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segunda-feira, 25 de março de 2013

Jacob Do Bandolim 3 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 50 (2013)

 É com muita alegria que estamos de volta com o Grand Record Brazil, a divisão de 78 rpm do TM, para alegria de nossos amigos cultos, ocultos e associados. E nesta quinquagésima edição, apresentamos a terceira parte desta retrospectiva de gravações do genialíssimo Jacob do Bandolim, este que sem nenhuma dúvida foi um autêntico mestre das cordas. Todas as gravações, evidentemente, são da RCA Victor, feitas entre 1953 e 1955, do acervo do colecionador Sérgio Prata, a quem novamente agradecemos a cortesia. Em ordem de lançamento, são estas as 13 joias que lhes apresentamos: para começar, o lado B do disco 80-1163 (faixa 11 de nossa sequência), o choro “Pardal embriagado”, de Patrocínio Gomes, gravação de 14 de maio de 1953, lançada em julho seguinte, matriz BE3VB-0122. Em seguida, o disco 80-1214, gravado em 13 de agosto de 1953 e lançado em outubro seguinte: abrindo-o, matriz BE3VB-0235, o baião “Brotinho”, faixa 12 de nossa sequência, composto por nada mais nada menos que seu filho Sérgio Bittencourt, que seria também cantor e compositor (autor de clássicos como “Eu quero”, “Canção a medo”, “Modinha” e, naturalmente, “Naquela mesa”, em homenagem póstuma a seu pai), além de colunista de jornais e revistas. Jacob o executa ao vibraplex (instrumento que ele mesmo criou, um violão-tenor ligado a um órgão Hammond, que tinha som parecido com os dos atuais sintetizadores), e esta foi a primeira composição gravada do filho Sérgio. No verso, matriz BE3VB-0236, uma primorosíssima execução de Jacob para a clássica valsa “Rapaziada do Brás”, de Alberto Marino (faixa 13 de nossa sequência), que homenageia o bairro de São Paulo de mesmo nome, cuja população era basicamente de imigrantes italianos e seus descendentes. Surgida em 1926, na gravação dos irmãos saxofonistas Jota e O.Pizarro (quem seriam?), esta valsa teve maior repercussão a partir de 1932, nos registros dos Sextetos Piratininga e Bertorino Alma (anagrama do autor, Alberto Marino), e em 1960 ganhou letra do filho do autor, Alberto Marino Jr., gravada com êxito por Carlos Galhardo. Temos depois o frevo “Sai do caminho”, do próprio Jacob, disco 80-1226-B, gravado em 10 de setembro de 1953 e lançado em novembro seguinte para a folia de 54, matriz BE3VB-0254 (faixa 8 de nossa sequência), no qual ele mostra a admiração que tinha pelo carnaval do Recife, embora não-folião. A mazurca “Vidinha boa”, do próprio executante, faixa 9 desta seleção, foi gravada em 15 de fevereiro de 1954, com lançamento em abril seguinte sob número 80-1269-B, matriz BE4VB-0346. O samba-canção “Santa morena”, também de Jacob, e faixa 10 de nossa sequência, foi gravado pelo mestre em 13 de abril de 1954, com lançamento em julho seguinte sob número 80-1295-A, matriz BE4VB-0411. No verso, matriz BE4VB-0412, outra primorosa execução ao vibraplex, a do samba-canção “Saudade”, composição própria do mestre e faixa 5 de nossa sequência. As faixas 6 e 7 são do disco seguinte, o RCA Victor 80-1344, gravado em 12 de julho de 1954 e lançado em setembro seguinte com dois choros do nosso próprio mestre: abrindo-o, matriz BE4VB-0503, “Bola preta”, e, completando-o, matriz BE4VB-0504, “Saliente”, ambos bastante conhecidos e apreciados. Do disco 80-1390, gravado em 14 de setembro de 1954 e lançado em dezembro seguinte, apresentamos as duas faixas, que novamente demonstram o apreço de Jacob pelo carnaval recifense, sendo evidentemente frevos: abrindo-o, “Toca pro pau”, matriz BE4VB-0577 (faixa 4 de nossa seleção) e, completando-o, matriz BE4VB-0578, “Rua da Imperatriz” (faixa 3), visando, claro, a folia pernambucana de 1955. Em seguida, primeira faixa da nossa sequência, o samba “Meu segredo”, gravação de 13 de janeiro de 1955 lançada em março seguinte (80-1418-B, matriz BE5VB-0642). E encerrando cronologicamente nossa seleção, sendo na sequência a faixa 2, outro primoroso choro do próprio executante, “Benzinho”, gravação de 14 de março de 1955, matriz BE5VB-0699, lançada em maio do mesmo ano sob número 80-1434-A. Enfim, mais uma bela amostra do talento e da maestria deste mágico das cordas que foi Jacob do Bandolim! Gostaria inclusive de dedicar esta nossa retrospectiva ao Daniel Soares, o SenhorDaVoz, meu colega de YouTube, grande admirador de Jacob do Bandolim e do choro, cujo canal lá no YT pode ser visitado. Lá você vai encontrar vídeos com hits da MPB de várias épocas, inclusive diversos registros do grande Jacob do Bandolim, de quem continuaremos este retrospecto. Até lá!

* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO



sexta-feira, 22 de março de 2013

Top 19 - O Melhor Da Música Feita Em Minas Em 2012 (2013)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Olha sexta-feria chegando aí... E foi agora que eu me lembrei que tradicionalmente na sexta é que fazemos as postagens de discos/artistas independentes e coletâneas especiais do Toque Musical. Assim sendo, vou logo postando aqui esta coletânea criada no final do ano passado pelo meu amigo Edu Pampani. Na verdade é a segunda edição, pois no ano passado também tivemos outro "Top 19", com os melhores da música independente mineira de 2011. Desta vez vamos com aquilo que, segundo o Pampani, foi o melhor da música feita em Minas em 2012. Eu, cá, tenho as minhas divergencias, mas tá valendo :)

macaxeira fields - alexandre andrés
rap'ente - bilora
estação 104 - chico amaral
felicidade certa - dudu nicácio
burian - frederico heliodoro
estrela cadente - gabriel guedes
let me do it - gabriela pepino
juriti - gustavito
aurora - luiza brina
mar deserto - paula santoro
qualquer palavra - quarteto cobra coral
baião do caminhar - rafael martini
carne boa - roberta campos
vida no interior - rubinho do vale
de volta a delegacia - thiago delegado
rui macacada - tiãoduá
burn fya - uai sound system
cúria - urucum na cara
zé da guiomar - retrato da bahia


segunda-feira, 18 de março de 2013

Jacob Do Bandolim 2 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 49 (2013)

Em sua quadragésima nona edição, o Grand Record Brazil apresenta a segunda parte da retrospectiva dedicada a este genial instrumentista que foi Jacob Pick Bittencourt, o notável Jacob do Bandolim (1918-1969). Aqui apresentamos mais doze preciosas gravações, do acervo do pesquisador Sérgio Prata, que por certo farão a alegria e o deleite de todos aqueles que apreciam a boa música instrumental brasileira. Como já informado anteriormente, é na RCA Victor, a partir de 1949, que Jacob irá registrar toda a sua discografia em 78 rpm e quase toda em LPs (nesse formato, gravou na CBS o álbum “Retratos”, em 1964).
Evidentemente, as doze faixas desta segunda parte são registros RCA Victor. Para começar, um choro de outro mestre, Pixinguinha, “Teu aniversário”, originalmente intitulado “Recordando” e com gravação original pelo próprio Pizindim com sua flauta, em 1935. Jacob o regravou com o novo título em 30 de junho de 1950, com lançamento em setembro seguinte sob n.o 80-0688-B, matriz S-092700 (o lado A é “Mexidinha”, que está em nosso volume 1 deste retrospecto). Temos depois um choro do próprio mestre, “Por que sonhar?”, gravado em 16 de março de 1953 e lançado em maio seguinte, com o n.o 80-1122-B, matriz BE3VB-0050. No lado A, matriz BE3VB-0049, mais um choraço dele mesmo, “Tatibitate”. E é como compositor que Jacob comparece na maior parte das faixas deste volume 2. Caso do choro “Biruta”, gravado em 19 de junho de 1952 e lançado em outubro seguinte, disco 80-0987-B, matriz SB-093331, do qual também apresentamos a faixa de abertura, o coco “Forró de gala”, matriz SB-093300, dele mesmo, claro. Do compositor e instrumentista carioca Mário Álvares da Conceição, também conhecido como Mário Cavaquinho (1861?-1906?), Jacob resgata o choro 'Teu beijo”, gravação de 11 de setembro de 1950, lançada em novembro seguinte com o n.o 80-0711-B, matriz S-092750 (ao que parece o registro original). Temos em seguida outra bela e conhecida obra-prima do choro, concebida pelo próprio Jacob: “Doce de coco”, em antológica gravação de 18 de dezembro de 1950, lançada em março de 51 (80-0745-B, matriz S-092813), sendo até hoje número obrigatório em qualquer roda de choro. Depois iremos travar contato com a primeira gravação que Jacob fez do choro clássico “Lamento”, de Pixinguinha (que depois teve o título mudado para o plural, “Lamentos”), originalmente lançado em 1928 pela Orquestra Típica Pixinguinha-Donga. Jacob o registrou pela primeira vez em 14 de março de 1951 com lançamento em junho seguinte (80-0767-A, matriz S-092905), e voltaria a gravá-lo primorosamente, em 1967, para o álbum “Vibrações”. Na faixa 10 está o verso desse disco, a polca “Siri tá no pau”, matriz S-092906, de autoria de Miguel de Vasconcellos, originalmente lançada em 1914 pelo grupo O Passos no Choro e também bastante conhecida. Na faixa 9, Jacob executa à violinha (!) outro belo choro seu, “Nostalgia”, gravação de 23 de julho de 1951, lançada em outubro seguinte sob n.o 80-0813-B, matriz S-092986. “Eu e você” é outro choro do próprio mestre, gravado em 5 de maio de 1952 e lançado em julho seguinte (80-0931-B, matriz S-093263). Para encerrar esta segunda parte, temos “Choro de varanda”, no caso, certamente, a varanda da casa de Jacob, em Jacarepaguá, que é o lado A de “Teu beijo”, de Mário Cavaquinho, matriz S-092749 (claro que essa outra música é do Jacob mesmo). Enfim, mais uma amostra da magia, do talento e da maestria do eterno Jacob do Bandolim. E vem muito mais por aí, esperamos...

*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO.