O Grand Record Brazil oferece hoje aos amigos cultos,
ocultos e associados a segunda parte do retrospecto especial dedicado ao grande
e notável Cauby Peixoto, que partiu para a eternidade em 15 de maio último,
deixando muitas saudades em todos aqueles que apreciam o que é bom em matéria
de música. Oferecemos aqui mais 14 gravações de Cauby, várias delas prensadas
simultaneamente em 78 rpm e vinil. Abrindo esta segunda parte, o bolero “Meu
amor por você”, de Lourival Faissal e Edson Menezes, que Cauby gravou na RCA
Victor em 20 de dezembro de 1957, com lançamento em abril de 58, sob número
80-1928-B, matriz 13-H2PB-0312. E a faixa seguinte é justamente o lado A,
matriz 13-H2PB-0311, e um clássico do repertório dele: o samba-canção “Nono
mandamento”, de Renê Bittencourt, retumbante êxito na época, e que o nosso
saudoso Cauby também interpretou no filme “De pernas pro ar”, co-produção
Herbert Richers-Cinedistri. Na quarta faixa, temos o primeiro hit maiúsculo do
“professor da MPB”: o fox “Blue gardenia”, dos norte-americanos Bob Russell e
Lester Lee, em versão de Antônio Carlos. Foi composto para o filme de mesmo
nome, exibido no Brasil como “Gardênia azul”, e nele interpretado por Nat King
Cole, tornando a música bem mais lembrada do que a própria película. O registro
de Cauby saiu pela Columbia em maio de 1954, sob número CB-10042-A, matriz
CBO-215, e, mais tarde, “Blue gardenia” seria faixa-título e de abertura do
primeiro LP do cantor, em dez polegadas. Ainda em 54, apareceu outra gravação
em português deste fox, por Lúcio Alves, mas o sucesso foi mesmo de Cauby. Aqui
também apresentamos o lado B desse 78, matriz CBO-214: o samba-canção “Só
desejo você”, assinado pelo então empresário de Cauby, Di Veras, em parceria
com Osmar Campos Filho, e, ainda em 1954, também gravado na Copacabana por
Ângela Maria. A música entrou mais tarde no segundo LP de Cauby, o dez
polegadas “Canção do rouxinol”. A quinta
faixa desta seleção é “Canção de sentir saudade”, samba-canção de Durval
Ferreira e Orlando Henriques, que Cauby gravou na RCA Victor em 11 de outubro
de 1960, com lançamento em janeiro de 61, sob número 80-2286-A, matriz
L2CAB-1132. Mais tarde, seria faixa de encerramento do compacto duplo de 45 rpm
número 583-5068. O lado B do 78, matriz L2CAB-1133, que também abriu o compacto
em questão e um LP do cantor com o mesmo título, é a faixa seguinte: a balada
“Perdão para dois”, de Palmeira e Alfredo Corleto, lançada pouco antes por
Leila Silva na Chantecler. Em seguida, temos o beguine “Tentação”, de Edson
Borges e Sidney Morais (que integrou o Conjunto Farroupilha e Os Três Morais, e
gravou discos de música latina como Santo Morales). Foi lançado pela Columbia,
na voz de Cauby, em abril de 1956, sob número CB-10250-B, matriz CBO-727. Logo
depois, vem o lado B, matriz CBO-729, o fado “Lisboa antiga”, standard do
cancioneiro lusitano, de autoria de Raul Portela, Amadeu do Vale e José
Galhardo. Em LP, e de dez polegadas, esta faixa só apareceu na coletânea mista
“Meus favoritos - vol. 5”. A faixa 9,
“Bibape do Ceará”, é um baião de Catulo de Paula e Carlos Galindo,
originalmente gravado pelo próprio Catulo em 1955. O registro de Cauby foi
lançado em setembro de 56 pela Columbia, sob número CB-10285-B, matriz CBO-818
(o lado A é o clássico “Conceição”, já oferecido a vocês em nosso volume
anterior). Na décima faixa, temos o fox “É tão sublime o amor (Love is a many
splendored thing)”, dos norte-americanos Paul Francis e Sammy Fain, em versão
de Alberto Almeida. A música deu título
a um filme também de sucesso, estrelado por William Holden e Jennifer Jones, e
exibido no Brasil como “Suplício de uma saudade”. O registro de Cauby foi
lançado pela Columbia em maio-junho de 1956, sob número CB-11002-A, matriz
CO-55565, abrindo também seu terceiro LP, o dez polegadas “Você, a música e
Cauby”. Em seguida, outro clássico: o
bolero “Espera-me no céu (Esperame em el cielo)”, do portorriquenho Francisco
López Vidal (Paquito), em versão do pistonista Araken Peixoto, irmão de nosso
Cauby, que a imortalizou na RCA Victor em 30 de janeiro de 1957, com lançamento
em julho do mesmo ano, sob número 80-1812-B, matriz 13-H2PB-0044. A gravação
entrou mais tarde no LP de dez polegadas “Música e romance”, já oferecido a
vocês pelo Toque Musical. A faixa seguinte é o lado B do disco de estreia de
Cauby, o Carnaval/Star 013, lançado bem em cima do carnaval de 1951, em
fevereiro: a marchinha “Ai, que
carestia”, de Victor Simon e Liz Monteiro (nada mais atual, não é mesmo?). A penúltima faixa é o clássico “Molambo”,
samba-canção do violonista Jayme Florence, o Meira dos regionais, em parceria
com Augusto Mesquita. Lançado em 1953 por Julinha Silva, tem vários outros
registros, e o de Cauby foi lançado pela Columbia em maio-junho de 1956, em seu
terceiro LP, o dez polegadas “Você, a música e Cauby”, chegando ao 78 rpm em
agosto seguinte sob número CB-10267-A, matriz CBO-769. E, encerrando esta
seleção, o fox “Tudo lembra você (These foolish things/Remind me of you)”. A
música foi feita em 1936 pelos britânicos Jack Strachey e Eric Maschwitz (também
conhecido por Holt Marvel), mais o norte-americano Harry Link, e tem vários
registros. O de Cauby, com letra brasileira de Mário Donato, tem acompanhamento
do conjunto do violonista Ângelo Apolônio, o Poly, e saiu pela Todamérica em
março de 1953, com o número TA-5259-A, matriz TA-1153. Um fecho realmente de
ouro para este retrospecto especial que o GRB dedica ao agora imortal Cauby
Peixoto!
* Texto de Samuel Machado Filho