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ESTA É UMA VERSÃO PARA AS PRODUÇÕES CRIADAS NO BLOG TOQUE MUSICAL. AQUI PODERÃO SER ENCONTRADAS AS CRIAÇÕES EXCLUSIVAS QUE INICIALMENTE SÃO POSTADAS POR LÁ.
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domingo, 4 de agosto de 2013

Coletânea Compactos Do Toque Musical Vol. 2 (2013)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Há tempos eu venho querendo 'desovar' alguns compactos e continuar a série "Coletânea Compactos", mas vou sempre adiando. Desta vez consegui preparar o segundo volume e dentro do possível, logo teremos outros... Compacto é em postagem como fazer um lanche rápido, satisfaz no momento, mas depois deixa a gente com fome. Por isso é que dependendo dos disquinhos, prefiro postá-los em blog, como uma coletânea.
Nesta leva, reuni quatro grupos de música pop. Digo pop, porque aqui a coisa fica na base das versões, ou bem influenciado por essas e porque não dizer, a música estrangeira, moderninha da época. Temos aqui o grupo Brazilian Boys em disco de 1974, apresentado duas versões, para "Mrs. Vandebilt", de Paul MacCartney e "Cecilia", de Paul Simon. Depois temos o grupo Impacto com a versão para "Dreamin`", de B. Kinsley e uma autoral, "Conselho de amigo", bem na mesma linha pop. Este compacto, inclusive, já havia sido postado anteriomente no Toque Musical. Na sequência temos o Lee Jackson, que entre os demais se destaca pela qualidade e aqui vem num compacto duplo com os temas tão variados quanto a prórpia trajetória do conjunto. De "Adelita", "El Bodeguero", passando por "Allah lá o", Hino do Flamengo, dois clássicos do Jorge Ben ("Mais que nada" e "Xica da Silva) e finalizando com "Only You" e "There's a kind of hush". Completando a coletânea, temos outro grupo de destaque, o Light Reflections. Este último com dois temas originais (autorais), cantados em inglês, como manda o figurino :)

eu pensei - brazilan boys
cecília - brazilian boys
sonho - impacto
conselho de amigo - impacto
adelita - lee jackson
mas que nada - xica da silva - lee jackson
only you - there's a kind of hush - my pledge of love - lee jackson
el bodeguero - allah la o - hino do flamengo - lee jackson
welcome welcome - light reflections
that love - light reflections

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Toque Musical - 6 Anos!

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje, dia 29 de julho, o blog Toque Musical está completando 6 anos de atividades. Ao longo desse tempo muita água boa rolou. A fonte aqui é natural e da melhor qualidade e talvez por isso mesmo é que saímos do 'badalado' para o 'cultuado', para poucos. Tivemos aqui várias mudanças, inclusive de endereço por conta de algumas perseguições. Quando se chega ao topo ficamos também sujeitos a muita exposição. Percebo também que o Toque Musical fez escola, muitos outros blogs surgiram buscando um mesmo formato, usando uma mesma forma de apresentação e publicando inclusive muito do que já postei aqui. Acho isso muito legal, pois vejo o quanto o TM foi influente.
Mas, se é bom por um lado, por outro nem sempre. Muitas vezes o TM se tornou alvo do despeito, da falta de compreensão e de algumas baixarias. Tivemos momentos que eu realmente fiquei desanimado, mas não vacilei, mantive o blog e as postagens diárias. Por conta dos boicotes, das denúncias infundadas, das perseguições num geral, criei outras versões do blog e as mantive abertas ao público. Hoje temos três versões do Toque Musical, as quais os amigos podem recorrer: "Toque Musical Refinado", onde são postadas as produções exclusivas do TM; o "Toque Musical Galeria", que é a versão blogspot da matriz atual, o "TM site".
Tem muita gente que acha complicado o funcionamento do Toque Musical, mais ainda depois que criei o GTM (Grupo do Toque Musical). Sinceramente, eu não queria complicar, mas diante à perseguição aos meus links, me vi obrigado a criar esse grupo que tem a função única de preserva-los. Limitei o meu público, mas mantive a minha rotina. Por conta também de denúncias, praticamente quase todos os meus arquivos foram perdidos. Até hoje ainda estou fazendo a reposição. Os pedidos não param de chegar e como sou sozinho nessa empreitada, tudo acaba sendo muito devagar. Não tenho como atender a todos de imediato. Além do mais, tem as postagens diárias, essas são prioritárias!
Infelizmente a maioria dos visitantes no blog não tomam o trabalho de ler as postagens e muito menos as orientações para se ingressarem no GTM. Daí, me trazem mais trabalho tendo que explicar repetidas vezes a mesma coisa. De uns tempos pra cá passei a não mais responder perguntas cujas respostas são óbvias e se encontram explícitas no TM.
Continuo a peleja, mas sempre preservando o essencial prazer de fazer o blog como eu gosto e posso. Não mais estou interessado em atingir um grande público e nem peço mais um 'feedback' em comentários.
O Toque Musical é apenas um local onde se escuta música com outros olhos. Infelizmente, poucos são aqueles que conseguem ouvir isso. Mas tá valendo...


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Francisco Alves 2:2 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 62 (2013)

