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segunda-feira, 26 de março de 2012

Vários - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 15 (2012)

Luzes, câmera, ação... e música! Sim, esta décima-quinta edição do Gran Record Brazil é dedicada à música de cinema, apresentando temas de filmes nacionais e também de produções hollywoodianas, estas em versões para o idioma tupiniquim.

Começamos com dois temas do filme “Rua sem sol”, dirigido por Alex Viany para a Brasil Vita Filmes, e estrelado por Glauce Rocha, Carlos Cotrim, Dóris Monteiro (ainda de tranças, no papel de uma deficiente visual) e Modesto de Souza. Ambos os sambas-canções são cantados por Ângela Maria, que também participou do filme, claro, interpretando-os, no disco Copacabana 5170, lançado em dezembro de 1953. Abrindo o disco, a faixa-título do filme, “Rua sem sol”, matriz M-641, assinada por Mário Lago e Henrique Gandelmann, e no verso, matriz M-642, o clássico “Vida de bailarina”, de Chocolate (também humorista de rádio e TV) e Américo Seixas. Música muitíssimo gravada (Elis Regina, Zizi Possi, Quarteto em Cy, Agnaldo Timóteo, etc.).

Já que falamos em Adelina Dóris Monteiro (sim, é esse o nome completo dela), ela aqui comparece com o disco Todamérica TA-5220, gravado em 8 de setembro de 1952 e lançado em outubro seguinte, no qual interpreta duas músicas de outro filme de Alex Viany no qual ela também atuou, “Agulha no palheiro”, co-produzido por Moacyr Fenelon (um dos fundadores da lendária Atlântida) e pela Flama Filmes, da família Berardo (em cujos estúdios, situados no bairro carioca das Laranjeiras, instalou-se mais tarde a TV Continental, Canal 9). Primeiro, a música-título do filme, “Agulha no palheiro”, matriz TA-366, de César Cruz e Vargas Jr., e no verso, matriz TA-365, “Perdão”, também de César Cruz, mas sem parceiro.

O eterno Rei da Voz Francisco Alves era um cantor eclético, versátil, e interpretava de tudo que fazia sucesso em sua época em matéria de música. E nesta cinematográfica edição do GRB, ele comparece com três gravações bastante apreciadas: do disco Columbia 55248-A, gravado em 7 de novembro de 1940 e lançado em dezembro seguinte, matriz 339, o samba-exaltação de Braguinha, Alberto Ribeiro e Alcyr Pires Vermelho, “Onde o céu azul é mais azul”, que Chico também cantou no filme “Céu azul”, da Sonofilms, dirigido pelo lusitano Ruy Costa (que como compositor assinava J. Ruy) e tendo no elenco Jaime Costa, Déa Selva, Heloísa Helena (homônima da famosa política), Oscarito e Grande Otelo. Completando a participação do grande intérprete, duas versões gravadas na Odeon, ambas de Haroldo Barbosa, compositor, produtor e redator de programas de rádio (entre eles o de Francisco Alves aos domingos) e TV, jornalista, etc. Do disco 125o5-A, gravado em 8 de agosto de 1944, matriz 7628, o fox “Para sempre adeus (It can't be wrong)”, de Max Steiner e Kim Gannon, do filme americano “A estranha passageira (Now voyager)”, produzido pela Warner em 1942 sob a direção de Irving Rapper e estrelado por Bette Davis, Paul Henreid, Gladys Cooper e Claude Rains. A película venceu, inclusive, o Oscar de melhor escore de filme não-musical. Do filme francês “Inquietação (Fièvres)”, Chico Viola interpreta o fox-canção “Maria”, de Luchesi e Feline, gravação de 21 de setembro de 1946, porém só lançada em maio de 47 com o número 12773-A, matriz 8098. No selo original, a versão é erroneamente creditada a Haroldo Lobo, mas o Haroldo que a fez é mesmo o Barbosa!

