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segunda-feira, 24 de junho de 2013

Elvira Pagã - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 59 (2013)

E eis de volta o Grand Record Brazil, para alegria dos amigos cultos, ocultos e associados do TM. Nesta quinquagésima-oitava edição, estamos trazendo de volta, mais uma vez graças ao esforço do amigo e colecionador Beto de Oliveira, parcela substancial da carreira-solo de Elvira Pagã.
Nossa biografada, cujo nome de batismo era Elvira Olivieri Cozzolino, nasceu na cidade paulista de Itararé, divisa de São Paulo com o Paraná, no dia 6 de setembro de 1920. Ainda pequena, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde estudou num colégio de freiras, o Imaculada Conceição. Ainda estudante, organizava com a irmã, Rosina, inúmeras festas onde travariam inúmeras relações com o meio artístico da então Capital da República, sobretudo com os integrantes do Bando da Lua. Ainda na década de 1930, Rosina e Elvira atuaram em um espetáculo de inauguração do Cine Ipanema, ao lado dos Anjos do Inferno. Nessa ocasião receberam, de Heitor Beltrão, o apelido de Irmãs Pagãs (como a dupla ainda não tinha nome, Heitor a considerava “pagã”), que adotariam para o resto da vida.
As Irmãs Pagãs se apresentaram em inúmeras emissoras de rádio, como a Mayrink Veiga, e gravaram juntas um total de treze discos. Por quatro meses, excursionaram pela Argentina, Peru e Chile. Atuaram nos filmes  “Alô, alô, carnaval”(1935), “O bobo do rei”, “Cidade-mulher” (ambos de 1936), “Favela” (1939), “Laranja da China” (1940) e a produção argentina “Trés anclados em Paris” (1938).
A dupla encerrou-se em 1940, com o casamento de Elvira, e ambas passam a seguir carreiras independentes. Elvira Pagã tornou-se uma das maiores estrelas do teatro de revista, disputando com Luz del Fuego (Dora Vivacqua, Cachoeiro de Itapemirim, ES, 1917-Rio de Janeiro, 1967) o papel de destaque entre as mulheres brasileiras mais ousadas de seu tempo: foi a primeira a trajar biquini em Copacabana e, nos anos 1950, posou nua para uma foto, que distribuiu, vejam vocês, como cartão de Natal! Elvira foi também responsável direta por uma das tentativas de suicídio do compositor Assis Valente (ele cortou os pulsos, mas foi salvo), ao cobrar dele uma dívida escandalosa de 4.000 cruzeiros. Sua beleza e sensualidade lhe fizeram a fama (e lhe causaram até mesmo inúmeras prisões), tornado-a uma das “sex symbols” mais cobiçadas da época. Seu fã mais ardoroso era o perigosíssimo bandido Carne Seca, cuja cela na prisão estava abarrotada de fotos de Elvira, com destaque para uma na qual a vedete estava deitada sobre uma pele de onça, e onde se lia a dedicatória: “Para Carne Seca, um consolo de Elvira Pagã”.  Foi a primeira rainha do carnaval carioca – uma inovação nos festejos de Momo, que até hoje se mantém. No cinema, participou dos filmes “Carnaval no fogo” e “Dominó negro”, ambos de 1949, e “Aviso aos navegantes”, de 1950, também fazendo pontas em “Vegas nights” (1948) e “Écharpe de seda” (1950).
A partir dos anos 1970, passou a dedicar-se à pintura, adotando um estilo esotérico, mas não obteve muito destaque nessa atividade. Com a maturidade, Elvira foi se tornando misantropa e temperamental, evitando qualquer tipo de contato pessoal, principalmente com jornalistas e pesquisadores.
Elvira Pagã faleceu no Rio de Janeiro, em 8 de maio de 2003, fato este só divulgado três meses depois pela irmã, Rosina, então residindo nos EUA.
Como cantora-solo, Elvira gravou, em 78 rpm, doze discos com vinte e três músicas, onze delas de sua própria autoria (sendo a primeira delas o samba-jongo “Batuca daqui, batuca de lá”), entre 1944 e 1959. Desta produção, o GRB apresenta 16 preciosíssimos fonogramas. Para começar, as músicas de seu disco de estreia como solista, o Continental 15174, lançado em junho de 1944, apresentado os sambas “Arrastando o pé”, de Peterpan e Afonso Teixeira, matriz 829, e “Samburá”, de Gadé e Walfrido Silva, matriz 830. Em seguida,, os sambas de seu terceiro disco, também na então “marca dos três sininhos”, lançado em junho de 45 sob número 15353: “Na Feira do Cais Dourado”, de Nélson Teixeira e Nélson Trigueiro, matriz 1112, e “Um ranchinho na lua”, de Babi de Oliveira, matriz 1111. Em dezembro de 1949, Elvira lança pela Star, para o carnaval de 50, disco 169, duas composições de Sebastião Gomes e Nélson Teixeira: a “Marcha do ré” e o samba “Sangue e areia”. Ainda de 1950, apresentamos o disco Star 217, com o baião “Vamos pescar”, da própria Elvira mais Valentim, e o baião “Sururu de capote”, de José Cunha e Ramiro Guará, referência a uma iguaria gastronômica muito apreciada em Alagoas, em que o sururu, um molusco, é cozido ainda dentro da concha com leite de coco, tomate, cheiro verde e outros temperos. Depois, retira-se o caldo e serve-se o sururu, tanto como petisco como refeição, acompanhado de muita pimenta, pirão e purê de macaxeira (“Sururu de capote” deu título até mesmo a uma música do alagoano Djavan, por ele gravada em seu primeiro álbum, e à banda que o acompanhava em seus shows).
Para a folia de 1951, Elvira lança sob o selo Carnaval, da Star, disco 038, a marchinha “A rainha da mata”, dela própria com Valentim (referência direta à sua eleição para rainha do carnaval carioca, a primeira de longa dinastia) e o samba “Pau rolou”, de Sátiro de Melo e Manoel Moreira. Ainda em 51, a mesma Star lança, com o número 269, duas composições da própria Elvira: no lado A, o samba ”Cassetete, não!”, sem parceiro, ironizando os maus-tratos por ela sofridos em uma delegacia depois de uma de suas muitas passagens pela polícia, dada sua postura, então considerada imoral e agressiva por muitos. A música fez tanto sucesso que era cantada por travestis, que sofriam (como ainda hoje sofrem) perseguições policiais. Os “travecos”, quando davam as caras com os homens da lei, cantavam a música imitando os trejeitos de Elvira! No verso desse disco, apareceu o baião “Saudade que vive em mim”, parceria dela com Valentim.
 Apresentamos depois as músicas do único 78 de Elvira Pagã no selo Ritmos, para o carnaval de 1956, número 20-0060, com duas composições próprias: a marchinha “Marreta o bombo” e o samba “Condenada”. Por fim, as músicas de seu penúltimo disco, o Marajoara MA-10009, para o carnaval de 1959, também da própria Elvira: a marchinha “Papel pintado”, matriz M-17, com parceria de Orlando Gazzaneo, e o samba “Você partiu”. Matriz M-18, que ela fez com Airão Reis e Nélson de Oliveira. Enfim, é com muita alegria que apresentamos esta retrospectiva de Elvira Pagã, e quem tiver as cinco músicas que ainda faltam para completar sua discografia-solo, entre em contato com o amigo Beto pelo email: betodec39@yahoo.com.br, que ele está no aguardo!

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Linda Rodrigues 3 1/2 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 58 (2013)


Como vocês bem se recordam, os três últimos volumes do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil apresentaram a discografia quase completa em 78 rpm da cantora Linda Rodrigues, fruto de esforçadíssimo trabalho do nosso amigo e colaborador Alberto de Oliveira. Pois bem: para este último volume, reservamos uma surpresa bastante agradável: as cinco gravações de Linda que faltavam! Afinal, quem deve tem que pagar, e só agora é que o Beto conseguiu essas faixas, porém nunca é tarde, não é mesmo? Portanto, é com muita alegria que completamos a coleção de Linda Rodrigues em 78 rpm com estas cinco faixas: “Enxugue as lágrimas”, samba lançado em janeiro de 1945, de Elpídio Viana e Carneiro da Silva, lado A do primeiro disco da cantora, o Continental 15222, matriz 892; “Os dias que lhe dei”, samba-canção de Newton Teixeira e Ayrton Amorim, lado A do disco Star 243, de 1951; “De mão em mão”, samba de Lecinho e Jaú, lançado também pela Star em dezembro de 1951 para o carnaval de 52 (disco 308-B); “Fique em casa”, samba-canção de Raymundo Olavo e Benê Alexandre, lançado em abril de 1954 (disco 16944-A, matriz C-3327); e “Chorar pra quê?”, samba de Aldacir Louro e Silva Jr., gravado na RCA Victor em 9 de outubro de 1957, com lançamento em janeiro de 58 para o carnaval (disco 80-1901-A, matriz 13-H2PB-0265). E, como complemento, apresentamos uma das últimas gravações da cantora: o samba-canção “Maldade”, extraída do primeiro dos dois compactos simples por ela gravados em esquema de produção independente. Aliás, o Beto conseguiu essa faixa graças a uma sugestão que dei a ele: o Beto viu no canal do MC Paulinho, no YouTube, um vídeo com essa gravação, e sugeri a ele que baixasse o vídeo, convertendo o áudio para mp3. Deu certo, como vocês ouvirão. Enfim, serviço completo para nossos amigos cultos, ocultos e associados! Afinal, quem espera sempre alcança... Lembrando que as músicas “Parceiro de Schubert” e “Escrava Isaura”, que revivemos no primeiro volume desta retrospectiva, são de Paulo Marques e Aylce Chaves, sendo que na “Isaura” eles têm Napoleão Alves como parceiro. Até a próxima, pessoal!

