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sábado, 21 de janeiro de 2012

Brazilian Beat - Uma Seleção Do Toque Musical (2012)

Olá amigos, boa noite! Sem muito tempo para me dedicar um pouco mais ao blog, continuo devendo aos solicitantes cultos e ocultos alguns 'toques renovados'. Segura aí que logo vem... :)
Fiquei aqui envolvido com outras emoções, quase me esqueci que hoje era dia de coletâneas. Como não havia nada preparado, fiz às pressas esta coletânea com artistas internacionais apresentando a sempre boa e velha Bossa Nova. Aliás, não é exatamente a Bossa, mas sim o espírito dela. Temos aqui vinte músicas que eu escolhi a dedo. Um seleção ótima para todos os momentos. Música para quem escuta com outros olhos. O encarte não ficou bem como eu queria, mas tá valendo. Não vou nem comentar nada, deixando que os amigos mesmo o façam. Hoje é sábado e eu estou louco para tomar um vinho. Vou nessa porque Baco me espera ;) Fiquem a vontade :)

deve ser amor - herbie mann
a felicidade - bob brookmeyer
recado bossa nova - enoch light and the light brigade
copacabana - klaus doldinger quartet
desafinado - coleman hawkins
bossa nova - michel gonet
nana - cesar's salad*
menina feia - herbie mann
meditation - elsie bianchi
samba de orfeu - enoch light and the light brigade
once again - stan getz and laurindo almeida
bossa nova u.s.a. - quincy jones
adeus pássaro preto - paul winter
manhã de carnaval - arthur lyman
tu veux ou yu veux pas - marcel zanin
vocal inventions - janko nilovic
triste - oscar peterson trio
useless landscape(inúltil paisagem) - ella fitzgerald
wave - art van damme

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Milton Nascimento, Herbie Hancock, Wayne Shorter, Stanley Clarke & Robertinho Silva - Select Live Special Session (2012)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Olha aí que belo toque musical eu tenho hoje para vocês. Por esta ninguém esperava (e nem eu!). Mais um presentinho do nosso amigo Chris Rousseau, o qual ele foi buscar na mesma 'fonte sueca' de onde veio o polêmico "João Gilberto na casa de Chico Pereira". Chegou ainda nesta semana e eu, logo de cara, fui ouvir. Que maravilha, nem sabia dessas travessuras do Bituca. Acredito que para a maioria também deve ser novidade essa gravação, que traz o encontro de Milton Nascimento com três feras do jazz americano, os conceituadíssimos Herbie Hancock, Stanley Clarke e Wayne Shorter. Esse momento glorioso aconteceu há mais de 20 anos atrás em um megashow em Tokyo, Japão. Pelo pouco de informações que eu encontrei na rede, trata-se de um festival, o "Live Under The Sky Festival", onde se apresentaram, além dos já citados, outros grandes, como Marcus Miller, Omar Hakim, Joe Sample, Everette Harp & La La Hathaway e Orchestre Nacional de Jazz.
Encontrei um site inglês vendendo o DVD com o Festival completo. Nele podemos ler a lista de artistas e as músicas executadas por cada um. Infelizmente só fui perceber isso depois que criei o encarte exclusivo para a postagem. Ao que parece, apenas nas músicas "Don Quixote" e "Milagre dos Peixes" há a participação dos astros internacionais ao lado de Milton. Porém, nas demais músicas percebemos a presença de teclados, cordas e sopros, que eu acho serem os gringos. Não posso também deixar de citar outra fera, o baterista Robertinho Silva, presente em todas as músicas do show. Embora tenhamos a participação estrelar dos músicos estrangeiros, podemos dizer que se isso fosse um disco, seria mesmo do Bituca, afinal, todas as músicas são do seu repertório, que por sinal ficaram ótimas! Vamos conferir?

txai
yauaretê
nós
coisas da vida
bola de meia, bola de gude
no bailes da vida
das sombras
milagre dos peixes
don quixote
parte final - apresentação - instrumental
milagre dos peixes (bonus)