Nesta edição também comparece o grande Jorge Goulart, recentemente falecido, com um disco de seu período áureo na Continental, o de número 16816, lançado em julho-agosto de 1953, no qual igualmente interpreta versões de filmes famosos internacionalmente. No lado A, matriz C-3164, a célebre canção “Luzes da ribalta (Limelight)”, composta por Charles Chaplin para o filme de mesmo nome (só lançado nos EUA em 1972, uma vez que Chaplin estava exilado na Suíça por pressão do Comitê de Atividades Anti-Americanas) e vertido por João “Braguinha” de Barro e Antônio Almeida. Versão muito gravada, inclusive por sua mulher, Nora Ney. No verso, matriz C-3165, a “Canção do Moulin Rouge”, de uma produção britânica de 1952 dirigida por John Huston e distribuída pela United Artists (portanto nada a ver com o “Moulin Rouge” de Baz Luhrman). É um a valsa de Georges Aurick e William Engoick, com letra brasileira de Carlos Alberto.

Neyde Fraga (São Paulo, 1924-Rio de Janeiro, 1987), hoje esquecida mas que tinha uma bela voz de veludo, comparece aqui com uma faixa do disco Odeon 13562-A, matriz 9920, gravado em 16 de outubro de 1953 e lançado em dezembro seguinte. É o clássico “Lili (Hi´lili, hi´lo)”, de Bronislau Kaper e Helen Deutsch, com letra brasileira do sempre eficiente Haroldo Barbosa. É do clássico musical americano “Lili”, da MGM, protagonizado por uma das mais famosas atrizes do estúdio do leão, a francesa Leslie Caron. Foi regravada até mesmo em versão “disco music”, por Nalva Aguiar, em 1977!

Sílvio Caldas, o eterno “caboclinho querido”, bate ponto com duas músicas do filme “Maria Bonita”, da Sonoarte Filmes, dirigido por Julian Mandel e baseado no romance homônimo de Afrânio Peixoto, por ele gravadas na Odeon em primeiro de junho de 1937, com acompanhamento da Orquestra Copacabana do palestino Simon Bountman, e lançadas em julho seguinte com o número 11487. No lado A, matriz 5587, o conhecido tema folclórico “Meu limão, meu limoeiro”, adaptado para “samba sertanejo” por José Carlos Burle, também cineasta, e com a participação vocal de Gidinho. No final dos anos 1960, este seria um dos carros-chefes de Wilson Simonal, que só aproveitou o estribilho, mas mesmo assim muita gente cantou isso junto com ele. No verso, matriz 5588, também de José Carlos Burle em parceria com o escritor J. G. De Araújo Jorge (tão discutido quanto lido), esta joia de canção, “Confessando que te adoro”.

