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segunda-feira, 12 de maio de 2014

Maysa Matarazzo - Seleção 78 RPM do Toque Musical Vol. 100 (2014)



Com muito orgulho, chegamos à centésima edição do Grand Record Brazil. Uma trajetória brilhante e bastante expressiva. Isto só foi possível graças ao prestígio e à acolhida de nossos amigos cultos, ocultos e associados, a quem eu e o Augusto agradecemos de todo o coração. E nesta edição de número 100, reverenciamos a memória de uma das melhores cantoras e compositoras que a música popular brasileira já teve: Maysa.  
Batizada como Maysa Figueira Monjardim, nossa focalizada veio ao mundo no dia 6 de junho de 1936, segundo algumas fontes no Rio de Janeiro, no bairro de Botafogo e, segundo outras, em São Paulo, oriunda de família rica e tradicional do Espírito Santo, filha de Inah e Alcebíades Monjardim, este último Fiscal de Rendas. Esta indefinição quanto ao local de nascimento da futura estrela talvez se deva ao fato de seus pais terem fugido de seu estado natal para o Rio de Janeiro, após se casarem, pois a família de sua mãe se opunha ao matrimônio, dada a boemia de Alcebíades. Residiram também em Bauru, interior paulista, voltando depois para a capital bandeirante, onde, mesmo fixando-se na mesma, trocaram de endereço várias vezes. Maysa estudou nos tradicionais colégios paulistanos Assunção, Sacre-Couer de Marie e no Ginásio Ofélia Fonseca (onde foi reprovada por suas notas e comportamento). Sempre foi rebelde e chegava a comparecer às aulas sem uniforme e com trajes ousados, sendo por isso proibida de frequentar os bancos escolares. Bilhetes eram enviados aos pais de Maysa e, como estes viviam na boemia, era difícil encontrá-los, e ela chegava a ficar três dias sem ir à escola, aguardando a assinatura deles.  Tentou se matricular, depois, no Mackenzie, mas foi recusada em virtude de seu currículo, e por isso Maysa parou os estudos na segunda série ginasial. As férias  ela passava em Vitória, onde ia rever seus tios e primos. Seu envolvimento com a música começou bem cedo: aos 12 anos, compôs sua primeira música, o samba-canção “Adeus” (primeira de uma série de 26), e desde a adolescência já gostava de cantar em festas familiares, além de tocar piano. Aos 17 anos, em 1955, Maysa casou-se com o empresário André Matarazzo, 17 anos mais velho que ela, e amigo de seus pais, da união resultando seu único filho, Jayme Monjardim Matarazzo, criado pela avó e posteriormente num colégio interno na Espanha, que iria se converter em  talentoso diretor  de cinema e televisão, realizando novelas e minisséries na extinta TV Manchete e depois na Globo (onde dirigiu inclusive a famosa minissérie sobre a vida de sua mãe, “Maysa - Quando fala o coração”, de 2009, com excelente desempenho de Larissa Maciel no papel-título). Ela não teve mais filhos por complicações no parto. Ainda grávida, Maysa conheceu o produtor Roberto Corte Real, que ficou encantado com sua voz. Combinaram então que, assim que Jayme nascesse, ela gravaria seu primeiro disco. Corte Real tentou, sem êxito, a contratação de Maysa pela Columbia, hoje Sony Music, e o jeito foi lançá-la em disco por uma nova gravadora: a RGE (Rádio Gravações Especializadas), de propriedade de José Brasil Ítalo Scatena, até então apenas um estúdio de jingles publicitários. E é pela RGE que a cantora-compositora  lança, em novembro de 1956, seu primeiro LP, o histórico dez polegadas “Convite para ouvir Maysa”, com oito músicas de sua autoria, e cuja renda foi revertida para o Hospital do Câncer de São Paulo.  Depois, claro, viria muito mais, tendo também gravado em outros selos, inclusive um álbum na mesma Columbia que a recusara, em 1961. Foi inclusive contratada das Emissoras Unidas (Rádio e TV Record). André, porém, se opunha à carreira musical de Maysa, e ao temperamento boêmio que ela herdou de seu pai, daí resultando sua ruidosa separação (em 1958, aos 22 anos, ela chegou a tentar suicídio cortando os pulsos, uma das inúmeras tentativas de liquidar a própria vida, aliás). Namorou depois o jornalista e compositor Ronaldo Bôscoli (tendo-se mudado, em 1960, para o Rio de Janeiro, a convite dele), o empresário Miguel Azanza (seu segundo marido), o maestro Júlio Medaglia e o ator Carlos Alberto, entre outros. Fez inúmeras temporadas em casas noturnas de São Paulo (como o Juão Sebastião Bar, o restaurante Urso Branco  e as boates Cave, Oásis e Igrejinha) e  Rio de Janeiro (como Au Bon Gourmet e Canecão). O alcoolismo e o uso de moderadores de apetite deixavam seu temperamento instável, o que causou notórios escândalos  em hotéis e aviões de diversos países em que se apresentou. Manteve contato com inúmeros nomes da bossa nova, com os quais pôde expandir experiências musicais. Excursionou pela América Latina, passando várias vezes por Buenos Aires (Argentina), Montevidéu (Uruguai) e Lima (Peru), e cumpriu temporadas no Olympia de Paris (França),  Lisboa (Portugal), onde ficou bastante tempo em cartaz no Cassino Estoril, Tóquio (Japão) e  Luanda (Angola), além de ter residido na Espanha. No exterior, Maysa era conhecida como “a condessa descalça”, por sempre tirar os sapatos quando cantava. Participou também de algumas edições do FIC (Festival Internacional da Canção), que aconteceu no Maracanãzinho do Rio de Janeiro entre 1966 e 1972, e ninguém ousava lhe dar uma só vaia, o que a tornou uma das cantoras mais queridas do certame.  Sua discografia abrange 17 LPs no Brasil (e um nos EUA, nunca editado entre nós), sem contar as coletâneas, 21 discos 78 rpm com 41 músicas, e alguns compactos. Maysa faleceu em 22 de janeiro de 1977, em trágico acidente automobilístico na Ponte Rio-Niterói, quando dirigia sua Brasília azul em alta velocidade (estava a caminho de sua casa em Maricá, litoral fluminense). Supõe-se que o efeito de anfetaminas somado à ingestão de álcool tenha causado o desastre, perdendo, assim, a música popular brasileira, uma de suas personalidades mais singulares. Para esta edição em que o GRB reverencia a memória de Maysa, foram selecionadas dez gravações preciosas e importantes histórica e artisticamente. As oito primeiras saíram em LP e também em 78 rpm  (não esquecendo que era uma época de transição de formatos), todas sambas-canções e editadas por sua primeira gravadora, a RGE.  Abrindo esta seleção, o clássico samba-canção “Meu mundo caiu”, uma de suas composições mais conhecidas, lançado em março de 1958 com o número 10083-A, matriz RGO-484, que ela também interpretou no filme “O batedor de carteiras”, da Nova América, distribuído pela Pelmex e estrelado por Zé Trindade (pouco antes de sua morte, em 1976, foi revivido na novela global “Estúpido  Cupido”, de Mário Prata). O lado B, matriz RGO-486, é a faixa 8, “Buquê de Isabel”, também samba-canção e praticamente o primeiro grande sucesso do compositor Sérgio Ricardo (mais tarde famoso como “o homem do violão quebrado” daquele festival da Record, o de 1967). Ambas as músicas saíram, apenas alguns dias depois,também no LP “Convite para ouvir Maysa  número 2” (o terceiro álbum de carreira, apesar do título, e o primeiro da intérprete em doze polegadas).  A faixa 2 é outro clássico indiscutível de e com Maysa, o famoso “Ouça”, lançado em maio de 1957 sob número 10047-A, matriz RGO-220, inesquecível hit por ela também interpretado no filme ‘O camelô da Rua Larga”, da Cinedistri, também estrelado por Zé Trindade, sendo o lado B a faixa 6, “Segredo”, ambas constantes do também do segundo LP da vcantora-compositora, ainda em 10 polegadas e intitulado apenas ‘Maysa”. Na faixa 3, aparece “Suas mãos”, clássico de Pernambuco (Ayres da Costa Pessoa) e Antônio Maria, editado em setembro de 1958 com o número 10117-A,matriz RGO-767.  O lado B está na faixa 5, “Mundo vazio”, de Amaury Medeiros e Antônio Bruno, matriz RGO-774, ambas também incluídas no terceiro volume de “Convite para ouvir Maysa”, sendo “Mundo vazio” a faixa de abertura do vinil.  A faixa  4, originalmente abrindo o segundo LP de Maysa, de 1957, é o clássico “Se todos fossem iguais a você”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, lançado na peça teatral “Orfeu da Conceição” e originalmente gravado por Roberto Paiva. O registro de Maysa foi relançado na cera pela RGE em dezembro  de 57 com o número 10074-A, matriz RGO-295. Para o lado B, foi escalado “Tarde triste”, da própria Maysa, matriz RGO-123, que originalmente foi editada em vinil no primeiro “Convite para ouvir Maysa”, de 10 polegadas, em novembro de1956. Completando esta seleção, duas raríssimas faixas extraídas de um compacto duplo gravado por Maysa na marca francesa Barclay, número 70526,  durante uma temporada em Paris, em 1963: o clássico bossanovista “Chega de saudade” de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, e “Cent-mille chansons”, de Eddy Mamay e Michel Magné, do filme “O repouso do guerreiro”, de Roger Vadim. Enfim, uma seleção que apresenta alguns dos melhores momentos de Maysa, abrilhantando esta centésima edição do nosso GRB (e pretendemos, claro, ir muito além). Ouçam e recordem conosco estes agradáveis momentos!  

