Nesta quinzena, o Grand Record Brazil, em sua edição de
número 136, focaliza um grande nome da música popular e do rádio no Brasil:
Albertinho Fortuna.
Batizado com o nome de Alberto Fortuna Vieira de
Azevedo, o cantor nasceu em Portugal,
mais precisamente em Vila Nova de Gaia, no dia 28 de outubro de 1922. Ele e sua
família mudaram-se para Niterói, litoral
do Rio de Janeiro, quando Albertinho estava
com apenas seis meses de nascido. Residiam no bairro de Santa Rosa, e o
futuro astro estudava no Colégio
Salesiano, destacando-se no coro da instituição de ensino. Aos oito anos,
convidado por um amigo da família, foi cantar na Rádio Mayrink Veiga. Agradou tanto ao público que retornaria várias
vezes à emissora, já pedindo um cachê de dez mil-réis. Albertinho prosseguiu
seus estudos no Instituto de Humanidades, cujo diretor era o jornalista e
compositor Gomes Filho. Ele também dirigia a Rádio Sociedade de Niterói, que
estava inaugurando, e Albertinho acabaria sendo, em 1936, um dos pioneiros dessa estação.
Ainda nesse ano, Zezé Fonseca providenciou seu retorno à Mayrink Veiga,
solicitando ao seu então diretor artístico, César Ladeira, que o testasse. Albertinho
foi devidamente aprovado e contratado pela Mayrink, por um salário mensal de
quatrocentos mil-réis, além de receber, também de Ladeira, o slogan de “O
garoto que vale ouro”. Estava então na plenitude de seus treze anos de idade, e
apresentou-se várias vezes ao lado da maior estrela da Mayrink nesse tempo: nada mais nada menos que Cármen Miranda!
Albertinho parou de cantar em virtude da mudança de voz,
inevitável com o avanço da idade, e após dois anos inativo, em 1938, retornaria à cena, agora na PRG-2,
Rádio Tupi, “o cacique do ar”. Depois de uma temporada na mesma, transferiu-se
para a Rádio Educadora do Brasil, a convite de Saint-Clair Lopes e Luiz
Vassalo. Em 1940, ingressa na lendária PRE-8, Rádio Nacional, e três anos mais
tarde passa a integrar, ao lado de Nuno Roland e Paulo Tapajós, o Trio Melodia,
criado para apoio do superprograma “Um milhão de melodias”. Dada sua
impressionante qualidade, o trio fez inúmeras gravações em disco, inclusive
acompanhando inúmeros cantores famosos de sua época. As carreiras individuais
de seus integrantes, paralelamente, prosseguiam sem qualquer problema. Albertinho fez sua primeira gravação como
solista em 1944, na Victor, ao lado das Três Marias, interpretando o samba
clássico “Ai, que saudades da Amélia”, de Ataulfo Alves e Mário Lago. No ano
seguinte, faz nova gravação, agora pela Continental, interpretando a valsa “Meu
coração te fala” de Pedro Raimundo,que também o acompanhou ao acordeom e numa
declamação. Foi um sucesso! De volta à Victor, obtém êxito no carnaval de 1947
com “Marcha dos gafanhotos”, incluída nesta edição. Entre 1948 e 1951 gravou na
Star, futura Copacabana, fixando-se de vez na Continental em 1952.
Albertinho Fortuna tem sua trajetória na MPB marcada pelo
repertório de cunho romântico, em especial versões de tangos, que cantava como
ninguém. Tanto é assim que, por vários anos, os tangos gravados por Albertinho seriam
bastante executados nos programas de rádio das madrugadas,por todo o Brasil.
Albertinho Fortuna morreu em sua cidade adotiva, Niterói, no
dia primeiro de julho de 1995, aos 72 anos. Nesta edição do GRB, uma
pequena-grande amostra de sua arte e de seu trabalho musical, em doze
gravações. Abrindo a seleção desta quinzena, temos “Abraça-me”, bolero de
Almeida Rego e Antônio Correia, originalmentre lançado por Anísio Silva,em
1962, e que Albertinho incluiu no LP “Prelúdio...”, de 1963, pela Continental.