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO 


segunda-feira, 10 de junho de 2013

Linda Rodrigues 3 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 57 (2013)

E chegamos, nesta edição do Grand Record Brazil, a de número 57, à terceira e última parte da retrospectiva por nós dedicada à cantora e compositora Linda Rodrigues. E, de acordo com reportagem publicada pela “Revista do Rádio” em 1963, Linda era mesmo carioca, do bairro da Tijuca. Formou-se em enfermagem pela Escola Ana Nery, atendendo a um pedido de sua mãe, mas jamais exerceu a profissão. Linda se apresentou artisticamente como cantora pela primeira vez em 1935, na Rádio Transmissora carioca, sob a orientação de Renato Murce, atuando com outros futuros astros da MPB e então também amadores como ela: Emilinha Borba, Ciro Monteiro, Orlando Silva e Odete Amaral. Linda atuou dois anos na Rádio Clube do Pará, em Belém, cidade onde também iniciou seus estudos de enfermagem, e ao regressar a seu Rio de Janeiro natal, cantou na Rádio Cruzeiro do Sul. Em 1939, fez sua primeira viagem artística, atuando na Feira de Amostras do Recife (PE), e também passou dois meses na Bahia. Voltando ao Rio, foi contratada pela lendária Rádio Nacional. Também atuou em São Paulo, na PRG-2, Rádio Tupi (então “a mais poderosa emissora paulista”) e em shows, no ano de 1940. De volta a seu Rio natal, foi contratada para cantar nos cassinos da Urca e Icaraí. Em 1943, Linda transfere-se para a PRG-3, Rádio Tupi do Rio (“o cacique do ar”) e troca a Urca pelo Cassino Atlântico. Volta mais tarde ao Icaraí, onde fica até a proibição do jogo no Brasil, em 1946. De 1945 a 1957, com uma interrupção durante um período em que adoecera, Linda atuou na Rádio Mayrink Veiga, para a qual voltou em 1962, desta feita ficando um ano, transferindo-se para a Rádio Mauá, onde encerrou sua trajetória radiofônica.
E é com este volume que encerramos o retrospecto da carreira de Linda Rodrigues em disco, iniciada, como vocês bem se lembram, em 1945. Desta feita, apresentamos 13 preciosas e históricas gravações. Abrindo nossa seleção da semana, as faixas de seu segundo 78 rpm na RCA Victor, n.o 80-1798, gravado em 21 de março de 1957 e lançado em junho seguinte, ambas sambas-canções: “Pianista”, de Irany de Oliveira e Ari Monteiro, matriz 13-H2PB-0067 (curiosamente regravado por Cauby Peixoto em 1989), “Comentário barato”, de autoria do violonista Jayme Florence, o Meira dos regionais, e J. Santos, matriz 13-H2PB-0068. De seu terceiro disco na marca do cachorrinho Nipper, destinado ao carnaval de 1958, n.o 80-1901, apresentamos o lado B, o samba “Quando o sol raiar”, de Mirabeau Pinheiro (também co-autor dos clássicos “Cachaça”, “Jarro da saudade” e “Tem nêgo bebo aí”, entre outras), Sebastião Mota e Urgel de Castro. Gravado em 9 de outubro de 1957 e lançado em janeiro de 58, matriz 13-H2PB-0272, também fez parte do LP coletivo “Carnaval RCA Victor – volume 1” (não esquecendo de que esta era uma época de transição de formatos, do 78 para o vinil, que desbancou de vez a quebradiça bolacha de cera em 1964). A 28 de janeiro de 1958, Linda grava “Sereno no samba”, de Aldacir Louro  e Dora Lopes, matriz 13-J2PB-0345, e, fiel à dor-de-cotovelo que era sua especialidade, um bolero dela mesma em parceria com o mesmo Aldacir, “Nada me falta”, matriz 13-J2PB-0346. Gravações estas que foram para as lojas em abril do mesmo ano com o n.o 80-1935.  Já para o carnaval de 1959, a primeiro de outubro de 58, Linda Rodrigues grava duas composições próprias com parceiros: o samba “Tem areia” (com José Batista), matriz 13-J2PB-0499, e a “Marcha da folia” (com Aldacir Louro e Silva Júnior), matriz 13-J2PB-0500, lançadas um mês antes da folia, em janeiro, com o n.o 80-2025. Em 27 de janeiro de 1959, Linda grava seu último disco na RCA Victor, n.o 80-2054, lançado em abril seguinte. Abrindo-o, um bolero que fez com Aldacir Louro, “Meu romance”, matriz 13-K2PB-0577 (regravado por Francisco Carlos em 1985). No verso, matriz 13-K2PB-0578, o samba-canção “Mesa discreta”, de Elias Cortes. Em seguida, por causa de mudanças na direção artística da RCA Victor, Linda Rodrigues teve rescindido seu contrato com a empresa. Um ano mais tarde, lança seus dois últimos 78 rpm, pela Chantecler: em agosto, sai o disco 78-0297, que abre com o clássico samba-canção “Negue”, de Adelino Moreira em parceria com o radialista Enzo de Almeida Passos (criador dos programas “Telefone pedindo bis” e “A grande parada Brasil”), matriz C8P-593, lançado em janeiro do mesmo ano por Roberto Vidal e inúmeras vezes regravado (em 1978, Maria Bethânia o reviveu com sucesso em seu LP “Álibi”). No verso, matriz C8P-594, um samba-canção da própria Linda mais um certo Castelo: “Tenho moral”. E, em novembro de 1960, sai o disco 78-0357, que abre com o samba-canção “Companheiras da noite”, dela mesma com Aylce Chaves e William Duba, matriz C8P-713, e no verso, matriz C8P-714, apareceu a segunda gravação que fez para o clássico “Lama”, de Paulo Marques e Aylce Chaves. “Companheiras da noite”, por sinal, deu título àquele que, ao que parece, seria seu único LP gravado (Chantecler CMG-2119), editado em 1961, e no qual as três outras faixas que gravou na “marca do galinho madrugador” também apareceram, sendo a regravação de “Lama” a faixa de abertura. Enfim, é com muita satisfação e a alegria do dever cumprido, que encerramos esta retrospectiva que o GRB dedicou a Linda Rodrigues, agradecendo a imprescindível colaboração do amigo Alberto Oliveira. Como percebem vocês, um esforço que valeu a pena, e muito!

*Texto de Samuel Machado Filho 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Linda Rodrigues 2 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 56 (2013)


Em sua quinquagésima-sexta edição, o meu, o seu, o nosso Grand Record Brazil apresenta a segunda de três partes que resgatam parcela substancial do legado da cantora Linda Rodrigues, uma personagem tão fascinante quanto misteriosa da história de nossa música popular. Ninguém sabe por que razão pouco ou nada se sabe a respeito desta talentosa cantora-compositora. Mas o GRB aqui está para oferecer tudo o que foi possível reunir das gravações de Linda em 78 rpm, por iniciativa do amigo e colaborador Alberto Oliveira.
Nesta segunda parte de nosso retrospecto, oferecemos vinte preciosos fonogramas de Linda. Abrindo-a, o bolero “Nossos caminhos”, de Ayrton Amorim e Nogueira Xavier, gravado na Continental em 10 de abril de 1952 e lançado em maio-junho seguintes, matriz C-2840, o lado B do disco 16559 (cujo lado A, o clássico “Lama”, encerrou nosso volume anterior). Na sequência, os dois lados do Continental 16742,  lançado em maio-junho de 1953: os sambas-canções, ambos de Paulo Marques, “Fui amigo”(parceria de David Barcelos, matriz C-3065) e “Mesa de bar” (parceria da notável Dora Lopes, matriz C-3066). No Continental 16822, lançado em setembro-outubro de 1953, Linda interpreta o fox “O homem que eu amo”, matriz C-3178, versão de Mayu Atty (quem seria?) para o standard americano “The man I love”, dos irmãos Ira e George Gershwin, publicado em 1927 e desde então muito gravado, e o samba-canção “Flor do lodo”, de Ary Mesquita, matriz C-3179, cuja gravação original saiu em março do mesmo ano, na interpretação da já veterana Aracy Cortes. Em seguida, vêm duas músicas que Linda gravou na Sinter para o carnaval de 1953, e lançadas em janeiro desse ano com o número 00-00.182: o samba “Sombra e água fresca”, de Ruço do Pandeiro e Geraldo Mendonça, matriz S-391, e a marchinha “Bambeio mas não caio”, de seus inseparáveis amigos e parceiros Paulo Marques e Aylce Chaves, mais a vedete Elvira Pagã, que formou dupla de sucesso com a irmã Rosina (eram as famosas Irmãs Pagãs), matriz S-392.  Vem mais carnaval em seguida, agora o de 1954, no Continental 16888, lançado em janeiro desse ano: o samba “Sereno cai”, de Raul Sampaio (cantor e compositor que integrou a terceira formação do Trio de Ouro, ao lado de seu fundador, Herivelto Martins, e de Lourdinha Bittencourt) em parceria com Ricardo Galeno, matriz C-3224, e a marchinha “Tá tão bom”, assinada por um trio chamado Os Três Amigos (quem seriam?), matriz C-3223. Do Continental 16944, lançado em abril de 1954, apresentamos o lado B, o samba-canção “Farrapo de calçada”, matriz C-3328, composição da própria Linda Rodrigues sem parceria, mais tarde regravado pelo cantor Roberto Muller. Em seguida, as duas faixas do Continental 17058, lançado em janeiro de 1955, ambas sambas-canções. Abrindo-o, “Ninguém me compreende”, matriz C-3456, de autoria de Peterpan (José Fernandes de Almeida, Maceió, AL, 1911-Rio de Janeiro, 1983). Autor de clássicos como “Última inspiração”, “Se queres saber” e “Fita meus olhos”, Peterpan era cunhado da cantora Emilinha Borba, que, curiosamente, regravaria “Ninguém me compreende” em 2003, em seu último disco, o CD independente “Emilinha pinta e Borba”. No verso, matriz C-3457, outro hit de Linda Rodrigues, por ela composto em parceria com José Braga, “Vício”, regravado em 1980 por Cármen Costa. Depois temos os dois lados do Continental 17158, gravado em 18 de março de 1955 e lançado em outubro do mesmo ano. Abrindo-o, matriz C-3604, o samba “Olha no espelho”, da dupla Zé e Zilda (José Gonçalves, o Zé da Zilda, havia falecido em outubro de 1954, de AVC). No verso, matriz C-3606, o fox “Aquilo que eu vejo”, de Vicente Paiva e Chianca de Garcia, amigos e colegas desde os tempos do Cassino da Urca. Para o carnaval de 1956, Linda Rodrigues grava na Todamérica, a 18 de outubro de 55, com lançamento ainda em novembro sob número TA-5591, a marchinha “Rico é gente bem”, de Ari Monteiro, A  Rebelo e J. Rupp, matriz TA-889, e o samba 'Folha de papel”, também de Ari Monteiro em parceria com Paulo Marques e Sávio Barcelos, matriz TA-890. Linda despediu-se de vez da Continental com o disco 17279, editado em abril-maio de 1956. De um lado, um samba-canção dela própria em parceria com Aylce Chaves, “Farrapo humano”, matriz C-3796, certamente inspirado no filme americano de mesmo nome (no original, “The lost weekend”), de 1945, produzido pela Paramount e estrelado por Ray Milland. No verso, matriz C-3797, um samba de Noel Rosa (1910-1937) em parceria com Henrique Brito, seu companheiro no Bando de Tangarás, “Queimei teu retrato”, até então inédito em disco e cujo ano de composição é ignorado. Para finalizar, apresentamos as faixas do disco de estreia da cantora na RCA Victor, número 80-1705, gravado em 13 de setembro de 1956 e lançado em novembro seguinte, visando o carnaval de 57, ambas marchinhas: “A dona da casa”, de Arnô Canegal (Rio de Janeiro, 1915-idem, 1986) e uma certa Dina, matriz BE6VB-1301, e “Barca da Cantareira”, de Arnaldo Ferreira e J. Rupp, matriz BE6VB-1302. A barca do título fazia na época o trajeto do Rio de Janeiro a Niterói, antes da construção da ponte fixa. Das duas faixas, “A dona da casa” foi a única a chegar também ao LP, no álbum coletivo “Carnaval RCA Victor”. Na próxima semana, encerraremos esta nossa retrospectiva dedicada a Linda Rodrigues. Até lá!