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Trigêmeos Vocalistas, Vocalistas Modernos, Zé Fidelis, Zé Gonzaga, Jorge Loredo - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 08 (2012)

Rir é o melhor remédio. E é o bom humor que marca a seleção desta oitava edição do Grand Record Brazil, apresentando dez fonogramas raros e, claro, bem alto astral.
Para começar, temos os Trigêmeos Vocalistas, um trio que era formado por três irmãos: Armando Carezzato, o mais velho, e os gêmeos Raul e Humberto, três anos mais novos (originalmente o nome do grupo era Trio Carezzato). Eles aqui comparecem com duas gravações Odeon: o corrido em estilo mexicano “Don Pedrito”, de Djalma Esteves (autor de rumbas como “Escandalosa”) e Célio Monteiro, gravação de 12 de maio de 1949, matriz 8491, lançada só em novembro seguinte com o nº 12958-A, matriz 8491, e o fox “Eu vou sapatear”, de Nicola Bruni, gravado em 29 de setembro de 1949 mas só lançado em maio de 1950 com o nº 12997-B, matriz 8558.
Outro grupo vocal dessa mesma época aqui comparece: os Vocalistas Tropicais. Formado na capital cearense, Fortaleza, em 1941, teve diversos componentes e, em 1946, surgiu a formação definitiva: Nilo Xavier da Motta (líder, violonista e arranjador), Raimundo Evandro Jataí de Souza (vocal, viola americana e arranjos), Artur Oliveira (percussão e vocal), Danúbio Barbosa Lima (percussão), estes quatro cearenses, e o pernambucano do Recife Arlindo Borges (violão e vocal solo). Eles aqui comparecem com dois grandes sucessos carnavalescos gravados na Odeon: as marchinhas “Jacarepaguá”, que cita no estribilho a rumba “El cumbanchero”, da folia de 1949, gravada em 21 de outubro de 48 e lançada um mês antes da folia em janeiro (12893-A, matriz 8427) e “Tomara que chova”, crítica à crônica falta d'água que acontecia no Rio de Janeiro na época, para os festejos momescos de 1951. Este é o registro original, datado de 6 de setembro de 1950 e lançado ainda em dezembro daquele ano com o nº 13066-A, matriz 8792. Pois, como se sabe, Emilinha Borba fez outra gravação, em outubro de 50, perla Continental, creio que a mais lembrada. Ambas as composições são de Paquito e Romeu Gentil, com o reforço de Marino Pinto em “Jacarepaguá”.
O comediante carioca Jorge Loredo também aqui comparece com o disco Columbia 3129, lançado em agosto de 1960. No lado A, matriz CBO-2424, ele aparece na pele de seu mais famoso personagem, Zé Bonitinho, “o perigote das mulheres”, surgido naquele mesmo ano no programa “Noites cariocas”, da extinta TV Rio. É uma composição de Fernando César (autor também de hits como “Dó-ré-mi” e “Joga a rede no mar”) e do maestro e pianista gaúcho João Leal Brito, o Britinho, que também acompanha o comediante com sua orquestra neste disco, que se completa com “Nobre colega”, de Édison Borges, matriz CBO-2425.
Outro comediante que marcou época bate ponto aqui no GRB 8: o “inimigo número um da tristeza”, Zé Fidélis (São Paulo, 1910-idem, 1985), um dos pioneiros do humor no rádio brasileiro e que, embora fizesse de papel de português, era descendente de italianos (!), tanto que sue nome verdadeiro era Gino Cortopassi. Famoso por suas paródias, ele aqui comparece com a da valsa “Alza, Manolita”, do provavelmente francês Léo Daniderff, e então sucesso na versão brasileira de Eduardo das Neves cantada por Osny Silva. Originalmente, “Manuelita” saiu pela Columbia, em junho de 1943, com o nº 55438, matrizes 10146-A/B, ocupando os dois lados do 78. Naquele ano, porém, a Byington & Cia. perdeu a representação da Columbia americana para a Odeon, e, em seu lugar, surgiu a marca Continental. Para marcar o início das atividades da nova marca, foram relançados cem discos da antiga Columbia, entre eles “Manuelita”, que voltou às lojas com o nº 15046.
Finalmente, temos Zé Gonzaga (José Januário Gonzaga do Nascimento, Exu, PE, 1921-Rio de Janeiro, 2002), que, como você já percebeu, era irmão de Luiz Gonzaga e também sanfoneiro. Ele inclusive se apresentou no exterior, substituindo o irmão famoso em uma excursão pela França, promovida pelo empresário de comunicação Assis Chateaubriand, em 1952, atuando também no Uruguai e na Argentina. Zé aqui está com um disco Copacabana de 1956, de nº 5601, sem indicação exata de mês de lançamento. No lado A, matriz M-1556, uma composição dele próprio com Amorim Roxo, o xote “O cheiro da Carolina”, uma coqueluche na época, também gravado por Carlos Antunes e pelo próprio irmão famoso, o Gonzagão (talvez o registro de maior sucesso entre os três). No verso, matriz M-1557, vem o “Xote da vovó”, também do próprio Zé Gonzaga com Nelinho, um solo de sanfona “bão da mulésta”, sô! E que encerra esta bem humorada seleção do GRB 8, com a qual você poderá desfrutar de agradáveis momentos de descontração e alegria. Bom divertimento!
* TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

