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terça-feira, 21 de outubro de 2014

Sertanejos - Seleção78 RPM o Toque Musical Vol.122 (2014)

Já em sua edição de número 122, o Grand Record Brazil volta a oferecer significativa parcela do rico acervo da chamada música sertaneja de raiz aos amigos cultos, ocultos e associados do TM. Uma seleção de quinze preciosíssimas gravações, que por certo farão a alegria dos apreciadores do gênero,  especialmente aqueles que estão decepcionados com o dito “sertanejo universitário”, que tanto tem infestado a mídia nos dias correntes.
Abrindo esta seleção, um representante da música regional nordestina, Zé do Norte (Alfredo Ricardo do Nascimento, Cajazeiras, PB, 18/12/1908-idem, 2/10/1979). Ele nos apresenta aqui uma bela toada que fez em parceria com José Martins, “Lua bonita”, por ele mesmo interpretada no filme “O cangaceiro”, da Vera Cruz, êxito internacional que, no entanto, não impediu a falência do estúdio, pois tal repercussão beneficiou apenas sua distribuidora, a multinacional Columbia Pictures. Gravação RCA Victor de 29 de janeiro de 1953, lançada em abril do mesmo ano, disco 80-1100-B, matriz SB-093595. Conhecido como “a maravilha negra das Américas”, Edson Lopes (c.1930-?) aqui nos oferece o jongo “Cafuné”, assinado pelo campineiro Dênis Brean (Oswaldo Duarte Ribeiro) em parceria com Gilberto Martins. Originalmente lançado por Aracy de Almeida, em 1955, é revivido aqui por Edson em gravação Odeon de primeiro de fevereiro de 1957, lançada em maio do mesmo ano, disco 14202-A, matriz 11543. Da escassa discografia da dupla Coqueiro e Belinha (apenas cinco discos 78 com dez músicas), foi escalada a guarânia “Lei de um mandamento”, de Coqueiro sem parceria.  Foi gravada na Odeon em 13 de junho de 1960, e lançada emjulho do memso ano, disco 14639-A, matriz 50567, sendo que a “marca do templo” o reeditou mais tarde com o selo Orion, sob número R-072. Em seguida apresentamos as faixas do único 78 da dupla Ibirama e Maruí, o RCA Camden CAM-1092, gravado em 17 de outubro de 1961 e lançado em janeiro de 62,com músicas assinadas por Pavãozinho. No lado A, matriz M3CAB-1508, o xote “Linda gaúcha”, em que Pavãozinho tem a parceria de Sereno. No lado B, matriz M3CAB-1509, a canção rancheira “Deixe eu sofrer”, de Pavãozinho sem parceiro.  O “trio orgulho do Brasil”, Luizinho, Limeira e Zezinha, aqui bate ponto com o conhecidíssimo baião “Casamento é uma gaiola”, de autoria do Compadre Generoso (muita gente se lembra dessa música na voz do Sérgio Reis, e aqui vai o registro original) , por eles gravado na Odeon em 2 de abril de 1959 e lançado em junho do mesmo ano sob número 14463-B, matriz 50108, sendo depois relançado com o selo Orion sob número R-058, além de figurar em LP sem título.  