*Texto de SAMUEL MACHADO FILHO 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Cyro Monteiro - 100 Anos - Coletânea Comemorativa Toque Musical (2013)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Ontem, dia 28, eu por descuido, deixei passar em branco a comemoração de centenário de Cyro Monteiro. Se estivesse vivo, estaria completando 100 anos. Como foi dito por alguns, nesta data poucos foram aqueles que lembraram do grande artista. Afinal, Cyro Monteiro não foi apenas mais um cantor de samba. Muito aliás, foi cantor e compositor. Teve uma atuação marcante na música popular brasileira, sendo responsável por inúmeros sambas de sucessos, que se tornaram clássicos.
Para celebrar este centenário, montei aqui agora, meio às pressas, essa coletânea, trazendo doze momentos ainda da fase do bolachão. Cyro Monteiro até merecia mais, uma coletânea de peso, equivalente a um álbum triplo. Mas para que tenhamos em outras oportunidades novas postagens com o artista, vou limitando a seleção, que por certo irá agradar. Vamos conferir?

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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Linda Rodrigues - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 55 (2013)

Esta semana, o Grand Record Brazil, em sua edição de número 55, apresenta a primeira parte, de uma série de três, em que iremos focalizar o trabalho de uma cantora excelente, que teve sua época, mas que infelizmente foi esquecida com o passar do tempo. Refiro-me a Linda Rodrigues.
Nossa focalizada recebeu, na pia batismal, o nome de Sophia Gervasoni, e veio ao mundo no dia 11 de agosto de 1919, provavelmente no Estado do Rio de Janeiro. Embora seu primeiro disco tenha sido lançado para o carnaval de 1945, pela Continental, Linda Rodrigues é considerada uma das intérpretes da música popular brasileira que melhor representa e celebra a chamada dor-de-cotovelo. Linda também foi compositora, e fez trabalhos para outros artistas, em parceria com nomes do quilate de J. Piedade e Aylce Chaves, entre outros. Sua discografia, além da Continental,  inclui passagens pelos selos Star, Carnaval, Sinter, Todamérica, RCA Victor e Chantecler. Nesta última, em 1961, lançou aquele que parece ter sido seu único LP, “Companheiras da noite”. Seu maior sucesso foi o samba-canção “Lama”, de Paulo Marques e Aylce Chaves (que está neste volume), e outros hits da cantora foram os sambas-canções “Vício”, dela própria com José Batista, e “Negue”, clássico de Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos, que apresentaremos nos próximos volumes deste nosso retrospecto. Em 78 rpm, Linda gravou um total de 30 discos com 59 fonogramas, além do LP já mencionado, e alguns compactos de produção independente, e faleceu no Rio de Janeiro, em 16 de novembro de 1995, aos 76 anos, de infecção pulmonar e problemas cardíacos (miocardiopatia e arritmia).
Neste primeiro volume que o GRB dedica a Linda Rodrigues, apresentamos 21 preciosos fonogramas, correspondentes aos primeiros anos de sua carreira. Trabalho esse resultante do esforço do amigo e colaborador Alberto Oliveira, que reuniu as gravações de Linda em 78 rpm que iremos apresentar nestes 3 volumes. Ficaram faltando cinco delas, mas o esforço dele valeu a pena, como vocês irão constatar.
De seu 78 de estreia, o Continental 15222, lançado em janeiro de 1945 para o carnaval, está o lado B, o samba “Abaixo do nível”, de Alvaiade e Odaurico Mota, matriz 893. O disco seguinte, o Continental 15280, lançado em março de 1945, vem com as duas faixas, também sambas: “Você não sabe amar”, de João Bastos Filho e Antônio Amaral, matriz 1028, e “...E Odete não voltou”, de Paquito e José Marcílio, matriz 1027. Em setembro de 1945, saíram mais dois sambas, no disco 15423: “Arma perigosa”, de Paquito e Paulo da Portela, matriz 1136, e “Cantora de samba”, de Amado Régis, matriz 1137. Para o carnaval de 1946, Linda lança quatro músicas, todas aqui incluídas: no Continental 15554, lançado ainda em dezembro de 45, o samba “Sublime perdão”, de Amado Régis, matriz 1315, e a marchinha “Quando a gente fica velho”, matriz 1316, dela própria com Aylce Chaves e o mesmo Amado Régis que assina a música do lado ª Em janeiro de 46 sai o disco 15585, com a marchinha “Atchim!”, de J.Piedade e Príncipe Pretinho, matriz 1381, e o samba “Claudionor”, de Cândido Moura e Miguel Baúso, matriz 1382. Em março de 1946, Linda lança o samba “Não adianta chorar”, de Ari Monteiro e Felisberto Martins, no Continental 15591-A, matriz 1399 (o outro lado é com Emilinha Borba, apresentando a batucada “Ai, Luzia!”, de Guaraná e Jararaca). Em junho de 1946, no Continental 15644, saem dois sambas de Paquito (Francisco da Silva Fárrea Júnior, 1915-1975), consagrado compositor de sucessos carnavalescos: “Banco de jardim”, parceria dele com Dorival Aires e Jaime de Souza, matriz 1444, e “Banco de praça”, que ele assina junto com Carlos de Souza e João Bastos Filho, matriz 1443. A primeiro de julho de 1948, Linda grava a rumba “Jack, Jack, Jack”, de Haroldo Barbosa e Armando Castro, matriz 1900, e o samba “Mais um amor, mais uma desilusão”, de José Maria de Abreu, matriz 1901, que a Continental irá lançar para seu suplemento de julho a setembro desse ano, com o número 15926. A marchinha “Parceiro de Schubert” e o samba “A escrava Isaura” saíram pela Star, para o carnaval de 1948, disco 0009, que não consta nem mesmo na Discografia Brasileira em 78 rpm, e eu próprio não encontrei informações a respeito de quem seriam seus autores, quem souber favor informar pra gente. Para a folia de 1951, Linda grava o disco Carnaval 008, com o samba  “Vou partir”, de Aylce Chaves e Paulo Gesta, e a batucada “Batuqueiro novo”, de Tancredo Silva, Rual Marques e José Alcides. Do disco Star 243, também de 1951, vem o lado B, o samba africano “Raça negra”, também de Aylce Chaves e Paulo Gesta. Por essa mesma gravadora, futura Copacabana, Linda lança, para o carnaval de 1952, e ainda em dezembro de 51, o disco 308, do qual apresentamos o lado A, a marchinha “Recruta 23” (referência a programa humorístico da Rádio Mayrink Veiga do Rio de Janeiro, então grande rival da poderosa Nacional, e de grande audiência na época), de autoria do radialista, compositor e pianista  Aloysio Silva Araújo e do comediante Zé Trindade (aquele do bordão “Mulheres, cheguei!”). Por fim, encerrando esta primeira parte, apresentamos aquele que foi o maior sucesso da carreira de Linda Rodrigues: o samba-canção “Lama”, de Paulo Marques e Aylce Chaves, regravado mais tarde por Ângela Maria e Maria Bethânia, entre outros intérpretes, e até hoje um clássico. Linda o imortalizou na Continental em 10 de abril de 1952, com lançamento em maio-junho do mesmo ano sob número 16559-A, matriz C-2839. Um fecho realmente de ouro para a primeira parte desta nossa retrospectiva a respeito de Linda Rodrigues. Até a próxima!

TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Jacob Do Bandolim 7 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 54 (2013)

E chegamos à edição número 54 do Grand Record Brazil. Uma trajetória muito boa, mas certamente iremos muito além, graças a vocês, nossos amigos cultos, ocultos e associados que tanto nos prestigiam. Aqui, encerramos a nossa retrospectiva dedicada ao mestre Jacob do Bandolim, apresentando mais preciosos fragmentos extraídos de suas apresentações radiofônicas.
Nas primeiras faixas, apresentamos excertos de uma apresentação feita por Jacob na Rádio Bandeirantes de São Paulo, então conhecida como “a mais popular emissora paulista”, no ano de 1962, quando a emissora funcionava em um prédio da Rua Paula Souza, zona cerealista da capital bandeirante, com apresentação de um importantíssimo nome da radiofonia paulistana, Moraes Sarmento. Abrindo o programa, a clássica valsa “Revendo o passado”, de Freire Júnior, cuja primeira gravação, apenas instrumental, surgiu em 1926, a cargo da Banda da Casa Edison. Em 1933, surgiu o primeiro registro cantado, na voz de Augusto Calheiros (“a patativa do Norte”). Tem várias outras gravações, e é lembrada até hoje. Depois vem o choro “Ingênuo”, que, segundo o próprio Pixinguinha, era, de todas as músicas que compôs, a que mais admirava. Sua primeira gravação surgiu em 1947, num daqueles famosos duetos entre o sax do mestre Pizindim e a flauta de Benedito Lacerda (que entrou como co-autor por conta de um acordo comercial que havia entre ambos). Peça inclusive regravada pelo próprio Jacob, em 1967, no álbum “Vibrações”. Logo depois, Moraes Sarmento lê trechos da resposta de Jacob a uma carta de 19 (!) páginas, enviada a Jacob em 1968 (na qual ele é até chamado de driblador de enfartes), lamentando o descaso das rádios, televisões e gravadoras a seu trabalho e a de outros de sua geração que ainda estavam vivos. Revela, inclusive, que a RCA havia preparado os LPs-coletâneas “Era de ouro” e “Assanhado” na época em que sofreu um enfarte (março de 1967), e pretendia lançá-los tão logo o mago do bandolim falecesse, o que só aconteceria dois anos mais tarde (os álbuns, claro, saíram ainda em vida do mestre). E, claro, agradece a todos os que então o prestigiavam, e que ainda o estimulavam a permanecer na ativa. Lembrava que numa entrevista dada ao jornal “O Tempo”, de São Paulo, em 1953-54, o choro acabaria em 10 anos. Ele parecia ter acertado, pois, de fato, o choro teve momentos de decadência, mas ainda hoje permanece vivíssimo, e felizmente o mago do bandolim errou esta profecia.
Voltaremos em seguida a 1946, mais precisamente aos tempos em que o grande Almirante apresentava o programa “Pessoal da velha guarda”, na Rádio Tupi do Rio de Janeiro (“o cacique do ar”). Aqui, Jacob interpreta dois choros de sua autoria, muitíssimo bem apoiado pelo regional de Benedito Lacerda mais o sax de Pixinguinha: “Remelexo” e “Treme-treme”, por ele lançados, respectivamente, em 1948 e 1947, na Continental. Jacob, claro, também passou pela lendária Rádio Nacional, e, acompanhado pela orquestra da emissora, apresenta, de Hervê Cordovil (mineiro de Viçosa e autor de clássicos como “Cabeça inchada”, “Sabiá na gaiola” e “Rua Augusta”), a “Valsa simples”, ao que parece jamais levada a disco comercial.
Logo depois, apresentamos participações do bandolim do mestre Jacob em gravações marcantes e expressivas, todas da RCA Victor. A primeira é a que Dorival Caymmi fez para seu clássico samba-canção “Marina”, em 11 de julho de 1947, com lançamento em agosto seguinte sob n.o 80-0536-A, matriz S-078762. “Marina” foi uma coqueluche na época, e recebeu três gravações anteriores nesse mesmo ano: Francisco Alves (Odeon), Dick Farney (Continental, tida como a de maior êxito) e Nélson Gonçalves (também na RCA Victor). O clássico choro “Doce de coco”, lançado pelo próprio Jacob em 1951, aqui aparece cantado por Isaura Garcia, “a personalíssima”, com letra do mestre caipira João Pacífico, gravada na marca do cachorrinho Nipper em 10 de setembro de 1954, com lançamento em dezembro seguinte, disco 80-1389-A, matriz BE4VB-0571. Porém, a letra mais conhecida feita para “Doce de coco” é a de Hermínio Bello de Carvalho, por certo posterior a esta aqui. No outro lado, matriz BE4VB-0572, Isaurinha canta o samba “Sou paulista”, de Jayme Florence (o violonista Meira dos regionais) e Augusto Mesquita, também responsáveis pelo clássico “Molambo”. Depois vem a regravação feita por Luiz Gonzaga para seu primeiro grande sucesso como solista de sanfona: o “xamego” Vira e mexe”, feita em 5 de janeiro de 1950 e lançada em março seguinte. O disco (34748-B) e a matriz (52155) receberam os mesmíssimos números do original, que é datado de 1941. A matriz de cera teve tantas cópias prensadas que ficou totalmente inutilizada, o que obrigou Gonzagão a fazer este novo registro, agora com o reforço do bandolim do grande Jacob. A diferença é que, no original, o lado A tinha a valsa “Saudades de São João del Rei”, e aqui, a faixa que acompanha “Vira e mexe” é o baião “Qui nem jiló”, do próprio Gonzagão e Humberto Teixeira.
Para finalizar, apresentamos trechos do programa “Jacob e seus discos de ouro”, da Rádio Nacional, o último que fez em vida, gravado exatamente um dia antes de seu falecimento, 12 de agosto de 1969, e que seria apresentado no dia 15, o que evidentemente não aconteceu. A apresentação é feita pela Voz da América, emissora sediada na capital dos EUA, Washington, dentro do programa “Galeria musical da América”. É com essa apresentação que encerramos esta retrospectiva do GRB dedicada a Jacob do Bandolim, um mestre das cordas como poucos, e cuja saudade ainda dói na gente!

TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO 



segunda-feira, 15 de abril de 2013

Jacob Do Bandolim 6 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 53 (2013)

E aqui vamos nós com a edição de número 53 do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil, a sexta dedicada ao mago do bandolim, mestre Jacob Pick Bittencourt. Desta feita, apresentamos uma seleção de 14 fonogramas preciosos, extraídos de acetatos radiofônicos. O início da gloriosa carreira do mestre foi justamente como calouro no “Programa dos novos”, da Rádio Guanabara, em 1934. Sem pretensões profissionais, alcançou a nota máxima, disputando com 28 concorrentes, e ainda com um júri do qual faziam parte Orestes Barbosa, Francisco Alves e Benedito Lacerda, entre outros. Na mesma emissora, formou o grupo Jacob e sua Gente, revezando-se com o Gente do Morro, de Benedito Lacerda, no acompanhamento dos grandes astros da época (Noel Rosa, Lamartine Babo, Ataulfo Alves, Augusto Calheiros...). Com o sucesso obtido na Guanabara, o mestre Jacob passa a ser presença constante em programas radiofônicos, tocando, em troca de cachê , nas rádios Cajuti, Fluminense, Transmissora, Mayrink Veiga (onde atuava no programa de Ademar Casé, avô da Regina) e Ipanema, depois Mauá, sendo nesta última que Jacob ganhou um programa só seu.                                                                                                                                                         
Bem, senhores ouvintes, a PR-GRB tem o prazer de apresentar esta seleção dos melhores momentos das audições radiofônicas de Jacob do Bandolim. Para começar, temos o choro “Dengoso”, de autoria de João Pernambuco (João Teixeira Guimarães, Jatobá, hoje Petrolândia, PE, 1883-Rio de Janeiro, 1947), gravado originalmente por ele mesmo em solo de violão, em 1930. Em seguida temos “Gadu namorando”, de Ladislau Pereira da Silva e Alcyr Pires Vermelho (não anunciado pelo locutor como parceiro). A peça tem inúmeros registros, o primeiro deles feito em 1956 pelo trombonista Raul de Barros. Passando do choro à valsa, temos “Lamento”, de Nestor Monteiro e Gilberto Santos, uma joia rara que, infelizmente, não chegou ao disco comercial. Voltando ao choro, Jacob nos oferece “Soluçando”, de Cândido Pereira da Silva, o Candinho Trombone (Rio de Janeiro,1879-idem, 1960), originalmente gravado em 1916 pelo Grupo o Passos no Choro. Em seguida temos mais uma valsa, “Adelina”, de autoria do cavaquinista Mário Álvares Conceição, o Mário Cavaquinho (Rio de Janeiro, 1861-idem, 1905), cujas primeiras gravações foram feitas ainda na fase mecânica, pela Banda da Casa Edison, sem indicação exata de anos. Depois vem um choro do próprio Jacob, “Carícia”, por ele mesmo gravado na RCA Victor em 1956. O tango “O despertar da montanha”, faixa seguinte, é certamente o mais famoso trabalho do compositor Eduardo Souto, paulista de Santos (ou São Vicente, não há certeza), nascido em 1882 e falecido no Rio de Janeiro em 1942. “O despertar” foi composto em 1919 e sua primeira gravação data de 1931, pela Orquestra Colonial. Tem vários registros, inclusive do próprio Jacob do Bandolim, feito em 1949, e é uma obra conhecida até mesmo a nível internacional. Ganhou letra de Francisco Pimentel em 1946, gravada nesse ano por Sílvio Caldas. Logo depois, os choros “Cristal” e “Diabinho maluco”, do próprio Jacob, por ele gravados, respectivamente, em 1951 e 1956. Compositor, organista e maestro, Henrique Alves de Mesquita (Rio de Janeiro, 1830-idem, 1906) comparece aqui com “Batuque”, rotulado como “tango característico” no selo da primeira gravação, feita em 1910 pela Banda do Corpo de Bombeiros na Victor americana. Já o “Choro da saudade” é de autoria de um... paraguaio! Sim, é do violonista Agustín Barrios (1885-1944), que homenageou a música e o povo de seu Paraguai natalício compondo obras modeladas a partir de canções populares das Américas Central e do Sul. “Saxofone, por que choras?” é o choro mais conhecido do clarinetista Severino Rangel, o Ratinho (Itabaiana, PB, 1896-Duque de Caxias, RJ, 1972), que também formou dupla humorística com Jararaca, de geral agrado. O choro foi lançado pelo próprio Ratinho em 1930, e tem vários registros (o próprio Jacob fez o seu em 1952). “Heróica” é outra composição do mago do bandolim, mas só seria gravada comercialmente em 1980, por outro bandolinista de renome, Déo Rian. E, para terminar, temos uma fala do próprio Jacob do Bandolim, na qual ele exalta a força de vontade e a capacidade de seus músicos acompanhantes, e elogia a acolhida que o público de São Paulo sempre lhe deu, mais que o do próprio Rio de Janeiro natal. Ah, como são as coisas... Não poderia haver melhor encerramento para esta compilação de registros radiofônicos do mestre Jacob, que certamente será muitíssimo bem recebida pelos ouvintes da PR-GRB. E semana que vem tem mais Jacob, hein? Aguardem... 

TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO


segunda-feira, 8 de abril de 2013

Jacob Do Bandolim 5 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 52 (2013)

Este é o quinquagésimo-segundo volume do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil, e o quinto dedicado ao riquíssimo legado deixado por esse autêntico mestre das cordas que foi Jacob do Bandolim. E com ele, retomamos a apresentação de registros comerciais de Jacob, uma vez que, como os amigos cultos, ocultos e associados do TM se recordam, no volume anterior tivemos gravações domésticas extraídas dos “saraus” que o mago do bandolim promovia em sua casa no bairro carioca de Jacarepaguá.
São doze preciosas gravações, todas evidentemente feitas na RCA Victor. Abrindo nossa seleção desta semana, um choro do próprio Jacob, “Ciumento”, gravação de 14 de março de 1955, lançada em maio do mesmo ano, disco 80-1434-B, matriz BE5VB-0700. Em seguida, outra joia do choro concebida por ele mesmo, “Sempre teu”, gravada em 13 de junho de 1955 e lançada em agosto seguinte com o número 80-1476-A, matriz BE5VB-0769. Depois tem a música do verso desse disco, matriz BE5VB-0770, uma regravação do choro “Um a zero”. Ele foi composto por Pixinguinha em 1919,  por ocasião da conquista do Campeonato Sul-Americano de Futebol pelo Brasil, que derrotou o Uruguai exatamente por essa contagem, gol de Arthur Friendenreich. A primeira gravação, no entanto, só saiu em 1946, com o próprio Pixinguinha ao saxofone em dueto com a flauta de Benedito Lacerda, que entrou como parceiro na música por acordo comercial que existia entre ambos. Jacob recorda logo depois o “tango brasileiro” “Amapá”, de Juca Storoni (João José da Costa Jr., Rio de Janeiro, 1868-idem, 1917), cujo primeiro registro deu-se em 1909, na Victor americana, pela Banda do Corpo de Marinheiros Nacionais. Jacob fez seu registro em 13 de janeiro de 1956, com lançamento em março seguinte sob n.o 80-1565-B, matriz BE6VB-0942, e voltaria a gravar “Amapá” em 1960, no LP “Na roda do choro”. O registro do “ponteado” “De Limoeiro a Mossoró”, do próprio executante, data de 13 de março de 1956, com lançamento em maio seguinte sob n.o 80-1596-A, matriz BE6VB-1015. Outra obra-prima do mestre é “Carícia”, choro que ele gravou em 13 de julho de 1956, com lançamento em setembro do mesmo ano, com o n.o 80-1667-B, matriz BE6VB-1214. Temos em seguida outra demonstração do apreço de Jacob ao carnaval pernambucano, com o frevo “Buscapé”, gravado em 14 de setembro de 1956 e lançado em novembro (certamente com vistas à folia recifense de 57) sob n.o 80-1706-A, matriz BE6VB-1305. Apresentamos também o verso desse disco, matriz BE6VB-1306, outro frevo, só que de Jonas Cordeiro, “Pimenta no salão”. Um clássico do mestre Pixinguinha, o choro “Sofres porque queres” foi por ele composto inspirado em uma briga conjugal! Ele próprio o gravou pela primeira vez com sua flauta, em 1917, e o regravaria ao saxofone junto com o flautista Benedito Lacerda (que recebeu co-autoria) em 1946. Onze anos depois, a 10 de julho de 1957, Jacob do Bandolim gravou esta sua versão, lançada em setembro seguinte com o n.o 80-1845-A, matriz 13-H2PB-0165. Do limiar de 1958, em 17 de janeiro, é a gravação de Jacob para seu choro “Implicante”, lançada em abril do mesmo ano com o n.o 80-1930-A, matriz 13-J2PB-0339. O maxixe “Fubá”, motivo folclórico adaptado por Romeu Silva, surgiu em 1925, em gravação do cantor Fernando Albuquerque, e é revivido por Jacob em registro de 26 de agosto de 1959, lançado em novembro seguinte com o n.o 80-2125-A, matriz 13-K2PB-0736. A voz que se ouve vocalizando o refrão junto com o coro é a do próprio Jacob! Para finalizar, o lado B desse disco, matriz 13-K2PB-0737: o choro “Velhos tempos”, outra composição própria do mestre com a qualidade habitual. E atenção: nas próximas duas semanas, teremos mais tesouros preciosos gravados pelo mestre Jacob do Bandolim. Aguardem!

* TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO 




segunda-feira, 1 de abril de 2013

Jacob Do Bandolim 4 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol 51 (2013)

E chegamos à edição número 51 do Grand Record Brazil, apresentando a quarta e última parte desta retrospectiva dedicada a este mestre das cordas que foi Jacob do Bandolim. E neste volume, o acervo do pesquisador Sérgio Terra nos revela 20 gravações que nunca foram lançadas comercialmente, feitas em gravador doméstico durante os antológicos “saraus” que o mestre promovia em sua casa, no bairro carioca de Jacarepaguá, semanalmente. Abrindo esta seleção, a valsa “Quando me lembro”, de outro bandolinista famoso, Luperce Miranda (1904-1977), por ele próprio gravada originalmente em 1932. O choro “Murmurando”, que vem em seguida, não é a famosa composição do maestro Fon-Fon, parece ser um outro choro do próprio Jacob. “O voo da mosca”, também do mestre, é uma réplica ao “Voo do besouro”, de Rinsky e Korsakov, e seria por ele gravada na RCA Victor em 1962, no álbum “Primas e bordões”. “Mariposa da luz” é da pianista e professora de música Neusa França, só gravado comercialmente em 1973, pelo citarista Avena de Castro. Na faixa 6, outro clássico do choro, “Flor do abacate”, de autoria de Álvaro Sandim (1862-1919), surgido em 1913, na fase mecânica de gravação, em registros do Grupo Faceiro e dos Chorosos do Abacate. Jacob do Bandolim o gravou duas vezes pela RCA Victor, em 1949 e 1960. E já que, neste 2013, comemoramos os 150 anos de nascimento do compositor e pianista Ernesto Nazareth (1863-1934), ele comparece nesta seleção de inéditas do mestre Jacob com uma de suas obras mais famosas, a polca-choro “Apanhei-te cavaquinho”, faixa 4, surgida em disco no ano de 1916, na gravação do flautista Passos, e inúmeras vezes regravada, inclusive pelo próprio Nazareth em solo de piano. Temas clássicos também batem ponto nesta seleção: a “Valsa número 7 de Chopin” (temos também a “número 1”) e as “Czardas”, do italiano Vittorio Monti (1868-1922). “Noites cariocas” é outro choro clássico do mestre Jacob, por ele lançado em 1957 e com inúmeras regravações, sendo até hoje peça obrigatória no repertório de qualquer “chorão”. “Receita de samba” e “Vibrações” são outras composições muito apreciadas do mago do bandolim, e foram por ele gravadas na RCA Victor em 1967, no excelente álbum “Vibrações”. Um certo doutor Formiga (quem seria?) recita um “Poema para Jacob”, por ele feito em justa homenagem ao mestre. Chico Buarque comparece aqui com “Carolina”, composição surgida em 1967 no Terceiro Festival Internacional da Canção (FIC), da TV Globo, defendida por Cynara e Cybele, recém-saídas do Quarteto em Cy. Jacob muito admirava Chico, e previu, acertadamente, que ele “atravessaria os anos”. O mestre também apresenta sua valsa “Santa Morena”, cuja gravação comercial, de 1954, está no volume 3 de nosso retrospecto. A clássica valsa “Velho realejo”, de Custódio Mesquita e Sadi Cabral, é outro clássico de nosso cancioneiro, e foi lançada em 1940 na voz de Sílvio Caldas, sendo várias vezes regravada. Outro clássico é “Três estrelinhas”, de autoria de Anacleto de Medeiros (1866-1907), músico, compositor, fundador e regente da Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro. Recebeu depois letra de Catulo da Paixão Cearense, sendo rebatizada como “O que tu és”. Antônio d'Áuria (1912-1988) aparece como uma espécie de convidado especial, nas faixas “Poesia e amor”, de Mário Álvares Conceição, só gravada comercialmente em 1976 por outro bandolinista, Déo Rian, e “Helena”, valsa de Albertino Pimentel, surgida ainda no tempo da gravação mecânica, em 1909, em execução da já mencionada Banda do Corpo de Bombeiros carioca. Encerrando esta seleção tempos “Marilene”, choro de Pixinguinha e Benedito Lacerda, por eles próprios lançado em 1950, com o mestre Pizindim ao saxofone e Benedito à flauta (na verdade a música é só de Pixinguinha, e Benedito entrou como parceiro por acordo comercial entre ambos). Enfim, um tesouro raro, de notável importância histórica, que o GRB oferece a tantos quantos apreciem a boa música instrumental brasileira. As 122 fitas cassetes gravadas por Jacob do Bandolim durante seus “saraus” foram doadas ao Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, e aqui apresentamos uma preciosíssima amostra deste trabalho. Bom divertimento!

