Boa noite, amigos cultos e ocultos! Ontem, dia 28, eu por descuido, deixei passar em branco a comemoração de centenário de Cyro Monteiro. Se estivesse vivo, estaria completando 100 anos. Como foi dito por alguns, nesta data poucos foram aqueles que lembraram do grande artista. Afinal, Cyro Monteiro não foi apenas mais um cantor de samba. Muito aliás, foi cantor e compositor. Teve uma atuação marcante na música popular brasileira, sendo responsável por inúmeros sambas de sucessos, que se tornaram clássicos.
Para celebrar este centenário, montei aqui agora, meio às pressas, essa coletânea, trazendo doze momentos ainda da fase do bolachão. Cyro Monteiro até merecia mais, uma coletânea de peso, equivalente a um álbum triplo. Mas para que tenhamos em outras oportunidades novas postagens com o artista, vou limitando a seleção, que por certo irá agradar. Vamos conferir?
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quarta-feira, 29 de maio de 2013
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Linda Rodrigues - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 55 (2013)
Esta semana, o Grand Record Brazil, em sua edição de número
55, apresenta a primeira parte, de uma série de três, em que iremos focalizar o
trabalho de uma cantora excelente, que teve sua época, mas que infelizmente foi
esquecida com o passar do tempo. Refiro-me a Linda Rodrigues.
Nossa focalizada recebeu, na pia batismal, o nome de Sophia
Gervasoni, e veio ao mundo no dia 11 de agosto de 1919, provavelmente no Estado
do Rio de Janeiro. Embora seu primeiro disco tenha sido lançado para o carnaval
de 1945, pela Continental, Linda Rodrigues é considerada uma das intérpretes da
música popular brasileira que melhor representa e celebra a chamada
dor-de-cotovelo. Linda também foi compositora, e fez trabalhos para outros
artistas, em parceria com nomes do quilate de J. Piedade e Aylce Chaves, entre
outros. Sua discografia, além da Continental,
inclui passagens pelos selos Star, Carnaval, Sinter, Todamérica, RCA
Victor e Chantecler. Nesta última, em 1961, lançou aquele que parece ter sido
seu único LP, “Companheiras da noite”. Seu maior sucesso foi o samba-canção
“Lama”, de Paulo Marques e Aylce Chaves (que está neste volume), e outros hits
da cantora foram os sambas-canções “Vício”, dela própria com José Batista, e
“Negue”, clássico de Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos, que
apresentaremos nos próximos volumes deste nosso retrospecto. Em 78 rpm, Linda
gravou um total de 30 discos com 59 fonogramas, além do LP já mencionado, e
alguns compactos de produção independente, e faleceu no Rio de Janeiro, em 16
de novembro de 1995, aos 76 anos, de infecção pulmonar e problemas cardíacos
(miocardiopatia e arritmia).
Neste primeiro volume que o GRB dedica a Linda Rodrigues,
apresentamos 21 preciosos fonogramas, correspondentes aos primeiros anos de sua
carreira. Trabalho esse resultante do esforço do amigo e colaborador Alberto
Oliveira, que reuniu as gravações de Linda em 78 rpm que iremos apresentar
nestes 3 volumes. Ficaram faltando cinco delas, mas o esforço dele valeu a
pena, como vocês irão constatar.
De seu 78 de estreia, o Continental 15222, lançado em
janeiro de 1945 para o carnaval, está o lado B, o samba “Abaixo do nível”, de
Alvaiade e Odaurico Mota, matriz 893. O disco seguinte, o Continental 15280,
lançado em março de 1945, vem com as duas faixas, também sambas: “Você não sabe
amar”, de João Bastos Filho e Antônio Amaral, matriz 1028, e “...E Odete não
voltou”, de Paquito e José Marcílio, matriz 1027. Em setembro de 1945, saíram
mais dois sambas, no disco 15423: “Arma perigosa”, de Paquito e Paulo da
Portela, matriz 1136, e “Cantora de samba”, de Amado Régis, matriz 1137. Para o
carnaval de 1946, Linda lança quatro músicas, todas aqui incluídas: no
Continental 15554, lançado ainda em dezembro de 45, o samba “Sublime perdão”,
de Amado Régis, matriz 1315, e a marchinha “Quando a gente fica velho”, matriz
1316, dela própria com Aylce Chaves e o mesmo Amado Régis que assina a música
do lado ª Em janeiro de 46 sai o disco 15585, com a marchinha “Atchim!”, de
J.Piedade e Príncipe Pretinho, matriz 1381, e o samba “Claudionor”, de Cândido
Moura e Miguel Baúso, matriz 1382. Em março de 1946, Linda lança o samba “Não
adianta chorar”, de Ari Monteiro e Felisberto Martins, no Continental 15591-A,
matriz 1399 (o outro lado é com Emilinha Borba, apresentando a batucada “Ai,
Luzia!”, de Guaraná e Jararaca). Em junho de 1946, no Continental 15644, saem
dois sambas de Paquito (Francisco da Silva Fárrea Júnior, 1915-1975),
consagrado compositor de sucessos carnavalescos: “Banco de jardim”, parceria
dele com Dorival Aires e Jaime de Souza, matriz 1444, e “Banco de praça”, que
ele assina junto com Carlos de Souza e João Bastos Filho, matriz 1443. A
primeiro de julho de 1948, Linda grava a rumba “Jack, Jack, Jack”, de Haroldo
Barbosa e Armando Castro, matriz 1900, e o samba “Mais um amor, mais uma
desilusão”, de José Maria de Abreu, matriz 1901, que a Continental irá lançar
para seu suplemento de julho a setembro desse ano, com o número 15926. A
marchinha “Parceiro de Schubert” e o samba “A escrava Isaura” saíram pela Star,
para o carnaval de 1948, disco 0009, que não consta nem mesmo na Discografia
Brasileira em 78 rpm, e eu próprio não encontrei informações a respeito de quem
seriam seus autores, quem souber favor informar pra gente. Para a folia de
1951, Linda grava o disco Carnaval 008, com o samba “Vou partir”, de Aylce Chaves e Paulo Gesta,
e a batucada “Batuqueiro novo”, de Tancredo Silva, Rual Marques e José Alcides.
Do disco Star 243, também de 1951, vem o lado B, o samba africano “Raça negra”,
também de Aylce Chaves e Paulo Gesta. Por essa mesma gravadora, futura
Copacabana, Linda lança, para o carnaval de 1952, e ainda em dezembro de 51, o
disco 308, do qual apresentamos o lado A, a marchinha “Recruta 23” (referência
a programa humorístico da Rádio Mayrink Veiga do Rio de Janeiro, então grande
rival da poderosa Nacional, e de grande audiência na época), de autoria do
radialista, compositor e pianista
Aloysio Silva Araújo e do comediante Zé Trindade (aquele do bordão
“Mulheres, cheguei!”). Por fim, encerrando esta primeira parte, apresentamos
aquele que foi o maior sucesso da carreira de Linda Rodrigues: o samba-canção
“Lama”, de Paulo Marques e Aylce Chaves, regravado mais tarde por Ângela Maria
e Maria Bethânia, entre outros intérpretes, e até hoje um clássico. Linda o
imortalizou na Continental em 10 de abril de 1952, com lançamento em maio-junho
do mesmo ano sob número 16559-A, matriz C-2839. Um fecho realmente de ouro para
a primeira parte desta nossa retrospectiva a respeito de Linda Rodrigues. Até a
próxima!
TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO
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