A dupla Mariano e Cobrinha, ambos de Piracicaba, SP, apresentam aqui a toada “Mágoas de carreiro”, de autoria do comediante e ventríloquo Batista Júnior, pai das cantoras Linda e Dircinha Batista. Lançada em 1929 pelo próprio autor, é aqui apresentada em gravação feita por Mariano e Cobrinha na Continental em 6 de abril de 1948 e lançada em maio-junhoi do mesmo ano, disco 15902-B, matriz 10839. O próprio Batista Júnior, aliás, agradeceu pessoalmente a dupla por esta regravação. Do único 78 da dupla Oswaldinho e Vieirinha, o RCA Victor 80-1818, gravado em 25 de março de 1957 e lançado em julho do mesmo ano, aqui está o lado B, a toada “Canção do tropeiro”, de exclusiva autoria de Vieirinha, matriz 13-H2PB-0078. Temos em seguida, as faixas do único disco da dupla feminina Chiquita e Chinita,o Columbia CB-10280, lançado em outubro de 1956, ambas de autoria de Francisco Lacerda com parceiros, um em cada música. No lado B, o valseado ‘Cavalinho pampa”, matriz CBO-821, o parceiro de Lacerda é Ricardo Jardim, e no lado A, o tango “Parabéns, meu amor”, matriz CBO-820, o co-autor é José Maffei.  Outra dupla feminina de discografia escassa (seis discos 78 com doze músicas, todos pela Columbia), as Irmãs Cavalcanti (Noemi, que foi vocalista do Trio de Ouro em sua segunda fase,  e Odemi) aqui comparecem com as faixas do disco de estreia, número CB-10029. No lado A, delas próprias, matriz CBO-170, o baião “Lumiô, lumiô”, e no lado B, matriz CBO-171, a guarânia “Ponta Porã”, de Pereirinha e Jamir da Silva Araújo. As Irmãs Maria (Thereza Gadotti e Maria Aparecida Oliveira), também de curta carreira discográfica, aqui apresentam o huapango “Por te querer”, de Piaozinho e Maria Aparecida Oliveira, lançadopela Continental, selo Caboclo, em julho de 1961, disco CS-457-A.  Silveira e Barrinha, “a dupla dos 22 Estados”, nos oferece a clássica moda campeira “Coração da pátria”, de Silveira, Lourival dos Santos e Sebastião Victor, gravação RCA Camden de 25 de maio de 1962, disco CAM-1133-A, matriz N3CAB-1712. E, encerrando esta seleção, Zé Carreiro e Carreirinho, “os maiores violeiros do Brasil”, apresentam o cururu clássico “Saudades de Araraquara”, de exclusiva autoria de Zé Carreiro, gravado na Continental em 9 de maio de 1952 e lançado entre esse mês e junho do mesmo ano, disco 16580-A, matriz 11381. Enfim, a mais autêntica música do sertão brasileiro, para fazer a gente recordar, como diz meu colega de YouTube Adalésio Vieira, “um tempo em que realmente havia música sertaneja”...  Deliciem-se! 

*Texto de Samuel Machado Filho

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

4 Ases & 1 Coringa (parte 2) - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol.121 (2014)



O Grand Record Brazil, em sua edição de número 121, apresenta a segunda parte de sua retrospectiva dedicada aos  Quatro Ases e um Coringa,  grupo vocal e instrumental cearense que, de fato, deu as cartas durante sua carreira, tanto no rádio quanto no disco.
São mais catorze gravações históricas e indispensáveis para quem estuda , pesquisa e cultua a música popular brasileira dessa época,  feitas pelo grupo cearense na Odeon e na RCA Victor. Abrindo esta seleção, o samba “Meu bairro canta”, de Waldemar Ressurreição, gravado na RCA Victor em 14 de abril de 1950 e lançado em julho do mesmo ano com o número 80-0663-B, matriz S-092658. A faixa seguinte é o clássico baião “Paraíba”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, lançado pouco antes por Emilinha Borba e regravado pelos Quatro Ases e um Coringa na marca do cachorrinho Nipper em 10 de agosto de 1950, com lançamento em outubro seguinte sob número 80-0698-B, matriz S-092732. Temos depois outro clássico, o samba “No Ceará é assim”, de Carlos Barroso, gravação Odeon de 14 de maio de 1942, lançada em agosto do mesmo ano, disco 12183-B, matriz 6565. O divertido samba “Coisas do carnaval”, de Ary Barroso (história de alguém que se apaixona por uma bela mulher e no fim... ) é gravação de 3 de março de 1942, que a “marca do templo” lança em abril seguinte com o número 12137-B, matriz 6909. Outro clássico que temos em seguida é a marchinha “Trem de ferro”, composta pelo cearense (e conterrâneo do grupo) Lauro Maia (1912-1950)e imortalizada na mesma Odeon em 3 de agosto de 1943 e lançado em setembro seguinte sob número 12355-A, matriz 7350. Foi regravada inclusive por João Gilberto, em seu terceiro LP, de 1961. Lauro Maia aqui comparece também com o batuque “Eu vi um leão”, sucesso inclusive na Argentina, onde os Quatro Ases e um Coringa se apresentaram durante uma excursão pelos países da região do Rio Prata. Foi por eles imortalizado na “marca do templo” em 16 de abril de 1942, e lançado em junho seguinte sob número 12160-A, matriz 6943. Voltando à RCA Victor, temos o samba “O dinheiro que ganho”, de Assis Valente,  gravação de14 de abril de 1951, lançada em julho do mesmo ano, disco 80-0791-B, matriz S-092954. Traduz muito bem as dificuldades financeiras por que passava Assis, que o levariam ao suicidio, em 1958 (ele bebeu uma mistura de guaraná com formicida), depois de várias tentativas.  “Garota dos discos”, de Wilson Batista e Afonso Teixeira, gravação de primeiro de julho de 1952 e lançado em setembro do mesmo ano, disco 80-0975-B, matriz SB-093343. A garota em questão trabalhava, logicamente, em uma loja de discos, tipo de estabelecimento comercial que praticamente perdeu força com o advento da internet e posterior surgimento de portais de aquisição de músicas, como o iTunes (hoje existem pouquíssimas lojas de discos no Brasil). A “Marcha do caracol”, de Peterpan e Afonso Teixeira, que os Quatro Ases e um Coringa também interpretaram no filme “Aviso aos navegantes”, da Atlântida, foi merecido sucesso no carnaval de 1951, mostrando que o problema da falta de moradia nas grandes cidades brasileiras vem de muito tempo.  Gravação RCA Victor de 4 de outubro de 1950, lançada ainda em dezembro sob número 80-0728-A, matriz S-092771. O samba “Maria Luiza”, de Pedro Caetano e Hélio Ribeiro, foi gravado na Odeon pelo conjunto cearense em 13 de abril de 1945, e lançado em junho do mesmo ano, disco 12585-A, matriz 7800. Em seguida temos o lado A do disco de estreia oficial dos Quatro Ases e um Coringa, o Odeon 12066, gravado em 23 de setembro de 1941 e lançado em novembro do mesmo ano, matriz 6794: é a marchinha “Os dois errados”, de Estanislau Silva, Álvaro Nunes e Nélson Trigueiro. O samba “Rendeira”, outra composição de Carlos Barroso,é gravação Odeon de 14 de maio de 1942, lançada em outubro seguinte sob número 12204-B, matriz 6967. Evenor Pontes (líder e fundador do grupo) e Luiz Assunção assinam a rancheira “Sá Mariquinha”, gravado na “marca do templo” em 18 de abril de 1947 e lançado em julho do mesmo ano, disco 12784-A, matriz 8212. Encerrando esta seleção, temos o clássico “Baião de dois”, outro grande produto da parceria Luiz Gonzaga-Humberto Teixeira lançado por Emilinha Borba, em 1950, e que os Quatro Ases e um Coringa regravariam na RCA Victor logo em seguida, no lado A de “Paraíba”, matriz S-092731. Sem dúvida, uma merecida homenagem aos Quatro Ases e um Coringa, verdadeiro tributo ao legado de um dos mais expressivos conjuntos vocais e instrumentais que a música popular brasileira já teve!

*Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

4 Ases & 1 Coringa (parte 1) - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol.120 (2014)



Prosseguindo sua brilhante trajetória, o Grand Record Brazil, em sua edição de número 120, apresenta a primeira de duas partes de uma retrospectiva dedicada a um dos maiores conjuntos vocais e instrumentais que o Brasil já teve: os Quatro Ases e um Coringa. A história do grupo começa em 1939, quando os irmãos cearenses Evenor, Permínio e José Pontes de Medeiros, que estudavam no Rio de Janeiro, decidiram formar um quarteto vocal e instrumental juntamente com seu amigo Andre Batista Vieira, o Melé. Dois anos mais tarde, após formar-se em Química, eles viajaram para Fortaleza, apresentando-se na Ceará Rádio Clube com o nome de Bando Cearense (Evenor e José aos violões, Permínio na gaita e André ao pandeiro, além, é claro, dos vocais). Foi então que se juntou a eles o violonista e vocalista Esdras Falcão Guimarães, o Pijuca. Por sugestão do poeta e jornalista Demócrito Rocha, eles passaram a se chamar Quatro Ases e um Melé. De volta ao Rio, apresentaram-se por três meses na Rádio Mayrink Veiga, mas não houve contrato. Foram então encaminhados à Rádio Tupi por João Dunmar, diretor da Ceará Rádio Clube, que estava no Rio por acaso, e substituiu o termo “melé” por “coringa”, termo mais conhecido no sul, que, no baralho, significa a mesma coisa. O sucesso foi imediato. No primeiro disco, lançado pela Odeon em setembro de 1941, sem menção no selo, acompanharam Dircinha Batista nos sambas “Ele disse que dá” e “Costela de cera”. Estreia pra valer acontece em novembro do mesmo ano, quando a “marca do templo” lança “Os dois errados”, e, do outro lado do disco, “Dora, meu amor”.  O grupo teve inúmeros sucessos,tais como: “No Ceará é assim”, “Onde estão os tamborins?”, “Baião”, “Terra seca”, “É com esse que eu vou”, “Siridó”, “Cabelos brancos”, “Eu vi um leão”, “Trem de ferro”, “Eu vou até de manhã”, “Chega, chega, chegadinho”, “Marcha do caracol”, “O periquito da madame”,  “Apanhador de papel”.  Em 1945, fizeram uma longa temporada no Prata, principalmente na Argentina, seguida do Chile. No cinema, atuaram nos filmes  “Fogo na canjica”, “Essa é fina”, “Aviso aos navegantes” e “Tudo azul”. Em 1952, o Coringa André desligou-se do conjunto, e outros três o sucederam: Jorginho do Pandeiro, Nilo Falcão e,por último, Miltinho. Nessa ocasião,a carreira do conjunto começa a declinar,até sua dissolução, nos anos 1960. Em cerca de vinte anos de carreira, os Quatro Ases e um Coringa gravaram mais de100 discos em 78 rpm, nos selos Odeon, RCA Victor, Mocambo, Todamérica e Marajoara, além do LP “É com esse que eu vou”, também pela Odeon, com regravações, e alguns compactos. Só lançariam um segundo e último LP em 1975, “Novamente... Quatro Ases e um Coringa”, selo Alvorada/Chantecler, e depois sairiam de cena definitivamente.
Nesta primeira parte, o GRB oferece catorze preciosas gravações dos Quatro Ases e um Coringa, verdadeiras joias da música popular brasileira, a maior parte em gravações Odeon. Abrindo o programa,”Terra seca”, samba que Ary Barroso considerava sua obra-prima, inspirado na triste fase da escravidão dos negros no Brasil. O grupo cearense o imortalizou na “marca do templo”  em 20 de setembro de 1943,com lançamento em novembro do mesmo ano, disco 12375-A, matriz 7387. Da dupla Bide-Marçal, autora de sambas clássicos da MPB, é “Pra que chorar?”, também samba, este do carnaval de 1943, gravação de 27 de outubro de 42, lançada ainda em dezembro, disco 12235-A, matriz 7121. Outro clássico é o balanceio “Eu vou até de manhã”, do cearense (como eles) Lauro Maia, gravado em 8 de fevereiro de 1945 e lançado em abril do mesmo ano sob número 12568-A, matriz 7760. Temos depois a deliciosa marchinha “Pica-pau”, outra composição do mestre Ary Barroso, do carnaval de 1942, gravação de 14 de novembro de 41, lançada um mês antes da folia, em janeiro, com o número 12096-A, matriz 6849. “Barão das cabrochas” é outro samba da grande dupla Bide-Marçal aqui incluído, sucesso do carnaval de 1946. Os Quatro Ases e um Coringa o imortalizaram  em 22 de novembro de 45, e o lançamento se deu um mês antes do carnaval, em janeiro, disco 12655-A, matriz 7939. Depois tem... “Feijoada”! É uma marchinha de Rubens Soares, gravada  em 2 de fevereiro de 1943 e lançada em março seguinte com o número 12277-A, matriz 7196. Torcedor fervoroso do América Futebol Clube, Lamartine Babo compôs os hinos não só desse como também de todos os grandes clubes do futebol carioca. Caso do famoso “Sempre Flamengo” (“Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer”), marcha-hino que os Quatro Ases e um Coringa imortalizaram na “marca do templo” em 2 de dezembro de 1944, com lançamento em janeiro de 45, disco 12541-B, matriz 7719. Do carnaval de 1947 é a marchinha “O periquito da madame”, de Nestor de Holanda, Carvalhinho e Afonso Teixeira, um sucesso que o grupo cearense gravou na Odeon em 9 de julho de 46 (vejam só a antecedência!) com lançamento ainda em novembro, disco 12735-B, matriz 8070. Do carnaval de 1943 é a marchinha “Deixai para mim as cabrochinhas”, de Alcyr Pires Vermelho e Pedro Caetano, gravada na “marca do templo” em 21de novembro de 42,lançada um mês antes da folia, me janeiro, disco 12246-A, matriz 7150. “A ribeira do Caxia” é uma “ligeira” de Lauro Maia, gravação de 29 de junho de 1945, lançada em agosto seguinte sob número 12612-A,matriz 7868. Lançado em 1945 por Manezinho Araújo, o “calango mineiro” “Dezessete e setecentos”, motivo folclórico adaptado por Luiz Gonzaga e Miguel Lima, foi regravado pelos Quatro Ases e um Coringa em 18 de abril de 1947, com lançamento em julho seguinte com o número 12784-B, matriz 8213 (conta errada, mas sucesso certeiro). As duas últimas faixas são da safra do grupo cearense na RCA Victor. “Xaxado”, de Luiz Gonzaga e Hervê Cordovil, é gravação de 14 de maio de 1952, lançada em julho do mesmo ano, disco 80-0938-B, matriz SB-093346, merecendo logo em seguida registro do próprio Gonzagão. O xaxado é definido como “primo do baião” e foi divulgado pelo Nordeste do Brasil por Lampião e seu bando de cangaceiros. O nome da dança é derivado da onomatopeia xa-xa-xa, que os dançarinos fazem ao arrastar as alpercatas no chão. Por fim,o samba “Boneca de pano”, de Assis Valente, considerado seu último grande sucesso como compositor. Os Quatro Ases e um Coringa o imortalizaram na marca do cachorrinho Nipper em 10 de julho de 1950, com lançamento em setembro do mesmo ano sob número 80-0693-B, matriz S-092712. E na próxima semana traremos mais gravações desse notável conjunto cearense. Aguardem!

*Texto de  SAMUEL MACHADO FILHO.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Elizeth Cardoso - Elvira Pagã - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 119 (2014)



E chegamos à edição de número 119 do nosso Grand Record Brazil, apresentando duas cantoras de diferentes estilos, mas ainda assim bastante representativas.
 A primeira delas é a também vedete e atriz Elvira Pagã (Elvira Olivieiri Cozzolino,  Itararé,SP, 6/9/1920-Rio de Janeiro, 8/5/2003), uma das personalidades mais ousadas de seu tempo, cuja beleza e sensualidade lhe deram fama e até resultaram em inúmeras prisões, um autêntico “sex symbol”. Já abordada pelo GRB em seu volume de número  59, Elvira volta aqui com seis gravações de sua carreira-solo que não haviam aparecido no mesmo, conseguidas bem depois de sua postagem pelo nosso companheiro, amigo e pesquisador Beto de Oliveira. Em seu segundo disco, o Continental  15251, lançado bem em cima do carnaval de 1945, em fevereiro, Elvira interpreta quatro marchinhas, duas em cada fonograma. No lado A, matriz 973, ela interpreta, de Gadé, Amado Régis e Almanyr Grego, “E o mundo se distrai”e “Meu amor és tu”. No lado B, matriz 974, ela nos traz “Cabelo azul” e “Briga de peru”, ambas de Herivelto e Roberto Martins (que não tinham qualquer parentesco, apesar do sobrenome ser o mesmo). Depois temos as faixas do Todamérica TA-5333, gravado em 14 de julho de1953 e lançado em setembro do mesmo ano, com dois sambas da própria Elvira: no lado A, matriz TA-508, “Reticências”, sem parceria, e, no verso, matriz TA-507, “Sou feliz”, parceria de um certo M. Zamorano. Elvira Pagã encerra sua participação neste volume do GRB com as músicas de seu derradeiro 78 (ela só gravou nesse formato),do extinto selo Marajoara, número MA-10012, com duas composições de sua autoria para o carnaval de 1959. No lado A, matriz M-23, o samba “Vela acesa”, que fez com Orlando Gazzaneo e Orlando Valentim.E no lado B, matriz M-24, a marchinha “Viva los toros”, esta em parceria apenas com Gazzaneo. Enfim, mais seis faixas com Elvira Pagã para enriquecer a coleção de nossos amigos cultos,ocultos e associados (ficou faltando apenas o samba-jongo “Batuca daqui, batuca de lá”, de 1950).
A outra intérprete deste volume do GRB é a eterna “Divina”, “Magnífica” e “Enluarada” Elizeth Cardoso (Rio de Janeiro, 16/7/1920-idem, 7/5/1990). Dela temos cinco faixas marcantes, a maioria de seu início de carreira. De seu primeiro disco,o Star 202, de 1950, provavelmente lançado em março desse ano (e retirado do mercado por “problemas técnicos” jamais esclarecidos), temos, na faixa 10, o lado B, “Mensageiro da saudade”, samba de Ataulfo Alves e José Batista, com acompanhamento de Acyr Alves e sua orquestra. Logo depois, Elizeth foi para a então nascente Todamérica, onde estreou no dia 27 de julho de 1950 gravando dois sambas (estruturalmente sambas-canções)  lançados em outubro seguinte no disco TA-5010. O lado A, matriz TA-19 e oitava faixa desta seleção, é “Complexo”, de Wilson Batista e Magno de Oliveira. Mas o hit maior estava no lado B, matriz TA-20 e faixa 7 de nossa sequência: “Canção de amor”, de Chocolate e Elano de Paula, que consagrou Elizeth, saudada como grande revelação de 1950, e tornou-se o carro-chefe da cantora para sempre. A penúltima faixa é a clássica toada “Prece ao vento”, de Alcyr Pires Vermelho, Gilvan Chaves e Fernando Luiz Câmara, lançada originalmente em 1954 pelo Trio Nagô. O registro de Elizeth Cardoso aqui incluído é de 1956, extraído do LP de 10 polegadas “Fim de noite”, selo Copacabana, relançado dois anos mais tarde em 12 polegadas e com quatro faixas a mais. Por fim, Elizeth nos apresenta “Venho de longe”, samba-canção de Dermeval Fonseca e Alberto Ribeiro,gravação Todamérica de 25 de janeiro de 1952, lançada em abril seguinte sob número TA-5145-B, matriz TA-238. Enfim, foi o que deu para o amigo Augusto selecionar para o GRB desta semana. Mas seu esforço, com certeza, sempre vale a pena... Divirtam-se! 

Texto de Samuel Machado Filho