* Texto de Samuel Machado Filho

 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Jackson Do Pandeiro - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 99 (2014)


Estamos de volta com o Grand Record Brazil, em sua edição de número 99, apresentando a segunda e última parte da retrospectiva que dedicamos ao “rei do ritmo”, Jackson do Pandeiro. Aqui encontraremos mais 14 gravações históricas deste que foi sem dúvida um dos mais expressivos intérpretes da música regional nordestina. Abrindo a seleção desta semana, temos “O desordeiro”, samba de autoria de Maruim (Ricardo Lima Tavares), lançado pela Philips em junho de 1962 com o número P61135H-B, sendo também faixa de abertura do LP “A alegria da casa!”. Em seguida, as músicas do 78 de estreia de Jackson na Philips, número P61021H, lançado em julho de 1960, ambas composições suas: o baião “Os cabelos de Maria”, que fez com Rosil Cavalcanti (lado B), e o rojão (tipo mais acelerado de baião) “O povo falou”, parceria com Elias Soares (lado A), ambas também incluídas no compacto duplo de 45 rpm “O sucesso do momento”. Da safra de Jackson do Pandeiro na Columbia são as faixas seguintes, ambas lançadas por volta de maio de 1959 sob número CB-11146: no lado A, o chamego ‘Forró na gafieira”, de Rosil Cavalcanti, matriz CBO-2025, e no verso, matriz CBO-2027, o baião “Cantiga do sapo”, do próprio Jackson em parceria com o misterioso Buco do Pandeiro. Ambas as músicas também integraram o primeiro LP do “rei do ritmo” na Columbia, sem título (LPCB-37056), e que abre justamente com “Forró na gafieira”. Depois temos um autêntico clássico: o batuque “O canto da ema”, de João do Valle, Ayres Viana e Alventino Cavalcanti, lançado pela Copacabana em 1956 com o número 5661-B, matriz M-1678, regravado inclusive por Gilberto Gil. E, na faixa seguinte, você tem o lado A, “Coco social”, de Rosil Cavalcanti (crônica interessante a respeito da aceitação dos ritmos nordestinos na chamada alta sociedade, citando até mesmo Jacinto de Thormes, colunista social muito lido na época), matriz M-1677, ambas também incluídas no LP de 10 polegadas “Os donos do ritmo” (isto é, Jackson do Pandeiro e Almira Castilho), que abre com “O canto da ema”. O rojão “Ele disse”, de Edgar Ferreira, é uma homenagem ao ex-presidente Getúlio Vargas, e foi lançado pela Copacabana em 1956, dois anos após o trágico suicídio do chefe da Nação, sob número 5579-A, matriz M-1503. A música cita inclusive uma frase da carta-testamento de Getúlio: “O povo de quem fui escravo jamais será escravo de ninguém”. Do Copacabana 5553, também de 1956, são as faixas seguintes, o coco “Falso toureiro”, do próprio Jackson com Heleno Clemente (lado B, matriz M-1415), e o baião “Rosa”, de Ruy de Moraes e Silva (lado A, matriz M-1416). Ambas as faixas, mais “Ele disse”, saíram também no LP de 10 polegadas “Forró do Jackson”, sendo “Falso toureiro” a faixa de abertura do mesmo. Nesse vinil também está nossa próxima faixa, “Coco do Norte”, composição de Rosil Cavalcanti lançada em agosto-setembro de 1955 no 78 número 5444-B, matriz M-1168. Depois temos as faixas do primeiríssimo disco de Jackson, o Copacabana 5155, lançado em outubro-novembro de 1953, ambas clássicos inesquecíveis: o rojão “Forró em Limoeiro”, de Edgar Ferreira, matriz M-578, e o divertido coco “Sebastiana”, de Rosil Cavalcanti, matriz M-579. E, encerrando com chave de ouro, e aproveitando o atual clima de Copa do Mundo, o rojão “Um a um”, de Edgar Ferreira, lançado em 1954 com o número 5234-A, matriz M-750, curiosamente às vésperas de uma outra Copa, que aconteceu na Suécia, e na qual o Brasil foi eliminado pelo então supertime da Hungria (apesar disso, os húngaros acabaram perdendo o título para a antiga Alemanha Ocidental). Enfim, uma impecável seleção com momentos inesquecíveis do legado de Jackson do Pandeiro, para colecionadores e apreciadores da melhor música nordestina e brasileira. Até a próxima, pessoal!

* Texto de Samuel Machado Filho 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Taxi - Dois Em Um (2014)


Bom dia, amigos cultos e ocultos! Mexendo em meus arquivos musicais ontem, topei com dois discos que me foram enviados, nem lembro por quem. Trata-se do grupo carioca Taxi, uma banda de funk e soul que agitava os bailes do Rio nos anos 70. O fato é que ao ouvir, na curiosidade, acabei também indo atrás de alguma informação, pois eu pouco me lembrava deste grupo, a não ser pelo 'sucesso regional' da música "Pode chorar", que chegou a ecoar também entre os 'blacks' aqui da minha Beagá.
O Taxi foi uma banda de 'black music' formada por ex-integrantes dOs Diagonais, de Cassiano. Os motoristas desse Taxi eram Amaro, Camarão e Max. Camarão é irmão de Cassiano que também andou dando suas 'palinhas' nesse taxi. Pelo que eu sei, o grupo gravou apenas dois discos, o "Pode chorar" em 79 e outro, "Um dia no tempo" em 80. Embora apresentando uma música de boa qualidade, o Taxi não conseguiu ir muito longe. Isso talvez tenha a ver com o fato de que ao longo desse curto espaço de tempo muita merda aconteceu. Dois dos integrantes originais (Max e Amaro) morreram, dando assim uma desestabilizada no trabalho, levando o Taxi a parar definitivamente.
Os dois discos do Taxi, pode se dizer, são hoje puras raridades. Não se encontra um exemplar nem no Mercado Livre. As capas então, muito menos. Por essas e por outras é que eu achei de ressuscitá-los aqui, reunindo os dois discos numa embalagem só. Com fragmentos, criei uma nova capa, montando assim um 'webdisco' exclusivo para listar em nossa coleção, o qual eu dei o nome de "Dois em Um". Espero que esteja no agrado daqueles que escutam música com outros olhos ;)

quero dançar
pode chorar
eu não quero esquentar
nosso mundo de sonhos
ame os seus
eu preciso de você
tema do taxi
foi você
tempo de viver
melô da garrafa
um dia no tempo
amor nào vai faltar
só saudade restou
vacilão
o homem
lindo é teu amar
canção de amor
razão de ser
a volta
bobeira

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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Jackson Do Pandeiro - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 98 (2014)


