E chegamos à edição de número 119 do nosso Grand Record
Brazil, apresentando duas cantoras de diferentes estilos, mas ainda assim
bastante representativas.
A primeira delas é a
também vedete e atriz Elvira Pagã (Elvira Olivieiri Cozzolino, Itararé,SP, 6/9/1920-Rio de Janeiro,
8/5/2003), uma das personalidades mais ousadas de seu tempo, cuja beleza e
sensualidade lhe deram fama e até resultaram em inúmeras prisões, um autêntico
“sex symbol”. Já abordada pelo GRB em seu volume de número 59, Elvira volta aqui com seis gravações de
sua carreira-solo que não haviam aparecido no mesmo, conseguidas bem depois de
sua postagem pelo nosso companheiro, amigo e pesquisador Beto de Oliveira. Em
seu segundo disco, o Continental 15251,
lançado bem em cima do carnaval de 1945, em fevereiro, Elvira interpreta quatro
marchinhas, duas em cada fonograma. No lado A, matriz 973, ela interpreta, de Gadé,
Amado Régis e Almanyr Grego, “E o mundo se distrai”e “Meu amor és tu”. No lado
B, matriz 974, ela nos traz “Cabelo azul” e “Briga de peru”, ambas de Herivelto
e Roberto Martins (que não tinham qualquer parentesco, apesar do sobrenome ser
o mesmo). Depois temos as faixas do Todamérica TA-5333, gravado em 14 de julho
de1953 e lançado em setembro do mesmo ano, com dois sambas da própria Elvira:
no lado A, matriz TA-508, “Reticências”, sem parceria, e, no verso, matriz
TA-507, “Sou feliz”, parceria de um certo M. Zamorano. Elvira Pagã encerra sua
participação neste volume do GRB com as músicas de seu derradeiro 78 (ela só
gravou nesse formato),do extinto selo Marajoara, número MA-10012, com duas
composições de sua autoria para o carnaval de 1959. No lado A, matriz M-23, o
samba “Vela acesa”, que fez com Orlando Gazzaneo e Orlando Valentim.E no lado
B, matriz M-24, a marchinha “Viva los toros”, esta em parceria apenas com
Gazzaneo. Enfim, mais seis faixas com Elvira Pagã para enriquecer a coleção de
nossos amigos cultos,ocultos e associados (ficou faltando apenas o samba-jongo
“Batuca daqui, batuca de lá”, de 1950).
A outra intérprete deste volume do GRB é a eterna “Divina”,
“Magnífica” e “Enluarada” Elizeth Cardoso (Rio de Janeiro, 16/7/1920-idem,
7/5/1990). Dela temos cinco faixas marcantes, a maioria de seu início de
carreira. De seu primeiro disco,o Star 202, de 1950, provavelmente lançado em
março desse ano (e retirado do mercado por “problemas técnicos” jamais
esclarecidos), temos, na faixa 10, o lado B, “Mensageiro da saudade”, samba de
Ataulfo Alves e José Batista, com acompanhamento de Acyr Alves e sua orquestra.
Logo depois, Elizeth foi para a então nascente Todamérica, onde estreou no dia
27 de julho de 1950 gravando dois sambas (estruturalmente sambas-canções) lançados em outubro seguinte no disco
TA-5010. O lado A, matriz TA-19 e oitava faixa desta seleção, é “Complexo”, de
Wilson Batista e Magno de Oliveira. Mas o hit maior estava no lado B, matriz
TA-20 e faixa 7 de nossa sequência: “Canção de amor”, de Chocolate e Elano de
Paula, que consagrou Elizeth, saudada como grande revelação de 1950, e tornou-se
o carro-chefe da cantora para sempre. A penúltima faixa é a clássica toada
“Prece ao vento”, de Alcyr Pires Vermelho, Gilvan Chaves e Fernando Luiz
Câmara, lançada originalmente em 1954 pelo Trio Nagô. O registro de Elizeth
Cardoso aqui incluído é de 1956, extraído do LP de 10 polegadas “Fim de noite”,
selo Copacabana, relançado dois anos mais tarde em 12 polegadas e com quatro
faixas a mais. Por fim, Elizeth nos apresenta “Venho de longe”, samba-canção de
Dermeval Fonseca e Alberto Ribeiro,gravação Todamérica de 25 de janeiro de
1952, lançada em abril seguinte sob número TA-5145-B, matriz TA-238. Enfim, foi
o que deu para o amigo Augusto selecionar para o GRB desta semana. Mas seu
esforço, com certeza, sempre vale a pena... Divirtam-se!
Texto de Samuel Machado Filho