Estamos de volta com a segunda parte da  retrospectiva que o Grand Record Brazil dedica ao inesquecível Francisco Alves, o Rei da Voz (1898-1952). Desta feita, mais treze gravações preciosas e imprescindíveis para colecionadores, pesquisadores e apreciadores em geral.
Abrindo nosso roteiro, três sambas de Sílvio Fernandes, o Brancura, histórico malandro carioca, de quem falamos na edição anterior. O primeiro é “Coração volúvel”, lançado pela Odeon em junho de 1929, disco 10399-A, matriz 2532, do qual também foi escalado o lado B, matriz 2531, “Mulher venenosa”, na faixa 3, ambas com acompanhamento da Orquestra Pan American de Simon Bountman. Antes dele virá “Você chorou”, subintitulado “Me admiro é você”, primeiro verso da letra, gravação Victor de 8 de julho de 1935 (ano do falecimento de Brancura), lançado em agosto seguinte com o número 33959-A, matriz 79968, e incluído na burleta teatral “Da Favela ao Catete”, de Freire Júnior. O acompanhamento é da Orquestra Diabos do Céu, formada e dirigida pelo mestre Pixinguinha.Voltando à Odeon, o samba “Olê-lê-ô”, da santíssima trindade Francisco Alves-Ismael Silva-Nílton Bastos, gravado em 27 de novembro de 1930 e lançado em janeiro de 31 para o carnaval, disco 10745-B, matriz 4068 (o lado A é “Nem é bom falar”, da nossa edição anterior). Ismael e Nílton faziam parte do grupo Bambas do Estácio, que acompanha Chico Alves neste registro. Neto da lendária Tia Ciata,  Bucy Moreira assina em parceria com Norival Reis, o Nazinho (ou Nozinho), o samba “Em uma linda tarde”, que Chico Alves gravou com os Diabos do Céu na Victor em 16 de abril de 1935, com lançamento em julho seguinte sob n.o 33946-B, matriz 79877. Autêntica raridade vem em seguida, o samba “Meu batalhão”, também da trindade Chico (acompanhado de seu “Esquadrão”)-Ismael Silva-Nílton Bastos, lançado pela Odeon em janeiro de 1931 para o carnaval com o n.o 10748-B, matriz 4091. E quem não conhece a marchinha junina “Pula a fogueira”? Só quem nunca foi numa festa junina... Da parceria Getúlio “Amor” Marinho-João Bastos Filho, foi imortalizada pelo Rei da Voz na Victor em 21 de maio de 1936, matriz 80163, com lançamento em julho seguinte (o que tem sua lógica, pois as festas juninas em algumas cidades costumam se estender até esse mês) sob n.o 34068-A. A marchinha “Você gosta de mim”, da parceria Francisco Alves-Ismael Silva, saiu pela Parlophon em dezembro de 1931, disco 13377-B, matriz 131307, visando o carnaval de 32. Outro clássico é o samba “Para me livrar do mal”, da parceria de Ismael Silva com Noel Rosa, imortalizado por Chico Alves na Odeon em 29 de junho de 1932, disco 10922-B, matriz 4467, e que ele também interpretou no segundo show da série “Broadway cocktail”, um espetáculo palco-tela encenado no recém-inaugurado Cine Broadway, do qual também participaram Cármen Miranda, Almirante e Noel. Destaque, na gravação, para o piano de Nonô (Romualdo Peixoto), tio dos cantores Cyro Monteiro e Cauby Peixoto. “Choro, sim”, samba de Ismael Silva sem parceiro, foi gravado por Chico na Victor com os Diabos do Céu em 21 de novembro de 1934, matriz 79784. Destinava-se ao carnaval de 1935,  segundo consta da edição, mas só foi para as lojas em julho desse ano, com o número 33946-B. Dando um salto no tempo, vem em seguida outro samba, “Cidade de São Sebastião”, de Wilson Batista e Nássara, gravação Odeon de 10 de julho de 1941, lançada em agosto do mesmo ano com o número 12028-A, matriz 6710, com acompanhamento da orquestra do maestro Fon-Fon (Otaviano Romero Monteiro, 1908-1951). A música fez parte do segundo espetáculo da série “Joujoux e Balangandãs”, levado à cena no Teatro Municipal do Rio, no qual a então primeira-dama da Nação, Darcy Vargas, convocava a alta-sociedade carioca a apresentar seus dotes artísticos no palco e demonstrar generosidade na bilheteria, em prol de suas obras assistenciais. Nele, “Cidade de São Sebastião” foi interpretado por Jenny Hime e Roberto Rocha. “Fica de lá” é de Ernâni Alvarenga, “o samba falado da Portela”, e este aqui destinou-se ao carnaval de 1939, lançado pela Odeon bem em cima da folia, em fevereiro, com o número 11700-A, tendo sido gravado em 16 de dezembro de 38, matriz 5995. Por fim, uma marcha natalina do mestre Ary Barroso em parceria com nosso Chico Alves, “Meu Natal”, da safra do Rei da Voz na Victor, com o devido apoio instrumental dos Diabos do Céu de Pixinguinha & Cia., gravada em 19 de outubro de 1934 e lançada, claro, em dezembro, com o número 33857-A, matriz 79762. Ela encerra, e com chave de ouro, esta retrospectiva que o GRB dedica ao imortal Francisco de Moraes Alves, e entrega com muita alegria aos amigos cultos, ocultos e associados do GRB. Até a próxima e obrigado pelo prestígio!

Texto de  SAMUEL MACHADO FILHO. 


segunda-feira, 8 de julho de 2013

Francisco Alves 1:2 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 61 (2013)


