Boa noite, amigos cultos e ocultos! Ontem, dia 28, eu por descuido, deixei passar em branco a comemoração de centenário de Cyro Monteiro. Se estivesse vivo, estaria completando 100 anos. Como foi dito por alguns, nesta data poucos foram aqueles que lembraram do grande artista. Afinal, Cyro Monteiro não foi apenas mais um cantor de samba. Muito aliás, foi cantor e compositor. Teve uma atuação marcante na música popular brasileira, sendo responsável por inúmeros sambas de sucessos, que se tornaram clássicos.
Para celebrar este centenário, montei aqui agora, meio às pressas, essa coletânea, trazendo doze momentos ainda da fase do bolachão. Cyro Monteiro até merecia mais, uma coletânea de peso, equivalente a um álbum triplo. Mas para que tenhamos em outras oportunidades novas postagens com o artista, vou limitando a seleção, que por certo irá agradar. Vamos conferir?
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quarta-feira, 29 de maio de 2013
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Linda Rodrigues - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 55 (2013)
Esta semana, o Grand Record Brazil, em sua edição de número
55, apresenta a primeira parte, de uma série de três, em que iremos focalizar o
trabalho de uma cantora excelente, que teve sua época, mas que infelizmente foi
esquecida com o passar do tempo. Refiro-me a Linda Rodrigues.
Nossa focalizada recebeu, na pia batismal, o nome de Sophia
Gervasoni, e veio ao mundo no dia 11 de agosto de 1919, provavelmente no Estado
do Rio de Janeiro. Embora seu primeiro disco tenha sido lançado para o carnaval
de 1945, pela Continental, Linda Rodrigues é considerada uma das intérpretes da
música popular brasileira que melhor representa e celebra a chamada
dor-de-cotovelo. Linda também foi compositora, e fez trabalhos para outros
artistas, em parceria com nomes do quilate de J. Piedade e Aylce Chaves, entre
outros. Sua discografia, além da Continental,
inclui passagens pelos selos Star, Carnaval, Sinter, Todamérica, RCA
Victor e Chantecler. Nesta última, em 1961, lançou aquele que parece ter sido
seu único LP, “Companheiras da noite”. Seu maior sucesso foi o samba-canção
“Lama”, de Paulo Marques e Aylce Chaves (que está neste volume), e outros hits
da cantora foram os sambas-canções “Vício”, dela própria com José Batista, e
“Negue”, clássico de Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos, que
apresentaremos nos próximos volumes deste nosso retrospecto. Em 78 rpm, Linda
gravou um total de 30 discos com 59 fonogramas, além do LP já mencionado, e
alguns compactos de produção independente, e faleceu no Rio de Janeiro, em 16
de novembro de 1995, aos 76 anos, de infecção pulmonar e problemas cardíacos
(miocardiopatia e arritmia).
Neste primeiro volume que o GRB dedica a Linda Rodrigues,
apresentamos 21 preciosos fonogramas, correspondentes aos primeiros anos de sua
carreira. Trabalho esse resultante do esforço do amigo e colaborador Alberto
Oliveira, que reuniu as gravações de Linda em 78 rpm que iremos apresentar
nestes 3 volumes. Ficaram faltando cinco delas, mas o esforço dele valeu a
pena, como vocês irão constatar.
De seu 78 de estreia, o Continental 15222, lançado em
janeiro de 1945 para o carnaval, está o lado B, o samba “Abaixo do nível”, de
Alvaiade e Odaurico Mota, matriz 893. O disco seguinte, o Continental 15280,
lançado em março de 1945, vem com as duas faixas, também sambas: “Você não sabe
amar”, de João Bastos Filho e Antônio Amaral, matriz 1028, e “...E Odete não
voltou”, de Paquito e José Marcílio, matriz 1027. Em setembro de 1945, saíram
mais dois sambas, no disco 15423: “Arma perigosa”, de Paquito e Paulo da
Portela, matriz 1136, e “Cantora de samba”, de Amado Régis, matriz 1137. Para o
carnaval de 1946, Linda lança quatro músicas, todas aqui incluídas: no
Continental 15554, lançado ainda em dezembro de 45, o samba “Sublime perdão”,
de Amado Régis, matriz 1315, e a marchinha “Quando a gente fica velho”, matriz
1316, dela própria com Aylce Chaves e o mesmo Amado Régis que assina a música
do lado ª Em janeiro de 46 sai o disco 15585, com a marchinha “Atchim!”, de
J.Piedade e Príncipe Pretinho, matriz 1381, e o samba “Claudionor”, de Cândido
Moura e Miguel Baúso, matriz 1382. Em março de 1946, Linda lança o samba “Não
adianta chorar”, de Ari Monteiro e Felisberto Martins, no Continental 15591-A,
matriz 1399 (o outro lado é com Emilinha Borba, apresentando a batucada “Ai,
Luzia!”, de Guaraná e Jararaca). Em junho de 1946, no Continental 15644, saem
dois sambas de Paquito (Francisco da Silva Fárrea Júnior, 1915-1975),
consagrado compositor de sucessos carnavalescos: “Banco de jardim”, parceria
dele com Dorival Aires e Jaime de Souza, matriz 1444, e “Banco de praça”, que
ele assina junto com Carlos de Souza e João Bastos Filho, matriz 1443. A
primeiro de julho de 1948, Linda grava a rumba “Jack, Jack, Jack”, de Haroldo
Barbosa e Armando Castro, matriz 1900, e o samba “Mais um amor, mais uma
desilusão”, de José Maria de Abreu, matriz 1901, que a Continental irá lançar
para seu suplemento de julho a setembro desse ano, com o número 15926. A
marchinha “Parceiro de Schubert” e o samba “A escrava Isaura” saíram pela Star,
para o carnaval de 1948, disco 0009, que não consta nem mesmo na Discografia
Brasileira em 78 rpm, e eu próprio não encontrei informações a respeito de quem
seriam seus autores, quem souber favor informar pra gente. Para a folia de
1951, Linda grava o disco Carnaval 008, com o samba “Vou partir”, de Aylce Chaves e Paulo Gesta,
e a batucada “Batuqueiro novo”, de Tancredo Silva, Rual Marques e José Alcides.
Do disco Star 243, também de 1951, vem o lado B, o samba africano “Raça negra”,
também de Aylce Chaves e Paulo Gesta. Por essa mesma gravadora, futura
Copacabana, Linda lança, para o carnaval de 1952, e ainda em dezembro de 51, o
disco 308, do qual apresentamos o lado A, a marchinha “Recruta 23” (referência
a programa humorístico da Rádio Mayrink Veiga do Rio de Janeiro, então grande
rival da poderosa Nacional, e de grande audiência na época), de autoria do
radialista, compositor e pianista
Aloysio Silva Araújo e do comediante Zé Trindade (aquele do bordão
“Mulheres, cheguei!”). Por fim, encerrando esta primeira parte, apresentamos
aquele que foi o maior sucesso da carreira de Linda Rodrigues: o samba-canção
“Lama”, de Paulo Marques e Aylce Chaves, regravado mais tarde por Ângela Maria
e Maria Bethânia, entre outros intérpretes, e até hoje um clássico. Linda o
imortalizou na Continental em 10 de abril de 1952, com lançamento em maio-junho
do mesmo ano sob número 16559-A, matriz C-2839. Um fecho realmente de ouro para
a primeira parte desta nossa retrospectiva a respeito de Linda Rodrigues. Até a
próxima!
TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO
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Selo Grand Record Brazil
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Jacob Do Bandolim 7 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 54 (2013)
E chegamos à edição número 54 do Grand Record Brazil. Uma
trajetória muito boa, mas certamente iremos muito além, graças a vocês, nossos
amigos cultos, ocultos e associados que tanto nos prestigiam. Aqui, encerramos
a nossa retrospectiva dedicada ao mestre Jacob do Bandolim, apresentando mais
preciosos fragmentos extraídos de suas apresentações radiofônicas.
Nas primeiras faixas, apresentamos excertos de uma
apresentação feita por Jacob na Rádio Bandeirantes de São Paulo, então
conhecida como “a mais popular emissora paulista”, no ano de 1962, quando a
emissora funcionava em um prédio da Rua Paula Souza, zona cerealista da capital
bandeirante, com apresentação de um importantíssimo nome da radiofonia
paulistana, Moraes Sarmento. Abrindo o programa, a clássica valsa “Revendo o
passado”, de Freire Júnior, cuja primeira gravação, apenas instrumental, surgiu
em 1926, a cargo da Banda da Casa Edison. Em 1933, surgiu o primeiro registro
cantado, na voz de Augusto Calheiros (“a patativa do Norte”). Tem várias outras
gravações, e é lembrada até hoje. Depois vem o choro “Ingênuo”, que, segundo o
próprio Pixinguinha, era, de todas as músicas que compôs, a que mais admirava.
