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terça-feira, 21 de junho de 2016

Cauby Peixoto - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 148 (2016) parte 2



O Grand Record Brazil oferece hoje aos amigos cultos, ocultos e associados a segunda parte do retrospecto especial dedicado ao grande e notável Cauby Peixoto, que partiu para a eternidade em 15 de maio último, deixando muitas saudades em todos aqueles que apreciam o que é bom em matéria de música. Oferecemos aqui mais 14 gravações de Cauby, várias delas prensadas simultaneamente em 78 rpm e vinil. Abrindo esta segunda parte, o bolero “Meu amor por você”, de Lourival Faissal e Edson Menezes, que Cauby gravou na RCA Victor em 20 de dezembro de 1957, com lançamento em abril de 58, sob número 80-1928-B, matriz 13-H2PB-0312. E a faixa seguinte é justamente o lado A, matriz 13-H2PB-0311, e um clássico do repertório dele: o samba-canção “Nono mandamento”, de Renê Bittencourt, retumbante êxito na época, e que o nosso saudoso Cauby também interpretou no filme “De pernas pro ar”, co-produção Herbert Richers-Cinedistri. Na quarta faixa, temos o primeiro hit maiúsculo do “professor da MPB”: o fox “Blue gardenia”, dos norte-americanos Bob Russell e Lester Lee, em versão de Antônio Carlos. Foi composto para o filme de mesmo nome, exibido no Brasil como “Gardênia azul”, e nele interpretado por Nat King Cole, tornando a música bem mais lembrada do que a própria película. O registro de Cauby saiu pela Columbia em maio de 1954, sob número CB-10042-A, matriz CBO-215, e, mais tarde, “Blue gardenia” seria faixa-título e de abertura do primeiro LP do cantor, em dez polegadas. Ainda em 54, apareceu outra gravação em português deste fox, por Lúcio Alves, mas o sucesso foi mesmo de Cauby. Aqui também apresentamos o lado B desse 78, matriz CBO-214: o samba-canção “Só desejo você”, assinado pelo então empresário de Cauby, Di Veras, em parceria com Osmar Campos Filho, e, ainda em 1954, também gravado na Copacabana por Ângela Maria. A música entrou mais tarde no segundo LP de Cauby, o dez polegadas “Canção do rouxinol”.  A quinta faixa desta seleção é “Canção de sentir saudade”, samba-canção de Durval Ferreira e Orlando Henriques, que Cauby gravou na RCA Victor em 11 de outubro de 1960, com lançamento em janeiro de 61, sob número 80-2286-A, matriz L2CAB-1132. Mais tarde, seria faixa de encerramento do compacto duplo de 45 rpm número 583-5068. O lado B do 78, matriz L2CAB-1133, que também abriu o compacto em questão e um LP do cantor com o mesmo título, é a faixa seguinte: a balada “Perdão para dois”, de Palmeira e Alfredo Corleto, lançada pouco antes por Leila Silva na Chantecler. Em seguida, temos o beguine “Tentação”, de Edson Borges e Sidney Morais (que integrou o Conjunto Farroupilha e Os Três Morais, e gravou discos de música latina como Santo Morales). Foi lançado pela Columbia, na voz de Cauby, em abril de 1956, sob número CB-10250-B, matriz CBO-727. Logo depois, vem o lado B, matriz CBO-729, o fado “Lisboa antiga”, standard do cancioneiro lusitano, de autoria de Raul Portela, Amadeu do Vale e José Galhardo. Em LP, e de dez polegadas, esta faixa só apareceu na coletânea mista “Meus favoritos - vol.  5”. A faixa 9, “Bibape do Ceará”, é um baião de Catulo de Paula e Carlos Galindo, originalmente gravado pelo próprio Catulo em 1955. O registro de Cauby foi lançado em setembro de 56 pela Columbia, sob número CB-10285-B, matriz CBO-818 (o lado A é o clássico “Conceição”, já oferecido a vocês em nosso volume anterior). Na décima faixa, temos o fox “É tão sublime o amor (Love is a many splendored thing)”, dos norte-americanos Paul Francis e Sammy Fain, em versão de Alberto Almeida.  A música deu título a um filme também de sucesso, estrelado por William Holden e Jennifer Jones, e exibido no Brasil como “Suplício de uma saudade”. O registro de Cauby foi lançado pela Columbia em maio-junho de 1956, sob número CB-11002-A, matriz CO-55565, abrindo também seu terceiro LP, o dez polegadas “Você, a música e Cauby”.  Em seguida, outro clássico: o bolero “Espera-me no céu (Esperame em el cielo)”, do portorriquenho Francisco López Vidal (Paquito), em versão do pistonista Araken Peixoto, irmão de nosso Cauby, que a imortalizou na RCA Victor em 30 de janeiro de 1957, com lançamento em julho do mesmo ano, sob número 80-1812-B, matriz 13-H2PB-0044. A gravação entrou mais tarde no LP de dez polegadas “Música e romance”, já oferecido a vocês pelo Toque Musical. A faixa seguinte é o lado B do disco de estreia de Cauby, o Carnaval/Star 013, lançado bem em cima do carnaval de 1951, em fevereiro:  a marchinha “Ai, que carestia”, de Victor Simon e Liz Monteiro (nada mais atual, não é mesmo?).  A penúltima faixa é o clássico “Molambo”, samba-canção do violonista Jayme Florence, o Meira dos regionais, em parceria com Augusto Mesquita. Lançado em 1953 por Julinha Silva, tem vários outros registros, e o de Cauby foi lançado pela Columbia em maio-junho de 1956, em seu terceiro LP, o dez polegadas “Você, a música e Cauby”, chegando ao 78 rpm em agosto seguinte sob número CB-10267-A, matriz CBO-769. E, encerrando esta seleção, o fox “Tudo lembra você (These foolish things/Remind me of you)”. A música foi feita em 1936 pelos britânicos Jack Strachey e Eric Maschwitz (também conhecido por Holt Marvel), mais o norte-americano Harry Link, e tem vários registros. O de Cauby, com letra brasileira de Mário Donato, tem acompanhamento do conjunto do violonista Ângelo Apolônio, o Poly, e saiu pela Todamérica em março de 1953, com o número TA-5259-A, matriz TA-1153. Um fecho realmente de ouro para este retrospecto especial que o GRB dedica ao agora imortal Cauby Peixoto!

* Texto de Samuel Machado Filho 

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Cauby Peixoto (parte 1) - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 147 (2016)



No dia 15 de maio último, um domingo, por volta das 23h50, em São Paulo, o Brasil perdia um de seus mais expressivos cantores, e o último remanescente  da fase áurea do rádio: Cauby Peixoto.  