Para encerrar, músicas do filme “O cangaceiro”, produção da Vera Cruz dirigida por Lima Barreto e vencedora da Palma de Prata no Festival de Cannes, na França, como melhor filme de aventuras (naquele tempo ainda não tinha a Palma de Ouro e sim o Grande Prêmio da Crítica, vencido na ocasião por “O salário do medo”, de Henri Georges-Clouzot). Vanja Orico, que também esteve no elenco do filme, interpreta a lírica toada “Sodade, meu bem sodade”, feita por Zé do Norte (Alfredo Ricardo do Nascimento, Cajazeiras, PB-1908-idem, 1979) ainda na adolescência. No acompanhamento, o violonista Aymoré e orquestra dirigida por Gabriel Migliori, também responsável pela direção musical do filme, em gravação RCA Victor de 29 de janeiro de 1953, lançada em abril seguinte com o número 80-1101-B, matriz SB-093597. O Trio Marabá, cujos integrantes eram provavelmente mexicanos (afinal chamavam-se Pancho, Panchito e Cármen Durán) vem com sua versão de “Muié rendera”, o tema principal de “O cangaceiro”, lançada pela Copacabana em março-abril de 1953 com o número 5044-A, matriz M-332. No acompanhamento, a curiosa presença do conjunto de Alberto Borges de Barros, o Betinho, filho de Josué de Barros, descobridor de Cármen Miranda, e intérprete do conhecido fox “Neurastênico” (seu e de Nazareno de Brito) e do rock “Enrolando o rock”(dele e de Heitor Carillo), entre outras. Apesar do sucesso, Betinho deixou a carreira para cumprir missão evangelizadora. O próprio Zé do Norte vem com o lado A de “Sodade, meu bem sodade”, com Vanja Orico, matriz SB-093598, interpretando o coco “Meu pinhão”, ou “Meu pião”, de sua autoria, também cantado por ele próprio em “O cangaceiro”. Apesar do êxito internacional do filme, a maior parte dos lucros ficou com a distribuidora, a multinacional americana Columbia Pictures (mais tarde vendida à Coca-Cola e repassada à nipônica Sony), e a Vera Cruz, que tencionava ser uma Hollywood tupiniquim em São Bernardo do Campo (SP), acabou fechando suas portas em 1954, retomando suas atividades em ocasiões esporádicas. Enfim, esta cinematográfica edição do GRB vai enriquecer as coleções de muitos amigos cultos e ocultos com um pouco do melhor que a música produziu para a chamada sétima arte. É ouvir e colecionar!

*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO



sábado, 24 de março de 2012

Aécio Flávio - Coletânea Toque Musical (2012)

Muito bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Como sempre, em reformulações, estou pensando aqui em deixar o sábado não apenas para as coletâneas, mas também para os compactos. Nem sempre eu estou bem disposto para ficar criando seleções e muito menos postar coletâneas prontas. Por outro lado, tem os disquinhos de sete polegadas que são mais fáceis de postar e fazem um baita sucesso por aqui. Acho que vou adotar esse esquema já na próxima semana. Hoje vai mais uma seleção exclusiva, uma coletânea de músicas do compositor e arranjador mineiro Aécio Flávio. Já postei dele alguns trabalhos, os primeiros de sua carreira, ainda na época da Bemol. Aécio é um músico consagrado, um arranjador dos mais requisitados nas décadas de 70 e 80, isso sem falar nos primórdios, nos tempos dos bailes, da Bemol e Paladium. Foi ele quem, de uma certa forma, iniciou Toninho Horta. Aproximou muita gente do que seria a turma do "Clube da Esquina". Há um depoimento de Aécio no site do "Museu Clube da Esquina" que vale a pena dar uma linda.
Mas falando da nossa coletânea, esta nasceu de uma série de arquivos/gravações do Aécio Flávio que me chegou às mãos há algum tempo atrás, enviados pelo amigo Paulinho, de Santa Tereza, 'testemunha molecular', como diz ele, daqueles tempos na rua Divinópolis. Não sei bem de onde ele tirou essas gravações, mas ele me garantiu serem todos trabalhos do Aécio Flávio. Eu até tentei entrar em contato com o músico, mas mesmo estando na mesma cidade, não tive sucesso. Ele não me respondeu. Quem sabe agora, vendo aqui essa homenagem, ele, numa hora dessas, nos dê o prazer de uma visita e maiores esclarecimentos. Temos aqui 20 composições, as quais eu acredito, nunca tenham sido lançadas em discos. Vamos conhecer?

doce doce (primeira versão)
verão flash back
chico hipocondria
homenagem a elis regina
objeto da paixão
veneno
violetas imperiais
fui
por enquanto
cool
fui
tantas mulheres
confissão
chore
rubi
rita lee(nda)
irressistível
o girassol e a flor azul
quer dançar comigo
raspberry blues


segunda-feira, 19 de março de 2012

Trio De Ouro, Trio Melodia, Trio Madrigal, Trio Marabá, Trio Nagô - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 14 (2012)

