quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
A Música De Dunga - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 143 (2015)
E aí vai mais uma edição do Grand Record Brazil, o “braço de
cera” do TM, com o número 143, para seus amigos, cultos e associados. Desta
vez, focalizamos a obra musical do compositor e pianista Waldemar de Abreu, o
Dunga. Nosso focalizado veio ao mundo no dia 16 de dezembro de 1907, no Rio de
Janeiro. Ganhou o apelido de Dunga aos sete anos de idade, de sua professora,
que o considerava o mais querido da turma. Fez o curso primário na escola pública
do subúrbio de Haddock Lobo, e o ginásio (até o quarto ano) no Instituto
Matoso. Em 1928, começou a jogar futebol, em Petrópolis, região serrana
fluminense. Em 1930, ingressou na
Leopoldina Railways, trabalhando como conferente, e sempre jogava nos times de
futebol e basquete da companhia, sendo campeão da Liga Bancária diversas
vezes. Em janeiro de 1935, sai a
primeira música gravada de Dunga, para o carnaval do mesmo ano: o samba “Amar
pra quê?”, na voz de Sílvio Pinto. Ainda em 35, acontece o enlace matrimonial
de Dunga com Zaíra Moreira, que tiveram dois filhos. Em 1940, entrou para a
SBAT (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais), exercendo a função de cobrador
junto aos teatros, e , um ano depois, ingressou na UBC (União Brasileira de
Compositores), onde permaneceria durante anos. Em 1960, assumiu a
vice-presidência da ADDAF (Associação Defensora de Direitos Autorais e
Fonomecânicos), sem no entanto abandonar a atividade musical. Ao longo de sua
carreira, teve mais de oitenta músicas gravadas, nas vozes de grandes astros da
MPB, tais como Orlando Silva, Jamelão, Dircinha Batista, Cyro Monteiro, Déo, etc. Basta lembrar, por exemplo, de
“Conceição” (1956), eterno sucesso de Cauby Peixoto, cuja melodia é de Dunga,
com letra de Jair Amorim. Eles também fizeram juntos “Maria dos meus pecados”,
hit de Agostinho dos Santos em 1957. E Dunga continuaria compondo até sua
morte, em 5 de outubro de 1991, aos 83 anos, em seu Rio de Janeiro natal.
Para esta edição do GRB, foram escolhidas
músicas de exclusiva autoria de Dunga, ou seja, obras que ele compôs sem
parceria. São 29 faixas, interpretadas pelos melhores cantores e
instrumentistas de sua época, quase todas sambas. Para começar, temos “Antes
tarde do que nunca”, do carnaval de 1940, gravado na Victor por Odete Amaral em
23 de outubro de 39 e lançado ainda em dezembro, disco 34537-B, matriz 33187.
Em seguida, um sucesso inesquecível de Orlando Silva, “Chora, cavaquinho”,
outra gravação Victor, esta de 27 de agosto de 1935, lançada em dezembro do
mesmo ano, disco 33998-B, matriz 80011. Edna Cardoso, cantora que só gravou
dois discos com quatro músicas, pela Continental, aqui comparece com as três
obras de Dunga que constam dos mesmos. Para começar, temos “Confessei meu
sofrer”, lado A do disco 15428, o segundo e último de Edna, lançado em setembro
de 1945, matriz 1199. Depois desta faixa, Aracy de Almeida comparece com “Dizem
por aí”, gravação Victor de 20 de abril de 1938, lançada em junho seguinte sob
número 34321-B, matriz 80761. Em seguida, o delicioso arrasta-pé “Espiga de
milho”, executado pelo regional do violonista Canhoto (Waldiro Frederico
Tramontano), em gravação RCA Victor de 21 de maio de 1954, lançada em agosto do
mesmo não, disco 80-1325-B, matriz BE4VB-0462. Depois, mais três imperdíveis
faixas com Orlando Silva. “Esquisita” é da safra do Cantor das Multidões na
Odeon, por ele gravado em 23 de junho de 1947 e lançado em setembro do mesmo
ano, disco 12797-A, matriz 8246. Voltando à Victor, temos um verdadeiro
clássico da carreira de Orlando: o samba-canção “Eu sinto vontade de chorar”,
que ele canta acompanhado pela Orquestra Carioca Swingtette, sob a direção de
Radamés Gnattali. Gravação de 13 de junho de 1938, lançada em setembro seguinte
sob número 34354-B, matriz 80826. “Foi você”, outra das melhores gravações de
Orlando, foi feita em 17 de setembro de 1936 e lançada pela marca do
cachorrinho Nipper em outubro seguinte com o número 34100-A, matriz 80221. O
samba-canção “Justiça”, grande sucesso na voz de Dircinha Batista, foi por ela
gravado na Odeon em 20 de junho de 1938,
com lançamento em agosto do mesmo ano, disco 11628-B, matriz 5871. Logo depois,
temos “Meu amor”, samba do carnaval de 1949, na interpretação de Jorge Goulart,
lançada pela Star em fins de 48 sob número 79-A. Nuno Roland interpreta, em
seguida, o samba-canção “Meu destino”, gravação Todamérica de 8 de março de
1951, lançada em abril do mesmo ano, disco TA-5053-A, matriz TA-101. Dircinha
Batista volta em seguida com “Moleque de rua”, lançado pela Continental em
setembro de 1946, disco 15691-A, matriz 1639. Roberto Paiva interpreta depois
“Não sei se voltarei”, em gravação Victor de 13 de julho de 1944, lançada em
setembro do mesmo ano, disco 80-0211-A, matriz S-078018. Déo lançou em janeiro
de 1945, na Continental, para o carnaval desse ano, o samba “Nunca senti tanto
amor”, matriz 912. Em junho do mesmo ano, ele lançou pela mesma marca outro
samba de Dunga, “Orgulhosa”, disco 15356-A, matriz 1128. Em seguida, volta Edna
Cardoso, desta vez cantando “Pandeiro triste”, lançado em agosto, também de
1945, e pela mesma Continental, abrindo seu disco de estreia, número 15408,
matriz 1201. Alcides Gerardi aqui comparece com “Perdoa”, gravado por ele na
Odeon em 29 de agosto de 1946, com lançamento em outubro do mesmo ano, disco
12730-A, matriz 8092. “Quando alguém me pergunta”, samba destinado ao carnaval
de 1939, tornou-se um clássico na voz de
Castro Barbosa, que o gravou na Columbia em 12 de janeiro desse ano, com
lançamento bem em cima da folia, em fevereiro, disco 55015-B, matriz 125. Cyro
Monteiro, em seguida, interpreta “Que é isso, Isabel?”, gravação Victor de 3 de
junho de 1942, lançada em agosto do mesmo ano, disco 34950-B, matriz S-052544.
Poderemos apreciá-lo ainda em “Quem gostar de mim”, que gravou na mesma Victor
em 8 de julho de 1940, com lançamento em setembro do mesmo ano, disco 34646-B,
matriz 33461. Janet de Almeida, irmão de Joel de Almeida, falecido ainda jovem,
interpreta depois “Quem sabe da minha vida”, batucada do carnaval de 1946,
lançada pela Continental em janeiro desse ano, disco 15582-B, matriz 1397. Em
seguida, Aracy de Almeida interpreta “Remorso”, gravação Odeon de 30 de março
de 1943, lançada em maio do mesmo ano, disco 12305-B, matriz 7244. Temos depois
novamente Edna Cardoso, desta vez interpretando “Se ele me ouvisse”, lado B de
seu segundo e último disco, o Continental 15428, lançado em setembro de 1945,
matriz 1198. Orlando Silva registrou “Soluço de mulher” na Odeon em 6 de agosto
de 1944, com lançamento em outubro do mesmo ano, disco 12503-B, matriz 7645. A
bela valsa “Sonho” é executada pelo clarinetista Luiz Americano, acompanhado
por Pereira Filho ao violão elétrico, em gravação lançada pela Continental em
maio de 1945, disco 15337-B, matriz 1105. O choro “Tic tac do meu relógio” foi
lançado pela Continental, na interpretação de Carmélia Alves, ao lado do
Quarteto de Bronze, acompanhados por Fats Elpídio e seu Ritmo, em março-abril
de 1949, sob número de disco 16048-B, matriz 2067, por sinal marcando o início
definitivo da carreira fonográfica de Carmélia, seis anos após sua estreia na
Victor. O samba “Trapaças de amor” foi gravado na RCA Victor por Linda Batista
em 5 de maio de 1947, com lançamento em junho do mesmo ano, disco 80-0519-A,
matriz S-078750. Primeiro ídolo country brasileiro, Bob Nélson aqui comparece
com “Vaqueiro apaixonado”, marchinha do carnaval de 1951, devidamente
acompanhado de “rancheiros” músicos que, mais competentes, não existiam nem
mesmo no Texas ou na Califórnia. Gravação RCA Victor de 12 de outubro de 50,
lançada ainda em dezembro, disco 80-0726-A, matriz S-092786. Para encerrar,
temos “Zaíra”, valsa cuja musa inspiradora foi certamente a esposa de Dunga. É
executada ao saxofone por Luiz Americano, em gravação Continental de 5 de abril
de 1948, só lançada em março-abril de 49, disco 16015-A, matriz 1831. Enfim,
esta é uma justa homenagem do GRB a um dos maiores compositores que o Brasil já
teve: Waldemar “Dunga” de Abreu!
* SAMUEL MACHADO FILHO
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
Luely Figueiró - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 142 (2015)
Estamos
de volta com o Grand Record Brazil, em sua edição de número 141, apresentando a
segunda parte do retrospecto que dedicamos a Paraguassu, “o cantor das noites
enluaradas”. São mais dezessete
gravações de inestimável valor histórico e artístico que oferecemos aos amigos
cultos, ocultos e associados do TM. Abrindo esta seleção, o tango-canção “Tenho
pena dos meus olhos”, de Angelino de Oliveira, gravação Columbia de 1931,
lançada provavelmente no mês de maio, disco 22016-A, matriz 380982. Em seguida,
a bela canção “Todo poeta nasceu para sofrer”, de Mílton Amaral, lançada pela
Columbia em fevereiro de 1932, disco 22093-A, matriz 381122. “O violero do luá”
(assim mesmo, em caipirês), é outra primorosa canção, do próprio Paraguassu com
versos de Assumpção Fleury, e a Columbia a editou em janeiro de 1933, sob
número 22183-A, matriz 381408. Ainda de 33 é “Esse boêmio sou eu”, outra
canção, esta de Paraguassu sem parceiro, que abre o Columbia 22209, matriz
381409. “Portera véia” (também com
título em caipirês) é mais uma canção do próprio Paraguassu sem parceiro, em
gravação Columbia de 1934, disco 22255-A, matriz 3003. Em seguida temos o
clássico “Luar do sertão”, com versos de Catulo da Paixão Cearense e melodia
também a ele creditada, mas que teria sido feita pelo violonista João
Pernambuco a partir do tema folclórico nordestino “É do Maitá”. Lançada por
Mário Pinheiro em 1914, como “toada sertaneja”, a canção tem várias gravações,
e Paraguassu aqui a revive em registro Columbia de 1936, disco 8196-A, matriz
3261. “Zabumbo do bombo” é uma toada de Roberto de Andrade, que ele mesmo canta
junto com Paraguassu em outra gravação Columbia de 1936, disco 8208-B, matriz
3315. Em seguida, outra modinha clássica, “Talento e formosura”, com versos de
Catulo da Paixão Cearense e melodia de Edmundo Otávio Ferreira, também lançada
originalmente por Mário Pinheiro, em 1904. A gravação de Paraguassu abre o
disco Columbia 8280, de 1937, matriz 3430. A seguir, um outro clássico: a toada
“Tristeza do jeca”, obra máxima de Angelino de Oliveira, verdadeiro hino do
caipira paulista. Surgiu em disco pela primeira vez em 1925, na execução da
Orquestra Brasil-América, e, um ano depois, Patrício Teixeira a gravou cantada,
com sucesso. Merecedora de inúmeras gravações, é interpretada aqui por
Paraguassu em registro Columbia de 1937, disco 8287-A, matriz 3431. No verso,
matriz 3433, uma regravação da canção “A choça do monte”, outra obra totalmente
creditada a Catulo da Paixão Cearense. Foi lançada por Eduardo das Neves em
1913, e Paraguassu já havia feito gravação anterior, pela Odeon, em 1927. Apresentamos
em seguida as duas músicas do disco gravado por Paraguassu em dueto com Nhá
Zefa (Maria di Léo), considerada a caipira mais preferida de Cornélio Pires,
embora fosse paulistana do Brás, onde também nasceu Paraguassu, e, como ele,
filha de imigrantes italianos. São duas batucadas que a Columbia editou sob
número 8328, por certo visando o carnaval de 1938: “Baiana dengosa”, motivo
popular adaptado pelo próprio Paraguassu, matriz 3581, e “Olá, seu Barnabé”,
dele mesmo sem parceria, matriz 3582. Da curta passagem de Paraguassu pela
Victor é a rancheira “Natal dos caboclos”, dele próprio em parceria com o já
mencionado Capitão Furtado (Ariowaldo Pires), com participação vocal do
Quarteto Tupã, formado pelo compositor Georges Moran, russo radicado no Brasil,
e integrado pelas então jovenzinhas
Salomé Cotelli, Consuelo, Hedymar Martins (irmã de Herivelto Martins)
e Lourdes, que mais tarde fariam parte
de outros grupos mais famosos. Gravação de 26 de setembro de 1938, lançada pela
marca do cachorrinho Nipper em dezembro do mesmo ano, disco 34397-B, matriz
80904. É nesse período que, como já informamos, as gravações de Paraguassu
ficam cada vez mais espaçadas. Tanto que as duas faixas seguintes são de 1945,
na Continental, ambas com acompanhamento do conjunto do violonista Antônio
Rago, e gravadas em 12 de julho desse ano. “Perdão, Emília”, outra famosa
modinha brasileira, tem versos de José Henriques da Silva (1855-1930), poeta e
jornalista português radicado desde menino na cidade de São João da Barra (RJ).