Há tempos ele vinha enfrentando problemas de saúde (em 2000, por exemplo, Cauby implantou seis pontes de safena no coração), mas ainda assim continuou a se apresentar artisticamente, inclusive em um show ao lado de Ângela Maria, grande amiga e colega de profissão, comemorando os 60 anos de carreira de cada um, cuja temporada terminaria no sábado, 21 de maio. E o Grand Record Brazil, “braço de cera” do TM, evidentemente, não poderia deixar de homenagear este notável astro da MPB, apresentando, em duas partes, um retrospecto musical de sua carreira. Com o nome completo de Cauby Peixoto Barros, nosso focalizado veio ao mundo no bairro de Santa Rosa, em Niterói, litoral do estado do Rio de Janeiro, em 10 de fevereiro de 1931, oriundo de uma família musical: era sobrinho do pianista Romualdo Peixoto, o Nonô, seu pai, Eliziário, era violonista, a mãe, Alice, adorava cantar, e seus cinco irmãos (Cauby era o caçula) também tinham dotes musicais: Moacyr era pianista, Araken, pistonista,  e as irmãs Aracy, Andyara e Iracema também cantavam. Mas seu parente mais famoso era Cyro Monteiro, “o cantor das mil e uma fãs”. Foi ouvindo discos de Orlando Silva e Sílvio Caldas (e também, logicamente,  pelo rádio, então já veículo de massa) que nosso Cauby teve seus primeiros contatos com a música. Aos 14 anos de idade, para ajudar nas finanças da casa, ele começou a trabalhar no comércio, além de estudar à noite. Em 1949, antes de demitir-se de uma perfumaria em que trabalhava, fez suas primeiras apresentações no rádio, através do programa “Hora do comerciário”, da PRG-3, Rádio Tupi, transmitido nos finais de tarde dos sábados. Depois, passou a se apresentar no Teatro Rival, na Cinelândia, além de pedir para dar “canjas” em boates como a Vogue. Em 1951, grava seu primeiro disco, no selo Carnaval, da Star, com duas músicas para a folia daquele ano: o samba “Saia branca” e a marchinha “Ai, que carestia”. No ano seguinte, transferiu-se para São Paulo, cantando nas boates Arpége e Oasis,e na Rádio Excelsior. Suas performances impressionaram o futuro empresário Di Veras, q            ue aos poucos lhe criou uma estratégia de marketing completa: repertório, roupas, atitudes nos palcos etc. Após dois discos na Todamérica, em 1953, Cauby é contratado pela Columbia, hoje Sony Music, e, um ano mais tarde, obtém seu primeiro grande hit: “Blue gardenia”, versão de Antônio Carlos para a música-tema do filme de mesmo nome, que daria título, mais tarde, a seu primeiro LP. Ainda em 54, ingressa na lendária Rádio Nacional do Rio, e consolida sua popularidade, lançando êxitos sobre êxitos em disco, o maior deles, por certo, “Conceição”, seu prefixo pessoal para sempre, além de aparecer cantando em alguns filmes. Foi o primeiro a gravar um rock cem por cento brasileiro, letra e música, em 1957, “Rock and roll em Copacabana”, de Miguel Gustavo. Cauby passou várias temporadas nos EUA, e em uma delas, com o pseudônimo de Ron Coby, gravou em inglês, e em ritmo de calipso, o clássico “Maracangalha”, de Dorival Caymmi, com o título de “I go”. No decorrer dos anos 1960, foi proprietário da boate Drink, do Rio de Janeiro, em sociedade com os irmãos. Encantando gerações com sua voz e interpretação, ao longo da carreira, Cauby recebeu inúmeros prêmios, e sempre foi reconhecido como notável intérprete, que cantava de tudo e em qualquer idioma, sem qualquer embaraço. Em 2015, foi lançado o documentário “Cauby – Começaria tudo outra vez”, de Nélson Hoineff, contando toda a sua trajetória. Nos últimos anos de vida, apresentava-se às segundas-feiras no Bar Brahma, em São Paulo, onde permaneceu por mais de uma década.