Encontros a três... vozes! É o que apresenta esta décima-quarta edição do Gran Record Brazil, apresentando trios vocais que marcaram época na história da música popular brasileira. Logo de saída, temos o Trio de Ouro. E em sua primeira fase, com o “rouxinol do Brasil” Dalva de Oliveira (Rio Claro, SP-1917-Rio de Janeiro, 1972), Herivelto Martins, seu fundador (Engenheiro Paulo de Frontin, RJ, 1912-Rio de Janeiro, 1992), e Nilo Chagas (Barra do Piraí, RJ-1917-Rio de Janeiro, 1973). O disco escolhido foi o Odeon 12185, gravado em 5 de junho de 1942 e lançado em agosto do mesmo ano, com acompanhamento da orquestra do maestro Fon-Fon (Otaviano Romero Monteiro, Santa Luzia do Norte, AL, 1908-Atenas, Grécia, 1951). O lado A, matriz 6964, é simplesmente um clássico: o samba-canção “Ave Maria no morro”, uma das mais famosas obras-primas de Herivelto. Foi muitas vezes gravada, até mesmo em... esperanto! Uma joia apresentada em seu registro original, daqueles indispensáveis para quem não conhece. No verso, matriz 6965, o curioso “lamento negro” “Festa de preto”, de autoria de Humberto Porto (Salvador, BA, 1908-Rio de Janeiro, 1943), parceiro de outros dois grandes compositores, Assis Valente e Benedito Lacerda. A composição é característica da obra de Porto, que trata muito da religiosidade baiana e da história de escravidão dos negros. Porto morreu uma semana depois de seu pai... se suicidando! E o primeiro Trio de Ouro acabaria em 1949, com a ruidosa separação de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins, que organizaria mais duas formações do grupo vocal: a segunda ainda com Nilo Chagas mais Noemi Cavalcanti, e a terceira com Raul Sampaio e Lurdinha Bittencourt.

Em seguida temos o Trio Madrigal, formado na Rádio Mayrink Veiga do Rio de Janeiro, em 1946, pelo maestro Alceu Bocchino. Sua primeira formação tinha Edda Cardoso, Magda Marialba e Margarida de Oliveira (irmã de Dalva), que seis meses depois abandonou o trio para se casar, sendo substituída por Lolita Koch Freire. É esta a formação que aparece nos discos Continental aqui incluídos, com acompanhamento instrumental dirigido pelo maestro gaúcho Radamés Gnatalli, sob o pseudônimo de Vero. No primeiro, de número 16554, gravado em 10 de abril de 1952 e lançado em maio-junho do mesmo ano, elas estão junto com o Trio Melodia (integrado por Albertinho Fortuna, Nuno Roland e Paulo Tapajós e formado na lendária Rádio Nacional para apoio do programa “Um milhão de melodias”) acompanhando vocalmente o cantor Jorge Goulart, que por uma triste coincidência acaba de falecer, aos 86 anos, em sua cidade natal, Rio de Janeiro. São regravações de dois hits de João de Barro, o Braguinha, então diretor artístico da gravadora dos irmãos Byington, intimamente ligados às festas juninas. No lado A, matriz C-2836, a marchinha “Noites de junho”, parceria com Alberto Ribeiro e criação de Dalva de Oliveira em 1939, e, no verso, matriz C-2835, uma obra-prima de Braguinha sem parceiro: o samba-canção 'Mané Fogueteiro”, originalmente lançado em 1934 por Augusto Calheiros. O segundo disco do Trio Madrigal aqui incluído, também de 1952, com lançamento em julho, leva o número 16586. No lado A, matriz C-2903, uma versão do especialista Lourival Faissal para o fox “Bom dia, mister Eco” (“Good morning, mister Echo), de Bill e Belinda Putman. Aqui, nota-se a criatividade do técnico de gravação Norival Reis, o Vavá, que até idealizou uma câmara de eco, fato que ajudou este registro, inclusive, a receber prêmio da Associação Brasileira de Discos naquele ano. No verso, matriz C-2809, a valsa “Convite ao amor”, na verdade uma versão com letra para “Sobre as ondas” (“Sobre las olas”), do uruguaio Juventino Rosas, versos de Lourival Faissal e Luiz de França. Valsa bastante gravada instrumentalmente no Brasil, e seu primeiro registro entre nós surgiu em 1910, com o rancho Ameno Resedá, sob o selo (olha só a coincidência)... Gran Record Brazil!!!

