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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Carnaval (parte C) - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 152 (2020)



Ó abre alas que o Grand Record Brazil quer passar! Neste volume, o de número 152, estamos iniciando uma série dedicada ao carnaval, trazendo de volta muitas gravações hoje raras, todas elas de marchas ou marchinhas. Abrindo esta seleção, temos “Lá vai ela”, do carnaval de 1937, de autoria de Jararaca e Vicente Paiva, interpretada pelo próprio Jararaca, acompanhado de sue conjunto. Gravação Odeon de 12 de dezembro de 36 (um sábado!), lançada um mês antes da folia, em janeiro, sob número 11449-B, matriz 5498. Em seguida, temos Dircinha Batista, então na plenitude de seus treze anos de idade, interpretando “Pirata”, da parceria João de Barro (Braguinha)-Alberto Ribeiro, acompanhada pela orquestra Diabos do Céu, de Pixinguinha, sucesso no carnaval de 1936. Gravação Victor de 15 de janeiro desse ano, uma quarta-feira, lançada em cima da folia, em fevereiro, com o número  34030-B, matriz 80087. Dircinha também cantou a música, vestida de pirata, no filme “Alô, alô, carnaval”, da Cinédia. Na faixa 3, Nélson Gonçalves interpreta outro sucesso, este do carnaval de 1950: “Serpentina”, de Haroldo Lobo e David Nasser. Gravação RCA Victor de 9 de outubro de 49 (um domingo!), lançada um mês antes da folia, em janeiro, sob número 80-0630-A, matriz S-078948. Na faixa 4, volta Dircinha Batista, desta vez cantando “Na casa do seu Thomaz”, sucesso do carnaval de 1939, de autoria de J. Cascata e Nássara. Gravação Odeon de 24 de novembro de 38, uma quinta-feira, lançada bem em cima da folia, em fevereiro, sob número 11689-A, matriz 5977. Na faixa 5, Odete Amaral, “a voz tropical do Brasil”, interpreta “Pavãozinho dourado”, de Roberto Cunha (jogador de futebol que participou da Copa do Mundo de 1938), que obteve boa aceitação na folia de 1940. Gravação Victor de 24 de outubro de 39, uma terça-feira, lançada ainda em dezembro com o número 34537-A, matriz 33199. Na faixa 6, Mário Reis, acompanhado pelos Diabos do Céu,  interpreta “Linda Mimi”, composição de João de Barro (Braguinha)sem parceiro, que Mário também cantou no filme “Estudantes”. Gravação Victor de 26 de junho de 1935, uma quarta-feira, lançada em agosto do mesmo ano com o número 33957-B, matriz 79942. Seu sucesso chegaria ao carnaval de 1936. Na faixa 7, Newton Teixeira, o inspirado compositor de “A deusa da minha rua” e “Malmequer”, entre outras, canta, acompanhado pelo regional do flautista Benedito Lacerda,  “Quando eu for bem velhinho”, sucesso do carnaval de 1940, de autoria de Lupicínio Rodrigues (que não fazia apenas sambas-canções e também era de carnaval) e Felisberto Martins. Gravação Odeon de 30 de novembro de 39, uma quinta-feira, lançada um mês antes da folia, em janeiro, com o número 11822-A, matriz 6284. Em seguida, temos a presença de Patrício Teixeira, cantor, violonista e também professor de violão, em duas faixas. Primeiramente, “Diabo sem rabo”, de Haroldo Lobo e Mílton de Oliveira, do carnaval de 1938, que teve problemas com a censura na época, e motivou uma segunda gravação (matriz 80678-3), com letra menos explícita que a desta primeira versão, gravada na Victor em 4 de janeiro de 38, uma terça-feira, e lançada bem em cima da folia, em fevereiro, com o número 34289-A, matriz 80678-1. No acompanhamento, a orquestra Diabos do Céu, de Pixinguinha. Patrício ainda canta “Pele vermelha”, também de Haroldo Lobo e Mílton de Oliveira, do carnaval de 1940. Gravação também da Victor, de 9 de outubro de 39, uma segunda-feira, lançada ainda em dezembro com o número 34528-A, matriz 33177. Cyro Monteiro, “o cantor das mil e uma fãs”, aqui comparece com “Morena brasileira”, de Nélson Trigueiro e Miguel Lima, do carnaval de 1941. Gravação Victor de 14 de novembro de 40, uma quinta-feira, lançada ainda em dezembro sob número 34691-B, matriz 52050. Sílvio Caldas, “o caboclinho querido”, interpreta “Seu Gaspar”, de Hervê Cordovil sem parceiro, do carnaval de 1938, acompanhado por Napoleão Tavares e seus Soldados Musicais. Gravação Odeon de 13 de dezembro de 37, uma segunda-feira, lançada bem em cima da folia, em fevereiro, com o número 11574-A, matriz 5734. Na faixa 12, volta Nélson Gonçalves, desta vez cantando “Princesa de Bagdá”, sucesso do carnaval de 1948, e, assim como “Serpentina”, também de Haroldo Lobo e David Nasser. Gravação RCA Victor de 27 de outubro de 47, uma segunda-feira, lançada ainda em dezembro com o número 80-0560-A, matriz S-078804. Aracy de Almeida, a dama da Central (e do Encantado), vem em seguida, interpretando “Papagaio”, de J. Piedade e Sá Roris, do carnaval de 1940. Gravação Victor de 20 de outubro de 39, uma sexta-feira, lançada um mês antes da folia, em janeiro, com o número 34539-A, matriz 33196. Para finalizar, temos Joel e Gaúcho, “os irmãos gêmeos da voz”, apresentando “Mulata (Rainha do meu carnaval)”, de Hildebrando Pereira Matos e Felisberto Martins, acompanhados por Abel  e sua Orquestra, do carnaval de 1946 (que caiu em março).  Gravação Odeon de 17 de dezembro de 45, lançada um mês antes  da folia, em fevereiro, com o número 12666-A, matriz 7965 (há uma reedição posterior, com o número 12977-A). No próximo volume, teremos mais marchinhas de carnaval dos bons tempos. Até lá! 