Vejam vocês, amigos cultos, ocultos e associados do TM: já estamos na sexagésima-primeira edição do Grand Record Brazil! Sinceramente, eu e o Augusto não esperávamos que a coisa fosse tão longe, o que muito devemos ao apoio e ao prestígio de vocês. Esta semana, apresentamos a primeira de duas partes de uma nova retrospectiva dedicada ao eterno Rei da Voz, Francisco de Moraes Alves.
Nascido no Rio de Janeiro em 19 de agosto de 1898 e tragicamente falecido em acidente automobilístico na Rodovia Presidente Dutra, na altura de Pindamonhangaba, SP (seu carro, um Buick, chocou-se com um caminhão que entrara na contramão, e se incendiou), em 27 de setembro de 1952, Francisco Alves deixou a maior discografia em 78 rpm da história de nossa música popular, e gravou somente nesse formato: foram 524 discos com 983 fonogramas! Uma carreira que começou em 1919, numa modesta gravadora de fundo de quintal, a Disco Popular, para a qual foi levado pelo compositor Sinhô. Em sua estreia, Chico gravou três músicas de Sinhô: a marchinha “O pé de anjo” (sucesso no carnaval de 1920) e os sambas “Fala, meu louro” e “Alivia estes olhos”. O cantor só teria nova oportunidade em disco na Odeon, em 1924, gravando quatro músicas, também carnavalescas, que não obtiveram êxito. E é a partir de 1927, com a implantação do sistema elétrico de gravação, substituindo o mecânico, que Chico Viola desponta de vez para a popularidade. Aliás, gravava na Odeon como Francisco Alves e na Parlophon, sua subsidiária, como Chico Viola. É na “marca do templo” que se passará quase toda a sua carreira fonográfica, com breves saídas para a RCA Victor (1934 a 1937) e para a Columbia, futura Continental (1939 a 1941).
Desta longa e vitoriosa trajetória de Chico Alves em disco, foram escaladas para este primeiro volume catorze joias de seu repertório. Abrindo-a, o samba “Me faz carinhos”, lançado pela Odeon em janeiro de 1928 para o carnaval, disco 10100-B, matriz 1480, dado como sendo de exclusiva autoria de Chico, mas que na verdade é de Ismael Silva, de quem o Rei da Voz o comprou (Ismael queria o dinheiro no ato, por necessidade imediata), e ele também o interpretaria na revista “Você quer é carinho”, encenada no Teatro Carlos Gomes. No acompanhamento, a Orquestra Pan American do Cassino Copacabana, dirigida pelo palestino Simon Bountman, e também conhecida como Orquestra Copacabana, Simão Nacional Orquestra e Orquestra Parlophon (tudo a mesma coisa...). A faixa 2 é “Não é isso que eu procuro”, outra parceria de Chico Alves com Ismael Silva,dedicada ao maestro Martinez Grau, lançada em setembro do mesmo ano com o número 10251-B, matriz 1876, tendo no acompanhamento a Orquestra Rio Artists. O cantor também interpretou esse samba em duas revistas encenadas no Teatro Carlos Gomes: “Eu quero é nota”, em dueto com Célia Zenatti, sua primeira mulher, e outra também chamada “Não é isso que eu procuro”. “Deixa essa mulher chorar” faz parte da antológica série de gravações que Chico fez em dupla com Mário Reis, datada de 9 de setembro de 1930 com lançamento em dezembro do mesmo ano, disco 10715-A, matriz 3969. Oficialmente o samba é de Sílvio Fernandes, o Brancura (c.1908-1935), malandro histórico do Estácio, que ganhou seu apelido por sua cor negra reluzente, mas segundo Bucy Moreira, era de Maciste da Mangueira, que deu parceria a Brancura. “Apanhando papel”, gravação de 30 de janeiro de 1931, lançada em março do mesmo ano com o número 10767-A, matriz 4124, é de Getúlio Marinho da Silva, o Amor (Salvador, BA, 1889-Rio de Janeiro, 1964) e Ubiratan da Silva. Foi escalado também o lado B, “Ironia”, do próprio Chico Alves em parceria com Ismael Silva e Nílton Bastos, matriz 4136. Nesse disco, o acompanhamento é dos Bambas do Estácio, e o bandolim é provavelmente do mestre Luperce Miranda. “Nem é bom falar”, que vem antes de “Ironia” em nossa seleção, é do mesmo trio de autores e com o mesmo acompanhamento, gravação de 27 de novembro de 1930, lançada em janeiro de 31 com o número 10755-A, matriz 4067, e um dos hits do carnaval desse ano. Ao ouvir o verso “Eu quero uma mulher bem nua”, durante apresentação do cantor na Rádio Sociedade, seu proprietário, Roquette Pinto, também pioneiro da radiodifusão no Brasil, comentou: “Todos nós queremos, mas não é preciso dizer”...  A santíssima trindade Chico Alves-Ismael Silva-Nílton Bastos também assina “É bom evitar”, samba lançado pela “marca do templo” em setembro de 1931 com o número 10837-A, matriz 4271. A marchinha “Gosto mas não é muito” saiu pela Parlophon em dezembro de 1931, com vistas ao carnaval de 32, com o número 13375-A, matriz 131302. É creditada a Francisco Alves e Ismael Silva, mas sua segunda parte foi composta por Noel Rosa, não creditado nem no disco nem na edição. Nessa época, o governo provisório de Getúlio Vargas admitia milhares de correligionários no serviço público, a ponto de, para brecar novos pedidos, em tempos de crise profunda, ser exigido dos postulantes requerimento estampilhado, com foto e selos, daí o verso “Traz o retrato e a estampilha”. Temos também o lado B, matriz 131308: “Amar”, samba do próprio Chico mais Ismael Silva e Nílton Bastos, este último não creditado na edição. Do Parlophon 13377, também lançado em dezembro de 1931 para o carnaval de 32, temos o lado A, matriz 131306: o samba “Sonhei”, do mesmo trio de autores da faixa anterior. Chico Alves e Ismael Silva assinam a faixa seguinte, o samba “Gandaia”, gravação Odeon de 23 de março de 1932, lançada em maio do mesmo ano, disco 10906-B, matriz 4420. Da parceria Noel Rosa-Ismael Silva é o samba “Ando cismado”, gravação de 27 de outubro de 1932, lançada em dezembro seguinte com o número 10936-A, matriz 4532. Para encerrar, duas faixas do período final de Chico Alves na Odeon, ambas canções visando as festas natalinas, e gravadas em 5 de dezembro de 1950, porém só lançadas um ano mais tarde, dezembro de 51, com o número 13198: “Sinos de Natal” (lado B, matriz 8877), de Victor Simon (autor dos clássicos “Bom dia, café” e “O vagabundo”) e Wilson Roberto, e a “Canção de Natal do Brasil”, parceria do próprio Rei da Voz com David Nasser e Felisberto Martins, na época diretor artístico da “marca do templo” (lado A, matriz 8876). Embora ainda estejamos longe do Natal, as faixas são apropriadas para encerrar a primeira parte deste nosso retrospecto. Semana que vem a gente se encontra com mais Chico Alves. Até lá!