Em seguida temos os Trios Madrigal e Melodia novamente juntos no Continental 20106, lançado para os festejos natalinos de 1951, matrizes 2720 e 2721-R. Evidentemente, como diz o próprio título, é um popurri das mais expressivas”Cantigas de Natal”, de vários autores e/ou de origem folclórica, em arranjo de Paulo Tapajós e Radamés Gnatalli, com o sempre eficiente acompanhamento orquestral deste último, igualmente como Vero.

O Trio Marabá era formado por Pancho, Panchito e Cármen Duran (seriam mexicanos?). Aqui comparece com seu oitavo disco, o Copacabana 5044, lançado em março-abril de 1953, com regravações de dois hits da época: no lado A, matriz M-332, o baião “Mulher rendeira”, de origem folclórica, internacionalmente conhecido graças ao filme “O cangaceiro”, e nele interpretado pelos Demônios da Garoa. A película ganhou a Palma de Prata no festival de Cannes, França, como melhor filme de aventuras, mas quem mais se beneficiou de seu sucesso foi a distribuidora Columbia Pictures, sendo que a produtora, a lendária Vera Cruz, com estúdios em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, acabou falindo um ano depois. No verso, matriz M-333, o clássico samba-canção “Ninguém me ama”, de exclusiva autoria de Antônio Maria, mas com parceria de Fernando Lobo, por acordo que havia entre ambos. Originalmente saiu na voz de Nora Ney, em 1952.

Encerrando, vamos encontrar o Trio Nagô, integrado por Mário Alves de Almeida, Epaminondas de Souza e Evaldo Gouveia. Mário e Epaminondas cantavam na Rádio Clube do Ceará, quando conheceram o então estreante Evaldo Gouveia. Os três logo se tornaram amigos e passaram a cantar juntos na noite de Fortaleza. O grupo se chamava, a princípio, Trio Cearense, nome depois mudado para Trio Iracema e, finalmente, para Trio Nagô. Seu primeiro disco saiu em janeiro de 1953, pela Sinter, com o rasqueado “Moça bonita” e o maracatu “Paisagem sertaneja”. Eles estão aqui com o disco RCA Victor 80-1951, gravado em 24 de março de 1958 e lançado em junho do mesmo ano, com duas composições de Paulo Borges. No lado A, matriz 13-J2PB-0387, o conhecido e clássico rasqueado “Cabecinha no ombro”, lançado em fins do ano anterior por Alcides Gerardi e regravado inúmeras vezes, sendo conhecido até os dias de hoje (quem nunca ouviu?). No verso, matriz 13-J2PB-0388, o belo samba-canção “Cartão postal”. Enfim, uma edição do GRB que irá enriquecer o acervo de muitos amigos cultos e ocultos com algumas das melhores interpretações a três vozes. Divirtam-se!
* TEXTO SAMUEL MACHADO FILHO


segunda-feira, 12 de março de 2012

Pedro Raimundo - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 13 (2012)