 lá vai ela - jararaca
pirata - dircinha batista
serpetina - nelson gonçalves
na casa do seu thomaz - dircinha batista
pavãozinho dourado - odete amaral
linda mimi - mario reis
quando eu for bem velhinho - newton teixeira
diabo sem rabo - patrício teixeira
pele vermelha - patrício teixeira
morena brasileira - ciro monteiro
seu gaspar - sylvio caldas
princesa de bagdá - nelson gonçalves
papagaio - aracy de almeida
mulata rainha do meu carnaval - joel e gaucho



*Texto de Samuel Machado Filho

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A Música De Lupcínio Rodrigues - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 117 (2014)



Esta semana o Grand Record Brazil prossegue a retrospectiva dedicada à obra de Lupicínio Rodrigues (1914-1974), por certo o maior nome que o Rio Grande do Sul deu à nossa música popular. Depois de apresentarmos o próprio Lupi interpretando suas composições, temos agora catorze preciosas gravações de suas obras nas vozes de intérpretes diversos, a maior parte sambas e sambas-canções.
Para começar, temos o próprio Lupicínio interpretando “Sombras”, faixa que é o lado B do disco Star 353, editado em maio-junho de 1952 no álbum “Roteiro de um boêmio”. Eram quatro discos 78 embalados em capa especial, expediente às vezes comum nessa época, em que o LP estava em processo de implantação, e apenas começava a ser fabricado entre nós. Na faixa seguinte é “Triste história”, parceria de Lupi com Alcides Gonçalves, por este último interpretada,  gravação Victor de 3 de agosto de 1936, lançada em setembro do mesmo ano, disco 34089-B (o primeiro com gravações de músicas de Lupicínio), matriz 80188, samba que, por sinal, venceu, um ano antes, um concurso realizado em Porto Alegre por ocasião do centenário da Revolução Farroupilha (os autores abiscoitaram dois contos de réis).  Em seguida,o samba-canção “Divórcio”, só de Lupicínio,por ele composto numa ocasião em que o assunto estava na pauta das discussões, interpretado por João Dias, cantor que Francisco Alves indicara para sucedê-lo, dada a semelhança vocal. Gravação Odeon de 29 de janeiro de 1952,lançada em agosto do mesmo ano (um mês antes da trágica morte de Chico Viola em desastre automotivo),  sob n.o 13306-A, matriz 9233. O clássico “Vingança”, também só de Lupicínio, é a faixa seguinte, na gravação original do Trio de Ouro, então em sua segunda fase,  com Noemi Cavalcanti no lugar de Dalva de Oliveira, que se separara do fundador do grupo, Herivelto Martins, e mantendo Nilo Chagas (ainda que já tivesse divergências com Herivelto).  Gravado na RCA Victor em 10 de abril de 1951 e lançado em junho seguinte sob n.o 80-0776-B,matriz S-092932, “Vingança”, porém, teve sucesso muito maior posteriormente, na voz de Linda Batista, que fez da música um clássico, deixando este registro original esquecido. Ainda assim, o trazemos aqui para reavaliação.  O “rei do samba de breque”, Moreira da Silva, também mostrava algumas vezes sua faceta sentimental e romântica,como aqui, interpretando “Meu pecado”, parceria de Lupicínio com Felisberto Martins. Gravação Odeon de 3 de outubro de 1944,lançada em novembro do mesmo ano, disco 12516-B, matriz 7572. Na faixa seguinte, o primeiro grande hit nacional de Lupicínio como autor, e outra parceria com Felisberto Martins: o samba “Se acaso você chegasse”,verdadeiro clássico do gênero, que também projetou seu intérprete, o grande Cyro Monteiro.  Ele imortalizou esta obra-prima na Victor em 19 de julho de 1938, com lançamento em setembnro seguinte, sob n.o 34360-A, matriz 80844. Tocou até em um filme americano chamado ”Dançarina loira” e, em 1959, projetaria também a cantora Elza Soares.  A eterna “personalíssima”, Isaura Garcia, aqui comparece com “Eu não sou louco”, samba que Lupicínio fez com Evaldo Ruy, visando o carnaval de 1950. Foi gravado na RCA Victor em 14 de novembro de 49, e saiu um mês antes da folia, em janeiro, com o n.o 80-0625-B, matriz S-078984. Orlando Silva,o sempre lembrado “cantor das multidões”, vem com outro sucesso: “Brasa”,que Lupi compôs ao testemunhar as brigas domésticas de seu  irmão Francisco com a esposa, na ocasião em que residiu com eles. Novamente com a parceria de Felisberto Martins, foi imortalizado por Orlando na Odeon em  9 de março de 1945, e lançado em abril do mesmo ano,disco 12571-A, matriz 7772. Onofre Pontes é o parceiro do nosso Lupicínio em “Amigo ciúme”, lançado pela Copacabana em março de 1957, na voz da grande Sapoti, Ângela Maria, disco 5739-B, matriz M-1634. Felisberto Martins volta a ser parceiro de Lupicínio em “Feiticeira”. Afinal, Lupi era gastrônomo e cozinheiro de mão cheia, e as mulheres sabiam que o caminho para o seu coração também passava por uma boa mesa. Gravação de Homero Marques, lançada em 1952 pela Elite Special (coligada da Odeon), disco N-1081-A, matriz MIB-1131. “Quem há de dizer”, parceria de Lupicínio com Alcides Gonçalves, é outro clássico do samba-canção e da dor de cotovelo.  Alcides, nessa época, era pianista em casas noturnas portoalegrenses, e,  enquanto tocava, de certa feita observava enciumado o assédio dos fregueses da Boate Marabá à sua namorada,Maria Helena, bailarina da casa, o mesmo acontecendo com Lupicínio em relação à sua escolhida. Era preciso esperá-las cumprir sua obrigação profissional, o cabaré terminar. Francisco Alves imortalizou a música (letra de Lupi, melodia de Alcides) na Odeon em 25 de maio de 1948, com lançamento em julho do mesmo ano, disco 12863-A, matriz 8369. “Ponta de lança”, de Lupi sem parceiro, foi gravado na mesma Odeon por Dircinha Batista em 7 de fevereiro de 1952, com lançamento em abril seguinte no lado B em que saiu o clássico “Nunca”, também de Lupi, disco 13244, matriz 9249, e obtendo igualmente sucesso, ainda que em menor proporção.  Caco Velho (Mateus Nunes), “o sambista infernal”, e protoalegrense como Lupicínio, assina com ele o samba “Que baixo!”, e o interpreta com toda a bossa que lhe era peculiar nesta gravação Continental de 9 de agosto de 1945, lançada em setembro do mesmo ano, disco 15416-A, matriz 1154.Para finalizar a seleção desta semana, homenageamos o time de futebol de coração do mestre Lupicínio Rodrigues, apresentando o “Hino do Grêmio”, por ele mesmo composto em 1953, em meio a uma greve no transporte público de sua Porto Alegre (daí o verso inicial, “Até a pé nós iremos para o que der e vier”).  Tal obra, porém, só seria gravada efetivamente em 1971, pela Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro (então Estado da Guanabara), para o LP de selo Continental “Hinos do futebol brasileiro”. É este registro que apresentamos nesta edição do GRB, merecendo (e com louvor) figurar como exceção à regra de apresentarmos apenas gravações em 78 rpm. Afinal, o retrato de Lupicínio está  na Galeria dos Gremistas Imortais, no salão nobre do clube. Divirtam-se e até a próxima! 

*Texto de Samuel Machado Filho

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

A Música de Ismael Silva Na Voz De... - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 86 (2014)



Chegamos à edição de número 86 do Grand Record Brazil, apresentando a terceira parte de nossa retrospectiva da obra do compositor Ismael Silva (1905-1978). São mais dezessete composições deste notável mestre do samba, cantadas por intérpretes diversos, inclusive ele mesmo. Para começar, temos um dos mais expressivos intérpretes da obra de Ismael, Mário Reis.  Ele interpreta aqui, como solista, as quatro primeiras faixas deste volume do GRB,  todas elas sambas e em gravações Odeon, a saber: “Novo amor”, de Ismael sem parceiro, gravação de 27 de fevereiro de 1929, lançada em abril do mesmo ano com o n.o 10357-A, matriz 2400; “Sofrer é da vida”, parceria de Ismael com Francisco Alves e Nílton Bastos, gravado em 28 de novembro de 1931 com vistas ao carnaval, mas só lançado em julho de 32 (deveria, pela lógica, ter saído em janeiro) com o n.o 10872-A, matriz 4375; “Ao romper da aurora”, parceria de Ismael e Francisco Alves com outro mestre, Lamartine Babo,  também do carnaval de 1932, disco 10881-A, matriz 4398; e “Uma jura que fiz”, da parceria de Ismael Silva com Noel Rosa e Francisco Alves, que Mário gravou em 12 de julho de 1932, disco 10928-A, matriz 4482. Na faixa seguinte, volta a dupla Francisco Alves-Mário Reis, de quem apresentamos alguns registros  na edição anterior, agora interpretando uma obra-prima do samba, “Arrependido”, da santíssima trindade Ismael Silva-Chico Viola-Nílton Bastos, gravação Odeon de 28 de fevereiro de 1931, lançada em abril do mesmo ano sob n.o 10780-A, matriz 4163 (em nosso volume anterior apareceu o outro lado, “O que será de mim?”).  Sílvio Caldas, o eterno “caboclinho querido”, aqui comparece com duas faixas assinadas exclusivamente por Ismael Silva, que gravou na Odeon em  14 de dezembro de 1934 com lançamento em fevereiro de 35 (claro que para o carnaval) sob n.o 11194, o samba ‘Agradeças a mim” (lado B, matriz 4974) e a marchinha “Cara feia é fome” (lado A, matriz 4972). Jonjoca (João de Freitas Ferreira) vem em seguida com outro samba só de Ismael, ‘Não te dou perdão”, lançado pela Odeon em fevereiro de 1930 para o carnaval, disco 10579-A, matriz 3366. J. B. de Carvalho,  que se converteu à umbanda e gravou por toda a carreira a música de sua religião (teve até terreiro e programa de rádio do gênero), aqui comparece com outro samba de Ismael Silva sem parceiro, “Com a vida que pediste a Deus”, gravação Odeon de 26 de outubro de 1939, lançada em janeiro de 40 para o carnaval, “of course”, sob n.o 11803-B, matriz 6237. “Fã”, outro samba de Ismael sem parceria, foi gravado na mesmíssima Odeon por Gilberto Alves em  14 de julho de 1942, com lançamento em setembro do mesmo ano sob n.o 12189-B, matriz 7015. Compositor e humorista de rádio, Silvino Neto, pai do comediante Paulo Silvino, aqui interpreta uma marchinha de Ismael Silva sem parceiro, “Boa boca”, gravada na Victor em 18 de fevereiro de 1941 e lançada bem em cima do carnaval de 42, em fevereiro, disco  34873-B, matriz S-052447. Nélson Gonçalves, o eterno “metralha do gogó de ouro”, vem com o samba “Não tenho queixa”, parceria de Ismael Silva com David Raw, gravação também da Victor, datada de  15 de dezembro de 1942 com lançamento bem cima do carnaval de 43, em fevereiro, disco  80-0050-A, matriz S-052678. Orlando Silva, o sempre lembrado “cantor das multidões”, comparece com um samba que Ismael fez com Roberto Roberti e Arlindo Marques Jr.,  “Se eu tiver que escolher”, gravação Odeon de 12 de dezembro de 1945, editada bem em cima do carnaval de 46, em fevereiro, sob n.o 12672-B, matriz 7958. A faixa seguinte é “Antonico”, samba com o qual Ismael Silva retornou às paradas de sucesso, depois de anos no ostracismo. Foi imortalizado na Odeon por Alcides Gerardi em 19 de janeiro de 1950, com lançamento em  abril do mesmo ano sob n.o 12993-B, matriz 8625. É um samba pungente que foge à linha tradicional do autor, pelo andamento um pouco mais lento (o personagem Nestor, de que fala a letra, é o próprio Ismael Silva, na época enfrentando problemas financeiros). Clássico inúmeras vezes regravado. Cyro “Formigão” Monteiro, “o cantor das mil e uma fãs”, comparece aqui com a marchinha “Eu sou um”, também de Ismael sem parceiro, do carnaval de 1940. Gravação Victor de 11 de outubro de 39, lançada ainda em dezembro sob n.o 34529-A, matriz 33184. O Ismael Silva intérprete dá as caras nesta seleção com seu samba “Me diga o teu nome”, lançado pela Odeon em dezembro de 31 (lógico, para o carnaval de 32) sob n.o 10858-A, matriz 4280. No selo original, Francisco Alves e Nílton Bastos aparecem como co-autores, mas, em regravações posteriores, só Ismael  aparece como autor deste samba. Conhecido como “a voz de dezoito quilates”, João Petra de Barros aqui interpreta outro samba só de Ismael, “Não é tanto assim”, gravação Odeon de 18 de dezembro de 1933, lançada em janeiro de 34 para o carnaval, disco 11089-B, matriz 4771, finalizando a terceira parte de nossa retrospectiva.   Enfim, mais uma contribuição do GRB à preservação de nossa memória musical. Até a semana que vem!  


*Texto de Samuel Machado Filho

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Cyro Monteiro - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - parte 2 - Vol.67 (2013)


 “Uma criatura de qualidades tão raras que eu acho improvável qualquer de seus amigos não se haver dito, num dia de humildade, que gostaria de ser Cyro Monteiro. Pois Cyro, pra lá do cantor e do homem excepcional, é um grande abraço em toda a humanidade”. Foi assim que o eterno Poetinha Vinícius de Moraes (1913-1980) se referiu ao “Formigão”, ou ainda “o cantor das mil e uma fãs”, na contracapa do LP “Senhor samba”, lançado em 1961 pela Columbia, hoje Sony Music.  Coincidentemente, estamos comemorando neste 2013 o centenário de ambos, Vinícius e Cyro.
E é com muita alegria e prazer que o GRB traz a segunda parte da retrospectiva que iniciamos semana passada, em comemoração ao centenário do nascimento de Cyro Monteiro.  Desta feita, apresentamos mais 16 preciosos e históricos fonogramas, todos da RCA Victor,  incluindo clássicos de seu repertório, e por tabela, da própria MPB.
Pois, mais uma vez, Cyro está aqui muitíssimo bem servido, apresentando composições de alguns dos monstros sagrados do samba nessa época. Caso, por exemplo, de Wilson Batista (outro cujo centenário estamos comemorando neste 2013).  Ele assina com mestre Ataulfo Alves de Miraí a faixa de abertura de nossa seleção da semana, “Você é o meu xodó”, gravação de 5 de junho de 1941 lançada em agosto do mesmo ano, disco 34781-B, matriz S-052235. Temos em seguida “Você está sumindo”, de Geraldo Pereira  (de quem Cyro foi assíduo freguês) e Jorge de Castro, gravado em 2 de abril de 1943 e lançado em junho do mesmo ano sob n.o 80-0085-A, matriz S-052742. De Alcides Rosa e Djalma Mafra  é “Abriu-se o pano”, gravação de 22 de janeiro de 1946, lançada em abril seguinte com o n.o 80-0389-A, matriz S-078417. “A mulher que eu gosto”, de Wilson Batista e Cyro de Souza, é um clássico do repertório do “Formigão”, que o imortalizou em 28 de março de 1941, com lançamento em junho desse ano sob n.o 34745-A, matriz 52164. Wilson assina depois, mais uma vez com mestre Ataulfo, “Mania da falecida”,  registro de 30 de maio de 1939, lançado em agosto com o n.o 34470-A, matriz 33077. Em seguida vem um clássico dos clássicos do samba brasileiro: “Falsa baiana”, obra-prima de Geraldo Pereira, em gravação de 3 de abril de 1944, lançada em junho seguinte sob n.o 80-0181-A, matriz S-052940. Obrigatório na lista dos maiores sambas de todos os tempos, foi inspirado na fantasia de baiana que a esposa do compositor Roberto Martins usava no carnaval do ano anterior, 1943. Ela não sabia sambar, e estava longe de ser uma baiana cem por cento. Foi o que levou Geraldo Pereira a fazer este clássico, inicialmente oferecido a Roberto Paiva, que não quis gravá-lo, estranhando seu ritmo “quebrado”. Azar dele, porque com Cyro Monteiro estourou! Tem várias regravações, inclusive de João Gilberto e Gal Costa. Geraldo assina, em parceria com Príncipe Pretinho (autor de outro samba clássico, “Só pra chatear”), a faixa seguinte, “Voltei  mas era tarde”, gravação do “Formigão” em 13 de setembro de 1944 lançada em novembro seguinte com o n.o 80-0228-B, matriz S-078053. Outro grande nome do samba, Ismael Silva (1905-1978), responsável por clássicos como “Se você jurar”, “Novo amor”, “Arrependido” e “Antonico”, assina aqui “Não vá atrás de ninguém”, gravação de 3 de setembro de 1941, lançada em novembro desse ano com o n.o 34822-B, matriz S-052346. Ernâni Alvarenga, conhecido como “o samba falado da Portela”, assina com Jardel Noronha “Linda Iaiá”, que o “Formigão” irá imortalizar no dia 14 de agosto de 1940, e será lançado em outubro do mesmo ano com o n.o 34666-A, matriz 33486. Cyro volta a interpretar Ismael Silva na próxima faixa, “Eu sou um”, que, como exceção ao repertório essencialmente sambístico desta edição, é uma marchinha, visando o carnaval de 1940, gravação de 11 de outubro de 39 lançada ainda em dezembro, disco 34529-A, matriz 33184. Ainda no setor carnavalesco, e voltando ao samba, temos “Golpe errado”, do trio Geraldo Pereira-Cristóvão de Alencar (o “amigo velho”)-David Nasser, da folia momesca de 1946, gravado em 4 de novembro de 45 e editado bem em cima dos festejos, em fevereiro, sob n.o 80-0383-A, matriz S-078405. Em seguida outro inesquecível clássico da parceria Ataulfo Alves-Wilson Batista: “O bonde São Januário”, hit absoluto no carnaval de 1941, gravado em 18 de outubro de 40 e lançado ainda em dezembro sob n.o  34691-A, matriz 52022. Foi inclusive o samba vencedor do concurso oficial de músicas carnavalescas promovido pelo DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), da ditadura getulista, superando até mesmo “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, inscrito por motivos políticos. Até uma paródia foi feita ironizando os torcedores do Vasco; “O bonde São Januário/ leva um português otário/ pra ver o Vasco apanhar”..., Logo depois, Geraldo Pereira e Ari Monteiro assinam “Ai, mãezinha”, gravação de 28 de maio de 1946, lançada em setembro do mesmo ano com o n.o  80-0437-A, matriz S-078529. De Geraldo é também, parceria com J. Portela, “Até hoje não voltou”, gravado por Cyro na mesma sessão, matriz S-078530, sendo o lado B de “Ai, mãezinha”. Numa prova de que estava mesmo com a corda toda nessa época, Geraldo Pereira assina com Elpídio Viana outro clássico do samba, “Pisei num despacho”, que o “Formigão” imortaliza em 17 de abril de 1947 com lançamento em junho seguinte sob n.o 80-0518-A, matriz S-078745. É outra peça que tem regravações aos cachos, com destaque para as de Roberto Silva e Jackson do Pandeiro. E, para encerrar este autêntico show de criações do grande Cyro Monteiro, Wilson Batista e Germano Augusto assinam “Tá maluca”, gravação de 10 de maio de 1940, lançada em julho com o n.o 34627-B, matriz 33428. Esta é a justíssima homenagem do GRB ao grande Cyro Monteiro, para sempre um monstro sagrado do samba e da música popular brasileira! 

* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Cyro Monteiro - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 66 (2013)

Esta semana, em sua sexagésima-sexta edição, o Grand Record Brasil apresenta a primeira de duas partes de uma retrospectiva dedicada a um dos maiores cantores que o Brasil já teve, e cujo centenário de nascimento comemoramos neste 2013: Cyro Monteiro, o “Formigão” (apelido que lhe foi dado pelo compositor Eratóstenes Frazão), também conhecido como “o cantor das mil e uma fãs”.  
Sobrinho do pianista Nonô (Romualdo Peixoto), o “Paderevsky do samba” e, por  tabela, primo de Cauby Peixoto, Cyro Monteiro era carioca da gema, nascido no subúrbio do Rocha em  28 de maio de 1913, em uma família de nove irmãos, todos com nomes começados com a letra C! O pai de Cyro era dentista, capitão do Exército e funcionário público. O futuro astro passou a infância e a juventude em Niterói, litoral fluminense, para onde se mudou com a família quando tinha só dois anos de idade. Fez seus estudos no Grupo Escolar Alberto Brandão, na Escola Profissional Washington Luiz e no Instituto de Humanidades. Costumava cantar informalmente para os amigos, no conforto de seu sacrossanto lar, doce lar, e em festas, acompanhado do irmão Careno, até que um dia, em 1933, Sílvio Caldas, que frequentava sua casa, chamou-o para substituir Luiz Barbosa, com quem cantava em dupla, em um programa da Rádio Educadora. Um ano depois, Cyro foi contratado pela Rádio Mayrink Veiga, escalado de início para um programa diurno mas logo subindo para os noturnos, marcando o ritmo com sua indefectível caixa de fósforos, assim como Luiz Barbosa fazia com o chapéu de palha.
 Grava seu primeiro disco na Odeon, para o carnaval de 1936, com dois sambas que na tiveram muito sucesso, até porque o ano  foi concorridíssimo: “Vê se desguia” e “Perdoa”. Um ano depois, grava dois discos particulares na RCA Victor, por encomenda, a fim de promover a tradicional Festa da Uva de Jundiaí, SP.  E finalmente, em 1938, vem o primeiro grande sucesso, com um clássico do samba: “Se acaso você chegasse”, de Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins, seu primeiro disco comercial na marca do cachorrinho Nipper. E esse foi o pontapé inicial para inúmeros outros hits inesquecíveis:” Os quindins de Iaiá”, “Falsa baiana”, “Deus me perdoe”, “Oh! Seu Oscar”, “Botões de laranjeira”, “Beija-me”, “A mulher que eu gosto”, “O bonde São Januário”, “Boogie-woogie na favela”, “O que se leva dessa vida”, “Escurinho”, “Quatro loucos num samba”, “Tem que rebolar” (dueto com Mariúza), e muitos, muitos mais.
Cyro foi casado com a cantora Odete Amaral (“a voz tropical do Brasil”), com quem teve um filho, dela separando-se em 1949. Além da voz, do ritmo e da  capacidade de modular e improvisar, ele também sabia fazer amigos, com seu calor humano e bondade infinitos. Em 1956, participou, como ator, da peça “Orfeu da Conceição”, de Vinícius de Moraes com música de Tom Jobim, interpretando o personagem Apolo. Na fase áurea da TV Record de São Paulo, era cadeira cativa no programa “Bossaudade”, apresentado por Elizeth Cardoso.  Gravou também vários LPs, o último deles ao lado de Jorge Veiga,  em 1971, “De leve”. Torcedor convicto do Flamengo, de quem torcedores de outros clubes também gostavam, certa vez mandou de presente para a recém-nascida filha de Chico Buarque e Marieta Severo, Sílvia (hoje atriz), então residentes na Itália, uma camisa do Flamengo. Chico, que sempre torceu para o Fluminense, respondeu de forma bem-humorada com a música “Ilmo. Sr. Cyro Monteiro ou Receita para virar casaca de neném”.
Cyro Monteiro faleceu no dia 13 de julho de 1973, em seu Rio de Janeiro natal, aos 60 anos de idade. Seu corpo foi sepultado no Cemitério São João Batista, ao som do hino do Flamengo, cantado pela torcida jovem do clube, com o caixão coberto com a bandeira do mesmo e também com a de sua escola de samba de coração,  a Mangueira.
Começamos, então, a relembrar o grande “Formigão”, apresentando  treze joias de seu repertório, todas em gravações RCA Victor.  A presente seleção inclui os primeiros sambas gravados do mestre Nélson Cavaquinho (1911-1986), lançados justamente por Cyro, a saber:  “Apresenta-me aquela mulher” (faixa 12), parceria com Augusto Garcez e G. de Oliveira, gravação de 25 de maio de 1943, lançada em setembro seguinte com o n.o 80-0107-B, matriz S-052779, “Não te dói a consciência” (faixa 11), parceria de Nélson e Augusto Garcez com Ari Monteiro, também de 1943, gravada a 6 de julho com lançamento em outubro sob n.o 80-0119-B, matriz S-052799, “Aquele bilhetinho’ (faixa 6), também de Nélson e Garcez mais Arnô Canegal, gravado em 13 de abril de 1945 e lançado em maio seguinte com o n.o  80-0282-A, matriz S-078154, e, por fim, o clássico “Rugas” (faixa 3), outra parceria do poeta Nélson com Augusto Garcez e Ari Monteiro, gravação de 21 de março de 1946 lançada em maio seguinte com o n.o 80-0406-A, matriz S-078450. De Alvaiade (Oswaldo dos Santos, 1913-1981) Cyro nos apresenta quatro sambas: “A saudade me devora” (faixa de abertura desta seleção), parceria com Djalma Mafra, gravado em 25 de janeiro de 1945 e lançado em abril do mesmo ano com o n.o 80-0264-B, matriz S-078121, “Meu trabalho” (faixa 7), parceria com Alberto Maia, gravado em 17 de abril de 1947 e lançado em agosto seguinte com o n.o 80-0529-B, matriz S-078746, “Pensando no futuro” (faixa 8), outra parceria de Alvaiade com Djalma Mafra, gravação de 10 de maio de 1944 lançada em julho do mesmo ano com o n.o 80-0193-B, matriz S-052961, e “Aliança de casada” (faixa 10), outra parceria de Alvaiade com Alberto Maia, gravação de 17 de julho de 1946 lançada em outubro seguinte, disco 80-0456-A, matriz S-078563. Geraldo Pereira (1918-1955), que deu a Cyro Monteiro o clássico “Falsa baiana”,  aqui comparece com outros dois sambas, ambos em parceria com Augusto Garcez:  “Acabou a sopa” (faixa 2), gravação de 11 de setembro de 1940 lançada em novembro do mesmo ano, disco 34671-B, matriz 33499, e “Ela não teve paciência” (faixa 4), gravado em 24 de junho de 1941 e lançado em setembro do mesmo ano sob n.o 34800-A, matriz S-052251. Djalma Mafra (c.1900-1974) também assina outras três composições nesta seleção:  o samba “Domine a sua paixão”  (faixa 5), parceria com João Bastos Filho, que o “Formigão” grava na marca do cachorrinho Nipper em 10 de maio de 1943 com lançamento em  julho seguinte sob n.o 80-0098-A, matriz S-052770, a batucada “Tire a mão do meu bolso” (com Nicola Bruni, faixa 9), gravação de Cyro a 13 de dezembro de 1943 lançada bem em cima do carnaval de 44, em fevereiro, disco 80-0163-A, matriz S-052906, e a faixa de encerramento desta primeira parte, a marchinha “Op op op”, do carnaval de 1947, parceria com Ari Monteiro, gravação de 26 de outubro de 46 que a Victor lançará ainda em dezembro, sob n.o 80-0480-B, matriz S-078612. É o que o GRB oferece com muito prazer e alegria para comemorar o centenário de nascimento do eterno “Formigão”, com o compromisso de retornar com mais Cyro Monteiro na próxima semana. Encontro marcado! 


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quarta-feira, 29 de maio de 2013

Cyro Monteiro - 100 Anos - Coletânea Comemorativa Toque Musical (2013)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Ontem, dia 28, eu por descuido, deixei passar em branco a comemoração de centenário de Cyro Monteiro. Se estivesse vivo, estaria completando 100 anos. Como foi dito por alguns, nesta data poucos foram aqueles que lembraram do grande artista. Afinal, Cyro Monteiro não foi apenas mais um cantor de samba. Muito aliás, foi cantor e compositor. Teve uma atuação marcante na música popular brasileira, sendo responsável por inúmeros sambas de sucessos, que se tornaram clássicos.
Para celebrar este centenário, montei aqui agora, meio às pressas, essa coletânea, trazendo doze momentos ainda da fase do bolachão. Cyro Monteiro até merecia mais, uma coletânea de peso, equivalente a um álbum triplo. Mas para que tenhamos em outras oportunidades novas postagens com o artista, vou limitando a seleção, que por certo irá agradar. Vamos conferir?

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Nelson Cavaquinho - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - vol. 46 (2012)

Em sua edição de número 46, o Grand Record Brazil reverencia um dos maiores sambistas que o Brasil já teve: o carioca e mangueirense Nélson Antônio da Silva, que ganhou a imortalidade com o pseudônimo de Nélson Cavaquinho (1911-2002). Filho de músico da Banda da Polícia Militar e sobrinho de violinista, Nélson deixou um acervo de mais de quatrocentas composições, com letras quase sempre remetendo a temas como o violão, mulheres, botequins e em especial a morte. Entre suas músicas mais conhecidas estão “Rugas”, “A flor e o espinho”, “Quando eu me chamar saudade”, “Juízo final”, “Luz negra”, “Pranto de poeta”, “Cuidado com a outra” e “Degraus da vida”.
 A seleção aqui contida reúne 14 preciosas gravações, todas elas sambas, e foi feita pelo blog Coisa da Antiga, do grande Ary do Baralho. Ciro Monteiro aqui comparece com quatro gravações Victor: “Apresenta-me aquela mulher”, parceria de Nélson com Augusto Garcez e G. de Oliveira, de 25 de maio de 1943, lançada em setembro do mesmo ano (80-0107-B, matriz S-052779), “Não te dói a consciência”, em que Nélson Cavaquinho tem a parceria também de Augusto Garcez mais Ari Monteiro, também de 1943, gravada em 6 de julho daquele ano com lançamento em outubro (80-0119-B, matriz S-052799), “Aquele bilhetinho”, que Nélson e Garcez assinam com Arnô Canegal, de 13 de abril de 1945, lançada em maio seguinte (80-0282-A, matriz S-078154), e por fim o clássico “Rugas”, da mesma tríade de “Apresenta aquela mulher”, gravado pelo “Formigão” em 21 de março de 1946 e lançada em maio do mesmo ano (80-0406-A, matriz S-078450). “Rugas” tem vários registros posteriores, entre eles os de Roberto Silva, Jair Rodrigues e Luiz Cláudio. Em “O fruto da maldade”, Nélson Cavaquinho tem a parceria de César Brasil, e o lançamento deu-se pela Continental, na voz de Jorge Veiga, entre julho e setembro de 1951, disco 16434-B, matriz 2632. “Minha fama”, parceria de Nélson com Magno de Oliveira, foi gravado na Odeon por Risadinha, em 4 de setembro de 1952, mas só saiu em junho de 53 com o n.o 13455-B, matriz 9413. Do carnaval de 1954, “Amor que morreu”, parceria de Nélson Cavaquinho com Roldão Lima e Gilberto Teixeira, foi gravado por Elizeth Cardoso na Todamérica em 12 de novembro de 53 e lançado ainda em novembro (TA-5380-B, matriz TA-591). E Elizeth seria mais tarde uma das mais assíduas divulgadoras da obra de Nélson. Da parceria dele com César Brasil também é “Não brigo mais”, gravado também na Todamérica por Vítor Bacelar (Salvador, BA, 1911-Rio de Janeiro, 2005) em 23 de agosto de 1954, com lançamento em setembro seguinte (TA-5471-B, matriz TA-723), visando a folia de 55. Em seguida uma curiosa incursão de Nélson pelo samba-canção, em parceria com Guilherme de Brito: “Garça”, com Ruth Amaral (também compositora e intérprete de marchinhas carnavalescas), lançado pela Columbia em agosto de 1955, disco CB-10192-A, matriz CBO-547. Ruth também interpreta “Cinzas”, dos mesmos autores mais Renato Gaetani, que a mesma Columbia lançou em novembro de 55, sob n.o CB-10210-A, matriz CBO-584. Foi também incluída a gravação de Nerino Silva, que a Chantecler lançou em janeiro de 1963, disco 78-0677-B, matriz C8P-1354, e depois incluída no LP “Arroz de festa”. Em seguida, Nélson assina com seu inseparável parceiro Guilherme de Brito o samba “Palavras malditas”, gravado na Todamérica por Ary Cordovil em 6 de setembro de 1957, disco TA-5724-B, matriz TA-100091, visando o carnaval de 58, e que foi regravado por Beth Carvalho em 2011, no CD “Nosso samba tá na rua”. O mesmo Ary Cordovil canta “Cheiro de vela”, de Nélson com José Ribeiro, em gravação do extinto selo Vila, disco 10003-A, que o Instituto Memória Musical Brasileira diz ser de 1961. E o cantor Orlando Gil encerra nossa seleção com “Negaste um cigarro”, parceria de Nélson Cavaquinho com José Batista, gravação de 1962 para outro selo extinto, o Albatroz, disco A-121-B. É a homenagem do Coisa da Antiga e do Toque Musical, através do GRB, a este grande compositor e poeta que foi Nélson Cavaquinho!
Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.




segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Vários Cantores - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 41 (2012)

E chegamos à quadragésima-primeira edição do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil. Desta vez, apresentamos uma seleção de sambas, do acervo do blog Coisa da Antiga (http://coisadaantiga.blogspot.com.br), pertencente ao grande Ary do Baralho, dono de um autêntico tesouro do gênero, cheio de raridades absolutas. A você, Ary, os nossos mais sinceros agradecimentos. 
Esta seleção, com doze preciosas gravações, dá bem uma ideia do que o Ary tem no Coisa da Antiga, autênticas joias do samba. E começamos com o carioca Moreira da Silva (1902-2000), o eterno rei do samba de breque, de vida (98 anos) e carreira lôngevas. O eterno Kid Morenguera se faz presente através do disco Columbia 22165, lançado em dezembro de 1932, com vistas ao carnaval de 33. A faixa de abertura, matriz 381362, apresenta este que foi o primeiro grande sucesso do Moreira: “Arrasta a sandália”, de Aurélio Gomes e Osvaldo Vasques, este último conhecido como Baiaco (Rio de Janeiro, c.1913-idem, c.1935), ritmista e um dos fundadores da primeira escola de samba, a Deixa Falar, no bairro carioca do Estácio. Entoado num esquema pergunta-resposta típico do partido alto, caiu no agrado popular e tornou-se um clássico. No verso, matriz 381363, outra composição do Baiaco, agora em parceria com Ventura: “Vejo lágrimas”.O acompanhmento neste disco é do grupo Gente do Morro, liderado por Benedito Lacerda, com sua flauta inconfundível. 
Patrício Teixeira (1893-1972) era também carioca, da Rua Senador Eusébio, no coração da lendária Praça Onze, autêntico reduto de sambistas e boêmios, e onde aconteciam os desfiles da escolas de samba cariocas até sua demolição, para dar lugar à Avenida Presidente Vargas. Cantor e violonista, também foi professor de violão, e entre suas alunas mais famosas estão Linda Batista, Aurora Miranda e as irmãs Danusa e Nara Leão. Dele apresentamos, inicialmente, outra composição de Osvaldo “Baiaco” Vasques, em parceria com o grande flautista Benedito Lacerda: “Tenho uma nêga”, gravação Victor de 14 de novembro de 1932, lançada em dezembro seguinte com o número 33600-B, matriz 65535, também para a folia de 1933. Em seguida, de Max Bulhões e Mílton de Oliveira, outro samba bastante conhecido: “Sabiá-laranjeira” (“ouvi teu cantar bem perto”...), de Max Bulhões e Mílton de Oliveira,  gravação Victor de 13 de maio de 1937, lançada em agosto seguinte com o número 34137-B, matriz 80404. Apesar de ser o outro lado do clássico “Não tenho lágrimas”, dos mesmos autores, este “Sabiá” também fez sucesso, e ambas as músicas seriam bastante cantadas no carnaval de 1938.
No disco seguinte, o Columbia 22238, de 1933, mais uma vez Osvaldo Vasques, o Baiaco, se faz presente, com dois sambas interpretados em dueto por Léo Vilar (futuro líder do conjunto vocal Anjos do Inferno) e Arnaldo Amaral (que também foi galã de cinema): de um lado, matriz 381527, “Rindo e chorando”, parceria de Baiaco com Bucy Moreira (1909-1982), neto da Tia Ciata, em cuja residência aconteciam rodas de samba na qual se reuniam autênticos bambas da MPB no início do século XX, como Pixinguinha, Donga e João da Baiana. Bucy também fundou uma escola de samba de nome pitoresco: Vê se Pode! No verso, matriz 381526, “Se passar da hora”, em que Baiaco tem a parceria de Boaventura dos Santos. 
Relembramos depois o grande Ciro Monteiro (1913-1973), o “cantor das mil e uma fãs”, também conhecido como “Formigão”, sem dúvida um dos maiores expoentes de nosso samba, com uma carreira repleta de sucessos. Ele comparece aqui com dois sambas de Djalma Mafra (Rio de Janeiro, c.1900-idem, 1974), gravados na Victor: “Obrigação”, parceria de Djalma com Alcides Rosa, registrado em 3 de maio de 1945 e lançado em julho seguinte sob n.o 80-0294-B, matriz S-078163, e “Oh seu Djalma”, parceria de Mafra com Raul Marques (1913-1991), gravado em 13 de outubro de 1943 e lançado em dezembro seguinte com o n.o 80-0138-A, matriz S-052856.
Apresentamos em seguida duas composições de Geraldo Pereira (Juiz de Fora, MG, 1918-Rio de Janeiro, 1955), responsável por clássicos como “Falsa baiana”, “Sem compromisso”, “Escurinha” e “Escurinho”, interpretadas por Roberto Paiva (pseudônimo de Helim Silveira Neves). Primeiro, “Se você sair chorando”, de Geraldo com Nélson Teixeira, gravação Odeon de 26 de setembro de 1939, lançada em novembro seguinte com o n.o 11788-B, matriz 6206, visando ao carnaval de 1940. Depois Roberto canta “Tenha santa paciência”, parceria de Geraldo com Augusto Garcez, em gravação Victor de 6 de março de 1942, lançada em maio seguinte, disco 34923-A, matriz S-052489.
Para encerrar, o notável Otávio Henrique de Oliveira, aliás, Blecaute (Espírito Santo do Pinhal, SP, 1919-Rio de Janeiro, 1963), detentor de inúmeros êxitos no meio de ano e no carnaval (quem nunca cantou “Maria Candelária”, “General da banda”, “Papai Adão”, “Pedreiro Valdemar” e tantas outras?), e que recebeu esse apelido do Capitão Furtado (Ariowaldo Pires), por causa dos blecautes (apagões) que havia em toda a orla marítima do Brasil na época da Segunda Guerra Mundial durante a noite, a fim de evitar ataques inimigos. Blecaute aqui comparece com dois clássicos de Geraldo Pereira, gravados na Continental: Primeiro o delicioso “Chegou a bonitona”, de Geraldo com José Batista, gravado em 11 de agosto de 1948, com lançamento entre outubro e dezembro do mesmo ano, disco 15954-A, matriz 1922. Depois outro clássico do Geraldo Pereira, agora em parceria com Arnaldo Passos, o famoso “Que samba bom”, lançado em janeiro de 1949 para o carnaval daquele ano com o número 15981-B, matriz 2002. Um fecho realmente de ouro para esta sambística seleção do GRB, para enriquecer os acervos de muitos amigos cultos, ocultos e associados. E olha: pretendemos aproveitar muito mais coisas do blog Coisa da Antiga, pois o Ary do Baralho tem bastante coisa boa nele. Aguardem! 


Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.