E chegamos, nesta edição do Grand Record Brazil, a de número
57, à terceira e última parte da retrospectiva por nós dedicada à cantora e
compositora Linda Rodrigues. E, de acordo com reportagem publicada pela
“Revista do Rádio” em 1963, Linda era mesmo carioca, do bairro da Tijuca.
Formou-se em enfermagem pela Escola Ana Nery, atendendo a um pedido de sua mãe,
mas jamais exerceu a profissão. Linda se apresentou artisticamente como cantora
pela primeira vez em 1935, na Rádio Transmissora carioca, sob a orientação de
Renato Murce, atuando com outros futuros astros da MPB e então também amadores
como ela: Emilinha Borba, Ciro Monteiro, Orlando Silva e Odete Amaral. Linda
atuou dois anos na Rádio Clube do Pará, em Belém, cidade onde também iniciou
seus estudos de enfermagem, e ao regressar a seu Rio de Janeiro natal, cantou
na Rádio Cruzeiro do Sul. Em 1939, fez sua primeira viagem artística, atuando
na Feira de Amostras do Recife (PE), e também passou dois meses na Bahia.
Voltando ao Rio, foi contratada pela lendária Rádio Nacional. Também atuou em
São Paulo, na PRG-2, Rádio Tupi (então “a mais poderosa emissora paulista”) e
em shows, no ano de 1940. De volta a seu Rio natal, foi contratada para cantar
nos cassinos da Urca e Icaraí. Em 1943, Linda transfere-se para a PRG-3, Rádio
Tupi do Rio (“o cacique do ar”) e troca a Urca pelo Cassino Atlântico. Volta
mais tarde ao Icaraí, onde fica até a proibição do jogo no Brasil, em 1946. De
1945 a 1957, com uma interrupção durante um período em que adoecera, Linda
atuou na Rádio Mayrink Veiga, para a qual voltou em 1962, desta feita ficando
um ano, transferindo-se para a Rádio Mauá, onde encerrou sua trajetória
radiofônica.
E é com este volume que encerramos o retrospecto da
carreira de Linda Rodrigues em disco, iniciada, como vocês bem se lembram, em
1945. Desta feita, apresentamos 13 preciosas e históricas gravações. Abrindo
nossa seleção da semana, as faixas de seu segundo 78 rpm na RCA Victor, n.o
80-1798, gravado em 21 de março de 1957 e lançado em junho seguinte, ambas
sambas-canções: “Pianista”, de Irany de Oliveira e Ari Monteiro, matriz
13-H2PB-0067 (curiosamente regravado por Cauby Peixoto em 1989), “Comentário
barato”, de autoria do violonista Jayme Florence, o Meira dos regionais, e J.
Santos, matriz 13-H2PB-0068. De seu terceiro disco na marca do cachorrinho
Nipper, destinado ao carnaval de 1958, n.o 80-1901, apresentamos o lado B, o
samba “Quando o sol raiar”, de Mirabeau Pinheiro (também co-autor dos clássicos
“Cachaça”, “Jarro da saudade” e “Tem nêgo bebo aí”, entre outras), Sebastião
Mota e Urgel de Castro. Gravado em 9 de outubro de 1957 e lançado em janeiro de
58, matriz 13-H2PB-0272, também fez parte do LP coletivo “Carnaval RCA Victor –
volume 1” (não esquecendo de que esta era uma época de transição de formatos,
do 78 para o vinil, que desbancou de vez a quebradiça bolacha de cera em 1964).
A 28 de janeiro de 1958, Linda grava “Sereno no samba”, de Aldacir Louro e Dora Lopes, matriz 13-J2PB-0345, e, fiel à
dor-de-cotovelo que era sua especialidade, um bolero dela mesma em parceria com
o mesmo Aldacir, “Nada me falta”, matriz 13-J2PB-0346. Gravações estas que
foram para as lojas em abril do mesmo ano com o n.o 80-1935. Já para o carnaval de 1959, a primeiro de
outubro de 58, Linda Rodrigues grava duas composições próprias com parceiros: o
samba “Tem areia” (com José Batista), matriz 13-J2PB-0499, e a “Marcha da
folia” (com Aldacir Louro e Silva Júnior), matriz 13-J2PB-0500, lançadas um mês
antes da folia, em janeiro, com o n.o 80-2025. Em 27 de janeiro de 1959, Linda
grava seu último disco na RCA Victor, n.o 80-2054, lançado em abril seguinte.
Abrindo-o, um bolero que fez com Aldacir Louro, “Meu romance”, matriz
13-K2PB-0577 (regravado por Francisco Carlos em 1985). No verso, matriz
13-K2PB-0578, o samba-canção “Mesa discreta”, de Elias Cortes. Em seguida, por
causa de mudanças na direção artística da RCA Victor, Linda Rodrigues teve
rescindido seu contrato com a empresa. Um ano mais tarde, lança seus dois
últimos 78 rpm, pela Chantecler: em agosto, sai o disco 78-0297, que abre com o
clássico samba-canção “Negue”, de Adelino Moreira em parceria com o radialista
Enzo de Almeida Passos (criador dos programas “Telefone pedindo bis” e “A
grande parada Brasil”), matriz C8P-593, lançado em janeiro do mesmo ano por
Roberto Vidal e inúmeras vezes regravado (em 1978, Maria Bethânia o reviveu com
sucesso em seu LP “Álibi”). No verso, matriz C8P-594, um samba-canção da
própria Linda mais um certo Castelo: “Tenho moral”. E, em novembro de 1960, sai
o disco 78-0357, que abre com o samba-canção “Companheiras da noite”, dela
mesma com Aylce Chaves e William Duba, matriz C8P-713, e no verso, matriz
C8P-714, apareceu a segunda gravação que fez para o clássico “Lama”, de Paulo
Marques e Aylce Chaves. “Companheiras da noite”, por sinal, deu título àquele
que, ao que parece, seria seu único LP gravado (Chantecler CMG-2119), editado
em 1961, e no qual as três outras faixas que gravou na “marca do galinho
madrugador” também apareceram, sendo a regravação de “Lama” a faixa de
abertura. Enfim, é com muita satisfação e a alegria do dever cumprido, que
encerramos esta retrospectiva que o GRB dedicou a Linda Rodrigues, agradecendo
a imprescindível colaboração do amigo Alberto Oliveira. Como percebem vocês, um
esforço que valeu a pena, e muito!
*Texto de Samuel Machado Filho
Nenhum comentário:
Postar um comentário