Nesta primeira parte da homenagem que o GRB faz a Cauby Peixoto, estão catorze preciosíssimas gravações, várias delas prensadas em 78 rpm e também em LP (nunca esquecendo que foram feitas numa época de transição de formatos).  Abrindo esta seleção, o bolero “A pérola e o rubi (The ruby and the pearl)”, de Jay Livingstone e Ray Evans, em versão de Haroldo Barbosa., composto para o filme “Uma aventura na Índia (Thunder at the East)”, produzido em 1952 pela Paramount. Cauby o gravou em Hollywood, EUA, durante sua primeira temporada naquele país, com a orquestra do maestro Paul Weston, e a Columbia o lançou no Brasil por volta de agosto de 1955, sob número CB-11000-B, matriz RHCO-33427. Curiosamente, o lado A é a última faixa desta seleção, o samba-canção “Final de amor”, de Haroldo Barbosa, Cidinho e Di Veras (o polêmico empresário do cantor), matriz RHCO-33427. Ambas as músicas entraram depois no primeiro LP do cantor, o dez polegadas “Blue gardênia” (cuja faixa-título estará em nosso próximo volume).  A segunda faixa revela o Cauby compositor, no samba-canção “Lealdade”, parceria com Santos Silva, gravação RCA Victor de 20 de julho de 1960, lançada em setembro do mesmo ano, sob número 80-2243-A, matriz L2CAB-1032. Em seguida temos justamente o lado B do 78: o bolero clássico “Ninguém é de ninguém”, de Umberto Silva, Toso Gomes e Luiz Mergulhão, matriz L2CAB-1033, bastante regravado e até hoje conhecido. As duas faixas apareceram depois no compacto duplo de 45 rpm n.o 583-5062, também chamado “Ninguém é de ninguém”, e a faixa-título ainda entrou no LP “Perdão para dois”. A quarta música é simplesmente o maior sucesso da carreira de Cauby: “Conceição”, samba-canção de Waldemar “Dunga” de Abreu e Jair Amorim, seu eterno prefixo e obrigatório em qualquer show que ele fizesse. Lançado pela Columbia em maio-junho de 1956 no LP de dez polegadas “Você, a música e Cauby”, chegaria ao 78 rpm em setembro do mesmo ano, com o número CB-10285-A, matriz CBO-770. Dircinha Batista também gravou “Conceição” no mesmo ano, mas o sucesso foi mesmo de Cauby, que ainda interpretou a música no filme “Com água na boca”, da Herbert Richers. Originalmente uma balada-fado, “De degrau em degrau”, dos portugueses Jerônimo Bragança e Nóbrega e Souza, é apresentado por Cauby em ritmo de fox, numa gravação Columbia de 1960, editada sob número 3114-A, matriz CBO-2231. O lado carnavalesco de nosso Cauby é mostrado na faixa seguinte, “Mil mulheres”, marchinha da folia de 1955, Assinada por Herivelto Martins, Cyro Monteiro e Salvador Miceli, saiu pela Columbia ainda em dezembro de 54, sob número CB-10109-A, matriz CBO-374. Originalmente gravado em 1938 por Orlando Silva, o fox-canção clássico “Nada além”, de Custódio Mesquita e Evaldo Ruy, é aqui revivido por Cauby em gravação RCA Victor de 22 de agosto de 1956, lançada em novembro seguinte com o número 80-1691-A, matriz BE6VB-1261, aparecendo ainda no LP de dez polegadas “Ouvindo Cauby” e no compacto duplo de 45 rpm n.o 583-0031. “Ser triste sozinho (Learning the blues)”, fox de Dolores Vicki Silvers em versão de Lourival Faissal, saiu originalmente no LP de dez polegadas “Você, a música e Cauby”, em 1956, só chegando ao 78 rpm em julho de 57, sob número CB-10353-B, matriz CO-55562. “Prece de amor”, samba-canção de Renê Bittencourt, foi um dos maiores hits de Cauby, lançado originalmente em fins de 1956 pela Columbia no LP de dez polegadas “O show vai começar” e reeditado depois em 78 rpm com o número CB-10337-A, matriz CBO-772. Ainda teve outra gravação, por Dalva de Oliveira. “Enrolando o rock”, de Heitor Carillo e Betinho, foi lançado por este último em 1957, e Cauby aqui o interpreta em gravação que a Columbia editou por volta de março de 58, sob número CB-11008-B, matriz CBO-1299. A balada “A noiva (La novia)”, de origem chilena, é de autoria de Joaquín Prieto, e foi gravada na Argentina por seu irmão, o ator e cantor Antonio Prieto. Com letra brazuca de Fred Jorge, logo recebeu várias gravações, como esta de Cauby, feita na RCA Victor em 15 de março de 1961 e lançada em abril seguinte com o número 80-2321-B, matriz M2CAB-1242, aparecendo depois no compacto duplo de 45 rpm n.o 583-5068 e no LP “Perdão para dois”. “Muito além” é versão do radialista Júlio Nagib para o fox italiano “Al di la”, de Carlo Donida e Mogol, e é o lado A de “A noiva”, matriz M2CAB-1243, também constando do mesmo compacto duplo dessa faixa. Composto pelo lendário César de Alencar, colega de Cauby na Rádio Nacional, o samba “Se você pensa” foi lançado pela Columbia ainda em dezembro de 54, no lado B de “Mil mulheres”, matriz CBO-375. Enfim, uma homenagem à altura para aquele foi, com justiça, “o professor da MPB”. Aguardem o próximo volume, com mais Cauby pra vocês!