Sua primeira gravação surgiu em 1947, num daqueles famosos duetos entre o sax
do mestre Pizindim e a flauta de Benedito Lacerda (que entrou como co-autor por
conta de um acordo comercial que havia entre ambos). Peça inclusive regravada
pelo próprio Jacob, em 1967, no álbum “Vibrações”. Logo depois, Moraes Sarmento
lê trechos da resposta de Jacob a uma carta de 19 (!) páginas, enviada a Jacob
em 1968 (na qual ele é até chamado de driblador de enfartes), lamentando o
descaso das rádios, televisões e gravadoras a seu trabalho e a de outros de sua
geração que ainda estavam vivos. Revela, inclusive, que a RCA havia preparado
os LPs-coletâneas “Era de ouro” e “Assanhado” na época em que sofreu um enfarte
(março de 1967), e pretendia lançá-los tão logo o mago do bandolim falecesse, o
que só aconteceria dois anos mais tarde (os álbuns, claro, saíram ainda em vida
do mestre). E, claro, agradece a todos os que então o prestigiavam, e que ainda
o estimulavam a permanecer na ativa. Lembrava que numa entrevista dada ao
jornal “O Tempo”, de São Paulo, em 1953-54, o choro acabaria em 10 anos. Ele
parecia ter acertado, pois, de fato, o choro teve momentos de decadência, mas
ainda hoje permanece vivíssimo, e felizmente o mago do bandolim errou esta
profecia.
Voltaremos em seguida a 1946, mais precisamente aos tempos
em que o grande Almirante apresentava o programa “Pessoal da velha guarda”, na
Rádio Tupi do Rio de Janeiro (“o cacique do ar”). Aqui, Jacob interpreta dois
choros de sua autoria, muitíssimo bem apoiado pelo regional de Benedito Lacerda
mais o sax de Pixinguinha: “Remelexo” e “Treme-treme”, por ele lançados,
respectivamente, em 1948 e 1947, na Continental. Jacob, claro, também passou
pela lendária Rádio Nacional, e, acompanhado pela orquestra da emissora,
apresenta, de Hervê Cordovil (mineiro de Viçosa e autor de clássicos como
“Cabeça inchada”, “Sabiá na gaiola” e “Rua Augusta”), a “Valsa simples”, ao que
parece jamais levada a disco comercial.
Logo depois, apresentamos participações do bandolim do
mestre Jacob em gravações marcantes e expressivas, todas da RCA Victor. A
primeira é a que Dorival Caymmi fez para seu clássico samba-canção “Marina”, em
11 de julho de 1947, com lançamento em agosto seguinte sob n.o 80-0536-A,
matriz S-078762. “Marina” foi uma coqueluche na época, e recebeu três gravações
anteriores nesse mesmo ano: Francisco Alves (Odeon), Dick Farney (Continental,
tida como a de maior êxito) e Nélson Gonçalves (também na RCA Victor). O
clássico choro “Doce de coco”, lançado pelo próprio Jacob em 1951, aqui aparece
cantado por Isaura Garcia, “a personalíssima”, com letra do mestre caipira João
Pacífico, gravada na marca do cachorrinho Nipper em 10 de setembro de 1954, com
lançamento em dezembro seguinte, disco 80-1389-A, matriz BE4VB-0571. Porém, a
letra mais conhecida feita para “Doce de coco” é a de Hermínio Bello de Carvalho,
por certo posterior a esta aqui. No outro lado, matriz BE4VB-0572, Isaurinha
canta o samba “Sou paulista”, de Jayme Florence (o violonista Meira dos
regionais) e Augusto Mesquita, também responsáveis pelo clássico “Molambo”.
Depois vem a regravação feita por Luiz Gonzaga para seu primeiro grande sucesso
como solista de sanfona: o “xamego” Vira e mexe”, feita em 5 de janeiro de 1950
e lançada em março seguinte. O disco (34748-B) e a matriz (52155) receberam os
mesmíssimos números do original, que é datado de 1941. A matriz de cera teve
tantas cópias prensadas que ficou totalmente inutilizada, o que obrigou
Gonzagão a fazer este novo registro, agora com o reforço do bandolim do grande
Jacob. A diferença é que, no original, o lado A tinha a valsa “Saudades de São
João del Rei”, e aqui, a faixa que acompanha “Vira e mexe” é o baião “Qui nem
jiló”, do próprio Gonzagão e Humberto Teixeira.
Para finalizar, apresentamos trechos do programa “Jacob e
seus discos de ouro”, da Rádio Nacional, o último que fez em vida, gravado
exatamente um dia antes de seu falecimento, 12 de agosto de 1969, e que seria
apresentado no dia 15, o que evidentemente não aconteceu. A apresentação é
feita pela Voz da América, emissora sediada na capital dos EUA, Washington,
dentro do programa “Galeria musical da América”. É com essa apresentação que
encerramos esta retrospectiva do GRB dedicada a Jacob do Bandolim, um mestre
das cordas como poucos, e cuja saudade ainda dói na gente!
TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Jacob Do Bandolim 6 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 53 (2013)
E aqui vamos nós com a edição de número 53 do meu, do seu,
do nosso Grand Record Brazil, a sexta dedicada ao mago do bandolim, mestre
Jacob Pick Bittencourt. Desta feita, apresentamos uma seleção de 14 fonogramas
preciosos, extraídos de acetatos radiofônicos. O início da gloriosa carreira do
mestre foi justamente como calouro no “Programa dos novos”, da Rádio Guanabara,
em 1934. Sem pretensões profissionais, alcançou a nota máxima, disputando com
28 concorrentes, e ainda com um júri do qual faziam parte Orestes Barbosa,
Francisco Alves e Benedito Lacerda, entre outros. Na mesma emissora, formou o
grupo Jacob e sua Gente, revezando-se com o Gente do Morro, de Benedito
Lacerda, no acompanhamento dos grandes astros da época (Noel Rosa, Lamartine
Babo, Ataulfo Alves, Augusto Calheiros...). Com o sucesso obtido na Guanabara,
o mestre Jacob passa a ser presença constante em programas radiofônicos,
tocando, em troca de cachê , nas rádios Cajuti, Fluminense, Transmissora,
Mayrink Veiga (onde atuava no programa de Ademar Casé, avô da Regina) e
Ipanema, depois Mauá, sendo nesta última que Jacob ganhou um programa só
seu.
Bem, senhores ouvintes, a PR-GRB tem o prazer de apresentar
esta seleção dos melhores momentos das audições radiofônicas de Jacob do
Bandolim. Para começar, temos o choro “Dengoso”, de autoria de João Pernambuco
(João Teixeira Guimarães, Jatobá, hoje Petrolândia, PE, 1883-Rio de Janeiro,
1947), gravado originalmente por ele mesmo em solo de violão, em 1930. Em
seguida temos “Gadu namorando”, de Ladislau Pereira da Silva e Alcyr Pires
Vermelho (não anunciado pelo locutor como parceiro). A peça tem inúmeros
registros, o primeiro deles feito em 1956 pelo trombonista Raul de Barros.
Passando do choro à valsa, temos “Lamento”, de Nestor Monteiro e Gilberto
Santos, uma joia rara que, infelizmente, não chegou ao disco comercial.
Voltando ao choro, Jacob nos oferece “Soluçando”, de Cândido Pereira da Silva,
o Candinho Trombone (Rio de Janeiro,1879-idem, 1960), originalmente gravado em
1916 pelo Grupo o Passos no Choro. Em seguida temos mais uma valsa, “Adelina”,
de autoria do cavaquinista Mário Álvares Conceição, o Mário Cavaquinho (Rio de
Janeiro, 1861-idem, 1905), cujas primeiras gravações foram feitas ainda na fase
mecânica, pela Banda da Casa Edison, sem indicação exata de anos. Depois vem um
choro do próprio Jacob, “Carícia”, por ele mesmo gravado na RCA Victor em 1956.
O tango “O despertar da montanha”, faixa seguinte, é certamente o mais famoso
trabalho do compositor Eduardo Souto, paulista de Santos (ou São Vicente, não
há certeza), nascido em 1882 e falecido no Rio de Janeiro em 1942. “O despertar”
foi composto em 1919 e sua primeira gravação data de 1931, pela Orquestra
Colonial. Tem vários registros, inclusive do próprio Jacob do Bandolim, feito
em 1949, e é uma obra conhecida até mesmo a nível internacional. Ganhou letra
de Francisco Pimentel em 1946, gravada nesse ano por Sílvio Caldas. Logo
depois, os choros “Cristal” e “Diabinho maluco”, do próprio Jacob, por ele
gravados, respectivamente, em 1951 e 1956. Compositor, organista e maestro,
Henrique Alves de Mesquita (Rio de Janeiro, 1830-idem, 1906) comparece aqui com
“Batuque”, rotulado como “tango característico” no selo da primeira gravação,
feita em 1910 pela Banda do Corpo de Bombeiros na Victor americana. Já o “Choro
da saudade” é de autoria de um... paraguaio! Sim, é do violonista Agustín Barrios
(1885-1944), que homenageou a música e o povo de seu Paraguai natalício
compondo obras modeladas a partir de canções populares das Américas Central e
do Sul. “Saxofone, por que choras?” é o choro mais conhecido do clarinetista
Severino Rangel, o Ratinho (Itabaiana, PB, 1896-Duque de Caxias, RJ, 1972), que
também formou dupla humorística com Jararaca, de geral agrado. O choro foi
lançado pelo próprio Ratinho em 1930, e tem vários registros (o próprio Jacob
fez o seu em 1952). “Heróica” é outra composição do mago do bandolim, mas só
seria gravada comercialmente em 1980, por outro bandolinista de renome, Déo
Rian. E, para terminar, temos uma fala do próprio Jacob do Bandolim, na qual
ele exalta a força de vontade e a capacidade de seus músicos acompanhantes, e
elogia a acolhida que o público de São Paulo sempre lhe deu, mais que o do
próprio Rio de Janeiro natal. Ah, como são as coisas... Não poderia haver
melhor encerramento para esta compilação de registros radiofônicos do mestre
Jacob, que certamente será muitíssimo bem recebida pelos ouvintes da PR-GRB. E
semana que vem tem mais Jacob, hein? Aguardem...
TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Jacob Do Bandolim 5 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 52 (2013)
Este é o quinquagésimo-segundo volume do meu, do seu, do
nosso Grand Record Brazil, e o quinto dedicado ao riquíssimo legado deixado por
esse autêntico mestre das cordas que foi Jacob do Bandolim. E com ele,
retomamos a apresentação de registros comerciais de Jacob, uma vez que, como os
amigos cultos, ocultos e associados do TM se recordam, no volume anterior
tivemos gravações domésticas extraídas dos “saraus” que o mago do bandolim
promovia em sua casa no bairro carioca de Jacarepaguá.
São doze preciosas gravações, todas evidentemente feitas na
RCA Victor. Abrindo nossa seleção desta semana, um choro do próprio Jacob,
“Ciumento”, gravação de 14 de março de 1955, lançada em maio do mesmo ano,
disco 80-1434-B, matriz BE5VB-0700. Em seguida, outra joia do choro concebida
por ele mesmo, “Sempre teu”, gravada em 13 de junho de 1955 e lançada em agosto
seguinte com o número 80-1476-A, matriz BE5VB-0769. Depois tem a música do
verso desse disco, matriz BE5VB-0770, uma regravação do choro “Um a zero”. Ele
foi composto por Pixinguinha em 1919,
por ocasião da conquista do Campeonato Sul-Americano de Futebol pelo
Brasil, que derrotou o Uruguai exatamente por essa contagem, gol de Arthur
Friendenreich. A primeira gravação, no entanto, só saiu em 1946, com o próprio
Pixinguinha ao saxofone em dueto com a flauta de Benedito Lacerda, que entrou
como parceiro na música por acordo comercial que existia entre ambos. Jacob
recorda logo depois o “tango brasileiro” “Amapá”, de Juca Storoni (João José da
Costa Jr., Rio de Janeiro, 1868-idem, 1917), cujo primeiro registro deu-se em
1909, na Victor americana, pela Banda do Corpo de Marinheiros Nacionais. Jacob
fez seu registro em 13 de janeiro de 1956, com lançamento em março seguinte sob
n.o 80-1565-B, matriz BE6VB-0942, e voltaria a gravar “Amapá” em 1960, no LP
“Na roda do choro”. O registro do “ponteado” “De Limoeiro a Mossoró”, do
próprio executante, data de 13 de março de 1956, com lançamento em maio
seguinte sob n.o 80-1596-A, matriz BE6VB-1015. Outra obra-prima do mestre é
“Carícia”, choro que ele gravou em 13 de julho de 1956, com lançamento em
setembro do mesmo ano, com o n.o 80-1667-B, matriz BE6VB-1214. Temos em seguida
outra demonstração do apreço de Jacob ao carnaval pernambucano, com o frevo
“Buscapé”, gravado em 14 de setembro de 1956 e lançado em novembro (certamente
com vistas à folia recifense de 57) sob n.o 80-1706-A, matriz BE6VB-1305.
Apresentamos também o verso desse disco, matriz BE6VB-1306, outro frevo, só que
de Jonas Cordeiro, “Pimenta no salão”. Um clássico do mestre Pixinguinha, o
choro “Sofres porque queres” foi por ele composto inspirado em uma briga
conjugal! Ele próprio o gravou pela primeira vez com sua flauta, em 1917, e o
regravaria ao saxofone junto com o flautista Benedito Lacerda (que recebeu
co-autoria) em 1946. Onze anos depois, a 10 de julho de 1957, Jacob do Bandolim
gravou esta sua versão, lançada em setembro seguinte com o n.o 80-1845-A,
matriz 13-H2PB-0165. Do limiar de 1958, em 17 de janeiro, é a gravação de Jacob
para seu choro “Implicante”, lançada em abril do mesmo ano com o n.o 80-1930-A,
matriz 13-J2PB-0339. O maxixe “Fubá”, motivo folclórico adaptado por Romeu
Silva, surgiu em 1925, em gravação do cantor Fernando Albuquerque, e é revivido
por Jacob em registro de 26 de agosto de 1959, lançado em novembro seguinte com
o n.o 80-2125-A, matriz 13-K2PB-0736. A voz que se ouve vocalizando o refrão
junto com o coro é a do próprio Jacob! Para finalizar, o lado B desse disco,
matriz 13-K2PB-0737: o choro “Velhos tempos”, outra composição própria do
mestre com a qualidade habitual. E atenção: nas próximas duas semanas, teremos
mais tesouros preciosos gravados pelo mestre Jacob do Bandolim. Aguardem!
* TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Jacob Do Bandolim 4 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol 51 (2013)
E chegamos à edição número 51 do Grand Record Brazil, apresentando a
quarta e última parte desta retrospectiva dedicada a este mestre das cordas que
foi Jacob do Bandolim. E neste volume, o acervo do pesquisador Sérgio Terra nos
revela 20 gravações que nunca foram lançadas comercialmente, feitas em gravador
doméstico durante os antológicos “saraus” que o mestre promovia em sua casa, no
bairro carioca de Jacarepaguá, semanalmente. Abrindo esta seleção, a valsa
“Quando me lembro”, de outro bandolinista famoso, Luperce Miranda (1904-1977),
por ele próprio gravada originalmente em 1932. O choro “Murmurando”, que vem em
seguida, não é a famosa composição do maestro Fon-Fon, parece ser um outro
choro do próprio Jacob. “O voo da mosca”, também do mestre, é uma réplica ao
“Voo do besouro”, de Rinsky e Korsakov, e seria por ele gravada na RCA Victor
em 1962, no álbum “Primas e bordões”. “Mariposa da luz” é da pianista e
professora de música Neusa França, só gravado comercialmente em 1973, pelo
citarista Avena de Castro. Na faixa 6, outro clássico do choro, “Flor do
abacate”, de autoria de Álvaro Sandim (1862-1919), surgido em 1913, na fase
mecânica de gravação, em registros do Grupo Faceiro e dos Chorosos do Abacate.
Jacob do Bandolim o gravou duas vezes pela RCA Victor, em 1949 e 1960. E já
que, neste 2013, comemoramos os 150 anos de nascimento do compositor e pianista
Ernesto Nazareth (1863-1934), ele comparece nesta seleção de inéditas do mestre
Jacob com uma de suas obras mais famosas, a polca-choro “Apanhei-te
cavaquinho”, faixa 4, surgida em disco no ano de 1916, na gravação do flautista
Passos, e inúmeras vezes regravada, inclusive pelo próprio Nazareth em solo de
piano. Temas clássicos também batem ponto nesta seleção: a “Valsa número 7 de
Chopin” (temos também a “número 1”) e as “Czardas”, do italiano Vittorio Monti
(1868-1922). “Noites cariocas” é outro choro clássico do mestre Jacob, por ele
lançado em 1957 e com inúmeras regravações, sendo até hoje peça obrigatória no
repertório de qualquer “chorão”. “Receita de samba” e “Vibrações” são outras
composições muito apreciadas do mago do bandolim, e foram por ele gravadas na
RCA Victor em 1967, no excelente álbum “Vibrações”. Um certo doutor Formiga
(quem seria?) recita um “Poema para Jacob”, por ele feito em justa homenagem ao
mestre. Chico Buarque comparece aqui com “Carolina”, composição surgida em 1967
no Terceiro Festival Internacional da Canção (FIC), da TV Globo, defendida por
Cynara e Cybele, recém-saídas do Quarteto em Cy. Jacob muito admirava Chico, e
previu, acertadamente, que ele “atravessaria os anos”. O mestre também
apresenta sua valsa “Santa Morena”, cuja gravação comercial, de 1954, está no
volume 3 de nosso retrospecto. A clássica valsa “Velho realejo”, de Custódio
Mesquita e Sadi Cabral, é outro clássico de nosso cancioneiro, e foi lançada em
1940 na voz de Sílvio Caldas, sendo várias vezes regravada. Outro clássico é
“Três estrelinhas”, de autoria de Anacleto de Medeiros (1866-1907), músico,
compositor, fundador e regente da Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de
Janeiro. Recebeu depois letra de Catulo da Paixão Cearense, sendo rebatizada
como “O que tu és”. Antônio d'Áuria (1912-1988) aparece como uma espécie de
convidado especial, nas faixas “Poesia e amor”, de Mário Álvares Conceição, só
gravada comercialmente em 1976 por outro bandolinista, Déo Rian, e “Helena”,
valsa de Albertino Pimentel, surgida ainda no tempo da gravação mecânica, em
1909, em execução da já mencionada Banda do Corpo de Bombeiros carioca.
Encerrando esta seleção tempos “Marilene”, choro de Pixinguinha e Benedito
Lacerda, por eles próprios lançado em 1950, com o mestre Pizindim ao saxofone e
Benedito à flauta (na verdade a música é só de Pixinguinha, e Benedito entrou
como parceiro por acordo comercial entre ambos). Enfim, um tesouro raro, de
notável importância histórica, que o GRB oferece a tantos quantos apreciem a
boa música instrumental brasileira. As 122 fitas cassetes gravadas por Jacob do
Bandolim durante seus “saraus” foram doadas ao Museu da Imagem e do Som do Rio de
Janeiro, e aqui apresentamos uma preciosíssima amostra deste trabalho. Bom
divertimento!
Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.
segunda-feira, 25 de março de 2013
Jacob Do Bandolim 3 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 50 (2013)
É com muita alegria que estamos de volta com o
Grand Record Brazil, a divisão de 78 rpm do TM, para alegria de nossos amigos
cultos, ocultos e associados. E nesta quinquagésima edição, apresentamos a
terceira parte desta retrospectiva de gravações do genialíssimo Jacob do
Bandolim, este que sem nenhuma dúvida foi um autêntico mestre das cordas. Todas
as gravações, evidentemente, são da RCA Victor, feitas entre 1953 e 1955, do
acervo do colecionador Sérgio Prata, a quem novamente agradecemos a cortesia.
Em ordem de lançamento, são estas as 13 joias que lhes apresentamos: para
começar, o lado B do disco 80-1163 (faixa 11 de nossa sequência), o choro
“Pardal embriagado”, de Patrocínio Gomes, gravação de 14 de maio de 1953,
lançada em julho seguinte, matriz BE3VB-0122. Em seguida, o disco 80-1214,
gravado em 13 de agosto de 1953 e lançado em outubro seguinte: abrindo-o,
matriz BE3VB-0235, o baião “Brotinho”, faixa 12 de nossa sequência, composto
por nada mais nada menos que seu filho Sérgio Bittencourt, que seria também
cantor e compositor (autor de clássicos como “Eu quero”, “Canção a medo”,
“Modinha” e, naturalmente, “Naquela mesa”, em homenagem póstuma a seu pai),
além de colunista de jornais e revistas. Jacob o executa ao vibraplex
(instrumento que ele mesmo criou, um violão-tenor ligado a um órgão Hammond,
que tinha som parecido com os dos atuais sintetizadores), e esta foi a primeira
composição gravada do filho Sérgio. No verso, matriz BE3VB-0236, uma
primorosíssima execução de Jacob para a clássica valsa “Rapaziada do Brás”, de
Alberto Marino (faixa 13 de nossa sequência), que homenageia o bairro de São
Paulo de mesmo nome, cuja população era basicamente de imigrantes italianos e
seus descendentes. Surgida em 1926, na gravação dos irmãos saxofonistas Jota e
O.Pizarro (quem seriam?), esta valsa teve maior repercussão a partir de 1932,
nos registros dos Sextetos Piratininga e Bertorino Alma (anagrama do autor,
Alberto Marino), e em 1960 ganhou letra do filho do autor, Alberto Marino Jr.,
gravada com êxito por Carlos Galhardo. Temos depois o frevo “Sai do caminho”,
do próprio Jacob, disco 80-1226-B, gravado em 10 de setembro de 1953 e lançado
em novembro seguinte para a folia de 54, matriz BE3VB-0254 (faixa 8 de nossa
sequência), no qual ele mostra a admiração que tinha pelo carnaval do Recife,
embora não-folião. A mazurca “Vidinha boa”, do próprio executante, faixa 9
desta seleção, foi gravada em 15 de fevereiro de 1954, com lançamento em abril
seguinte sob número 80-1269-B, matriz BE4VB-0346. O samba-canção “Santa
morena”, também de Jacob, e faixa 10 de nossa sequência, foi gravado pelo
mestre em 13 de abril de 1954, com lançamento em julho seguinte sob número
80-1295-A, matriz BE4VB-0411. No verso, matriz BE4VB-0412, outra primorosa
execução ao vibraplex, a do samba-canção “Saudade”, composição própria do
mestre e faixa 5 de nossa sequência. As faixas 6 e 7 são do disco seguinte, o
RCA Victor 80-1344, gravado em 12 de julho de 1954 e lançado em setembro
seguinte com dois choros do nosso próprio mestre: abrindo-o, matriz BE4VB-0503,
“Bola preta”, e, completando-o, matriz BE4VB-0504, “Saliente”, ambos bastante
conhecidos e apreciados. Do disco 80-1390, gravado em 14 de setembro de 1954 e
lançado em dezembro seguinte, apresentamos as duas faixas, que novamente demonstram
o apreço de Jacob pelo carnaval recifense, sendo evidentemente frevos:
abrindo-o, “Toca pro pau”, matriz BE4VB-0577 (faixa 4 de nossa seleção) e,
completando-o, matriz BE4VB-0578, “Rua da Imperatriz” (faixa 3), visando,
claro, a folia pernambucana de 1955. Em seguida, primeira faixa da nossa
sequência, o samba “Meu segredo”, gravação de 13 de janeiro de 1955 lançada em
março seguinte (80-1418-B, matriz BE5VB-0642). E encerrando cronologicamente
nossa seleção, sendo na sequência a faixa 2, outro primoroso choro do próprio
executante, “Benzinho”, gravação de 14 de março de 1955, matriz BE5VB-0699,
lançada em maio do mesmo ano sob número 80-1434-A. Enfim, mais uma bela amostra
do talento e da maestria deste mágico das cordas que foi Jacob do Bandolim!
Gostaria inclusive de dedicar esta nossa retrospectiva ao Daniel Soares, o
SenhorDaVoz, meu colega de YouTube, grande admirador de Jacob do Bandolim e do
choro, cujo canal lá no YT pode ser visitado. Lá você vai encontrar vídeos com
hits da MPB de várias épocas, inclusive diversos registros do grande Jacob do
Bandolim, de quem continuaremos este retrospecto. Até lá!
* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO
sexta-feira, 22 de março de 2013
Top 19 - O Melhor Da Música Feita Em Minas Em 2012 (2013)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Olha sexta-feria chegando aí... E foi agora que eu me lembrei que tradicionalmente na sexta é que fazemos as postagens de discos/artistas independentes e coletâneas especiais do Toque Musical. Assim sendo, vou logo postando aqui esta coletânea criada no final do ano passado pelo meu amigo Edu Pampani. Na verdade é a segunda edição, pois no ano passado também tivemos outro "Top 19", com os melhores da música independente mineira de 2011. Desta vez vamos com aquilo que, segundo o Pampani, foi o melhor da música feita em Minas em 2012. Eu, cá, tenho as minhas divergencias, mas tá valendo :)
macaxeira fields - alexandre andrés
rap'ente - bilora
estação 104 - chico amaral
felicidade certa - dudu nicácio
burian - frederico heliodoro
estrela cadente - gabriel guedes
let me do it - gabriela pepino
juriti - gustavito
aurora - luiza brina
mar deserto - paula santoro
qualquer palavra - quarteto cobra coral
baião do caminhar - rafael martini
carne boa - roberta campos
vida no interior - rubinho do vale
de volta a delegacia - thiago delegado
rui macacada - tiãoduá
burn fya - uai sound system
cúria - urucum na cara
zé da guiomar - retrato da bahia
segunda-feira, 18 de março de 2013
Jacob Do Bandolim 2 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 49 (2013)
Em sua quadragésima nona edição, o Grand Record Brazil
apresenta a segunda parte da retrospectiva dedicada a este genial
instrumentista que foi Jacob Pick Bittencourt, o notável Jacob do Bandolim
(1918-1969). Aqui apresentamos mais doze preciosas gravações, do acervo do
pesquisador Sérgio Prata, que por certo farão a alegria e o deleite de todos
aqueles que apreciam a boa música instrumental brasileira. Como já informado
anteriormente, é na RCA Victor, a partir de 1949, que Jacob irá registrar toda
a sua discografia em 78 rpm e quase toda em LPs (nesse formato, gravou na CBS o
álbum “Retratos”, em 1964).
