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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Temas Natalinos - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 130 (2014)

Então é Natal... Aquela ocasião em que a gente arma a árvore, o presépio, reúne a família, troca presentes, degusta a ceia... e, por que não, também canta canções típicas da festa máxima da cristandade. Assim sendo, o Grand Record Brazil, em sua edição de número 130,  presenteia os amigos cultos, ocultos e associados do TM com mais esta compilação de músicas natalinas. São, no total, dez gravações.                                               
Abrindo esta seleção natalina muitíssimo especial, temos o gaúcho (de Rio Grande) Alcides Gerardi (1918-1978), criador de sucessos do porte de “Antonico”, “Cabecinha no ombro” , “Marise” e “Chora, Pierrô”, entre outros,  interpretando aqui a valsa “Natal de saudade”,da dupla Raul Sampaio-Ivo Santos. Saiu pela Columbia em dezembro de 1957, sob número CB-10386-A, matriz CBO-1220, entrando também no LP coletivo “Nosso Natal”. Um ano mais tarde, houve uma reedição em 78 rpm com o número CB-11093-B. Ângela Maria, a grande Sapoti, interpreta o samba-canção “Outros Natais”, de autoria de Cláudio Luiz Pinto,impregnado de forte crítica social em sua letra. A Copacabana o lançou em dezembro de 1954, sob número 5351-A, matriz M-1006, sendo mais tarde faixa de encerramento do LP de 10 polegadas “Sucessos de Ângela Maria”, primeiro de uma série de três.  João Dias, que o próprio Francisco Alves escolheria para ser seu sucessor, por ter timbre de voz parecido com o dele, vem com duas faixas, ambas extraídas do disco Odeon  13592, gravado em 30 de novembro de 1953, com acompanhamento orquestral de Osvaldo Borba,  e lançado (detalhe intrigante) em janeiro de 54. O lado A,matriz 9987, é “A doce canção de Natal”, de autoria de Sivan Castelo Neto (psudônimo de Ulysses Lelot Filho), na qual João Dias canta ao lado de Edith Falcão e do então menino Altir Gonçalves.  O lado B, matriz 9988, que João Dias canta em dueto com Edith Falcão, é a conhecida valsa “O velhinho”, de autoria de Otávio Babo Filho, primo do compositor Lamartine Babo, correspondente à última faixa desta seleção. Relançadas mais tarde em LPs e compactos, essas gravações de João Dias permaneceram no catálogo da Odeon por vários anos. Na faixa 4, você tem  o grande João Gilberto interpretando o delicado samba em estilo bossa nova “Presente de Natal”,de autoria de Nelcy Noronha, uma das faixas de maior destaque de seu terceiro LP-solo, sem título, editado pela Odeon em outubro de 1961. Formado por Edda Cardoso, Lolita Koch Freire e Yeda Tavares Gomes da Silva, o Trio Madrigal comparece aqui com as duas músicas do disco Todamérica TA-5359, ambas cânticos, gravado em 15 de setembro de 1953 e lançado em novembro do mesmo ano. Abrindo-o,  a matriz TA-542 apresenta “Oh! Vinde crianças (Ihr Kinderlein, kommet)”, do compositor alemão  Johann Abraham Peter Schulz, sobre versos de seu conterrâneo  Christophe von Schmid, sendo a letra brasileira de Frei Paulo Avelino Assis. No lado B, matriz TA-543, vem “Noite de luz”, outra adaptação de Frei Paulo. Laranjinha e Zequinha, dupla do sertanejo-raiz,  vem aqui com as duas músicas do 78 Odeon número 13553, gravado em 31 de agosto de 1953 e lançado em dezembro do mesmo ano.  No lado A, matriz 9852, o valseado “Natal no sertão”, de Reinaldo Santos e Vicente Lia, e, no lado B, matriz 9862, a valsa “Ano novo”, de  Francisco Lacerda e José Maffei. Filha caçula do compositor Hervê Cordovil, e por tabela irmã de Norman e Ronnie Cord, Maria Regina Cordovil, então com apenas quatro anos de idade, apresenta as duas faixas do 78 RCA Victor 80-2398, gravado em 28 de setembro de 1961, com acompanhamento orquestral de Francisco Moraes, e lançado em outubro do mesmo ano. Primeiro temos o lado B, matriz M2CAB-1479, “Carta a Papai Noel”, de autoria do paizão Hervê e certamente seu maior sucesso. Depois vem o lado A, matriz M2CAB-1478, o clássico “Sinos de Belém  (Jingle bells)”, do norte-americano James S. Pierpont em versão de Evaldo Ruy. Curiosamente, esta canção foi composta em 1857 sem qualquer intenção natalina, com o título de “One  horse open sleigh”. Foi traduzida para inúmeros idiomas. Ambas as faixas também saíram no LP “A menor cantora do mundo”, por sinal o slogan de Maria Regina. O niteroiense Orlando Correia, que se destacou gravando sucessos do porte de “Meu sonho é você”, “Sistema nervoso” e “Serenata suburbana”, interpreta aqui o samba-canção “Natal sem você”, de Bruno Gomes e Jorge de Castro, com a participação do Trio Madrigal. Foi gravado na Todamérica em 15 de setembro de 1953 (a mesma sessão em que o Trio Madrigal registrou outras duas faixas deste volume) e lançado em novembro do mesmo ano, disco TA-5358-A, matriz TA-544. Enfim, é um presente que o GRB  oferece aos amigos cultos, cultos e associados do TM, com os mais sinceros votos de um maravilhoso Natal e um 2015 repleto de alegrias e realizações positivas. E nunca é demais lembrar do verdadeiro dono desta festa. Feliz aniversário, Jesus!

*Texto de Samuel Machado Filho 




terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Marília Batista - Dircinha Batista - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 129 (2014)

A  edição número 129 do Grand Record Brazil, “braço de cera” do Toque Musical, oferece alguns dos melhores momentos de duas  notáveis cantoras da MPB, que não eram parentes, apesar do sobrenome ser igual:  Marília e Dircinha Batista. São dezesseis gravações raras, sendo chover no molhado falar de seu valor artístico e histórico, absolutamente incontestável.
Marília Monteiro de Barros Batista nasceu no Rio de Janeiro em 13 de abril de 1918, filha do médico do Exército Renato Hugo Batista e da pianista Edith Monteiro de Barros Batista. Seus irmãos, Henrique e Renato, eram também compositores, o que faria nossa Marília (neta do poeta e Barão Luiz Monteiro de Barros) interessar-se desde menina pela música. Seu primeiro violão foi “ganho” por acaso, aos seis anos de idade, quando o barbeiro da família, numa ida à sua casa para cortar os cabelos do pai e de um irmão, esqueceu lá o seu instrumento. O violão seria uma de suas eternas paixões, e ela não o largaria mais, já mostrando talento de compositora aos oito anos. Estudou no Instituto Nacional de Música (atual Escola de Música da Universidade Federal  do Rio de Janeiro), onde se formou em teoria, solfejo e harmonia,apesar de ter abandonado, no quarto ano, o curso de piano. Em 1930, levada pelo jornalista Lauro Sarno Nunes (pai do humorista Max Nunes), fez seu primeiro recital, no Cassino Beira-Mar, interpretando, com sua voz e seu violão, canções sertanejas, sambas e cateretês, além de suas primeiras composições próprias. Aos 12 anos, começou a estudar violão com Josué de Barros, que, após ficar encantado com o recital da menina Marília, fez questão de lhe dar aulas por conta própria. Marília estudou com Josué por seis meses, mas, como pretendia ser concertista, passou a ter aulas de violão clássico com o virtuose José Rebelo. Porém, seu interesse pela música popular sempre foi mais forte. Em 1931, aos 14 anos, convidada para se apresentar no espetáculo “Uma hora de arte”, no Grêmio Esportivo Onze de Junho, ali conheceu Noel Rosa. Ambos logo se tornaram grandes amigos, e Marília é até hoje considerada por historiadores da MPB uma das melhores intérpretes de Noel, ao lado de Aracy de Almeida.  O primeiro disco viria em 1932,apresentando duas músicas suas de parceria com o irmão Henrique Batista: o samba “Pedi, implorei” e a marchinha “Me larga”. Em 1933,a convite de Almirante, participa do Broadway Cocktail, um espetáculo que acontecia no Cine Broadway, antecedendo o filme, ao lado de medalhões da MPB nessa época, tais como Sílvio Caldas e Jorge Fernandes. O sucesso fez com que, a convite de Ademar Casé (avô da humorista e apresentadora de TV Regina Casé),Marília participasse do “Programa Casé”, na PRAX, Rádio Philips. No programa, fazia improvisos e versinhos das propagandas dos patrocinadores, ao lado de Noel Rosa, com quem gravou três discos com seis músicas. Foi para Marília Batista que a mãe de Noel,  Dona Martha, após sua morte(1937),  entregou os manuscritos do filho, que a cantora repassou para Almirante. Foi uma das pioneiras da Rádio Nacional, inaugurada em 1936, e lá faria parte do grupo vocal As Três Marias, com quem gravaria alguns discos e acompanhou os cantores da emissora. Em 1945, ao se casar, interrompeu por alguns anos suas atividades artísticas, mas, no início da década de 1950, retomou-as, gravando inúmeros LPs,  incluindo músicas de seu amigo Noel Rosa, até mesmo inéditas que aprendera com ele (sua discografia também abrange cerca de 30 gravações em 78 rpm). Nos anos 1960, resolveu voltar a estudar e formou-se em Direito. Em 1988, quando participou do projeto “Concerto ao meio-dia”, no Teatro João Teotônio, foi aplaudidíssima pela plateia que superlotava o recinto, chegando a ir às lágrimas. Marília Batista faleceu em seu Rio natal, no dia 9 de julho de 1990. Abrindo esta seleção do GRB, ela interpreta justamente um samba de Noel, “Tipo zero”, composto em 1934, mas só gravado por Marília Batista em 1956, na Musidisc de Nilo Sérgio, integrando o 78 número M-50046-A, matriz MD-10091, e, como faixa de abertura, o LP de 10 polegadas “Samba e outras coisas”, título de um programa que seu irmão Henrique manteve no rádio por muitos anos.  Noel  faria retoques na segunda parte deste samba, e colocaria uma estrofe a mais para encaixá-lo na opereta “A noiva do condutor”, só gravada na íntegra em 1986, em álbum da Eldorado, já oferecido a vocês pelo TM.  Em seguida, temos mais cinco sambas de Noel Rosa, cantados por Marília em dueto com ele,  já no final da curta vida do compositor, e em sua maior parte com acompanhamento do regional de Benedito Lacerda,  e sua inconfundível flauta. “Provei” é da parceria de Noel com Vadico, gravação Odeon de 12 de novembro de 1936, lançada em dezembro do mesmo ano para o carnaval de 37, disco 11422-A, matriz 5445. O lado B, matriz 5446, está na faixa 8: ”Você vai se quiser”, único samba que Noel fez para sua esposa Lindaura, que se dispôs a trabalhar fora, dadas as dificuldades financeiras do casal. Noel, nada feminista, revidou:  “Ela esquece que tem braços,nem cozinhar ela quer”...  “Cem mil-réis” (faixa 3)  é outro produto da parceria Noel-Vadico, gravação Odeon de 5 de março de 1936, lançada em abril do mesmo ano, disco 11337-B, matriz 5275. Em seguida, na faixa  4, matriz 5277, o lado A desse disco:  o divertido e clássico “De babado”,  conhecido e regravado até hoje, como praticamente tudo do Poeta da Vila.  A letra menciona inclusive o cavalo Mossoró, vencedor do Grande Prêmio Brasil de Turfe em 1933. Ironicamente,era “De babado” que estava sendo executado numa casa vizinha a de Noel, no dia de sua morte (4 de maio de 1937), quando ele já agonizava em seu leito, consumido pela tuberculose. Na faixa 5, “Quem ri melhor”, samba de sucesso no carnaval de 1937, o último da vida de Noel, e feito sem parceria. Gravação Victor de 18 de novembro de 36, com acompanhamento dos Reis do Ritmo, lançada em dezembro seguinte sob número 34140-A, matriz 80258. “Silêncio de um minuto”, samba feito por Noel em 1935, só foi gravado pela primeira vez,  por Marília Batista, cinco anos depois, com Noel já falecido, em 20 de março de 1940, com lançamento pela Victor em maio do mesmo ano, disco 34604-B, matriz 33356. É uma versão resumida, pois o samba só foi gravado com a letra completa em 1951, por Aracy de Almeida.  Por fim, uma amostra do trabalho exclusivamente autoral de Marília Batista: o “Samba de 42”, parceria dela com o irmão Henrique Batista, mais Arnaldo Paes. Quem canta é Arnaldo Amaral, também galã de cinema, e o lançamento se deu pela Columbia em janeiro de 1942, é claro, para o carnaval, disco 55320-B, matriz 491.
 Filha do comediante Batista Júnior e irmã da também cantora Linda Batista, Dirce Grandino de Oliveira, aliás Dircinha Batista (São Paulo, 7/4/1922-Rio de Janeiro,  18/6/1999) começou bem cedo sua carreira artística: em 1930, aos oito anos de idade, como Dircinha de Oliveira, gravou seu primeiro disco, na Columbia,futura Continental,  interpretando duas composições do pai, “Dircinha” e “Borboleta azul”. Em mais de 40 anos de estrada, gravou mais de 300 discos em 78 rpm, e alguns LPs  e compactos, com inúmeros hits, especialmente carnavalescos, além de atuar no rádio, no teatro e no cinema (apareceu em 16 filmes). Foi eleita Rainha do Rádio em 1948, substituindo a irmã Linda, que detinha a coroa desde 1937. Parou de cantar em 1972, abalada pela morte de sua mãe, Emília Grandino de Oliveira, e pelo descaso da mídia com os astros do passado.  Nos últimos anos de vida, Dircinha e sua irmã Linda foram amparadas pelo cantor José Ricardo, que as acolheu como membros de sua família. No final dos anos 1980, surgiu o musical “Somos irmãs”, estrelado por Nicete Bruno e Suely Franco, relatando a vida das irmãs-cantoras.

