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sábado, 28 de julho de 2012

Marcos Roberto - Singles E Raridades (2012)


Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados! Hoje eu estava certo de que iria faltar à postagem, pois o dia foi puxado. Literalmente puxado e arrastado. Estou com uma sensação de derrota perante a minha própria e impiedosa autocrítica. Ser virginiano é uma merda!  Mas depois de mais uma dose de whisky para acalmar (e acalmei), decidi sair do bode e voltar atrás. Quem posta, seus males espanta. Lá vou eu...
Me lembrei que estava em falta com o amigo Marujo. Na semana passada ele enviou esta seleção musical, montada com capricho, em homenagem ao cantor Marcos Roberto, falecido no sábado, dia 21 deste mês. Confesso a vocês que nunca dei muita boa para uma boa parte de artistas da Jovem Guarda que acabaram caindo no gênero brega fácil. Marcos Roberto, dentro do que eu conheço, foi um desses artistas que acabaram entrando no esquemão para não cair no esquecimento. Posso estar parecendo meio injusto, mas estou dizendo essas coisas diante ao que eu vi e agora estou ouvindo. Temos aqui uma seleção de ‘singles’ e raridades do cantor. Coisas que eu mesmo nem conhecia. E para o meu espanto e contradição, descubro aqui um artista que eu não conhecia. Algumas de suas músicas, do período da Jovem Guarda, superam em muito a maioria da turma (sem falar, obviamente, em Roberto e Erasmo). Pô, estou aqui delirando com músicas como “Bem mais de 100”; “Prisioneiro”; “Quem pôs tanta coisa em sua cabeça” e “Queime as minhas roupas”. Bom, se o Black & White ajudou eu não sei. O fato é que estou gostando. Por favor, não me falem de ressaca. Confiram aí a seleção, que acima de tudo foi feita com muito carinho e é também a nossa homenagem ao artista.  
vou rir de ti
pedacinho de sabão
no te tengo a ti
yo te quiero asi
la ultima carta
si tu quieres partir
prisioneiro
quem pôs tanta coisa na sua cabeça
maria rosa
queime minhas roupas
ah, antes que eu me esqueça
erros
vida, minha vida
bem mais que 100
muito obrigado
querida
vontade de voltar
deixa é comigo
lembranças de você
menina triste
te amo, te amo, te amo

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Vários - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 28 (2012)