Ele os escreveu em 1874, com apenas 19 anos, com o título de “Vingança no cemitério”,
sendo musicada depois pelo sanjoanense Juca Pedaço (“Perdão, Emília foi título
dado por batismo popular). O registro de
Paraguassu, o único feito na fase elétrica de gravação, foi lançado pela
Continental em agosto de 1945, sob número 15411-A, matriz 10444. “Estela” é
outra modinha clássica, com versos de Adelmar Tavares e melodia de Abdon Lyra.
Feito na mesma sessão de “Perdão, Emília”, a 12 de julho de 1945, o registro de
Paraguassu foi lançado pela Continental
em setembro do mesmo ano sob número 15419-A, matriz 10445. A moda campeira
“Gaúcho guapo”, do próprio Paraguassu, foi por ele gravada na mesma Continental
em 16 de abril de 1948, matriz 10849, mas o disco só saiu em março-abril de 49,
sob número 16064-A. Por fim, apresentamos “Janela fechada”, valsa-canção do
próprio Paraguassu, lado B de seu derradeiro disco 78, o Chantecler 78-0303-B,
lançado em agosto de 1960, matriz C8P-606. Enfim, é a homenagem do GRB ao
notável e legendário Paraguassu, que através
de seu canto resgatou inúmeras páginas musicais genuinamente nossas e lançou
outras tantas, e deve ser sempre enaltecido pela contribuição preciosa que deixou para a MPB.
* Texto de Samuel Machado Filho
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Luely Figueiró,
Selo Grand Record Brazil
terça-feira, 27 de outubro de 2015
Paraguassú - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 141 (2015) Parte 2
Estamos de volta com o Grand Record Brazil, em sua edição de número 141, apresentando a segunda parte do retrospecto que dedicamos a Paraguassu, “o cantor das noites enluaradas”. São mais dezessete gravações de inestimável valor histórico e artístico que oferecemos aos amigos cultos, ocultos e associados do TM. Abrindo esta seleção, o tango-canção “Tenho pena dos meus olhos”, de Angelino de Oliveira, gravação Columbia de 1931, lançada provavelmente no mês de maio, disco 22016-A, matriz 380982. Em seguida, a bela canção “Todo poeta nasceu para sofrer”, de Mílton Amaral, lançada pela Columbia em fevereiro de 1932, disco 22093-A, matriz 381122. “O violero do luá” (assim mesmo, em caipirês), é outra primorosa canção, do próprio Paraguassu com versos de Assumpção Fleury, e a Columbia a editou em janeiro de 1933, sob número 22183-A, matriz 381408. Ainda de 33 é “Esse boêmio sou eu”, outra canção, esta de Paraguassu sem parceiro, que abre o Columbia 22209, matriz 381409. “Portera véia” (também com título em caipirês) é mais uma canção do próprio Paraguassu sem parceiro, em gravação Columbia de 1934, disco 22255-A, matriz 3003. Em seguida temos o clássico “Luar do sertão”, com versos de Catulo da Paixão Cearense e melodia também a ele creditada, mas que teria sido feita pelo violonista João Pernambuco a partir do tema folclórico nordestino “É do Maitá”. Lançada por Mário Pinheiro em 1914, como “toada sertaneja”, a canção tem várias gravações, e Paraguassu aqui a revive em registro Columbia de 1936, disco 8196-A, matriz 3261. “Zabumbo do bombo” é uma toada de Roberto de Andrade, que ele mesmo canta junto com Paraguassu em outra gravação Columbia de 1936, disco 8208-B, matriz 3315. Em seguida, outra modinha clássica, “Talento e formosura”, com versos de Catulo da Paixão Cearense e melodia de Edmundo Otávio Ferreira, também lançada originalmente por Mário Pinheiro, em 1904. A gravação de Paraguassu abre o disco Columbia 8280, de 1937, matriz 3430. A seguir, um outro clássico: a toada “Tristeza do jeca”, obra máxima de Angelino de Oliveira, verdadeiro hino do caipira paulista. Surgiu em disco pela primeira vez em 1925, na execução da Orquestra Brasil-América, e, um ano depois, Patrício Teixeira a gravou cantada, com sucesso. Merecedora de inúmeras gravações, é interpretada aqui por Paraguassu em registro Columbia de 1937, disco 8287-A, matriz 3431. No verso, matriz 3433, uma regravação da canção “A choça do monte”, outra obra totalmente creditada a Catulo da Paixão Cearense. Foi lançada por Eduardo das Neves em 1913, e Paraguassu já havia feito gravação anterior, pela Odeon, em 1927. Apresentamos em seguida as duas músicas do disco gravado por Paraguassu em dueto com Nhá Zefa (Maria di Léo), considerada a caipira mais preferida de Cornélio Pires, embora fosse paulistana do Brás, onde também nasceu Paraguassu, e, como ele, filha de imigrantes italianos. São duas batucadas que a Columbia editou sob número 8328, por certo visando o carnaval de 1938: “Baiana dengosa”, motivo popular adaptado pelo próprio Paraguassu, matriz 3581, e “Olá, seu Barnabé”, dele mesmo sem parceria, matriz 3582. Da curta passagem de Paraguassu pela Victor é a rancheira “Natal dos caboclos”, dele próprio em parceria com o já mencionado Capitão Furtado (Ariowaldo Pires), com participação vocal do Quarteto Tupã, formado pelo compositor Georges Moran, russo radicado no Brasil, e integrado pelas então jovenzinhas Salomé Cotelli, Consuelo, Hedymar Martins (irmã de Herivelto Martins) e Lourdes, que mais tarde fariam parte de outros grupos mais famosos. Gravação de 26 de setembro de 1938, lançada pela marca do cachorrinho Nipper em dezembro do mesmo ano, disco 34397-B, matriz 80904. É nesse período que, como já informamos, as gravações de Paraguassu ficam cada vez mais espaçadas. Tanto que as duas faixas seguintes são de 1945, na Continental, ambas com acompanhamento do conjunto do violonista Antônio Rago, e gravadas em 12 de julho desse ano. “Perdão, Emília”, outra famosa modinha brasileira, tem versos de José Henriques da Silva (1855-1930), poeta e jornalista português radicado desde menino na cidade de São João da Barra (RJ). Ele os escreveu em 1874, com apenas 19 anos, com o título de “Vingança no cemitério”, sendo musicada depois pelo sanjoanense Juca Pedaço (“Perdão, Emília foi título dado por batismo popular). O registro de Paraguassu, o único feito na fase elétrica de gravação, foi lançado pela Continental em agosto de 1945, sob número 15411-A, matriz 10444. “Estela” é outra modinha clássica, com versos de Adelmar Tavares e melodia de Abdon Lyra. Feito na mesma sessão de “Perdão, Emília”, a 12 de julho de 1945, o registro de Paraguassu foi lançado pela Continental em setembro do mesmo ano sob número 15419-A, matriz 10445. A moda campeira “Gaúcho guapo”, do próprio Paraguassu, foi por ele gravada na mesma Continental em 16 de abril de 1948, matriz 10849, mas o disco só saiu em março-abril de 49, sob número 16064-A. Por fim, apresentamos “Janela fechada”, valsa-canção do próprio Paraguassu, lado B de seu derradeiro disco 78, o Chantecler 78-0303-B, lançado em agosto de 1960, matriz C8P-606. Enfim, é a homenagem do GRB ao notável e legendário Paraguassu, que através de seu canto resgatou inúmeras páginas musicais genuinamente nossas e lançou outras tantas, e deve ser sempre enaltecido pela contribuição preciosa que deixou para a MPB.
*Texto de Samuel Machado Filho
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Paraguassú,
Selo Grand Record Brazil
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Paraguassú - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 140 - Parte 1 (2015)
Finalmente está chegando aos amigos cultos, ocultos e
associados do TM uma novíssima edição do Grand Record Brazil, a de número 140.
Apresentamos nesta quinzena a primeira de duas partes de um retrospecto
dedicado a Paraguassu, certamente um dos pioneiros do disco e do rádio no Brasil.
Batizado com o nome de Roque Ricciardi, o cantor nasceu em
São Paulo, a 25 de maio de 1894. Seus pais, italianos, tiveram seis filhos,
sendo nosso focalizado o terceiro deles, e primeiro a nascer no Brasil. O falecimento
de seu pai, dono de armazém e ferraria, abalou a tranquila vida familiar, e o
menino Roque foi logo encaminhado ao trabalho, como tipógrafo, por pouco tempo,
e como seleiro, por muitos anos, chegando a mestre no ofício. Desde criança ele
estava empolgado com a música e, ainda imberbe, depois do trabalho, já se
apresentava em cafés-cantantes, serestas e rodas boêmias, de violão em punho.
Mesmo falando perfeitamente o italiano e conhecendo as canções da terra de seus
pais, ele só cantava modinhas brasileiras. Em 1908, o grande Eduardo das Neves,
em temporada paulistana, tem a oportunidade de ouvi-lo no Café Donato e o
convida para o espetáculo que daria. Foi uma emoção inesquecível para o menino
de catorze anos. Contava Paraguassu que fez suas primeiras gravações em 1912,
em São Paulo, sob o selo Phoenix, mas esses discos não têm sido localizados por
nenhum colecionador. Comprovadamente,
gravou na pioneira Casa Edison (selo Odeon), em 1926/27, um total de sete discos
com catorze músicas, ainda na fase mecânica. Já havia ingressado, em 1924, sem
ganhar um só tostão, na pioneira Rádio Educadora Paulista, que funcionava nas
torres do Palácio das Indústrias de São Paulo, e onde se cantava “num
telefone”. Seus companheiros de então eram Alberto Marino e Américo “Canhoto”
Jacomino, sendo que este último Paraguassu conheceu numa seresta, em plena rua.