Pois é, amigos cultos e ocultos! Esta décima-terceira edição do Gran Record Brazil vem regada a churrasco e chimarrão! É com muita satisfação que trazemos de volta o inesquecível Pedro Raimundo, “o gaúcho alegre do rádio”. Apesar de ter esse slogan, Pedro Raimundo era catarinense de Imaruí, nascido em 29 de junho de 1906, e falecido no Rio de Janeiro em 9 de julho de 1973. Era filho de um pescador e sanfoneiro, e aos oito anos começou a “afufar o fole”. Mais tarde, lá mesmo em Imaruí, fez parte da banda Amor à Ordem, além de se apresentar em festinhas. Aos 17 anos, Pedro largou o anzol e foi trabalhar na construção da Estrada de Ferro Esplanada-Rio Deserto. Casou-se em 1926, e morou nas cidades catarinenses de Lauro Muller, Blumenau e Laguna, fixando-se, em 1929, na capital gaúcha, Porto Alegre, onde foi condutor de bonde e inspetor de tráfego, e em seus momentos de folga se apresentava nos cafés do Mercado. Em 1939, ingressou na Rádio Farroupilha, onde fundou o Quarteto dos Taúras, atuando em quase todas as rádios portoalegrenses, e sendo muito solicitado para excursões, uma delas, em 1942, pelo interior riograndense. Um ano mais tarde, mudou-se para o Rio de Janeiro, a convite de Almirante, que o levou para a lendária Rádio Nacional. Ainda em 1943, gravou o primeiro disco, na Columbia, mais tarde Continental, com o choro “Tico-tico no terreiro” e o xote “Adeus, Mariana”, hits imediatos. Em suas apresentações, Pedro Raimundo alternava músicas alegres com outras sentimentais, e foi o primeiro artista típico gaúcho a alcançar fama nacional, inclusive com vestimentas típicas (bombachas, lenço no pescoço, botas, esporas, chapéu e guaiaca). Nesta edição do GRB, alguns dos melhores momentos da vitoriosa carreira de Pedro Raimundo, a maior parte em gravações Continental, e mais um disco de sua fase na Todamérica. Em ordem cronológica de lançamento, as músicas são as seguintes, quase todas de sua autoria com ou sem parceiros: do Continental 15127, lançado em abril de 1944, a toada “O carreteiro” (dele com Pirajá), matriz 734, e a valsa “Contigo no pensamento”, matriz 735. Em seguida, o disco 15404, lançado em agosto de 1946, com a toada “Gauchada”, matriz 1176, e o tango “Mágoas de amor”, matriz 1175. No 78 de número 15599, gravado em 12 de setembro de 1945 com acompanhamento do regional de Nélson Miranda e lançado apenas em março de 46, apareceram o xote “Gaúcha malvada” (dele com Mutt), matriz 1278, e a valsa “Sofrer sorrindo”, matriz 1279. Em seguida, o disco 15790, gravado em 30 de maio de 1947 e lançado em junho-julho do mesmo ano, com o chorinho “Chico da Ronda”, matriz 1673, e a polca “Na casa do Zebedeu”, matriz 1672. Ainda na Continental, vem em seguida o disco 16190, lançado em março-abril de 1950, trazendo a polca “Festa na fazenda”, de Pedro Sertanejo, ocupando os dois lados do 78 (matrizes 2265-2266) e com acompanhamento de conjunto. Por fim, do tempo em que Pedro Raimundo estava na Todamérica, o disco TA-5054, gravado em 16 de fevereiro de 1951 e lançado em abril do mesmo ano, com acompanhamento do conjunto do violonista Pereira Filho, trazendo a valsa “Pingo Mulato”, matriz TA-88, e o baião “Oriental”, matriz TA-87. Esta edição do GRB é a prova de que as canções, a sanfona e a alegria de Pedro Raimundo ficarão para sempre em nossa memória. Aproveita, tchê!

