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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Grand Record Brazil

"Grand Record Brazil by Toque Musical", uma produção que faz a diferença ;)
Estão gostando? Toda segunda feira, um novo encontro.


Muraro - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 11 (2012)

E chegamos à décima-primeira edição do Gran Record Brazil. Aqui apresentamos algumas das melhores gravações do pianista, maestro e compositor Heriberto Leandro Muraro (La Plata, Argentina, 1903-Rio de Janeiro, 1968). Este ilustre “hermano” aportou em terras brasileiras em 1932, logo se apaixonando pela nossa terra. Por décadas a fio percorreu todo o país exercendo sua arte de exímio pianista, excursionando em seguida por Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Itália com repertório de música brasileira. No rádio, atuou nas emissoras cariocas Mayrink Veiga, Nacional e Globo, na Record de São Paulo e na Farroupilha de Porto Alegre. Dirigiu a lendária Nacional por 18 anos, impulsionando a carreira de nomes como Dircinha Batista, Nélson Gonçalves, Joel e Gaúcho, e as irmãs Cármen e Aurora Miranda. Gravou seu primeiro disco na Victor, em 1939, solando ao piano, em ritmo de fox, os sambas “O homem sem mulher não vale nada” e “Meu consolo é você”, hits do carnaval daquele ano na voz de Orlando Silva. Foram mais de trinta discos gravados, entre 78 rpm e Lps. Nesta edição do GRB, um pouco da arte deste talentoso pianeiro portenho-brasileiro, em doze fonogramas. Pra começar, o disco Continental 15887, gravado em 18 de março de 1948 e lançado em maio-junho do mesmo ano, com duas conhecidas marchinhas do mestre João de Barro, o Braguinha, em ritmo de fox. No lado A, matriz 1813, “A mulata é a tal”, parceria com Antônio Almeida, e no verso, matriz 1812, “Tem gato na tuba”, que Braguinha fez com Alberto Ribeiro. Em seguida, registros certamente realizados fora do país. O Odeon 2987 apresenta no lado A, matriz 14719, o fox “Dragões canadenses” (“Canadian capers”), dos americanos Gus Chandler, Bert White e Henry Cohen, composto em 1915. No verso, matriz 14466, e igualmente como fox, “Estudo em vermelho” (“Study in red”), do também americano Larry Clinton, trompetista, trombonista e bandleader. De volta ao Brasil, a interpretação de Muraro para o fox “Narcissus”, do americano Ethelbert Nevin, lançada pela Continental em agosto de 1944 com o número 15182-A, matriz 835. No verso, matriz 836, outra interpretação de Muraro em tempo de fox para “Gigolette”, trecho da opereta homônima de Franz Lehar, nascido na cidade de Komárom, no antigo Império Austro-Húngaro, e hoje situada na Eslováquia, com o nome de Komarno. Prosseguindo, mais um disco gravado no exterior, o Odeon 2947. Abrindo-o, matriz 15662, “Linda flor” (na verdade o famoso “Ai, ioiô”, de Henrique Vogeler, cuja letra mais famosa foi a de Luiz Peixoto e Marques Porto, gravada por Aracy Cortes em 1929). No verso, matriz 15578, o chorinho “Tangará na dança”, de autoria de Lina Pesce, compositora, cantora, bandolinista e pianista, lançado em 1946 pelo acordeonista George Brass. Portanto, este disco, assim como outros dois aqui incluídos, deve ser de 1947, mais ou menos. Em seguida, mais um disco de Muraro aqui gravado, o Odeon 13043, de 22 de maio de 1950, lançado em setembro do mesmo ano. De um lado, matriz 8704, o famoso “Baião”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, e no verso, matriz 8705, o célebre “Moto perpétuo”, de Paganini, que mais tarde recebeu outra ótima interpretação, a cargo de Edu da Gaita. Finalizando, mais duas gravações internacionais de Muraro, em disco Odeon 2912, apresentando dois chorinhos muito conhecidos. No lado A, matriz 14573, “Não me toques”, do mestre Zequinha de Abreu, e no verso, matriz 14465, “Bem-te-vi atrevido”, outra composição de Lina Pesce. Enfim, um resgate mais que oportuno, deste grande músico que foi o argentino-brasileiro Heriberto Muraro. Bom divertimento!

* TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Pery Ribeiro - Apaixonadamente Na Memória (2012)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Eu estava pensando em manter neste fim de semana a postagens de discos mais recentes, algo mais ligado ao pop/rock nacional. Porém fui surpreendido com a triste notícia da morte do Pery Ribeiro. Deixei de lado as guitarras para prestar aqui a minha homenagem ao grande intérprete da nossa MPB. Acredito que muitos devem estar pesarosos, assim como eu. Embora eu poucas vezes tenha postado alguma coisa do Pery, sempre tive por ele uma grande admiração. Pery Ribeiro foi um cantor que marcou por diversas razões. Filho de dois outros grandes monstros sagrados da música brasileira, Herivelto Martins e Dalva de Oliveira, não podia ser outra coisa senão um artista, de muito talento é bom dizer. Foi o primeiro intérprete de "Garota de Ipanema", assim como também na Bossa Nova, foi quem estreou diversos 'hits', principalmente de Menescal e Boscoli. Pery foi um artista que sempre cantou o amor e a paixão. Não foi por acaso ou para rimar que Caetano Veloso cita o artista em uma de suas músicas: "...apaixonadamente como o Pery". E foi lembrando dessa frase que eu me inspirei no título desta coletânea que montei e agora apresento a vocês. São 41 músicas que ilustram um pouco o trabalho do artista. Selecionei algumas das que eu mais gosto e que se destacaram e sua carreira. Lamentável essa perda e o pior é que não tem ninguém para ocupar o seu lugar. Vai fazer muita falta. Mas agora ele está no Céu, cantando ao lado dos pais e dos grandes amigos. Obrigado, Pery!

manhã (com o bossa três)
bola de meia, bola de gude - novo tempo
indecisão (com luiz eça)
samba do dom natural (com o bossa três)
manhã de carnaval
só quero você
eu gosto da vida
de volta
palmeira triste
de onde vens (com luiz eça)
oferenda (com luiz eça)
tristeza (com o bossa três)
canto de ossanha (com o bossa três)
noves fora nada
samba de orfeu
sangrando - ponto de interrogação
quero quero - cheiro de mato
saudosa mangueira
lamento da lavadeira
diariamente
alvorada
segredo
caminhemos
evolução
nós e o mar
rio
bossa na praia
se pelo menos você fosse minha
lamento negro
me lembro vagamente
garota de ipanema
só nos resta viver - meu amigo, meu herói
canção que morre no ar (com luiz eça)
bandeira branca
aruanda
laura
segredo (com dalva de oliveira)
ave maria (com dalva de oliveira)
ave maria do morro (herivelto martins)
réquiem


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Branca De Neve E Os Sete Anões - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 10 (2012)

O Grand Record Brazil, em sua décima edição, convida todos os amigos e ocultos do Toque Musical a voltarem a seu feliz tempo de criança! Aqui trazemos um dos mais famosos contos infantis de todos os tempos: “Branca de Neve e os sete anões”, escrito pelos irmãos alemães Jacob e Wilhelm Grimm, e brilhantemente adaptado para desenho animado por Walt Disney, em 1937, tendo sido, aliás, o primeiro cartoon de longa metragem produzido, e ainda em cores! Deu início a uma série memorável de longas animados da Disney: “Pinóquio”, “Dumbo”, “Bambi, “Cinderela”, “A bela adormecida, “Alice no país das maravilhas” e muitos, muitos outros, praticamente com a mesma característica: para serem vistos e também ouvidos.

A dublagem com que o filme foi lançado nos cinemas brasileiros, feita pela Cinelab, foi supervisionada por João de Barro, o Braguinha, então diretor artístico da gravadora Columbia, mais tarde Continental. Apesar dos recursos técnicos limitados, o resultado foi tão bom que o próprio Walt Disney, em reconhecimento, presenteou Braguinha com um relógio de ouro, especialmente dedicado a ele. Para dublar “Branca de Neve”, recrutou-se a nata da música popular brasileira daqueles tempos: Dalva de Oliveira (a personagem-título), Carlos Galhardo, (o príncipe), Almirante (a voz do Espelho Mágico), além do comediante Batista Júnior, pai das cantoras Linda e Dircinha Batista (o anão Soneca) e dos atores Túlio de Lemos (o caçador), Cordélia Ferreira (a rainha), Estephana Louro (a bruxa), Edmundo Maia (o anão Atchim) e Aristóteles Pena (o anão Zangado), entre outros. Esta dublagem antiga, infelizmente, se perdeu, tanto que em 1965 teve de ser refeita pela extinta Riosom, sob a supervisão de Aloysio de Oliveira e com outro elenco de vozes (foi com esta última dublagem que o filme foi exibido pela Rede Globo de Televisão, no Natal de 2010).

Em 1945, a Continental, ex-Columbia, decidiu gravar historinhas infantis em disco, e com a supervisão e adaptação do próprio Braguinha. Para isso, ele reuniu nos estúdios da gravadora, situados no Edifício Cineac-Trianon (Avenida Rio Branco esquina com Rua Bethencourt Silva, em frente ao lendário Café Nice, no centro do Rio), praticamente todos os artistas que gravaram a primeira versão dublada brasileira de “Branca de Neve” quando do lançamento em nossos cinemas, em 1938, com o apoio do grupo vocal Os Trovadores. A orquestração e a regência ficaram a cargo do maestro Guerra Peixe (Petrópolis, RJ, 1914-Rio de Janeiro, 1993). Segundo o próprio Braguinha, era impossível naquele tempo gravar uma história completa num único 78 rpm. O jeito então foi gravar “Branca de Neve” em dois discos de selo vermelho especial, números 30103 e 30104, matrizes 1371-2-3-4. Esta versão apresenta todo o escore musical original do cartoon clássico de Disney. A narração, não creditada, parece ser da radialista e também cantora Sõnia Barreto, sendo as canções (oito) escritas por Frank Churchill (melodia) e Larry Morey (letra original). Três delas são lembradas até hoje: “Assobie enquanto trabalha”, “Cavando a mina”(“Eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou”...) e a valsa “Quando o meu príncipe vier”, incluída no repertório de vários solistas de jazz. Este lançamento iniciava a série Discoteca Infantil Continental, que seria o embrião, nos anos 1960, do célebre e bem-sucedido selo Disquinho, aquele dos compactos de vinil coloridos, e que seriam entretenimento de gerações seguidas de crianças (inclusive, claro, a minha!). Foram mais de setenta títulos, o primeiro deles agora oferecido pelo GRB na versão original em 78 rpm, o que de certa forma serve de consolo para a possível perda da dublagem brasileira original do longa animado de Disney. Recordemos com muito carinho a bela história de “Branca de Neve e os sete anões”.
TEXTO: Samuel Machado Filho