manuelita (parte 1) - zé fidelis
manuelita (parte 2) - zé fidelis
o cheiro da carolina - zé gonzaga
xote da vovó - zé gonzaga
nober colega - jorge loredo
zé bonitinho - jorge loredo
dom pedrito - trigemeos vocalistas
eu vou sapatear - trigemeos vocalistas
tomara que chova - vocalistas tropicais
jacarepaguá - vocalistas tropicais

sábado, 14 de janeiro de 2012

Top 19 Da Música Mineira Em 2011 (2012)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Chegamos ao nosso sábado de coletâneas. Hoje temos uma seleção de um convidado, o promotor cultural Edu Pampani, da Discoteca Pública. Edu é um dos mais importantes colecionadores de vinil do Brasil e também um incansável divulgador de cds e artistas independentes. Ele criou uma seleção com 19 músicas (não me pergunte o porquê), extraídas de diversos cds lançados no ano passado, os quais ele divulga e ajuda a vender. Segundo ele, a coletânea contempla os artistas 'mais chegados', amigos com quem ele sempre troca figurinhas e aquilo que ele considera ter sido o mais expressivo da cena 'pop-uai' (o pop-uai é por minha conta). Em seu site, a Loja da Música Que Vem De Minas, vocês poderão encontrar os cds desses artistas e outros mais, para a venda, claro! Mas vale a pena. Tem muita coisa boa e interessante que a gente não vê por aí.
Como vocês, eu também estou conhecendo agora muita coisa do que rola aqui. Assim sendo, vamos ouvir, depois a gente comenta, ok?

emoções contemporâneas - andré limão queiroz
sambar pra que - black sonora
santos e luz - capim seco
obikawa - déa trancoso
menino - diapasão
samba da mamãe - esdra(nenem) ferreira
o lobo do joão - ezequiel lima
sai fora - flavio renegado
babilonia 336 - garbo
lindo toque - graveola e o lixo polifônico
o poder da palavra - julgamento
fio desencapado - juliana perdigão
esperando a chuva - marcos frederico
perereca de pijama - músicas do espinhaço
desejo de flor - patricia ahmaral
artimanhas - patricia lobato
qualquer palavra - rodrigo borges
ibiza - the hell's kitchen project
vazio - transmissor


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Carmélia Alves, Marlente, Violeta Cavalcante, Zezé Gonzaga E Zilah Fonseca - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 07 (2012)