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.



segunda-feira, 25 de março de 2013

Jacob Do Bandolim 3 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 50 (2013)

 É com muita alegria que estamos de volta com o Grand Record Brazil, a divisão de 78 rpm do TM, para alegria de nossos amigos cultos, ocultos e associados. E nesta quinquagésima edição, apresentamos a terceira parte desta retrospectiva de gravações do genialíssimo Jacob do Bandolim, este que sem nenhuma dúvida foi um autêntico mestre das cordas. Todas as gravações, evidentemente, são da RCA Victor, feitas entre 1953 e 1955, do acervo do colecionador Sérgio Prata, a quem novamente agradecemos a cortesia. Em ordem de lançamento, são estas as 13 joias que lhes apresentamos: para começar, o lado B do disco 80-1163 (faixa 11 de nossa sequência), o choro “Pardal embriagado”, de Patrocínio Gomes, gravação de 14 de maio de 1953, lançada em julho seguinte, matriz BE3VB-0122. Em seguida, o disco 80-1214, gravado em 13 de agosto de 1953 e lançado em outubro seguinte: abrindo-o, matriz BE3VB-0235, o baião “Brotinho”, faixa 12 de nossa sequência, composto por nada mais nada menos que seu filho Sérgio Bittencourt, que seria também cantor e compositor (autor de clássicos como “Eu quero”, “Canção a medo”, “Modinha” e, naturalmente, “Naquela mesa”, em homenagem póstuma a seu pai), além de colunista de jornais e revistas. Jacob o executa ao vibraplex (instrumento que ele mesmo criou, um violão-tenor ligado a um órgão Hammond, que tinha som parecido com os dos atuais sintetizadores), e esta foi a primeira composição gravada do filho Sérgio. No verso, matriz BE3VB-0236, uma primorosíssima execução de Jacob para a clássica valsa “Rapaziada do Brás”, de Alberto Marino (faixa 13 de nossa sequência), que homenageia o bairro de São Paulo de mesmo nome, cuja população era basicamente de imigrantes italianos e seus descendentes. Surgida em 1926, na gravação dos irmãos saxofonistas Jota e O.Pizarro (quem seriam?), esta valsa teve maior repercussão a partir de 1932, nos registros dos Sextetos Piratininga e Bertorino Alma (anagrama do autor, Alberto Marino), e em 1960 ganhou letra do filho do autor, Alberto Marino Jr., gravada com êxito por Carlos Galhardo. Temos depois o frevo “Sai do caminho”, do próprio Jacob, disco 80-1226-B, gravado em 10 de setembro de 1953 e lançado em novembro seguinte para a folia de 54, matriz BE3VB-0254 (faixa 8 de nossa sequência), no qual ele mostra a admiração que tinha pelo carnaval do Recife, embora não-folião. A mazurca “Vidinha boa”, do próprio executante, faixa 9 desta seleção, foi gravada em 15 de fevereiro de 1954, com lançamento em abril seguinte sob número 80-1269-B, matriz BE4VB-0346. O samba-canção “Santa morena”, também de Jacob, e faixa 10 de nossa sequência, foi gravado pelo mestre em 13 de abril de 1954, com lançamento em julho seguinte sob número 80-1295-A, matriz BE4VB-0411. No verso, matriz BE4VB-0412, outra primorosa execução ao vibraplex, a do samba-canção “Saudade”, composição própria do mestre e faixa 5 de nossa sequência. As faixas 6 e 7 são do disco seguinte, o RCA Victor 80-1344, gravado em 12 de julho de 1954 e lançado em setembro seguinte com dois choros do nosso próprio mestre: abrindo-o, matriz BE4VB-0503, “Bola preta”, e, completando-o, matriz BE4VB-0504, “Saliente”, ambos bastante conhecidos e apreciados. Do disco 80-1390, gravado em 14 de setembro de 1954 e lançado em dezembro seguinte, apresentamos as duas faixas, que novamente demonstram o apreço de Jacob pelo carnaval recifense, sendo evidentemente frevos: abrindo-o, “Toca pro pau”, matriz BE4VB-0577 (faixa 4 de nossa seleção) e, completando-o, matriz BE4VB-0578, “Rua da Imperatriz” (faixa 3), visando, claro, a folia pernambucana de 1955. Em seguida, primeira faixa da nossa sequência, o samba “Meu segredo”, gravação de 13 de janeiro de 1955 lançada em março seguinte (80-1418-B, matriz BE5VB-0642). E encerrando cronologicamente nossa seleção, sendo na sequência a faixa 2, outro primoroso choro do próprio executante, “Benzinho”, gravação de 14 de março de 1955, matriz BE5VB-0699, lançada em maio do mesmo ano sob número 80-1434-A. Enfim, mais uma bela amostra do talento e da maestria deste mágico das cordas que foi Jacob do Bandolim! Gostaria inclusive de dedicar esta nossa retrospectiva ao Daniel Soares, o SenhorDaVoz, meu colega de YouTube, grande admirador de Jacob do Bandolim e do choro, cujo canal lá no YT pode ser visitado. Lá você vai encontrar vídeos com hits da MPB de várias épocas, inclusive diversos registros do grande Jacob do Bandolim, de quem continuaremos este retrospecto. Até lá!

* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO



sexta-feira, 22 de março de 2013

Top 19 - O Melhor Da Música Feita Em Minas Em 2012 (2013)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Olha sexta-feria chegando aí... E foi agora que eu me lembrei que tradicionalmente na sexta é que fazemos as postagens de discos/artistas independentes e coletâneas especiais do Toque Musical. Assim sendo, vou logo postando aqui esta coletânea criada no final do ano passado pelo meu amigo Edu Pampani. Na verdade é a segunda edição, pois no ano passado também tivemos outro "Top 19", com os melhores da música independente mineira de 2011. Desta vez vamos com aquilo que, segundo o Pampani, foi o melhor da música feita em Minas em 2012. Eu, cá, tenho as minhas divergencias, mas tá valendo :)

macaxeira fields - alexandre andrés
rap'ente - bilora
estação 104 - chico amaral
felicidade certa - dudu nicácio
burian - frederico heliodoro
estrela cadente - gabriel guedes
let me do it - gabriela pepino
juriti - gustavito
aurora - luiza brina
mar deserto - paula santoro
qualquer palavra - quarteto cobra coral
baião do caminhar - rafael martini
carne boa - roberta campos
vida no interior - rubinho do vale
de volta a delegacia - thiago delegado
rui macacada - tiãoduá
burn fya - uai sound system
cúria - urucum na cara
zé da guiomar - retrato da bahia


segunda-feira, 18 de março de 2013

Jacob Do Bandolim 2 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 49 (2013)

