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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Especial De Natal Parte 2 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 83 (2013)

Nesta que é a semana do Natal, o Grand Record Brasil apresenta a segunda parte de sua seleção de músicas do gênero, gravadas na era das 78 rotações por minuto, feita a partir de uma compilação realizada em 2006 por nosso amigo e colega Thiago Mello, para seu blog Bossa Brasileira (http://bossa-brasileira.blogspot.com). São as últimas onze gravações de nosso retrospecto, perfazendo um total de vinte.  
Orlando Silva (1915-1978), o sempre querido e lembrado “cantor das multidões”, abre esta segunda parte com o fox-canção “Noite de Natal”, de Maugéri Neto e Maugéri Sobrinho, lançado pela Copacabana em outubro-novembro de 1952 sob n.o 5010-B, matriz M-260. Nessa época, Orlando retornara ao convívio do grande público, após um período marcado por problemas de ordem pessoal, inclusive amorosa, e substituiu Francisco Alves, morto em acidente rodoviário naquele ano, em seu programa de domingo na Rádio Nacional do Rio de Janeiro.  Em seguida, as duas partes de “Cantigas de Natal”, pot-pourri de conhecidas músicas do gênero (“Noite feliz”, “Tannenbaum”, “Jingle bells”, “Amanhã vem o Papai Noel”, etc.), com arranjo de Radamés Gnattali e Paulo Tapajós, e interpretadas pelos trios Melodia (do qual Tapajós fazia parte, junto com Albertinho Fortuna e Nuno Roland) e Madrigal (Edda Cardoso, Magda Marialba e Lolita Koch Freire). Esta seleção saiu pela Continental em 1951 com o número 20106, matrizes 2720 e 2721. Já que falamos em Francisco Alves (1898-1952), o eterno Rei da Voz aqui comparece com duas faixas. A primeira é a marchinha “Meu Natal”, parceria sua com Ary Barroso, em gravação Victor de 19 de outubro de 1934, lançada em dezembro seguinte sob n.o  33857-A, matriz 79762. No acompanhamento a orquestra Diabos do Céu, do mestre Pixinguinha. A outra é a canção-marcha “Natal”, de Herivelto Martins e Rogério Nascimento, gravação Odeon de 23 de outubro de 1945, lançada em dezembro seguinte com o n.o 12650-B, matriz 7926. Junto com ele está o Trio de Ouro em sua primeira formação, com Herivelto, Dalva de Oliveira e Nilo Chagas, todos acompanhados plea orquestra de Fon-Fon  (Otaviano Romero Monteiro).  Carlos Galhardo, “o cantor que dispensa adjetivos”, vem com outras duas faixas, em gravações RCA Victor. A primeira é a singela canção “Feliz Natal”, de Peterpan (cunhado da cantora Emilinha Borba, que regravaria a música um ano mais tarde) e Giuseppe Ghiaroni, gravada por Galhardo em 4 de agosto de 1950 e lançada em outubro do mesmo ano sob n.o  80-0697-A, matriz S-092728 (na verdade a música fora lançada um ano antes, na Star, pelo coral da Rádio Nacional do Rio). O registro de Galhardo, curiosamente, seria reeditado com o n.o 80-1061-A, em dezembro de 1952. A outra faixa dele aqui é exatamente a música que inaugurou entre nós o gênero natalino: a marcha “Boas festas”, de Assis Valente, aqui em seu registro original, de 17 de outubro de 1933, lançado em dezembro seguinte pela então Victor com o n.o 33723-A, matriz 65864. Foi, aliás, o primeiro grande hit nacional do cantor, que a gravaria mais duas vezes. Em seguida, vem o grande Blecaute (Otávio Henrique de Oliveira, Espírito Santo do Pinhal, SP, 1919-Rio de Janeiro, 1983), com a conhecidíssima “Natal das crianças”, de sua autoria, lançada pela Copacabana em dezembro de 1955 sob n.o 5502-A, matriz M-1273, Blecaute rotulou a música, modestamente, como “valsinha de roda”, sem ao certo imaginar que seria um dos maiores hits do cancioneiro natalino brasileiro em todos os tempos!  Temos depois outra “Noite de Natal”, desta vez uma valsa de Newton Teixeira em parceria com (Murilo) Alvarenga, que a gravou na Odeon com Ranchinho (Diésis dos Anjos Gaya) em 30 de outubro de 1941 com lançamento em dezembro seguinte, disco 12079-A, matriz 6826. Para encerrar, temos Dick Farney (Farnésio Dutra e Silva, Rio de Janeiro, 1921-São Paulo, 1987), interpretando “Feliz Natal”, singela canção da festejada dupla Armando Cavalcanti-Klécius Caldas, lançada pela Continental entre outubro e dezembro de 1949 sob n.o 16123-A, matriz 2173, com acompanhamento da orquestra do também compositor José Maria de Abreu. Curiosamente, este registro teve reedição em 1955, sob n.o 17230-B. A todos os amigos cultos, ocultos e associados do Toque Musical , os nossos mais sinceros votos de um Natal maravilhoso e um ano novo de 2014 repleto de alegria, paz, saúde e realizações positivas!

* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Especial De Natal Parte 1 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 82 (2013)

Vem chegando mais um final de ano, e mais um Natal! Tempo de reunir a família, preparar o presépio, a árvore e a ceia, trocar presentes (com direito até ao chamado “amigo oculto”)... sem, é claro, esquecer que é o aniversário de Jesus. Tempo também de cantar músicas alusivas à chamada festa máxima da cristandade. Evidentemente, o Grand Record Brazil  entra nesta semana em clima natalino, apresentando a primeira de duas partes de uma seleção de músicas gravadas na era do 78 rpm para comemorar a data. Ela foi extraída de uma compilação realizada em 2006, por nosso colega e amigo Thiago Mello, para o seu blog Bossa Brasileira (http://bossa-brasileira.blogspot.com). Serão ao todo vinte gravações (algumas já aparecidas em nosso volume 4, agora voltando com melhor qualidade sonora), e aqui apresentamos as primeiras dez.  Abrindo esta seleção, temos a introdução, apenas instrumental,  a cargo do grande Radamés Gnattali, de “Cantigas de Natal”, um pot-pourri  de canções do gênero interpretadas pelos Trios Melodia e Madrigal em disco Continental 20106, de 1951, do qual apresentaremos as duas partes em nosso próximo volume.  Em seguida, Neyde Fraga (São Paulo, 1924-Rio de Janeiro, 1987) apresenta, de seu terceiro disco, o Elite Special (selo então coligado da Odeon) N-1020-A, editado em 1950, a marchinha “Quando chega o Natal”, de autoria de Sereno (Inácio de Oliveira, São Paulo, 1909-idem, 1978), matriz FB-539, muito bem acompanhada pelos Demônios da Garoa (que, como ela, também eram do cast da Rádio Record de São Paulo, então “a maior”) e pela orquestra e coro do maestro Edmundo Peruzzi (Santos, SP, 1918-idem, 1975). Curiosamente, em outra tiragem desse disco, o número da matriz foi alterado para MIB-1097. Aurora Miranda (Rio de Janeiro, 1915-idem, 2005), irmã de Cármen, comparece com duas faixas que gravou na Odeon:  “Natal divino”, marchinha de Mílton Amaral, do disco 11288-A, gravado em 4 de dezembro de 1935 e lançado logo em seguida, matriz 5173, e o samba “Sinos de Natal”, de Djalma Esteves e Vicente Paiva, do disco 11174-B, gravado em 18 de outubro de 1934 para lançamento, é claro, em dezembro, matriz 4935. Leny Eversong (Hilda Campos Soares da Silva, Santos, SP, 1920-São Paulo, 1984), notável intérprete de hits nacionais e internacionais, nos brinda com a marchinha “Prece de Natal”, de José Saccomani, Lino Tedesco e Walter Mello, lançada em dezembro de 1953 pela Copacabana sob n.o 5172-B, matriz M-559. “Noite de Natal”, interpretada por Dalva de Oliveira com a orquestra de Roberto Inglez, é o famoso “Noite feliz  (Stille nacht, heilige nacht)”, com letra diferente da que costumamos cantar, assinada por Mário Rossi, em gravação feita em 1952, nos estúdios da EMI, em Londres, durante a longa e vitoriosa excursão da cantora pela Europa, e lançada no Brasil pela Odeon com o n.o X-3372-A (série azul internacional), matriz CE-14164. A música nasceu por um capricho de ratos que, em 1818, entraram no órgão de uma igreja da cidade austríaca de Arnsdorf e roeram seus foles. Preocupado com a possibilidade de um Natal sem música nesse ano, o padre Joseph Mohr foi logo procurar um instrumento para substituir o antigo.  Nessas peregrinações, imaginou como teria sido o nascimento de Jesus, em Belém. Fez anotações, levou-as até o músico Franz Gruber para musicar... e pronto! Assim nasceu “Noite feliz”.  Já que falamos em Aurora Miranda, sua irmã Cármen (1909-1955), ainda hoje uma referência em termos de Brasil no exterior, aqui  interpreta a marchinha “Dia de Natal”, de Hervê Cordovil, gravação Odeon de 16 de outubro de 1935, lançada  em dezembro seguinte sob n.o  11289-A, matriz 5170. Ângela Maria e João Dias interpretam, em dueto, a singela toada ‘Papai Noel esqueceu”, da parceria Herivelto Martins-David Nasser, lançada pela Copacabana para o Natal de 1955, sob n.o 20022-B (série “de exportação”), matriz M-1412. Um ano depois, em dezembro de 1956, nessa mesma série (20033-A, matriz M-1706), a Copacabana lançou o registro de Elizeth Cardoso para a canção “Cantiga de Natal”, de autoria da compositora e pianista Lina Pesce (Magdalena Pesce Vitale, São Paulo, 1913-idem, 1995), gravada originalmente por Mário Martins, em 1954, no mesmo selo.  Encerrando esta primeira parte, uma marchinha da dupla Alvarenga e Ranchinho, “Presente de Natal”, interpretada por Zelinha do Amaral com doce voz de menina e delicioso sotaque de caipirinha. Foi sua única gravação, feita na Victor em 12 de novembro de 1936 e lançada em dezembro seguinte sob n.o 34116-B, matriz 80250. Semana que vem, apresentaremos a segunda parte desta seleção natalina do GRB. Até lá!

* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A Música De Geraldo Pereira - Parte 2 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 81 (2013)

Estamos de volta com o Grand Record Brazil, em sua edição de número 81. Desta vez, focalizamos mais uma substancial parcela da preciosa obra de Geraldo Pereira (1918-1955), interpretada por cantores contemporâneos do compositor.  O programa compõe-se de onze gravações de importância  histórica, artística e cultural indiscutíveis. Abrindo a seleção desta semana do GRB, temos Roberto Paiva (Helim Silveira Neves) interpretando dois sambas do mestre Geraldo, em gravações Victor.  O primeiro é “Lembras-te daquela zinha?” , parceria com Augusto Garcez, em registro de 9 de junho de 1941, lançada em agosto seguinte com o n.o 34784-A, matriz S-0522238. O segundo é “Já tenho outra”, em que Geraldo Pereira conta com a parceria de Augusto Garcez, gravado por Paiva em 11 de junho de 1943 e lançado em  11 de junho de 1943 e lançado em setembro do mesmo ano com o n.o 80-0113-B, matriz S-052791. Bem mais adiante, na faixa 8, Roberto Paiva interpreta “Brigaram pra valer”, parceria de Geraldo com José Batista. É um samba do carnaval de 1949, lançado pela Continental em janeiro desse ano sob n.o 15983-A, matriz 2003. Orlando Silva (1915-1978), o sempre lembrado “cantor das multidões”, comparece com outros dois sambas. “Jurei” é uma parceria de Geraldo Pereira com o “amigo velho” Cristóvão de Alencar,  destinada ao carnaval de 1946. Gravação Odeon ainda de 45, feita a 8 de novembro,  e lançada bem em cima da folia, em fevereiro, disco 12662-B, matriz 7934. Depois, Orlando interpreta um samba de Geraldo sem parceiro, só gravado seis anos após a morte do compositor. É “Vai”, registro RCA Victor (gravadora à qual Orlando havia retornado definitivamente) datado de 20 de abril de 1961, e lançado em maio seguinte sob número 80-2326-A, matriz M2CAB-1254, sendo também  incluído no compacto duplo de 45 rpm “Ontem à tarde”. Outro expressivo intérprete da obra de Geraldo Pereira, Déo (Ferjallah Rizkallah, 1914-1971), “o ditador de sucessos”, interpreta dois sambas só de Geraldo Pereira, que gravou na Continental em 2 de junho de 1946 com lançamento em agosto sob n.o 15660. Abrindo-o, matriz 1507, “Só quis meu nome”, e no verso, matriz 1506, “Ainda sou seu amigo”. No acompanhamento, o regional de Benedito Lacerda, com sua flauta inconfundível. Conhecido como “o príncipe do samba”, Roberto Silva (Rio de Janeiro, 1912-idem, 2012) interpreta aqui um samba de Geraldo Pereira sem parceria, lançado pela Star em 1949 sob número 147-B. É “Minha companheira”, inspirado em Isabel, a grande paixão da vida do compositor. Segundo depoimento dela própria, o samba foi composto por Geraldo bem antes deste registro, quando ambos ainda moravam juntos no bairro carioca da Cruz Vermelha. Um dos pioneiros da gravação em disco no Brasil, o  já veterano Patrício Teixeira (1893-1972) aqui comparece com “Adeus”,  samba da parceria Geraldo Pereira-Augusto Garcez, gravação Victor de 12 de março de 1942, lançada em maio do mesmo ano, disco 34926-A, matriz S-052497. Canto de discografia escassa mas bastante significativa (oito discos 78, um LP e um compacto duplo, Abílio Lessa (Rio de Janeiro, 1926-idem, 1975), morto prematuramente, aos 49 anos, de câncer no esôfago,  aqui comparece com “Liberta meu coração”, samba da parceria Geraldo Pereira-José Batista, destinado ao carnaval  de 1948. Foi gravado na RCA Victor ainda em 47, no dia 27 de outubro, com lançamento em dezembro seguinte sob n.o 80-0563-B, matriz S-078803. E para encerrar, o samba-canção “Promessa de um caboclo”, parceria de Geraldo Pereira com Arnaldo Passos. A referência, na letra, às festas de São João, pode ser lembrança dos tempos de menino de Geraldo, em sua cidade natal (Juiz de Fora, Minas Gerais). Quem canta é Francisco Carlos (Francisco Rodrigues Filho, 1928-2003), o eterno “El broto”, astro da Rádio Nacional e dos filmes da Atlântida, em gravação RCA Victor de 27 de março de 1952, lançada em junho seguinte sob n.o 80-0909-B, matriz S-093229. Enfim, é mais um trabalho do GRB que certamente será bastante apreciado por nossos amigos, cultos, ocultos e associados. Ouçam e desfrutem!

Testo de SAMUEL MACHADO FILHO



segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A Música De Geraldo Pereira - Parte 1 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 80 (2013)

E chegamos a edição de número 80 do nosso Grand Record Brasil. Em edição anterior, como os amigos cultos, ocultos e associados do TM bem se lembram, apresentamos algumas das melhores gravações de Geraldo Pereira (Juiz de Fora, MG, 1918-Rio de Janeiro, 1955) como intérprete, inclusive, claro, composições próprias. E, como prometemos nessa ocasião, estamos voltando a focalizar a obra deste nome importantíssimo de nossa música popular. Desta vez, apresentamos doze gravações (é até chover no molhado falar de suas qualidades e de sua importância histórica) em que cantoras e conjuntos  contemporâneos do compositor interpretam suas obras.  Abrindo nossa seleção desta semana, os Quatro Ases e um Coringa, originários do Ceará, apresentam uma seleção de sambas que  homenageiam a Bahia de todos os santos, que sempre fascinou inúmeros compositores, sejam eles nascidos ou não na chamada boa terra, gravada na RCA Victor em 18 de julho de 1953 e lançada em outubro do mesmo ano sob n.o 80-1204-B, matriz BE3VB-0210. De Geraldo Pereira, aparece um trecho de seu clássico “Falsa baiana”, e neste pot-pourri também foram incluídos sambas de Vicente Paiva e Chianca de Garcia (“Exaltação à Bahia”), Dorival Caymmi (“O que é que a baiana tem?”)  e Ary Barroso (“Faixa de cetim”, “Na Baixa do Sapateiro”).  Na faixa seguinte, os Quatro Ases, que durante toda a carreira deram de fato as cartas,  nos brindam com “Ai! Que saudade dela”, samba de Geraldo Pereira em parceria com Ari Monteiro, gravação Odeon de primeiro de setembro de 1942, lançada em novembro do mesmo ano sob n.o 12221-B, matriz 7044. Mesmo pouco divulgado, é um samba que merece atenção.  Outro importantíssimo conjunto vocal dessa época, os Anjos do Inferno, liderados por Léo Vilar, aqui comparece com três sambas absolutamente imperdíveis. O primeiro é “Sem compromisso”, de Geraldo Pereira em parceria com Nélson Trigueiro, gravação Continental de 29 de maio de 1944, lançada em junho do mesmo ano com o n.o 15184-A, matriz 823. Nessa época, os salões e dancings eram bastante frequentados por certa camada da população carioca, e Geraldo, atento observador do cotidiano, adorava esse ambiente. Portanto, não deixaria mesmo passar em branco a cena – real ou imaginária – relatada neste samba, por sinal muito bem regravado por Chico Buarque em 1974. Outro hit de Geraldo Pereira  imortalizado pelos Anjos do Inferno é “Bolinha de papel”, gravação Victor de primeiro de fevereiro de 1945, lançada em abril do mesmo ano sob n.o 80-0266-B, matriz S-078125. Samba que, como muitos sabem, seria regravado em 1961 por João Gilberto. Em seguida tem “Vai que depois eu vou”, também de Geraldo sem parceiro, em outra gravação Victor, esta de 28 de novembro de 1945, lançada bem em cima do carnaval de 46, em fevereiro, disco 80-0381-B, matriz S-078402, e uma das músicas mais cantadas nessa folia momesca.  A faixa seguinte é “Pode ser?”, samba em que Geraldo Pereira conta com a parceria de Marino Pinto. E tem uma particularidade: foi incluído no disco de estreia da paulistana Isaurinha Garcia, a eterna “personalíssima”, gravado na Columbia em 23 de junho de 1941 e lançado em agosto do mesmo ano sob n.o 55294-B, matriz 440 (no lado A estava “Chega de tanto amor”, de Mário Lago). Como se vê, Isaurinha já mostrava a que veio, e esse seria o pontapé inicial de uma carreira repleta de sucessos. Na época, ela já era contratada da Rádio Record de São Paulo (então “a maior”), sendo inclusive considerada por seu então proprietário, Paulo Machado de Carvalho (“o marechal da vitória”), autêntico patrimônio da casa, fazendo parte até mesmo de seus móveis e utensílios (!), e Isaurinha lá permaneceu por mais de 40 anos.  Outro inesquecível cartaz do rádio e do disco, Dircinha Batista apresenta o samba-choro “Sinhá Rosinha”, parceria de Geraldo com Célio Ferreira, por ela gravado na Odeon em 7 de abril de 1942 e lançado em julho do mesmo ano, disco 12167-B, matriz 6937. Aqui, a temática é a do malandro regenerado, presente em outras composições de Geraldo Pereira, bastando lembrar, por exemplo, o samba-canção “Pedro do Pedregulho”, por ele mesmo gravado e que já apresentamos anteriormente no GRB. Dircinha ainda interpreta o samba “Fugindo de mim”, parceria com Geraldo com Arnaldo Passos e Waldir Machado, destinado ao carnaval de 1952. Gravação também da  Odeon, de 8 de novembro de 51, lançada um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 13212-B, matriz 9186. “A minha, a sua, a nossa favorita” Emilinha Borba, fenômeno de popularidade como raramente se viu em nosso país, e outro grande nome da fase áurea do rádio brasileiro, comparece aqui com outros dois sambas de Geraldo Pereira, em gravações Continental. O primeiro deles é “Boca rica”, parceria de Geraldo com Arnaldo Passos, lançado em janeiro de 1950 para o carnaval desse ano, disco 16142-B, matriz 2211. Do carnaval seguinte, de 1951, é “Perdi meu lar”, também da parceria Geraldo Pereira-Arnaldo Passos, gravado pela eterna “Favorita” em 25 de outubro de 50 e lançado um mês antes dos festejos momescos, em janeiro, sob n.o 16340-B, matriz 2478. Logo depois, temos Marlene (Vitória de Martino Bonaiutti), a que foi rival de Emilinha sem nunca ter sido (naquele tempo, como se vê, já tinha marqueteiro), interpretando outro samba de Geraldo Pereira e Arnaldo Passos, “Aquele amor”, destinado ao carnaval de 1952 e lançado pela Continental em janeiro desse ano, tendo a gravação sido feita em 5 de novembro de 51, disco 16513-A, matriz C-2783. Finalizando, temos uma cantora hoje pouco lembrada, mas que teve sua época, Heleninha Costa, interpretando aqui outro samba de Geraldo Pereira em parceria com Arnaldo Passos: “Não consigo esquecer”. Destinado ao carnaval de 1953, foi gravado por Heleninha na RCA Victor em 20 de agosto de 52, sendo lançado ainda em novembro sob n.o 80-1007-A, matriz SB-093410 (no lado B apareceu o clássico “Barracão”, de Luiz Antônio e Oldemar Magalhães). Como se percebe, as músicas destinadas ao carnaval eram então lançadas com antecedência, a fim de serem divulgadas e aprendidas pelos foliões em tempo hábil. Assim, chegando fevereiro, o público poderia escolher suas favoritas e cantá-las nos salões e nas ruas. Na próxima semana, continuaremos a abordar a obra de Geraldo Pereira, apresentando gravações de cantores contemporâneos do autor. Aguardem! 

* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A Música De Wilson Batista - Parte 3 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 79 (2013)


E aqui estamos mais uma vez na área, com a terceira e última parte da retrospectiva que o Grand Record Brazil dedica à obra musical de Wilson Batista (1913-1968). Desta feita, apresentamos mais treze preciosíssimas gravações, imprescindíveis para colecionadores e apreciadores da melhor música brasileira. Abrindo a seleção desta semana, temos o grande Gilberto Alves (Rio de Janeiro, 1915-Jacareí, SP, 1992). Ele aqui interpreta duas composições de Wilson Batista, ambas gravadas na Odeon. A primeira é  a marchinha “Gaúcho bom”, parceria com Roberto Martins, destinada ao carnaval de 1942. Gravação de 6 de novembro de 1941, lançada ainda em dezembro com o n.o 12082-A, matriz 6834. A outra é o samba “Um pedaço de mim”, que Wilson fez com o “amigo velho” Cristóvão de Alencar, gravado por Gilberto em 31 de maio de 1941 e lançado pela “marca do templo” em julho do mesmo ano, disco 12014-A, matriz 6678. Aurora Miranda (Rio de Janeiro, 1915-idem, 2005), irmã de Cármen, aqui interpreta uma marchinha de meio-de-ano, “Ladrão de corações”, parceria de Wilson Batista com Walfrido Silva. É outra gravação da Odeon, datada de 10 de agosto de 1933 e lançada em setembro do mesmo ano sob n.o 11049-A, matriz 4707. Conhecido como “o cantor que dispensa adjetivos”, Carlos Galhardo (1913-1985) aqui interpreta duas composições de Wilson Batista, por ele gravadas na Victor. Primeiramente, a marchinha “Mariposa” (termo que então designava as mulheres que só saíam de casa à noite, atraídas pela luz artificial, vocês até já devem ter adivinhado o sinônimo), parceria de Wilson com João da Baiana (João Machado Guedes, Rio de Janeiro, 1887-idem, 1974), do carnaval de 1941. A gravação se deu em 8 de outubro de 1940, com lançamento ainda em dezembro sob n.o 34682-B, matriz 52018. Em seguida Galhardo interpreta o bom samba “Deus no céu e ela na terra”, parceria de Wilson Batista com Marino Pinto, gravação de 14 de junho de 1940, lançada pela marca do cachorrinho Nipper em agosto do mesmo ano, disco 34643-B, matriz 33443, com destaque, no acompanhamento, para a clarineta de Luiz Americano. Zilá Fonseca (Iolanda Ribeiro Angarano, São Paulo, 1929-Rio de Janeiro, 1992) aqui comparece com o samba “Carta verde”, do trio Wilson Batista-Walfrido Silva-Armando Lima, gravado por ela na Columbia em 17 de julho de 1940 e lançado em agosto seguinte com o n.o 55237-B, matriz 304. Edmundo Silva (Rio de Janeiro, c. 1910-idem, 1952), irmão mais velho  de Orlando Silva, teve curta trajetória artística (ao contrário do irmão famoso), e gravou apenas onze discos com vinte e uma músicas, entre 1939 e 1944. Em uma reavaliação, porém, é possível reconhecer-lhe méritos.  Ele aqui comparece com o disco Victor 34560, lançado em janeiro de 1940 visando, obviamente o carnaval. Primeiramente o lado B, o samba “A respeito de amor”, da parceria Wilson Batista-Arnô Canegal, gravação de 17 de novembro de 1939, matriz 33277. Exatamente um dia depois, 18 de novembro de 40, Edmundo gravou o lado A, “Formosa argentina”, marchinha da parceria Wilson Batista-Germano Augusto, matriz 33280. Cármen Miranda (1909-1955), a eterna e sempre lembrada “pequena notável”, abrilhanta nossa retrospectiva  da obra musical de Wilson Batista com o samba “Não durmo em paz”, outra parceria de Wilson com Germano Augusto, por ela gravado na Odeon em 15 de abril de 1936 com lançamento em julho do mesmo ano, disco 11370-B, matriz 5311. Lolita França, cantora sobre a qual pouquíssima coisa se sabe,  gravou apenas oito discos com catorze músicas, entre 1939 e 1942. Aqui, ela comparece com duas gravações Victor para o carnaval de 1940, ambas marchinhas. A primeira é “Casinha pequenina”, da parceria Wilson Batista-Murilo Caldas (irmão de Sílvio), obviamente inspirada na famosa canção de mesmo nome. A gravação é de 11 de novembro de 1939, lançada um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 34550-A, matriz 33265. Depois tem “Vale mais”, outra parceria de Wilson Batista com Marino Pinto, gravada em 18 de outubro de 1939 e lançada ainda em dezembro sob n.o 34531-A, matriz 33192. A notável  Dircinha Batista encerra a terceira  e última parte deste retrospecto do GRB sobre Wilson Batista com os dois sambas que gravou no disco Odeon 11834, em 5 de outubro de 1939, mas que só seria lançado em maio de 40.  O do lado A é outra parceria de Wilson com Germano Augusto (uma dupla da pesada na roda da malandragem), “Inimigo do batente”, matriz 6214. O lado B, matriz 6213, é um dueto com Nuno Roland, “Senhor do Bonfim te enganou”, e aqui Wilson conta com a colaboração de Claudionor Cruz e Pedro Caetano, dupla que deixou sua marca na MPB com inúmeros clássicos. Um encerramento com chave de ouro para o retrospecto do nosso GRB sobre Wilson Batista, com toda a certeza. Até a próxima, e obrigado pela atenção!