*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO


segunda-feira, 5 de março de 2012

Vários Sertanejos - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 12 (2012)

Ê trem bão! A décima-segunda edição do Gran Record Brasil chega em clima bem caipira e sertanejo! Em dezesseis fonogramas raros e históricos, teremos uma amostra de como era o gênero sertanejo de antanho. Aqui comparecem duplas bastante conhecidas e lembradas, além de outras que o implacável passar do tempo foi esquecendo. É nesse último caso que se enquadram as Irmãs Cavalcanti, Noemi e Odemi. Elas deixaram uma discografia escassa: apenas seis discos 78 com doze músicas, todos pela Columbia. Eis aqui o primeiro deles, lançado no comecinho de 1954, janeiro, com o número CB-10029. De um lado, matriz CBO-170, o baião “Lumiô lumiô”, delas próprias, e no verso, matriz CBO-171, a guarânia “Ponta Porã”, de Jamir da Silva Araújo e Pereirinha. Em seguida iremos nos encontrar com uma dupla muito querida e lembrada: Nenete (Waldemar de Franchesi, 1919-1989), natural de Pirassununga, e Dorinho (Isidoro Cunha, Bernardino de Campos, SP, 1933-Campinas, SP, 2011), apelido que ele carregava desde a infância. Gravaram seu primeiro disco em 1955, na RCA Victor, com a toada “O milagre das rosas” e o cururu “Toca sino”. Em 78 rpm, na mesma marca, foram mais de trinta discos, além de 13 Lps de carreira, nos selos RCA Victor, RCA Camden, Caboclo/Continental e Beverly, onde gravaram o último, em 1976. Depois disso, Nenete afastou-se do meio musical por motivo de saúde, e faleceu em uma tentativa de assalto! Nenete e Dorinho aqui comparecem com um disco gravado em 19 de junho de 1962, o RCA Victor 80-2485. No lado A, matriz N2CAB-1748, uma regravação do tango “Ouvindo-te”, lançado em 1935 por seu autor, Vicente Celestino. No verso, matriz N2CAB-1749, a moda campeira “Goiano valente”, de Nenete com Piraci (de famosa dupla com Diogo Mulero, o Palmeira). Ambas as composições também fizeram parte do LP “Pescadores de sucesso”, do mesmo ano. Por falar em Palmeira (Agudos, SP, 1918-São Paulo, 1967), eis que ele ressurge aqui em sua memorável dupla com Luizinho (Luiz Raimundo, São Paulo, 1916-idem, 1983) com dois discos RCA Victor, gravados em 12 de fevereiro de 1951 e lançados em maio do mesmo ano. O de número 80-0763 apresenta duas composições da própria dupla: a moda campeira “Chão de Minas”, matriz S-092841, e a valsa “São Judas Tadeu”, matriz S-092842. Já o disco 80-0764 apresenta a moda campeira “Santa Fé do Paraná”, de Palmeira e Ado Benatti, matriz S-092843, e o motivo folclórico mineiro “Peixe vivo”, adaptado por Palmeira e Mário Zan, por sinal a música predileta do ex-presidente Juscelino Kubitschek, que era mineiro de Diamantina. Em seguida, uma dupla que ainda hoje está em atividade e muito querida: Pedro Bento (José Antunes Leme, n.1934), nascido em Porto Feliz, e Zé da Estrada (Waldomiro de Oliveira, n.1929), que é de Botucatu. Acrescentando elementos da música regional mexicana, sem no entanto abandonar as raízes sertanejas, eles ficaram conhecidos como “os amantes da rancheira”, o que fica claro no disco aqui presente, de 1964, o Caboclo/Continental CS-652. De um lado, matriz 55-035-A, o huapango “Tens que beber”, de Zé da Estrada e Caçula, da dupla com Marinheiro, e no verso, matriz 55-035-B, a rancheira “Bebendo e chorando”, de Milano e Serafim, ainda hoje uma das mais aplaudidas criações da dupla. De longa carreira na música brasileira, Raul Torres (Botucatu, SP, 1906-São Paulo, 1970) aqui comparece em dupla com seu inseparável parceiro Florêncio (José Batista Pinto, 1909-1972), natural de Barretos, a atual capital brasileira do rodeio. No disco Todamérica TA-5617, de 1956, foram regravados dois hits de Raul como compositor e intérprete: no lado A, matriz TA-1318, em ritmo de baião, a pungente moda de viola “Boi amarelinho”, originalmente gravada pelo próprio Raul Torres em dupla com Ascendino Lisboa, em 1933. No lado B,matriz TA-1319, o valseado “Meu cavalo zaino”, originalmente gravado por Raul em dupla com Serrinha, em 1939. Em seguida, dois discos RCA Victor: o primeiro de número 80-0516, gravado em dezembro de 1946 mas só lançado em maio de 47. No lado A, matriz S-078685, a moda de viola “Égua branca”, em que Raul tem como parceiros Nhô Pai (autor de “Beijinho doce”) e Godoy, e no verso, matriz S-078686, o curiosíssimo “samba baiano” “Nêga, sai do sereno”, de Raul Torres sem parceiro. Em seguida o disco 80-0285, gravado em 13 de junho de 1944 e só lançado em maio de 45,. No lado A, matriz S-052992, um superclássico, “Moda da mula preta”, inúmeras vezes regravado, inclusive por Luiz Gonzaga (na voz dele por sinal a música fez ainda mais sucesso!). No verso, matriz S-052993, o corrido “No recanto onde eu moro”, de Raul Torres e Júlio Lopes. Encerrando esta edição sertaneja do GRB, a dupla Sucupira e Rosa Amélia, de discografia escassa: apenas cinco discos 78 rpm com nove músicas, gravados entre 1960 e 1963. Aqui está o último deles, do selo Orion, da Odeon, número R-138, do início de 63. No lado 1, matriz 51292, a canção rancheira “Passado feliz”, de Sotero Silveira e Ulisses Nascimento, e no verso, matriz 51291 , o bolero “Esqueça, meu amor”, de Álvaro Alvim e Joel Honorato. Existe também um LP de 1983, “Garça branca”. Enfim, uma boa oportunidade para as novas gerações conhecerem o estilo sertanejo de outros tempos, bem diferente do atual, que, com raríssimas exceções, é mais para público urbano. Ouçam, recordem e divirtam-se com esta edição bem sertaneja do GRB!

*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

sábado, 3 de março de 2012

A Música De Makely Ka (2012)

Boa tarde, amigos cultos, ocultos e associados! Lá vamos nós para mais uma produção especial, uma coletânea bem bacana, reunida pelo meu amigo Edu Pampani, da Discoteca Pública e com a devida permissão do artista. Estamos falando aqui de Makely Ka, compositor, poeta e editor, um dos mais brilhantes e inquietos artistas mineiros dos últimos tempos. Suas canções já atravessaram as montanhas e tem sido gravadas por diversos intérpretes, no Brasil e exterior. O trabalho musical de Makely, como vocês verão (e ouvirão, claro), está bem acima da média do que é produzido hoje em termos música popular. É música honesta, para um público honesto. Estão reunidas aqui diferentes gravações e interpretes, inclusive o próprio Makely, em produções recentes da nova safra independente mineira.
Eu penso que para se fazer uma coletânea de um determinado artista, só vale se for uma homenagem póstuma, ou se o cabra for mesmo bom de serviço, merecendo assim a atenção e o toque musical. Podem ter certeza, Makely Ka merece e vocês irão confirmar. Vamos ouvir?

andante - marina machado e regina spósito
xote polaco - kristoff silca
o chamador - titane
atemporal - pablo castro, kristoff silva e makely ka
costura - leopoldina
samba sim - julia ribas
a luz é como a água - mariana nunes
monotonia gris - maísa moura
mar deserto - kristoff silva
solstício de inverno - maísa moura
o dragão da maldade contra o santo guerreiro - malely ka e aline calixto
impagável - leonora weissmann
eu não - titante
o amor - regina spósito
uma confábula - makely ka
camara escura - sergio pererê
santuário - mestre jonas
fio descapado - juliana perdigão
queixumes - alda rezende
samba solto - alda rezende