 Nesta edição do GRB, um pouco do legado artístico-musical de Dircinha Batista. Para começar, a bem-humorada e divertida “Canção pra broto se espreguiçar”,  que leva a respeitável assinatura de Mário Lago, gravada na RCA Victor por Dircinha em primeiro de julho de 1955 e lançada em setembro do mesmo ano, disco 80-1493-B, matriz BE5VB-0810. Mais tarde, entraria no LP-coletânea de 10 polegadas “Elas cantam assim”. “Chico Brito” é um samba clássico e bastante conhecido, de autoria de Wilson Batista e Afonso Teixeira.  Gravado por Dircinha na Odeon em primeiro de dezembro de 1949, só seria lançado menos de um ano depois (outubro de 50), sob número 13047-B, matriz 8603. O nome Peçanha foi posto na letra da música para substituir “meganha”, gíria da época para policial. Note-se também uma menção à “erva do norte”, possivelmente...   Adivinha! O samba “Icaraí”, de Raimundo Flores e Célio Ferreira, é uma exaltação à famosa praia situada em Niterói, litoral fluminense, imortalizada por Dircinha Batista na Continental em 19 de abril de 1948 e lançada em  julho-setembro do mesmo ano, disco 15923-A, matriz 1851. Mostrando que sabia dar o recado até em inglês, Dircinha interpreta depois, com acompanhamento orquestral de Aristides Zaccarias, o fox “I only have eyes for you”, de Harry Warren e Al Dubin, composto em 1934. Gravação RCA Victor de 1957, do LP de 10 polegadas “Música para o mundo”. “O teu sorriso me prendeu” é uma marchinha de meio-de-ano, assinada pelo pistonista Bomfiglio de Oliveira, com letra de Walfrido Silva. Dircinha a gravou na Victor na plenitude de seus 13 anos, acompanhada pela endiabrada orquestra Diabos do Céu, de Pixinguinha, em 8 de julho de 1935, sendo lançada em agosto do mesmo ano, disco 33961-B, matriz 79969. A batucada “A coroa do rei”, de Haroldo Lobo e David Nasser, foi uma das músicas campeãs do carnaval de 1950, imortalizada por Dircinha na Odeon em 30 de setembro de 49 e lançada ainda em dezembro, disco 12962-B, matriz 8564. Do carnaval de 1946 é o samba “Que papagaio sou eu?”,  de Wilson Batista e Henrique de Almeida, lançado por Dircinha na Continental em janeiro daquele ano, disco 15574-B,matriz 1352. Encerrando este volume,uma curiosidade histórica:  o jingle publicitário gravado por Dircinha para o Auris Sedina, um remédio para dor de ouvido, produzido até hoje pelos Laboratórios Osório de Moraes. Bastante veiculado no rádio durante os anos 1950, ficou na memória de muita gente. E,  se depender de iniciativas como a deste volume do GRB, as Batistas aqui recordadas, Marília e Dircinha, vão ficar para sempre na memória de muitos! 

*Texto de Samuel Machado Filho 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Bahiano - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 128 (2014)