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Januário E Luiz Gonzaga - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 60 (2013)


O Grand Record Brazil chega à sua sexagésima edição apresentando uma seleção musical com dois grandes nomes da cultura popular nordestina: Luiz Gonzaga e seu pai Januário.
Lavrador, sanfoneiro e consertador de sanfonas, Januário José dos Santos, autêntico rei dos oito baixos, nasceu em 25 de setembro de 1888, não se sabe se em Flores ou Pajeú das Flores, em Pernambuco. Adolescente, fugindo da seca, ele chegou, em 1905, à Fazenda Caiçara, nascente do Riacho da Brígida, a 12 quilômetros de Exu, na Serra do Araripe, bem na divisa Norte de Pernambuco com o Ceará, ao lado de seu irmão Pedro Anselmo. Era motivo de alegria e admiração para quem escutava a sua sanfona, sendo sempre respeitado por onde quer que passasse. Só falava o necessário e tinha grande entendimento intelectual, apesar de nunca ter sentado em um banco de escola. Além de exímio sanfoneiro, foi durante toda a vida um homem dedicado à família. Ao lado da primeira esposa, Dona Santana, soube muito bem educar seus nove filhos (Gonzagão foi o segundo) na tradição religiosa e no respeito humano.
O “Vovô do Baião” sempre amou seu querido Araripe. Prova disso é que, em 1960, com o falecimento de Dona Santana e já com os nove filhos radicados no Rio de Janeiro, ficou morando sozinho por lá de junho a novembro, quando contraiu segundas núpcias com Dona Maria Raimunda de Jesus. O novo casal adotou, em 1962, um bebê com três dias de nascido, e registrado como filho legítimo com o nome de João Batista Januário, ainda hoje residindo em Exu.
Grande exemplo de pai e bom vizinho, “seu” Januário partiu para a eternidade no dia 11 de junho de 1978, deixando imensa saudade em todos que o conheceram lá em Exu, apreciando suas performances sanfoneiras todo final de tarde. As tradições religiosas do município forma preservadas por muito tempo recebendo a colaboração do “Vovô do Baião”.
Já Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu, a 13 de dezembro de 1912, lá mesmo na Fazneda Caiçara, onde ele e seus irmãos foram criados, e ainda menino se interessou pelos oito baixos do pai, a quem ajudava na animação de forrós e festas. Aos 17 anos, saiu de casa e se alistou como voluntário no Exército, em Fortaleza, Ceará, e em 1930 rumou com seu batalhão de caçdores, o 22, para a Paraíba, agitada com a revolta de Princesa. Com a vitória de Getúlio Vargas, a tropa se desloca para Belém do Pará, Teresina, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, a fim de pacificar os resistentes. Corneteiro, recebeu em BH o apelido de “Bico de Aço”. E soprando a corneta seguiu para São Paulo, em 1932, no movimento constitucionalista, e para Mato Grosso, a fim de proteger nossa fronteira da Guerra do Chaco, entre Paraguai e Bolívia. Já em tempos mais clamos, Gonzagão serviu em Juiz de Fora e Ouro Fino, em Minas Gerais, e deu baixa em 1939, após dez anos de Exército (uma nova lei impedia o reengajamento além desse tempo). Em vez de voltar a sua Exu, resolve ficar no Rio de Janeiro, onde desembarcara na companhia de uma sanfona branca comprada em São Paulo pouco antes. Nas ruas, nos bares e no Mangue, passando o pires, apresentava um repertório bem ao gosto dos marinheiros e suas acompanhantes: tangos, boleros, valsas, canções, foxes. Certa noite, um grupo de universitários cearenses pede para ele tocar alguma coisa lá do Nordeste. Aí, Gonzagão tira da memória xaxados, cocos, xotes, xamegos, e é aí que alimenta o ideal de um dia tocar tudo isso para todo o povo do Sul. Inscreve-se no programa de calouros do temível Ary Barroso tocando seu xamego “Vira e mexe”, sendo aplaudidíssimo pela plateia e obtendo nota máxima! Em 1941, é levado à RCA Victor para acompanhar Genésio Arruda na gravação de “A viagem do Genésio”, e tem a oportunidade de tocar seu “Vira e mexe” para o diretor artístico, sendo de pronto escalado para gravar dois discos como acordeonista-solo: “Véspera de São João”/”Numa serenata” e “Saudades de São João del Rey”/”Vira e mexe”. A oportunidade de gravar como cantor só aparece em 1945, com “Dança, Mariquinha”, mazurca sua e de Miguel Lima. Em pouco tempo tornou-se ídolo nacional, de ponta a ponta, também como compositor, tendo parceiros expressívos: Miguel Lima, Humberto Teixeira, Zé Dantas, e sucessos sem conta, seja como autor, seja apenas como intérprete: “Baião”, “Asa branca”, 'Vozes da seca”, “Chofer de praça”, “Paraíba”, “Macapá”, “Lorota boa”, “Riacho do Navio”, “Boiadeiro”, “Cigarro de páia”, “Xanduzinha” e muitos, muitos mais. Com o aparecimento do rock e da bossa nova, Gonzagão ficou praticamente esquecido no Sul do País, sobretudo no eixo Rio-São Paulo, mas continuou a se apresentar pelo interior do Brasil, onde sempre teve grande público. Em 1968, o espertíssimo Carlos Imperial planta um boato de que o quarteto britânico The Beatles iria gravar “Asa branca”. Isso, claro, não aconteceu, mas chamou a atenção das novas gerações de então para sua obra, sendo então redescoberto e novamente experimentando o sucesso em discos e shows nos grandes centros urbanos, tendo inclusive se apresentado no exterior. O trono de Rei do Baião é e sempre será seu. Gonzagão morreu em 2 de agosto de 1989, no Recife, de osteoporose seguida de pneumonia (sofria também de câncer na próstata), deixando um legado imortal que até hoje influencia a MPB. Seu corpo foi sepultado, conforme seu desejo, ao lado de seus pais, em Exu.
Nesta edição do GRB, apresentamos uma seleção dedicada a Januário e Gonzagão, pai e filho, com oito fonogramas originais RCA Victor. Para começar, quatro gravações do mestre Januário, com participação expressiva dos filhos, inclusive, claro, Luiz Gonzaga: o xote dele mesmo “Januário vai tocar”, gravação de 3 de agosto de 1955, lançada em outubro do mesmo ano com o número 80-1498-A, matriz BE5VB-0823. No verso, matriz BE5VB-0824, o “Calango do Irineu”, também do próprio Januário, que apresentamos logo em seguida. Depois, as faixas do disco 80-1322, gravado em 18 de maio de 1954 e lançado em agosto: o baião “O balaio de Veremundo”, da parceria Luiz Gonzaga-Zé Dantas, espirituosa  alusão a um “coronel” da cidade pernambucana de Salgueiro, famosa por suas carnes de bode salgadas, e inventor da dança do balaio. Da mesma parceria é o lado B, matriz BE4VB-0456, outro baião: “Pronde tu vai. Luí?”, com solo vocal do próprio Gonzagão, “of course”. Completando este pequeno grande programa, quatro expressivas gravações de Gonzagão de seu início como cantor-solo. Na faixa seis, exatamente sua estreia nessa área, após 24 discos como solista de sanfona: a mazurca “Dança, Mariquinha”, gravada em 11 de abril de 1945 e lançada em maio seguinte, matriz S-078152. Luiz Gonzaga chegou a dizer ao então diretor artístico da RCA Victor, Vittorio Lattari, brincando, que a Odeon queria lançá-lo como cantor em disco. Mas Vittorio, claro, decidiu que ele ficaria na Victor, e perguntou: “Como é? Já tem repertório pra cantar?” Isso, claro, não faltava... Na faixa oito, o chamego “Penerô xerem”, chamego da parceria Luiz Gonzaga-Miguel Lima, gravação de 13 de junho de 1945, lançada em agosto do mesmo ano (80-0306-A, matriz S-078189). A 6 de setembro do mesmo ano, Gonzagão grava, de sua autoria mais Miguel Lima e J. Portela (o jota é de Jeová), outra mazurca de sucesso, “Cortando pano”, expressiva homenagem aos alfaiates, que a Victor lançara em novembro seguinte com o número 80-0344-B, matriz S-078283. Nessa época, quase todos os cantores brasileiros costumavam lançar músicas para o carnaval, pois, como então se dizia, eram “da fuzarca”. E mostrando o lado carnavalesco do Rei do Baião, foi escalada a faixa 7 desta nossa edição do GRB, a marcha-tarantela “Festa napolitana”, do compositor Sereno, para a folia de 1946, que a Victor lançou em janeiro desse ano, em gravação de 14 de novembro de 45, disco 80-0374-A, matriz S-078389. Enfim, uma pequena grande amostra que certamente irá agradar aos fãs de Luiz Gonzaga, de seu pai Januário e da boa música nordestina, deixando na boca aquele irresistível gostinho de quero-mais...

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO 

domingo, 30 de junho de 2013

Conjunto Mafasoli (1967)


Boa noite, amigos cultos e ocultos! Vocês sabem que eu sou um cara que adora 'invetar moda' e sempre que é preciso eu estou lá... Eu hoje encasquetei de postar um disco o qual não tinha a capa. Na verdade, a capa estava um lixo e eu até pensei em restaurar, mas diante ao trabalho, achei melhor criar uma outra. Acho que ficou até legal, porém quem vê e não conhece o artista, vai pensar que é algum disco de jazz. Mas, não se enganem, a coisa aqui está mais para Jovem Guarda. Bom, agora já está feito e pronto...
Temos aqui o Conjunto Mafasoli, ou melhor dizendo, Carlinhos Mafasoli. Um nome que indica uma dezena de discos gravados e participação em trabalhos de tantos outros artistas e edições. Porém, se formos procurar a sua biografia, ou mesmo algum dado artístico, vamos ficar na mão... Caramba, não há nada na rede sobre o Carlinhos Mafasoli, apenas seus velhos discos vendidos no Mercado Livre. Bom, do pouco que sei, este artista foi um músico atuante nos anos 50 e 60. Ele aparece em vários discos e dos mais variados gêneros tocando acordeon, sanfona, piano ou orgão. Seus lps não são trabalhos autorais, ao que tudo indica ele era apenas um instrumentista e intérprete. Neste álbum, lançado pelo selo Som Maior em 1967, vamos encontrá-lo pilotando um orgão, dedilhando os temas em voga na época. Um repertório misto, com músicas nacionais e internacionais, feito então para tentar agradar tanto os mais velhos quanto os mais moços. Os arranjos e regência são do maestro Portinho.

penny lane
coração de papel
puppet on a string
bus stop
tell the boys
there's a kind of hush
never, never
call me
funeral de um lavrador
this is my song
green grass
o bilhetinho


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Elvira Pagã - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 59 (2013)