Em 1927, no início da fase elétrica de registros fonográficos, registra na
Odeon dois discos com duas músicas. Em 1929, a convite, ingressa no elenco da
nóvel Columbia, sob a direção artística do maestro Gaó (Odmar Amaral Gurgel), então com apenas 20
anos de idade. Paraguassu, embora na casa dos 34 anos, já representava a “velha
guarda”. Até esse momento, tinha
aparecido nos selos dos discos com seu nome verdadeiro, Roque Ricciardi.
Cansado de ser chamado de “italianinho do Brás”, escolheu um pseudônimo bem
brasileiro, Paraguassu, fazendo questão dos dois “ss”. Recordando episódios da
história do Brasil, lembrou-se dos índios Caramuru e Paraguassu e escolheu este
último, que aliás era índia, e não índio. E passaria a ser “o cantor das noites
enluaradas”. Foi na Columbia que Paraguassu desfrutou de sua fase áurea, entre
1929 e 1937, gravando 77 discos com 146 músicas. Em seguida, suas gravações iriam
se espaçar cada vez mais: na Victor (1938), Odeon (idem), novamente na Columbia
(1939 e 1942), Continental (1945 a
1949), Todamérica (1953) e Chantecler (1960), perfazendo um total de 101 discos
78 rpm com 192 músicas. Ainda gravaria LPs rememorativos, em 1958 e 1969.
Também foi bom compositor, mas não se inibiria em apresentar, como suas,
algumas canções tradicionais, inclusive gravadas por outros antes dele. Um
expediente sobretudo prático de reservar para si direitos musicais que, na
maioria dos casos, não seriam destinados a ninguém. Paraguassu faleceu em sua
Pauliceia natal, no dia 5 de janeiro de 1976, aos 81 anos de idade.
De seu extenso e bastante expressivo legado fonográfico, o
GRB foi buscar, nesta primeira parte, dezessete preciosas gravações,
apresentadas em ordem cronológica. Abrindo esta seleção, temos a modinha “Lua de fulgores”, com
acompanhamento ao violão de Américo Jacomino, o Canhoto, gravação Odeon de
1926, disco 122938. Dada como “arranjo” do intérprete, é na verdade a famosa
“Lua branca”, de Chiquinha Gonzaga, surgida em 1912 na burleta teatral
“Forrobodó”. A letra foi bastante alterada, e pode se dizer que Paraguassu cometeu, na verdade, um “desarranjo”... Em seguida, temos “Madalena”, o outro lado
desse disco, número 122939, também adaptação do próprio Paraguassu. Do mesmo
ano é “Morrer de amor”, de autoria do próprio intérprete, disco Odeon 123194, matriz 1019. Estas duas faixas,
também modinhas. As gravações seguintes já são da fase áurea de Paraguassu na
Columbia. O samba Siá Maria, do próprio Paraguassu, é cantado por ele ao lado
de Manuel dos Santos, o Pilé (c.1900, São Paulo-idem, c.1970). Saiu no primeiro
suplemento da Columbia, em fevereiro de 1929, sob número 5006-A, matriz 380035.
Em seguida, as duas músicas do Columbia 5026, lançado em março de 1929.
Abrindo-o, matriz 380092, o “samba apaixonado” “Triste caboclo”, do próprio
Paraguassu. E, no verso, matriz 380093, a “modinha popular” “Lamentos” . Consta
na edição que a música é do próprio Paraguassu, com letra de XXX, mas trata-se
de uma célebre modinha do século XIX, de autor desconhecido, já gravada por
Mário Pinheiro com o título de “Se soubesses”, por volta de 1906. Do Columbia
5029, editado nessa mesma ocasião, é outra modinha clássica, famosa e gravada
inúmeras vezes, “Casinha pequenina”, matriz 380100. Sua autoria ficou ignorada
por mais de um século, até que, em 1979, o pesquisador Vicente Sales descobriu
ser provavelmente um xote do carteiro paraense Bernardino Belém de Souza, que a
publicou em Belém no começo do século passado. Em seguida vem o outro lado do
disco, matriz 380101, “Não posso te amar”. De autoria creditada ao próprio
Paraguassu, esta modinha é, talvez, de origem tradicional, com outro título.
“Na casa branca da serra” é outra “modinha popular” bastante apreciada e
regravada, com letra do jornalista e poeta Guimarães Passos (1867-1909). Ele
escreveu o poema em Buenos Aires, por ocasião de seu exílio, decorrente da
Revolta da Armada, em 1893, e publicou-o em seu livro “Horas mortas”, em 1901, A
melodia é de Miguel Emídio Pestana. O registro de Paraguassu saiu pela Columbia
em julho de 1929 sob número 5062-B, matriz 380191. “Balança os cachos, Calú” é
uma embolada de Constantino Pinheiro, e saiu pela Columbia em outubro de 1929,
disco 5090-A, matriz 380234. Na mesma ocasião, sob número 5091-A, matriz
380248, saiu a canção "Nunca mais”, de Eduardo dos Santos e Gutemberg
Cruz. “O beijo” é uma canção de Fonseca Costa com versos de Catulo da Paixão
Cearense, e foi bastante gravada na fase mecânica. O registro de Paraguassu foi
lançado pela Columbia em outubro de 1929, disco 5100-B, matriz 380251.
“Sofrer”, toada-canção de Emílio Marques, saiu em dezembro de 1929 com o número
5122-A, matriz 380248. Da parceria Hekel Tavares-Luiz Peixoto é a canção “Azulão”,
que a Columbia editou em fevereiro de 1930 sob número 5141-A, matriz 380474. “Amô
de caboco” é uma “toada nortista” de autoria de João Pernambuco, que fez também
o clássico “Sons de carrilhões”. Ele e José Sampaio acompanham Paraguassu aos
violões nesta gravação Columbia, lançada em maio de 1930, disco 5193-A, matriz
380592. Ary Kerner, compositor carioca inspirado, tanto em música romântica
quanto regional, hoje injustamente esquecido, assina a toada “Coco de Indaiá”,
lançada pela Columbia em junho de 1930, disco 5220-A, matriz 380650. Encerrando
esta primeira parte, Paraguassu interpreta o “Hino social do Clube Atlético
Santista”, de Fábio Montenegro, Furtado de Oliveira e Carlos Sotomayor, que saiu pela Columbia provavelmente em novembro de 1930,
disco 7044-A, matriz 380941. Um fecho realmente de ouro para a primeira parte
deste retrospecto que o GRB dedica a Paraguassu. Na próxima quinzena tem mais.
Aguardem!
* Texto de Samuel Machado Filho
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Paraguassú,
Selo Grand Record Brazil
sábado, 29 de agosto de 2015
Mix Sortido TM (2015)
Olá amigos cultos e ocultos! Hoje eu estou 'mixturando' a fome com a vontade de comer, com direito a indigestão para quem não escuta música com outros olhos. Tenho aqui oito discos
de 12 polegadas, mas que trazem apenas um ou duas músicas. São os impagáveis filhos dos compactos, que começaram a pipocar a partir do final dos anos 80, discos que passaram a ser chamados de mix, ao estilo disco de DJ's. Eram muito comuns também em 45 rpm e faziam exatamente a função do antigo compacto que era o de apresentar a tal 'musica de trabalho', aquela principal de um determinado artista ou grupo. Aliás, é bom que se diga, mesmo nos dias atuais ainda há muitos artistas que investem em compactos e discos mix, como esse sortimento que agora eu trago para vocês.
Como podemos perceber, temos aqui nove discos de diferentes artistas, produções que passam pelas décadas de 80, 90 e nos anos 2000. Dos anos 80 temos as bandas Ego Trip, que trazia em sua formação Arthur Maia e Pedro Gil, filho do Gilberto Gil, Aqui temos deles a música "A lei sou eu", sucesso nas rádios em 1987. Em 88 temos outro sucesso "Cara pálida" da banda carioca Gang 90. Ainda nos anos 80 temos os 'mixies' do conjunto Fator RG7, produzido por Leci Estrada e Eclis, com um pop feito na medida para tocar no rádio, só que não vigou. Entrando pela década de 90, temos o Arnaldo Antunes, ex Titãs com o mix "Nome não", lançando em 93. Carlos Conceição e seu sucesso localizado, "A tribo" e ainda um mix funk com a desbocada Dercy Gonçalves. Para finalizar, temos um mix mais moderninho, lançado já nos anos 2000 pelo músico baiano Gil Felix, variando em três versões o seu batido em "Que alegria".
Em resumo, temos uma amostragem, cujo o sentido é bem mais que apresentar músicas. Aqui o intuito foi também lembrar que esses discos existem e tem o seu lugar, pelo menos uma vez, num toque musical. Divirtam-se...
nome não - arnaldo antunes
a tribo - carlos conceição
sol de espanha - carlos conceição
resposta das aranhas - dercy gonçalves
vê se entende - eclis
cangurú - eclis
eu sou a lei - ego trip
acaso sensual - fator gr7
vem - fator rg7
cara pálida - gang 90
que alegria - gil felix
.
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quinta-feira, 30 de julho de 2015
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Conjuntos Vocais - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 139 (2015)
E aí vai, para os amigos cultos, ocultos e associados do TM,
a edição de número 139 do Grand Record Brasil.
Desta feita, apresentamos gravações de conjuntos vocais e instrumentais que marcaram época na
história de nossa música popular, perfazendo um total de dezessete faixas.
Abrindo a seleção desta quinzena (com atraso, diga-se de
passagem)*, temos o grupo Os Namorados, uma continuação dos antigos Namorados
da Lua sem Lúcio Alves, que iniciara carreira-solo ainda no final dos anos
1940, e contando inclusive com o cantor Miltinho entre seus componentes. Eles
aqui comparecem com as músicas do disco Sinter
00-00.249, lançado em julho de 1953. No lado A, matriz S-532, uma
regravação de “Eu quero um samba”, de Haroldo Barbosa e Janet de Almeida. E, no verso, matriz S-533, um outro bom
samba, “Três Aves-Marias”, de Hanníbal Cruz.
Encontraremos em
seguida os Quatro Ases e um Coringa, conjunto criado em 1941, no Rio de Janeiro,
pelos irmãos cearenses Evenor, José e Permínio Pontes de Medeiros, a eles
juntando-se Esdras Falcão Guimarães, o Pijuca,
e André Batista Vieira, o Coringa. A princípio, o grupo chamava-se Bando
Cearense, nome com o qual se apresentavam na Ceará Rádio Clube. Por sugestão do
poeta e jornalista Demócrito Rocha, o nome foi alterado para Quatro Ases e um
Melé. De volta ao Rio de Janeiro, ao serem contratados pela Rádio Mayrink
Veiga, adotaram o nome definitivo de Quatro Ases e um Coringa, pois “melé” era
um termo desconhecido na então Capital da República. Em cerca de vinte anos de
carreira, o grupo deu de fato as cartas, o que comprovam as três faixas aqui
reunidas, todas gravadas na Odeon. Para
começar, o “calango mineiro” “Dezessete e setecentos” (conta errada mas sucesso
certeiro), de Luiz Gonzaga e Miguel Lima, originalmente lançado por Manezinho
Araújo em 1945. Os Quatro Ases e um Coringa registraram sua versão na “marca do
templo” em 18 de abril de 1947, com lançamento em julho do mesmo ano, disco
12784-B, matriz 8213. Em seguida, a marchinha “Feijoada”, de Rubens Soares,
gravação de 2 de fevereiro de 1943 lançada em março do mesmo ano, disco
12277-A, matriz 7196. Por fim, outra marchinha, “Lili... Lili”, de Assis
Valente, do carnaval de 1944. Foi gravada pouco antes do Natal de 43, no dia 21
de dezembro, com lançamento bem em cima dos festejos de Momo,em 44, disco
12414-A, matriz 7459.