* Texto de Samuel Machado Filho 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

It's Rock 1 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 44 (2012)

Esta semana, em sua quadragésima-quarta edição, o Grand Record Brazil apresenta a primeira de duas partes de uma seleção de rock (ou coisa parecida) produzida e digitalizada pelo blog Sintonia Musikal, na pessoa de seu administrador Chico, um autêntico especialista em resgatar o passado de nossa música dita “jovem”, e seguidor de carteirinha do TM. Aquele abraço, Chico!
Permitam-me os amigos cultos, ocultos e associados começar minha resenha desta primeira parte pela faixa 5. Ela foi justamente o começo, o pontapé inicial do rock tupiniquim. Estou falando da gravação feita pela carioca Nora Ney (Iracema de Souza Ferreira, 1922-2003) de “Rock around the clock”, de Jimmy de Knight e Max C. Freedman. A música era sucesso com Bill Haley e seus Cometas, e fazia parte do filme “Sementes da violência (The blackboard jungle)”, da MGM. Em 24 de outubro de 1955, Nora compareceu ao estúdio da Continental, no Edifício Cineac-Trianon (Avenida Rio Branco, esquina com Rua Bittencourt da Silva, em frente ao lendário Café Nice) para gravar sua personalíssima versão deste rock pioneiro, lançada em novembro-dezembro do mesmo ano com o n.o 17217-A, matriz C-3730. Foi assim que o rock and roll começou a balançar a juventude brasileira!
No restante do programa que o Chico nos oferece, outras doze peças raras, curiosas e interessantes do início do rock brasileiro, a chamada “pré-Jovem Guarda”. Nem mesmo a pianista Carolina Cardoso de Menezes (Rio de Janeiro, 1916-idem, 1999) resistiu aos encantos do chamado “ritmo alucinante”, compondo e executando o seu “Brasil rock”, em gravação Odeon de 14 de março de 1957 (14191-B, matriz 11601), lançada em maio daquele ano. Em seguida vem a faixa mais antiga desta seleção do amigo Chico: uma versão em português de “Jambalaya (On the bayou)”, clássico country de Hank Williams, assinada pelo comediante Edair Badaró, então atuando nas Emissoras Unidas (Rádio e TV Record de São Paulo). Na  interpretação, Neyde Fraga (São Paulo, 1924-Rio de Janeiro, 1987), então também atuando na Record. Gravado pela Odeon em 4 de setembro de 1953 e lançado em novembro do mesmo ano (13527-A, matriz 9873), este é considerado o maior sucesso da cantora. Em seguida, a versão de Aloysio de Oliveira para “In the mood”, clássico da big band de Glenn Miller, de Joe Garland e Andy Razaf, interpretada pelo Bando da Lua, formado e dirigido por Aloysio, com o nome de “Edmundo”. Gravação de 8 de junho de 1954, feita nos EUA pela Decca (hoje Universal Music), mas só lançada no Brasil vinte anos mais tarde, no LP “Bando da Lua nos EUA”, produzido por João Luiz Ferrete para a Chantecler, então representante da Decca/MCA. Depois, o curioso “rock-baião-samba” “Eu sou a tal”, de Murilo Vieira, Edel Ney e O.Vargas, interpretado por Mara Silva (Isabel Gomes da Silva, Campos, RJ, n.1930), em gravação lançada pela RGE em dezembro de 1957 (10076-A, matriz RGO-335). A faixa 6 traz aquele que é considerado o primeiro rock cem por cento brasileiro, letra e música: “Rock and roll em Copacabana”, assinado por esse verdadeiro cronista que foi Miguel Gustavo, e gravado na RCA Victor por Cauby Peixoto em 30 de janeiro de 1957, com lançamento em maio seguinte (80-1774-A, matriz 13-H2PB-0043). Temos depois a versão feita pelo radialista Paulo Rogério para o conhecido mambo-rock “Tequila”, de Chuck Rio, originalmente instrumental. A gravação coube à carioca Araci Costa (1932-1976) e saiu pela Continental em setembro-outubro de 1958, com o número 17595-A, matriz C-4123. “Tequila” era um dos números mais apreciados da orquestra do “bandleader” e vibrafonista Sylvio Mazzucca (São Paulo, 1929-idem, 2003), que curiosamente vem aqui com o chá-chá-chá “Cerveza”, de Boots Brown, em gravação lançada pela Columbia no mesmo ano de 1958 (CB-11079-A, matriz CBO-1767). O cantor Mário Augusto, criador de hits como “O amor de Terezinha” e “Calcutá”, aqui comparece com a versão de Fred Jorge para “Claudette”, de Roy Orbison, extraída de seu segundo disco, o Odeon 14372-B, gravado em 26 de agosto de 1958 e lançado em setembro do mesmo ano, matriz 12848. “A minha, a sua, a nossa favorita” (como César de Alencar a anunciava em seu programa na Rádio Nacional) Emilinha Borba vem aqui com a versão do misterioso A.Bourget para o chá-chá-rock “Patrícia”, de Pérez Prado, lançada pela Columbia também em 1958 (CB-11070-B, matriz CBO-1766). Marita Luizi, um daqueles nomes atualmente relegados ao mais completo esquecimento, apesar de terem tido sua época, aqui comparece com o calipso “Sonho maluco”, de Elzo Augusto e Miranda, lançado pela Copacabana em dezembro de 1959 com o n.o 6086-B, matriz M-2590, o segundo de seus três discos nesse formato. Marita também deixou um LP intitulado “Os grandes momentos” (Alvorada/Chantecler, 1978), ao que parece coletânea, e participou do álbum “Cinco estrelas apresentam Inara” (Copacabana, 1958), reunindo músicas de Inara Simões de Irajá (suas faixas nesse disco são”E ele não vem” e “Boca da noite”). Outro nome da pré-história de nosso rock and roll, Regina Célia, comparece aqui com a divertida “Aula de inglês em rock”, de Canarinho e Kid Sax, gravada na Polydor em 9 de dezembro de 1959 e lançada em janeiro de 60 no 78 rpm n.o 342-B, matriz POL-3774. Encerrando esta primeira seleção do amigo Chico, Cizinha Moura, que deixou apenas dois discos 78 com quatro músicas, aqui interpretando, do segundo e último deles, o Chantecler 78-0134-B, lançado em junho de 1959, o fox “Brotinho Lili”, de Alberto Roy e Domingos Paulo, matriz C8P-268. Enfim, um interessante panorama dos primórdios do rock and roll no Brasil, que continuaremos na próxima semana, sempre agradecendo ao Chico do Sintonia Musikal pela gentileza de permitir o aproveitamento desta seleção no GRB. Até lá!

SAMUEL MACHADO FILHO.