Evidentemente, as doze faixas desta segunda parte são
registros RCA Victor. Para começar, um choro de outro mestre, Pixinguinha, “Teu
aniversário”, originalmente intitulado “Recordando” e com gravação original
pelo próprio Pizindim com sua flauta, em 1935. Jacob o regravou com o novo
título em 30 de junho de 1950, com lançamento em setembro seguinte sob n.o
80-0688-B, matriz S-092700 (o lado A é “Mexidinha”, que está em nosso volume 1
deste retrospecto). Temos depois um choro do próprio mestre, “Por que sonhar?”,
gravado em 16 de março de 1953 e lançado em maio seguinte, com o n.o 80-1122-B,
matriz BE3VB-0050. No lado A, matriz BE3VB-0049, mais um choraço dele mesmo,
“Tatibitate”. E é como compositor que Jacob comparece na maior parte das faixas
deste volume 2. Caso do choro “Biruta”, gravado em 19 de junho de 1952 e
lançado em outubro seguinte, disco 80-0987-B, matriz SB-093331, do qual também
apresentamos a faixa de abertura, o coco “Forró de gala”, matriz SB-093300,
dele mesmo, claro. Do compositor e instrumentista carioca Mário Álvares da
Conceição, também conhecido como Mário Cavaquinho (1861?-1906?), Jacob resgata
o choro 'Teu beijo”, gravação de 11 de setembro de 1950, lançada em novembro
seguinte com o n.o 80-0711-B, matriz S-092750 (ao que parece o registro
original). Temos em seguida outra bela e conhecida obra-prima do choro,
concebida pelo próprio Jacob: “Doce de coco”, em antológica gravação de 18 de
dezembro de 1950, lançada em março de 51 (80-0745-B, matriz S-092813), sendo
até hoje número obrigatório em qualquer roda de choro. Depois iremos travar
contato com a primeira gravação que Jacob fez do choro clássico “Lamento”, de
Pixinguinha (que depois teve o título mudado para o plural, “Lamentos”),
originalmente lançado em 1928 pela Orquestra Típica Pixinguinha-Donga. Jacob o
registrou pela primeira vez em 14 de março de 1951 com lançamento em junho
seguinte (80-0767-A, matriz S-092905), e voltaria a gravá-lo primorosamente, em
1967, para o álbum “Vibrações”. Na faixa 10 está o verso desse disco, a polca
“Siri tá no pau”, matriz S-092906, de autoria de Miguel de Vasconcellos,
originalmente lançada em 1914 pelo grupo O Passos no Choro e também bastante
conhecida. Na faixa 9, Jacob executa à violinha (!) outro belo choro seu,
“Nostalgia”, gravação de 23 de julho de 1951, lançada em outubro seguinte sob
n.o 80-0813-B, matriz S-092986. “Eu e você” é outro choro do próprio mestre,
gravado em 5 de maio de 1952 e lançado em julho seguinte (80-0931-B, matriz
S-093263). Para encerrar esta segunda parte, temos “Choro de varanda”, no caso,
certamente, a varanda da casa de Jacob, em Jacarepaguá, que é o lado A de “Teu
beijo”, de Mário Cavaquinho, matriz S-092749 (claro que essa outra música é do
Jacob mesmo). Enfim, mais uma amostra da magia, do talento e da maestria do
eterno Jacob do Bandolim. E vem muito mais por aí, esperamos...
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Tarancón - Ao Vivo No Villaggio Café 2009 (2013)
Olá amigos cultos e ocultos! Carnaval acabou, vamos retornando à realidade, trocando as máscaras e fantasias. 2013 nos espera. Ainda há muito o que rolar por aí, inclusive os discos do Toque Musical. Este é o primeiro post do ano para as nossas produções exclusiva. Vamos com um registro de show do grupo Tarancón realizado em 2009 no bar Villaggio Café, em São Paulo. Esta gravação me foi enviada pelo amigo Daniel Vergueiro há mais de uns três anos. Não fosse eu buscar em meus arquivos os discos do Tarancón para reposição de novos links, nem lembraria desta gravação. Daniel, demorou, mas chegou! Com direito a capa e contracapa ;)
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sábado, 22 de dezembro de 2012
Boa noite a todos! Como estamos encima do Natal, eu vou logo
buscando algo condizente com a data. Mas como vocês sabem, estou meio sem tempo
para procurar e preparar alguma coisa que me tome mais de cinco minutos. Assim,
recorro ao que está mais fácil.
Encontrei este arquivo, que me foi enviado por um de nossos
amigos há algum tempo atrás. Trata-se de um compacto de jingles da Rádio
Nacional, utilizado em suas saudações de fim de ano. Não sei precisar a data,
mas creio que seja da década de 60. Uma curiosidade para não deixarmos o dia de
hoje passar em branco. Vamos fazer isso na passagem do ano :)
hino da rádio
nacional
jingle bells
noite feliz
natal alegre
natal religioso
ano novo luar do sertão
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Jacob Do Bandolim 1 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 48 (2012)
Em sua edição de número 49, o Grand Record Brazil inicia uma
retrospectiva dedicada àquele que, certamente, foi um dos maiores bandolinistas
brasileiros, senão o maior: o carioca Jacob Pick Bittencourt, que ganhou a
imortalidade como Jacob do Bandolim.
Nascido no Rio de Janeiro em 14 de fevereiro de 1918, de pai
capixaba e mãe polonesa, Jacob estudou no Colégio Anglo-Americano e serviu no
CPOR. Quando já “arranhava” o bandolim, trabalhou no arquivo do Ministério da
Guerra, e depois fez carreira como serventuário da Justiça do Rio, onde chegou
até mesmo a ser escrivão de vara criminal. Sua casa no bairro de Jacarepaguá,
avarandada e com jardim, era palco de memoráveis rodas de choro (os “saraus”),
e nelas Jacob recebia seus grandes amigos chorões. Entre seus ídolos estavam
Almirante, Noel Rosa, o pianista Nonô, Luiz Vieira, Pixinguinha e Ernesto
Nazareth. Mesmo não sendo lá grande entusiasta do carnaval, gostava bastante de
frevo. Foi “guru” de Sérgio Cabral (pesquisador e produtor musical, pai do
governador do Rio, Sérgio Cabral Filho), Hermíno Bello de Carvalho e Ricardo
Carvo Albim. Autor de clássicos do choro (“Vale tudo”, “Noites cariocas”,
“Assanhado”, “Doce de coco” e muitos mais), Jacob formou, nos anos 1960, o
conjunto Época de Ouro, que mesmo após sua morte, em 13 de agosto de 1969,
permaneceu na ativa, e existe até hoje. Seu último espetáculo público aconteceu
em 1968, no Teatro João Caetano do Rio de Janeiro, onde se apresentou ao lado
de Elizeth Cardoso e do Zimbo Trio, além, é claro, do Época de Ouro. Teve dois
filhos: Sérgio Bittencourt (jornalista e também compositor, sendo inclusive
autor do clássico “Naquela mesa”, em homenagem ao pai) e Elena Bittencourt, que
tornou-se depois presidente do Instituto Jacob do Bandolim.
As gravações de Jacob do Bandolim que compõem esta
retrospectiva são do acervo do pesquisador Sérgio Prata, e abrangem o período
de 1947 a 1959. Nesta primeira parte, composta de doze fonogramas, apresentamos
as músicas de seus quatro primeiros discos, gravados na Continental. Jacob
estreou com o 78 de número 15825, gravado em 9 de julho de 1947 e lançado entre
agosto e outubro desse ano. Abrindo-o, matriz 1693, um choro dele mesmo,
“Treme-treme” (a faixa 11 da nossa sequência), e no verso, matriz 1686, a bela valsa
“Glória”, de Bomfiglio de Oliveira (faixa 12), lançada originalmente em 1931
por Gastão Formenti, com letra de Branca Coelho. O segundo disco de Jacob levou
o número 15872, sendo lançado em março de 1948. No lado A, gravado em 23 de
junho de 47, matriz 1687, a bela valsa, dele próprio, “Salões imperiais” (que
abre a sequência). No lado B, gravado em 9 de julho de 47, matriz 1694, outra
composição do trompetista Bomfiglio de Oliveira, o conhecido choro “Flamengo”
(a faixa 2), originalmente gravado pelo autor em 1931, sendo este registro de
Jacob também muitíssimo apreciado. Curioso é que, nessas quatro primeiras
gravações, Jacob é acompanhado pelo conjunto do violonista César de Faria, pai
do grande Paulinho da Viola. Em seguida, do terceiro disco, número 15957,
gravado em 18 de setembro de 1948 e lançado entre outubro e dezembro seguintes,
outras duas composições do próprio Jacob: o choro “Remelexo” (faixa 4), matriz
1943, e a valsa “Feia” (faixa 3), matriz 1944 (vocês vão perceber que a música
não faz nenhuma jus ao título, sendo de fato primorosa). Do quarto e último
disco de Jacob na Continental, número 16011, lançado em março-abril de 1949, o
choro “Cabuloso”, de sua autoria (faixa 5), matriz 1942, e a conhecida “Flor
amorosa”, matriz 1945, de Joaquim Antônio da Silva Callado, originalmente polca
e aqui choro, cujos primeiros registros, no início do século passado (fase
mecânica de gravação) foram apenas instrumentais, apesar de Catulo da Paixão
Cearense ter lhe posto versos em 1880, mesmo ano da morte de Callado.
As outras quatro faixas foram gravadas por Jacob do Bandolim
já na RCA Victor, onde o mestre passa a registrar praticamente toda a sua
discografia. Sua primeira sessão de estúdio na “marca do cachorrinho” dá-se em
12 de maio de 1949, com o disco 80-0602, lançado em julho daquele ano, e do
qual apresentamos a faixa de abertura: o famoso tango “O despertar da
montanha”, de Eduardo Souto, matriz S-078881. Temos depois “Sorrir dormindo”,
ou “Por que sorris”, valsa de Juca Kalut lançada ainda nos tempos do disco
mecânico, levada a disco por Jacob em 9 de janeiro de 1950 com lançamento em
junho do mesmo ano (80-0653-B, matriz S-092605), uma valsa do próprio Jacob,
“Encantamento”, por ele gravada na mesma sessão e lançada em julho de 1950
(80-0667-B, matriz S-092607), e uma deliciosa polca também de autoria do
próprio mestre Jacob, “Mexidinha”, gravação de 30 d ejunho de 1950 e lançada em
setembro seguinte com o número 80-0688-A, matriz S-092699. Está muito bom para
começar, não é mesmo? Então aguardem que vem mais por aí, tá combinado? Então
até lá...