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A Música De Wilson Batista - Parte 2 - Seleção 78 RPM Do Toq ue Musical - Vol. 78 (2013)

 O GRB apresenta esta semana a segunda parte da retrospectiva dedicada ao compositor Wilson Batista (1913-1968). Desta feita, apresentamos mais 15 gravações preciosas, com alguns dos seus maiores cartazes da época. Para começar, o delicioso samba “Teu riso tem”, parceria de Wilson Batista com Roberto Martins, do carnaval de 1938. Sílvio Caldas, o “caboclinho querido”, fez a gravação na Odeon, em  8 de junho de 37, com lançamento bem em cima da folia, em fevereiro, com o n.o 11574-B, matriz 5596. Sílvio também está presente neste volume em outras três gravações. “Olho nela” (faixa 5), samba da parceria Wilson Batista-Germano Augusto, agora para o carnaval de 1941, em gravação Victor de 26 de dezembro de 40, também lançada bem em cima da folia, em fevereiro, com o n.o 34716-A, matriz 52095. “Lenço no pescoço” (faixa 9) é o samba que iniciou a famosa “polêmica musical” com Noel Rosa, e Sílvio gravou-o na Victor em 18 de julho de 1933, com lançamento em outubro do mesmo ano sob n.o 33712-B, matriz 65805. No acompanhamento os Diabos do Céu, curiosamente dirigidos não por Pixinguinha, mas pelo bandolinista João Martins. Noel , como se sabe, contestaria Wilson com “Rapaz folgado” (“Deixa de arrastar o teu tamanco/ porque tamanco nunca foi sandália”...), só gravado um ano depois da morte do Poeta da Vila, em 1938, por Aracy de Almeida.  “Eu vivo sem destino” (faixa 10), é um samba de Wilson em parceria com Oswaldo Santiago e o próprio Sílvio Caldas, que o gravou também na Victor em 17 de janeiro de 1933, com lançamento em agosto do mesmo ano sob n.o 33690-A, matriz 65649. E desta vez Pixinguinha acompanha Silvio com seu Grupo da Guarda Velha. Conhecido como “o ditador de sucessos”, Déo (Ferjallah Rizkallah, 1914-1971) aqui comparece com sete faixas. “Será” (faixa 2) é um samba da parceria Ataulfo Alves-Wilson Batista, gravado na Odeon em 10 de maio de 1939 com lançamento em novembro do mesmo ano, disco 11786-B, matriz 6085. O lado A, que está na faixa 11, é outro samba, agora de Wilson Batista com Claudionor Cruz, “Ela é...”, matriz 6086. Em seguida, outras quatro faixas gravadas por Déo na Columbia, futura Continental, todas de Wilson Batista sem parceiro. Do disco 8327, lançado em novembro de 1937, estão os dois lados, ambos sambas : “Perdi meu carinho” (faixa 4, matriz 3586) e “Meu último cigarro” (faixa 8, matriz 3586). Na mesma ocasião, saiu o disco 8326, do qual os dois lados também aqui estão:  o samba “Canta” (faixa 13, matriz 3587) e o samba-canção “Cansei de chorar” (faixa 14, matriz 3588). E, da fase de Déo na Odeon, é a sétima faixa, “Não sei dar adeus” outro samba da parceria de Wilson Batista com Ataulfo Alves, gravado em 5 de maio de 1939 e lançado em julho do mesmo ano com o n.o 11736-A, matriz 6077. Presente em nosso volume anterior com “Vinte e cinco anos”, Newton Teixeira está de volta com dois sambas que gravou na Odeon. “N-A-O-til, não” (faixa 6) é da parceria Wilson Batista-Marino Pinto, gravado em 31 de maio de 1941 e lançado em julho do mesmo ano, disco 12013-A, matriz 6677. “A voz do sangue” (décima-quinta e última faixa deste volume) é uma parceria de Wilson Batista com Walfrido Silva, em gravação de 17 de outubro de 1941, lançada em dezembro seguinte com o n.o 12081-B, matriz 6810, por certo destinada ao carnaval de 42. O Bando da Lua, grupo liderado por Aloysio de Oliveira, que marcou época na MPB com suas vocalizações inovadoras, está aqui presente com o samba “Raiando” (faixa 3), parceria de Wilson Batista com Murilo Caldas, irmão de Sílvio, gravado na Victor em 29 de abril de 1935 e lançado em julho do mesmo ano, disco 33952-A, matriz 79894. Por fim temos outro  antológico grupo vocal, os Anjos do Inferno, interpretando na faixa 12 a deliciosa marchinha “Cowboy do amor”, do carnaval de 1941, outro bem-sucedido produto da parceria Wilson Batista-Roberto Martins. Gravação Columbia de 7 de novembro de 1940, lançada ainda em dezembro com o n.o 55249-B, matriz 333, sendo que os Anjos do Inferno também a interpretaram no filme “Céu azul”, da Sonofilms.  De certa forma, é precursora de um gênero que seria lançado mais tarde por Bob Nélson, o da chamada “música do velho Oeste”, nitidamente influenciado por  astros do cinema americano, como Roy Rogers e Gene Autry. Na próxima semana, encerraremos esta retrospectiva sobre Wilson Batista. Até lá!

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO 


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

A Música De Wilson Batista (Parte 1) - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 77 (2013)

Em sua edição de número 77, o Grand Record Brazil inicia uma retrospectiva dedicada a um dos maiores compositores que o Brasil já teve, cujo centenário de nascimento é comemorado neste 2013 que ora finda: Wilson Batista. Batizado como Wilson Batista de Oliveira, nosso focalizado nasceu na cidade de Campos, litoral fluminense, no dia 3 de julho de 1913. Filho de um humilde pintor de paredes, funcionário da guarda municipal da cidade, João Batista de Oliveira, e de Isaurinha Alves de Oliveira, ainda menino participou, tocando triângulo, da Lira de Apolo, banda organizada por seu tio, o maestro Ovídio Batista. Era mulato, tinha 1,65m de altura, cabelos ondulados e rosto fino. Ainda em seu berço natal, participou do Bloco Corbeille de Flores, para o qual fez várias composições. Ainda frequentou o Instituto de Artes e Ofícios de Campos, visando se habilitar no ofício de marceneiro, mas sem oportunidade de adquirir muita instrução.  Assinava seu nome com grande esforço, e a coisa ficava ainda mais difícil na hora de escrever um bilhete. No entanto, era capaz de escrever poemas com grande facilidade. Em 1929, mudou-se sozinho para o Rio de Janeiro, disposto a ganhar a vida como compositor, e indo morar por algum tempo com seu tio, que era funcionário da limpeza pública. Logo que chegou ao Rio, chegou a trabalhar como acendedor de lampiões da Light, mas por pouco tempo, pois tinha dificuldade de se adaptar a empregos. Nessa ocasião, passou a frequentar os cabarés da Lapa e o bar Esquina do Pecado, na Praça Tiradentes, pontos de encontro de marginais e compositores, tornando-se amigo dos irmãos Meira, malandros famosos da época, o que lhe rendeu várias prisões. A seguir, começa a trabalhar como eletricista e auxiliar de contra-regra no Teatro Recreio.  Fez seu primeiro samba aos 16 anos, “Na estrada da vida” (nesta seleção), que Aracy Cortes lançou no Recreio e Luiz Barbosa gravou em 1933. O samba “Lenço no pescoço”, lançado por Sílvio Caldas no mesmo ano, deu origem a uma famosa polêmica musical com Noel Rosa, que respondeu com “Rapaz folgado”, contestando  a identificação do sambista com o malandro, e por aí foi.  Apesar dessa longa “briga”, ambos depois se tornaram amigos...  Sua primeira música gravada foi o samba “Por favor, vai embora”, em 1932 (nesta seleção).  No mesmo ano, Wilson Batista passou a atuar como crooner e pandeirista da orquestra de Romeu Malagueta. Sempre vendendo sambas e fazendo parcerias ditas “comerciais”, Wilson conheceu, no lendário Café Nice (Avenida Rio Branco esquina com Rua Bittencourt da Silva), o cantor e compositor Erasmo Silva, com quem forma a Dupla Verde-Amarela (depois Verde e Amarelo). Ambos realizam apresentações no Brasil e em Buenos Aires, a capital da Argentina. A dupla seria desfeita em 1939, justamente com a ida de Erasmo Silva para a Argentina. Reencontraram-se em 1948, e quatro anos mais tarde acontece a dissolução definitiva da dupla. Nas composições de Wilson Batista, com ou sem parceiros,  predominam temas populares, como carnaval, futebol, jogo do bicho, e entre elas destacamos: “Acertei no milhar”, “Nêga Luzia”, “O bonde São Januário”, “Emília”, “Dolores Sierra”, “Louco (Ela é o seu mundo)”, “Samba rubro-negro”, “A mulher que eu gosto”, as marchinhas “Balzaquiana”, “Sereia de Copacabana” e “Pedreiro Waldemar”, “Boca de siri”, “Ganha-se pouco mas é divertido”, “Cabo Laurindo”, “História da Lapa”, “Rosalina”, “Esta noite eu tive um sonho”, “Mundo de zinco”, etc. Embora fanático torcedor do Flamengo, compôs para o carnaval de 1946 a marchinha “No boteco do José”, sobre a conquista do Campeonato Carioca de Futebol pelo Vasco da Gama, hit na voz de Linda Batista. Boêmio durante quase toda a vida, trabalhou nos últimos anos de existência como fiscal da UBC (União Brasileira de Compositores), entidade que ajudou a criar. Foi casado e pai de dois filhos, mas a vida boêmia carioca o fazia ficar longe de casa até três dias (!), para desespero da esposa. Apesar dos inúmeros hits como compositor, Wilson Batista morreu pobre, no dia 7 de julho de 1968, quatro dias depois completar 55 anos, de problemas cardíacos. E seu corpo foi sepultado na tumba da UBC, no cemitério  do Catumbi. Nesta primeira parte da retrospectiva que o GRB oferece por ocasião do centenário de nascimento de Wilson Batista, foram escolhidos onze de seus trabalhos, interpretados por grandes nomes da MPB de seu tempo. Nossa seleção começa com o samba ‘Vinte e cinco anos”, parceria de Wilson com o “amigo velho”, Cristóvão de Alencar, gravado por outro grande compositor, Newton Teixeira (aquele da “Deusa da minha rua”, por exemplo), em 12 de agosto de 1940, sendo lançado pela Odeon em dezembro do mesmo ano, sob n.o 11925-A, matriz 6450, evidentemente visando o carnaval de 41. Newton, por sinal, acabara de com-pletar 25 anos quando gravou a música, daí o título. Em seguida, Murilo Caldas, irmão de Sílvio, interpreta o samba “Refletindo bem”, parceria de Wilson Batista com J. Cascata, em gravação Victor de 21 de agosto de 1939, lançada em novembro do mesmo ano com o n.o 34511-B, matriz 33143. A faixa seguinte é justamente a estreia de Wilson Batista em disco, em parceria com Benedito Lacerda e Osvaldo Silva: o samba “Por favor, vá embora”, que Patrício Teixeira, então já veterano, imortalizou na mesma Victor em 14 de novembro de 1932, com lançamento em dezembro seguinte para o carnaval de 33, por certo, disco 33600-A, matriz 65594. O samba “O bonde São Januário”, de Wilson com outro mestre, Ataulfo Alves, sucesso no carnaval de 1941 na voz de Cyro Monteiro, vem aqui em uma curiosa gravação instrumental do pianista Heriberto Muraro, em ritmo de fox, feita também na Victor em 27 de maio do mesmo ano de 1941, com lançamento em julho seguinte, disco 34762-A, matriz 52163. Em seguida vem o primeiro samba feito por Wilson Batista, sem parceiro, “Na estrada da vida”, rotulado no selo como samba-canção, mas nem parece. A gravação coube a Luiz Barbosa (1910-1938), na Victor, em 28 de abril de 1933, com lançamento em dezembro seguinte, disco 33732-A, matriz 65722. A marchinha ‘Grito das selvas”, parceria de Wilson Batista com Augusto Garcez, é outra gravação Victor, de 14 de novembro de 1940, lançada em dezembro seguinte com o n.o 34694-B, matriz 52047, visando, é claro, o carnaval de 41. Quem canta é Silvino Neto, compositor (“Valsa dos namorados”, ‘Cinco letras que choram” etc.)e também humorista de prestígio no rádio, apresentando o programa ‘Pimpinela Escarlate”, onde fazia imitações de políticos famosos da época e contava piadas. Era pai do também humorista Paulo Silvino, figurinha carimbada dos humorísticos da TV Globo nos anos 1970/80. Outra obra-prima do samba é “Estás no meu caderno”, mais uma parceria de Wilson Batista com Benedito Lacerda e Osvaldo Silva, magistral criação de Mário Reis na Victor em 11 de maio de 1934, lançada em agosto do mesmo ano, disco 33810-A, matriz 79640. “Emília”, outro samba clássico, em que Wilson tem outro ilustre parceiro, Haroldo Lobo. É uma exaltação à então denominada mulher ideal, prendada e submissa, surgida um pouco antes da não menos clássica Amélia de Ataulfo Alves e Mário Lago. Foi imortalizado na Columbia por Vassourinha (Mauro Ramos de Oliveira) em 23 de junho de 1941, sendo lançado em outubro do mesmo ano com o n.o 55302-A, matriz 441. Talento promissor, revelado pela Rádio Record de São Paulo, Vassourinha, entretanto, morreria prematuramente, aos 19 anos, vítima de osteomielite, deixando apenas seis discos 78 com doze músicas (“Emília” é do segundo deles), que mereceriam mais tarde reedições em LP e CD. Depois vem um trio “brabo”: Francisco Alves, Murilo Caldas e Castro Barbosa, interpretando o samba “Desacato”, feito também a três mãos (Wilson Batista, Murilo Caldas e Paulo Vieira). Foi gravado na Odeon em 18 de julho de 1933 e lançado em agosto do mesmo ano com o n.o 11042-B, matriz 4699, atingindo sucesso “desacatador”, conforme diz com bom humor a partitura impressa. Em seguida, o samba-exaltação “Cidade de São Sebastião”, parceria de Wilson Batista com Nássara, gravado na mesma Odeon por Francisco Alves em 10 de julho de 1941, e lançado em agosto do mesmo ano, disco 12028-A, matriz 6710. Foi feito para a segunda edição da peça musical “Joujoux e Balangandãs”, levada a cena, a exemplo da primeira, de 1939, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Por iniciativa da então primeira dama do Brasil, Darcy Vargas, “socialites” da época apresentavam seus dotes artísticos no palco e mostrar generosidade na bilheteria, em prol de suas obras assistenciais. No palco, “Cidade de São Sebastião” foi  interpretado em dueto por Jenny Hime e Roberto Rocha, e a gravação de Chico Alves foi mais tarde relançada com o n.o 12950-B. Para finalizar, a divertida marchinha “As pupilas do senhor Bocage”, parceria de Wilson Batista com Arnaldo Paes, lançado para o carnaval de 1939 pela Columbia, em fevereiro desse ano, na interpretação do também comediante Barbosa Júnior (que marcou época no rádio brasileiro com o programa infantil “Picolino”), com o n.o 55016-B. O título cita o romance ‘As pupilas do senhor reitor”, do escritor lusitano Júlio Diniz (que no Brasil virou até telenovela) e demonstra claramente a errônea associação do poeta Bocage (1765-1805), também português, a piadas eróticas, maliciosas e picantes, isso pelo fato de ele ter escrito poemas eróticos e satíricos. E esta seleção é apenas o começo: vem mais Wilson Batista por aí. Aguardem!

* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO 


domingo, 10 de novembro de 2013

Cartola, Carlinhos Vergueiro & Claudia Savaget - Projeto Pixinguinha 1978 (2013)

E como hoje é domingo e eu estou ligeiramente folgado, vou trazendo aqui mais uma produção da casa,  o Volume 7 da série Projeto Pixinguinha. Coleção esta que eu começei a mostrar no ano passado, buscando divulgar o excelente trabalho do Portal das Artes, da Funarte, um site maravilhoso onde a gente pode encontrar o acervo digitalizado desta Fundação que é uma rica coleção de fotos, arquivos sonoros, textos e documentos de uma boa parte da memória das artes plásticas, cênicas e musical do Brasil. Um verdadeiro tesouro, acessível a todos e o que é melhor, de graça! Infelizmente, em nosso amado país, tudo que é de graça, que é cultural, o povo desconhece ou despreza. Lamentável... Mas é no boca a boca, na informação e no seu compartilhamento é que as coisa funciona. O Toque Musical, além de gostar muito de compartilhar música e outros áudios, adora também divulgar coisas boas. Trazer boas novas é sempre mais gratificante que ser o porta voz de desgraças, embora tenha nesse mundo mais publico para a merda.
"Depois do sucesso em 1977, quando dividiu com João Nogueira um dos espetáculos de abertura do Projeto Pixinguinha, mestre Cartola voltou à estrada em 1978. Desta vez, dividiu o palco com dois novos companheiros: o compositor Carlinhos Vergueiro e a cantora Cláudia Savaget. E, em vez de seis cidades, percorreu um total de dez, distribuídas por quatro regiões do país: Sudeste (Rio de Janeiro e Vitória), Centro-Oeste (Brasília), Nordeste (Salvador, Recife, Maceió, João Pessoa, Natal e Fortaleza) e Norte (Belém)..." Continue a leitura no site Brasil - Memórias das Artes.

como um ladrão - carlinhos vergueiro
camisa molhada - carlinhos vergueiro
mormaço - carlinhos vergueiro
sim - carlinhos vergueiro
alvorada - cartola
tristezas - cartola
o mundo é um moinho - cartola
porque vamos chorando - claudia savaget
valsa - carlinhos vergueiro
apresentando os músicos
brecha - carlinhos vergueiro
orelhão de avenida - carlinhos vergueiro
samambaias - claudia savaget
a cor da esperança - cartola
corra e olha o céu (fragmento) - cartola
a canção que chegou - cartola
as rosas não falam - cartola
as rosas não valam (reprise) - cartola
o sol nascerá - cartola, claudia e carlinhos

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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Germano Mathias - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 76 (2013)