Amigos cultos e ocultos, já chegamos à sétima edição do Grand Record Brasil. Sete, dizem, é conta de mentiroso, mas a diversão que você vai ter aqui é cem por cento verdadeira! Aqui focalizamos cinco das mais importantes cantoras brasileiras, em fonogramas raros e autênticos itens de colecionador.
Para início de conversa, aqui está Carmélia Alves, a “rainha do baião”. Nascida na Quarta-Feira de Cinzas de 1923 (14 de fevereiro), estreou em disco na Victor, em 1943, interpretando “Deixei de sofrer” (Popeye do Pandeiro e Dino Sete Cordas) e “Quem dorme no ponto é chofer” (Assis Valente), sendo que a própria Carmélia pagou os custos de gravação e prensagem (quatrocentos mil-réis!). O disco fez sucesso, mas Carmélia só voltaria às gravações em 1949, através da Continental. É dessa fase o disco que apresentamos aqui, de número 16413, lançado entre julho e setembro de 1951. “No mundo do baião” é um delicioso popurri que ocupa os dois lados do disco (matrizes 2607-08), no qual foram inseridas músicas dos mais variados autores desse gênero. No lado A, apenas músicas de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, tipo “Asa branca“ e “Paraíba”, e no verso composições de outros autores que se dedicaram ao baião: Hervê Cordovil, Mário Vieira, e Braguinha, o “João de Barro”. Tudo com o reforço do grande acordeonista Sivuca e de seu conjunto. Outra cantora aqui apresentada também era de baião: a paulistana Vitótia de Martino Bonaiutti, aliás Marlene, tida como rival de Emilinha Borba, mas na realidade ambas eram muito, muito amigas (não é de hoje que tem marqueteiro, não é mesmo?).E eis Marlene interpretando um baião do mestre Haroldo Lobo em parceria com Rômulo Paes: a “Canção das noivas”, disco Continental 16556-B, lançado em maio-junho de 1952, matriz C-2843. Em seguida encontramos a amazonense (de Manaus) Violeta Cavalcante. E desta vez em clima de carnaval, apresentando duas músicas para a folia de 1955. Gravado na Odeon em 28 de setembro de 1954, com lançamento ainda em dezembro sob número 13741, o disco traz no lado A, matriz 10309, a “Marcha do cacoete”, de Paulo Menezes e Mílton Legey, e no verso, matriz 10308, o samba “Madrugada”, que tem como parceira a “pianeira” Carolina Cardoso de Menezes, uma das melhores que o Brasil já teve, conhecida por seu jeito brasileiríssimo de dedilhar as notas do piano, e que assina a música ao lado de Jota Leite e Orlando Reis. Bem apropriado para estes dias pré-carnavalescos atuais... Zezé Gonzaga, que já havia aparecido anteriormente na coletânea de Natal do GRB (e com uma faixa de fins de 1951 que também aqui aparece, “Um sonho que sonhei”, Sinter 10.00.114-B, matriz S-245) agora volta com dois discos, aliás dois e meio: o Sinter 265, lançado em setembro de 1953, trazendo no lado A, matriz S-575, um baião muito conhecido de Miguel Gustavo: “É sempre o papai”. Naquele ano, inclusive, o Dia dos Pais foi instituído no Brasil por iniciativa do jornal carioca “O Globo”, visando atrair anunciantes do comércio (em São Paulo só chegaria dois anos mais tarde). “É sempre o papai” foi também gravado por Marlene e Jorge Veiga. O lado B, na verdade, é um relançamento, pois originalmente foi o lado A do 78 de “Um sonho que sonhei”, matriz S-244, de 1951. E a “Valsa de aniversário”, composta por Joubert de Carvalho. Autor de clássicos da MPB como “Taí”, “De papo pro á” e “Minha casa”. Prudentemente, o selo do original de 51 está aqui reproduzido. O outro disco de Zezé aqui apresentado é o Columbia (hoje Sony Music) CB-10273, lançado em agosto de 1956. No lado A, matriz CBO-777, a versão do radialista paulista (de Sorocaba) Júlio Nagib para o beguine italiano “Arrivederci, Roma”, grande hit de Teddy Reno naquele ano. Esta mesma versão foi gravada também por Rogéria (seria o famoso travesti?), Neuza Maria e Wilson Roberto. No verso do disco, matriz CBO-778, uma simpaticíssima toada de Bruno Marnet, “Moreno que desejo”, em ambas as faces acompanhada de conjunto e coro. Finalmente, vem à nossa lembrança o nome de Zilah Fonseca (Yolanda Ribeiro Angarano, São Paulo, 1929-Rio de Janeiro, 1992). Ela aqui comparece, assim como Violeta Cavalcanti, em clima bem carnavalesco, através de um disco que lançou pela Columbia, mais tarde Continental, em janeiro de 1940, número 55197, com duas marchinhas para a folia daquele ano: o lado A, matriz 3776, tem “Pulga maldita”, de Francisco Malfitano sobre tema popular. No verso, matriz 3777, “Pigmalião”, também de Francisco Malfitano em parceria com Eratóstenes Frazão (pra quem não sabe, ele também é co-autor do clássico carnavalesco “Cordão dos puxa-saco”). Este, portanto, é o sétimo e feminino volume do GRB, que certamente irá proporcionar agradáveis momentos de recordação e entretenimento. Divirtam-se!