terça-feira, 10 de abril de 2012

Alfredo Moretti, Blackout, Carlos Galhardo, Cauby Peixoto, Francisco Alves - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 17 (2012)


Esta já é a décima-sétima edição do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil. Uma trajetória excelente, mas olha, certamente iremos muito além, se Deus quiser. Aqui temos, treze fonogramas raros, a maior parte de cantores bastante conhecidos e que deixaram sua marca na história da música popular brasileira. Exceção feita, claro, ao paulistano Alfredo Moretti (c.1925-?). Com timbre semelhante ao de Francisco Alves (também aqui lembrado), ele ficou esquecido com o passar do tempo, talvez pela escassa discografia que deixou: apenas nove discos 78 com dezoito músicas, entre 1953 e 1957, nos selos Columbia (oito) e Todamérica. (o último). Nesta edição do GRB, eis seu sexto disco, o Columbia CB-10182, lançado em agosto de 1955. No lado A, matriz CBO-543, o samba-canção “Violão amigo”, de Ítalo Moretti, e no verso, matriz CBO-541, o bolero “Porque te quero”, de autoria do acordeonista Mário Gennari Filho em parceria com Joamar (quem seria?), e certamente é o próprio Gennari quem o acompanha com seu acordeão e seu conjunto, ambos não-creditados no selo original.
Já que falamos anteriormente de Francisco Alves, o eterno e eclético Rei da Voz, cuja trágica morte em acidente rodoviário completa 60 anos em setembro próximo, ele aqui comparece com cinco faixas bastante apreciadas. Uma delas é seu eterno carro-chefe, a “canção brasileira” “A voz do violão”, melodia sua e versos de Horácio Campos, feita para uma revista teatral chamada “Não isso é que eu procuro”, encenada no Teatro Carlos Gomes, no Rio. E foi a música que Chico mais gravou de todo o seu repertório: “apenas” quatro vezes, a primeira em 1928 (selo Parlophoin), a segunda em 1929 (feita a pedido do letrista Horácio, que não gostou de ter seu nome omitido na primeira gravação), a terceira em 1939 e esta aqui, a quarta e última, todas pela Odeon. O registro daqui é de 5 de abril de 1951, matriz 8943, lançado em julho seguinte com o número13143-A. No verso, matriz 8941, outra regravação, a da canção “Lua nova”, também com melodia dele próprio e versos de Luiz Iglésias, lançada originalmente por Chico em 1928, e aqui com o subtítulo de “Lua nova”, com versos do homem de teatro Luiz Iglésias, que inclusive foi marido da atriz Eva Todor, estrela de sua companhia teatral. Em seguida, o disco Columbia 55248-B, de 7 de novembro de 1940, lançado em dezembro seguinte, matriz 338, apresentando a lírica marcha-rancho “A flor e o vento”, da parceria João “Braguinha” de Barro-Alberto Ribeiro, com acompanhamento orquestral de Radamés Gnatalli. O lado A, já revivido aqui anteriormente, é “Onde o céu azul é mais azul”, dos mesmos autores mais Alcyr Pires Vermelho. Em seguida temos uma versão, das muitas que Haroldo Barbosa fez para o Rei da Voz, gravação Odeon de 8 de setembro de 1944, lançada em agosto seguinte com o número 12505-B, matriz 7647 (o outro lado de “Para sempre adeus”, também já revivida aqui), com acompanhamento orquestral de Fon-Fon. É o fox “Lagoa adormecida (Sleepy lagoon)”, de Eric Coates e J. Lawrence, do filme “Minha secretária brasileira (Springtime in the rockies)”, da 20th Century Fox, dirigido por Irving Cummings (tendo nada mais nada menos do que Cármen Miranda no elenco!). Nele, a música é executada pela orquestra do bandleader Harry James. Encerrando a participação do Rei da Voz nesta edição, temos a primeiríssima e originalíssima gravação do samba-canção “Marina”, de autoria do mestre baiano Dorival Caymmi. Ela foi feita por Chico na sua Odeon de sempre em 11 de março de 1947, com lançamento em maio seguinte com o número 12773-B, matriz 8191 (é o outro lado do fox-canção “Maria”, que já oferecemos antes também). Um mês mais tarde, Dick Farney também gravou “Marina”, na Continental, acompanhando-se ao piano, com lançamento em junho seguinte, e esse acabou sendo o registro de maior sucesso, fazendo muitos pensarem que foi Dick o lançador do samba-canção de Caymmi (ele regravaria a música outras quatro vezes). Ainda em 1947, Nélson Gonçalves e o próprio Caymmi fizeram seus registros de “Marina”, ambos pela RCA Victor.
Falemos agora de Otávio Henrique de Oliveira. Quem? É nada mais nada menos que Blecaute, o eterno “general da banda” (Espírito Santo do Pinhal, SP, 1919-Rio de Janeiro, 1983), que recebeu esse apelido do Capitão Furtado, radialista e compositor, sobrinho de Cornélio Pires, por causa dos apagões frequentes na época do pós-guerra. São três gravações relacionadas a datas comemorativas. Pra começar, o baião junino “Santo Antônio não gosta”, da profícua parceria Haroldo Lobo-Mílton de Oliveira (também responsável por muitos hits carnavalescos), gravado na Continental em 10 de abril de 1952, com lançamento em maio-junho desse ano sob número 16556-A, matriz C-2834, com acompanhamento do conjunto do trombonista Astor Silva, o Astor do Trombone. Em seguida o Copacabana 5502, lançado em dezembro de 1955. No lado A, matriz M-1273, um clássico natalino brasileiro: a “valsinha de roda” “Natal das crianças”, de autoria dele mesmo e ainda hoje muito lembrada. No verso, matriz M-1272, Blecaute homenageia as noivas com a marcha “Noiva querida”, de Silvino Neto, também humorista de rádio e autor dos clássicos “Cinco letras que choram” e “Valsa dos namorados”, ambos hits de Francisco Alves.
Carlos Galhardo, “o cantor que dispensa adjetivos”, está de novo presente no GRB, com mais uma homenagem às noivas: é a valsa “Aniversário de casamento (Anniversary waltz)”, do romeno Ian Ivanovici em versão do especialista Lourival Faissal. Gravação RCA Victor de 4 de agosto de 1950, lançada em agosto seguinte com o número 80-0697-B, matriz S-092727. Essa mesma gravação foi reeditada em dezembro de 1952 com o número 80-1060-B, e é mais uma prova que as datas comemorativas (aniversário, Natal, bodas de prata, etc.) foram gfravadas por Galhardo mais que qualquer outro intérprete.
Para encerrar, um intérprete que tem resistido ao tempo, e já octogenário, ainda em franca atividade: é o grande Cauby Peixoto, que aqui comparece com um disco “internacional”, o Columbia CB-11000. Ele foi gravado em Hollywood, Califórnia, EUA, em 1955, quando da primeira temporada do “professor da MPB” naquele país, com acompanhamento orquestral de um dos mais expressivos maestros da época, Paul Weston. No lado A, matriz RHCO-33427, o samba-canção “Final de amor”, composto pelo empresário do cantor, Di Veras, em parceria com Haroldo Barbosa. No verso, matriz RHCO-33426, o bolero “A pérola e o rubi (The ruby and the pearl)”, da dupla Jay Livingstone-Ray Evans, vertida por outro especialista na matéria, Haroldo Barbosa. Ambas as gravações também saíram no primeiro LP de Cauby, o dez polegadas “Blue gardenia”, junto com outras duas também gravadas por ele nessa temporada americana, “Sem porém nem porquê” e “Nossa rua”. Enfim, mais um presente do TM para todos os amigos ocultos e ocultos que apreciam o que é bom. Diversão garantida!

* TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO