon de 23 de outubro de 1945, lançada em dezembro seguinte com o n.o 12650-B, matriz 7926. Junto com ele está o Trio de Ouro em sua primeira formação, com Herivelto, Dalva de Oliveira e Nilo Chagas, todos acompanhados plea orquestra de Fon-Fon  (Otaviano Romero Monteiro).  Carlos Galhardo, “o cantor que dispensa adjetivos”, vem com outras duas faixas, em gravações RCA Victor. A primeira é a singela canção “Feliz Natal”, de Peterpan (cunhado da cantora Emilinha Borba, que regravaria a música um ano mais tarde) e Giuseppe Ghiaroni, gravada por Galhardo em 4 de agosto de 1950 e lançada em outubro do mesmo ano sob n.o  80-0697-A, matriz S-092728 (na verdade a música fora lançada um ano antes, na Star, pelo coral da Rádio Nacional do Rio). O registro de Galhardo, curiosamente, seria reeditado com o n.o 80-1061-A, em dezembro de 1952. A outra faixa dele aqui é exatamente a música que inaugurou entre nós o gênero natalino: a marcha “Boas festas”, de Assis Valente, aqui em seu registro original, de 17 de outubro de 1933, lançado em dezembro seguinte pela então Victor com o n.o 33723-A, matriz 65864. Foi, aliás, o primeiro grande hit nacional do cantor, que a gravaria mais duas vezes. Em seguida, vem o grande Blecaute (Otávio Henrique de Oliveira, Espírito Santo do Pinhal, SP, 1919-Rio de Janeiro, 1983), com a conhecidíssima “Natal das crianças”, de sua autoria, lançada pela Copacabana em dezembro de 1955 sob n.o 5502-A, matriz M-1273, Blecaute rotulou a música, modestamente, como “valsinha de roda”, sem ao certo imaginar que seria um dos maiores hits do cancioneiro natalino brasileiro em todos os tempos!  Temos depois outra “Noite de Natal”, desta vez uma valsa de Newton Teixeira em parceria com (Murilo) Alvarenga, que a gravou na Odeon com Ranchinho (Diésis dos Anjos Gaya) em 30 de outubro de 1941 com lançamento em dezembro seguinte, disco 12079-A, matriz 6826. Para encerrar, temos Dick Farney (Farnésio Dutra e Silva, Rio de Janeiro, 1921-São Paulo, 1987), interpretando “Feliz Natal”, singela canção da festejada dupla Armando Cavalcanti-Klécius Caldas, lançada pela Continental entre outubro e dezembro de 1949 sob n.o 16123-A, matriz 2173, com acompanhamento da orquestra do também compositor José Maria de Abreu. Curiosamente, este registro teve reedição em 1955, sob n.o 17230-B. A todos os amigos cultos, ocultos e associados do Toque Musical , os nossos mais sinceros votos de um Natal maravilhoso e um ano novo de 2014 repleto de alegria, paz, saúde e realizações positivas!

* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

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segunda-feira, 19 de março de 2012

Trio De Ouro, Trio Melodia, Trio Madrigal, Trio Marabá, Trio Nagô - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 14 (2012)

Encontros a três... vozes! É o que apresenta esta décima-quarta edição do Gran Record Brazil, apresentando trios vocais que marcaram época na história da música popular brasileira. Logo de saída, temos o Trio de Ouro. E em sua primeira fase, com o “rouxinol do Brasil” Dalva de Oliveira (Rio Claro, SP-1917-Rio de Janeiro, 1972), Herivelto Martins, seu fundador (Engenheiro Paulo de Frontin, RJ, 1912-Rio de Janeiro, 1992), e Nilo Chagas (Barra do Piraí, RJ-1917-Rio de Janeiro, 1973). O disco escolhido foi o Odeon 12185, gravado em 5 de junho de 1942 e lançado em agosto do mesmo ano, com acompanhamento da orquestra do maestro Fon-Fon (Otaviano Romero Monteiro, Santa Luzia do Norte, AL, 1908-Atenas, Grécia, 1951). O lado A, matriz 6964, é simplesmente um clássico: o samba-canção “Ave Maria no morro”, uma das mais famosas obras-primas de Herivelto. Foi muitas vezes gravada, até mesmo em... esperanto! Uma joia apresentada em seu registro original, daqueles indispensáveis para quem não conhece. No verso, matriz 6965, o curioso “lamento negro” “Festa de preto”, de autoria de Humberto Porto (Salvador, BA, 1908-Rio de Janeiro, 1943), parceiro de outros dois grandes compositores, Assis Valente e Benedito Lacerda. A composição é característica da obra de Porto, que trata muito da religiosidade baiana e da história de escravidão dos negros. Porto morreu uma semana depois de seu pai... se suicidando! E o primeiro Trio de Ouro acabaria em 1949, com a ruidosa separação de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins, que organizaria mais duas formações do grupo vocal: a segunda ainda com Nilo Chagas mais Noemi Cavalcanti, e a terceira com Raul Sampaio e Lurdinha Bittencourt.

Em seguida temos o Trio Madrigal, formado na Rádio Mayrink Veiga do Rio de Janeiro, em 1946, pelo maestro Alceu Bocchino. Sua primeira formação tinha Edda Cardoso, Magda Marialba e Margarida de Oliveira (irmã de Dalva), que seis meses depois abandonou o trio para se casar, sendo substituída por Lolita Koch Freire. É esta a formação que aparece nos discos Continental aqui incluídos, com acompanhamento instrumental dirigido pelo maestro gaúcho Radamés Gnatalli, sob o pseudônimo de Vero. No primeiro, de número 16554, gravado em 10 de abril de 1952 e lançado em maio-junho do mesmo ano, elas estão junto com o Trio Melodia (integrado por Albertinho Fortuna, Nuno Roland e Paulo Tapajós e formado na lendária Rádio Nacional para apoio do programa “Um milhão de melodias”) acompanhando vocalmente o cantor Jorge Goulart, que por uma triste coincidência acaba de falecer, aos 86 anos, em sua cidade natal, Rio de Janeiro. São regravações de dois hits de João de Barro, o Braguinha, então diretor artístico da gravadora dos irmãos Byington, intimamente ligados às festas juninas. No lado A, matriz C-2836, a marchinha “Noites de junho”, parceria com Alberto Ribeiro e criação de Dalva de Oliveira em 1939, e, no verso, matriz C-2835, uma obra-prima de Braguinha sem parceiro: o samba-canção 'Mané Fogueteiro”, originalmente lançado em 1934 por Augusto Calheiros. O segundo disco do Trio Madrigal aqui incluído, também de 1952, com lançamento em julho, leva o número 16586. No lado A, matriz C-2903, uma versão do especialista Lourival Faissal para o fox “Bom dia, mister Eco” (“Good morning, mister Echo), de Bill e Belinda Putman. Aqui, nota-se a criatividade do técnico de gravação Norival Reis, o Vavá, que até idealizou uma câmara de eco, fato que ajudou este registro, inclusive, a receber prêmio da Associação Brasileira de Discos naquele ano. No verso, matriz C-2809, a valsa “Convite ao amor”, na verdade uma versão com letra para “Sobre as ondas” (“Sobre las olas”), do uruguaio Juventino Rosas, versos de Lourival Faissal e Luiz de França. Valsa bastante gravada instrumentalmente no Brasil, e seu primeiro registro entre nós surgiu em 1910, com o rancho Ameno Resedá, sob o selo (olha só a coincidência)... Gran Record Brazil!!!

Em seguida temos os Trios Madrigal e Melodia novamente juntos no Continental 20106, lançado para os festejos natalinos de 1951, matrizes 2720 e 2721-R. Evidentemente, como diz o próprio título, é um popurri das mais expressivas”Cantigas de Natal”, de vários autores e/ou de origem folclórica, em arranjo de Paulo Tapajós e Radamés Gnatalli, com o sempre eficiente acompanhamento orquestral deste último, igualmente como Vero.