Em sua nonagésima-oitava edição, e prosseguindo em sua brilhante e expressiva trajetória, o Grand Record Brazil tem a honra de apresentar a primeira de duas partes de uma retrospectiva dedicada a um dos nomes mais expressivos da música regional nordestina. Estamos falando de Jackson do Pandeiro.  Nosso focalizado recebeu na pia batismal o nome de José Gomes Filho, e foi o primeiro grande artista paraibano surgido em plena era do rádio. Veio ao mundo na cidade de Alagoa Grande, no dia 31 de agosto de 1919, filho de José Gomes e de Flora Maria da Conceição, uma cantora de cocos que usava o pseudônimo de Flora Mourão, e lhe deu de presente  o primeiro instrumento musical:  um pandeiro, é claro. Seu nome artístico veio de um apelido dado por ele mesmo: Jack, inspirado em um mocinho de filmes de faroeste americanos, Jack Perry. Cantava no interior da sua Paraíba natal desde a adolescência, e fez algumas duplas antes de se consagrar como artista-solo, a primeira com Zé Lacerda, em Campina Grande, ainda como Jack do Pandeiro. Em 1947, às vésperas de começar a ganhar popularidade nas rádios locais, e de ser rebatizado artisticamente como Jackson do Pandeiro (por sugestão de um diretor de programa de rádio, pois ficaria mais sonoro e causaria mais efeito quando fosse anunciado), formou a dupla Café com Leite, com Rosil Cavalcanti, em João Pessoa. Esse duo teve apenas um ano de existência, mas a amizade e a parceria refletiriam no início da carreira-solo de Jackson.  Em 1953, foi contratado pela Rádio Jornal do Commercio, do Recife,  (que tinha o slogan “Pernambuco falando para o mundo”), pertencente à família Pessoa de Queiroz. Foi lá que conheceu Almira Castilho de Albuquerque, com quem se casou em 1956, e viveu até 1967. A segunda esposa de Jackson foi a baiana Neuza Flores dos Anjos, de quem ele também se separou pouco antes de morrer.  Ainda em 1953, já ganhando notoriedade nacional e despertando o interessa das gravadoras, Jackson conhece Luiz Gonzaga, que imediatamente propõe encaminhá-lo à direção da RCA Victor. Porém, Jackson acaba preferindo a Copacabana, por ter escritório no Nordeste. Antes do Natal de 1953, sai seu primeiro disco, um 78 com “Forró em Limoeiro” (Edgar Ferreira) e “Sebastiana” (Rosil Cavalcanti), com êxito imediato. E seguiram-se inúmeros outros sucessos, tais como “O canto da ema”, “O crime não compensa”,  “Lapinha de Jerusalém”, “Chicletes com banana”, “Um a um”, “Cantiga do sapo”,  além dos que foram reunidos neste primeiro volume e comentaremos a seguir. Após serem agredidos fisicamente durante uma passagem pelo Recife, Jackson e Almira  decidem residir no Rio de Janeiro, onde são contratados pela então poderosa Rádio Nacional, “a estação das multidões”. Mesclando com sabedoria temas carnavalescos, juninos e até natalinos, os discos de Jackson animavam qualquer ocasião, e deixavam os críticos abismados  com sua facilidade em cantar gêneros variados. O longo tempo em que Jackson tocou em cabarés aprimorou sua capacidade jazzística, sendo também famosa  sua maneira de dividir a música. Diz-se até que o próprio João Gilberto aprendeu a dividir com Jackson, que é considerado por muitos o maior ritmista da música popular brasileira, tanto que era conhecido como “o rei do ritmo”. Além de vários 78 rpm, sua discografia inclui mais de 30 LPs, o último deles, “Isso é que é forró”, lançado em 1981. Foram 29 anos de carreira, tendo passado também pelas gravadoras Columbia (e sua sucessora, a CBS), Philips, Continental e Cantagalo, tendo também participado de inúmeros projetos coletivos. Diabético desde os anos 1960, Jackson do Pandeiro faleceu em 10 de julho de 1982, na Casa de Saúde Santa Lúcia, em Brasília, DF, em decorrência de complicações de embolia pulmonar e cerebral. Ele tinha participado de um show na Capital Federal  uma semana antes, e no dia seguinte passou mal no aeroporto antes de embarcar para o Rio de Janeiro. Seu corpo foi sepultado no Cemitério do Caju, no Rio, e hoje seus restos mortais encontram-se em sua cidade natal, Alagoa Grande, em um memorial que a população do município preparou em sua homenagem. Alceu Valença costuma dizer que Luiz Gonzaga é o Pelé da música, e Jackson do Pandeiro, o Garrincha. É o que comprovaremos na seleção deste primeiro volume que o GRB lhe dedica, com 16 gravações, evidentemente preciosas e de valor histórico, a maior parte delas editadas em 78 rpm pela Copacabana, e reunidas depois em LPs de 10 e 12 polegadas. Abrindo este volume, o coco “A mulher do Aníbal”, de Genival Macedo e Nestor de Paula, lançado por volta de abril de 1954 com o n.o 5234-B, matriz M-749. A faixa seguinte é o xote “Cremilda”, de Edgar Ferreira, bem divertido e malicioso, lançado em maio de 1955 sob n.o 5412-A, matriz M-1014. O outro lado, matriz M-885-2, está na faixa 8: é o samba “Falsa patroa” de Geraldo Jacques e Isaías Ferreira. A faixa 3 é da fase de Jackson na Philips, o “Frevo do bi”, de Brás Marques e Diógenes Bezerra, alusivo à conquista do bicampeonato mundial de futebol (Copa do Mundo) pela Seleção Brasileira no Chile, lançado em junho de 1962, disco P61135H-A (inquebrável e de vinil!), e que nessa ocasião também foi gravado na Continental por um certo Papi Galan. Na quarta faixa, voltando à Copacabana, temos o rojão (tipo de baião mais acelerado) “Cabo Tenório”, de Rosil Cavalcanti, por certo inspirado em um polêmico político dessa época, o alagoano Tenório Cavalcanti (1906-1987), aliás interpretado pelo recém-falecido José Wilker no filme ‘O homem da capa preta”, em 1986. O disco recebeu o número 5741-B, e foi lançado por volta de março de 1957, matriz M-1866. Em seguida você tem justamente o lado A, o “Xote de Copacabana”, do próprio Jackson do Pandeiro (que assina com seu nome verdadeiro, José Gomes), matriz M-1865. A sexta faixa é outro  xote,“Moxotó”, também de José Gomes (ou seja,o próprio Jackson), agora em parceria com Rosil Cavalcanti, datado de 1956, disco 5579-B, matriz M-1504. Em seguida, o clássico “Dezessete na corrente”, rojão de Edgar Ferreira e Manoel Firmino Alves, de 1954, disco 5287-A, matriz M-884-2. O lado B está na décima faixa: é o batuque “O galo cantou”, de Edgar Morais, matriz M-883-2. Na faixa 9, o baião “No quebradinho”, de Marçal Araújo e José dos Prazeres, lançado em agosto-setembro de 1955, disco 5444-A, matriz M-1015. Na décima-primeira faixa, o contagiante “Micróbio do frevo”, de Genival Macedo, para o carnaval de 1955, e que saiu ainda em novembro de 54 com o número 5331-A, matriz M-980. E o lado B, matriz M-981, e faixa 15 desta seleção, é “Vou gargalhar”, samba de Edgar Ferreira que foi um dos campeões da folia de 1955. Na décima-segunda faixa, o divertido “Forró em Caruaru”, rojão que tem a respeitável assinatura do pernambucano Zé Dantas (1921-1962), também parceiro de Luiz Gonzaga em inúmeros hits. Foi lançado em março-abril de 1955 sob n.o 5397-A, matriz M-1104, tendo no verso justamente a faixa seguinte, o batuque “Pai Orixá”, de Edgar Ferreira, matriz M-882-3). Para encerrar, as duas faixas são do disco Copacabana 5277, lançado em 1954: “Eta baião!”, de Marçal Araújo (lado B, matriz M-823-2, faixa 14) e o coco “Boi brabo”, de Rosil Cavalcanti (lado A, matriz M-822-2). É a faixa que termina com chave de ouro a primeira parte da retrospectiva que o GRB dedica a Jackson do Pandeiro, fazendo justiça a este notório, expressivo e até hoje lembrado nome da música regional nordestina, prometendo a segunda parte para a próxima semana. Até lá e fiquem com Deus!

* Texto de Samuel Machado Filho 


segunda-feira, 7 de abril de 2014

A Música De Buci Moreira (parte 2) - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 97 (2014)


E aí vai para todos os nossos amigos cultos, ocultos e associados, mais uma edição do Grand Record Brasil, a de número 97, apresentando a segunda e última parte da retrospectiva dedicada ao compositor Buci Moreira (1909-1982), oferecendo mais dez gravações históricas com suas músicas. Abrimos esta segunda parte com Carlos Galhardo, interpretando o samba “Loucura”, parceria de Buci com Oswaldo Lira e A. F. Conceição, gravado na RCA Victor em 17 de outubro de 1955 e lançado em janeiro de 56, destinando-se evidentemente ao carnaval, sob n.o 80-1539-B, matriz BE5VB-0896. “O cantor que dispensa adjetivos” também está na faixa 8, “Adoro o samba”, em que Buci Moreira tem como parceiro (aliás, um de seus mais constantes) Arnô Canegal, gravação Victor de 26 de agosto de 1941, lançada em novembro do mesmo ano sob n.o  34830-B, matriz S-052344. Prosseguindo, na faixa 2, temos o grande flautista Benedito Lacerda, à frente de seu grupo Gente do Morro, e também cantando, no samba “Preto d’alma branca”, só de Buci Moreira, que mostra a banalidade do preconceito racial. Foi lançado pela Brunswick (marca americana de curta duração no Brasil) em janeiro de 1931, por certo também visando o carnaval, com o n.o 10128-A, matriz 528. Em seguida  vem o misterioso H. G. Americano, intérprete de curta carreira fonográfica (apenas seis discos com dez gravações, em 1929/30), com o samba “Mulher soberba”, em que Buci tem como parceiro Oswaldo Santiago, lançado pela Odeon em agosto de 1930 com o n.o 10657-B. Depois, Francisco Alves nos traz outro samba, “Em uma linda tarde”, parceria de Buci Moreira com Nasinho (apelido de Norival Reis), gravação Victor de 16 de abril de 1935, lançada em julho seguinte com o n.o 33946-A, matriz 79877, com acompanhamento da orquestra Diabos do Céu, do mestre Pixinguinha. O gaúcho Alcides Gerardi vem com “Protesto”, samba em que Buci tem como parceiro Felisberto Martins, então diretor artístico da Odeon, onde o cantor o gravou em 9 de junho de 1952, com lançamento em setembro do mesmo ano, disco 13318-B, matriz 9332. Henricão (Henrique Felipe da Costa, 1908-1984), também compositor de renome, aqui comparece com o samba “Pra que tanto ciúme?”, de Buci Moreira em parceria com Lacy Martins (irmão de Herivelto), gravado na mesma Odeon em 10 de dezembro de 1937 e lançado em janeiro de 38, com vistas ao carnaval, disco 11565-A, matriz 5731. Pioneiro da música country no Brasil, Bob Nélson (Nélson Roberto Perez, Campinas, SP, 1918-Rio de Janeiro, 2009), devidamente acompanhado de seus “rancheiros” (entre eles nada mais nada menos que Luiz Gonzaga à sanfona), apresenta a marchinha “Companheiro de caçada”, em que o parceiro de Buci Moreira é o ator Macedo Neto, que atuou no rádio e na televisão e foi inclusive marido de Dolores Duran. Foi gravada na RCA Victor em 26 de outubro de 1949, e lançada em janeiro de 50 (para o carnaval, claro) sob n.o 80-0634-A, matriz S-078961. O eterno “metralha do gogó de ouro”, Nélson Gonçalves (1919-1998) nos traz o samba “Perfeitamente”, do trio Buci Moreira-Arnô Canegal-Carlos de Souza, gravação Victor de 7 de abril de 1943, lançada em junho seguinte sob n.o 80-0086-B, matriz S-052749. Tem versos algo confusos, mas merece ser ouvido.  E, para encerrar com chave de ouro, volta Francisco Alves, agora junto com o Trio de Ouro em sua primeira formação (Dalva de Oliveira, Herivelto Martins e Nilo Chagas), com o samba “Não é assim que se procede”, do quarteto Bucy Moreira-Arnô Canegal-Raul Marques-Henrique de Almeida, do carnaval de 1945, gravação Odeon de 13 de dezembro de 44 lançada bem em cima da folia, em fevereiro, disco 12550-B, matriz 7735. O próprio Herivelto comanda o acompanhamento, a cargo de sua escola de samba, e no final da gravação comete um erro crasso dizendo “Não é assim que se PORCEDE”! Isso, porém, é apenas é um detalhe. E assim apresentamos a segunda e última parte da retrospectiva do GRB dedicada a Buci Moreira. Até a próxima e muito obrigado pela atenção e carinho!

* Texto de Samuel Machado Filho


sexta-feira, 4 de abril de 2014

João Gilberto - El Concierto Del Dia Seguinte - Madrid 1985 (2014)

Olá amigos cultos e ocultos! Como havia dito, esta é uma semana de surpresas e exclusividades, que fazem do Toque Musical um espaço único e sem igual (ups, até rimou). Para a nossa sexta feira eu estou trazendo uma outra produção da casa. Mais um bom registro do nosso querido João Gilberto, que com toda certeza vai fazer sucesso por aqui.
Há algum tempo atrás, conversando com um amigo espanhol, ele me contou sobre a primeira vez que o João Gilberto se apresentou na Espanha. Me disse que um amigo seu havia gravado todo show e por contingências do destino, ele foi quem acabou ficando com a fita. Uma pepita de ouro para ele. Um registro histórico guardado a sete chaves. Eu, na época dessa conversa bem que tentei convencê-lo a liberar o áudio para o Toque Musical, mas ele foi irredutível. Mas, como dizem, o que é do homem o bicho não come. Foi só esperar e eis que agora me chegou todo o material. Através de uma boa dica de um dos nossos amigos, consegui puxar pelo Torrent o comentado primeiro concerto de João Gilberto na Espanha. Acredito que este arquivo sonoro não seja o mesmo deste amigo espanhol. Provavelmente haviam outros também fazendo o 'piratex'. O arquivo que baixei no Torrent veio com um áudio baixo, com as músicas separadas de maneira tosca, desmembradas de um áudio linear, um programa da Radio Nacional de España/Radio 3, segundo informação do texto em anexo, veiculado em 2010. Certamente, desde então, muita gente pode ter gravado este programa. E agora ele está aqui. Eu recuperei o áudio, dando um ganho substancial. Criei a arte e capinha, pois afinal a coisa aqui tem que ter uma boa apresentação. Não sei se vou agradar, mas acho que a capa ficou bonitinha.
Para uma melhor compreensão do que foi este show em Madrid, reproduzo a baixo o texto do "Anonymous":
Show realizado em 19 de julho de 1985, João contava 54 anos de idade. Na noite anterior, portanto aos 18 de julho daquele ano, João havia executado sua mítica apresentação no festival de Montreux, que virou o primeiro disco ao vivo de sua carreira. Organizado pela prefeitura de Madrid, o show fazia parte da programação de "Los Veranos de la Villa", onde constavam duas noites dedicadas à Bossa Nova. Na programação estavam agendados Antônio Carlos Jobim & Banda Nova para o dia 19/07 e João Gilberto para o dia 20/07. Tom já estava na Espanha, onde se apresentou no IX Festival de Jazz de Vitória-Gasteiz no dia 17/07. Contudo, João e sua equipe solicitaram à organização do evento que invertesse as datas de apresentação – muito possivelmente por motivos de saúde, uma vez que é possível perceber nessa gravação que João começava a transparecer um início de gripe, tossindo entre as canções. Com as entradas esgotadas para os dois dias, os organizadores atenderam ao pedido do artista e trocaram as datas. Assim, quem havia comprado entradas para ver Tom acabou assistindo João e vice-versa. Foram quase 1h30min de espera no sufocante verão de Madrid, e o público recebeu João "en el recinto castrense del Patio Central del Conde Duque de Madrid" com uma algazarra entre o alívio e a indignação. É possível que tenha sido seu primeiro concerto na Espanha. Vestia a mesma roupa que usara na noite anterior na Suíça (paletó cinza de padronagem xadrez, calça bege e tênis branco). Manteve praticamente o mesmo repertório e a mesma máxima potência hipnótica, ainda assim percebe-se um show sensivelmente distinto do anterior, capaz de revelar, no cotejo entre as apresentações, informações preciosas acerca do bruxo de Juazeiro. Para além das canções incluídas no disco de Montreux, podemos escutar nessa gravação de Madrid as canções "Wave", "Chega de saudade", "Eclipse", "Doralice" e "Aos pés da cruz". O destaque fica para "Você já foi à Bahia?", escrita por Dorival Caymmi e inédita em toda a discografia oficial ou mesmo dentre as gravações piratas disponíveis na rede.

tim tim por tim tim
você já foi a bahia?
rosa morena
sem compromisso
wave
retrato em branco e preto
pra que discutir com madame
desafinado
chega de saudade
garota de ipanema
o pato
eclipse
adeus américa
a felicidade
estate
isto aqui o que é
doralice
menino do rio
aos pés da cruz
preconceito
aquarela do brasil

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quinta-feira, 3 de abril de 2014

Rita Lee & Tutti Frutti - Ao Vivo No Teatro Zaccaro SP 1976 (2014)

Olá, amigos cultos e ocultos! Estou tendo uma semana cheia de novidades, porém me falta o tempo necessário para encantar vocês. Nesta semana eu espero ainda apresentar aqui pelo menos duas curiosidades, ao estilo do Toque Musical. Ou melhor dizendo, duas produções exclusivas da casa ;)
Eis aqui a primeira, Rita Lee e sua banda Tutti Frutti em show realizado no Teatro Zaccaro, em Sampa, no ano de 1976. Um ano conturbado para a cantora, quando então enfrentou entre outras uma prisão por porte de maconha. Foi o ano também de lançamento do álbum "Entradas & Bandeiras". Este show, me parece, foi o último com a banda. Ela depois partiria para uma carreira, digamos, mais solo e pop. O presente registro não é nenhuma coisa muito rara, podendo até ser encontrado no Youtube. Aqui, eu trago para vocês o show todo editado e no formato que a gente gosta, de um autêntico disco. A qualidade do som é razoável, vale mais pelo seu lado histórico. Além de tocar o repertório de "Entradas & Bandeiras", ela ainda incrementa o show com clássicos dos Stones, Emerson Lake & Palmer, Rick Derringer e até o "Para Lennon e McCartney" de Milton Nascimento.

bruxa amarela
from the beginning
2001
com a boca no mundo (tico tico)
rock and roll hoochie koo
arrombou a festa
superstafa
para lennon e mccartney
corista de rock
posso contar comigo
drift away
esse tal de roque enrow
coisas da vida
superstafa bis
brown sugar

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segunda-feira, 31 de março de 2014

A Música de Buci Moreira (parte 1) - Seleção 78 RPM do toque Musical Vol. 96 (2014)

Estamos de volta com o Grand Record Brazil, em sua edição de número 96. Desta feita, apresentamos a primeira de duas partes de uma retrospectiva dedicada à obra musical de um dos maiores compositores do samba carioca: Buci Moreira. Buci veio ao mundo no dia primeiro de agosto de 1909. Seu pai, Guilherme Eduardo Moreira, era violonista e ele, desde pequeno, mostrou vocação para ritmista. Buci também era neto da lendária Tia Ciata, em cuja residência, nas proximidades da não menos lendária Praça Onze, reuniam-se pioneiros do samba. Em 1917, sem deixar sua casa em São Cristóvão, passou a viver também com outra família no mesmo bairro, fazendo companhia a um menino da casa, e começando seus estudos. Em 1922, foi morar com a avó, até a morte desta, em 1924, e de 1925 a 1927, estudou na Escola Bom Jesus, na Ilha de Paquetá. Com a morte de sue pai, em 1928, Buci foi viver com os tios na Praça Onze, ingressando no Colégio Benjamin Constant. No ano seguinte, desfilou pela única vez naquela que é considerada a primeira escola de samba, a Deixa Falar. Foi justamente na Praça Onze que, em 1930, foi descoberto por Francisco Alves, primeiro a gravar uma composição de Buci, o samba “Palhaço”, parceria com Nélson Januário. Nessa ocasião, começou a atuar como ritmista em gravações na Odeon, formando dupla com Waldemar Silva e, depois, com Arnô Canegal. Entre 1936 e 1940, foi diretor de harmonia da Escola de Samba Vê Se Pode, do Morro de São Carlos, da qual foi um dos fundadores e onde, claro, também desfilou. Trabalhou no cinema, com o cineasta Moacyr Fenelon, e em 1943 participou, ao lado de outros sambistas, do famoso filme inacabado de Orson Welles, “It’s all true”. Entre seus sucessos como compositor destacam-se “Anda, vem cá” (neste volume), “Quem pode, pode”, “Por que é que você chora?”, “Em uma linda tarde” e, o mais conhecido, o samba “Não põe a mão”, parceria com Arnô Canegal e Mutt, gravado pelos Titulares do Ritmo e um dos campeões do carnaval de 1951. Buci Moreira faleceu em seu Rio de Janeiro natal, no dia 28 de março de 1982. Neste primeiro volume, apresentamos dez composições de Buci Moreira, interpretadas por cantores de prestígio em seu tempo. Abrindo-o, temos Linda Batista, interpretando o samba “Casa de cômodos”, parceria de Buci com Carlos de Souza, por ela gravado na Victor em 18 de maio de 1944 e lançado em  agosto seguinte sob n.o 80-0196-A, matriz S-052964. Ela ainda interpreta aqui “Mau costume’ (faixa 3), samba dos mesmos autores mais Chiquinho Sales, gravado também no selo do cachorrinho Nipper em 15 de junho de 1942, com lançamento em agosto do mesmo ano sob n.o 34954-A, matriz S-052554. Por fim, Linda canta, na faixa 5, o samba “Salve a batucada”, do mesmo trio de autores de ‘Mau costume”, também gravação Victor, esta de 11 de maio de 1942, lançada em julho seguinte com o número 34939-B, matriz S-052514. Na faixa 2, a bossa inconfundível da dupla Francisco Alves e Mário Reis, no samba “Anda, vem cá”, gravado na Odeon em 3 de agosto de 1931, disco 10824-B, matriz 4264. O curioso é que Buci Moreira aparece como autor no selo original, mas na edição impressa, da editora Mangione, o samba é creditado a Francisco Alves, Ismael Silva e Nílton Bastos. Na faixa 4, temos o samba “Você foi a culpada”, parceria de Buci Moreira com o ex-pugilista Kid Pepe, na interpretação dos Quatro Diabos,grupo vocal integrado por estudantes de direito. Saiu pela Odeon em agosto de 1935, sob número 11252-B, aliás o único disco do quarteto. Filha do compositor e instrumentista Heitor Leite Sodré, que adotou o pseudônimo de Heitor Catumbi, a carioca Odaléa Sodré (1924-?) interpreta aqui outro samba da parceria Buci Moreira-Kid Pepe, “Romance da morena”, lançado pela Columbia em 1936 no primeiro de seus três únicos discos, número 8165-B, matriz 1112. Aurora Miranda, irmã de Cármen, vem com a marchinha natalina “Blem blau”, em que Buci tem como parceiros Portello Juno e Vicente Paiva (que a acompanha aqui com sua orquestra), gravação Odeon de 3 de novembro de 1936, lançada em dezembro seguinte sob n.o 11414-A, matriz 5434. O Quarteto de Bronze, que tem sido um mistério quanto a seus integrantes, comparece com o samba “Terra do ferro”, parceria de Buci Moreira com Carlos de Souza e Ely de Almeida, lançado pela Victor em maio de 1942 sob n.o 34925-A. Falando em Cármen Miranda, ela aqui nos apresenta “Dance rumba”, que Buci fez em parceria com um especialista nesse ritmo caribenho, Djalma Esteves. Gravação Odeon de 25 de março de 1937, lançada em julho do mesmo ano, disco 11489-A, matriz 5557. Para encerrar esta primeira parte, temos outra Cármen, a Barbosa, de curta carreira e morte prematura, interpretando o samba “Maior prazer”, parceria de Buci Moreira com Miguel Baúso, em gravação Columbia de 13 de maio de 1939, lançada em junho seguinte sob n.o 55069-B, matriz 153. Semana que vem, amigos cultos, ocultos e associados, mais um pouco da obra musical de Buci Moreira. Até lá!

*Texto de Samuel Machado Filho

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segunda-feira, 24 de março de 2014

Cantoras - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 95 (2014)


Em sua edição de número 95, o Grand Record Brazil volta a apresentar uma seleção apenas com cantoras, muitas delas de marcante presença na história de nossa música popular. Algumas das dezesseis faixas desta edição foram conseguidas por mim mesmo graças à imprescindível colaboração de colecionadores e pesquisadores como Beto de Oliveira, Gilberto Inácio Gonçalves e Marcelo Bonavides de Castro, este último do Acervo Nirez, de Fortaleza, CE, e também administrador do blog Estrelas que Nunca se Apagam. A eles (e também ao próprio Nirez) nossos mais sinceros agradecimentos.  Abrindo nossa seleção desta semana, temos Dora Lopes, cantora e compositora nascida (1922) e falecida (1983) no Rio de Janeiro. Ela comparece aqui com o disco Sinter 00-00.214, lançado em abril de 1953, apresentando dois sambas-canções. Na faixa 2 está o lado A, matriz S-458, “Baralho da vida”, composto por Ulisses de Oliveira, mineiro de Juiz de Fora e personagem marcante na história dessa cidade. E na primeira faixa temos o lado B, “Você morreu pra mim”, matriz S-459. Uma faixa histórica, pois constituiu-se na primeira composição gravada de Newton Mendonça , também nascido (1927) e falecido (1960, prematuramente, aos 33 anos, de infarto fulminante) no Rio de Janeiro. Pianista, compositor, gaitista e violinista, ele seria parceiro de Tom Jobim em várias composições de sucesso, entre elas “Desafinado”, verdadeiro hino da bossa nova. Em “Você morreu pra mim”, Newton tem a parceria de Fernando Lobo, outro notável compositor da MPB  (fez, entre outras,“Chuvas de verão”, “Nêga maluca”, “Chofer de praça”, “Preconceito”, etc.) e pai de outro grande cantor-compositor brasileiro, Edu Lobo.  Portuguesa de Vizeu, Vera Lúcia Ermelinda Balula (1930-?) naturalizou-se brasileira e foi eleita Rainha do Rádio em 1955, derrotando Ângela Maria (vencedora desse concurso um ano antes) por decisão do apresentador Manoel Barcelos, da Rádio Nacional, como homenagem a Cármen Miranda, que também era portuguesa como ela e falecera nesse mesmo ano nos EUA. Vera Lúcia aqui comparece com a gravação original de um samba-canção clássico de Tito Madi, “Cansei de ilusões”, lançada pela Continental em agosto-setembro de 1956 sob número 17323-A, matriz C-3845. “Cansei de Ilusões” foi várias vezes regravado, inclusive pelo próprio Tito Madi, e está finalmente aqui em seu primeiro registro, com Vera Lúcia. Possivelmente o saxofone que se ouve na gravação é de Zé Bodega, então atuando  na Orquestra Tabajara de Severino Araújo. Em seguida, tiramos do esquecimento a excelente cantora mineira Daisy Guastini.  Ela iniciou sua carreira nos anos 1950, como locutora e atriz da Rádio Inconfidência e apresentadora da TV Itacolomi, ambas de Belo Horizonte, capital de Minas. Casou-se com o compositor e guitarrista Nazário Cordeiro, com quem teve a filha Daisy Cordeiro, também cantora, e atuou também em emissoras do eixo Rio de Janeiro-São Paulo. Deixou, porém, uma discografia muito aquém de seu potencial como intérprete: apenas dois compactos duplos, um pelo selo Arpège, do tecladista Waldir Calmon, dono da boate carioca de mesmo nome, em 1959, e outro pela RGE, em  1964. Do primeiro deles, o Arpège AEP-1003, é a gravação aqui escalada, e por sinal sua faixa de abertura: o famoso samba-canção “O que tinha de ser”, da profícua parceria Tom Jobim-Vinícius de Moraes, bastante conhecido e com inúmeros outros registros. A carioca Dalva de Andrade (n.1935) aqui comparece com um disco de 1959, o Polydor 305. No lado A, matriz POL-3504, gravado em 3 de março desse ano, está o samba “Brigas, nunca mais”, outro produto de sucesso da dupla Tom Jobim-Vinícius de Moraes, e com inúmeras gravações. No lado B, matriz POL-3487, gravado em fevereiro do mesmo ano (talvez no dia 20), está o samba-canção “História”, de Fernando César em parceria com o cantor Luiz Cláudio, falecido no ano passado sem qualquer divulgação por parte da mídia, tanto que fiquei sabendo de sua morte através do Toque Musical, quando foram repostados vários álbuns por ele gravados. Ambas as gravações, com acompanhamento concebido e dirigido pelo maestro Peruzzi, também figuraram no primeiro LP da cantora, “Eis Dalva de Andrade”.  Dalva teve de abandonar a carreira prematuramente, em meados da década de 1960, por problemas de deficiência auditiva, lançando, depois disso, apenas dois compactos de produção independente. Gaúcha de Porto Alegre, Luely da Silva Figueiró (1936-2010) mudou-se para São Paulo em 1957, após ser eleita Rainha do Rádio gaúcho, atuando nas Emissoras Unidas (Rádio e TV Record).  Foi também atriz de cinema, aparecendo em filmes como “A doutora é muito viva” (1956), “Casei-me com um xavante” (1957) e “Marido de mulher boa” (1960). Viveu alguns anos com o cantor-compositor Sérgio Ricardo (aquele do violão quebrado em festival), no Rio de Janeiro, voltando a morar em São Paulo na década de 1970 e abandonando a carreira artística. Retomando seus estudos, formou-se professora de ensino de segundo grau, exercendo a profissão durante anos até se aposentar, na virada do século XXI. De Luely Figueiró escalamos outro clássico da dupla Tom Jobim-Vinícius de Moraes: o samba “A felicidade”, do filme “Orfeu negro” (nos cinemas, “Orfeu do carnaval”), produção franco-italiana filmada no Rio de Janeiro e premiada com o Oscar de filme estrangeiro, e nele interpretado por Agostinho dos Santos. A gravação de Luely saiu pela Continental em  agosto de 1959, sob número 17713-A, matriz C-4191. A carioca Iracema de Souza Ferreira, aliás, Nora Ney (1922-2003), de marcante presença em nossa música popular como intérprete essencialmente romântica, aqui comparece com dois sambas-canções de sucesso, ambos do disco Continental  16726, gravado em 23 de janeiro de 1953 e lançado em março-abril desse ano, com acompanhamento orquestral de Copinha. Abrindo-o, matriz C-3043, o inesquecível ‘De cigarro em cigarro”, de Luiz Bonfá, e no verso, matriz C-3044, “Onde anda você?”, de Antônio Maria e Reynaldo Dias Leme. Outro resgate importantíssimo é o de Laís Marival (Maria Neomézia Negreiros, 1911-?), paulista de Taquaritinga, e de curta carreira fonográfica: apenas sete discos 78 com catorze músicas, entre 1936 e 1938, todos pela Columbia, futura Continental.  Do penúltimo deles, número 8296-B, matriz 3510, de 1937, é o samba aqui escalado, “Saudades do morro”, de H. Celso e A. Santos.  Nos anos 1980/90, Laís ainda participava de corais em São Paulo. “Molambo”, de autoria do violonista Jayme Florence (o Meira dos regionais) em parceria com Augusto Mesquita, é um dos clássicos do samba-canção brasileiro, tendo recebido inúmeras gravações ao longo dos anos. O que quase ninguém sabe, porém, é que “Molambo” foi lançado pela cantora Julinha Silva no lado A de seu disco de estreia, o Todamérica TA-5334, gravado em 18 de junho de 1953 e editado em setembro do mesmo ano, matriz TA-487. Julinha é outra que teve curta carreira fonográfica, deixando apenas sete discos 78 com catorze músicas, entre 1953 e 1962, nos selos Todamérica, Guanabara, Mocambo e Continental. Onilda Figueiredo, pernambucana do Recife, comparece aqui com seu primeiro disco,feito justamente numa gravadora de lá, a Mocambo dos irmãos Rozenblit, por sinal a primeira instalada fora do eixo Rio-São Paulo. Lançado em junho de 1956, com Onilda ainda adolescente, o 78 abre com o tango “Nunca! Jamais! (Nunca! Jamás!)”, de Lalo Guerrero em versão de Nélson Ferreira (compositor de frevos de sucesso e então diretor artístico da Mocambo), matriz R-694, depois faixa de abertura do único LP da cantora, o dez polegadas ‘A voz de Onilda Figueiredo”. Também está aqui o lado B, matriz R-695, o bolero “Desespero”, de Ângelo Iervolino, que não entrou no LP. Apesar de seu potencial como cantora, Onilda é outra com discografia escassa. Além do LP já mencionado, só gravou quatro discos 78 com oito músicas, tudo na Mocambo. Uma das melhores cantoras brasileiras, a carioca Claudette Soares (n. 1937) iniciou-se ainda na infância, no programa “A raia miúda”, apresentado na Rádio Nacional por Renato Murce, passando mais tarde a apresentar-se no “Programa do guri”, de Silveira Lima, na Rádio Mauá.  Na Rádio Tamoio, quando atuava no programa ‘Salve o baião”, conheceu Luiz Gonzaga, que a chamou de “princesinha do baião”. E foi com dois baiões que Claudette estreou em disco, através da Columbia, futura Sony Music. Editado em junho de 1954 com o número CB-10049, com Claudette na plenitude de seus 17 anos, o 78 apresenta “Você não sabe”, de Castro Perret e Jane (matriz CBO-218, faixa 15) e, no verso, matriz CBO-219 (faixa 14), “Trabalha, Mané”, de José Luiz e João Batista da Silva. Dos dois baiões, por certo “Trabalha, Mané” ficou mais conhecido, uma vez que foi regravado pelos grupos Os Cangaceiros e Os Três do Nordeste. No entanto, após fazer outros discos 78 na Columbia e na Repertório, Claudette Soares só conseguiu gravar seu primeiro LP em 1964, na Mocambo, com o nome de “Claudette é dona da bossa”, pontapé inicial para inúmeros outros trabalhos de sucesso. Para encerrar, apresentamos nada mais nada menos que Marta Rocha.  Eleita Miss Brasil em 1954, a baiana causou comoção em todo o país ao perder o título de Miss Universo, no mesmo ano, para a americana  Myrian Stevenson. Marta teria perdido porque teria duas polegadas a mais nos quadris. Entretanto, no livro “O império de papel – Os bastidores de O Cruzeiro”, o jornalista Accioly Neto, ex-diretor da revista, garante que as tais polegadas foram inventadas pelo fotógrafo João Martins, inconformado com o resultado, com a cumplicidade de outros jornalistas presentes ao concurso, realizado na cidade americana de Miami, na Flórida. Boato ou não, o fato é que o Brasil inteiro cantou com Marta Rocha ‘Duas polegadas”, marchinha de Pedro Caetano, Carlos Renato e Alcyr Pires Vermelho, lado B do primeiro dos dois únicos discos 78 que ela gravou pela Continental, número 17134, lançado em agosto-setembro de 1955, matriz C-3610. É com esta curiosidade que encerramos mais esta edição do GRB dedicada a vozes femininas. Até a próxima e divirtam-se!

* Texto de Samuel Machado Filho 

segunda-feira, 17 de março de 2014

A Música De Príncipe Pretinho - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 94 (2014)

Esta semana, o Grand Record Brazil apresenta a segunda parte da retrospectiva dedicada à obra musical do compositor Príncipe Pretinho (José Luiz da Costa),  uma personalidade tão misteriosa quanto fascinante em nossa música popular. Príncipe Pretinho, como já vimos anteriormente, muito incentivou  o compositor Herivelto Martins no início de sua carreira. Certamente por isso é que o Trio de Ouro, formado por ele, Dalva de Oliveira e Nilo Chagas, interpreta a maior parte das vinte faixas aqui incluídas, ou seja, nove.  A começar pela primeira, o samba “Todos têm o direito”, parceria de Príncipe Pretinho com J. J. de Oliveira, curiosamente uma das derradeiras gravações da primeira fase do trio, que logo se desfez com a separação ruidosa de Herivelto Martins e Dalva de Oliveira (e também a última composição gravada de Pretinho). Destinado ao carnaval de 1949, foi gravado na Odeon em 2 de dezembro de 48, e lançado um mês antes do tríduo momesco, em janeiro, sob n.o 12910-B, matriz 8463. Na faixa 4, o trio apresenta a marchinha junina “Toma cuidado”, apenas e tão-somente de Príncipe Pretinho, lançada pela Columbia em junho de 1941 sob n.o 55278-A, matriz 401. No monólogo inicial, Dalva de Oliveira, com singela voz de menina, faz, e muito bem, a personagem  Zefinha, então sucesso no programa de rádio “Piadas do Manduca”.  Na faixa 6, o trio vem com um samba em que Pretinho tem o próprio líder e fundador, Herivelto Martins, como parceiro: “É triste a gente querer”,  do carnaval de 1947, gravação Odeon de 6 de dezembro de 46, lançada bem em cima da folia, em fevereiro, sob n.o 12758-A, matriz 8144. Em seguida, na sétima faixa, vem o batuque “É a lua”, só de Pretinho, gravação também da Odeon, em 4 de junho de 1946, lançada em agosto do mesmo ano, disco 12715-A, matriz 8055. A faixa 9 é uma parceria de Pretinho com José de Sá Roris, a marchinha “Dança la conga”, do carnaval de 1942, gravada em pleno dia de Natal de 41 (25 de dezembro) e lançada às vésperas dos festejos de Momo, em janeiro, sob n.o 55319-B, matriz 490. Em seguida, o trio nos oferece o samba “Maria Cheirosa”, só de Pretinho, gravação Columbia de 12 de maio de 1942, lançada logo em seguida  sob n.o 55338-B, matriz 512. Vem logo depois uma regravação do ponto de macumba “Quem tá de ronda”, só de Pretinho, originalmente lançado em 1935 na voz de Francisco Sena, registro esse que apresentamos em nosso volume anterior. Aqui, veio como batuque no selo, e o Trio de Ouro o regravou na Columbia no lado A de “Maria Cheirosa”, matriz 513. Na faixa 16, temos “Porta afora”, outra parceria de Pretinho com Herivelto Martins, samba do carnaval de 1945. Foi gravado pelo trio na Odeon em  29 de novembro de 44, com lançamento um mês antes da folia, em janeiro, disco 12542-B, matriz 7718. Por fim, na faixa 17, o Trio de Ouro encerra sua participação neste volume com “Quem vem descendo”, outro samba da parceria Príncipe Pretinho-Herivelto Martins, do carnaval de 1944. Gravação Odeon de 23 de novembro de 43, lançada em janeiro seguinte sob n.o 12404-B, matriz 7424. No restante do programa, temos outros grandes intérpretes. Castro Barbosa, que também marcou época no rádio brasileiro com o humorístico “PRK-30”, interpreta, em nossa segunda faixa, o samba “Eu queria um adeus”, da parceria Príncipe Pretinho-Herivelto Martins, destinado ao carnaval de 1941. Foi gravado na Columbia em 11 de novembro de 40, com lançamento um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 55264-B, matriz 346. Ao lado de suas Pastoras, Ataulfo Alves, o sempre lembrado poeta de Miraí, apresenta em nossa terceira faixa o batuque “Alodê”, só de Príncipe Pretinho.  Foi gravado na Victor em 16 de maio de 1946, e lançado em setembro do mesmo ano, disco 80-0433-B, matriz S-078518. Na faixa 5, um clássico interpretado por Zé e Zilda, “a dupla da harmonia”:  o samba “Só pra chatear”, um dos campeões do carnaval de 1948. Gravação Continental de 30 de outubro de 47, lançada ainda em dezembro com o número 15856-A, matriz 1772. Outro inesquecível intérprete de nossa música popular, Francisco Alves, o eterno Rei da Voz, aqui comparece com dois sambas de carnaval da parceria Príncipe Pretinho-Herivelto Martins, gravados na Odeon.  Na faixa 8, “Ela”, da folia de 1943, e também interpretado por Chico no filme ‘Samba em Berlim”, da Cinédia. Gravação de 3 de novembro de 1942, lançada ainda em dezembro com o número 12236-B, matriz 7127. E, na faixa 15, “Se a vida não melhorar”, do carnaval de 1945, registrado em 26 de dezembro de 44 e lançado bem em cima da folia pela “marca do templo”, em fevereiro, sob n.o 12555-B, matriz 7741. Isaura Garcia, a sempre “personalíssima”, apresenta, na faixa 12, outro samba da parceria de Pretinho com Herivelto Martins, “Consciência”, gravação Columbia de 27 de abril de 1942, lançada em maio seguinte com o número 55345-A, matriz 522. Nélson Gonçalves, o eterno “metralha do gogó de ouro” vem com outro samba da profícua parceria Príncipe Pretinho-Herivelto Martins, “Não fiquei louco” (faixa 13), do carnaval de 1945, gravação Victor de 26 de outubro de 44 , lançada um mês antes dos festejos momescos, em janeiro, disco 80-0244-A, matriz S-078075. O “Formigão”, Cyro Monteiro, aqui comparece, na faixa 14, com o samba “Voltei mas era tarde”, em que Príncipe Pretinho tem a parceria de Geraldo Pereira. Gravação Victor de 13 de setembro de 1944, lançada em novembro seguinte com o número 80-0228-B, matriz S-078053. Na faixa 18, Cármen Costa interpreta “Caramba”, parceria de Pretinho com Henricão, samba destinado ao carnaval de 1943. Outra gravação Victor, esta de 19 de novembro de 42, lançada um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 80-0045-A, matriz S-052660. Em seguida, a marchinha “A violeta”, em que Pretinho tem Marino Pinto como parceiro. Destinada ao carnaval de 1943, foi lançada pela Columbia em janeiro desse ano na voz de Déo (“o ditador de sucessos”), sob n.o 55398-B, matriz 589. Para encerrar, o GRB resgata Alfredo Simoney, cantor sobre o qual não existe biografia disponível no momento, mas que deixou uma discografia até razoável, compreendendo, em 78 rpm, 15 discos com 28 músicas, em inúmeros selos, além de uma participação no LP “Boate à beira-mar’ (Copacabana, 1959), do acordeonista Paschoal Melillo, interpretando “Saudade de Itararé”. Aqui, o lado A do único disco de Simoney na Columbia, n.o 55350, lançado em junho de 1942, apresentando o samba “Marambaia”, de Príncipe Pretinho  sem parceria, matriz 532. Enfim, um encerramento com chave de ouro para a segunda e última parte da retrospectiva dedicada pelo GRB a Príncipe Pretinho, que por certo irá enriquecer os acervos de tantos quantos apreciem o que a MPB deixou de melhor e mais expressivo. Até a próxima, pessoal!

* Texto de Samuel Machado Filho


segunda-feira, 10 de março de 2014

A Música De Principe Pretinho - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 93 (2014)

Esta semana, o Grand Record Brazil apresenta a primeira parte de uma retrospectiva dedicada a um compositor com várias músicas gravadas, mas sobre o qual pouquíssima coisa se sabe. Estamos falando de Príncipe Pretinho, cujo nome verdadeiro era José Luiz da Costa, nascido no Rio de Janeiro em data ignorada e ali mesmo falecido em 1946. Um personagem tão misterioso quanto fascinante, que muito incentivou a carreira de outro grande nome  de nossa música popular, Herivelto Martins, ao apresentá-lo a J.B. de Carvalho, fundador e líder do Conjunto Tupi, no qual Herivelto participou. Nesta primeira parte, apresentamos dezoito composições de Príncipe Pretinho, interpretadas por cantores de prestígio em sua época. Abrindo-a, temos sua primeira composição levada a disco, o samba “Gamela quebrada”, sem parceiro, do carnaval de 1931, gravação Victor de Sílvio Caldas em 13 de dezembro de 1930, lançada bem em cima da folia, em fevereiro, sob n.o 33407-B, matriz 65058. Em seguida, o Conjunto Tupi interpreta a marchinha ”Me dá, me dá”, igualmente de Príncipe Pretinho e ninguém mais, do carnaval de 1933. Outra gravação Victor, esta de25 de outubro de 1932, lançada ainda em dezembro, disco 33599-A, matriz 65569. Francisco Sena (Bahia, c.1900-Rio de Janeiro,1935), primeiro integrante da Dupla Preto e Branco, ao lado de Herivelto Martins, interpreta solo o ponto de macumba “Quem tá de ronda?”, também só de Príncipe Pretinho, gravada na Victor em 25 de maio de 1933 e só lançada em julho de 35 (!), disco 33953-B, matriz 65751. No samba “Tereré não resolve”, do carnaval de 1938, Príncipe Pretinho tem a parceria de Rogério Nascimento. Quem canta é Miguel Baúso (1913-?). em gravação Odeon de 27 de dezembro de 1937, lançada bem em cima dos festejos momescos, em fevereiro, sob n.o 11576-B, matriz 5750. O Trio de Ouro (apresentado inicialmente nos selos “Dalva de Oliveira e Dupla Preto e Branco”, isto é, Herivelto Martins e Nilo Chagas) apresenta-nos as duas músicas de seu disco de estreia, o Victor 34206, gravado em primeiro de julho de 1937 e lançado em novembro seguinte com vistas ao carnaval de 38, ambas apenas e tão-somente de Príncipe Pretinho. Na faixa 6, o lado A, a marchinha “Ceci e Pery”, matriz 80513. Nessa ocasião, Dalva e Herivelto combinaram que seu filho, então prestes a nascer, teria o nome de Ceci, caso fosse menina, e o de Pery, se fosse menino. E foi mesmo Pery, o excelente cantor Pery Ribeiro, outro de saudosa memória. Na faixa 5 está o lado B, matriz 80512, o batuque “Itaquari”. O Trio de Ouro interpreta depois o samba “Palavra de rei”, em que Príncipe Pretinho tem a parceria de Waldemar Crespo. Também destinado ao carnaval de 1938, foi gravado na mesmíssima Victor em 28 de julho de 37, com lançamento um mês antes da folia, em janeiro,sob n.o 34263-A, matriz 80557. Para essa folia, na mesma Victor e no mesmo dia, 28 de julho de 1937, a Dupla Preto e Branco, sem Dalva, ainda gravaria o samba “Bate palmas”, onde o parceiro de Príncipe Pretinho é Boanerges Guedes. Saiu ainda em dezembro de 37, com o n.o 34247-A, matriz 80558, O Trio de Ouro volta a se reunir na faixa seguinte, o batuque “Quem mora na lua”, só de Príncipe Pretinho, gravação Odeon de 27 de junho de 1938, mas só lançada em abril de 39 com o número  11652-A, matriz 5878. No samba “Nosso amor não convém”, do carnaval de 1939, Príncipe Pretinho tem a parceria de Peterpan (José Fernandes de Paula, Maceió, AL, 1911-Rio de Janeiro, 1983). A gravação ficou por conta de Carlos Galhardo, na Victor, em 16 de dezembro de 1938, com lançamento um mês antes dos festejos momescos, em janeiro, disco 34401-B, matriz 80970. Na faixa seguinte, volta o Trio de Ouro, desta vez interpretando o belíssimo samba-rumba  “Alvorada”, em que Príncipe Pretinho tem a parceria de um certo E. J. Moreira. Marcou a estreia do trio na Columbia, em gravação de 10 de maio de 1939, com lançamento em  junho seguinte, disco 55066-B, matriz 150. Da escassa discografia da cantora Janir Martins, outra cuja biografia é um mistério (dois discos com quatro músicas, ambos pela Columbia), foram pinçadas as duas músicas do primeiro disco, número 55175, gravado em 20 de setembro de 1939 e lançado em novembro do mesmo ano, ambas por ela cantadas em dueto com Jorge Nóbrega, parceiro de Príncipe Pretinho nas duas composições,  destinadas ao carnaval de 1940: a marchinha “Eu me rasgo todo”, matriz 215, por certo inspirada no tango “Por vos yo me rompo todo”, de Francisco Canaro, e o samba “Podes crer”, matriz 216. Para esse mesmo carnaval Príncipe Pretinho fez sozinho a marchinha “Na Turquia”, outra gravação do Trio de Ouro na Columbia, em 15 de dezembro de 1939, lançada um mês antes da folia, em janeiro de 40, sob n.o 55200-B, matriz 248. Nessa ocasião, vez por outra, Dalva de Oliveira, que integrava o Trio de Ouro, tinha oportunidade de gravar como solista. É o que acontece na mazurca “Menina de vestido branco”, de Príncipe Pretinho e mais ninguém, gravação Columbia de 24 de maio de 1940, lançada em junho do mesmo ano sob n.o 55218-B, matriz 286. Cármen Costa e Henricão apresentam em dueto dois sambas de Príncipe Pretinho, ambas do disco Columbia 55239, gravado em 19 de julho de 1940 e lançado em agosto do mesmo ano: “Dance mais um bocado”, parceria do próprio Henricão, matriz 307, e “Não quero conselho”, em que o parceiro é Constantino Silva, o Secundino, matriz 308. Para encerrar, Janir Martins interpreta, de seu segundo e último disco, o Columbia 55241-A, a marchinha “É espeto”, parceria de Príncipe Pretinho com Rogério Nascimento, gravada em 20 de setembro de 1940 e lançada em novembro seguinte, matriz 318, por certo para o carnaval de 41. Enfim, um atraente e histórico apanhado da obra musical de Príncipe Pretinho, que continuaremos a abordar na próxima semana. A gente se vê!

*Texto de Samuel Machado Filho 

segunda-feira, 3 de março de 2014

Carnaval B - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 92 (2014)

O carnaval continua aqui no Grand Record Brazil. Apresentamos nesta semana mais 14 músicas destinadas à folia de Momo, gravadas na era das 78 rotações por minuto. Várias delas clássicos inesquecíveis. E começamos com o pé direito, apresentando um clássico inesquecível: “Pastorinhas”, de João “Braguinha” de Barro e Noel Rosa. Esta composição havia sido lançada originalmente para o carnaval de 1935, na voz de João Petra de Barros, com o nome de “Linda pequena”, sem no entanto repercutir. Após o falecimento prematuro de Noel, em 1937, Braguinha resolveu relançar esta bela marcha-rancho para a folia do ano seguinte, fazendo uma ou outra alteração na letra e rebatizando-a “Pastorinhas”. Sílvio Caldas a imortalizou na Odeon em 13 de dezembro de 1937, com lançamento em janeiro de 38 sob n.o 11567-A, matriz 5733. E “Pastorinhas”, além de ser um sucesso inesquecível, venceria o concurso oficial de carnaval da prefeitura do Rio de Janeiro. A vencedora na categoria marcha tinha sido “Touradas em Madri”, também de Braguinha com Alberto Ribeiro, mas acabou sendo desclassificada sob a alegação de que se tratava de um passo-doble espanhol. Evidentemente, Braguinha não ficou sem o primeiro lugar entre as marchas, pois “Pastorinhas” subiu do segundo para o primeiro lugar! A faixa seguinte é mais uma clássica marchinha, esta do carnaval de 1932: “Teu cabelo não nega”, adaptação feita por Lamartine Babo para o frevo-canção “Mulata”, dos irmãos Raul e João Valença. Castro Barbosa levou a música a disco, tornado-a um sucesso permanente da folia de Momo, e a regravaria outras vezes. A versão desta edição, também gravada na RCA Victor, é de 17 de outubro de 1952, lançada em dezembro do mesmo ano sob n.o 80-1072-A, matriz SB-093524, e mantém sua famosa introdução instrumental. E tome marchinha clássica! Agora é “Mamãe, eu quero”, de Jararaca e Vicente Paiva, do carnaval de 1937, um sucesso que é lembrado até hoje e ultrapassou as fronteiras do Brasil (tocou até em desenho animado de Tom e Jerry!). O próprio Jararaca imortalizou a marchinha na Odeon em 17 de dezembro de 1936, com lançamento um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 11449-A, matriz 5499. Destaque, na gravação, para o hilariante diálogo inicial, em que o papel da mãe é feito por Almirante. Prosseguindo nosso desfile de clássicos carnavalescos, Orlando Silva, o eterno “cantor das multidões”,  nos brinda com a impecável marcha-rancho “Malmequer”, de Newton Teixeira e Cristóvão de Alencar, o “amigo velho”, hit inesquecível do carnaval de 1940. Gravação Victor de 4 de novembro de 1939, lançada um mês antes do tríduo momesco, em janeiro, sob n.o 34544-A, matriz 33248. O eterno e sempre bem-humorado Lamartine Babo volta à cena neste retrospecto carnavalesco, agora com a marchinha “Linda morena”, absoluta no carnaval de 1933, que ele próprio interpreta ao lado de Mário Reis. Gravação Victor de 26 de dezembro de 1932, lançada bem em cima da folia, em fevereiro, sob n.o 33614-A, matriz 65631. Destaca-se no coro, deste registro, uma voz feminina que parece ser a de Cármen Miranda. E falando em Cármen Miranda, ela aqui comparece com duas faixas. A primeira, da parceria Braguinha-Alberto Ribeiro, muitos conhecem na  interpretação de Gal Costa: é a famosa marchinha “Balancê”, de João “Braguinha” de Barro e Alberto Ribeiro, do carnaval de 1937. Cármen a gravou na Odeon em 19 de novembro de 1936, com lançamento um mês antes do carnaval, em janeiro, sob n.o  11430-A, matriz 5457. Apesar de ter obtido alguma aceitação, “Balancê” ficou esquecida com o passar do tempo, até que Gal Costa,  mais de 40 anos depois, a tirasse do esquecimento no LP “Gal tropical” e a transformasse em hit permanente de todos os carnavais a partir de 1980. A outra marchinha com Cármen Miranda nesta edição é a maliciosa “Eu dei...” (“O que foi que você deu, meu bem?”), do carnaval de 1938. Gravação Odeon de 21 de setembro de 1937, lançada ainda em dezembro com o número 11540-B, matriz  5670. No fim, descobre-se que a personagem havia dado um beijo, e quem canta os versos finais (“guarde para mim unzinho, que mais tarde pagarei com um jurinho”) é o próprio Ary Barroso! Aurora Miranda, irmã de Cármen, aqui comparece com outras duas marchinhas, ambas do carnaval de 1940, e em gravações Victor. A primeira é “Que horas são estas?”, de Antônio Almeida e Oswaldo Santiago, do carnaval de 1940. Foi gravada em 18 de outubro de 1939, e lançada ainda em dezembro sob n.o  34530-A, matriz 33191. Dias antes, a 3 de outubro de 39, Aurora já havia gravado “Não vejo jeito”, de Ismael Silva, lançada em novembro seguinte com o n.o 34519-B, matriz 33170. A carioca Dora Lopes (1922-1983), grande compositora e intérprete de sambas, comparece aqui com a divertida marchinha “Fila do gargarejo”, dela própria em parceria com José Batista e Nilo Viana. É do carnaval de 1958, lançada em fins do ano anterior pela Mocambo, gravadora do Recife que pertencia aos irmãos Rozenblit, sob n.o 15196-A, matriz R-910. As Irmãs Pagãs (Elvira e Rosina, esta falecida recentemente, anos depois de Elvira) apresentam-nos “Água mole em pedra dura”, marchinha do carnaval de 1940, de autoria de Sátiro de Melo e Manoel Moreira. Foi gravada na Columbia em 24 de outubro de 1939, e lançada ainda em dezembro com o número 55181-A, matriz 224. Dois inesquecíveis intérpretes se reúnem na faixa seguinte: Francisco Alves, o Rei da Voz, e Dalva de Oliveira, o Rouxinol do Brasil, interpretam a belíssima marcha-rancho “Andorinha”, de Herivelto Martins (então marido de Dalva) e Haroldo Barbosa, um dos sucessos do carnaval de 1946, conhecido como o “carnaval da vitória” por ter acontecido após o término da Segunda Guerra Mundial, com a vitória dos países aliados sobre os do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). A dupla a imortalizou na Odeon em 5 de dezembro de 1945, e o lançamento se deu um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 12660-A, matriz 7954. Para finalizar, trazemos a cantora Lolita França, sobre a qual pouquíssima coisa se sabe. Aqui ela revive a “marcha-canção” (como foi editada originalmente)“Taí” (cujo título original era “Pra você gostar de mim”), de Joubert de Carvalho,  com a qual Cármen Miranda despontou para o estrelato em 1930. A regravação de Lolita é de 7 de julho de 1939, lançada pela Victor em setembro do mesmo ano, disco  34486-B, matriz 33116. Lolita França gravou, entre 1939 e 1942, onze discos com vinte e duas músicas, e suas gravações obtiveram algum sucesso na Argentina. Enfim, esta é a segunda e última parte do retrospecto carnavalesco do Grand Record Brazil, por certo expressiva contribuição para a preservação da memória musical do Brasil. Divirtam-se!

*Texto de Samuel Machado Filho