Em sua quadragésima nona edição, o Grand Record Brazil apresenta a segunda parte da retrospectiva dedicada a este genial instrumentista que foi Jacob Pick Bittencourt, o notável Jacob do Bandolim (1918-1969). Aqui apresentamos mais doze preciosas gravações, do acervo do pesquisador Sérgio Prata, que por certo farão a alegria e o deleite de todos aqueles que apreciam a boa música instrumental brasileira. Como já informado anteriormente, é na RCA Victor, a partir de 1949, que Jacob irá registrar toda a sua discografia em 78 rpm e quase toda em LPs (nesse formato, gravou na CBS o álbum “Retratos”, em 1964).
Evidentemente, as doze faixas desta segunda parte são registros RCA Victor. Para começar, um choro de outro mestre, Pixinguinha, “Teu aniversário”, originalmente intitulado “Recordando” e com gravação original pelo próprio Pizindim com sua flauta, em 1935. Jacob o regravou com o novo título em 30 de junho de 1950, com lançamento em setembro seguinte sob n.o 80-0688-B, matriz S-092700 (o lado A é “Mexidinha”, que está em nosso volume 1 deste retrospecto). Temos depois um choro do próprio mestre, “Por que sonhar?”, gravado em 16 de março de 1953 e lançado em maio seguinte, com o n.o 80-1122-B, matriz BE3VB-0050. No lado A, matriz BE3VB-0049, mais um choraço dele mesmo, “Tatibitate”. E é como compositor que Jacob comparece na maior parte das faixas deste volume 2. Caso do choro “Biruta”, gravado em 19 de junho de 1952 e lançado em outubro seguinte, disco 80-0987-B, matriz SB-093331, do qual também apresentamos a faixa de abertura, o coco “Forró de gala”, matriz SB-093300, dele mesmo, claro. Do compositor e instrumentista carioca Mário Álvares da Conceição, também conhecido como Mário Cavaquinho (1861?-1906?), Jacob resgata o choro 'Teu beijo”, gravação de 11 de setembro de 1950, lançada em novembro seguinte com o n.o 80-0711-B, matriz S-092750 (ao que parece o registro original). Temos em seguida outra bela e conhecida obra-prima do choro, concebida pelo próprio Jacob: “Doce de coco”, em antológica gravação de 18 de dezembro de 1950, lançada em março de 51 (80-0745-B, matriz S-092813), sendo até hoje número obrigatório em qualquer roda de choro. Depois iremos travar contato com a primeira gravação que Jacob fez do choro clássico “Lamento”, de Pixinguinha (que depois teve o título mudado para o plural, “Lamentos”), originalmente lançado em 1928 pela Orquestra Típica Pixinguinha-Donga. Jacob o registrou pela primeira vez em 14 de março de 1951 com lançamento em junho seguinte (80-0767-A, matriz S-092905), e voltaria a gravá-lo primorosamente, em 1967, para o álbum “Vibrações”. Na faixa 10 está o verso desse disco, a polca “Siri tá no pau”, matriz S-092906, de autoria de Miguel de Vasconcellos, originalmente lançada em 1914 pelo grupo O Passos no Choro e também bastante conhecida. Na faixa 9, Jacob executa à violinha (!) outro belo choro seu, “Nostalgia”, gravação de 23 de julho de 1951, lançada em outubro seguinte sob n.o 80-0813-B, matriz S-092986. “Eu e você” é outro choro do próprio mestre, gravado em 5 de maio de 1952 e lançado em julho seguinte (80-0931-B, matriz S-093263). Para encerrar esta segunda parte, temos “Choro de varanda”, no caso, certamente, a varanda da casa de Jacob, em Jacarepaguá, que é o lado A de “Teu beijo”, de Mário Cavaquinho, matriz S-092749 (claro que essa outra música é do Jacob mesmo). Enfim, mais uma amostra da magia, do talento e da maestria do eterno Jacob do Bandolim. E vem muito mais por aí, esperamos...

*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO. 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Tarancón - Ao Vivo No Villaggio Café 2009 (2013)

Olá amigos cultos e ocultos! Carnaval acabou, vamos retornando à realidade, trocando as máscaras e fantasias. 2013 nos espera. Ainda há muito o que rolar por aí, inclusive os discos do Toque Musical. Este é o primeiro post do ano para as nossas produções exclusiva. Vamos com um registro de show do grupo Tarancón realizado em 2009 no bar Villaggio Café, em São Paulo. Esta gravação me foi enviada pelo amigo Daniel Vergueiro há mais de uns três anos. Não fosse eu buscar em meus arquivos os discos do Tarancón para reposição de novos links, nem lembraria desta gravação. Daniel, demorou, mas chegou! Com direito a capa e contracapa ;)



sábado, 22 de dezembro de 2012


Boa noite a todos! Como estamos encima do Natal, eu vou logo buscando algo condizente com a data. Mas como vocês sabem, estou meio sem tempo para procurar e preparar alguma coisa que me tome mais de cinco minutos. Assim, recorro ao que está mais fácil.
Encontrei este arquivo, que me foi enviado por um de nossos amigos há algum tempo atrás. Trata-se de um compacto de jingles da Rádio Nacional, utilizado em suas saudações de fim de ano. Não sei precisar a data, mas creio que seja da década de 60. Uma curiosidade para não deixarmos o dia de hoje passar em branco. Vamos fazer isso na passagem do ano :)

hino da rádio nacional
jingle bells
noite feliz
natal alegre
natal religioso
ano novo luar do sertão

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Jacob Do Bandolim 1 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 48 (2012)

Em sua edição de número 49, o Grand Record Brazil inicia uma retrospectiva dedicada àquele que, certamente, foi um dos maiores bandolinistas brasileiros, senão o maior: o carioca Jacob Pick Bittencourt, que ganhou a imortalidade como Jacob do Bandolim.
Nascido no Rio de Janeiro em 14 de fevereiro de 1918, de pai capixaba e mãe polonesa, Jacob estudou no Colégio Anglo-Americano e serviu no CPOR. Quando já “arranhava” o bandolim, trabalhou no arquivo do Ministério da Guerra, e depois fez carreira como serventuário da Justiça do Rio, onde chegou até mesmo a ser escrivão de vara criminal. Sua casa no bairro de Jacarepaguá, avarandada e com jardim, era palco de memoráveis rodas de choro (os “saraus”), e nelas Jacob recebia seus grandes amigos chorões. Entre seus ídolos estavam Almirante, Noel Rosa, o pianista Nonô, Luiz Vieira, Pixinguinha e Ernesto Nazareth. Mesmo não sendo lá grande entusiasta do carnaval, gostava bastante de frevo. Foi “guru” de Sérgio Cabral (pesquisador e produtor musical, pai do governador do Rio, Sérgio Cabral Filho), Hermíno Bello de Carvalho e Ricardo Carvo Albim. Autor de clássicos do choro (“Vale tudo”, “Noites cariocas”, “Assanhado”, “Doce de coco” e muitos mais), Jacob formou, nos anos 1960, o conjunto Época de Ouro, que mesmo após sua morte, em 13 de agosto de 1969, permaneceu na ativa, e existe até hoje. Seu último espetáculo público aconteceu em 1968, no Teatro João Caetano do Rio de Janeiro, onde se apresentou ao lado de Elizeth Cardoso e do Zimbo Trio, além, é claro, do Época de Ouro. Teve dois filhos: Sérgio Bittencourt (jornalista e também compositor, sendo inclusive autor do clássico “Naquela mesa”, em homenagem ao pai) e Elena Bittencourt, que tornou-se depois presidente do Instituto Jacob do Bandolim.
As gravações de Jacob do Bandolim que compõem esta retrospectiva são do acervo do pesquisador Sérgio Prata, e abrangem o período de 1947 a 1959. Nesta primeira parte, composta de doze fonogramas, apresentamos as músicas de seus quatro primeiros discos, gravados na Continental. Jacob estreou com o 78 de número 15825, gravado em 9 de julho de 1947 e lançado entre agosto e outubro desse ano. Abrindo-o, matriz 1693, um choro dele mesmo, “Treme-treme” (a faixa 11 da nossa sequência), e no verso, matriz 1686, a bela valsa “Glória”, de Bomfiglio de Oliveira (faixa 12), lançada originalmente em 1931 por Gastão Formenti, com letra de Branca Coelho. O segundo disco de Jacob levou o número 15872, sendo lançado em março de 1948. No lado A, gravado em 23 de junho de 47, matriz 1687, a bela valsa, dele próprio, “Salões imperiais” (que abre a sequência). No lado B, gravado em 9 de julho de 47, matriz 1694, outra composição do trompetista Bomfiglio de Oliveira, o conhecido choro “Flamengo” (a faixa 2), originalmente gravado pelo autor em 1931, sendo este registro de Jacob também muitíssimo apreciado. Curioso é que, nessas quatro primeiras gravações, Jacob é acompanhado pelo conjunto do violonista César de Faria, pai do grande Paulinho da Viola. Em seguida, do terceiro disco, número 15957, gravado em 18 de setembro de 1948 e lançado entre outubro e dezembro seguintes, outras duas composições do próprio Jacob: o choro “Remelexo” (faixa 4), matriz 1943, e a valsa “Feia” (faixa 3), matriz 1944 (vocês vão perceber que a música não faz nenhuma jus ao título, sendo de fato primorosa). Do quarto e último disco de Jacob na Continental, número 16011, lançado em março-abril de 1949, o choro “Cabuloso”, de sua autoria (faixa 5), matriz 1942, e a conhecida “Flor amorosa”, matriz 1945, de Joaquim Antônio da Silva Callado, originalmente polca e aqui choro, cujos primeiros registros, no início do século passado (fase mecânica de gravação) foram apenas instrumentais, apesar de Catulo da Paixão Cearense ter lhe posto versos em 1880, mesmo ano da morte de Callado.
As outras quatro faixas foram gravadas por Jacob do Bandolim já na RCA Victor, onde o mestre passa a registrar praticamente toda a sua discografia. Sua primeira sessão de estúdio na “marca do cachorrinho” dá-se em 12 de maio de 1949, com o disco 80-0602, lançado em julho daquele ano, e do qual apresentamos a faixa de abertura: o famoso tango “O despertar da montanha”, de Eduardo Souto, matriz S-078881. Temos depois “Sorrir dormindo”, ou “Por que sorris”, valsa de Juca Kalut lançada ainda nos tempos do disco mecânico, levada a disco por Jacob em 9 de janeiro de 1950 com lançamento em junho do mesmo ano (80-0653-B, matriz S-092605), uma valsa do próprio Jacob, “Encantamento”, por ele gravada na mesma sessão e lançada em julho de 1950 (80-0667-B, matriz S-092607), e uma deliciosa polca também de autoria do próprio mestre Jacob, “Mexidinha”, gravação de 30 d ejunho de 1950 e lançada em setembro seguinte com o número 80-0688-A, matriz S-092699. Está muito bom para começar, não é mesmo? Então aguardem que vem mais por aí, tá combinado? Então até lá...

