segunda-feira, 30 de abril de 2012
A Era Getúlio Vargas - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol.19 (2012)
domingo, 29 de abril de 2012
Bebel Gilberto - Stadtgarten Koln Germany 2000 (2012)
Erasmo Carlos, Jean Carlo, The Clevers, The Youngsters - Compactos Do Toque Musical Vol. 5 (2012)
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Dalva De Oliveira, Dolores Duran, Lana Bittencourt, Linda Batista, Neide Fraga, Nora Ney - Seleção 78 RPM Do Toque Musical (2012)
Após uma semana de ausência (involuntária, pelos motivos conhecidos de todos), aqui está a décima-oitava edição do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil. Desta vez apresentamos cantoras que deixaram sua marca na história de nossa música popular, em alguns de seus melhores momentos.
Abrindo nossa seleção desta semana, temos a grande Nora Ney (Iracema de Souza Ferreira, Rio de Janeiro, 1922-idem, 2003), uma das precursoras da bossa nova, com seu canto quase falado e sua voz calma e grave. E em um de seus melhores discos, o Continental 16728, gravado em 23 de janeiro de 1953 e lançado em março-abril do mesmo ano, com dois sambas-canções clássicos. No lado A, a matriz C-3043 apresenta esta obra-prima de Luiz Bonfá, “De cigarro em cigarro”, uma das mais apreciadas páginas do repertório de Nora, e que foi gravada até em Espanhol por Gregório Barrios. No verso, matriz C-3044, “Onde anda você?”, assinada por um mestre da dor-de-cotovelo, Antônio Maria, junto com Reinaldo Dias Leme. No acompanhamento, a orquestra do maestro Copinha.
A sempre lembrada Linda Batista (Florinda Grandino de Oliveira, São Paulo, 1919-Rio de Janeiro, 1988) dá prosseguimento a esta seleção com dois discos. Primeiro, um do auge de sua carreira, o RCA Victor 80-0802, gravado em 19 de maio de 1951 e lançado em agosto seguinte, com dois sambas-canções do mestre Lupicínio Rodrigues e acompanhamento do conjunto do violinista Fafá Lemos. O lado A, matriz S-092961, é o famoso “Vingança”, uma verdadeira coqueluche na interpretação de Linda. Já havia sido gravado anteriormente pelo Trio de Ouro, já sem Dalva de Oliveira, substituída por Noemi Cavalcanti e mantendo Nilo Chagas e Herivelto Martins, seu fundador, porém o sucesso foi mesmo de Linda. E acredite: teve gente que até se suicidou ao som de “Vingança”! No verso, a matriz S-092962 nos traz “Dona Divergência”, parceria de Lupi com Felisberto Martins, também sucesso, embora um pouquinho menor que o de “Vingança”. Em seguida, seremos transportados para o início de carreira de Linda, mais exatamente sua estreia fonográfica, na Odeon, com o disco 11631, gravado em dupla com Fernando Alvarez no dia 20 de junho de 1938, com acompanhamento orquestral do palestino Simon Bountman, e lançamento em agosto do mesmo ano, trazendo duas rumbas de Djalma Esteves, um especialista nesse gênero cubano. No lado A, matriz 5868, “Churrasco”, de Djalma com Augusto Garcez, e no verso, matriz 5869, “Chimarrão”, só de Djalma. Bah, tchê!
A carioca Irlan Figueiredo Passos, aliás Lana Bittencourt (n. 1931), aqui comparece com o disco Columbia CB-10388, lançado ao apagar das luzes de 1957. Abrindo o disco, a matriz CBO-902 apresenta sua personalíssima interpretação de “Little darlin'”, de Maurice Williams, em ritmo de rumba, que fez muito mais sucesso que o registro original americano, em ritmo de calipso, com o grupo The Diamonds, sendo depois incluída no LP “Lana em musicalscope”. No verso, matriz CBO-1206, uma regravação em ritmo de fox da canção “Feliz Natal”, da dupla Klécius Caldas-Armando Cavalcanti, originalmente lançada por Dick Farney em 1949. Este registro de Lana também saiu no LP-coletânea “Nosso Natal”. Passado o dito cujo, o 78 de “Little darlin”” foi relançado com o número CB-10395, e no verso foi relançado o baião “Zezé”, de Humberto Teixeira.
Embora mais conhecida como compositora, a carioca Dolores Duran (Adiléa Silva da Rocha, 1930-1959) foi também uma intérprete versátil, cantando em todos os idiomas (até mesmo em esperanto!). É o que comprova o disco desta seleção, o Copacabana 5917, lançado em junho de 1958, com acompanhamento do conjunto de Severino Filho, fundador do grupo Os Cariocas. O lado A, matriz M-2236, apresenta o clássico fox italiano “Nel blu dipinto di blu”, mais conhecido como “Volare”, primeira palavra do estribilho, com o qual Domenico Modugno venceu o Festival de San Remo daquele ano. No verso, matriz M-2237, o clássico samba-canção 'Quem foi?”, de Nestor de Holanda e Jorge Tavares, originalmente lançado em 1947 por Aracy de Almeida, ao lado dos Vocalistas Tropicais. As duas faixas saíram também em LP (era uma época de transição de formatos), ou seja, nos dois volumes de “Dolores Duran canta para você dançar”, sendo “Quem foi?” do primeiro e “Nel blu dipinto di blu” do segundo.
A sempre lembrada Dalva de Oliveira (Vicentina de Paula Oliveira, Rio Claro, SP, 1917-Rio de Janeiro, 1972) comparece aqui com uma marcha-rancho de Pereira Mattos e Mário Rossi, composta em homenagem a Francisco Alves, morto em trágico acidente automobilístico na Via Dutra, em 27 de setembro de 1952. Seis dias depois, a 3 de outubro, Dalva, recém-chegada de uma longa excursão à Europa, compareceu ao estúdio da Odeon para gravar “Meu rouxinol”, matriz 9451, e o disco chegou às lojas em dezembro com o número 13350, sem gravação no lado B, em sinal de luto pela morte de Chico Viola, com direitos revertidos a instituições de caridade auxiliadas pelo cantor, se houvesse registro dele nesse disco.
Neide Fraga (São Paulo, 1924-Rio de Janeiro, 1987) nos apresenta sua gravação da “Canção de aniversário”, de Joubert de Carvalho, feita na Odeon em 16 de outubro de 1953 e lançada em dezembro seguinte com o número 13562-B, matriz 9919. Originalmente a música saiu em 1950, pela Sinter, com a orquestra e o coral de Lírio Panicalli. Quatro versos apenas, mas isso é apenas um detalhe, pois afinal boa música não é Lusíadas.
Finalmente, temos a paulistana Vitória de Martino Bonaiutti, aliás, Marlene, interpretando um baião junino de Rômulo Paes e Haroldo Lobo, “Canção das noivas”, lançado em maio-junho de 1952 pela Continental com o número 16556-B, matriz C-2843. No acompanhamento, o conjunto do sempre eficiente Radamés Gnatalli. Mais uma diversão garantida para nossos amigos cultos e ocultos!domingo, 22 de abril de 2012
Erasmo Carlos, As Frenéticas E Sérgio Sampaio - Projeto Pixinguinha (1981)
terça-feira, 10 de abril de 2012
Alfredo Moretti, Blackout, Carlos Galhardo, Cauby Peixoto, Francisco Alves - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 17 (2012)
Projeto Pixinguinha - Coletânea Especial Do Toque Musical (2012)
Boa noite, amigos cultos, cultos e associados! Chegamos à mais um sábado de coletâneas. Aleluia! Para o dia de hoje eu estou trazendo um seleção de alguns registros ao vivo, do memorável "Projeto Pixinguinha", ainda em suas primeiras edições. Este famoso projeto musical foi, de uma certa forma, idealizado (ou viabilizado) por Hermínio Bello de Carvalho, então vice presidente da Sombras (Sociedade Musical Brasileira). Inspirado na série "Seis e Meia", de shows, com ingressos a preços populares, que acontecia no Teatro João Caetano (RJ), em 1976. O Projeto nasceu em 1977, reunindo diversos artistas da MPB. Eram colocados num mesmo espetáculo dois ou três nomes, iniciantes e veteranos. Uma 'dobradinha' musical de sucesso que fez história e mereceu novas edições. Bom, mas essa história quem conta em detalhes é o site da Funarte, o "Brasil Memóra das Artes", que busca digitalizar um acervo de imagens, áudios e vídeos preciosíssimo e que para a nossa felicidade está totalmente disponível. Uma iniciativa super bacana que merece ser explorada. Dentro desta 'exploração', eu tomei o trabalho de extrair todos os áudios, as gravações do Projeto Pixinguinha. Que coisa fascinante, passei o dia de hoje só por conta disso. Minha ideia inicial não era a de copiar esses arquivos, mas vendo a dificuldade de muitos em acessar os arquivos através de uma conexão 'meia boca banda larga', achei que seria uma boa copilar tudo, criando assim alguns 'disquinhos virtuais', típicos aqui do Toque Musical. Agora todos podem ter realmente acesso às gravações, sem necessariamente depender de uma conexão contínua, que muitas vezes sofre interrupções (é um saco isso). Por outro lado, espero estar também ajudando a divulgar esse maravilhoso site de cultura. Pretendo ir, ao longo do tempo, apresentando aqui as diversas gravações, em edições como esta. Teremos, em produções exclusivas, as gravações dos shows, editadas e remixadas, com capinhas atraentes (como se precisasse) que irão certamente agradar a todos no GTM.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Ademilde Fonseca - 16- Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 16 (2012)
No dia 27 de março de 2012, o Brasil perdeu uma de suas cantoras mais expressivas, e um autêntico ícone da chamada era do rádio: Ademilde Fonseca Delfim. E o Grand Record Brazil presta merecida e expressiva homenagem a esta que foi conhecida como “rainha do chorinho”, reunindo 40 preciosas gravações em 78 rpm, selecionadas entre as mais de 80 deixadas pela cantora nesse formato. Ademilde nasceu em Macaíba, RN, em 4 de março de 1921. Aos quatro anos de idade mudou-se com a família para a capital potiguar, Natal, ali vivendo até 1941. Gostava de cantar desde criança, e ainda na adolescência começou a se interessar por serestas, travando conhecimento com músicos lá de Natal. Foi com um desses seresteiros, Naldimar Gedeão Delfim, que Ademilde contraiu núpcias, indo morar com ele no Rio de Janeiro. Em 1942, após um teste na Rádio Clube do Brasil, apresentou-se no programa de calouros “Papel carbono”, de Renato Murce. Nesse mesmo ano cantou em uma festa, acompanhada pelo regional do flautista Benedito Lacerda, o choro clássico “Tico-tico no fubá”, de Zequinha de Abreu, com letra do dentista Eurico Barreiros, que a havia feito especialmente para sua filhinha Ely cantar, onze anos antes, sendo tal letra conhecida por Ademilde desde menina. Benedito gostou tanto de sua interpretação que a levou à gravadora Columbia (futura Continental), cujo diretor artístico era o grande João “Braguinha” de Barro, para registrar seu primeiro disco. Isso se deu em 10 de agosto de 1942, e foi a primeira vez que o “Tico-tico” foi gravado com letra, e sete anos depois da morte de Zequinha de Abreu. Lançado em setembro seguinte com o número 55638, o disco trouxe no verso o samba “Volte pro morro”, do próprio Benedito Lacerda com Darcy de Oliveira. Nele também comparece como sanfoneiro o grande Luiz Gonzaga, certamente não creditado no selo por ser contratado da RCA Victor. E os chorinhos cantados por Ademilde foram se sucedendo, sempre com sucesso: “Apanhei-te, cavaquinho”, “Urubu malandro”, “Brasileirinho”, “Teco-teco”, “O que vier eu traço” “Pedacinhos do céu”, “Pinicadinho”, etc., dando à cantora o título incontestável de “rainha do chorinho”. Em 1944, levada pelo cantor Déo, Ademilde foi para a Rádio Tupi (“o cacique do ar”), apresentando-se com os regionais de Claudionor Cruz e Rogério Guimarães. Em 1952, ela seguiu para a França, junto com a Orquestra Tabajara de Severino Araújo para participar de um espetáculo produzido em Paris pelo jornalista e empresário de comunicação Assis Chateaubriand, dono dos Diários e Emissoras Associados. Em 1954, transferiu-se para a então poderosa Rádio Nacional, onde se apresentou com os regionais de Canhoto (Waldomiro Frederico Tramontano), Jacob do Bandolim e Pixinguinha, e também das orquestras de dois “cracões” da emissora da Praça Mauá, Radamés Gnatalli e Chiquinho. Em 1964, a cantora fez uma excursão pela Península Ibérica (Portugal e Espanha), ao lado de nada mais nada menos que Jamelão, sendo que em Lisboa Ademilde ficou cerca de seis meses em cartaz. Após quinze anos de afastamento, em 1975, Ademilde voltou ao disco, lançando um bem cuidado LP na marca Top Tape, apresentado-se, durante essa década, em shows no Teatro Opinião, do Rio. Participou do CD coletivo 'Café Brasil”(2001) e do espetáculo “As eternas cantoras do rádio”, ao lado de Violeta Cavalcanti, Carmélia Alves e Ellen de Lima. Nos últimos anos de vida, Ademilde vinha fazendo shows juntamente com a filha, Eymar Fonseca, mostrando que ainda estava em plena forma. Dias antes de falecer, aos 91 anos de idade, a cantora havia gravado uma entrevista para o programa “Sarau”, da emissora de TV paga Globo News. Nesta décima-sexta edição do GRB, inúmeros momentos expressivos da carreira de Ademilde Fonseca. “Tico-tico no fubá”, claro, está nesta seleção, e é a primeira faixa. Ao lado de outros chorinhos famosos, como “Apanhei-te, cavaquinho”, “Doce melodia”, “Galo garnizé”, Dinorah”, tem também samba de carnaval (“Sentenciado”), baião (“Meu Cariri”, co-autoria de Dilú Mello, também responsável pelo hit “Fiz a cama na varanda”, sendo que na época do lançamento desse baião, 1953, havia uma gravíssima seca no Nordeste), toada (a bem-feitinha “Se amar é bom”, melodia de José Maria de Abreu e letra de Antônio Domingues, o lado B do disco de “Meu Cariri”), música de festa junina (“Fogueira”, também de Abreu com Jair Amorim), e até mesmo a curiosa “Baião em Cuba”, mostrando a nítida semelhança do baião com os ritmos afro-caribenhos então em moda, tipo rumba, mambo, etc. O clássico baião “Delicado” também marca ponto, e dada a tessitura rítmica, só Ademilde poderia gravá-lo, posto ser um “baião -choro”, com a vertiginosa rapidez que lhe era peculiar. Enfim, uma riquíssima e expressiva retrospectiva da carreira desta insubstituível cantora que é Ademilde Fonseca.
Pra terminar, eu gostaria de fazer uma solicitação que nada tem a ver com esta resenha, mas que o próprio Augusto me sugeriu. Estou à procura da música “Maria da Piedade”, de Evaldo Ruy, que foi a primeira gravação do cantor Mauricy Moura (Santos, SP, 1926-São Paulo, 1977). Ela saiu pela Sinter em maio de 1952, no 78 de número 142-A (com um monte de zero antes!). Teve inclusive um blogueiro chamado Marcos Massolini, também jornalista e poeta, que administra o blog Almanaque do Malu (é o apelido dele) que comprou em um sebo da Av. Duque de Caxias, centro de São Paulo, um LP de 10 polegadas chamado “Meia-noite”, também da Sinter, claro, que reproduz a gravação do Mauricy pra “Maria da Piedade”, mostrou a capa do disco no blog, tudo, mas não o disponibilizou para download. Cheguei a escrever ao tal Malu pedindo uma cópia em mp3 do “Maria da Piedade”, ele até me respondeu dizendo que ia mandar, mas já se passaram três semanas... e nada! Talvez seja precipitação minha, mas duvido de que ele cumpra sua promessa. Por essa razão, solicito aos amigos cultos e ocultos do TM, que acompanham estas minhas resenhas do GRB, que se alguém tiver o “Maria da Piedade” com Mauricy Moura, enviem uma cópia em mp3 pro email do TM, que aí o Augusto me repassa. Combinado? Por ora, curtamos a inesquecível Ademilde...