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Nelson Faria, Nico Assumpção E Lincoln Cheib - Trio (2000)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Chegamos a mais uma sexta feira independente e para variar, em todos os sentidos, eu estou trazendo aqui um registro da boa música instrumental. Uma gravação que me caiu nas mãos graças aos bons amigos, que sabem bem aquilo que condiz com o perfil do blog Toque Musical. Valeu Pampani!
Embora eu tenha fugido um pouco da proposta musical que se seguiu pela semana, o que trago agora, sem comparações, é também de tirar o chapéu. Música de qualidade, instrumental e contemporânea. Tenho certeza que quem tem bons ouvidos para escutar os grandes do passado, também sabe apreciar a música dos grandes do presente.
Trago para vocês, com exclusividade, mais um 'bootleg' especial, com direito a capinha e tudo mais :) Vamos encontrar neste registro, três grandes músicos, instrumentistas disputadíssimo pelo alto nível de suas performaces. Começamos pelo mineiro, guitarrista (e também fotógrafo!) Nelson Faria. O cara é um fera, já tocou com Deus e o mundo e continua mandando bala, tem uma dezena de discos solos gravados (incluindo este agora, hehehe...) e participação em outros de diferentes artistas. Pelo que eu li em seu site, Nelson tem atuado como professor convidado em duas universidades européias. Seu último trabalho foi um cd gravado ao vivo na Alemanha com a Hr-Bigband (Frankfurt Radio Bigband) e participação do baixista Ney Conceição e o baterista Kiko Freitas. Outro mineiro, também super requisitado, é o baterista Lincoln Cheib, que toca na banda do Milton Nascimento, filho de Dirceu Cheib, do Estúdio Bemol. Lincoln vem se despontando com um dos maiores bateristas da atualidade. Também tem uma atuação acadêmica, como professor convidado na Escola de Música da UFMG. Finalmente, temos outra fera, o saudoso baixista Nico Assumpção, este, agora toca mais para Deus do que para o mundo, mas foi um dos nossos maiores contrabaixistas, também com um currículo invejável. Infelizmente, ele se foi prematuramente. Uma grande perda para a Música Brasileira.
Juntos, em um show realizado em 17 de janeiro de 2000, na Casa de Cultura Estácio de Sá (RJ), os três músicos 'barbarizam', mostram uma sintonia que faz a gente ficar de boca (e ouvidos) bem abertos. Foi nesse encontro, nesse show, para um público seleto, que nasceu a ideia da produção de um cd, o "Três/Three". Algumas das músicas apresentadas nesta gravação vieram a fazer parte do cd, lançado no final de 2000.
É interessante observar a interação dos músicos e principalmente a atuação do Nico, que toca como nunca, talvez prevendo ali seu último momento. É impressionante e comovente. Vocês precisam ouvir isso!

quartet
o barquinho
vento
modinha para juliana
buxixo
paca tatú
vera cruz
quartet (bis)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Orlando Correia, Ronaldo Lupo E Solon Sales - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 09 (2012)

A alegria do reencontro! Assim é que se pode definir esta nona edição do Grand Record Brazil, após duas semanas de ausência involuntária. Apresentamos nesta edição três cantores de muito sucesso em suas épocas, ainda que sejam pouco lembrados atualmente. São eles:

Orlando José Correia (Niterói, RJ, 1928-Rio de Janeiro, 2002). Antes de ser cantor, era mecânico de motores à explosão, diplomado pela General Motors, tendo sido dono até de uma oficina mecânica, além de um hotel e um restaurante, isso após deixar a carreira.. Ciro Monteiro, o “Formigão”, foi quem o descobriu cantando em um parque de diversões de lá de Niterói e o levou para o rádio carioca, atuando primeiro na Mayrink Veiga, depois na Guanabara, na Clube do Brasil e, por 28 anos, na Tupi. Orlando aqui comparece com o disco Todamérica TA-5325, gravado em 16 de junho de 1953 e lançado em agosto do mesmo ano. Na faixa de abertura, matriz TA-485, o samba-canção “Sistema nervoso”, que Wilson Batista, Roberto Roberti e Arlindo Marques Jr. compuseram em uma noite nas escadarias do Palácio Monroe, mais tarde demolido, com a presença de Orlando. Note-se a criatividade do técnico de gravação, Norival Reis, que, para a sonoplastia, usou um carrilhão e um despertador, além de fazer de câmara de eco o banheiro do estúdio! Completando, matriz TA-486, o belo fox “Dançando com você”, da parceria José Maria de Abreu-Jair Amorim, marcada por inúmeros hits inesquecíveis, bastando lembrar, por exemplo, “Alguém como tu”, um marco na carreira de Dick Farney. Dos anos 1980 até 2002, quando morreu, Orlando Correia residiu em Maricá, litoral norte fluminense.