E eis de volta o Grand Record Brazil, para alegria dos amigos cultos, ocultos e associados do TM. Nesta quinquagésima-oitava edição, estamos trazendo de volta, mais uma vez graças ao esforço do amigo e colecionador Beto de Oliveira, parcela substancial da carreira-solo de Elvira Pagã.
Nossa biografada, cujo nome de batismo era Elvira Olivieri Cozzolino, nasceu na cidade paulista de Itararé, divisa de São Paulo com o Paraná, no dia 6 de setembro de 1920. Ainda pequena, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde estudou num colégio de freiras, o Imaculada Conceição. Ainda estudante, organizava com a irmã, Rosina, inúmeras festas onde travariam inúmeras relações com o meio artístico da então Capital da República, sobretudo com os integrantes do Bando da Lua. Ainda na década de 1930, Rosina e Elvira atuaram em um espetáculo de inauguração do Cine Ipanema, ao lado dos Anjos do Inferno. Nessa ocasião receberam, de Heitor Beltrão, o apelido de Irmãs Pagãs (como a dupla ainda não tinha nome, Heitor a considerava “pagã”), que adotariam para o resto da vida.
As Irmãs Pagãs se apresentaram em inúmeras emissoras de rádio, como a Mayrink Veiga, e gravaram juntas um total de treze discos. Por quatro meses, excursionaram pela Argentina, Peru e Chile. Atuaram nos filmes  “Alô, alô, carnaval”(1935), “O bobo do rei”, “Cidade-mulher” (ambos de 1936), “Favela” (1939), “Laranja da China” (1940) e a produção argentina “Trés anclados em Paris” (1938).
A dupla encerrou-se em 1940, com o casamento de Elvira, e ambas passam a seguir carreiras independentes. Elvira Pagã tornou-se uma das maiores estrelas do teatro de revista, disputando com Luz del Fuego (Dora Vivacqua, Cachoeiro de Itapemirim, ES, 1917-Rio de Janeiro, 1967) o papel de destaque entre as mulheres brasileiras mais ousadas de seu tempo: foi a primeira a trajar biquini em Copacabana e, nos anos 1950, posou nua para uma foto, que distribuiu, vejam vocês, como cartão de Natal! Elvira foi também responsável direta por uma das tentativas de suicídio do compositor Assis Valente (ele cortou os pulsos, mas foi salvo), ao cobrar dele uma dívida escandalosa de 4.000 cruzeiros. Sua beleza e sensualidade lhe fizeram a fama (e lhe causaram até mesmo inúmeras prisões), tornado-a uma das “sex symbols” mais cobiçadas da época. Seu fã mais ardoroso era o perigosíssimo bandido Carne Seca, cuja cela na prisão estava abarrotada de fotos de Elvira, com destaque para uma na qual a vedete estava deitada sobre uma pele de onça, e onde se lia a dedicatória: “Para Carne Seca, um consolo de Elvira Pagã”.  Foi a primeira rainha do carnaval carioca – uma inovação nos festejos de Momo, que até hoje se mantém. No cinema, participou dos filmes “Carnaval no fogo” e “Dominó negro”, ambos de 1949, e “Aviso aos navegantes”, de 1950, também fazendo pontas em “Vegas nights” (1948) e “Écharpe de seda” (1950).
A partir dos anos 1970, passou a dedicar-se à pintura, adotando um estilo esotérico, mas não obteve muito destaque nessa atividade. Com a maturidade, Elvira foi se tornando misantropa e temperamental, evitando qualquer tipo de contato pessoal, principalmente com jornalistas e pesquisadores.
Elvira Pagã faleceu no Rio de Janeiro, em 8 de maio de 2003, fato este só divulgado três meses depois pela irmã, Rosina, então residindo nos EUA.
Como cantora-solo, Elvira gravou, em 78 rpm, doze discos com vinte e três músicas, onze delas de sua própria autoria (sendo a primeira delas o samba-jongo “Batuca daqui, batuca de lá”), entre 1944 e 1959. Desta produção, o GRB apresenta 16 preciosíssimos fonogramas. Para começar, as músicas de seu disco de estreia como solista, o Continental 15174, lançado em junho de 1944, apresentado os sambas “Arrastando o pé”, de Peterpan e Afonso Teixeira, matriz 829, e “Samburá”, de Gadé e Walfrido Silva, matriz 830. Em seguida,, os sambas de seu terceiro disco, também na então “marca dos três sininhos”, lançado em junho de 45 sob número 15353: “Na Feira do Cais Dourado”, de Nélson Teixeira e Nélson Trigueiro, matriz 1112, e “Um ranchinho na lua”, de Babi de Oliveira, matriz 1111. Em dezembro de 1949, Elvira lança pela Star, para o carnaval de 50, disco 169, duas composições de Sebastião Gomes e Nélson Teixeira: a “Marcha do ré” e o samba “Sangue e areia”. Ainda de 1950, apresentamos o disco Star 217, com o baião “Vamos pescar”, da própria Elvira mais Valentim, e o baião “Sururu de capote”, de José Cunha e Ramiro Guará, referência a uma iguaria gastronômica muito apreciada em Alagoas, em que o sururu, um molusco, é cozido ainda dentro da concha com leite de coco, tomate, cheiro verde e outros temperos. Depois, retira-se o caldo e serve-se o sururu, tanto como petisco como refeição, acompanhado de muita pimenta, pirão e purê de macaxeira (“Sururu de capote” deu título até mesmo a uma música do alagoano Djavan, por ele gravada em seu primeiro álbum, e à banda que o acompanhava em seus shows).
Para a folia de 1951, Elvira lança sob o selo Carnaval, da Star, disco 038, a marchinha “A rainha da mata”, dela própria com Valentim (referência direta à sua eleição para rainha do carnaval carioca, a primeira de longa dinastia) e o samba “Pau rolou”, de Sátiro de Melo e Manoel Moreira. Ainda em 51, a mesma Star lança, com o número 269, duas composições da própria Elvira: no lado A, o samba ”Cassetete, não!”, sem parceiro, ironizando os maus-tratos por ela sofridos em uma delegacia depois de uma de suas muitas passagens pela polícia, dada sua postura, então considerada imoral e agressiva por muitos. A música fez tanto sucesso que era cantada por travestis, que sofriam (como ainda hoje sofrem) perseguições policiais. Os “travecos”, quando davam as caras com os homens da lei, cantavam a música imitando os trejeitos de Elvira! No verso desse disco, apareceu o baião “Saudade que vive em mim”, parceria dela com Valentim.
 Apresentamos depois as músicas do único 78 de Elvira Pagã no selo Ritmos, para o carnaval de 1956, número 20-0060, com duas composições próprias: a marchinha “Marreta o bombo” e o samba “Condenada”. Por fim, as músicas de seu penúltimo disco, o Marajoara MA-10009, para o carnaval de 1959, também da própria Elvira: a marchinha “Papel pintado”, matriz M-17, com parceria de Orlando Gazzaneo, e o samba “Você partiu”. Matriz M-18, que ela fez com Airão Reis e Nélson de Oliveira. Enfim, é com muita alegria que apresentamos esta retrospectiva de Elvira Pagã, e quem tiver as cinco músicas que ainda faltam para completar sua discografia-solo, entre em contato com o amigo Beto pelo email: betodec39@yahoo.com.br, que ele está no aguardo!