O Grand Record Brazil chega à sua edição de número 128 trazendo um autêntico pioneiro da gravação de discos no Brasil: o Bahiano.
Batizado com o nome de Manuel Pedro dos Santos, nosso focalizado era mesmo baiano, nascido em 5 de dezembro de 1870 na cidade de Santo Amaro da Purificação, que, muito mais tarde, por coincidência, seria o berço natal dos irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia. Um dos mais populares intérpretes brasileiros do início do século XX, Bahiano integrou o primeiro grupo de cantores profissionais da Casa Edison, fundada em 1900 pelo tcheco Fred Figner, ao lado de Cadete, Mário Pinheiro e Eduardo das Neves.  Nesse tempo, em que a gravação de discos era pelo processo mecânico, o artista tinha que cantar na boca de uma enorme corneta: o microfone!  E o técnico de gravação empurrava o cantor para perto da tal corneta nas notas graves e o puxava para mais longe nas agudas. E ainda, na hora do coro, todos se amontoavam junto do microfone! Duro, não?
Bem, o fato é que a Casa Edison lançou seu primeiro suplemento de discos fonográficos, substituindo os cilindros, exatamente no dia 5 de agosto de 1902. E o primeiro deles foi justamente com o nosso Bahiano,  o lundu “Isto é bom”, de Xisto Bahia (que evidentemente abre este volume), pontapé inicial para inúmeros outros sucessos,  alguns deles aqui reunidos, que manteriam sua popularidade até 1924, quando, espontaneamente, aposentou-se do disco.  Como cançonetista, Bahiano atuou no teatrinho do Passeio Público e no Circo Spinelli, chegando a aparecer em  filmes de curta-metragem, como “O cometa” e “A seresta caipora”, ambos de 1910. Em sua discografia predominam as modinhas e lundus, que conhecia muito bem, mas hoje ele é principalmente lembrado pela gravação de “Pelo telefone”, de Donga e Mauro de Almeida, considerado o primeiro samba “cem por cento” levado a disco (também neste volume). Foi casado com Almerinda Pedro dos Santos, que faleceu em 1937. No mesmo ano, compôs, em homenagem a ela, a valsa “Dores íntimas”, jamais gravada. Bahiano não se adaptou ao processo elétrico de gravação, pois já era considerado um artista da chamada “velha guarda”, além do quê alguns de seus companheiros já haviam falecido (Mário Pinheiro, Eduardo das Neves) ou se aposentaram precocemente (caso de Cadete). Ainda assim, continuou funcionário da Casa Edison, uma compensação que Fred Figner lhe deu pelos serviços prestados nos primeiros tempos da companhia, pois era a “cara” da mesma. E lá continuaria trabalhando até falecer, em  15 de julho de 1944, aos 73 anos.
Nesta edição do GRB, temos 19 preciosíssimos fonogramas do pioneiro Bahiano, verdadeiros documentos da heroica era das 76 rotações por minuto (sim, 76, as 78 rpm viriam muito depois), todas evidentemente da Casa Edison, selos Zon-O-Phone e Odeon.  Abrindo-a, temos justamente “Isto é bom”, lundu de Xisto Bahia também conhecido como “Iaiá, vancê qué morrê?”, lançado em agosto de 1902 com o selo Zon-O-Phone, sob número 10001, justamente o disco pioneiro de nossa fonografia, depois relançado com o número X-1031. Note-se o improviso que Bahiano faz entre as estrofes, numa lembrança de Xisto Bahia, falecido oito anos antes.  A faixa seguinte é a embolada “A espingarda”,de autoria de Jararaca (José Luiz Rodrigues Calazans), lançada pela Casa Edison com o selo Odeon sob número 122102, em 1922. A marchinha “Ai, amor”, de Freire Júnior, é do carnaval de 1921, lançada pela Odeon/Casa Edison com o número 121974. Em seguida,a cançoneta “O angu do barão”, de Ernesto de Souza, data de 1903, e é do disco Zon-O-Phone  X-670, reeditado depois com o número X-1046. Nossa quinta faixa é a marchinha “A baratinha”, de autoria do português Mário São João Rabelo, sucesso do carnaval de 1917, época em que já se delineava uma produção musical exclusivamente para os festejos momescos.  Bahiano a lançou pela Odeon/Casa Edison sob número 121320. A cançoneta “A pombinha da Lulu”, de Costa Silva, é gravação de 1913, disco Odeon 120148, matriz XR-1692. A marchinha “Ai, Filomena”, adaptação de uma canção italiana feita por J. Carvalho de Bulhões, com letra ironizando o então presidente da República, marechal Hermes da Fonseca, o “seu Dudu”. foi sucesso no carnaval de 1916, em disco Odeon 120988. O cateretê “Eu só quero é beliscá”, de Eduardo Souto, data de 1922 (Odeon 122127).  De letra bastante apimentada, a cançoneta “O taco”, de autor desconhecido, data de 1913, e a Odeon/Casa Edison a lançou na voz do nosso Bahiano sob número 108531, matriz XR-1127. Como se vê,as plateias não eram assim tão puritanas como pensamos hoje... Outra cançoneta de autor desconhecido é “Os mosquitos”, gravação também de 1913, do Odeon 108716. Nessa época, o Rio de Janeiro,´então capital do Brasil, enfrentava séria epidemia de febre amarela, combatida com energia pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz. “Pra exposição”, de autor desconhecido, é de 1903, disco Zon-O-Phone X-697.  A modinha “Quem eu sou?”, igualmente de autor ignorado,saiu em fevereiro de 1914, e é do disco Odeon 120917. A faixa seguinte é um verdadeiro clássico da MPB: o tango-fado “Luar de Paquetá”, de Freire Júnior e Hermes Fontes, sem dúvida a mais belas das composições musicais que a famosa ilha do litoral do Rio de Janeiro inspirou.  Bahiano a imortalizou no Odeon 122064,em 1922, e neste registro original ele canta a letra completa, o que jamais aconteceria nas gravações posteriores de outros intérpretes. O lundu “Os colarinhos”, de autor desconhecido, data de 1913 (Odeon 108530, matriz XR-1126). Em seguida, um verdadeiro clássico: nada mais nada menos que “Pelo telefone”, de Donga e Mauro de Almeida, primeira composição denominada samba a obter sucesso. Samba que, evidentemente, mudaria muito com o passar do tempo. O Peru de que fala a letra é o próprio Mauro de Almeida, que, como cronista carnavalesco, assinava com o pseudônimo de Peru dos Pés Frios. Foi retumbante sucesso no carnaval de 1917, e Bahiano o imortalizou em disco no Odeon 121322. “Regente de orquestra”, de autor desconhecido,  disco Zon-O-Phone X-649, talvez seja de 1903. A serenata “São Paulo futuro (Os cavaleiros do luar)” é de 1916, disco Odeon 120991, composição de Marcelo Tupinambá (Fernando Álvares Lobo,Tietê, SP, 29/5/1889-São Paulo, 4/7/1953). A sátira política volta a bater ponto em “Ai, seu Mé”, marchinha do carnaval de 1922, de autoria de Freire Júnior (que se escondeu sob o pseudônimo de Canalha das Ruas) e Luiz Nunes Sampaio,o Careca. É um ataque ao então presidenciável Artur Bernardes,o”seu Mé” de que fala a música, e adversário de Nilo Peçanha. Freire Júnior chegou a ser preso e a marchinha foi proibida pela censura da época, acusada de subversão, mas ainda assim estourou nessa folia. Bahiano a gravou no Odeon 122115, e, apesar do sucesso, Artur Bernardes venceu a eleição presidencial , pondo mesmo o pé no Palácio das Águias,o do Catete, então sede do governo federal.  “O genro e a sogra” é um dueto de Bahiano com a Senhorita Consuelo, de quem nada se sabe, em gravação Zon-O-Phone provavelmente de 1904, disco X-763. Por fim, encerrando esta seleção histórica, temos o desafio “Cabala eleitoral”, que também o título de “Cabo eleitoral”, dueto de Bahiano com Cadete, gravação  de 1912, disco Odeon 120035. Todas essas gravações mecânicas, é bom que se frise, eram precedidas de um anúncio vocal, informando o título, o intérprete e sempre terminando com “Casa Edison, Rio de Janeiro”. Possivelmente  esse anúncio, em geral feito pelo chefe de estúdio Nozinho,  servia para facilitar a compreensão  dos analfabetos, por sinal método bem prático...  Enfim, é com muita alegria que oferecemos mais esta edição do GRB, dedicada ao pioneiro Bahiano, e que por certo irá figurar nos arquivos de muitos de nossos amigos cultos, ocultos e associados, por se tratar de documento musical e histórico imprescindível.

* Texto de Samuel Machado Filho 

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

A Música De Caxiné - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 127 (2014)



Esta semana comemoramos o Dia Nacional do Samba, 2 de dezembro. Entrando no clima, a edição de número 127 do nosso Grand Record Brazil vem com toda a ginga e espontaneidade, apresentando uma amostra do trabalho de um dos maiores compositores do gênero: Eden Silva, popularmente conhecido como Caxiné. Poucos são os dados biográficos a seu respeito. Entretanto, Eden “Caxiné” Silva foi um verdadeiro gênio de nossa música popular. Participou da Escola de Samba Depois eu Digo, e também fundou a Independentes do Leblon, a Unidos do Humaitá, e a Acadêmicos do Salgueiro (que surgiu da fusão da Depois eu Digo com a Azul e Branco, ambas as escolas situadas no Morro da Tijuca). Caxiné é considerado inclusive um dos maiores compositores que o Salgueiro já teve em todos os tempos, tendo também feito bons trabalhos para blocos carnavalescos. Foi eleito Cidadão Samba em 1946, e era também carnavalesco. Caxiné  e Aníbal da Silva, conhecido como o “seresteiro da Praia do Pinto” (situada no Leblon, Zona Sul carioca)formaram uma dupla de compositores de muito sucesso nos anos 1940/50, tendo composto quase todos os sambas-enredo da Depois eu Digo na década de 40. “Brasil, fonte das artes”, que fez em parceria com Djalma “Sabiá” Costa e Nilo Moreira, foi um dos primeiros sambas-enredo a ser gravados comercialmente (inclusive está nesta edição).  Caxiné faleceu em 1963, deixando várias músicas que fazem parte da história do samba: sambas-canções, de terreiro, de enredo...  
Nesta edição do GRB, apresentamos dez gravações que montam um pequeno-grande panorama da obra musical de Caxiné, seleção esta idealizada pelo Blog Coisa da Antiga.  Abrindo o programa, temos “Tudo é ilusão”, parceria dele com Aníbal da Silva e Tufic Lauar (mais tarde cantor de sucesso com o pseudônimo  de Raul Moreno). Destinado ao carnaval de 1945, foi gravado na Odeon por Odete Amaral, “a voz tropical do Brasil”, em 5 de outubro de 44, com lançamento ainda em dezembro, sob número  12519-B, matriz 7676. Voltaria a fazer sucesso vinte anos mais tarde, numa gravação de Clara Nunes.  A faixa seguinte é talvez o trabalho mais famoso de Caxiné: “Rosa Maria”, outra parceria dele com Aníbal, até hoje cantado em rodas de samba. Um dos campeões do carnaval de 1948, foi imortalizado na RCA Victor por Gilberto Alves em 9 de outubro de 47, com lançamento um mês antes da folia, em janeiro, disco 80-0564-A,matriz S-078792. Caxiné e Aníbal assinam também nossa terceira faixa, “Vem me consolar”, samba do carnaval de 1949, interpretado por Zé e Zilda, “a dupla da harmonia”.  Gravação Continental de 13 de outubro de 48, lançada um mês antes dos festejos momescos, em janeiro, sob n.o 15984-A,matriz 1980. Em seguida, uma homenagem de Caxiné e Aníbal a outro grande sambista: “Paulo da Portela”,aliás, Paulo Benjamin de Oliveira, falecido prematuramente, aos 47 anos, em 31 de janeiro de 1949. Zé e Zilda também gravaram este samba, na Star (futura Copacabana), disco 151-A. para a folia de 1950. A dupla ainda nos apresenta  outro samba de rara beleza de Caxiné e Aníbal, aqui em parceria com Noel Rosa de Oliveira, “Falam de mim”, lado B do disco Continental de “Vem me consolar”, matriz 1981, e outro sucesso do carnaval de 1949. Completando este trabalho, cinco faixas de um precioso LP de 10 polegadas da Todamérica, gravado por integrantes da escola de coração de Caxiné, o Salgueiro, lançado em maio de 1957 e intitulado apenas “Samba!” (LPP-TA-12).  “Brasil, fonte das artes”, já mencionado acima, parceria de Caxiné com Djalma “Sabiá” Costa e Nilo Moreira, havia aparecido em 1957, em versão resumida, na voz de Emilinha Borba, que também apresentou a música no filme “Garotas e samba”, da Atlântida. Aqui, neste registro de integrantes do Salgueiro, este samba-enredo de 56 é apresentado com a letra completa. Caxiné e Djalma, agora na companhia de Oldemar Magalhães, assinam o samba “Novo dia”, até agora só com esta gravação. Não podia faltar uma “Exaltação ao Salgueiro”, que Caxiné assina com seu parceiro mais constante, Aníbal da Silva, e mais uma vez Nilo Moreira. E – por que não? – uma “Exaltação à Tijuca”, em cujo morro o Salgueiro surgiu, novamente com Caxiné e Nilo Moreira na parceria, e aqui junto com Luís Silva. Para encerrar, uma regravação de “Tudo é ilusão” (ouça, na faixa 1, o registro original de Odete Amaral). Enfim,  uma homenagem que o Grand Record Brazil presta,com muita justiça, a Eden Silva, o Caxiné, sem dúvida um gênio do samba carioca e brasileiro.

*Texto de Samuel Machado Filho

domingo, 30 de novembro de 2014

João Nogueira & Cartola - Projeto Pixinguinha 1977 (2014)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Já faz tempo que eu não dou sequência a esta coleção de shows do Projeto Pixinguinha. Tá na hora de voltar, pois afinal ainda temos uma dezena de espetáculos, com um time de artistas de primeiríssima. Como já informei em outros volumes, as gravações aqui apresentadas fazem parte de material do excelente site "Brasil  Memória das Artes", um projeto da Funarte onde boa parte do seu acervo em áudiovisual está disponível para consulta permanente. Entre esses os registros de shows do Projeto Pixinguinha.
Como todos podem ver, temos aqui em nosso volume 8 dois grandes sambistas. Melhor ainda, dois grandes compositores reunidos em show realizado em 1977. Aqui temos apenas 17 músicas, num roteiro que contava com mais de 20. Infelizmente nem todas foram disponibilizadas. Procurei editar cada música seguindo a sequência do programa. A gravação não está muito boa pois o som captado vem apenas dos microfones de voz. Daí, os instrumentos aparecem muito baixo. Mas mesmo assim vale a pena conferir esse encontro histórico.

nó na madeira - joão nogueira
batendo a porta - joão nogueira
wilson geraldo noel - joão nogueira
pimenta no vatapá - joào nogueira
espelho - joão nogueira
samba da bandola - joão nogueira
alvorada -cartola
corra e olhe o céu - cartola
disfarça e chora - cartola
autonomia - cartola
o mundo é um moinho - cartola
acontece - cartola
chorando pelos dedos - joão nogueira
tive sim - joão nogueira e cartola
não quero mais amar a ninguém - joão nogueira e cartola
o sol nascerá - joão nogueira e cartola

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terça-feira, 25 de novembro de 2014

Adelaide Chiozzo (parte B) - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 126 (2014)



E aqui estamos mais uma vez com o meu, o seu, o nosso Grand Record Brazil. Esta semana concluímos a retrospectiva dedicada à cantora, atriz e acordeonista  Adelaide Chiozzo, uma verdadeira  estrela dos áureos tempos do rádio e dos filmes musicais.  Durante os 25 anos em que permaneceu na Rádio Nacional, Adelaide era anunciada de diversas maneiras, conforme o programa: “A Que Tem Simpatia Para Dar e Vender” (César de Alencar),  “A Bela e o Seu Acordeão” (Paulo Gracindo) e, aí já incluindo seu marido, o violonista Carlos Matos, “O Casal 20” (Manoel Barcelos).  Desta feita, o GRB oferece mais dez preciosas gravações da notável Adelaide. Abrindo a seleção desta semana, a polca “Zé da Banda”, de autoria do acordeonista (e também professor de acordeão)  Alencar Terra, em dueto com sua amiga e parceira de cinema  Eliana Macedo.  Saiu pela Star em maio-junho de 1952, sob número 345-A.  Em seguida, o belo baião “Nós três”, de autoria de Garoto, Fafá Lemos e Chiquinho do Acordeão, cujo título, por certo, se refere a eles mesmos.  A música surgiu pela primeira vez em disco, em versão apenas instrumental , em julho de 1955, na execução do acordeonista Ribamar. Logo em seguida, Adair Badaró, sem precisar mexer no título, escreve uma letra tendo em vista o nascimento de Creuza Maria, filha única de Adelaide Chiozzo e Carlos Mattos. Outros três... A versão cantada de Adelaide saiu pela Copacabana em outubro-novembro de 1955, sob número 5470-B, matriz M-1252. Temos depois a valsa junina “Casório lá do arraiá”, da conhecida dupla de autores Getúlio Macedo-Lourival Faissal, em que Adelaide é acompanhada por uma bandinha que parece ser a do mestre Altamiro Carrilho, à época (1954) também contratado da Copacabana, que lançou a composição sob n.o 5248-A, matriz M-808. A rancheira “Tempinho bom”, de autoria de outro grande mestre do acordeão, Mário Zan, em parceria com Sereno, é também gravação Copacabana de 1954, lançada pouco antes (disco 5201-B, matriz M-690), e Adelaide também a cantou no filme “O petróleo é nosso”, da Brasil Vita Filmes (em nosso volume anterior, está o lado A, a toada “Meu sabiá”, incluída no mesmo filme). Neste registro, o acompanhamento orquestral é de Alexandre Gnattali, irmão de Radamés.  O baião junino “Vai comendo, Raimundo...”, nossa faixa seguinte, também de 54, vem a ser o lado B de “Casório lá do arraiá”, matriz M-809, e foi composto por Petrus Paulus e Ismael Augusto.  Adelaide e Eliana  voltam a se encontrar em nossa sexta faixa, “Vapô de Carangola”, um coco muito animado, de autoria de dois grandes expoentes da MPB, ambos pernambucanos, Manezinho Araújo, “O Rei da Embolada”, e Fernando Lobo, jornalista e produtor,  pai do compositor-cantor Edu Lobo. É o lado B do disco de “Zé da Banda”, o Star 345, lançado em maio-junho de 1952. A rancheira “Tempo de criança”, de João de Souza e Ely Turquine, é o lado B do primeiríssimo disco de Adelaide Chiozzo, o Star 192,lançado em janeiro de 1950, e do qual já apresentamos o lado A, o clássico “Pedalando”.  A rancheira foi também apresentada por Adelaide no filme “E o mundo se diverte”, da Atlântida”, onde sua amiga e parceira Eliana Macedo (antes uma professora primária em Itaocara, interior fluminense, descoberta por seu tio, Watson Macedo, durante uma visita à cidade) também fez sua estreia no cinema, como atriz. O baião “É noite, morena” é dos irmãos Hervê e Renê Cordovil, lançado pela Star em julho-agosto de 1952, sob número 367-A. Temos depois um outro baião, este junino, “Papel fino”, de autoria de Mirabeau, Cid Ney e Don Madrid, que a Copacabana leva para as lojas em 1956, disco 5590-A, matriz M-1544. Encerrando esta seleção, a valsa “Meu papai”, outra composição de Getúlio Macedo e Lourival Faissal, feita, como indica o título, para o Dia dos Pais, data que começou a ser comemorada entre nós em 1953, no Rio de Janeiro, e dois anos mais tarde em São Paulo.  Cantada por Adelaide junto com o coro do programa “Clube do Guri”, então transmitido pela Rádio Tamoio do Rio de Janeiro, saiu pela Copacabana em 1956, sob número 5640-A, matriz M-1648. Portanto, aí está, para deleite de todos os que apreciam o que é bom e fica para sempre, a segunda e última parte do retrospecto dedicado pelo nosso GRB à notável Adelaide Chiozzo, estrela que deixou sua  marca indelével  na música e no cinema do Brasil. 

*Texto de Samuel Machado Filho
 

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Adelaide Chiozzo (parte A) - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 125 (2014)





Esta semana o Grand Record Brazil, o “braço de cera” do TM,  oferece a primeira de duas partes de uma retrospectiva dedicada a uma notável estrela dos áureos tempos do rádio e dos filmes musicais, extraordinária cantora, acordeonista e atriz: Adelaide Chiozzo. Nossa homenageada veio ao mundo em São Paulo, no dia 13 de maio de 1931, na Rua Martim Buchard, no bairro do Brás, tradicional reduto de italianos e seus descendentes. Residia perto das porteiras do Brás, nas quais costumava se dependurar quando elas se moviam para dar passagem ou impedir o trânsito, autêntico divertimento das crianças nessa época. Seu pai,Geraldo Chiozzo, era natural de Botucatu, interior paulista, e a mãe,Leonor Cavallini, era de Sorocaba. . Hábil marceneiro e mestre-entalhador, Geraldo Chiozzo era gerente da fábrica de móveis Paschoal Bianco. Mais tarde passou a trabalhar por conta própria, recebendo encomendas da mesma empresa.  Certa vez, uma loja de músicas pagou os serviços do “seu” Geraldo com um acordeão, que ele não conseguia tocar (o forte dele era o violão).  Quem acabou se interessando pelo  instrumento foi Adelaidinha, que às escondidas tirou a primeira música, a valsa “Saudades de Matão”, sem auxílio de professor.  Os quatro filhos de Geraldo e Leonor, aliás, tinham inclinação musical. Carolina, a mais velha, cantava e tocava violão. O segundo filho, Afonso, também era de acordeão. A filha caçula, Silvinha, cantava, e Adelaide,a terceira filha, é o que sabemos. Aos 11 anos, Adelaidinha se inscreveu num programa de calouros da PRH-9, Rádio Bandeirantes (então “a mais popular emissora paulista”), apresentado por Vicente Leporace, apenas solando músicas como “Branca” e “Saudades de Matão”.  Cumpridas  quatro etapas, ganhou o primeiro prêmio, em dinheiro, e o convite para atuar em um programa sertanejo matinal da mesma emissora, “Na Serra da Mantiqueira”, dirigido pelos Irmãos Mota, que também faziam seus números.  Para maior segurança da garota, seu pai, homem rígido, determinou que Afonso, com seu acordeão, fizesse dupla com ela: os Irmãos Chiozzo.  Durante alguns anos, eles passaram a excursionar pelo interior junto com os Irmãos Mota. E toda a família Chiozzo  ia em peso, inclusive “seu” Geraldo, de violão em punho,  e Dona Leonor, a única não incorporada à parte artística.  Durante uma apresentação na cidade mineira de Andradas, em 1945, alguém adentrou o recinto e anunciou, aos gritos, o fim da Segunda Guerra Mundial. Artistas e público imediatamente saíram às ruas, cantando, para comemorar. Em 1946, o pai de Adelaide Chiozzo se muda para Niterói e monta uma pequena fábrica de móveis. O compositor Irany de Oliveira, por acaso, redescobre a futura estrela e a leva ao prestigioso programa de calouros “Papel carbono”, de Renato Murce, na lendária Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Renato exigia uma imitação e ela escolhe a de Pedro Raimundo, “o gaúcho alegre do rádio”. Após quatro semanas, ganha o primeiro prêmio e um contrato da Nacional, mas apenas como acordeonista , pois acreditavam que ela tinha mesmo aquela voz imitativa. Assim passa a fazer parte do regional do flautista Dante Santoro, um dos melhores do Brasil, mesmo sendo mulher e jovenzinha, porém à altura daqueles músicos experientes. Um ano e meio depois, uma cantora falha durante a transmissão e Adelaide, que a acompanhava ao acordeão, a substitui na emergência. Só assim descobrem sua bela voz, passando a aproveitá-la também como cantora. Permaneceria na Rádio Nacional por 25 anos. Foi também Irany de Oliveira quem levou Adelaide, em 1946, com quinze anos, para um teste de cinema na Atlântida, sendo aprovada. Ela e o irmão Afonso acompanham o cantor-caubói Bob Nélson em dois filmes: “Este mundo é um pandeiro” (1947) e “É com esse que eu vou” (1948). Em “E o mundo se diverte” (1949), consegue um quadro só seu, interpretando a rancheira “Tempo de criança”, que mais tarde gravaria e estará em nosso próximo volume. Estreou como atriz no filme “Carnaval no fogo” (1949), onde também interpretou a polca “Pedalando”, que seria para sempre seu carro-chefe e consta deste volume.  Atuou também em “Aviso aos navegantes” (Atlântida, 1950), “O petróleo é nosso” (Brasil Vita Filmes, 1954) e “Garotas e samba” (Atlântida, 1957), entre outros filmes. Em janeiro de 1951, casou-se com o violonista e professor de violão Carlos Azevedo Matos (entre namoro, noivado e casamento foram apenas seis meses, pois “seu” Geraldo  não abria mão da marcação cerrada). Tiveram uma única filha, Cristina Maria, nascida em 1955, que lhe deu três netos, também músicos talentosos, que passariam também a acompanhar Adelaide em suas apresentações:  o baixista e guitarrista Bruno, o tecladista e cavaquinista Fábio Leandro, e o baterista Roberto.  O casamento durou até a morte de Carlos Matos, em 2006, aos 80 anos de idade. Por sugestão de Paulo Gracindo, a “Revista do Rádio” promoveu um concurso para escolher a Namoradinha do Brasil, por votação dos leitores. Adelaide ganhou, e ostentaria esse título para sempre, pois não houve outra eleição. Em 1975, seu espetáculo “Cada um tem o acordeão que merece” foi considerado pela crítica o melhor daquele ano. Em 2003, recebeu da Assembleia Legislativa do Ceará o título honorário de “cidadã cearense”. Adelaide Chiozzo gravou,em 78 rpm, 18 discos com 36 músicas, entre 1950 e 1958, sendo oito delas em dueto com Eliana Macedo, também atriz e sobrinha do cineasta Watson Macedo, e duas com sua irmã Sylvinha, todos pela Star e sua sucessora, a Copacabana.  Ainda gravou, em 1957, o LP “Lar... Doce melodia”, também na Copacabana.  Na televisão, atuou nas novelas “Feijão maravilha” (1979), “Cambalacho” (1986), “Deus nos acuda” (1992-93), todas pela Rede Globo, e na segunda versão de “Uma rosa com amor” (2010), pelo SBT.
Nesta primeira parte da retrospectiva que o GRB dedica a Adelaide Chiozzo, temos onze gravações históricas, nas quais, em sua maior parte, é acompanhada pelo conjunto do marido Carlos Matos.  Para começar, temos o clássico “Beijinho doce”, valsa ou corrido de José Alves dos Santos, o Nhô Pai, originalmente lançado pelas Irmãs Castro em 1945. Adelaide o interpretou junto com Eliana Macedo no filme “Aviso aos navegantes”, da Atlântida, e ambas repetiram o dueto em disco, o Star 263-A, em gravação de 1951. Na faixa seguinte, Adelaide recorda, em ritmo de baião (em moda na época),  a canção “Minha casa”, de Joubert de Carvalho, originalmente gravada por Sílvio Caldas em 1946. O registro de Adelaide saiu pela Star em julho-agosto de 1952, disco 367-B. Em seguida, a toada “Meu sabiá”, de Carlos Matos em parceira com Antônio Amaral. Saiu pela Copacabana  em 1954, sob número 5201-A, matriz M-689, sendo também cantada por Adelaide no filme “O petróleo é nosso”,  da Brasil Vita Filmes. A orquestração e a regência são de Alexandre Gnattali, irmão de Radamés.  “Sabiá na gaiola”, clássico baião de Hervê Cordovil e Mário Vieira, é outro duo de Adelaide com Eliana Macedo, que o interpretaram no filme “Aí vem o barão”, outra produção da Atlântida.  Originalmente lançado por Carmélia Alves, em 1950, seria regravado um ano mais tarde por Adelaide e Eliana na Star, disco 264-A. “Nossa toada”, feita para outro filme da Atlântida, “Garotas e samba” (onde Adelaide faz par romântico com o cantor Francisco Carlos, “El Broto”),  é gravação Copacabana de 1957, lançada com o número  5750-A, matriz M-1890. Foi composta por Carlos Matos em parceria com Luiz Carlos, um jovem compositor que logo faleceria sem poder assistir ao filme nem ouvir a gravação. Em seguida, temos a marchinha junina “Cada balão uma estrela”, de Zé Violão e Carrapicho, lançada pela Star em julho-agosto de 1952, disco 356-B. O clássico “Cabeça inchada”, outra composição de Hervê  Cordovil, foi originalmente lançado como balanceio, em 1949, por Sólon Sales. Aqui Adelaide Chiozzo e Eliana Macedo o recordam em ritmo de baião, em gravação lançada pela Star no lado B de “Beijinho doce”, disco 263, em 1951, mesmo ano do registro de Carmélia Alves pela Continental.  Adelaide e Eliana voltam a se encontrar nas duas faixas seguintes, lançadas em janeiro de 1953 para o carnaval,pela Copacabana, sob número 5026: o samba “Com pandeiro na mão” (lado B, matriz M-283), de Manoel Pinto,  D. Ayrão e Jorge Gonçalves, e a marchinha “Queria ser patroa” (lado A, matriz M-282), só de Manoel Pinto e D. Ayrão,  que Eliana interpretou solo no filme “Carnaval Atlântida”. A seguir, a música que consagrou Adelaide Chiozzo:  a polca “Pedalando”, com melodia do pianista Benê Nunes e letra do ator e futuro cineasta Anselmo Duarte. Adelaide a cantou no filme “Carnaval no fogo”, da Atlântida, sob a direção de Watson Macedo,  num cenário holandês, com moinhos de vento e tudo o mais. É a faixa de abertura de seu primeiro disco, o Star 192, lançado em janeiro de 1950, e aqui o acordeão que acompanha Adelaide é de Alencar Terra. Para terminar, outro clássico de Nhô Pai, agora em parceria com outro grande acordeonista, Mário Zan: o rasqueado “Orgulhoso”, criação das Irmãs Castro em 1947, e aqui apresentada em novo dueto de Adelaide com Eliana Macedo, que saiu pela Star em 1951, no lado B de “Sabiá na gaiola”, disco 264. Na próxima semana, concluiremos esta retrospectiva  que o GRB dedica a Adelaide Chiozzo. Até lá!
 
Texto de Samuel Machado Filho

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Cantores - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 124 (2014)