As seis faixas seguintes são com o Bando da Lua, criado no
início dos anos 1930, e pioneiro no Brasil em harmonizar as vozes, como estava
então na moda nos EUA , criando com isto, uma mania nacional. Sempre
acompanhavam Cármen Miranda em suas apresentações, e acabaram indo para os EUA
junto com ela, em 1939. O grupo desfez-se após a morte de Cármen, em 1955. Não
por acaso, a participação do Bando da Lua neste volume do GRB inicia-se com
duas gravações que o grupo fez nos EUA, pela Decca. Primeiramente, o samba “Na
aldeia”, de Sílvio Caldas (seu criador em disco, em 1933), Carusinho e De
Chocolate, em gravação feita no dia 4 de
julho de 1941 e, ao que parece, só lançada no Brasil em 1974 pela Chantecler
(então representante da Decca/MCA entre nós), no LP “Bando da Lua nos EUA”,
produzido por João Luiz Ferrete. A segunda é “O passarinho do relógio (Cuco)”,
marchinha de Haroldo Lobo e Mílton de Oliveira, lançada para o carnaval de 1940
na voz de Aracy de Almeida. Este registro do Bando da Lua não chegou a ser
lançado comercialmente, e ficou inédito em disco. Passando para a fase inicial
brasileira do grupo, temos um clássico do carnaval: a marchinha “Pegando fogo”,
do carnaval de 1939, de autoria de José Maria de Abreu e Francisco Matoso. Foi
imortalizada pelo Bando da Lua na Victor em 3 de novembro de 1938, com
lançamento ainda em dezembro, disco 34393-B, matriz 80927. Temos em seguida
outra marchinha, de meio-de-ano, de autoria do mestre Lamartine Babo, “Menina
das lojas”. Também gravação Victor, datada de 8 de abril de 1937, com
lançamento em maio do mesmo ano, disco 34161-B, matriz 80358. O samba “Quero ver”, de Léo Cardoso, Ademar Santana e Vicente
Paiva, pertence à época em que Cármen Miranda fez sua última apresentação
artística no Brasil, no Cassino da Urca, e obviamente o Bando da Lua a
acompanhou. Gravação Columbia de 19 de outubro de 1940, lançada em novembro do
mesmo ano sob número 55245-B, matriz
324. De volta aos EUA, o grupo acompanha nada mais nada menos do que Bing
Crosby, na gravação que ele fez do clássico samba “Copacabana”, de João
“Braguinha” de Barro e Alberto Ribeiro, originalmente lançado em 1946 por Dick
Farney. O registro do cantor a ator norte-americano, ao lado do grupo
brasileiro, com letra em inglês de Stillman, data de 1950, e foi lançado nos
EUA pela Decca sob número M-33399-A,
matriz L-6040. No Brasil, foi lançado pela Odeon sob número 288455-A. Ainda da
fase brasileira do Bando da Lua (só que gravado na Victor da Argentina, durante
uma excursão que o grupo fez com Cármen Miranda) é o belo samba “Uma voz de
longe me chamou”, de Hervê Cordovil e Alberto Ribeiro. Foi registrado em Buenos
Aires a primeiro de dezembro de 1935, sendo lançado no Brasil sob número
34010-B, matriz 93019. E, encerrando a participação do Bando da Lua neste
volume, a gravação que fizeram nos EUA, pela Decca, para o sambatucada “Nêga do
cabelo duro”, de Rubens Soares e David Nasser (cujo registro original, aqui
também incluso, é dos Anjos do Inferno). Datada de 26 de maio de 1949, a
gravação só chegaria ao Brasil, ao que parece, em 1974, no já citado LP “Bando
da Lua nos EUA”.
Logo depois, temos um enigma. O conjunto Emboabas só gravou
um disco na Victor, em 1946, com os sambas
“A geada matou” e “Mania dela”.
Aqui, eles comparecem com uma gravação, ao que parece, editada em disco
particular, não-comercializado, interpretando o conhecido samba “General da
banda”, de Sátiro de Melo, José Alcides e Tancredo Silva, sucesso no carnaval
de 1950 nos registros de Linda Batista e Blecaute. Será que este registro foi
para as lojas?
Formado por deficientes visuais, o sexteto Titulares do
Ritmo surgiu em 1941, em Belo Horizonte, logo conquistando notoriedade pelas
harmonizações e vocalizações requintadas
e bastante elaboradas. Eles aqui marcam presença com o samba “Não põe a
mão”, grande sucesso no carnaval de
1951, de autoria de Bucy Moreira, Mutt e Arnô Canegal. Foi gravado na Odeon em
9 de novembro de 1950 e lançado ainda em dezembro, disco 13072-B, matriz 8848.
Cearenses como os Quatro Ases e um Coringa, os Vocalistas
Tropicais interpretam neste volume “Irmão do samba”, de Nestor de Holanda e
Jorge Tavares, gravação Odeon de 13 de maio de 1949, lançada em julho do mesmo ano, disco 12934-B, matriz
8492.
Para finalizar, trazemos os Anjos do Inferno, justamente com
a gravação original do clássico sambatucada “Nêga do cabelo duro”, já
mencionado aqui, de Rubens Soares e David Nasser. O grupo liderado por Léo
Vilar imortalizou a composição na Columbia, e o lançamento se deu em janeiro de
1942, sob número de disco 55315-A,matriz 478. “Nêga do cabelo duro” foi
absoluto sucesso no carnaval daquele ano, merecendo vários outros registros,
inclusive de Elis Regina, sendo até hoje lembrado, e com justiça. Um fecho realmente de ouro para esta edição
do GRB, que reverencia alguns dos melhores e mais famosos conjuntos vocais que a música popular já teve em toda a
história. É ouvir e recordar...
SAMUEL MACHADO FILHO.
terça-feira, 23 de junho de 2015
Forró 78 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 138 (2015)
Ah, a alegria do reencontro... É o que certamente vocês, amigos cultos, ocultos e associados do nosso
TM, estão sentindo ao ver, após longa ausência, mais um volume do nosso Grand
Record Brazil. E eu também, é claro,
estava sentindo saudades deste convívio quinzenal com vocês. Nesta que é a edição de número 138, estamos
apresentando uma seleção de dezessete gravações, como sempre de alto valor
histórico e artístico, de um gênero bem brasileiro, o forró. Afinal de contas,
estamos em junho, mês de festas juninas, que no Nordeste sempre foram verdadeiras apoteoses.
Pra começar, trazemos Gordurinha (Waldeck Arthur de Macedo,
Salvador, BA, 10/8/1922-Rio de Janeiro, 16/1/1969),apresentando um baião dele
mesmo em parceria com Nelinho, “Praça do Ferreira” (alusão a uma praça de
Fortaleza, capital do Ceará, um dos pontos turísticos da cidade). Saiu pela
Continental em setembro de 1961, sob número 17993-B. Em seguida, uma curiosa
gravação de “Maria Chiquinha”,xote-balada humorístico de Guilherme Figueiredo e
Geysa Bôscoli. Originalmente lançada por Evaldo Gouveia e Sônia Mamede na RGE,
em agosto de 1961,aqui consta na gravação feita mais tarde por Marinês (“a
rainha do xaxado”), em dueto com Luiz Cláudio, na RCA Victor.O registro data de
20 de outubro de 1961,editado sob número 80-2413-A,matriz M2CAB-1518, e saiu
também no LP “Outra vez Marinês”. Um dos maiores conjuntos vocais da MPB,o Trio
Nagô (Evaldo Gouveia, Mário Alves e Epaminondas de Souza) aqui comparece com o
baião “O gemedor”, de Gilvan Chaves,originalmente lançado por ele mesmo em
1955. O Trio Nagô fez seu registro na RCA Victor em 20 de dezembro de 1956, e o
lançamento deu-se em março de 57 sob número 80-1749-A, matriz BE6VB-1410.
Marinês (Inês Caetano de Oliveira, São Vicente Férrer, PE, 16/11/1935-Recife,
PE, 14/5/2007) comparece mais uma vez aqui com “Cadê o peba?”, divertido e
malicioso coco de autoria de Zé Dantas, parceiro de Luiz Gonzaga em hits como
“Vozes da seca”, “Cintura fina” e “O xote das meninas”. Marinês o gravou na RCA Victor em 25 de janeiro de 1961, com
lançamento em março seguinte sob número 80-2301-B, matriz M2CAB-1183, e o
registro saiu também no LP “O Nordeste e seu ritmo”. Manezinho Araújo (Manoel Pereira de Araújo,
Cabo, PE, 27/9/1913-São Paulo, 23/5/1993), o eterno “rei da embolada”, aqui nos
oferece um clássico do gênero, de autoria dele próprio: é “Cuma é o nome dele?” (“É Mané
Fuloriano”...), lançado pela Sinter em outubro de 1956 sob número 498-A,matriz
S-822, figurando também no LP de dez polegadas “Manezinho Araújo cantando no
Cabeça Chata” (um restaurante que ele então possuía no Rio de Janeiro,
especializado em música e comidas típicas do Nordeste). O eterno Rei do Baião, Luiz Gonzaga (Exu, PE,
13/12/1912-Recife,PE,2/8/1989), comparece aqui com um de seus primeiros hits cantados. É o “chamego” “Penerô xerém”,
dele e de Miguel Lima, gravação Victor de 13 de junho de 1945,lançada em agosto
do mesmo ano, disco 80-0306-A,matriz S-078189. Na faixa seguinte,temos
novamente Marinês, agora interpretando o xote “Peba na pimenta”, de João do
Valle (antes de estourar nacionalmente com “Carcará”), José Batista e Adelino
Rivera, outra divertida e maliciosa página do repertório da “rainha do xaxado”.
Saiu pela Sinter em setembro de 1957 sob número 568-A, matriz S-1231, e também
figurou no LP de dez polegadas “Vamos xaxar com Marinês e sua Gente”. “Peba na
pimenta” tem várias regravações, como as
de Ivon Cúri e do próprio João do Valle. Gilvan (de Assis) Chaves (Olinda, PE, 20/9/1923-São
Paulo, 12/8/1986) comparece nesta seleção com o divertido xote “Casamento
aprissiguido”,de Ruy de Moraes e Silva. Foi por ele gravado na recém-inaugurada
Mocambo, dos irmãos Rozenblit, que tinha sede no Recife,com lançamento por
volta de abril de 1955, disco 15029-A,matriz R-545, figurando depois no
LP-coletânea de dez polegadas “Oito sucessos”. Depois, Marinês volta, desta vez
para interpretar “Xaxado da Paraíba”, de Reinaldo Costa e Juvenal Lopes,lançado
pela Sinter por volta de outubro de 1957 sob número 579-A, matriz S-1253, sendo
depois faixa de abertura do LP “Aquarela nordestina”. Temos depois a famosa “Mulher
rendeira”, que ficou conhecida graças ao filme “O cangaceiro” (1953), produzido
pela Vera Cruz e vencedor da Palma de Prata do Festival de Cannes como melhor
filme de aventuras. No entanto, o
sucesso internacional do filme não impediu a falência do estúdio, uma vez
que a maior parte dos lucros ficou com
sua distribuidora, a norte-americana Columbia Pictures. De origem folclórica, mas com autoria por
vezes atribuída aos cangaceiros do bando de Lampião e até mesmo a ele
próprio,”Mulher rendeira” era cantada no filme pelos Demônios da Garoa (em
“off”), e aqui apresentamos a gravação comercial, em ritmo de baião, feita por eles mesmos, ao lado do cantor
Homero Marques, em 27 de janeiro de 1953, com lançamento pela Odeon em março do
mesmo ano, disco 13403-A, matriz 9594. O paraibano (de Taperoá) Zito Borborema,
sobre quem pouco se sabe, a não ser que foi casado com Chiquinha do Acordeon ,
dessa união resultando um filho, Perpétuo Borborema, integrante do Trio
Pé-de-Serra, aqui interpreta, acompanhado de seus “Cabras da Peste”, um
clássico assinado por Venâncio e Curumba,o rojão (espécie mais acelerada de
baião) “Mata Sete”. Foi lançado pela recém-nascida RGE, de José Scatena, em dezembro de 1956, sob
número 10018-A, matriz RGO-109, entrando depois no LP de dez polegadas “O
Nordeste canta”. Depois,temos novamente
a grande Marinês, agora com outro clássico de João do Valle, feito em parceria
com Silveira Júnior e Ernesto Pires: o xote “Pisa na fulô”,em gravação lançada
pela Sinter em setembro de 1957 no lado B de “Peba na pimenta”, disco
568,matriz S-1232, sendo igualmente incluída no LP de dez polegadas “Vamos
xaxar com Marinês e sua Gente” (o curioso é que “Pisa na fulô” também figurou
no álbum “Aquarela nordestina”, em doze polegadas, editado
posteriormente). Outro grande nome da
música nordestina, Luiz Wanderley (Colônia de Leopoldina, AL, 27/1/1931-Rio
Tinto, PB, 19/2/1993) apresenta-se aqui com um xote dele próprio em parceria
com Jeová Portela,”Moça véia”, gravação dos primórdios da marca alemã Polydor
no Brasil, lançada em 1955 sob número 126-A, matriz POL-1065. Showman completo
(cantor,compositor,humorista,etc.), o notável Ivon Cúri (Caxambu, MG, 5/6/1928-Rio de Janeiro,
24/6/1955) aqui se faz presente com um verdadeiro clássico de seu repertório, o
baião “Farinhada” (conhecido como “Tava na peneira”, primeiro verso da letra),
assinado pelo mestre Zé Dantas. Ivon o imortalizou na RCA Victor em 8 de junho
de 1955, e o lançamento se deu em agosto seguinte sob número de disco
80-1473-A, matriz BE5VB-0763, sendo a faixa mais tarde incluída no LP de dez
polegadas “O rei decreta os sucessos” (Ivon era então o “Rei do Rádio”).
”Farinhada” tem várias regravações, inclusive do próprio Ivon Cúri. Luiz
Wanderley retorna em seguida, desta vez para interpretar “O boi na cajarana”,
motivo popular adaptado por Venâncio e Curumba, e por eles próprios lançado em
disco,em 1953. O registro de Luiz Wanderley, em ritmo de baião, saiu pela
Chantecler em janeiro de 1959, disco 78-0078-A, matriz C8P-155, e entrou mais
tarde em seu primeiro LP, “Baiano burro nasce morto”. Pernambucano de Amaraji, Ivanildo, conhecido
como “o sax de ouro”, marca presença neste volume do GRB com o baião “Crioula”,
de Moreira Filho, gravação Mocambo de 1961, lançada sob número 15372-A, matriz
R-1263, e também faixa do LP “Uma noite no Comercial”. Para finalizar, outro grande nome da música
regional nordestina, Ary Lobo (Gabriel Euzébio dos Santos Lobo, Belém, PA, 14/8/1930-Fortaleza, CE, 22/8/1980)
apresenta o delicioso xote “Abotoa o paletó, Belizário”, de Geraldo Queiroz e
Waldemar Tojal. É gravação RCA Victor de 10 de julho de 1957, lançada em
setembro do mesmo ano sob número 80-1844-A, matriz 13-H2PB-0163. Enfim, uma
seleção forrozeira de nível, que retoma a bem-sucedida trajetória do GRB, para
alegria de tantos quantos apreciem nossa música popular no que ela tem de
melhor. Puxa o fole, maestro!
* Texto de Samuel Machado Filho
domingo, 10 de maio de 2015
Mães - Uma Coletânea De Mães Do Toque Musical (2015)
Aos filhos que possam interessar... Segue aqui uma seleção de mães tão variadas quanto o próprio Toque Musical. Mais que uma homenagem, pois para mim, mãe é todo dia. E a gente só percebe isso depois que ele já se foi. Sinto saudade das minhas. Eu tive duas! Se foi sorte por um lado, por outro a tristeza e saudade são dobrados. Mas quando olho para trás, vejo que tive lá muito sorte.
Segue assim esta seleção poética e musical que faz parte de muitos dos discos postados aqui. Parabéns as mamães!
minha mãe - dalva de oliveira e anisio silva
minha mãe, minha estrela - dalva de oliveira
minha mãe é mais bonita - angela maria
amor de mãe - maria creuza
poema para a minha mãe - babi de oliveira
amor de mãe - jamelão
minha mãe - álvaro moreyra
doce mãezinha - nora ney
canção da minha mãe - aniso silva
caquinho de mãe - siluca
mãe - sergio ricardo
cadê minha mãe - ary lobo
minha mãezinha - angela ro ro
coração de mãe - jorge goulart
mãe maria - josé dias
mãe é sempre mãe - bezerra da silva
mãeiê - osvaldo nunes e the pops
saudades da minha mãezinha - de moraes e doquinha
dia das mães - elza laranjeira
amor de mãe - vadico e vidoco
mulher valente é minha mãe - joão nogueira
mãe sempre mãe - tonico e tinoco
amor de mãe - mark morawski
minha mãe, minha vida - maris de oliveira
adeus mãezinha - durval e davi
obrigado mãe - angela maria e agnaldo timóteo
é mãe - vital farias
dia das mães - paulo gracindo
mãe solteira - jackson do pandeiro
canção das mães pretas - lia salgado
ser mãe - josé leão
mães - fernanda montenegro
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segunda-feira, 20 de abril de 2015
Cinema Em 78 RPM - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol 137 (2015)
Estamos de volta com o Grand Record Brazil, agora em sua
edição de número 137. E a seleção musical desta quinzena foi preparada por uma
pessoa muito especial: eu próprio! Tudo
começou quando o Augusto me mandou diversos
áudios extraídos de clipes produzidos para o YouTube, pela Rádio Educativa
Mensagem de Santos, aproveitando cenas de filmes diversos, todos em preto e
branco. No entanto, apenas quatro músicas, devidamente conservadas aqui ,
fizeram realmente parte de filmes. Então sugeri que fosse feita uma edição com
músicas que foram realmente apresentadas em películas de sucesso, a maior parte
nacionais. Com o devido acolhimento da ideia, e com carta branca para sua
elaboração, consegui garimpar dezesseis
fonogramas, alguns até raríssimos, extraídos das bolachas de cera velhas de
guerra. Uma seleção que resultou inclusive de pesquisas em fontes diversas,
particularmente o “Dicionário de filmes brasileiros – longa-metragem”, de
Antônio Leão da Silva Neto (Editora Futuro Mundo, 2002). Isto posto,vamos às
músicas.
Para começar, temos o clássico “O ébrio”, canção
de e com Vicente Celestino, “a voz orgulho do Brasil”, por ele gravada na
Victor em 7 de agosto de 1936 e lançada em setembro do mesmo ano, disco 34091-A,
matriz 80195. O filme viria dez anos depois, produzido pela Cinédia e dirigido
pela esposa do cantor, Gilda de Abreu, com grande bilheteria (teria superado
até mesmo “Tropa de elite2”, o recordista oficial de bilheteria do cinema
brazuca). Esta gravação é uma montagem
que apresenta, primeiramente, o monólogo inicial, extraído da regravação que
Celestino fez da música em 1957, e, em seguida, o registro original de 1936,
junção esta feita para a coletânea “Sessenta anos de canção”, lançada após a
morte do cantor, em 1968. Inezita Barroso, recentemente falecida, aqui
comparece com “Maria do mar”, canção do maestro Guerra Peixe em parceria com o
escritor José Mauro de Vasconcelos, autor de romances de sucesso como “Vazante”, “Coração de vidro”, “Banana brava”
e “O meu pé de laranja-lima”. Fez parte do filme “O canto do mar”, produção da
Kino Filmes dirigida por Alberto Cavalcanti, e Inezita a gravou na RCA Victor
em 4 de agosto de 1953,com lançamento em
outubro do mesmo ano, disco 80-1209-B, matriz BE3VB-0222. Temos, em
seguida, a única composição de origem estrangeira inclusa nesta seleção.
Trata-se de “Natal branco (White Christmas)”, fox de autoria de Irving Berlin,
um dos maiores compositores dos EUA, e sucesso em todo o mundo. Seu intérprete
mais constante foi o ator e cantor Bing Crosby, que a lançou em um show que fez
para os pracinhas norte-americanos que serviam nas Filipinas, durante a Segunda
Guerra Munidal. Bing também interpretou este clássico em dois filmes: “Duas
semanas de prazer (Holiday inn)”, de 1942, e “Natal branco(White Christmas)”,
de 1954. Com letra brasileira de Marino Pinto, foi levado a disco na RCA Victor
por Nélson Gonçalves, ao lado do Trio de Ouro, então em sua terceira fase
(Lourdinha Bittencourt, então esposa deNélson, Herivelto Martins e Raul
Sampaio), no dia 25 de novembro de 1955, mas estranhamente só saiu em janeiro
de 56, disco 80-1551-B, matriz BE5VB-0926. Houve uma versão anterior, assinada
por Haroldo Barbosa, que Francisco Alves interpretava em programas de rádio, porém
não gravada comercialmente. Na quarta faixa, o maior sucesso autoral do
compositor pernambucano Nélson Ferreira:
o frevo-de-bloco “Evocação”, primeiro de uma série de sete com o mesmo
título, homenageando grandes nomes do carnaval recifense do passado. A
interpretação é do Bloco Batutas de São José,lançada pela recifense Mocambo em
janeiro de 1957, no 78 rpm n.o 15142-B, matriz R-791, e no LP coletivo de 10
polegadas “Viva o frevo!”. “Evocação”
foi também sucesso no eixo Rio-São Paulo, em ritmo de marchinha, entrando na
trilha sonora do filme “Uma certa Lucrécia”, de Fernando de Barros, estrelado
por Dercy Gonçalves. Logo depois, outra gravação da Mocambo: é a balada-rock
“Sereno”, lançada em 1958 no 78 rpm n.o 15233-A, matriz R-985, e incluída mais
tarde no LP “Surpresa”. A música fez parte do filme “Minha sogra é da polícia”,
uma comédia dirigida pelo mesmo autor da composição, Aloízio T. de Carvalho, e
por sinal bastante cultuada pelos fãs de dois futuros astros da Jovem Guarda,
Roberto & Erasmo Carlos, pois marcou a primeiríssima aparição de ambos no
cinema. “Sereno” também foi revivida, em
1976, na novela “Estúpido Cupido”, da TV Globo, cuja trilha sonora foi a de
maior vendagem da história da gravadora Som Livre: mais de dois milhões e meio
de cópias! Na sexta faixa, uma raridade absoluta: trata-se da toada “Céu sem
luar”, do maestro Enrico Simonetti em parceria com o apresentador de rádio e
televisão Randal Juliano. Quem a interpreta, com suporte orquestral do mestre
Tom Jobim, é Dóris Monteiro, em gravação Continental de 6 de maio de 1955, lançada
em outubro do mesmo ano, disco 17171-A, matriz C-3628. Dóris também a
interpretou no filme “A carrocinha”, produção de Jaime Prades estrelada por
Mazzaropi sob a direção de Agostinho
Martins Pereira, e na qual Dóris também contracenou com outro mestre, Adoniran
Barbosa (seu pai, na trama). Desse mesmo
filme, agora com o próprio Mazzaropi, um dos mais queridos comediantes do
cinema brazuca, até hoje lembrado com saudade, é nossa sétima faixa, o baião
“Cai, sereno (Na rama da mandioquinha)”, baião de Elpídio “Conde” dos Santos
(autor do clássico “Você vai gostar”).O eterno jeca registrou “Cai, sereno” na
RCA Victor em 2 de agosto de 1955, e o lançamento se deu em outubro do mesmo
ano, disco 80-1497-A, matriz BE5VB-0821. Temos também o lado B desse
disco,matriz BE5VB-0822, também de Elpídio: a rancheira “Dona do salão”,
interpretada por Mazza no filme “Fuzileiro do amor”, dirigido por Eurides
Ramos, primeira das três películas que o comediante fez no Rio de Janeiro para
a Cinedistri, de Oswaldo Massaini.
Ângela Maria, a querida Sapoti, nos apresenta o expressivo samba-canção
“Vida de bailarina”, de Américo Seixas em parceria com o humorista Chocolate
(Dorival Silva). Fez parte do filme “Rua sem sol”, da Brasil Vita Filmes,
dirigido por Alex Viany, e a gravação em disco saiu pela Copacabana em dezembro de 1953, sob n.o 5170-B,matriz
M-642. Voltando bem mais longe no tempo, apresentamos “Estrela cadente”,
valsa-canção de José Carlos Burle, que fez parte do filme “Sob a luz do meu
bairro”, da Atlântida, dirigido por Moacyr Fenelon. Carlos Galhardo,seu
intérprete na película, cujos negativos infelizmente se perderam em um
incêndio, gravou a música na Victor em 12 de abril de 1946, com lançamento em
julho do mesmo ano sob n.o 80-0421-B, matriz S-078474. O eterno Rei do Baião,
Luiz Gonzaga, apresenta a animadíssima polca “Tô sobrando”, que fez em parceria
com Hervê Cordovil, e gravou na RCA Victor em 26 de julho de 1951, com
lançamento em outubro do mesmo ano, disco 80-0816-A,matriz S-092995. Gonzagão
também a interpretou no filme “O comprador de fazendas”, da
Cinematográfica Maristela, estúdio
paulistano que ficava no bairro do Jaçanã, baseado em conto de Monteiro Lobato
e dirigido por Alberto Pieralisi, tendo no elenco Procópio Ferreira, Hélio
Souto e Henriette Morineau, entre outros (o próprio Pieralisi dirigiu uma
refilmagem inferior, em 1974). O número
musical de Luiz Gonzaga, por sinal, foi rodado após o término das filmagens,
uma vez que ele sofrera grave acidente automobilístico e quebrara o braço. Outra
raridade vem logo em seguida: o samba-exaltação “Parabéns, São Paulo”, de
Rutinaldo Silva,em gravação lançada pela Continental em março de 1954 (ano em
que a capital bandeirante comemorou seus quatrocentos anos de existência),
disco 16912-B, matriz C-3287. Esse foi o número musical de encerramento do
filme “O petróleo é nosso”, da Brasil Vita Filmes, dirigido por um especialista
em chanchadas, Watson Macedo. O belo samba-canção “Onde estará meu amor?”, de
autoria da compositora e instrumentista Lina Pesce (Magdalena Pesce Vitale), é
outra absoluta raridade nesta seleção “cine-musical”. Interpretado por Agnaldo
Rayol no filme “Chofer de praça”, o primeiro que Mazzaropi fez como produtor
independente, sob a direção de Mílton Amaral, foi lançado em disco pela
Copacabana em maio de 1958, no 78 rpm n.o
5891-A, matriz M-2181, entrando mais tarde no primeiro LP de Agnaldo,
sem título (CLP-11061). Gravações
posteriores de Dolores Duran e Elizeth Cardoso, também pela Copacabana,
reforçariam o êxito de “Onde estará meu amor?”.
Silvinha Chiozzo, irmã da acordeonista e também cantora e atriz Adelaide
Chiozzo, aqui comparece com duas músicas
que interpretou no filme “Rico ri à toa”, primeiro trabalho do cineasta Roberto
Farias, que mais tarde fez ”Assalto ao trem pagador” e a trilogia
cinematográfica estrelada por Roberto Carlos (“Em ritmo de aventura”, “O
diamante cor-de-rosa” e “A trezentos quilômetros por hora”), sendo depois
diretor de especiais da TV Globo. Saíram
pela Copacabana em 1957, sob número 5795. Primeiro,o lado B, “Zé da Onça”,
baião clássico de João do Valle, o acordeonista Abdias Filho (o famoso Abdias
dos Oito Baixos) e Adrian Caldeira, matriz M-1990, que Silvinha canta em dueto
com Zé Gonzaga, irmão de Luiz Gonzaga. Vem depois o lado A, matriz M-1965, “É
samba”, que Silvinha canta solo, concebido por Vicente Paiva, Luiz Iglésias e
Walter Pinto, os três ligados ao teatro de revista. Para terminar, um
verdadeiro clássico interpretado pelo grande Cauby Peixoto: o samba-canção
“Nono mandamento”, de Renê Bittencourt e Raul Sampaio, e que fez parte do filme
“De pernas pro ar”, co-produção Herbert Richers-Cinedistri, dirigida por Victor Lima. Cauby imortalizou
este sucesso inesquecível na RCA Victor em 20 de dezembro de1957,com lançamento
em abril de 58 no 78 rpm n.o 80-1928-A, matriz 13-H2PB-0311. Um fecho realmente
de ouro para a seleção desta quinzena do GRB, que por certo irá proporcionar
grandes momentos de recordação e entretenimento a vocês que tanto prestigiam o TM. Quero expressar
inclusive meus mais sinceros agradecimentos aos colecionadores Gilberto Inácio
Gonçalves e Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez)
pela colaboração, enviando-me alguns dos preciosos fonogramas que
compõem esta edição. E agora, luz, câmera, ação... e música!*Texto e seleção musical de Samuel Machado Filho
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terça-feira, 7 de abril de 2015
Albertinho Fortuna - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 136 (2015)
Nesta quinzena, o Grand Record Brazil, em sua edição de
número 136, focaliza um grande nome da música popular e do rádio no Brasil:
Albertinho Fortuna.
Batizado com o nome de Alberto Fortuna Vieira de
Azevedo, o cantor nasceu em Portugal,
mais precisamente em Vila Nova de Gaia, no dia 28 de outubro de 1922. Ele e sua
família mudaram-se para Niterói, litoral
do Rio de Janeiro, quando Albertinho estava
com apenas seis meses de nascido. Residiam no bairro de Santa Rosa, e o
futuro astro estudava no Colégio
Salesiano, destacando-se no coro da instituição de ensino. Aos oito anos,
convidado por um amigo da família, foi cantar na Rádio Mayrink Veiga. Agradou tanto ao público que retornaria várias
vezes à emissora, já pedindo um cachê de dez mil-réis. Albertinho prosseguiu
seus estudos no Instituto de Humanidades, cujo diretor era o jornalista e
compositor Gomes Filho. Ele também dirigia a Rádio Sociedade de Niterói, que
estava inaugurando, e Albertinho acabaria sendo, em 1936, um dos pioneiros dessa estação.
Ainda nesse ano, Zezé Fonseca providenciou seu retorno à Mayrink Veiga,
solicitando ao seu então diretor artístico, César Ladeira, que o testasse. Albertinho
foi devidamente aprovado e contratado pela Mayrink, por um salário mensal de
quatrocentos mil-réis, além de receber, também de Ladeira, o slogan de “O
garoto que vale ouro”. Estava então na plenitude de seus treze anos de idade, e
apresentou-se várias vezes ao lado da maior estrela da Mayrink nesse tempo: nada mais nada menos que Cármen Miranda!
Albertinho parou de cantar em virtude da mudança de voz,
inevitável com o avanço da idade, e após dois anos inativo, em 1938, retornaria à cena, agora na PRG-2,
Rádio Tupi, “o cacique do ar”. Depois de uma temporada na mesma, transferiu-se
para a Rádio Educadora do Brasil, a convite de Saint-Clair Lopes e Luiz
Vassalo. Em 1940, ingressa na lendária PRE-8, Rádio Nacional, e três anos mais
tarde passa a integrar, ao lado de Nuno Roland e Paulo Tapajós, o Trio Melodia,
criado para apoio do superprograma “Um milhão de melodias”. Dada sua
impressionante qualidade, o trio fez inúmeras gravações em disco, inclusive
acompanhando inúmeros cantores famosos de sua época. As carreiras individuais
de seus integrantes, paralelamente, prosseguiam sem qualquer problema. Albertinho fez sua primeira gravação como
solista em 1944, na Victor, ao lado das Três Marias, interpretando o samba
clássico “Ai, que saudades da Amélia”, de Ataulfo Alves e Mário Lago. No ano
seguinte, faz nova gravação, agora pela Continental, interpretando a valsa “Meu
coração te fala” de Pedro Raimundo,que também o acompanhou ao acordeom e numa
declamação. Foi um sucesso! De volta à Victor, obtém êxito no carnaval de 1947
com “Marcha dos gafanhotos”, incluída nesta edição. Entre 1948 e 1951 gravou na
Star, futura Copacabana, fixando-se de vez na Continental em 1952.
Albertinho Fortuna tem sua trajetória na MPB marcada pelo
repertório de cunho romântico, em especial versões de tangos, que cantava como
ninguém. Tanto é assim que, por vários anos, os tangos gravados por Albertinho seriam
bastante executados nos programas de rádio das madrugadas,por todo o Brasil.
Albertinho Fortuna morreu em sua cidade adotiva, Niterói, no
dia primeiro de julho de 1995, aos 72 anos. Nesta edição do GRB, uma
pequena-grande amostra de sua arte e de seu trabalho musical, em doze
gravações. Abrindo a seleção desta quinzena, temos “Abraça-me”, bolero de
Almeida Rego e Antônio Correia, originalmentre lançado por Anísio Silva,em
1962, e que Albertinho incluiu no LP “Prelúdio...”, de 1963, pela Continental.
Em seguida,o tango clássico “Cristal”, de Marianito Mores e José Maria
Contursi, em versão de Haroldo Barbosa. A música surgiu em 1944, e suas
primeiras gravações argentinas foram feitas pelas orquestras típicas de Anibal
Troilo, Oswaldo Fresedo e Francisco Canaro. Vencedora do concurso de tangos
“Mejoral”, da Rádio Belgrano de Buenos Aires, “Cristal” teve sua primeira
gravação em português por Francisco Alves, em 1945. O registro de Albertinho
Fortuna é do LP de 10 polegadas “Tangos inesquecíveis”, lançado pela Continental
em 1957. Desse mesmo LP é a faixa seguinte, “Garoa”, versão de Lourival Marques
para “Garua”, de Anibal Troilo e Enrique Cadícamo, que a Continental lançaria
também em 78 rpm, em janeiro-fevereiro de 1958, sob número 17523-B, matriz
C-4078. “Lua do rio” é a versão brasileira do clássico romântico”Moon
river”, balada composta por Henry
Mancini para o filme “Bonequinha de luxo
(Breakfast at Tiffany’s)”, produzido pela Paramount em 1961 e nele
interpretada por sua atriz principal, Audrey Hepburn. Abrasileirada pelo grande João “Braguinha” de
Barro, foi gravada por Albertinho Fortuna em 1963, na Continental, disco
78-227-A, sendo também faixa do LP “Prelúdio...”. “Mano a mano”, tango clássico de Carlos
Gardel, José Razzano e Celedonio Flores, ganhou letra brasileira de Giuseppe
Ghiaroni, que Albertinho interpreta ao lado do Trio Madrigal e de seus
companheiros no Trio Melodia, com suporte orquestral de Radamés “Vero”
Gnattali. A gravação saiu pela Continental
em maio-junho de 1952, sob número 16582-B, matriz C-2866. Da parceria
Carlos Gardel-Alfredo Le Pera é “Morro
abaixo (Cuesta abajo)”, que Gardel interpretou num filme também chamado “Cuesta
abajo”, subintitulado no Brasil “O amor obriga”. É outra versão de Ghiaroni,
gravada na Continental por Albertinho Fortuna em 18 de junho de 1954, com
lançamento em julho seguinte sob n.o 16996-B,matriz C-3405. Mostrando que
tangos eram mesmo o seu forte, Albertinho também brilha em “Percal”, de Homero
Expósito e Domingo Federico, em versão de Haroldo Barbosa. Sua primeira
gravação argentina deu-se em 1943, pela típica de Anibal Troilo, com vocal de
Francisco Fiorentino. A versão brasileira foi gravada pela primeira vez por
Francisco Alves,em 1944, e o registro de Albertinho saiu pela Continental em
maio-junho de 1958 no 78 rpm n.o 17557-A, matriz C-4091, sendo também faixa de
abertura do LP de 10 polegadas “Tangos inesquecíveis”. Desse LP também consta
“Uno”, outra versão de Haroldo Barbosa, subintitulada “Rosa vermelha”, para
mais um clássico da parceria Marianito Mores-Enrique Santos Discépolo. Anibal
Troilo, com sua típica, e estribilho de Alberto Marino, lançou “Uno” em 1943, e
um ano dpeois, Francisco Alves fez a primeira gravação desta versão. O registro
de Albertinho, claro, também saiu em 78 rpm pela Continental, em
janeiro-fevereiro de 1958, sob n.o 17523-A, matriz C-4077. Em seguida mais um
clássico da parceria Carlos Gardel-Alfredo Le Pera, com letra brasileira de
Ghiaroni, “Voltar (Volver)”, gravada por Albertinho para o LP de 10 polegadas
“Meus velhos tangos” (Continental, 1955).
“Caminito”,de Juan de Diós Filiberto e Gabino Coría Peñaloza, abre esse mesmo LP, também em versão de
Ghiaroni. A Continental, claro, também disponibilizaria a gravação em 78 rpm,
sob número 17356-A, em novembro-dezembro de 1956, matriz C-3893. “Gira, gira
(Yira, yira)”, de Discépolo sem parceiro, em outra versão de Ghiaroni, também
está no LP de 10 polegadas “Meus velhos tangos”, e, em 78 rpm, é o lado B de
“Caminito”, matriz C-3894. Para finalizar, um dos primeiros hits de Albertinho Fortuna:
a “Marcha dos gafanhotos”, de Eratóstenes Frazão e Roberto Martins, uma
das campeãs do carnaval de 1947. Foi imortalizada por Albertinho na Victor em
22 de outubro de 46, com lançamento um mês antes da folia, em janeiro,disco
80-0489-A,matriz S-078631. Um fecho realmente de ouro para esta retrospectiva
do GRB, prestando justa homenagem ao eterno Albertinho Fortuna!
* Texto de Samuel Machado Filho
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quinta-feira, 19 de março de 2015
Cantoras - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 135 (2015)
Para alegria dos amigos cultos, ocultos e associados do TM,
o Grand Record Brazil está de novo na área, agora em sua edição de número 135.
Desta vez, apresentamos mais um punhado de registros históricos, exclusivamente
com vozes femininas, sempre presentes em nosso GRB. São dezoito joias
preciosas, de fazer qualquer colecionador vibrar, gravadas entre os anos 1910 e
1930.
Iniciamos nosso retrospecto com Abigail Maia (Porto Alegre,
RS, 17/10/1887-Rio de Janeiro,
20/12/1981). Cantora e também atriz, fundou companhia teatral junto com
Oduvaldo Vianna, além de se destacar, tempos depois, como radio-atriz na
lendária Rádio JESZNacional do Rio de Janeiro. Abigail, cuja discografia como
intérprete seria escassa, aqui comparece em três faixas. A primeira é “Chico,
Mané, Nicolau”, batuque paulista de autor desconhecido, em gravação mecânica Odeon/Casa
Edison de 1916, disco 121173. Já dá fase elétrica de registros fonográficos é a
canção “Flor de maracujá”, de Marcelo Tupinambá e Amadeu Amaral. Foi gravada
por Abigail na Victor em 24 de fevereiro de 1931, e o disco foi lançado com o
número 33425-B, matriz 65112. Por fim, outro registro mecânico, o do “coco
baiano” “O cumbuco e o balaio”, mais uma peça de autor ignorado, em gravação Odeon/Casa Edison de 1916, disco
121172.
Maior nome feminino da música erudita brasileira, aplaudida e
consagrada no Brasil e no exterior, tendo sido até mesmo enredo de escola de
samba, Bidu Sayão (Balduína de Oliveira
Sayão, Itaguaí, RJ, 11/5/1902-Rockport, Maine, EUA, 13/3/1999), aqui comparece
com uma modinha de Barrozo Neto e Nosor Sanches, a “Canção da felciidade”,
originalmente lançada em 1928 por uma certa Maria Emma. A gravação de Bidu foi
feita na Victor (selo Victrola) em 14 de setembro de 1933, e o disco recebeu o
número 4229-B, matriz 65853.
Filha de um diplomata brasileiro e de uma cantora lírica,
Gilda de Abreu (Paris, França, 23/9/1904-Rio de Janeiro, 4/6/1979) foi
cineasta, atriz, escritora, radialista e cantora. Casou-se, em 1933, com o também cantor Vicente
Celestino, em duradoura união que perduraria até a morte deste, em 1968.
Inclusive dirigiu, entre outros, os dois filmes estrelados pelo marido, “O
ébrio” (1946) e “Coração materno” (1951). Aqui, Gilda interpreta “Bonequinha de
seda”, valsa de sua autoria e Narbal Fontes,
incluída no filme de mesmo nome, da Cinédia, dirigido pelo já citado
Oduvaldo Vianna, e do qual foi a atriz principal. Gravação Victor de 10 de
novembro de 1936, lançada em dezembro do mesmo ano, disco 34112-A, matriz
80239.
A soprano luso-brasileira Cristina Maristany (Porto,
Portugal, 11/8/1906-Rio Claro, SP, 27/9/1966) foi membro-intérprete da Academia
Brasileira de Música e, um ano antes de seu falecimento (1965), recebeu a
Medalha Carlos Gomes. Consagrada nacional e internacionalmente, assim como Bidu
Sayão, Cristina interpreta aqui uma serenata de autoria do compositor mexicano
Manuel Ponce, no original em espanhol, “Estrelita”. Gravação Columbia de 1935,
em disco número 8144-A, matriz 1087.
Odete Amaral (Niterói, RJ, 28/4/1917-Rio de Janeiro,
11/10/1984), “a voz tropical do Brasil”, aqui interpreta este que é considerado
seu primeiro grande sucesso, a marchinha “Colibri”, de Ary Barroso, do carnaval
de 1937. Acompanhada pelos Diabos do Céu, de Pixinguinha,Odete gravou a música
na Victor em 13 de novembro de 36, com lançamento ainda em dezembro, disco
34120-B, matriz 80255.
Sylvinha Mello (Vitória, ES, 23/2/1914-Paris, França, c.
1978) foi uma das primeiras cantoras brasileiras a fazer sucesso no exterior,
particularmente nos EUA, atuando em rádios e casas noturnas . De sua escassa
discografia brasileira como intérprete, aqui vai o fox “Canção das águas”, de
Joubert de Carvalho, gravação Victor de 26 de maio de 1936, lançada em julho do mesmo
ano, disco 34070-B, matriz 80166.
Laura Suarez (Rio de Janeiro, 23/11/1909-idem, c. 1990) foi
uma verdadeira “garota de Ipanema”, uma
vez que foi eleita Miss Ipanema em 1930, sendo considerada uma das mulheres
mais bonitas de seu tempo. Além de cantora e compositora, foi também atriz de teatro (no qual atuou por mais de
cinquenta anos), televisão e cinema. Fez toda a sua carreira discográfica na
extinta Brunswick, e dela apresentamos
aqui uma canção sua de parceria com Henrique Vogeler (co-autor do clássico “Ai
Ioiô”), intitulada “Romance”. O disco saiu em 1931, ano em que a gravadora
encerrou suas atividades no Brasil, provavelmente em março, sob número 10159-B,
matriz 618.
Membro da alta sociedade carioca, Maria de Lourdes de Assis,
aliás Madelou Assis (Rio de Janeiro, 1915-idem, 1956) começou sua carreira em
1932, aos 16 anos, atuando em um cinema
como apresentadora de um espetáculo do qual participaram alguns cantores de
sucesso na época. Atuou nas rádios Mayrink Veiga (Rio) , Record, Kosmos e
Cruzeiro do Sul (São Paulo), tendo
também feito temporada na Rádio Belgrano de Buenos Aires, e casou-se, em 1934,
com o radialista e compositor Valdo Abreu. De sua escassa discografia (apenas
cinco discos 78 com oito músicas),
apresentamos duas gravações Victor, ambas do disco 33689, e de autoria do
futuro esposo, Valdo Abreu, gravado em 31 de maio de 1933 e lançado em agosto
do mesmo ano: o samba-canção “Ciúme”, matriz 65758, e, no verso, a canção “Praia dos beijos”, matriz 65759.
Uma das principais divulgadoras de músicas folclóricas no
decorrer dos anos 1930, Sônia Barreto (pseudônimo de Sônia Luiz Mosciaro), carioca
de Santa Tereza, foi também poetisa e radialista, atuando como radioatriz,
produtora e apresentadora de programas da lendária Rádio Nacional. Soprano
lírico-dramática, recebeu medalha de ouro do Instituto Nacional de Música. Ela
aqui comparece com três faixas. Para começar, a valsa “História de uma flor”,
de Joubert de Carvalho, gravação Victor de 31 de agosto de 1931, lançada em
outubro do mesmo ano, disco 33474-B, matriz 65228. Depois, na faixa 14, temos o
fox-canção “Descansa, coração!”, versão de Alberto Ribeiro para o standard
americano “All of me”, de Gerald Marks e Seymour Simons. Saiu pela Columbia em dezembro
de 1932,sob número de disco 22163-B, matriz 381359. Houve outra versão bastante
conhecida, em ritmo de iê-iê-iê, assinada por Neusa de Souza e gravada em fins
de 1964 pelos Golden Boys, o famoso “Ai de mim”. Por fim, a toada-canção “Beijo
azul”, de José Francisco de Freitas, o Freitinhas, e Oswaldo Santiago. Gravada
na Victor em 27 de agosto de 1931, é o lado A de “História de uma flor”, matriz
65223. Na faixa 13, uma rara oportunidade de se ouvir a voz da carioca Odaléa
Sodré (1924-?), filha do compositor e instrumentista Heitor Catumby. E a faixa
escalada é justamente de seu primeiro disco, o Columbia 8112-B, de 1936,
gravado na plenitude de seus 12 anos de idade:
o samba “Romance da morena”, de Bucy Moreira e Kid Pepe, matriz 1112.
Elisa (de Carvalho) Coelho (Uruguaiana, RS, 1/3/1909-Volta
Redonda, RJ, 2001) deixou gravados 15 discos 78 com 30 músicas, entre 1930 e
1934. Criadora dos clássicos “No rancho fundo” e “Caco velho”, era mãe do
jornalista e apresentador de televisão Goulart de Andrade, aquele do bordão
“Vem comigo”. Elisinha, como era carinhosamente chamada, aqui comparece com
duas gravações Victor, ambas feitas em 11 de junho de 1930, porém lançadas em
discos distintos. A primeira é o samba “Escrita errada”, de Joubert de
Carvalho, matriz 50397, editada em fevereiro de 1931 sob número 33338-B. E a
segunda é a toada “Ciume de caboca”, de Josué de Barros, o descobridor de
Cármen Miranda, em parceria com Domingos Magarinos, matriz 50308, lançada em
agosto de 1931 sob número 33444-B. para encerrar, temos Jesy (de Oliveira)
Barbosa (Campos, RJ, 15/11/1902-Rio de Janeiro, 30/12/1987).Ela foi um talento
múltiplo: cantora, compositora, jornalista, poetisa, contista, radialista...
Jesy Barbosa marca aqui sua presença com “May”, tango de Renato Leão de Aquino,
gravação Victor de primeiro de julho de 1931,lançada em setembro do mesmo ano,
disco 33464-B, matriz 65180. E encerrando com brilho mais esta edição do GRB,
dedicada a cantoras que, se depender de iniciativas como a nossa, jamais serão
esquecidas!
Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.
terça-feira, 10 de março de 2015
Inezita Barroso
Em pleno Dia Internacional da Mulher, a 8 de março deste 2015, tivemos mais uma
perda irreparável para nossa música popular, notadamente a caipira ou sertaneja
de raiz. É claro que os amigos cultos, ocultos e associados do TM sabem muito
bem de quem estamos falando: Inês Madalena Aranha de Lima, ou, como ficou para
a posteridade, Inezita Barroso. E isso poucos dias após seu aniversário de 90
anos, vitimada por uma pneumonia. Enfim,
cada um tem um destino... O curioso é
que Inezita, considerada a mais autêntica intérprete do cancioneiro caipira
brasileiro, veio ao mundo justamente em São Paulo, Capital, no dia 4 de março
de 1925. De família tradicional, começou a cantar bem cedo, aos sete anos de
idade. Aos nove anos, já admirava o escritor e poeta Mário de Andrade, um dos
ícones do Modernismo, e seu vizinho na Rua Lopes Chaves, no bairro paulistano
da Barra Funda, a quem esperava passar diariamente enquanto brincava de
patins. Aos onze anos, começou a estudar
piano, e mais tarde cursou Biblioteconomia. A sua carreira artística se inicia
nos anos 1940, na Rádio Clube do Recife, interpretando canções folclóricas
recolhidas por seu ilustre vizinho na Barra Funda paulistana, Mário de Andrade,
acompanhando-se ao violão. Após se casar, em 1950, retoma as atividades
musicais, ingressando, a convite do compositor Evaldo Ruy, na PRA-9, Rádio
Bandeirantes de São Paulo (então “a mais
popular emissora paulista”). Teve a honra de participar da transmissão
inaugural da primeira emissora de televisão brasileira, a PRF-3, TV Tupi, e
trabalhou como cantora exclusiva da PRG-9, Rádio Nacional (hoje Globo). Um ano
depois, transfere-se para a Record, então “a maior”. Ainda em 1951, grava seu
primeiro disco, na Sinter, interpretando
”Funeral d’um rei nagô” (Hekel Tavares-Murilo Araújo) e “Curupira”
(Waldemar Henrique). Aqui, ela já
demonstra empenho na pesquisa e na divulgação de temas folclóricos, uma de suas
marcas registradas. Em 1953, assina contrato com a RCA Victor, onde estreou
gravando “Isto é papel, João?” (Paulo Ruschell) e “Catira” (adaptação de R. de Souza). Em seu terceiro disco nessa
marca, obtém seu primeiro grande sucesso
com “Marvada pinga”, moda de viola de autoria do professor Ochelcis Laureano,
um dos carros-chefes de suas apresentações pelo resto da vida. Curioso é que,
no lado B, apareceu o samba-canção “Ronda”, de Paulo Vanzolini, que passou
despercebido na ocasião e só teve êxito quando regravado por outros cantores,
sendo hoje um clássico. Outras
expressivas gravações de Inezita na RCA Victor foram: “Os estatutos da
gafieira” (samba-crônica de Billy Blanco),”Taieiras”, “Retiradas” e “Coco do
Mané” (esta, de autoria de Luiz Vieira), entre outras. No cinema, atuou em filmes como “Ângela”
(1951), “Destino em apuros” (considerado o primeiro filme nacional produzido em
cores, de 1953), “É proibido beijar”, “O craque” (ambos de 1954), “Mulher de
verdade” (1955), pelo qual recebeu o prêmio Saci de melhor atriz, conferido
pelo jornal ‘O Estado de S. Paulo”, e “Carnaval em lá maior” (também de 1955). Em
1954, estreou na televisão, com um programa semanal na TV Record. Um ano mais tarde, 1955, Inezita muda de
gravadora, indo para a Copacabana, onde lança seu primeiro LP, sem título,
incluindo músicas como “Banzo”, “Viola quebrada” e “Mineiro tá me chamando”, além
de uma regravação de “Funeral d’um rei nagô”. Permaneceu nessa gravadora por
mais de vinte anos, e lá deixou memoráveis trabalhos em disco, alguns deles
incluídos neste repost, e dos quais falaremos a seguir. Outros sucessos de Inezita são “Lampião de
gás” (outro de seus carros-chefes, composto por Zica Bergami, então mulher de
renome na alta-sociedade paulistana), “Estatuto de boate” (outro samba-crônica
de Billy Blanco) e releituras de clássicos como “Fiz a cama na varanda”, “De
papo pro á” , “Nhapopé” , “Negrinho do pastoreio” e “Boi bumbá”. Inezita fez
sucesso também no exterior, uma vez que, de passagem pelo Brasil, celebridades
como o ator francês Jean-Louis Barrault, o maestro Roberto Inglês e o ator italiano
Vittorio Gassman , levaram os discos de Inezita para a Europa, onde tiveram
maciça divulgação pelo rádio. O currículo da cantora-folclorista inclui
apresentações no Uruguai, na extinta União Soviética, Israel , Paraguai,
Uruguai e EUA, além de troféus como Roquette Pinto e o Prêmio Sharp de Música Brasileira. Durante toda essa longa e gloriosa
trajetória, Inezita, conhecida como “a rainha do folclore”, conservou a qualidade de sua voz, aliás ela
foi uma das cantoras veteranas que melhor conseguiu essa proeza. No início da década de 1980, passou a
apresentar, na TV Cultura de São Paulo, o famoso “Viola, minha viola” (“Eta
programa que eu gosto!”),
importantíssimo instrumento de divulgação da cultura caipira e regional
brasileira, a princípio comandado pelo radialista Moraes Sarmento.
Inezita, no começo, dividiu a
apresentação com Sarmento, que mais tarde passou a se dedicar apenas ao rádio.
Daí por diante, Inezita firmou-se como a única apresentadora do “Viola, minha
viola”, e o programa tornou-se o musical mais lôngevo da história da televisão brasileira. Também apresentou, no SBT, o programa
“Inezita”, dentro de uma faixa sertaneja que a emissora possuía aos domingos
pela manhã, mas que não ficou muito tempo no ar. No rádio, apresentou ainda os
programas “Mutirão”, na Rádio USP”, e “Estrela da manhã”, na Cultura AM. Continuou
a se apresentar em shows por todo o Brasil, tendo a seu lado, em alguns deles, nomes como a dupla Pena Branca e Xavantinho, a
violeira Helena Meirelles e Oswaldinho do Acordeom. Autêntica “doutora” em
folclore, Inezita passou a lecionar a matéria em faculdades e universidades, a
partir de 1982. Sua vasta discografia abrange
cerca de25 discos em 78 rpm, e quase 30 álbuns, entre LPs e CDs, além de
alguns compactos.
Em homenagem à agora imortal Inezita Barroso, o Toque
Musical decidiu apresentar uma repostagem especial de seis de seus álbuns, a
saber:
DANÇAS GAÚCHAS (Copacabana, 1955) – Segundo LP de Inezita, em
10 polegadas, e por ela própria
considerado o melhor trabalho de sua carreira. Nele, a “rainha do folclore”
interpreta composições de Luiz Carlos Barbosa Lessa (1929-2002), importante
ícone da cultura riograndense, e de seu parceiro de pesquisa, Paixão Cortes.
Acompanhada pelo grupo folclórico de Barbosa Lessa, Inezita nos traz temas como
“Rancheira da carreirinha”, “Balaio”, “Maçarico” e “Chimarrita balão”, que
voltaria a gravar em 1961, desta vez com orquestra, em LP de 12 polegadas com o
mesmo título. Bah, tchê!
LÁ VEM O BRASIL (Copacabana, 1956) – terceiro álbum de
Inezita, ainda em 10 polegadas. Uma
pequena-grande obra-prima da fonografia
brasileira, na qual a intérprete, acompanhando-se ao violão, apresenta músicas
como “O carreteiro”, de Barbosa Lessa, “Galope à beira-mar”, de Luiz Vieira”,
“Cantilena”, motivo de negros do Recôncavo Baiano adaptado por Heitor
Villa-Lobos e recriado por Sodré Viana, “Berceuse da onda”, poema de Cecília
Meirelles musicado por Oscar Lorenzo Fernandez, e a faixa-título, “Lá vem o
Brasil”, de Nélson Ferreira e Rafael Peixoto.
INEZITA APRESENTA
(Copacabana, 1958) – Um de seus melhores discos, a começar pela capa, um primoroso trabalho de arte gráfica.
Acompanhada pela orquestra e coro da Rádio Record, com arranjos e regências de
Hervê Cordovil, e do Regional de Miranda, e participação do grupo vocal
Titulares do Ritmo, Inezita interpreta obras de cinco compositoras:
Babi de Oliveira, Juracy Silveira, Zica Bergami (autora do clássico
“Lampião de gás”), Leyde Olivé e Edvina de Andrade. Batem ponto aqui temas como “Lamento”,
“Batuque”, “Conversa de caçador” e “Caboclo do Rio”, esta última curiosamente
regravada um ano mais tarde pelo americano Nat King Cole, em português, durante temporada no Brasil.
CANTO DA SAUDADE
(Copacabana, 1959) – Outro álbum com bonita capa e repertório bem cuidado.
Inezita tem aqui, novamente, a presença de Hervê Cordovil nas orquestrações e
nas regências, e a participação dos Titulares do Ritmo. Um disco repleto de
joias como “De papo pro á”, “Meu limão, meu limoeiro” (que voltaria a ser sucesso anos mais tarde com
Wilson Simonal), “Luar do sertão”, “Fiz
a cama na varanda” e até mesmo “Na Baixa do Sapateiro”, clássico samba-jongo do
mestre Ary Barroso.
CLÁSSICOS DA MÚSICA CAIPIRA (Sabiá/Copacabana, 1962) – Mais
um grande trabalho da notável Inezita, no qual ela mostra por que foi uma das
mais autênticas intérpretes do cancioneiro caipira do Brasil. Batem ponto temas
como “Chico Mineiro”, “Tristeza do jeca”, “Boi de carro”, “Sertão do
Laranjinha”, “Baldrana macia” e “Pingo d’água”. Ô trem bão...
VAMOS FALAR DE
BRASIL, NOVAMENTE... (Copacabana, 1966) – Como indica o título, este álbum vem
a ser uma sequência do bem-sucedido “Vamos falar de Brasil” (1958). Aqui,
Inezita tem as ilustres companhias do acordeonista Caçulinha, com seu regional,
e Guerra Peixe, com sua orquestra e coro. O repertório tem peças do quilate de “Cais do porto”, “Nação
nagô” (ambas do mestre Capiba), “Maracatu elegante” (José Prates) , “Dança
negra” (Hekel Tavares e Sodré Viana) e “Dança do guerreiro” (de Hekel com Luiz
Peixoto).
SUCESSOS DE MÁRIO ZAN – FESTAS JUNINAS (Brasidisc, 1986) –
Aqui, Inezita Barroso tem uma excelente participação como marcadora de
quadrilha junina. Completando o programa,
Mário Zan (1920-2006), verdadeiro mago da sanfona, desfila uma seleção de
clássicos das festas juninas, tipo “Chegou a hora da fogueira”, “Isto é lá com
Santo Antônio”, “Capelinha de melão” etc.
Anarriê!
Com a repostagem
destes seis trabalhos de Inezita Barroso, o Toque Musical, por certo, presta
uma digna e honrosa homenagem àquela que, incontestavelmente, foi a mais
autêntica intérprete de nossa música regional.
*Texto de Samuel Machado Filho
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