marcha do cacoete - violeta cavalcante
madrugada - violeta cavalcante
é sempre o papai - zezé gonzaga
festa de aniversário - zezé gonzaga
um sonho que eu sonhei - zezé gonzaga
moreno que desejo - zezé gonzaga
arrivederci roma - zezé gonzaga
pulga maldita - zilah fonseca
pigmalião - zilah fonseca
canção das noivas - marlene
no mundo do baião I - carmélia alves e sivuca
no mundo do baião II - carmélia alves e sivuca

*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

sábado, 7 de janeiro de 2012

Banana Jazz - Brazilian Music - Seleção Exclusiva Do Toque Musical (2012)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Enquanto a chuva despenca lá fora, eu aqui dentro quero mais é ficar no chocolate, 'pianinho' dentro de casa, ouvindo uma boa música. Só não vou tomar um vinho porque estou no remédio, tentando curar a minha costocondrite, também conhecida como reumatismo e ainda, doença de véio, hehehe... Só rindo para não chorar, o bicho está mesmo me pegando. Diante ao quadro, quase clínico, só me restou pegar de leve, não fazer esforço e relaxar. Tô seguindo as recomendações médicas. Música boa é um santo remédio. E foi isso que eu fiz.
Selecionei quatorze artistas interpretando um repertório fino da MPB, músicas em sua maioria 'hits' da Bossa Nova. Modéstia a parte, ficou mesmo uma coletânea simples, mas muito boa, que agrada sem fazer força. Como vocês podem ver logo a baixo, trata-se de um time de craques, inclusive alguns já visto aqui no Toque Musical, em outras coletâneas. Dei a essa coletânea o nome de "Banana Jazz". Vocês também não acham sugestivo?

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Raul De Barros, Ruy Rey, Risadinha E Roberto Ferri - Seleção 78 RPM Do Toque Musical (2012)

Amigos cultos e ocultos do Toque Musical, espero que vocês tenham tido uma excelente passagem de ano. E é com muita alegria que lhes apresentamos a sexta edição do Grand Record Brasil, a primeira deste novo ano de 2012. Para começar, aqui está um músico que foi também chefe de orquestra: Roberto Ferri. Junto com o pai, Orlando Ferri, ele animava bailes por todo o Estado de São Paulo, apoiado por músicos bastante qualificados e experientes. O disco desse notável músico escolhido para esta seleção foi o Odeon 13327, gravado no dia 29 de maio de 1952 e chegado às lojas em setembro seguinte. Ferri, atuando ao solovox (instrumento considerado o primeiro sintetizador monofônico da história da música) e apoiado por regional, executa no lado A, matriz 9325, dois clássicos do inesquecível poeta do mar da Bahia, Dorival Caymmi: ”A jangada voltou só” e “É doce morrer no mar” (esta última é uma parceria com o escritor, também baiano, Jorge Amado, que às vezes, como aqui, era omitido nos selos dos discos). No lado B, matriz 9324, por conseguinte gravada antes, Ferri executa o choro “Levanta poeira”, do mestre de Santa Rita do Passa Quatro, Zequinha de Abreu (1880-1935), editado como “chorinho sapeca”, e cuja primeira gravação só se deu em 1942, na Victor, pela Orquestra do maestro Passos. Em seguida, iremos relembrar Domingos Zeminian, que ganhou a imortalidade com o pseudônimo de Ruy Rey (São Paulo, 1915-Rio de Janeiro, 1995). Ator, cantor, compositor e “band-leader”, especializou-se na interpretação de ritmos hispânico-americanos (bolero, rumba, mambo, guaracha, chá-chá-chá, etc.). E também era de carnaval (quem não se lembra, por exemplo, da marchinha “A mulata é a tal”?). Tanto que o disco apresentado aqui é o Continental 15974, gravado em outubro de 1948 e lançado em janeiro de 49, claro, um mês antes da folia, com duas marchinhas. Com acompanhamento da Orquestra Tabajara de Severino Araújo, ele interpreta no lado A, matriz 1978, gravado no dia 8, “Espanhola diferente”, composta por Nássara, autor de inúmeros êxitos carnavalescos, e pelo alagoano Peterpan, que no gênero também nos deu hits como “Apanhador de papel” e “Marcha do caracol”. No lado B, gravado no dia 6, portanto dois dias antes, matriz 1974, temos “Legionário”, de João “Braguinha” de Barro, outro nome que muito contribuiu para engrandecer nosso repertório carnavalesco, em parceria com José Maria de Abreu, paulista de Jacareí, que concebeu vários hits clássicos de nosso cancioneiro, bastando lembrar “Alguém como tu”, “E tome polca”, “Se amar é bom” e “Boa noite, amor”, o prefixo pessoal de Francisco Alves. Aliás o carnaval de 1949 foi um dos mais ricos em termos musicais, bastando lembrar, por exemplo, “Chiquita bacana”, “Pedreiro Valdemar”, “Jacarepaguá”, “A Lapa”, “Nêga maluca”, “A coroa do rei”, “Balzaqueana”... A seguir, um mestre do trombone: Raul de Machado de Barros (Rio de Janeiro, 1915-Itaboraí, RJ, 2009). Músico e maestro dos mais notáveis, ele aqui executa dois choros à frente de seu regional, gravados na Odeon em 15 de junho de 1949 e lançados em setembro seguinte no disco 12948. No lado A, matriz 8521, temos “Eu, hein!”, de autoria de Felisberto Martins, à época também diretor artístico da Odeon. E o lado B, matriz 8520, é simplesmente um dos clássicos do chamado “repertório de gafieira”: “Na Glória”, composto pelo próprio Raul em parceria com Ary dos Santos. Um sucesso inesquecível, por ele regravado em outras oportunidades com a mesma competência. Até eu estava esperando para ter este registro original em minha coleção, tenho que confessar! Encerrando, temos Francisco Ferraz Neto, aliás, Risadinha (São Paulo, 1921-Rio de Janeiro, 1976), que evidentemente ganhou esse apelido por seu temperamento alegre. Ele marcou presença sobretudo no carnaval, com hits do porte de “O doutor não gosta” e “Se eu errei”. Risadinha aqui comparece com o disco Odeon 13599, gravado logo no comecinho de 1954 (4 de janeiro) e ido para as lojas em março seguinte. Acompanhado de regional, ele regravou dois sucessos: no lado A, matriz 10017, o rojão (espécie de baião mais acelerado) “Forró em Limoeiro”, de Edgar Ferreira, lançado no final do ano anterior por Jackson do Pandeiro em seu primeiro disco. No lado B, matriz 10018, um clássico do samba: “Se acaso você chegasse”, de Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins, primeiro sucesso nacional de Lupi, originalmente lançado em 1938 pelo também estreante Ciro Monteiro. Samba esse que receberia inúmeros outros registros de sucesso, e que projetaria, em 1959, Elza Soares. Enfim, o GRB começa o ano novo com o pé direito, e faço votos que todos tenham um ótimo 2012, repleto de alegrias, realizações e conquistas!

*SAMUEL MACHADO FILHO