E chegamos à edição de número 124 do Grand Record Brazil. Para esta semana, o amigo Augusto preparou uma seleção variada, interessante e como sempre de grande valor histórico e artístico. Aqui estão catorze gravações, por certo bastante representativas de nosso glorioso passado musical, interpretadas por sete cantores, com duas faixas para cada um.
Para começar, apresentamos Carlos Alberto Ferreira Braga, o João de Barro, também conhecido por Braguinha (Rio de Janeiro,  29/3/1907-idem, 24/12/2006), compositor de inúmeros e expressivos sucessos no carnaval e no meio-de-ano. Nesta edição de GRB, apresentamos duas gravações que ele fez como intérprete, à frente do Bando de Tangarás, na Parlophon, ambas do disco 13173, lançado em junho de 1930. Começamos com o lado B, matriz  3539, uma toada de autoria dele próprio, “A mulher e a carroça”. Depois temos o lado A, matriz 3538, por certo o que mais apareceu. Trata-se do samba “Minha cabrocha”, de autoria de Lamartine Babo, então definindo seu estilo.  Este, aliás, foi o primeiro grande sucesso autoral de Lalá, e, embora samba de meio-de-ano, também alcançaria êxito no carnaval de 1931. “Minha cabrocha” é conhecido até hoje e tem várias regravações. Nélson Gonçalves (Santana do Livramento, RS, 21/6/1919-Rio de Janeiro, 18/4/1998), o sempre querido e lembrado “metralha do gogó de ouro”, cujos álbuns têm sido presença cativa no Toque Musical, está presente nesta edição do GRB com outras duas faixas, que gravou na Victor em princípio de carreira. A primeira é o clássico fox-canção “Dos meus braços tu não sairás”, de autoria de Roberto Roberti. Nélson o imortalizou na marca do cachorrinho Nipper em 27 de abril de 1944,com lançamento em junho do mesmo ano, disco 80-0186-A, matriz S-052950. Depois temos “A valsa de Maria”, de Custódio Mesquita e David Nasser, gravada em 28 de janeiro de 1943 e lançada em abril do mesmo ano, disco 80-0066-A, matriz S-052706. Em ambas as faixas, o acompanhamento é da orquestra do próprio Custódio Mesquita. Temos,  em seguida, as músicas do único 78 rpm de Jonas Corrêa Tinoco (Niterói, RJ, 14/9/1918-Rio de Janeiro, 1/12/1986), o Victor 33639, gravado em 13 de julho de 1932 e lançado somente em abril de 33, quando ele tinha 15 anos incompletos. O lado A, matriz 65543, sem dúvida foi o que se tornou mais conhecido:  a “Canção do jornaleiro”, de autoria de Heitor dos Prazeres, que popularizou Jonas de imediato e motivou a realização de uma campanha de amparo aos pequenos jornaleiros. Êxito permanente, teve regravações por Franquito, Enéas Fontana e até mesmo por Wanderley Cardoso, um dos futuros astros da Jovem Guarda.  No lado B, matriz 65544, Jonas gravou outra pungentíssima canção, “Não tenho mais felicidade”, composta pelo mesmo autor de “Cidade maravilhosa” e “Alô, alô”, André Filho. Entretanto, Jonas Tinoco abandonou de repente sua carreira, que começara bastante promissora, por motivos até hoje desconhecidos. Sylvio Vieira (Jacareí, SP, 28/5/1899-Petrópolis,RJ, 7/2/1970) tinha origem nobre: era Baronete da Pedra Negra. Estudou canto lírico e sua estreia profissional se deu em 23 de abril de 1920, no Teatro São José de São Paulo, interpretando o papel de Valentim na ópera “Fausto”, de Gounod. Atuou em companhias populares e em revistas, nos principais teatros da então capital da República, o Rio de Janeiro (João Caetano, Glória. Cassino, Recreio). Em 23 de novembro de 1935, fez parte da primeira apresentação completa, em português, da ópera “O guarani”, de Carlos Gomes, no Teatro Municipal carioca, sendo figura constante nas temporadas líricas oficiais dessa casa de espetáculos até o início dos anos 1960. Sylvio Vieira comparece nesta edição do GRB com as músicas do disco Victor 33558, gravado em 29 de abril de 1932 e lançado em junho do mesmo ano. O lado A, matriz 65477, apresenta o maior sucesso do cantor na área da música popular: a canção “Frô do ipê”, de autoria do pistonista Bomfiglio de Oliveira, em parceria com Nélson de Abreu. No lado B, matriz 65478, ele nos apresenta outra canção, esta de André Filho, “Como é lindo o teu olhar”. Carlos Galhardo,  o eterno “cantor que dispensa adjetivos”, é aqui apresentado em dois momentos distintos de sua vitoriosa carreira. De início, ele interpreta aqui “Felicidade... é quase nada”, de Joubert de Carvalho e Gilberto de Andrade, em ritmo de samba-canção (no original era rumba). Seu criador, nos palcos e no disco, foi Roberto Vilmar, em  1933.A regravação de Galhardo foi feita na RCA Victor em 24 de maio de 1950, com lançamento em agosto do mesmo ano, disco 80-0674-B, matriz S-092682. Pulamos em seguida para o início da carreira de Galhardo, apresentando a faixa de abertura de seu primeiro disco, o Victor 33625, gravado em 5 de janeiro de 1933 e lançado em março do mesmo ano, matriz 65658: é o frevo-canção (então chamado de “marcha pernambucana”) “Você não gosta de mim”, de autoria dos irmãos Raul e João Victor Valença. Carlos Galhardo,por sinal, seria o cantor do Sul mais fiel ao frevo, lançando músicas do gênero em vários carnavais, sempre com sucesso certo no Recife e, por tabela, em todo o Nordeste. Autêntico precursor da bossa nova, Mário Reis (Rio de Janeiro, 31/12/1907-idem, 5/10/1981) aqui interpreta dois sambas do mestre de Ubá, Ary Barroso, por sinal seu colega de Faculdade de Direito. Primeiro, “Deixa esta mulher sofrer”, gravação Columbia de 13 de outubro de 1939, lançada em  dezembro do mesmo ano, disco 55189-A, matriz 218. A faixa seguinte vem a ser a primeira composição gravada de Ary, “Vou à Penha”, aludindo a uma festa que acontece no Rio de Janeiro entre os meses de outubro e novembro, no caminho de subida para a Igreja da Penha, ao lado do Parque Shangai, com barraquinhas, venda de artigos religiosos, alimentação típica, etc. O samba saiu no quarto disco de Mário Reis, o Odeon 10298-A, em dezembro de 1928, matriz 2078, e teria uma continuação trinta anos mais tarde, composta pelo próprio Ary, “Eu fui de novo à Penha”, gravada por Lucienne Franco. Por fim, apresentamos Roberto Vidal, cantor que teve sua época, mas foi esquecido com o passar do tempo.  Aqui temos as faixas do disco RCA Victor 80-2159, gravado em 28 de outubro de 1959 e lançado em janeiro de 60. O lado A, matriz 13-K2PB-0805, é um clássico bastante conhecido: “Negue”, samba-canção de Adelino Moreira em parceria com  Enzo de Almeida Passos, criador, no rádio, do “Telefone pedindo bis” e da “Grande parada Brasil”. Teria seu sucesso confirmado e aumentado pelas regravações que recebeu posteriormente:  Carlos Augusto, Linda Rodrigues, Nélson Gonçalves, Cauby Peixoto... e, em 1978,  “Negue” voltaria às paradas de sucesso, na voz de Maria Bethânia.  Este registro original de Roberto Vidal para “Negue”chegaria, em 1961, a seu primeiro LP, sem título (RCA Camden CALB-5038). Entretanto, o lado B do 78, matriz 13-K2PB-0806, estranhamente, não teria a mesma sorte. Trata-se do samba “Triste coração”, de autoria da cantora Linda Rodrigues em parceria com Aldacir Louro. Portanto, é mais uma raridade que o GRB nos apresenta, encerrando a seleção desta semana, apresentando sete cantores e catorze interpretações que têm em comum seu inestimável valor artístico e histórico. Bom divertimento e até a próxima! 

* Texto de Samuel Machado Filho