O Trio Marabá era formado por Pancho, Panchito e Cármen Duran (seriam mexicanos?). Aqui comparece com seu oitavo disco, o Copacabana 5044, lançado em março-abril de 1953, com regravações de dois hits da época: no lado A, matriz M-332, o baião “Mulher rendeira”, de origem folclórica, internacionalmente conhecido graças ao filme “O cangaceiro”, e nele interpretado pelos Demônios da Garoa. A película ganhou a Palma de Prata no festival de Cannes, França, como melhor filme de aventuras, mas quem mais se beneficiou de seu sucesso foi a distribuidora Columbia Pictures, sendo que a produtora, a lendária Vera Cruz, com estúdios em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, acabou falindo um ano depois. No verso, matriz M-333, o clássico samba-canção “Ninguém me ama”, de exclusiva autoria de Antônio Maria, mas com parceria de Fernando Lobo, por acordo que havia entre ambos. Originalmente saiu na voz de Nora Ney, em 1952.

Encerrando, vamos encontrar o Trio Nagô, integrado por Mário Alves de Almeida, Epaminondas de Souza e Evaldo Gouveia. Mário e Epaminondas cantavam na Rádio Clube do Ceará, quando conheceram o então estreante Evaldo Gouveia. Os três logo se tornaram amigos e passaram a cantar juntos na noite de Fortaleza. O grupo se chamava, a princípio, Trio Cearense, nome depois mudado para Trio Iracema e, finalmente, para Trio Nagô. Seu primeiro disco saiu em janeiro de 1953, pela Sinter, com o rasqueado “Moça bonita” e o maracatu “Paisagem sertaneja”. Eles estão aqui com o disco RCA Victor 80-1951, gravado em 24 de março de 1958 e lançado em junho do mesmo ano, com duas composições de Paulo Borges. No lado A, matriz 13-J2PB-0387, o conhecido e clássico rasqueado “Cabecinha no ombro”, lançado em fins do ano anterior por Alcides Gerardi e regravado inúmeras vezes, sendo conhecido até os dias de hoje (quem nunca ouviu?). No verso, matriz 13-J2PB-0388, o belo samba-canção “Cartão postal”. Enfim, uma edição do GRB que irá enriquecer o acervo de muitos amigos cultos e ocultos com algumas das melhores interpretações a três vozes. Divirtam-se!
* TEXTO SAMUEL MACHADO FILHO


sábado, 23 de abril de 2011

Coletânea Bolachão (2011)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! O dia hoje foi longo e bastante atarefado, mas ainda assim cheguei a tempo de marcar o ponto. Como hoje é (ainda) dia de coletânea, aqui vai uma seleção extraída de gravações das décadas de 20, 30 e 40. Esta coletânea já estava pronta há algum tempo atrás. Ficou na reserva, mas acabou sendo aproveitada hoje por já estar prontinha para a publicação.
Como podemos ver na lista a baixo, temos aqui um time variado de artistas em gravações raras, reunidas em 26 músicas, que equivalem à 13 bolachas de 78 rpm, que juntas dão um bolachão.
Desculpem, mas amanhã (hoje) vai ser um dia duro. É domingo de Páscoa, mas eu vou trabalhar. Trabalho bom, com certeza, senão eu não estaria nessa... Boa Páscoa a todos!

adeus estácio
azulão - olga praguer coelho
agora é cinza - mario reis
morena cor de canela - elise houston
você nõa gosta de mim - carlos galhardo
yaya linda flor - aracy cortes
quatro horas - dupla preto e braco
mulata - olga praguer coelho
mulher enigma - francisco alves
você... você - laura suarez
cadê vira-mundo? - conjunto tupy
ritmo do coração - alzira camargo
eu vivo sem destino -silvio caldas
cecy e pery - trio de ouro
que fim levou você - neide martins
nada além - orlando silva
ciúme de cabocla -elsinha coelho
meiga flor - vicente celestino
pirata - dircinha batista
por causa desta cabocla - silvio caldas
jura - aracy cortes
eu não posso perder pra você - gstão formenti
estrela do céu - olga praguer coelho
dor de cabeça - fernando jazz band sul americano
sem você - aurora mirada
maricota saí da chuva - trio madrigal e trio melodia