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Linda Rodrigues 3 1/2 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 58 (2013)


Como vocês bem se recordam, os três últimos volumes do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil apresentaram a discografia quase completa em 78 rpm da cantora Linda Rodrigues, fruto de esforçadíssimo trabalho do nosso amigo e colaborador Alberto de Oliveira. Pois bem: para este último volume, reservamos uma surpresa bastante agradável: as cinco gravações de Linda que faltavam! Afinal, quem deve tem que pagar, e só agora é que o Beto conseguiu essas faixas, porém nunca é tarde, não é mesmo? Portanto, é com muita alegria que completamos a coleção de Linda Rodrigues em 78 rpm com estas cinco faixas: “Enxugue as lágrimas”, samba lançado em janeiro de 1945, de Elpídio Viana e Carneiro da Silva, lado A do primeiro disco da cantora, o Continental 15222, matriz 892; “Os dias que lhe dei”, samba-canção de Newton Teixeira e Ayrton Amorim, lado A do disco Star 243, de 1951; “De mão em mão”, samba de Lecinho e Jaú, lançado também pela Star em dezembro de 1951 para o carnaval de 52 (disco 308-B); “Fique em casa”, samba-canção de Raymundo Olavo e Benê Alexandre, lançado em abril de 1954 (disco 16944-A, matriz C-3327); e “Chorar pra quê?”, samba de Aldacir Louro e Silva Jr., gravado na RCA Victor em 9 de outubro de 1957, com lançamento em janeiro de 58 para o carnaval (disco 80-1901-A, matriz 13-H2PB-0265). E, como complemento, apresentamos uma das últimas gravações da cantora: o samba-canção “Maldade”, extraída do primeiro dos dois compactos simples por ela gravados em esquema de produção independente. Aliás, o Beto conseguiu essa faixa graças a uma sugestão que dei a ele: o Beto viu no canal do MC Paulinho, no YouTube, um vídeo com essa gravação, e sugeri a ele que baixasse o vídeo, convertendo o áudio para mp3. Deu certo, como vocês ouvirão. Enfim, serviço completo para nossos amigos cultos, ocultos e associados! Afinal, quem espera sempre alcança... Lembrando que as músicas “Parceiro de Schubert” e “Escrava Isaura”, que revivemos no primeiro volume desta retrospectiva, são de Paulo Marques e Aylce Chaves, sendo que na “Isaura” eles têm Napoleão Alves como parceiro. Até a próxima, pessoal!

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO 


segunda-feira, 10 de junho de 2013

Linda Rodrigues 3 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 57 (2013)

E chegamos, nesta edição do Grand Record Brazil, a de número 57, à terceira e última parte da retrospectiva por nós dedicada à cantora e compositora Linda Rodrigues. E, de acordo com reportagem publicada pela “Revista do Rádio” em 1963, Linda era mesmo carioca, do bairro da Tijuca. Formou-se em enfermagem pela Escola Ana Nery, atendendo a um pedido de sua mãe, mas jamais exerceu a profissão. Linda se apresentou artisticamente como cantora pela primeira vez em 1935, na Rádio Transmissora carioca, sob a orientação de Renato Murce, atuando com outros futuros astros da MPB e então também amadores como ela: Emilinha Borba, Ciro Monteiro, Orlando Silva e Odete Amaral. Linda atuou dois anos na Rádio Clube do Pará, em Belém, cidade onde também iniciou seus estudos de enfermagem, e ao regressar a seu Rio de Janeiro natal, cantou na Rádio Cruzeiro do Sul. Em 1939, fez sua primeira viagem artística, atuando na Feira de Amostras do Recife (PE), e também passou dois meses na Bahia. Voltando ao Rio, foi contratada pela lendária Rádio Nacional. Também atuou em São Paulo, na PRG-2, Rádio Tupi (então “a mais poderosa emissora paulista”) e em shows, no ano de 1940. De volta a seu Rio natal, foi contratada para cantar nos cassinos da Urca e Icaraí. Em 1943, Linda transfere-se para a PRG-3, Rádio Tupi do Rio (“o cacique do ar”) e troca a Urca pelo Cassino Atlântico. Volta mais tarde ao Icaraí, onde fica até a proibição do jogo no Brasil, em 1946. De 1945 a 1957, com uma interrupção durante um período em que adoecera, Linda atuou na Rádio Mayrink Veiga, para a qual voltou em 1962, desta feita ficando um ano, transferindo-se para a Rádio Mauá, onde encerrou sua trajetória radiofônica.
E é com este volume que encerramos o retrospecto da carreira de Linda Rodrigues em disco, iniciada, como vocês bem se lembram, em 1945. Desta feita, apresentamos 13 preciosas e históricas gravações. Abrindo nossa seleção da semana, as faixas de seu segundo 78 rpm na RCA Victor, n.o 80-1798, gravado em 21 de março de 1957 e lançado em junho seguinte, ambas sambas-canções: “Pianista”, de Irany de Oliveira e Ari Monteiro, matriz 13-H2PB-0067 (curiosamente regravado por Cauby Peixoto em 1989), “Comentário barato”, de autoria do violonista Jayme Florence, o Meira dos regionais, e J. Santos, matriz 13-H2PB-0068. De seu terceiro disco na marca do cachorrinho Nipper, destinado ao carnaval de 1958, n.o 80-1901, apresentamos o lado B, o samba “Quando o sol raiar”, de Mirabeau Pinheiro (também co-autor dos clássicos “Cachaça”, “Jarro da saudade” e “Tem nêgo bebo aí”, entre outras), Sebastião Mota e Urgel de Castro. Gravado em 9 de outubro de 1957 e lançado em janeiro de 58, matriz 13-H2PB-0272, também fez parte do LP coletivo “Carnaval RCA Victor – volume 1” (não esquecendo de que esta era uma época de transição de formatos, do 78 para o vinil, que desbancou de vez a quebradiça bolacha de cera em 1964). A 28 de janeiro de 1958, Linda grava “Sereno no samba”, de Aldacir Louro  e Dora Lopes, matriz 13-J2PB-0345, e, fiel à dor-de-cotovelo que era sua especialidade, um bolero dela mesma em parceria com o mesmo Aldacir, “Nada me falta”, matriz 13-J2PB-0346. Gravações estas que foram para as lojas em abril do mesmo ano com o n.o 80-1935.  Já para o carnaval de 1959, a primeiro de outubro de 58, Linda Rodrigues grava duas composições próprias com parceiros: o samba “Tem areia” (com José Batista), matriz 13-J2PB-0499, e a “Marcha da folia” (com Aldacir Louro e Silva Júnior), matriz 13-J2PB-0500, lançadas um mês antes da folia, em janeiro, com o n.o 80-2025. Em 27 de janeiro de 1959, Linda grava seu último disco na RCA Victor, n.o 80-2054, lançado em abril seguinte. Abrindo-o, um bolero que fez com Aldacir Louro, “Meu romance”, matriz 13-K2PB-0577 (regravado por Francisco Carlos em 1985). No verso, matriz 13-K2PB-0578, o samba-canção “Mesa discreta”, de Elias Cortes. Em seguida, por causa de mudanças na direção artística da RCA Victor, Linda Rodrigues teve rescindido seu contrato com a empresa. Um ano mais tarde, lança seus dois últimos 78 rpm, pela Chantecler: em agosto, sai o disco 78-0297, que abre com o clássico samba-canção “Negue”, de Adelino Moreira em parceria com o radialista Enzo de Almeida Passos (criador dos programas “Telefone pedindo bis” e “A grande parada Brasil”), matriz C8P-593, lançado em janeiro do mesmo ano por Roberto Vidal e inúmeras vezes regravado (em 1978, Maria Bethânia o reviveu com sucesso em seu LP “Álibi”). No verso, matriz C8P-594, um samba-canção da própria Linda mais um certo Castelo: “Tenho moral”. E, em novembro de 1960, sai o disco 78-0357, que abre com o samba-canção “Companheiras da noite”, dela mesma com Aylce Chaves e William Duba, matriz C8P-713, e no verso, matriz C8P-714, apareceu a segunda gravação que fez para o clássico “Lama”, de Paulo Marques e Aylce Chaves. “Companheiras da noite”, por sinal, deu título àquele que, ao que parece, seria seu único LP gravado (Chantecler CMG-2119), editado em 1961, e no qual as três outras faixas que gravou na “marca do galinho madrugador” também apareceram, sendo a regravação de “Lama” a faixa de abertura. Enfim, é com muita satisfação e a alegria do dever cumprido, que encerramos esta retrospectiva que o GRB dedicou a Linda Rodrigues, agradecendo a imprescindível colaboração do amigo Alberto Oliveira. Como percebem vocês, um esforço que valeu a pena, e muito!