Ronaldo Lupo (São Paulo, 1913-Rio de Janeiro, 2005). Pseudônimo de Ronaldo Lupovici. De origem judaica, foi também compositor, produtor e ator de cinema, tendo presidido o Sindicato Nacional da Indústria Cinematográfica. Ronaldo marca presença aqui com outra preciosidade do acervo da Todamérica, o disco TA-5040, gravado em 4 de dezembro de 1950 e lançado em fevereiro de 51, com duas músicas de sua autoria, No lado A, matriz TA-81, “Baião em Paris”, parceria com o baiano Duque (Antônio Lopes de Amorim Diniz), também dentista e dançarino, responsável pela divulgação do maxixe na Europa e nos EUA, a partir dos anos 1910. Ao parar de dançar, Duque inaugurou, em 1932, a Casa de Caboclo, de arquitetura rústica, na Praça Tiradentes, destinada a divulgação de música brasileira regional e folclórica. Completando o disco, matriz TA-82, Ronaldo apresenta o divertido fox “Depois eu conto”, que fez com Nestor Tangerine, A participação do coro pedindo “Conta! Conta!” é um dos pontos fortes desta composição, que Ronaldo voltaria a gravar em 1958, desta vez pela Columbia. Sua discografia em 78 rpm como intérprete tem apenas 13 discos com 45 fonogramas, nos selos Continental, Todamérica, Columbia e Mocambo.

Solon Hanser Sales (Sorocaba, SP, 1923-São Paulo, 1995). Era conhecido como o “seresteiro da Paulicéia”. Foi trapezista, acrobata e mágico no circo Irmãos Hanser, no qual trabalhavam o pai, a mãe e mais cinco tios, dando espetáculos em Sorocaba e cidades próximas. Já em São Paulo, formou com um amigo a dupla caipira Samburá e Chapinha (Sólon era este último), que atuou nas rádios Bandeirantes e Cultura, nesta última protagonizando uma novela sertaneja. Desfeita a dupla, prosseguiu sozinho a carreira. Aqui, as músicas do primeiro disco de Sólon Sales, gravado na Continental em 2 de janeiro de 1948 e entregue às lojas em maio-junho daquele ano com o número 15908, logo de saída emplacando dois estrondosos sucessos. Abrindo o disco, matriz 10804-1R, o tango brejeiro “Segue teu caminho”, de Mário Zan e Arlindo Pinto, uma verdadeira apoteose, que receberia inúmeros outros registros. O próprio Mário o acompanha com seu acordeon, ao lado do violonista Aymoré. O lado B, matriz 10803-1R, é a valsa “Belo Horizonte”, homenagem à “capital das Alterosas”, concebida por Arlindo Pinto e Anacleto Rosas Jr., autores de inúmeros hits sertanejos, mais uma vez com Mário Zan ao acordeom, à frente de seu conjunto, no acompanhamento. Sólon Salles nos oferece ainda outros quatro fonogramas raros: abrindo o terceiro disco do cantor, o Continental 16100, gravado em 20 de maio de 1949 e lançado entre julho e setembro desse ano, o balanceio “Cabeça inchada”, do mineiro (de Viçosa) Hervê Cordovil sobre motivo folclórico, matriz 11010. Um clássico que seria regravado inúmeras vezes, destacando-se os registros de Carmélia Alves e da dupla Adelaide Chiozzo-Eliana Macedo, também estrelas do cinema nacional, ambos de 1951. Completando o disco, matriz 11012, mais um tango brejeiro, “Perambulando”, de Mário Zan e Arlindo Pinto. Mais uma vez Mário comparece com sua sanfona e seu conjunto. Por fim, mais um disco Continental, o de número 16274, gravado em 23 de junho de 1950 e lançado em setembro-outubro do mesmo ano, com acompanhamento da orquestra do também médico Antônio Sergi, o Totó (por isso ele aparece no selo como “doutor”). No lado A, matriz 11148-R, o samba-canção “Meu castigo”, de autoria de José Nicolini, maestro e compositor paulistano de origem italiana. E, completando, matriz 11149-R, a conhecida valsa (ou corrido) “Beijinho doce”, de Nhô Pai, originalmente lançada em 1945 pelas Irmãs Castro, e muitíssimo regravada, inclusive por Nalva Aguiar, quando mereceu um arranjo mais “jovem”. Enfim, o GRB nos oferece, com músicas ditas “waves”, mais agradáveis momentos de alegria e recordação!
*TEXTO SAMUEL MACHADO FILHO

dançando com você - orlando correia
sistema nervoso - orlando correia
baião em paris - ronaldo lupo
depois eu conto - ronaldo lupo
beijinho doce - solon sales
belo horizonte - solon sales
cabeça inchada - solon sales
meu castigo - solon sales
perambulando -solon sales
segue teu caminho - solon sales