Esta semana, o Grand Record Brazil, já em sua edição de número 76, é dedicado a um dos maiores representantes do samba paulista. Estamos falando de Germano Mathias.  Nascido  no Pari, bairro da Zona Leste de São Paulo, no dia 2 de junho de 1934. Passou a infância e a adolescência estudando na zona central da capital bandeirante e, quando saía da escola, dava de cara com as rodas de batucada que os engraxates faziam nas praças Clóvis Bevilacqua e João Mendes. Eles batucavam em suas próprias latinhas de graxa, e Germano passou a acompanhá-los. Revelando espantosa habilidade, Germano  foi logo convidado para tocar frigideira na Escola de Samba Rosas Negras. Incentivado por um amigo batuqueiro, participou, em outubro de 1955, do concurso “À procura de um astro”, promovido pela PRG-2, Rádio Tupi (então “a mais poderosa emissora paulista”), conquistando o primeiro lugar. Foi logo contratado pela emissora Associada como “cantor e executante de instrumentos exóticos” (ou seja, a lata de graxa e a frigideira). Esse estilo de samba, com divisões bem marcadas e batida diferente, tornar-se-ia a marca registrada de Germano.  Em 1956, estreia em disco, através da Polydor, marca que então pertencia ao grupo alemão Siemens, interpretando os sambas “Minha pretinha” e “Minha nêga na janela” (ambos nesta seleção).  Um ano depois lança seu primeiro LP, em 10 polegadas, “O sambista diferente”, pelo qual recebe  os troféus Roquette Pinto e Guarani. Em 1958, muda-se para a RGE de José Scatena e lança um de seus maiores hits, “Guarde a sandália dela” , dele próprio em parceria com Sereno, mais tarde regravado ao vivo por Elis Regina e Jair Rodrigues . Quando da primeira aparição de Germano Mathias na televisão, seu sucesso aumentou cada vez mais, pois muitos pensavam que ele fosse negro, e o que se viu na telinha foi um jovem de cor branca, muito bem vestido e bem humorado, que adorava fazer suas “presepadas” no palco.  Em 1959 participou de dois filmes: “O preço da vitória” e “Quem roubou meu samba?”. Foi Germano quem gravou pela primeira vez um samba de Geraldo Filme, “Baiano capoeira”, parceria com Jorge Costa, isso em 1962.  Gravou também sambas dos consagrados Zé Kéti (“Malvadeza Durão”, “Nêga Dina”, “Mexi com ela”, entre outros), Nélson Cavaquinho (“História de um valente”), Herivelto Martins (“Vaidosa”), Gordurinha (“Carta a Maceió”) e principalmente dos amigos Elzo Augusto e Jorge Costa. Em 1.o de maio de 1967, ainda no auge da carreira, recebeu o diploma de Bacharel do Samba da Ordem da Palheta Dourada, conferido pela Escola de Samba X-9. Sabendo disso, o apresentador de rádio e TV Randal Juliano logo apelida Germano de “O catedrático do samba”.  Ainda em 67, Germano apresentou o programa “Nosso ritmo é sucesso”, na TV Globo, emissora então em ascensão. Entretanto, no decorrer dos anos 1970, Germano Mathias foi entrando em gradativa decadência, sobretudo por causa de seu gênio intempestivo.  Além disso, foi perdendo todo o dinheiro que ganhou no auge da carreira em farras e jogos.  Voltaria a ser ouvido em 1978, quando foi lançado o LP “Antologia do samba de breque”, no qual foram reaproveitadas antigos registros seus, alternados com regravações feitas por Gilberto Gil.  Depois, nos anos 1980/90, viveu um período de quase total ostracismo. Fez participações especiais em álbuns de outros (caso de “História do samba paulista – vol. 1,editado em 1999 pelo CPC da UMES) e emplacou a música “Jerônimo” na novela “Cambalacho’ (Globo, 1986).                                    Em 2002, 28 anos após lançar seu oitavo e último LP-solo, Germano Mathias lança seu primeiro CD, “Talento de bamba”, pela Atração Fonográfica, feito todo à base de composições de seu amigo Elzo Augusto. O disco recebe elogios da crítica e Germano volta a fazer shows com aqueles sambas rápidos e bem humorados que fizeram sua fama. Em 2005, realizando um velho sonho, lança o álbum “Tributo a Caco Velho”, no qual revive os principais hits desse cantor e compositor gaúcho, tais como “Que baixo” e “Uma crioula”.
 Para esta edição do GRB, foram escolhidas oito das melhores gravações de Germano Mathias, de seu início de carreira, todas na Polydor. Abrindo a seleção, temos exatamente “Minha nêga na janela”, seu primeiro grande sucesso, samba do próprio Germano em parceria com Doca, de seu primeiro disco, número 148, de 1956, matriz POL-1137, correspondente ao lado B. O lado A, matriz POL-1136, é “Minha pretinha”, de Jair Gonçalves e Edson Borges, que encontraremos na faixa 3. A faixa 2 é “Falso rebolado”, de Venâncio e Jorge Costa, gravação de 6 de maio de 1957, e lado B do disco 237, matriz POL-1436. O lado A, matriz POL-1435, está na faixa 4: é “Senhor delegado”, de Ernani Silva e Antoninho Lopes.  Do 78 de número 221, gravado dois dias mais tarde, 8 de maio de 1957, também estão ambas as músicas, a saber: “Eliete vedete”, também da dupla Venâncio e Jorge Costa (lado B, matriz POL-1440) e “Batatinha e cocada”, de Alceu Menezes e Xuxu (o lado A, matriz POL-1439. Para finalizar, as músicas do disco de número 203, gravado em 31 de outubro de 1956: “Rua”, de Jair Gonçalves sem parceiro (lado B, matriz POL-1273) e “A situação do Escurinho”, de Aldacir Louro e Padeirinho (lado A, matriz POL-1272). Este último samba, como indica o título, é uma sequência do clássico “Escurinho”, de Geraldo Pereira, lançado no mesmo ano de sua morte, 1955, por Cyro Monteiro. Uma sequência que o próprio Geraldo tencionava fazer, reabilitando o personagem, o que não se concretizou em virtude de sua morte prematura.  Esta é a homenagem que o GRB presta ao “Catedrático do Samba”, Germano Mathias, que soube dar a volta por cima e continua a receber os aplausos que bem merece, como um dos melhores intérpretes do samba paulista!

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO



segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Carmen Costa & Henricão - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 75 (2013)


Em sua edição de número 75, o Grand Record Brazil apresenta a segunda parte da retrospectiva dedicada à grande cantora Cármen Costa (1920-2007). Agora, apresentamos aqui sete gravações que ela fez com o cantor e compositor Henricão, pessoa importantíssima em sua carreira, e cuja história de vida conheceremos agora. Henrique Felipe da Costa nasceu em Itapira, interior de São Paulo, no dia 11 de janeiro de 1908, e, por conta da alta estatura (quase dois metros!), ganhou o apelido de Henricão. Em certa época, ganhava a vida como motorista de uma “socialite” que morava na Rua Augusta, e considerava sua a família da própria patroa, que muito o admirava. Cantou em circos, parques de diversões, rádios e festas populares do Nordeste, sozinho ou em dupla com algumas parceiras, a mais famosa, evidentemente, Cármen Costa, que obteve muito mais êxito de público e mídia do que ele, seu lançador. Além das adaptações de “Cielito lindo’ (“Está chegando a hora”) e “Caminito” (“Carmilito”), Henricão assina composições juntamente com Rubens Campos (o parceiro mais constante), Bucy Moreira, Caco Velho e Príncipe Pretinho, entre outros.  Entre suas várias parceiras de cantorias, antecessoras de Cármen Costa, destacam-se a paulistana Risoleta – que faria sucesso no teatro de revista, só e desacompanhada – e a carioca Sarita. Embora tenha composto inúmeras músicas de sucesso , tais como “Só vendo que beleza”, e sua sequência “Casinha da Marambaia” (até hoje muitos pensam que é esse o título da primeira música) e mesmo famoso, Henricão sempre enfrentou dificuldades financeiras, passando fome, mas era constantemente ajudado por amigos,  e levava a vida sempre com otimismo e esperança.  Trabalhou também como ator de cinema, em filmes como “Sinhá moça” (1953), “A estrada” (1956), “Uma certa Lucrécia” (1957), “Cidade ameaçada” (1960), “O puritano da Rua Augusta” (1965),  “Betão Ronca Ferro” (1970) e “Jeca e seu filho preto” (1978), os três últimos produzidos e estrelados pelo eterno jeca, Mazzaropi, com quem também contracenou em “O gato de madame” (1956). Na televisão, atuou na novela “Os imigrantes”  (1981), maior sucesso da Rede Bandeirantes no gênero, e na minissérie “O tronco do ipê” (1982), da TV Cultura de São Paulo, Já tinha feito também alguns episódios do “Vigilante rodoviário” (1961-62), primeiro seriado de TV produzido no Brasil. Seu último trabalho em disco foi o álbum “Recomeço”, lançado pela Eldorado em 1980, e no qual reencontrou a antiga parceira Cármen Costa. Em 1984, já no final de sua vida, foi eleito o primeiro Rei Momo negro da história do carnaval de São Paulo. Faleceu em 11 de junho do mesmo ano, também em São Paulo, de enfarte, aos 76 anos.
Neste volume do GRB,  apresentamos sete  gravações que Henricão fez em dueto com Cármen Costa. Abrindo a seleção, “Samba, meu nêgo”, de Bucy Moreira e Miguel Baúso, lançado pela Columbia em julho de 1941 com o n.o 55286-A, matriz 421. Depois tem “Onde está o dinheiro?”, samba de Henricão sem parceria, em gravação Odeon de 24 de maio de 1939, lançada em  agosto seguinte com o n.o 11749-A, matriz 6105. “Não quero conselho”, samba de Príncipe Pretinho e Constantino “Secundino” Silva, foi gravado na Columbia em 19 de julho de 1940 e lançado em agosto do mesmo ano com o n.o 55239-B, matriz 308. “Não posso viver sem você”, samba da parceria Henricão-Rubens Campos, é o lado B de “Samba, meu nêgo”, matriz 422. “Não dou motivo”, de Max Bulhões e Felisberto Martins, é outro  lado B, este  de “Onde está o dinheiro?”, matriz 6106. “Dance mais um bocado”, de Henricão e Príncipe Pretinho, é o  lado A de “Não quero conselho”, matriz 307. E, para encerrar, a marchinha “A festa é boa”, dos inseparáveis Henricão e Rubens Campos, gravação Victor de 19 de dezembro de 1942, lançada um mês antes do carnaval de 43, em janeiro, disco 80-0045-B, matriz S-052661. Esta é a homenagem do GRB a esses dois nomes importantíssimos na história de nossa música popular.  Até a próxima!

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Carmen Costa - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 74 (2013)


Estamos de volta com o Grand Record Brazil, em sua edição de número 74. Desta vez, apresentamos a primeira de duas partes de uma retrospectiva dedicada a uma das maiores cantoras do Brasil, Cármen Costa. Carmelita Madriaga, seu nome na pia batismal, nasceu na pequena cidade de Trajano de Morais, Estado do Rio de Janeiro, no dia 5 de janeiro de 1920. Seus pais eram meeiros (agricultores que trabalham em terras que pertencem a outras pessoas) na Fazenda Agulha, onde a nossa Carmelita, ainda criança, começou a trabalhar como empregada doméstica, em casa de uma família de protestantes. Foi lá que aprendeu hinos religiosos, assim demonstrando seu talento de cantora. Em 1935, vem a inevitável mudança para o Rio de Janeiro, e, com apenas 15 anos, empregou-se como doméstica na residência de nada mais nada menos que Francisco Alves.  É ele quem incentivará Carmelita a seguir carreira artística, fazendo-a cantar numa festa para os convidados, entre eles outra Cármen famosa, a Miranda. Carmelita, em seguida, apresenta-se como caloura no programa do sempre rigoroso Ary Barroso, saindo-se vencedora, e em gravações começou participando de coros em gravações dos “medalhões” da MPB de então. Em 1937, Carmelita conhece o compositor Henricão (Henrique Filipe da Costa), que a batiza artisticamente como Cármen Costa e com quem inicia sua carreira profissional, apresentando-se em feiras de amostras como a do Arraial do Rancho Fundo (Juiz de Fora, MG). Em 1939 Cármen e Henricão se apresentam juntos numa feira de amostras da Praça Quinze, no Rio de Janeiro, ao lado dos maiores cartazes da época (Irmãs Pagas, Alvarenga e Ranchinho, Cármen e Aurora Miranda, etc.). Gravam discos em dupla, cujas músicas iremos apresentar em nosso próximo volume. No carnaval de 1942, consegue seu primeiro grande sucesso com “Está chegando a hora”, presente nesta seleção. Alguns de seus hits: “Só vendo que beleza”, “Carmilito” (também aqui presentes), “Chamego”, “Busto calado”, “Quase”, “Marcha do Cordão da Bola Preta (Segura a chupeta)”, “Tem nêgo bebo aí”, “Cachaça”,  “Jarro da saudade”, “Eu sou a outra”, “Obsessão”, etc. Em 1945, casa-se com o americano Hans Van Koehler, e vai viver com ele nos EUA, onde passa uma temporada em Los Angeles e até trabalha como prensadora de discos na RCA Victor! Ela também participou do histórico concerto de bossa nova no Carnegie Hall de Nova York, em 1962, marco da internacionalização do movimento.  Ao voltar para o Brasil, nos anos 1950, conhece o compositor Mirabeau Pinheiro, com quem viveu por cinco anos e teve sua única filha, Silésia, também conhecida como Lu. Entre 1959 e 1963, excursiona por diversos países e passa temporadas no Brasil, voltando aos EUA em 1964, e atua em vários shows ao laod do acordeonista Sivuca.  Cármen retorna definitivamente à nossa terra no início dos anos 1970, cantando em boates do Rio e de São Paulo. Também gravou muitos LPs, inclusive um de ladainhas e benditos.  Apareceu cantando em filmes, tais como “Pra lá de boa” (1949), “Carnaval em Marte” (1955), “Depois eu conto” (1956) e “Vou te contá” (1958). Em 2003, por iniciativa do Museu da República, é “tombada” como patrimônio cultural do Brasil, através de projeto de lei aprovado pela Câmara Municipal do Rio. Sua última gravação foi com o cantor Elymar Santos, de quem era convidada especial em alguns shows. Cármen Costa faleceu em 25 de abril de 2007, no Rio de Janeiro, de insuficiência renal e  parada cardíaca. Mas será sempre lembrada como uma de nossas maiores intérpretes femininas. Nesta primeira parte do retrospecto que a ela dedicamos, apresentamos  onze de suas melhores gravações como solista, todas pela Victor.  E começamos muito bem, com o samba “Só vendo que beleza”, de Henricão e Rubens Campos, gravação de 19 de fevereiro de 1942, lançada em abril seguinte com o n,o 34892-B, matriz S-052483 (regravado inclusive por Elis Regina). É claro que iremos também ouvir, na faixa 5, o lado A, justamente o clássico “Está chegando a hora”, adaptação em ritmo de samba que, feita pelos mesmos Henricão e Rubens Campos, da canção rancheira mexicana “Cielito Lindo”, composta em 1882 por Quirino Mendoza e Cortés (c.1859-1957) e abriu as portas do estrelato para Cármen Costa. Como não conseguissem gravar a música, Henricão e Cármen  pagaram uma tiragem particular na Victor, distribuída somente às emissoras de rádio (gravação de 30 de dezembro de 1941, matriz R-236). Mesmo divulgada precariamente, “Está chegando a hora” obteve sucesso no carnaval de 1942, o que convenceu a Victor a contratar Cármen Costa e a relançar essa mesma matriz, agora em tiragem comercial. Até hoje a música é sucesso no carnaval e em qualquer ocasião em que se precise de uma canção de despedida. Henricão e Rubens assinam também “Siga seu destino”, samba gravado por Cármen em 15 de março de 1946 e lançado em  maio seguinte com o n.o 80-0403-A, matriz S-078443. “Não me abandone”, outro samba dessa dupla inseparável, aqui em companhia de José Alcides, foi gravado por Cármen em 24 de novembro de 1943, com lançamento um mês antes do carnaval de 44, janeiro, sob n.o 80-0153-B, matriz S-052889. Dos mesmos Henricão e Rubens é o samba “Já é de madrugada”, gravação de 10 de fevereiro de 1943 lançada em abril do mesmo ano, disco 80-0071-B, matriz S-052717. De Bucy Moreira (ilustre neto da lendária Tia Ciata), Carlos de Souza e Antônio Morais é o samba “Festa na roça”, gravação de 5 de agosto de 1942 lançada em outubro seguinte com o n.o 80-0004-B, matriz S-052591. “Chorei de dor” é outra adaptação de Henricão e Rubens Campos, em ritmo de samba,  de canção internacional, esta americana, de autoria de Kennedy e Carr, gravada por Cármen em 24 de novembro de 1943 e lançada em janeiro de 44 (para o carnaval, claro) com o n.o 80-0153-A, matriz S-052888. O samba “Casinha da Marambaia” vem a ser a continuação de “Só vendo que beleza”, dos mesmos Henricão e Rubens, e Cármen irá imortalizar esta sequência  no selo do cachorrinho Nipper em  15 de fevereiro de 1944, com lançamento em abril, sob n.o 80-0172-B, matriz S-052927. Em seguida, temos a adaptação sambística, feita por Henricão, para o tango argentino “Caminito”, de Juan de Diós Filiberto. Rebatizada “Carmilito”, é o lado A de “Festa na roça”, matriz S-052590. Depois, Henricão assina com Príncipe Pretinho o samba “Caramba”, destinado ao carnaval de 1943, gravação de 19 de novembro de 42 lançada um mês antes da folia, em janeiro, com o n.o 80-0045-A, matriz S-052660. Completando o programa, o samba-exaltação “Bahia, terra santa”, dos inseparáveis Henricão e Rubens Campos, gravação de 15 de março de 1946, lançada em julho seguinte sob n.o 80-0412-A, matriz S-078445. E na próxima semana, apresentaremos as gravações feitas por Cármen Costa em dueto com Henricão. Encontro marcado! Até lá...

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Odete Amaral (Parte 2) - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 73 (2013)

Estamos de volta com o Grand Record Brazil, apresentando a segunda parte da retrospectiva que estamos dedicando à “voz tropical do Brasil”, Odete Amaral  (1917-1984). Desta feita, apresentamos  onze gravações desta intérprete notável, dona de bela voz.  E começamos muito bem, apresentando um samba do grande Geraldo Pereira, em parceria com Ari Monteiro, “Carta fatal”, gravação Odeon de 5 de abril de 1944, lançada em junho do mesmo ano, disco 12450-B, matriz 7537. A faixa seguinte, “Na chave do portão”, é de autoria de Djalma Mafra e Alberto Maia. Este samba foi gravado na Victor em 29 de novembro de 1945, e lançado bem em cima do carnaval de 46, em fevereiro, com o número 80-0382-B, matriz S-078404. O samba “Sorris de mim” é de Babaú da Mangueira (Waldemiro José da Rocha, 1914-1993) e João da Baiana, gravação Victor de 9 de julho de 1940, lançada em setembro seguinte com o número 34657-B, matriz 33463. Voltando à Odeon, apresentamos a marchinha “Salve o inventor da mulher”, gravação de 13 de outubro de 1944, lançada um mês antes do carnaval de 45, em janeiro, com o número 12535-B, matriz 7681. João da Baiana, agora sem parceiro, assina o samba “É melhor confessar do que mentir”, gravado na Victor em 14 de dezembro de 1937 e lançado bem em cima do carnaval de 38, em fevereiro, disco 34283-A, matriz 80626. Geraldo Pereira se faz de novo presente, agora em parceria com Arnô Provenzano, com o samba “Resignação” , lado A do Odeon 12330, gravado em 2 de junho de 1943 e lançado em julho do mesmo ano, matriz 7305. O mestre Ary Barroso também bate ponto aqui com um dos maiores hits da carreira de Odete, o samba “A batucada começou”, por ela gravado na “marca do templo” em 24 de abril de 1941 e lançado em junho seguinte com o número 11999-A, matriz 6627. “Só você” é um samba-canção de Hanibal Cruz (tio de Vinícius de Moraes e parceiro de Vicente Paiva no clássico “Diz que tem”,  hit de Cármen Miranda em 1940), gravado por Odete na Victor em 25 de maio de 1937 e lançado em julho do mesmo ano, disco 34183-B, matriz 80418. De José Alvarenga, o Alvarenguinha, e Marcílio Vieira, é o samba “Lágrimas sentidas”, gravado por Odete na marca do cachorrinho Nipper em 21 de julho de 1937 e lançado em dezembro seguinte, visando o carnaval de 38, sob número 34241-A, matriz 80550. Temos em seguida um retumbante sucesso da cantora nesse mesmo carnaval, a bem-humorada marchinha “Não pago o bonde”, dos mestres J. Cascata e Leonel Azevedo, que Odete imortalizou no dia seguinte, 22 de julho de 1937, e a Victor lançou também em dezembro, com o número 34256-A, matriz 80551. É uma crônica do tempo em que o bonde era o principal meio de transporte no Rio de Janeiro. Se habitualmente os passageiros já procuravam fugir ao pagamento da passagem, em tempo de carnaval era quase inútil atender ao apelo (“por favor”), do cobrador, geralmente português. Alguns se atreviam a desafiar o coitado, pedindo “mande a Light me cobrar”. Na época, a empresa, conhecida como “polvo canadense”, era concessionária do serviço de bondes na então Capital Federal.  Para encerrar, em clima de conto de fada, temos o samba “A bela adormecida”, samba de outra festejada dupla de autores, Roberto Roberti e Arlindo Marques Jr., gravação Victor de 26 de abril de 1938, lançado em junho do mesmo ano sob número 34324-B, matriz 80766, e evidentemente baseado na famosa história do escritor francês Charles Perrault. Em algumas gravações da Victor aqui incluídas, vale ressaltar, quem acompanha Odete Amaral é a orquestra Diabos do Céu, formada e dirigida pelo mestre Pixinguinha. E é com muita alegria que o GRB apresenta a segunda parte desta retrospectiva dedicada àquela que será para sempre “a voz tropical do Brasil”!

*Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Odete Amaral (Parte 1) - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 72 (2013)

Esta semana o Grand Record Brazil apresenta a primeira de duas partes de uma retrospectiva dedicada à cantora que ganhou o slogan de “a voz tropical do Brasil”: Odete Amaral.  Nossa biografada veio ao mundo na cidade de Niterói, litoral fluminense, no dia 28 abril de 1937, e era a filha caçula do casal de lavradores Alfredo Amaral e Albertina Ferreira do Amaral. Quando ela tinha um ano de vida, a família mudou-se para o Rio, então a Capital da República, onde seu pai se empregou como caminhoneiro.  Aos seis anos, ingressou no Colégio Uruguai, onde fez o curso primário completo. Em 1929, empregou-se como bordadeira na Américas Fabril, continuando seus estudos no período noturno. Dona de bela e primorosa voz, era sempre convidada a cantar no teatro da escola, e em festas de aniversário. Foi aí que sua irmã, que sempre a admirava, e muito, levou-a para a Rádio Guanabara, em 1935, para fazer um teste.  Acompanhada pelo pianista Felisberto Martins, interpretou o samba “Minha embaixada chegou”, de Assis Valente, hit de então na voz de Cármen Miranda. Aprovada pelo diretor da emissora, Alberto Manes, Odete é de pronto escalada para o ”Programa suburbano”,  onde também batiam ponto nomes como Sílvio Caldas, Maríla Batista, Noel Rosa, Linda e Dircinha Batista, e Almirante. Por iniciativa deste último, passa a se apresentar também na Rádio Clube do Brasil. Ainda em 1935, participa da inauguração do Cassino Atlântico e apresenta-se em rádios como Ipanema, Sociedade, Philips e Cruzeiro do Sul, além de atuar em uma revista no Teatro João Caetano interpretando a marchinha “Ganhou mas não leva”, de Mílton Amaral. É ele quem assina as músicas do primeiro disco de Odete,  gravado na Odeon em 1936, apresentando os sambas “Palhaço” (parceria com Roberto Cunha) e “Dengoso”.  No mesmo ano, assina seu primeiro contrato profissional, com a Rádio Mayrink Veiga, e participa do filme “Bonequinha de seda”, produção da Cinédia, onde, um ano depois, fará outra produção cinematográfica, “O samba da vida”. Ainda em 1936, participa da inauguração da PRE-8, Rádio Nacional, e é levada por Ary Barroso para a Victor, onde ela estreia com duas músicas do mestre de Ubá  para o carnaval de 1937, a marchinha “Colibri” e a batucada “Foi de madrugada”.  Em 1938, casou-se com o cantor Cyro Monteiro, da união, que durou onze anos, resultando um filho, Cyro Monteiro Júnior. Odete e Cyro fariam inúmeras apresentações juntos por todo o país. A cantora teve também uma curta passagem pela Columbia, voltando à Odeon em 1941. Gravou ainda nos selos Star, Todamérica, Polydor, Copacabana, RMS e Carper, entre outros. Entre seus hits destacam-se “Não pago o bonde”, “Murmurando” , “A batucada começou” e “Chicletes com banana”.  Em 1939, Odete Amaral muda-se para São Paulo, contratada pela Rádio Cultura, onde permanece um ano e meio, e em 1941 volta ao Rio de Janeiro natal e à Rádio Mayrink Veiga, onde permanece seis anos, indo depois para a Mundial e, em 1951, para a Tupi (“o cacique do ar”).  Gravou também LPs, e um dos mais interessantes foi “Do outro lado da vida – Os que perderam a liberdade contam sua história”, ao lado do filho Cyro Monteiro Júnior, em que ambos interpretam músicas compostas por presidiários do Rio e de São Paulo. Em 1968, gravou o álbum “Fala, Mangueira!”, a lado de Cartola, Carlos Cachaça, Nélson Cavaquinho e Clementina de Jesus. Em 1975, participou de uma série de 30 programas da Rádio MEC, “MPB 100 ao vivo”, na qual, ao lado de Paulo Marquês, interpretava hits dos anos 1930. Da série resultaram oito álbuns produzidos por Ricardo Cravo Albim. Em 1977, Odete e Paulo, mais o flautista Altamiro Carrilho, participam do show “Café Nice”, igualmente produzido por Cravo Albim. Falecida no dia 11 de outubro de 1984, aos 67 anos, Odete Amaral, embora não tenha atingido o estrelato de outras cantoras de sua época  (Cármen Miranda, Aracy de Almeida, irmãs Batista), é ainda hoje considerada uma das melhores intérpretes brasileiras dos anos 1930 e de todos os tempos. E isso começaremos a constatar nesta primeira parte da retrospectiva que o GRB lhe dedica, apresentando 12 gravações suas na Odeon e na Victor. Para começar, a divertida marchinha “Vitaminas”, de Amaro Silva, Djalma Mafra e Domício Augusto, gravação Odeon de 11 de novembro de 1942, lançada em janeiro de 43, para o carnaval, logicamente, com o número 12244-A, matriz 7137 (a vitamina T, de trabalho, ainda incomoda muita gente...). Temos também aqui, na faixa 5, o verso desse disco, matriz 7131: o samba “Você quis”, de Nicola Bruni e Alvaiade, gravado seis dias antes, ou seja, a 5 de novembro. A faixa 2 nos traz o sambatucada  “É mato”, também de Alvaiade, agora com Wilson Batista, gravação Odeon de 13 de outubro de 1941, lançada em dezembro seguinte para a folia de 42, disco 12071-B, matriz 6806. Geraldo Pereira e Djalma Mafra assinam o samba da faixa 3, “Jamais acontecerá”, gravado por Odete na “marca do templo” em 9 de novembro de 1943 e lançado em janeiro de 44, também para o carnaval, sob n.o 12398-B, matriz 7421. A faixa 4 é o samba “Vem, amor”, de Jorge de Castro, Isaías Ferreira e Enézio Silva, gravado igualmente na Odeon em 4 de novembro de 1953 e lançado para a folia momesca de 54, em janeiro, disco 13580-B, matriz 9963. Na faixa 6, temos uma marchinha de meio-de-ano, “Eta Rio”, de Nicola Bruni, Alvaiade A. F. Silva, gravada em 20 de agosto de 1943 e lançada pela Odeon em outubro seguinte com o n.o 12359-A, matriz 7365. O samba “Por causa de alguém” leva a respeitável assinatura de Ismael Silva, em gravação de 6 de abril de 1942, lançada pela “marca do templo” em junho seguinte com o n.o 12157-B, matriz 6932. Da fase de Odete Amaral na Victor é “Chinelo velho”, samba de Wilson Batista e Marino Pinto, gravação de 14 de outubro de 1940, lançada ainda em dezembro para o carnaval de 41, disco 34683-B, matriz 52023. O lírico samba-canção “História de criança”, também de Wilson Batista, agora em parceria com Germano Augusto, teve sua gravação em  10 de maio de 1940, com lançamento pela marca do cachorrinho Nipper em julho seguinte sob n.o 34683-B, matriz 33426. Em seguida temos o lado A, matriz 33425, outra composição do mestre Wilson Batista com Marino Pinto, o samba “Depois da discussão”.  Wilson Batista também assina, agora com outro mestre, Ataulfo Alves, o samba “Quando dei adeus”, gravação Victor de 18 de novembro de 1939, lançada em janeiro de 40 para o carnaval sob n.o 34558-B, matriz 33281. Para finalizar, e também em clima carnavalesco, a marchinha “O gato e o rato”, outra música de Wilson Batista, agora acompanhado por Arnô Canegal e Augusto Garcez, também para a folia de 1940, gravada igualmente na Victor em 24 de outubro de 39 e lançada um mês antes do carnaval, em janeiro, sob n.o 34542-A, matriz 33241. E semana que vem a gente se encontra com mais Odete Amaral. Até lá!

* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO