Esta semana, o Grand Record Brazil, em sua edição de número
55, apresenta a primeira parte, de uma série de três, em que iremos focalizar o
trabalho de uma cantora excelente, que teve sua época, mas que infelizmente foi
esquecida com o passar do tempo. Refiro-me a Linda Rodrigues.
Nossa focalizada recebeu, na pia batismal, o nome de Sophia
Gervasoni, e veio ao mundo no dia 11 de agosto de 1919, provavelmente no Estado
do Rio de Janeiro. Embora seu primeiro disco tenha sido lançado para o carnaval
de 1945, pela Continental, Linda Rodrigues é considerada uma das intérpretes da
música popular brasileira que melhor representa e celebra a chamada
dor-de-cotovelo. Linda também foi compositora, e fez trabalhos para outros
artistas, em parceria com nomes do quilate de J. Piedade e Aylce Chaves, entre
outros. Sua discografia, além da Continental,
inclui passagens pelos selos Star, Carnaval, Sinter, Todamérica, RCA
Victor e Chantecler. Nesta última, em 1961, lançou aquele que parece ter sido
seu único LP, “Companheiras da noite”. Seu maior sucesso foi o samba-canção
“Lama”, de Paulo Marques e Aylce Chaves (que está neste volume), e outros hits
da cantora foram os sambas-canções “Vício”, dela própria com José Batista, e
“Negue”, clássico de Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos, que
apresentaremos nos próximos volumes deste nosso retrospecto. Em 78 rpm, Linda
gravou um total de 30 discos com 59 fonogramas, além do LP já mencionado, e
alguns compactos de produção independente, e faleceu no Rio de Janeiro, em 16
de novembro de 1995, aos 76 anos, de infecção pulmonar e problemas cardíacos
(miocardiopatia e arritmia).
Neste primeiro volume que o GRB dedica a Linda Rodrigues,
apresentamos 21 preciosos fonogramas, correspondentes aos primeiros anos de sua
carreira. Trabalho esse resultante do esforço do amigo e colaborador Alberto
Oliveira, que reuniu as gravações de Linda em 78 rpm que iremos apresentar
nestes 3 volumes. Ficaram faltando cinco delas, mas o esforço dele valeu a
pena, como vocês irão constatar.
De seu 78 de estreia, o Continental 15222, lançado em
janeiro de 1945 para o carnaval, está o lado B, o samba “Abaixo do nível”, de
Alvaiade e Odaurico Mota, matriz 893. O disco seguinte, o Continental 15280,
lançado em março de 1945, vem com as duas faixas, também sambas: “Você não sabe
amar”, de João Bastos Filho e Antônio Amaral, matriz 1028, e “...E Odete não
voltou”, de Paquito e José Marcílio, matriz 1027. Em setembro de 1945, saíram
mais dois sambas, no disco 15423: “Arma perigosa”, de Paquito e Paulo da
Portela, matriz 1136, e “Cantora de samba”, de Amado Régis, matriz 1137. Para o
carnaval de 1946, Linda lança quatro músicas, todas aqui incluídas: no
Continental 15554, lançado ainda em dezembro de 45, o samba “Sublime perdão”,
de Amado Régis, matriz 1315, e a marchinha “Quando a gente fica velho”, matriz
1316, dela própria com Aylce Chaves e o mesmo Amado Régis que assina a música
do lado ª Em janeiro de 46 sai o disco 15585, com a marchinha “Atchim!”, de
J.Piedade e Príncipe Pretinho, matriz 1381, e o samba “Claudionor”, de Cândido
Moura e Miguel Baúso, matriz 1382. Em março de 1946, Linda lança o samba “Não
adianta chorar”, de Ari Monteiro e Felisberto Martins, no Continental 15591-A,
matriz 1399 (o outro lado é com Emilinha Borba, apresentando a batucada “Ai,
Luzia!”, de Guaraná e Jararaca). Em junho de 1946, no Continental 15644, saem
dois sambas de Paquito (Francisco da Silva Fárrea Júnior, 1915-1975),
consagrado compositor de sucessos carnavalescos: “Banco de jardim”, parceria
dele com Dorival Aires e Jaime de Souza, matriz 1444, e “Banco de praça”, que
ele assina junto com Carlos de Souza e João Bastos Filho, matriz 1443. A
primeiro de julho de 1948, Linda grava a rumba “Jack, Jack, Jack”, de Haroldo
Barbosa e Armando Castro, matriz 1900, e o samba “Mais um amor, mais uma
desilusão”, de José Maria de Abreu, matriz 1901, que a Continental irá lançar
para seu suplemento de julho a setembro desse ano, com o número 15926. A
marchinha “Parceiro de Schubert” e o samba “A escrava Isaura” saíram pela Star,
para o carnaval de 1948, disco 0009, que não consta nem mesmo na Discografia
Brasileira em 78 rpm, e eu próprio não encontrei informações a respeito de quem
seriam seus autores, quem souber favor informar pra gente. Para a folia de
1951, Linda grava o disco Carnaval 008, com o samba “Vou partir”, de Aylce Chaves e Paulo Gesta,
e a batucada “Batuqueiro novo”, de Tancredo Silva, Rual Marques e José Alcides.
Do disco Star 243, também de 1951, vem o lado B, o samba africano “Raça negra”,
também de Aylce Chaves e Paulo Gesta. Por essa mesma gravadora, futura
Copacabana, Linda lança, para o carnaval de 1952, e ainda em dezembro de 51, o
disco 308, do qual apresentamos o lado A, a marchinha “Recruta 23” (referência
a programa humorístico da Rádio Mayrink Veiga do Rio de Janeiro, então grande
rival da poderosa Nacional, e de grande audiência na época), de autoria do
radialista, compositor e pianista
Aloysio Silva Araújo e do comediante Zé Trindade (aquele do bordão
“Mulheres, cheguei!”). Por fim, encerrando esta primeira parte, apresentamos
aquele que foi o maior sucesso da carreira de Linda Rodrigues: o samba-canção
“Lama”, de Paulo Marques e Aylce Chaves, regravado mais tarde por Ângela Maria
e Maria Bethânia, entre outros intérpretes, e até hoje um clássico. Linda o
imortalizou na Continental em 10 de abril de 1952, com lançamento em maio-junho
do mesmo ano sob número 16559-A, matriz C-2839. Um fecho realmente de ouro para
a primeira parte desta nossa retrospectiva a respeito de Linda Rodrigues. Até a
próxima!
TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO
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