Esta semana comemoramos o Dia Nacional do Samba, 2 de
dezembro. Entrando no clima, a edição de número 127 do nosso Grand Record
Brazil vem com toda a ginga e espontaneidade, apresentando uma amostra do
trabalho de um dos maiores compositores do gênero: Eden Silva, popularmente
conhecido como Caxiné. Poucos são os dados biográficos a seu respeito.
Entretanto, Eden “Caxiné” Silva foi um verdadeiro gênio de nossa música
popular. Participou da Escola de Samba Depois eu Digo, e também fundou a
Independentes do Leblon, a Unidos do Humaitá, e a Acadêmicos do Salgueiro (que
surgiu da fusão da Depois eu Digo com a Azul e Branco, ambas as escolas
situadas no Morro da Tijuca). Caxiné é considerado inclusive um dos maiores
compositores que o Salgueiro já teve em todos os tempos, tendo também feito
bons trabalhos para blocos carnavalescos. Foi eleito Cidadão Samba em 1946, e
era também carnavalesco. Caxiné e Aníbal
da Silva, conhecido como o “seresteiro da Praia do Pinto” (situada no Leblon,
Zona Sul carioca)formaram uma dupla de compositores de muito sucesso nos anos
1940/50, tendo composto quase todos os sambas-enredo da Depois eu Digo na
década de 40. “Brasil, fonte das artes”, que fez em parceria com Djalma “Sabiá”
Costa e Nilo Moreira, foi um dos primeiros sambas-enredo a ser gravados
comercialmente (inclusive está nesta edição).
Caxiné faleceu em 1963, deixando várias músicas que fazem parte da
história do samba: sambas-canções, de terreiro, de enredo...
Nesta edição do GRB, apresentamos dez gravações que montam
um pequeno-grande panorama da obra musical de Caxiné, seleção esta idealizada
pelo Blog Coisa da Antiga. Abrindo o
programa, temos “Tudo é ilusão”, parceria dele com Aníbal da Silva e Tufic
Lauar (mais tarde cantor de sucesso com o pseudônimo de Raul Moreno). Destinado ao carnaval de
1945, foi gravado na Odeon por Odete Amaral, “a voz tropical do Brasil”, em 5
de outubro de 44, com lançamento ainda em dezembro, sob número 12519-B, matriz 7676. Voltaria a fazer
sucesso vinte anos mais tarde, numa gravação de Clara Nunes. A faixa seguinte é talvez o trabalho mais
famoso de Caxiné: “Rosa Maria”, outra parceria dele com Aníbal, até hoje
cantado em rodas de samba. Um dos campeões do carnaval de 1948, foi
imortalizado na RCA Victor por Gilberto Alves em 9 de outubro de 47, com
lançamento um mês antes da folia, em janeiro, disco 80-0564-A,matriz S-078792.
Caxiné e Aníbal assinam também nossa terceira faixa, “Vem me consolar”, samba
do carnaval de 1949, interpretado por Zé e Zilda, “a dupla da harmonia”. Gravação Continental de 13 de outubro de 48,
lançada um mês antes dos festejos momescos, em janeiro, sob n.o 15984-A,matriz
1980. Em seguida, uma homenagem de Caxiné e Aníbal a outro grande sambista:
“Paulo da Portela”,aliás, Paulo Benjamin de Oliveira, falecido prematuramente,
aos 47 anos, em 31 de janeiro de 1949. Zé e Zilda também gravaram este samba,
na Star (futura Copacabana), disco 151-A. para a folia de 1950. A dupla ainda
nos apresenta outro samba de rara beleza
de Caxiné e Aníbal, aqui em parceria com Noel Rosa de Oliveira, “Falam de mim”,
lado B do disco Continental de “Vem me consolar”, matriz 1981, e outro sucesso
do carnaval de 1949. Completando este trabalho, cinco faixas de um precioso LP
de 10 polegadas da Todamérica, gravado por integrantes da escola de coração de
Caxiné, o Salgueiro, lançado em maio de 1957 e intitulado apenas “Samba!”
(LPP-TA-12). “Brasil, fonte das artes”,
já mencionado acima, parceria de Caxiné com Djalma “Sabiá” Costa e Nilo
Moreira, havia aparecido em 1957, em versão resumida, na voz de Emilinha Borba,
que também apresentou a música no filme “Garotas e samba”, da Atlântida. Aqui,
neste registro de integrantes do Salgueiro, este samba-enredo de 56 é
apresentado com a letra completa. Caxiné e Djalma, agora na companhia de
Oldemar Magalhães, assinam o samba “Novo dia”, até agora só com esta gravação.
Não podia faltar uma “Exaltação ao Salgueiro”, que Caxiné assina com seu
parceiro mais constante, Aníbal da Silva, e mais uma vez Nilo Moreira. E – por
que não? – uma “Exaltação à Tijuca”, em cujo morro o Salgueiro surgiu,
novamente com Caxiné e Nilo Moreira na parceria, e aqui junto com Luís Silva.
Para encerrar, uma regravação de “Tudo é ilusão” (ouça, na faixa 1, o registro
original de Odete Amaral). Enfim, uma homenagem
que o Grand Record Brazil presta,com muita justiça, a Eden Silva, o Caxiné, sem
dúvida um gênio do samba carioca e brasileiro.
*Texto de Samuel Machado Filho