Já em sua
edição de número 122, o Grand Record Brazil volta a oferecer significativa
parcela do rico acervo da chamada música sertaneja de raiz aos amigos cultos,
ocultos e associados do TM. Uma seleção de quinze preciosíssimas gravações, que
por certo farão a alegria dos apreciadores do gênero, especialmente aqueles que estão decepcionados
com o dito “sertanejo universitário”, que tanto tem infestado a mídia nos dias
correntes.
Abrindo esta seleção,
um representante da música regional nordestina, Zé do Norte (Alfredo Ricardo do
Nascimento, Cajazeiras, PB, 18/12/1908-idem, 2/10/1979). Ele nos apresenta aqui
uma bela toada que fez em parceria com José Martins, “Lua bonita”, por ele
mesmo interpretada no filme “O cangaceiro”, da Vera Cruz, êxito internacional
que, no entanto, não impediu a falência do estúdio, pois tal repercussão
beneficiou apenas sua distribuidora, a multinacional Columbia Pictures.
Gravação RCA Victor de 29 de janeiro de 1953, lançada em abril do mesmo ano,
disco 80-1100-B, matriz SB-093595. Conhecido como “a maravilha negra das
Américas”, Edson Lopes (c.1930-?) aqui nos oferece o jongo “Cafuné”, assinado
pelo campineiro Dênis Brean (Oswaldo Duarte Ribeiro) em parceria com Gilberto
Martins. Originalmente lançado por Aracy de Almeida, em 1955, é revivido aqui
por Edson em gravação Odeon de primeiro de fevereiro de 1957, lançada em maio
do mesmo ano, disco 14202-A, matriz 11543. Da escassa discografia da dupla
Coqueiro e Belinha (apenas cinco discos 78 com dez músicas), foi escalada a
guarânia “Lei de um mandamento”, de Coqueiro sem parceria. Foi gravada na Odeon em 13 de junho de 1960, e
lançada emjulho do memso ano, disco 14639-A, matriz 50567, sendo que a “marca
do templo” o reeditou mais tarde com o selo Orion, sob número R-072. Em seguida
apresentamos as faixas do único 78 da dupla Ibirama e Maruí, o RCA Camden
CAM-1092, gravado em 17 de outubro de 1961 e lançado em janeiro de 62,com
músicas assinadas por Pavãozinho. No lado A, matriz M3CAB-1508, o xote “Linda
gaúcha”, em que Pavãozinho tem a parceria de Sereno. No lado B, matriz
M3CAB-1509, a canção rancheira “Deixe eu sofrer”, de Pavãozinho sem
parceiro. O “trio orgulho do Brasil”,
Luizinho, Limeira e Zezinha, aqui bate ponto com o conhecidíssimo baião
“Casamento é uma gaiola”, de autoria do Compadre Generoso (muita gente se
lembra dessa música na voz do Sérgio Reis, e aqui vai o registro original) ,
por eles gravado na Odeon em 2 de abril de 1959 e lançado em junho do mesmo ano
sob número 14463-B, matriz 50108, sendo depois relançado com o selo Orion sob
número R-058, além de figurar em LP sem título.
A dupla Mariano e Cobrinha, ambos de Piracicaba, SP, apresentam aqui a
toada “Mágoas de carreiro”, de autoria do comediante e ventríloquo Batista
Júnior, pai das cantoras Linda e Dircinha Batista. Lançada em 1929 pelo próprio
autor, é aqui apresentada em gravação feita por Mariano e Cobrinha na
Continental em 6 de abril de 1948 e lançada em maio-junhoi do mesmo ano, disco
15902-B, matriz 10839. O próprio Batista Júnior, aliás, agradeceu pessoalmente
a dupla por esta regravação. Do único 78 da dupla Oswaldinho e Vieirinha, o RCA
Victor 80-1818, gravado em 25 de março de 1957 e lançado em julho do mesmo ano,
aqui está o lado B, a toada “Canção do tropeiro”, de exclusiva autoria de Vieirinha,
matriz 13-H2PB-0078. Temos em seguida, as faixas do único disco da dupla
feminina Chiquita e Chinita,o Columbia CB-10280, lançado em outubro de 1956,
ambas de autoria de Francisco Lacerda com parceiros, um em cada música. No lado
B, o valseado ‘Cavalinho pampa”, matriz CBO-821, o parceiro de Lacerda é
Ricardo Jardim, e no lado A, o tango “Parabéns, meu amor”, matriz CBO-820, o
co-autor é José Maffei. Outra dupla
feminina de discografia escassa (seis discos 78 com doze músicas, todos pela
Columbia), as Irmãs Cavalcanti (Noemi, que foi vocalista do Trio de Ouro em sua
segunda fase, e Odemi) aqui comparecem
com as faixas do disco de estreia, número CB-10029. No lado A, delas próprias,
matriz CBO-170, o baião “Lumiô, lumiô”, e no lado B, matriz CBO-171, a guarânia
“Ponta Porã”, de Pereirinha e Jamir da Silva Araújo. As Irmãs Maria (Thereza
Gadotti e Maria Aparecida Oliveira), também de curta carreira discográfica,
aqui apresentam o huapango “Por te querer”, de Piaozinho e Maria Aparecida
Oliveira, lançadopela Continental, selo Caboclo, em julho de 1961, disco
CS-457-A. Silveira e Barrinha, “a dupla
dos 22 Estados”, nos oferece a clássica moda campeira “Coração da pátria”, de
Silveira, Lourival dos Santos e Sebastião Victor, gravação RCA Camden de 25 de
maio de 1962, disco CAM-1133-A, matriz N3CAB-1712. E, encerrando esta seleção,
Zé Carreiro e Carreirinho, “os maiores violeiros do Brasil”, apresentam o
cururu clássico “Saudades de Araraquara”, de exclusiva autoria de Zé Carreiro,
gravado na Continental em 9 de maio de 1952 e lançado entre esse mês e junho do
mesmo ano, disco 16580-A, matriz 11381. Enfim, a mais autêntica música do
sertão brasileiro, para fazer a gente recordar, como diz meu colega de YouTube
Adalésio Vieira, “um tempo em que realmente havia música sertaneja”... Deliciem-se!
*Texto de Samuel Machado Filho