Em seguida,o tango clássico “Cristal”, de Marianito Mores e José Maria
Contursi, em versão de Haroldo Barbosa. A música surgiu em 1944, e suas
primeiras gravações argentinas foram feitas pelas orquestras típicas de Anibal
Troilo, Oswaldo Fresedo e Francisco Canaro. Vencedora do concurso de tangos
“Mejoral”, da Rádio Belgrano de Buenos Aires, “Cristal” teve sua primeira
gravação em português por Francisco Alves, em 1945. O registro de Albertinho
Fortuna é do LP de 10 polegadas “Tangos inesquecíveis”, lançado pela Continental
em 1957. Desse mesmo LP é a faixa seguinte, “Garoa”, versão de Lourival Marques
para “Garua”, de Anibal Troilo e Enrique Cadícamo, que a Continental lançaria
também em 78 rpm, em janeiro-fevereiro de 1958, sob número 17523-B, matriz
C-4078. “Lua do rio” é a versão brasileira do clássico romântico”Moon
river”, balada composta por Henry
Mancini para o filme “Bonequinha de luxo
(Breakfast at Tiffany’s)”, produzido pela Paramount em 1961 e nele
interpretada por sua atriz principal, Audrey Hepburn. Abrasileirada pelo grande João “Braguinha” de
Barro, foi gravada por Albertinho Fortuna em 1963, na Continental, disco
78-227-A, sendo também faixa do LP “Prelúdio...”. “Mano a mano”, tango clássico de Carlos
Gardel, José Razzano e Celedonio Flores, ganhou letra brasileira de Giuseppe
Ghiaroni, que Albertinho interpreta ao lado do Trio Madrigal e de seus
companheiros no Trio Melodia, com suporte orquestral de Radamés “Vero”
Gnattali. A gravação saiu pela Continental
em maio-junho de 1952, sob número 16582-B, matriz C-2866. Da parceria
Carlos Gardel-Alfredo Le Pera é “Morro
abaixo (Cuesta abajo)”, que Gardel interpretou num filme também chamado “Cuesta
abajo”, subintitulado no Brasil “O amor obriga”. É outra versão de Ghiaroni,
gravada na Continental por Albertinho Fortuna em 18 de junho de 1954, com
lançamento em julho seguinte sob n.o 16996-B,matriz C-3405. Mostrando que
tangos eram mesmo o seu forte, Albertinho também brilha em “Percal”, de Homero
Expósito e Domingo Federico, em versão de Haroldo Barbosa. Sua primeira
gravação argentina deu-se em 1943, pela típica de Anibal Troilo, com vocal de
Francisco Fiorentino. A versão brasileira foi gravada pela primeira vez por
Francisco Alves,em 1944, e o registro de Albertinho saiu pela Continental em
maio-junho de 1958 no 78 rpm n.o 17557-A, matriz C-4091, sendo também faixa de
abertura do LP de 10 polegadas “Tangos inesquecíveis”. Desse LP também consta
“Uno”, outra versão de Haroldo Barbosa, subintitulada “Rosa vermelha”, para
mais um clássico da parceria Marianito Mores-Enrique Santos Discépolo. Anibal
Troilo, com sua típica, e estribilho de Alberto Marino, lançou “Uno” em 1943, e
um ano dpeois, Francisco Alves fez a primeira gravação desta versão. O registro
de Albertinho, claro, também saiu em 78 rpm pela Continental, em
janeiro-fevereiro de 1958, sob n.o 17523-A, matriz C-4077. Em seguida mais um
clássico da parceria Carlos Gardel-Alfredo Le Pera, com letra brasileira de
Ghiaroni, “Voltar (Volver)”, gravada por Albertinho para o LP de 10 polegadas
“Meus velhos tangos” (Continental, 1955).
“Caminito”,de Juan de Diós Filiberto e Gabino Coría Peñaloza, abre esse mesmo LP, também em versão de
Ghiaroni. A Continental, claro, também disponibilizaria a gravação em 78 rpm,
sob número 17356-A, em novembro-dezembro de 1956, matriz C-3893. “Gira, gira
(Yira, yira)”, de Discépolo sem parceiro, em outra versão de Ghiaroni, também
está no LP de 10 polegadas “Meus velhos tangos”, e, em 78 rpm, é o lado B de
“Caminito”, matriz C-3894. Para finalizar, um dos primeiros hits de Albertinho Fortuna:
a “Marcha dos gafanhotos”, de Eratóstenes Frazão e Roberto Martins, uma
das campeãs do carnaval de 1947. Foi imortalizada por Albertinho na Victor em
22 de outubro de 46, com lançamento um mês antes da folia, em janeiro,disco
80-0489-A,matriz S-078631. Um fecho realmente de ouro para esta retrospectiva
do GRB, prestando justa homenagem ao eterno Albertinho Fortuna!
* Texto de Samuel Machado Filho
Nenhum comentário:
Postar um comentário