Fratura no joelho é um troço bem complicado... O nosso Augusto TM que o diga! Mas depois de mais um período de ausência forçada (até eu senti saudades), eis aqui a vigésima-oitava edição do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil, apresentando mais dez preciosos fonogramas da era das 78 rotações por minuto para enriquecer os acervos de nossos amigos cultos e associados. E começamos com um sucesso de Patrício Teixeira (1893-1972), carioca da Rua São Leopoldo, na lendária Praça Onze, que começou a gravar ainda pelo processo mecânico e continuou de maneira bem sucedida na fase elétrica, até quando saiu seu último disco, em 1944. (depois disso, ainda gravaria a canção “Azulão”, de Hekel Tavares e Luiz Peixoto, para um LP da Sinter).  Foi até professor de violão, e entre suas alunas mais ilustres estão Nara Leão e as irmãs Linda e Dircinha Batista. E Patrício aqui comparece com um clássico: o samba “Gavião calçudo”, do mestre Pixinguinha, com letra de Cícero “Baiano” de Almeida, cujo sucesso desaguaria no carnaval de 1930. Saiu em duas gravações de Patrício: a primeira no selo Parlophon, em março de 1929, e esta segunda, com o selo Odeon, lançada em agosto do mesmo ano com o n.o 10436-A, matriz 2685, na qual o intérprete canta a letra completa, acompanhado de piano e violão (no registro original era com orquestra, e nele só foram apresentados o estribilho e uma das estrofes). “Azulão” também está aqui, mas no registro original do “cantor das noites enluaradas”, Paraguassu (Roque Ricciardi, 1894-1976), lançado pela Columbia em fevereiro de 1930, disco 5141-A, matriz 380474.
Em seguida, um monólogo divertidíssimo interpretado pelo ator Pinto Filho. Trata-se de “Guerra ao mosquito”, de Luiz Peixoto e Marques Porto, lançado pela Parlophon em agosto de 1929 com o n.o 12989-A, matriz 2670. Mais atual impossível, uma vez que o Brasil tem sido, nos últimos tempos, atingido por endemias tropicais como a dengue, especialmente no verão. Não faltam farpas a políticos de prestígio na época, como o então candidato a presidente da República Júlio Prestes.
A próxima faixa vem a ser o primeiro grande sucesso nacional de Ary Barroso como compositor: a marchinha “Dá nela”, interpretada por Francisco Alves com a Orquestra Pan American de Simon Bountman, e um dos hits do carnaval de 1930. Gravação de 9 de janeiro daquele ano, lançada pouco depois sob n.o 10558-A, matriz 3258. No dia 18, a música venceu um concurso promovido no Teatro Lírico do Rio de Janeiro, e com o dinheiro ganho (cinco contos de réis!), Ary Barroso teve condições de se casar (com Yvonne Belfort Arantes) e ainda recebeu seu diploma de advogado. De letra extremamente machista (característica da época), “Dá nela” também deu nome a uma revista do Teatro Recreio, nela interpretada (de calça comprida!) por Zaíra Cavalcanti.
Um dos clássicos de Ary Barroso em parceria com Luiz Peixoto, o samba-canção “Na batucada da vida” (subintitulado “A canção da enjeitada”) tornou-se inovador na época do lançamento, pelo realismo com que tratava uma temática de cunho social. Originalmente saiu em 1934, na voz de Cármen Miranda, e aqui é apresentada no registro de Dircinha Batista, feito na Odeon em 14 de abril de 1950 e lançado em agosto seguinte, disco 13031-B, matriz 8685, com acompanhamento de piano do próprio mestre de Ubá. Como bem sabem os fãs de Elis Regina, em 1974 ela também fez um registro memorável desta composição.
O inesquecível Kid Morenguera, o grande Moreira da Silva (1902-2000), insubstituível rei do samba de breque, aqui comparece com o raríssimo disco Star 225, datado de 1951, com acompanhamento do conjunto do violonista Claudionor Cruz, destacando-se o saxofone de Portinho (Antônio Porto Filho), também maestro e arranjador de prestígio. De um lado, o samba-choro “Entrevista”, do próprio Moreira, e no verso, nesse mesmo ritmo, a homenagem do GRB aos motoristas na semana do dia deles e de seu santo padroeiro, São Cristóvão: “Sou motorista”!
Humberto Marsicano fez parte da geração de artistas paulistas surgidos no final dos anos 1920. De sua escassa discografia como cantor (apenas 16 fonogramas distribuídos em nove 78 rpm), apresentamos o disco Columbia 5051, lançado em julho de 1929, com acompanhamento da orquestra de Álvaro Ghiraldini. Abrindo-o, matriz 380143, o samba-choro “Mulher sem coração”, composto por um nome que iniciava então sua carreira, José Maria de Abreu (1911-1966), paulista de Jacareí, responsável por sucessos inesquecíveis, tais como “E tome polca”, “Alguém como tu”, “Dançando com você” e muitos outros. No verso, matriz 380144, o delicioso “sambinha-embolada” Tico-tico vuô”, de Juca Paulista e Juvenal de Abreu.
Para encerrar, uma marchinha do carnaval de 1957, lançada pela Continental em janeiro desse mesmo ano, com o n.o 17375-B, matriz C-3912. É “Seu Romeu”, de João Rosa, Arnaldo Moraes e do paulistano Ruy Rey (1915-1995), sendo este último o intérprete. Ruy, que se chamava Domingos Zeminian, foi também exímio “bandleader”, e especializou-se em ritmos hispano-americanos, precursores da atual salsa. Enfim, um belo apanhado com o qual o GRB mata as saudades de todos que estavam aguardando esta retomada. Divirtam-se e recordem! 

* TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

sábado, 21 de julho de 2012

Trios Em Bossa, Samba E Jazz - Uma Coletânea Toque Musical (2012)


Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados! Estamos preparando para breve a nossa web rádio, ou mais exatamente o nosso ‘player’, recheado de músicas para acompanhar vocês como uma rádio. Semanalmente estaremos aqui apresentando uma seleção de tudo o que rola nas postagem do Toque Musical. Eu tenho certeza de que vai agradar :)
E por falar em agradar, hoje eu estou trazendo para o nosso sábado de coletâneas uma seleção de tirar o chapéu. Esta logo vai estar rolando também na nossa rádio, aguardem!
Criei para vocês uma coletânea especial, dedicada aos diversos trios musicais de samba, bossa e jazz dos anos 60. Temos aqui 19 diferentes trios que eu fui reunindo ao longo da semana. Por certo que existem muitos outros e eu até gostaria de incluí-los nesse time, mas se for o caso, ficam para um segundo volume. Com toda certeza vai agradar em cheio.
A pressa nem sempre é inimiga da perfeição. Prova disso foi essa capinha que eu produzi aqui rapidinho, inspirada na boa música e na arte gráfica daquele momento. Ficou bonitinha, não é mesmo?

vamos embora uau – bossa jazz trio
nanã – sambalanço trio
farjuto – rio trio 65
zimbo samba – zimbo trio
samba novo – le trio câmara
canto de ossanha – manfredo fest trio
samblues – som três
sambete n. 4 – bossa três
nós e o mar – tamba trio
seu chopin, desculpe – jongo trio
cidade vazia – milton banana trio
tema pro gaginho – salvador trio
água de beber – trio 3d
sambrasa – sambrasa trio
aleluia – trio boliche
estatuto da gafieira – trio plaza
primavera – sansa trio
o barquinho – trio harmônico
                                                               azul contente – trio seleno

Sílvio Caldas - Seleção Grand Record Brazil - Vol. 27 (2012)


Este é o segundo volume do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil, o vigésimo-sétimo  no geral, dedicado a este grande nome da MPB que foi o carioca Sílvio Narciso de Figueiredo Caldas. Além de cantar e contar interessantes histórias da MPB com um pique invejável, o “titio” possuía espírito aventureiro, gostava de caçar e pescar, e até se embrenhou nos sertões para garimpar ouro, vejam só! Era também um cozinheiro de mão cheia (suas peixadas, por exemplo, eram bastante apreciadas), e obviamente foi proprietário de restaurantes e casas noturnas. Sílvio Caldas era também um especialista em... despedidas. “Aposentou-se” várias vezes oficialmente, mas quando menos se esperava... lá estava ele de novo! Aposentadoria mesmo, só com a sua morte, em 1998.
 Aí vão, para deleite e apreciação de tantos quantos apreciem nossa música popular no que ela tem de melhor e mais expressivo, mais doze preciosas gravações de Sílvio. Em ordem cronológica de lançamento, temos, para começar, o lado A do disco Victor 33911,  gravado em 12 de outubro de 1934 e lançado em março de 35: a famosa valsa “Serenata”, matriz 79729, de sua profícua parceria com Orestes Barbosa, cuja introdução, sem palavras, tornou-se prefixo pessoal de Sílvio.  Dois violões e um bandolim (o de Luperce Miranda) acompanham Sílvio nessa gravação, sem dúvida uma das melhores e mais importantes de sua carreira. Logo depois, do Odeon 11255, gravado em 25 de junho de 1935 e lançado em setembro seguinte, apresentamos o lado A, matriz 5082: o samba “Inquietação”, uma das obras-primas do mestre Ary Barroso, que Sílvio também interpretou no filme “Favela dos meus amores”, de Humberto Mauro. No acompanhamento, a Orquestra Odeon, do palestino Simon Bountman, que também teve os nomes Pan American, Copacabana, Parlophon (quando gravava nessa marca, coligada da Odeon)e Simão e sua Orquestra Columbia. Quer dizer, todas eram a mesmíssima orquestra. Falando na Columbia, eis um  importantíssimo disco de Sílvio nessa marca, lançado em dezembro de 1938 com o número 55002 e acompanhamento do regional do multi-instrumentista Garoto (Aníbal Augusto Sardinha, 1915-1955), trazendo duas joias de altíssimo quilate: no lado A, matriz 3716, a canção “Mágoas de um trovador”, de J. Cascata e Manezinho Araújo (o “rei da embolada”, aqui mostrando seu lado sentimental). O verso, matriz 3715, traz mais uma conhecidíssima página da parceria de Sílvio com Orestes Barbosa: a clássica valsa “Suburbana”. Curiosamente, em 1943, quando a Columbia converteu-se na Continental, esse disco foi escolhido para inaugurar a nóvel marca, sendo relançado com o número 15001, inclusive os primeiros cem títulos da Continental foram relançamentos da antiga Columbia. De volta à Victor, temos depois o lado B do disco 34804, gravado em 4 de julho de 1941 e lançado em outubro seguinte, matriz S-052258, apresentando o fox-canção “Sempre você”, de Cristóvão de Alencar e Newton Teixeira. Em seguida, outro disco de Sílvio na marca do cachorrinho Nipper, o de número 80-0080, gravado em 2 de março de 1943 e lançado em maio seguinte, com duas valsas-canções de Georges Moran, russo que se radicou entre nós, e autor de outro hit de Sílvio, “Kátia”, além de outros dois clássicos imortalizados por Orlando Silva, “Balalaika” e “Zíngaro”. Abrindo-o, matriz S-052732, “Não voltarás nem voltarei”, parceria de Moran com Walter Nogueira da Silva e, no verso, matriz S-052733, “Ninotchka”, em que desta vez o parceiro é Cristóvão de Alencar, certamente inspirada no filme de mesmo nome, da MGM, de 1939, estrelado por Greta Garbo e Melvyn Douglas, sob a direção de Ernst Lubistch. Completando nosso roteiro da semana, dois discos gravados por Sílvio Caldas na Continental, em 1949, com acompanhamento da orquestra do maestro, compositor e flautista Nicolino Cópia, o Copinha. O primeiro deles é o de número 16034, lançado em março-abril desse ano, com duas composições do paulista (de Jacareí) José Maria de Abreu (1911-1966). No lado A, matriz 2030, o samba (estruturalmente um samba-canção) “Não me pergunte”, parceria de Abreu com outro consagrado nome da MPB, Jair Amorim. No verso, matriz 2031, a toada “Você de mim não tem dó”, de Abreu sozinho. O outro é o de número 16086, abrindo com outra composição de José Maria de Abreu, agora com a parceria de Alberto Ribeiro, a valsa “Chuva e vento”, matriz 2121. Alberto também assina, em parceria com Osvaldo Sá, a música do lado B, matriz 2120, o samba-canção “Tarde de maio”. Enfim, é tudo isso que apresentamos esta semana com Sílvio Caldas, e eu, particularmente, espero que ele volte a ser focalizado pelo GRB, dada a extensa bagagem fonográfica que deixou registrada em cera. Ouçam esta seleção e irão concordar comigo: ela nos dá aquele irresistível gostinho de quero-mais!
Texto Samuel Machado Filho