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Noel Rosa - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 47 (2012)
Nascido a 11 de dezembro de 1910, em um chalé da Rua Teodoro
da Silva, no bairro carioca de Vila Isabel (onde atualmente está erguido um
edifício residencial que leva seu nome), Noel de Medeiros Rosa viveu pouco,
apenas 26 anos e quase cinco meses (morreu em 4 de maio de 1937, vitimado pela
tuberculose), mas deixou uma obra musical extensa (quase 260 composições!),
criativa e cheia de sucessos. E o impressionante é que as composições do Poeta
da Vila são sempre atualíssimas, nunca passam de época. Um legado que tem
atravessado os anos, com muita justiça, e faz a gente se sentir grato por ele
ter existido, ainda que por pouco tempo, e deixado coisas tão eternas, tão
permanentes.
Pois nesta sua quadragésima-sétima edição, o Grand Record
Brazil reverencia o talento de Noel Rosa como autor e também intérprete,
através de 14 preciosos fonogramas. E ele só levou a disco música sua, com e/ou
sem parceria (aqui todas as músicas são dele sozinho). Quem mais gravou músicas
de Noel, por sinal, acabou sendo ele próprio: 33 ao todo.
Noel deixou gravações nos selos Parlophon, Odeon, Columbia
(futura Continental) e Victor. Sua primeira gravação como intérprete, aqui
incluída, foi a toada “Festa no céu”, lançada pela Parlophon em agosto de 1930,
disco 13185-A, matriz 3320. No verso, matriz 3654, a embolada “Minha viola”, a
faixa seguinte. Depois temos um autêntico clássico noelino: o samba “Com que
roupa?”, um eufemismo da época para “Com que dinheiro?”, traduzindo a crise
econômica causada pelo “crack” da Bolsa de Nova York, em 1929. Outro registro
Parlophon, datado de 30 de setembro de 1930 e lançado em novembro seguinte sob
n.o 13245-A, matriz 4007. Um autêntico estouro no carnaval de 1931! Quase ao
final do registro, o maestro e compositor Eduardo Souto diz de improviso: “Vai
de roupa velha e tutu, seu trouxa!” (Noel depois fez nova gravação de “Com que
roupa?”, com outra letra e em dueto com Inácio Guimarães de Loyola, o Ximbuca).
No verso, matriz 4008, outro samba interessante, “Malandro medroso”. “Gago
apaixonado” é um samba muito apreciado principalmente por sua originalidade, e
o próprio Noel declarou ser esta sua melhor composição, pois além de original,
não conseguia ser cantada por seus vizinhos e respectivos papagaios de
estimação... A gravação, lançada pela Columbia em março de 1931 (disco 22023-B,
matriz 381007), tem um atrativo à parte: o solo de lápis nos dentes do cantor
Luiz Barbosa, abrindo e fechando a boca para alterar o timbre! “Cordiais
saudações” é um “samba epistolar”, que surgiu na revista “Mar de rosas”, e nela
foi interpretado por Sílvio Caldas. Noel gravou a música duas vezes na
Parlophon, e esta é a primeira versão, com acompanhamento da Orquestra
Copacabana, do palestino Simon Bountman, matriz 131170, não lançada
comercialmente, uma vez que foi desaprovada pelo próprio compositor, que fez
outro registro dias depois, com o Bando de Tangarás, sendo esse último o que
foi para as lojas, em julho de 1931, com o número 13327-A. E é do lado B,
matriz 131185, um outro bom samba do mestre Noel por ele próprio cantado,
“Mulata fuzarqueira” (ser “da fuzarca” era o mesmo que farrear). O “samba
fonético” “Picilone”, subintitulado “Yvone”, é uma alusão à reforma ortográfica
que aboliu do alfabeto brasileiro a letra “y”, agora reconduzida ao mesmo.
“Dizer um picilone” era a mesma coisa que elogiar. Noel canta junto com João
“Braguinha” de Barro, seu colega no Bando de Tangarás, nesta gravação lançada
pela Parlophon em setembro de 1931, com o n.o 13344-B, matriz 131208. Há também
referência à Kananga do Japão, uma “sociedade familiar dançante e carnavalesca”
então existente no Rio. “O pulo da hora” saiu pela mesma gravadora um mês mais
tarde, em outubro de 31, disco 13350-A, matriz 131241, tendo no verso, matriz
131242, “Vou te ripar”, que também apresentamos aqui. Foram incluídas,
igualmente, as duas músicas do único disco-solo de Noel na Victor, o de n.o
33488, gravado em 10 de outubro de 1931 e lançado em novembro seguinte.
Abrindo-o, matriz 65252, “Por causa da hora”, referência ao horário de verão,
adotado pela primeira vez naquele ano para economizar luz elétrica e que
voltaria em outros anos, sendo adotado ininterruptamente no Brasil a partir de
1985. Mais atual impossível... No verso, matriz 65251, saiu “Nunca... jamais”.
Em “Mentiras de mulher”, Noel canta junto com Artur Costa, ator do teatro de
revista. Gravação lançada pela Columbia em fevereiro de 1932, sob n.o 22083-A,
matriz 381158. Para encerrar, apresentamos “Espera mais um ano”, também cantado
em dueto por Noel e Arthur em registro Columbia, de novembro de 1931, mas, ao
que parece, não lançado comercialmente na época, sendo o disco de prova
encontrado nos arquivos do pesquisador Eduardo Corrêa de Azevedo. Em 1983,
“Espera mais um ano” foi registrado na Eldorado pelo Conjunto Coisas Nossas
para o LP “Noel Rosa inédito e desconhecido”, aproveitando no início parte
deste registro original. Enfim, uma pequena amostra da genialidade do grande
Noel Rosa, que, mesmo tendo voz pequena, agradava bastante como intérprete,
pois tinha muita bossa e talento!
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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Nelson Cavaquinho - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - vol. 46 (2012)
Em sua edição de número 46, o Grand Record Brazil reverencia
um dos maiores sambistas que o Brasil já teve: o carioca e mangueirense Nélson
Antônio da Silva, que ganhou a imortalidade com o pseudônimo de Nélson
Cavaquinho (1911-2002). Filho de músico da Banda da Polícia Militar e sobrinho
de violinista, Nélson deixou um acervo de mais de quatrocentas composições, com
letras quase sempre remetendo a temas como o violão, mulheres, botequins e em
especial a morte. Entre suas músicas mais conhecidas estão “Rugas”, “A flor e o
espinho”, “Quando eu me chamar saudade”, “Juízo final”, “Luz negra”, “Pranto de
poeta”, “Cuidado com a outra” e “Degraus da vida”.
A seleção aqui
contida reúne 14 preciosas gravações, todas elas sambas, e foi feita pelo blog
Coisa da Antiga, do grande Ary do Baralho. Ciro Monteiro aqui comparece com
quatro gravações Victor: “Apresenta-me aquela mulher”, parceria de Nélson com
Augusto Garcez e G. de Oliveira, de 25 de maio de 1943, lançada em setembro do
mesmo ano (80-0107-B, matriz S-052779), “Não te dói a consciência”, em que
Nélson Cavaquinho tem a parceria também de Augusto Garcez mais Ari Monteiro,
também de 1943, gravada em 6 de julho daquele ano com lançamento em outubro
(80-0119-B, matriz S-052799), “Aquele bilhetinho”, que Nélson e Garcez assinam
com Arnô Canegal, de 13 de abril de 1945, lançada em maio seguinte (80-0282-A,
matriz S-078154), e por fim o clássico “Rugas”, da mesma tríade de “Apresenta
aquela mulher”, gravado pelo “Formigão” em 21 de março de 1946 e lançada em maio
do mesmo ano (80-0406-A, matriz S-078450). “Rugas” tem vários registros
posteriores, entre eles os de Roberto Silva, Jair Rodrigues e Luiz Cláudio. Em
“O fruto da maldade”, Nélson Cavaquinho tem a parceria de César Brasil, e o
lançamento deu-se pela Continental, na voz de Jorge Veiga, entre julho e
setembro de 1951, disco 16434-B, matriz 2632. “Minha fama”, parceria de Nélson
com Magno de Oliveira, foi gravado na Odeon por Risadinha, em 4 de setembro de
1952, mas só saiu em junho de 53 com o n.o 13455-B, matriz 9413. Do carnaval de
1954, “Amor que morreu”, parceria de Nélson Cavaquinho com Roldão Lima e
Gilberto Teixeira, foi gravado por Elizeth Cardoso na Todamérica em 12 de
novembro de 53 e lançado ainda em novembro (TA-5380-B, matriz TA-591). E
Elizeth seria mais tarde uma das mais assíduas divulgadoras da obra de Nélson.
Da parceria dele com César Brasil também é “Não brigo mais”, gravado também na
Todamérica por Vítor Bacelar (Salvador, BA, 1911-Rio de Janeiro, 2005) em 23 de
agosto de 1954, com lançamento em setembro seguinte (TA-5471-B, matriz TA-723),
visando a folia de 55. Em seguida uma curiosa incursão de Nélson pelo
samba-canção, em parceria com Guilherme de Brito: “Garça”, com Ruth Amaral
(também compositora e intérprete de marchinhas carnavalescas), lançado pela
Columbia em agosto de 1955, disco CB-10192-A, matriz CBO-547. Ruth também
interpreta “Cinzas”, dos mesmos autores mais Renato Gaetani, que a mesma
Columbia lançou em novembro de 55, sob n.o CB-10210-A, matriz CBO-584. Foi
também incluída a gravação de Nerino Silva, que a Chantecler lançou em janeiro
de 1963, disco 78-0677-B, matriz C8P-1354, e depois incluída no LP “Arroz de
festa”. Em seguida, Nélson assina com seu inseparável parceiro Guilherme de
Brito o samba “Palavras malditas”, gravado na Todamérica por Ary Cordovil em 6
de setembro de 1957, disco TA-5724-B, matriz TA-100091, visando o carnaval de
58, e que foi regravado por Beth Carvalho em 2011, no CD “Nosso samba tá na
rua”. O mesmo Ary Cordovil canta “Cheiro de vela”, de Nélson com José Ribeiro,
em gravação do extinto selo Vila, disco 10003-A, que o Instituto Memória
Musical Brasileira diz ser de 1961. E o cantor Orlando Gil encerra nossa
seleção com “Negaste um cigarro”, parceria de Nélson Cavaquinho com José
Batista, gravação de 1962 para outro selo extinto, o Albatroz, disco A-121-B. É
a homenagem do Coisa da Antiga e do Toque Musical, através do GRB, a este
grande compositor e poeta que foi Nélson Cavaquinho!
Texto
de SAMUEL MACHADO FILHO.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
It's Rock 2 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 45 (2012)
E chegamos esta semana à quadragésima-quinta edição do meu,
do seu, do nosso Grand Record Brazil, apresentando a segunda parte de uma
seleção dos primórdios do rock brasileiro, feita e digitalizada pelo amigo
Chico, administrador do blog Sintonia Musikal, que gentilmente a liberou para
os amigos cultos, ocultos e associados do nosso TM, e a quem mais uma vez
agradecemos a cortesia.
Abrindo a seleção desta semana, que perfaz um total de 13
fonogramas, o mambo-rock (ou rumba-rock) “Cha-hua-hua”, de Joe Lubin e Irving
J. Roth, na execução de Luizinho e seu Conjunto, gravação lançada pela Columbia
em 1958 com o n.o CB-11044-A, matriz CBO-1630, e que também integrou o LP “Um
baile com Luizinho”, reedição ampliada de um álbum de dez polegadas com o mesmo
título, editado um ano antes. Guitarrista, o músico teve também a banda
Luizinho e seus Dinamites, e faleceu na década de 1990. Em seguida outra faixa
instrumental, lançada pela mesma gravadora e também em 58, um pouco antes: o
rock “Short shorts”, de Tom Austin, Bob Gaudio, Billy Dalton e William
Crandall, integrantes do grupo americano Royal Teens, aqui na interpretação de
Bolão e seus Rockettes, disco CB-11035-A, matriz CBO-1556, sendo também faixa
do LP “Rock sensacional” (ironicamente reeditado mais tarde como “Viva a
brotolândia”, mesmo título do primeiro LP de Elis Regina!). Saxofonista,
clarinetista e flautista, Isidoro Longano, o Bolão (1925-2005)
profissionalizou-se como músico em 1944, integrando várias orquestras e, como
roqueiro, também gravou discos com os pseudônimos de Edward Long e Bob Longano,
além de ter também integrado os Jet Blacks.
O pianista Aldovrando de Castro, o popular Mestre Duda, foi durante anos muito popular na noite
paulistana, teve conjunto próprio e gravou diversos discos de cunho dançante.
Ele aqui comparece com “The Tennessee
rock and roll”, de Larry Coleman e Irving Reid, lançado em janeiro-fevereiro de
1958 pela Continental com o n.o 17514-B,
matriz 12017, faixa depois
incluída em seu segundo LP, “Vai
começar o baile”.
A faixa 4 é “Ski rock, ski roll”, de autoria de “Louis
Oliveira and friends”, interpretada pelo grupo Os Cometas, gravação Odeon de 29
de janeiro de 1957, lançada em abril seguinte com o n.o 14185-B, matriz 11520.
Na faixa 5, “A zoo rock”, composição e interpretação de Luiz de França, um
autêntico zoológico musical, com imitações de animais diversos. Foi o primeiro
lançamento, em 1959, de uma gravadora que durou pouco tempo, a Discobrás
(0001-A).
Cantor e compositor paulistano, Osvaldo Rodrigues (n.1920)
era linotipista nas oficinas de impressão do “Diário Oficial” de São Paulo
antes de seguir carreira musical, e os colegas de trabalho o incentivaram a
cantar. Gravou seus primeiros discos no selo Carnaval, da Star (futura
Copacabana) em 1951, com músicas para a folia de Momo. Sua discografia, também
nos selos Continental, Odeon e Philips, é bastante extensa: algo em torno de 50
discos 78, além de um compacto duplo e participações em LPs-coletâneas. Aqui,
Osvaldo interpreta “Personality”, grande sucesso de Lloyd Price, composto por
ele e Harold Logan, em versão de Sérgio Galvão e Neide Garcia. A gravação saiu
em outubro de 1959 pela Continental, com o n.o 17740-A, matriz 12359. A versão
teve também registros de Regina Célia e dos Golden Boys, na mesma ocasião.
Paraibano de João Pessoa, Jayro Aguiar (n. 1937) gravou seu primeiro disco em 1956, na
Copacabana, interpretando o samba “Uma noite no Rio” e a valsa “Sussu”. Tem
também nove Lps, vários 78 rpm e alguns compactos em sua discografia. Seu
último trabalho em disco foi o CD independente “Ontem, hoje e sempre”, nos anos
1990. Jayro Aguiar aqui comparece com o calipso “O herói da lambreta”, dele
próprio em parceria com o acordeonista Mário Mascarenhas, lançado pela
Copacabana em novembro de 1959 com o n.o 6051-A, matriz M-2508.
Liderado por Renato Barros, o grupo Renato e seus Blue Caps
foi um dos mais populares dos anos 1960/70, e também um dos ícones da Jovem
Guarda. Eis aqui uma faixa rara, em que eles aparecem com o nome de Os
Adolescentes, lançada em 1960 pela modesta gravadora Ciclone, com o número
12015-A: “Espante a tristeza (Shoo ya blues)”, de Luther Dixon e Smith, em
versão de Pedro Leandro Nunes. Foi aliás a estreia do grupo em disco.
Humorista e entrevistador de televisão, tendo criado tipos
inesquecíveis, o carioca Jô Soares (n. 1938) mostra aqui seu lado roqueiro com
a divertida “Volks do Ronaldo”, que ele mesmo lançou no compacto simples de
selo Farroupilha n.o FA-103-B, em 1963. Naquele tempo, é bom que se frise, o
Volkswagen 1300 ainda não era chamado de Fusca. Logo em seguida vem outro
comediante famoso, Tutuca, pseudônimo de Usliver João Baptista Linhares
(n.1934), famoso pelo bordão “Xiiiiiiii.....”. Ele aqui interpreta, de sua
autoria, “Playboy maluco”, gravação de 12 de maio de 1960, lançada em julho
seguinte, que inaugurou o selo Camden, da RCA Victor, com o n.o CAM-1001-A,
matriz 13-L3PB-0966. E olha só quem vem depois: José Messias. Sim, ele mesmo,
aquele jurado do Raul Gil! Admirado por uns, detestado por outros, ele aqui
interpreta, de sua autoria, o “Rock do Cauby”, satirizando a popularidade do
grande Cauby Peixoto, em gravação lançada pela Philips em abril de 1961, sob
n.o P-61088-H-A. Nascido em Bom Jardim de Minas, no ano de 1928, Messias tem
mais de duzentas composições gravadas, nas vozes de inúmeros intérpretes, como
Ângela Maria, Cauby Peixoto, Nélson Gonçalves, Roberto Carlos e José Ricardo,
entre outros.
Outro comediante querido, este lembrado com saudade pelo
público, Walter d'Ávila (Porto Alegre, RS, 1911-Rio de Janeiro, 1996) aqui
comparece com o “Rock do vovô”, de Bruno Marnet e Ari Monteiro, que gravou na
Odeon em 30 de junho de 1961, com lançamento em novembro seguinte sob n.o
14744-B, matriz 14802.
E encerramos esta seleção com chave de ouro, trazendo nada
mais nada menos que o futuro “Rei”, Roberto Carlos! Ele aqui interpreta, de
Hélio Justo e Erly Muniz, “Triste e abandonado”, lançada pela CBS em outubro de
1962 com o número 3239-B, matriz CBO-3495, e depois disponibilizada em compacto
duplo. Não poderia haver encerramento melhor para esta seleção, vocês não
acham? Pois então, divirtam-se!
sábado, 24 de novembro de 2012
Pedro Sorongo - Sorongando - Uma Coletânea Toque Musical (2012)
Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje eu atrasei, mas não
vacilei. Ainda no último momento do dia, aqui estou trazendo sempre uma boa
surpresa. Passei duas horas preparando esta coletânea especial e exclusiva em
homenagem ao grande músico, o compositor e percussionista Pedro Santos, ou mais
conhecido como Pedro ‘Sorongo’.
Ao ler uma mensagem postada hoje no blog pela Lys Araújo,
filha de Pedro, acabei me empolgando e passando a tarde toda ouvindo diversos
discos onde o artista deu lá a sua contribuição. Discos de diversos e
diferentes artistas e também trabalhos seus. Não foi fácil selecionar apenas 35
gravações. Aliás, difícil foi reduzir a apenas esse número. O cara gravou muito
e com muita gente. Separei aqui o que me pareceu mais interessante. Gosto pessoal,
mas com toda certeza irá agradar a muita gente. Como são muitas músicas,
podemos considerar este ‘webdisco’ um álbum duplo, ou triplo se fosse o caso de
ser vinil. Para embrulhar o presente, fiz também a capa e contracapa. Como
todos sabem, gosto de serviço completo. O bom de coletâneas como essa é que ela
só seria possível nessas circunstâncias. Comercialmente isso nunca iria
acontecer. Então, não percam tempo, vamos a mais “Uma Coletânea Toque Musical”.
São tantas as músicas que eu fiquei com preguiça de lista-las como de costume.
Mas vocês poderão checar na contracapa, ok? Vamos lá...
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segunda-feira, 19 de novembro de 2012
It's Rock 1 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 44 (2012)
Esta semana, em sua quadragésima-quarta edição, o Grand
Record Brazil apresenta a primeira de duas partes de uma seleção de rock (ou
coisa parecida) produzida e digitalizada pelo blog Sintonia Musikal, na pessoa
de seu administrador Chico, um autêntico especialista em resgatar o passado de
nossa música dita “jovem”, e seguidor de carteirinha do TM. Aquele abraço,
Chico!
Permitam-me os amigos cultos, ocultos e associados começar
minha resenha desta primeira parte pela faixa 5. Ela foi justamente o começo, o
pontapé inicial do rock tupiniquim. Estou falando da gravação feita pela
carioca Nora Ney (Iracema de Souza Ferreira, 1922-2003) de “Rock around the
clock”, de Jimmy de Knight e Max C. Freedman. A música era sucesso com Bill
Haley e seus Cometas, e fazia parte do filme “Sementes da violência (The
blackboard jungle)”, da MGM. Em 24 de outubro de 1955, Nora compareceu ao
estúdio da Continental, no Edifício Cineac-Trianon (Avenida Rio Branco, esquina
com Rua Bittencourt da Silva, em frente ao lendário Café Nice) para gravar sua
personalíssima versão deste rock pioneiro, lançada em novembro-dezembro do
mesmo ano com o n.o 17217-A, matriz C-3730. Foi assim que o rock and roll
começou a balançar a juventude brasileira!
No restante do programa que o Chico nos oferece, outras doze
peças raras, curiosas e interessantes do início do rock brasileiro, a chamada
“pré-Jovem Guarda”. Nem mesmo a pianista Carolina Cardoso de Menezes (Rio de
Janeiro, 1916-idem, 1999) resistiu aos encantos do chamado “ritmo alucinante”,
compondo e executando o seu “Brasil rock”, em gravação Odeon de 14 de março de
1957 (14191-B, matriz 11601), lançada em maio daquele ano. Em seguida vem a
faixa mais antiga desta seleção do amigo Chico: uma versão em português de
“Jambalaya (On the bayou)”, clássico country de Hank Williams, assinada pelo
comediante Edair Badaró, então atuando nas Emissoras Unidas (Rádio e TV Record
de São Paulo). Na interpretação, Neyde
Fraga (São Paulo, 1924-Rio de Janeiro, 1987), então também atuando na Record.
Gravado pela Odeon em 4 de setembro de 1953 e lançado em novembro do mesmo ano
(13527-A, matriz 9873), este é considerado o maior sucesso da cantora. Em
seguida, a versão de Aloysio de Oliveira para “In the mood”, clássico da big
band de Glenn Miller, de Joe Garland e Andy Razaf, interpretada pelo Bando da
Lua, formado e dirigido por Aloysio, com o nome de “Edmundo”. Gravação de 8 de
junho de 1954, feita nos EUA pela Decca (hoje Universal Music), mas só lançada
no Brasil vinte anos mais tarde, no LP “Bando da Lua nos EUA”, produzido por
João Luiz Ferrete para a Chantecler, então representante da Decca/MCA. Depois,
o curioso “rock-baião-samba” “Eu sou a tal”, de Murilo Vieira, Edel Ney e
O.Vargas, interpretado por Mara Silva (Isabel Gomes da Silva, Campos, RJ,
n.1930), em gravação lançada pela RGE em dezembro de 1957 (10076-A, matriz
RGO-335). A faixa 6 traz aquele que é considerado o primeiro rock cem por cento
brasileiro, letra e música: “Rock and roll em Copacabana”, assinado por esse
verdadeiro cronista que foi Miguel Gustavo, e gravado na RCA Victor por Cauby
Peixoto em 30 de janeiro de 1957, com lançamento em maio seguinte (80-1774-A,
matriz 13-H2PB-0043). Temos depois a versão feita pelo radialista Paulo Rogério
para o conhecido mambo-rock “Tequila”, de Chuck Rio, originalmente
instrumental. A gravação coube à carioca Araci Costa (1932-1976) e saiu pela
Continental em setembro-outubro de 1958, com o número 17595-A, matriz C-4123.
“Tequila” era um dos números mais apreciados da orquestra do “bandleader” e
vibrafonista Sylvio Mazzucca (São Paulo, 1929-idem, 2003), que curiosamente vem
aqui com o chá-chá-chá “Cerveza”, de Boots Brown, em gravação lançada pela
Columbia no mesmo ano de 1958 (CB-11079-A, matriz CBO-1767). O cantor Mário
Augusto, criador de hits como “O amor de Terezinha” e “Calcutá”, aqui comparece
com a versão de Fred Jorge para “Claudette”, de Roy Orbison, extraída de seu
segundo disco, o Odeon 14372-B, gravado em 26 de agosto de 1958 e lançado em
setembro do mesmo ano, matriz 12848. “A minha, a sua, a nossa favorita” (como
César de Alencar a anunciava em seu programa na Rádio Nacional) Emilinha Borba
vem aqui com a versão do misterioso A.Bourget para o chá-chá-rock “Patrícia”,
de Pérez Prado, lançada pela Columbia também em 1958 (CB-11070-B, matriz
CBO-1766). Marita Luizi, um daqueles nomes atualmente relegados ao mais
completo esquecimento, apesar de terem tido sua época, aqui comparece com o
calipso “Sonho maluco”, de Elzo Augusto e Miranda, lançado pela Copacabana em
dezembro de 1959 com o n.o 6086-B, matriz M-2590, o segundo de seus três discos
nesse formato. Marita também deixou um LP intitulado “Os grandes momentos”
(Alvorada/Chantecler, 1978), ao que parece coletânea, e participou do álbum
“Cinco estrelas apresentam Inara” (Copacabana, 1958), reunindo músicas de Inara
Simões de Irajá (suas faixas nesse disco são”E ele não vem” e “Boca da noite”).
Outro nome da pré-história de nosso rock and roll, Regina Célia, comparece aqui
com a divertida “Aula de inglês em rock”, de Canarinho e Kid Sax, gravada na Polydor
em 9 de dezembro de 1959 e lançada em janeiro de 60 no 78 rpm n.o 342-B, matriz
POL-3774. Encerrando esta primeira seleção do amigo Chico, Cizinha Moura, que
deixou apenas dois discos 78 com quatro músicas, aqui interpretando, do segundo
e último deles, o Chantecler 78-0134-B, lançado em junho de 1959, o fox
“Brotinho Lili”, de Alberto Roy e Domingos Paulo, matriz C8P-268. Enfim, um
interessante panorama dos primórdios do rock and roll no Brasil, que
continuaremos na próxima semana, sempre agradecendo ao Chico do Sintonia
Musikal pela gentileza de permitir o aproveitamento desta seleção no GRB. Até
lá!
SAMUEL
MACHADO FILHO.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Toque Importante Aos Associados GTM
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PERCEBO QUE DOS QUASE DOIS MIL ASSOCIADOS, APENAS UMA PEQUENA PARCELA É ATIVA, PARTICIPA E SEGUE AS POSTAGENS DO TOQUE MUSICAL. ASSIM SENDO, LIMITO O COMPARTILHAMENTO, ELIMINANDO ASSOCIAÇÕES PASSIVAS. QUEM NÃO CORRE ATRÁS, NÃO VISITANDO O TOQUE MUSICAL, VAI FICAR NO 'BARCO' APENAS BOIANDO, SEM USUFRUIR CORRETAMENTE DO QUE NELE É OFERECIDO.
POR OUTRO LADO, ESSA AÇÃO TEM TAMBÉM O SENTIDO DE REDUZIR, OU ELIMINAR, UM COMPARTILHAMENTO QUE EU CHAMARIA DE 'OBRIGATÓRIO'. DE AGORA EM DIANTE, CADA ASSOCIADO ACESSA APENAS AQUILO QUE LHE FOR DE INTERESSE.
- DÚVIDAS, SUGESTÕES E OUTROS ASSUNTOS DEVEM SEGUIR ATRAVÉS DESTE CANAL: toquelinkmusical@gmail.com
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