Estamos
de volta com o Grand Record Brazil, em sua edição de número 141, apresentando a
segunda parte do retrospecto que dedicamos a Paraguassu, “o cantor das noites
enluaradas”. São mais dezessete
gravações de inestimável valor histórico e artístico que oferecemos aos amigos
cultos, ocultos e associados do TM. Abrindo esta seleção, o tango-canção “Tenho
pena dos meus olhos”, de Angelino de Oliveira, gravação Columbia de 1931,
lançada provavelmente no mês de maio, disco 22016-A, matriz 380982. Em seguida,
a bela canção “Todo poeta nasceu para sofrer”, de Mílton Amaral, lançada pela
Columbia em fevereiro de 1932, disco 22093-A, matriz 381122. “O violero do luá”
(assim mesmo, em caipirês), é outra primorosa canção, do próprio Paraguassu com
versos de Assumpção Fleury, e a Columbia a editou em janeiro de 1933, sob
número 22183-A, matriz 381408. Ainda de 33 é “Esse boêmio sou eu”, outra
canção, esta de Paraguassu sem parceiro, que abre o Columbia 22209, matriz
381409. “Portera véia” (também com
título em caipirês) é mais uma canção do próprio Paraguassu sem parceiro, em
gravação Columbia de 1934, disco 22255-A, matriz 3003. Em seguida temos o
clássico “Luar do sertão”, com versos de Catulo da Paixão Cearense e melodia
também a ele creditada, mas que teria sido feita pelo violonista João
Pernambuco a partir do tema folclórico nordestino “É do Maitá”. Lançada por
Mário Pinheiro em 1914, como “toada sertaneja”, a canção tem várias gravações,
e Paraguassu aqui a revive em registro Columbia de 1936, disco 8196-A, matriz
3261. “Zabumbo do bombo” é uma toada de Roberto de Andrade, que ele mesmo canta
junto com Paraguassu em outra gravação Columbia de 1936, disco 8208-B, matriz
3315. Em seguida, outra modinha clássica, “Talento e formosura”, com versos de
Catulo da Paixão Cearense e melodia de Edmundo Otávio Ferreira, também lançada
originalmente por Mário Pinheiro, em 1904. A gravação de Paraguassu abre o
disco Columbia 8280, de 1937, matriz 3430. A seguir, um outro clássico: a toada
“Tristeza do jeca”, obra máxima de Angelino de Oliveira, verdadeiro hino do
caipira paulista. Surgiu em disco pela primeira vez em 1925, na execução da
Orquestra Brasil-América, e, um ano depois, Patrício Teixeira a gravou cantada,
com sucesso. Merecedora de inúmeras gravações, é interpretada aqui por
Paraguassu em registro Columbia de 1937, disco 8287-A, matriz 3431. No verso,
matriz 3433, uma regravação da canção “A choça do monte”, outra obra totalmente
creditada a Catulo da Paixão Cearense. Foi lançada por Eduardo das Neves em
1913, e Paraguassu já havia feito gravação anterior, pela Odeon, em 1927. Apresentamos
em seguida as duas músicas do disco gravado por Paraguassu em dueto com Nhá
Zefa (Maria di Léo), considerada a caipira mais preferida de Cornélio Pires,
embora fosse paulistana do Brás, onde também nasceu Paraguassu, e, como ele,
filha de imigrantes italianos. São duas batucadas que a Columbia editou sob
número 8328, por certo visando o carnaval de 1938: “Baiana dengosa”, motivo
popular adaptado pelo próprio Paraguassu, matriz 3581, e “Olá, seu Barnabé”,
dele mesmo sem parceria, matriz 3582. Da curta passagem de Paraguassu pela
Victor é a rancheira “Natal dos caboclos”, dele próprio em parceria com o já
mencionado Capitão Furtado (Ariowaldo Pires), com participação vocal do
Quarteto Tupã, formado pelo compositor Georges Moran, russo radicado no Brasil,
e integrado pelas então jovenzinhas
Salomé Cotelli, Consuelo, Hedymar Martins (irmã de Herivelto Martins)
e Lourdes, que mais tarde fariam parte
de outros grupos mais famosos. Gravação de 26 de setembro de 1938, lançada pela
marca do cachorrinho Nipper em dezembro do mesmo ano, disco 34397-B, matriz
80904. É nesse período que, como já informamos, as gravações de Paraguassu
ficam cada vez mais espaçadas. Tanto que as duas faixas seguintes são de 1945,
na Continental, ambas com acompanhamento do conjunto do violonista Antônio
Rago, e gravadas em 12 de julho desse ano. “Perdão, Emília”, outra famosa
modinha brasileira, tem versos de José Henriques da Silva (1855-1930), poeta e
jornalista português radicado desde menino na cidade de São João da Barra (RJ).
Ele os escreveu em 1874, com apenas 19 anos, com o título de “Vingança no cemitério”,
sendo musicada depois pelo sanjoanense Juca Pedaço (“Perdão, Emília foi título
dado por batismo popular). O registro de
Paraguassu, o único feito na fase elétrica de gravação, foi lançado pela
Continental em agosto de 1945, sob número 15411-A, matriz 10444. “Estela” é
outra modinha clássica, com versos de Adelmar Tavares e melodia de Abdon Lyra.
Feito na mesma sessão de “Perdão, Emília”, a 12 de julho de 1945, o registro de
Paraguassu foi lançado pela Continental
em setembro do mesmo ano sob número 15419-A, matriz 10445. A moda campeira
“Gaúcho guapo”, do próprio Paraguassu, foi por ele gravada na mesma Continental
em 16 de abril de 1948, matriz 10849, mas o disco só saiu em março-abril de 49,
sob número 16064-A. Por fim, apresentamos “Janela fechada”, valsa-canção do
próprio Paraguassu, lado B de seu derradeiro disco 78, o Chantecler 78-0303-B,
lançado em agosto de 1960, matriz C8P-606. Enfim, é a homenagem do GRB ao
notável e legendário Paraguassu, que através
de seu canto resgatou inúmeras páginas musicais genuinamente nossas e lançou
outras tantas, e deve ser sempre enaltecido pela contribuição preciosa que deixou para a MPB.
* Texto de Samuel Machado Filho