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Noel Rosa - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 47 (2012)

Nascido a 11 de dezembro de 1910, em um chalé da Rua Teodoro da Silva, no bairro carioca de Vila Isabel (onde atualmente está erguido um edifício residencial que leva seu nome), Noel de Medeiros Rosa viveu pouco, apenas 26 anos e quase cinco meses (morreu em 4 de maio de 1937, vitimado pela tuberculose), mas deixou uma obra musical extensa (quase 260 composições!), criativa e cheia de sucessos. E o impressionante é que as composições do Poeta da Vila são sempre atualíssimas, nunca passam de época. Um legado que tem atravessado os anos, com muita justiça, e faz a gente se sentir grato por ele ter existido, ainda que por pouco tempo, e deixado coisas tão eternas, tão permanentes.
Pois nesta sua quadragésima-sétima edição, o Grand Record Brazil reverencia o talento de Noel Rosa como autor e também intérprete, através de 14 preciosos fonogramas. E ele só levou a disco música sua, com e/ou sem parceria (aqui todas as músicas são dele sozinho). Quem mais gravou músicas de Noel, por sinal, acabou sendo ele próprio: 33 ao todo.
Noel deixou gravações nos selos Parlophon, Odeon, Columbia (futura Continental) e Victor. Sua primeira gravação como intérprete, aqui incluída, foi a toada “Festa no céu”, lançada pela Parlophon em agosto de 1930, disco 13185-A, matriz 3320. No verso, matriz 3654, a embolada “Minha viola”, a faixa seguinte. Depois temos um autêntico clássico noelino: o samba “Com que roupa?”, um eufemismo da época para “Com que dinheiro?”, traduzindo a crise econômica causada pelo “crack” da Bolsa de Nova York, em 1929. Outro registro Parlophon, datado de 30 de setembro de 1930 e lançado em novembro seguinte sob n.o 13245-A, matriz 4007. Um autêntico estouro no carnaval de 1931! Quase ao final do registro, o maestro e compositor Eduardo Souto diz de improviso: “Vai de roupa velha e tutu, seu trouxa!” (Noel depois fez nova gravação de “Com que roupa?”, com outra letra e em dueto com Inácio Guimarães de Loyola, o Ximbuca). No verso, matriz 4008, outro samba interessante, “Malandro medroso”. “Gago apaixonado” é um samba muito apreciado principalmente por sua originalidade, e o próprio Noel declarou ser esta sua melhor composição, pois além de original, não conseguia ser cantada por seus vizinhos e respectivos papagaios de estimação... A gravação, lançada pela Columbia em março de 1931 (disco 22023-B, matriz 381007), tem um atrativo à parte: o solo de lápis nos dentes do cantor Luiz Barbosa, abrindo e fechando a boca para alterar o timbre! “Cordiais saudações” é um “samba epistolar”, que surgiu na revista “Mar de rosas”, e nela foi interpretado por Sílvio Caldas. Noel gravou a música duas vezes na Parlophon, e esta é a primeira versão, com acompanhamento da Orquestra Copacabana, do palestino Simon Bountman, matriz 131170, não lançada comercialmente, uma vez que foi desaprovada pelo próprio compositor, que fez outro registro dias depois, com o Bando de Tangarás, sendo esse último o que foi para as lojas, em julho de 1931, com o número 13327-A. E é do lado B, matriz 131185, um outro bom samba do mestre Noel por ele próprio cantado, “Mulata fuzarqueira” (ser “da fuzarca” era o mesmo que farrear). O “samba fonético” “Picilone”, subintitulado “Yvone”, é uma alusão à reforma ortográfica que aboliu do alfabeto brasileiro a letra “y”, agora reconduzida ao mesmo. “Dizer um picilone” era a mesma coisa que elogiar. Noel canta junto com João “Braguinha” de Barro, seu colega no Bando de Tangarás, nesta gravação lançada pela Parlophon em setembro de 1931, com o n.o 13344-B, matriz 131208. Há também referência à Kananga do Japão, uma “sociedade familiar dançante e carnavalesca” então existente no Rio. “O pulo da hora” saiu pela mesma gravadora um mês mais tarde, em outubro de 31, disco 13350-A, matriz 131241, tendo no verso, matriz 131242, “Vou te ripar”, que também apresentamos aqui. Foram incluídas, igualmente, as duas músicas do único disco-solo de Noel na Victor, o de n.o 33488, gravado em 10 de outubro de 1931 e lançado em novembro seguinte. Abrindo-o, matriz 65252, “Por causa da hora”, referência ao horário de verão, adotado pela primeira vez naquele ano para economizar luz elétrica e que voltaria em outros anos, sendo adotado ininterruptamente no Brasil a partir de 1985. Mais atual impossível... No verso, matriz 65251, saiu “Nunca... jamais”. Em “Mentiras de mulher”, Noel canta junto com Artur Costa, ator do teatro de revista. Gravação lançada pela Columbia em fevereiro de 1932, sob n.o 22083-A, matriz 381158. Para encerrar, apresentamos “Espera mais um ano”, também cantado em dueto por Noel e Arthur em registro Columbia, de novembro de 1931, mas, ao que parece, não lançado comercialmente na época, sendo o disco de prova encontrado nos arquivos do pesquisador Eduardo Corrêa de Azevedo. Em 1983, “Espera mais um ano” foi registrado na Eldorado pelo Conjunto Coisas Nossas para o LP “Noel Rosa inédito e desconhecido”, aproveitando no início parte deste registro original. Enfim, uma pequena amostra da genialidade do grande Noel Rosa, que, mesmo tendo voz pequena, agradava bastante como intérprete, pois tinha muita bossa e talento!

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO. 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Nelson Cavaquinho - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - vol. 46 (2012)

Em sua edição de número 46, o Grand Record Brazil reverencia um dos maiores sambistas que o Brasil já teve: o carioca e mangueirense Nélson Antônio da Silva, que ganhou a imortalidade com o pseudônimo de Nélson Cavaquinho (1911-2002). Filho de músico da Banda da Polícia Militar e sobrinho de violinista, Nélson deixou um acervo de mais de quatrocentas composições, com letras quase sempre remetendo a temas como o violão, mulheres, botequins e em especial a morte. Entre suas músicas mais conhecidas estão “Rugas”, “A flor e o espinho”, “Quando eu me chamar saudade”, “Juízo final”, “Luz negra”, “Pranto de poeta”, “Cuidado com a outra” e “Degraus da vida”.
 A seleção aqui contida reúne 14 preciosas gravações, todas elas sambas, e foi feita pelo blog Coisa da Antiga, do grande Ary do Baralho. Ciro Monteiro aqui comparece com quatro gravações Victor: “Apresenta-me aquela mulher”, parceria de Nélson com Augusto Garcez e G. de Oliveira, de 25 de maio de 1943, lançada em setembro do mesmo ano (80-0107-B, matriz S-052779), “Não te dói a consciência”, em que Nélson Cavaquinho tem a parceria também de Augusto Garcez mais Ari Monteiro, também de 1943, gravada em 6 de julho daquele ano com lançamento em outubro (80-0119-B, matriz S-052799), “Aquele bilhetinho”, que Nélson e Garcez assinam com Arnô Canegal, de 13 de abril de 1945, lançada em maio seguinte (80-0282-A, matriz S-078154), e por fim o clássico “Rugas”, da mesma tríade de “Apresenta aquela mulher”, gravado pelo “Formigão” em 21 de março de 1946 e lançada em maio do mesmo ano (80-0406-A, matriz S-078450). “Rugas” tem vários registros posteriores, entre eles os de Roberto Silva, Jair Rodrigues e Luiz Cláudio. Em “O fruto da maldade”, Nélson Cavaquinho tem a parceria de César Brasil, e o lançamento deu-se pela Continental, na voz de Jorge Veiga, entre julho e setembro de 1951, disco 16434-B, matriz 2632. “Minha fama”, parceria de Nélson com Magno de Oliveira, foi gravado na Odeon por Risadinha, em 4 de setembro de 1952, mas só saiu em junho de 53 com o n.o 13455-B, matriz 9413. Do carnaval de 1954, “Amor que morreu”, parceria de Nélson Cavaquinho com Roldão Lima e Gilberto Teixeira, foi gravado por Elizeth Cardoso na Todamérica em 12 de novembro de 53 e lançado ainda em novembro (TA-5380-B, matriz TA-591). E Elizeth seria mais tarde uma das mais assíduas divulgadoras da obra de Nélson. Da parceria dele com César Brasil também é “Não brigo mais”, gravado também na Todamérica por Vítor Bacelar (Salvador, BA, 1911-Rio de Janeiro, 2005) em 23 de agosto de 1954, com lançamento em setembro seguinte (TA-5471-B, matriz TA-723), visando a folia de 55. Em seguida uma curiosa incursão de Nélson pelo samba-canção, em parceria com Guilherme de Brito: “Garça”, com Ruth Amaral (também compositora e intérprete de marchinhas carnavalescas), lançado pela Columbia em agosto de 1955, disco CB-10192-A, matriz CBO-547. Ruth também interpreta “Cinzas”, dos mesmos autores mais Renato Gaetani, que a mesma Columbia lançou em novembro de 55, sob n.o CB-10210-A, matriz CBO-584. Foi também incluída a gravação de Nerino Silva, que a Chantecler lançou em janeiro de 1963, disco 78-0677-B, matriz C8P-1354, e depois incluída no LP “Arroz de festa”. Em seguida, Nélson assina com seu inseparável parceiro Guilherme de Brito o samba “Palavras malditas”, gravado na Todamérica por Ary Cordovil em 6 de setembro de 1957, disco TA-5724-B, matriz TA-100091, visando o carnaval de 58, e que foi regravado por Beth Carvalho em 2011, no CD “Nosso samba tá na rua”. O mesmo Ary Cordovil canta “Cheiro de vela”, de Nélson com José Ribeiro, em gravação do extinto selo Vila, disco 10003-A, que o Instituto Memória Musical Brasileira diz ser de 1961. E o cantor Orlando Gil encerra nossa seleção com “Negaste um cigarro”, parceria de Nélson Cavaquinho com José Batista, gravação de 1962 para outro selo extinto, o Albatroz, disco A-121-B. É a homenagem do Coisa da Antiga e do Toque Musical, através do GRB, a este grande compositor e poeta que foi Nélson Cavaquinho!
Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.