*Texto de Samuel Machado Filho 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Linda Rodrigues 2 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 56 (2013)


Em sua quinquagésima-sexta edição, o meu, o seu, o nosso Grand Record Brazil apresenta a segunda de três partes que resgatam parcela substancial do legado da cantora Linda Rodrigues, uma personagem tão fascinante quanto misteriosa da história de nossa música popular. Ninguém sabe por que razão pouco ou nada se sabe a respeito desta talentosa cantora-compositora. Mas o GRB aqui está para oferecer tudo o que foi possível reunir das gravações de Linda em 78 rpm, por iniciativa do amigo e colaborador Alberto Oliveira.
Nesta segunda parte de nosso retrospecto, oferecemos vinte preciosos fonogramas de Linda. Abrindo-a, o bolero “Nossos caminhos”, de Ayrton Amorim e Nogueira Xavier, gravado na Continental em 10 de abril de 1952 e lançado em maio-junho seguintes, matriz C-2840, o lado B do disco 16559 (cujo lado A, o clássico “Lama”, encerrou nosso volume anterior). Na sequência, os dois lados do Continental 16742,  lançado em maio-junho de 1953: os sambas-canções, ambos de Paulo Marques, “Fui amigo”(parceria de David Barcelos, matriz C-3065) e “Mesa de bar” (parceria da notável Dora Lopes, matriz C-3066). No Continental 16822, lançado em setembro-outubro de 1953, Linda interpreta o fox “O homem que eu amo”, matriz C-3178, versão de Mayu Atty (quem seria?) para o standard americano “The man I love”, dos irmãos Ira e George Gershwin, publicado em 1927 e desde então muito gravado, e o samba-canção “Flor do lodo”, de Ary Mesquita, matriz C-3179, cuja gravação original saiu em março do mesmo ano, na interpretação da já veterana Aracy Cortes. Em seguida, vêm duas músicas que Linda gravou na Sinter para o carnaval de 1953, e lançadas em janeiro desse ano com o número 00-00.182: o samba “Sombra e água fresca”, de Ruço do Pandeiro e Geraldo Mendonça, matriz S-391, e a marchinha “Bambeio mas não caio”, de seus inseparáveis amigos e parceiros Paulo Marques e Aylce Chaves, mais a vedete Elvira Pagã, que formou dupla de sucesso com a irmã Rosina (eram as famosas Irmãs Pagãs), matriz S-392.  Vem mais carnaval em seguida, agora o de 1954, no Continental 16888, lançado em janeiro desse ano: o samba “Sereno cai”, de Raul Sampaio (cantor e compositor que integrou a terceira formação do Trio de Ouro, ao lado de seu fundador, Herivelto Martins, e de Lourdinha Bittencourt) em parceria com Ricardo Galeno, matriz C-3224, e a marchinha “Tá tão bom”, assinada por um trio chamado Os Três Amigos (quem seriam?), matriz C-3223. Do Continental 16944, lançado em abril de 1954, apresentamos o lado B, o samba-canção “Farrapo de calçada”, matriz C-3328, composição da própria Linda Rodrigues sem parceria, mais tarde regravado pelo cantor Roberto Muller. Em seguida, as duas faixas do Continental 17058, lançado em janeiro de 1955, ambas sambas-canções. Abrindo-o, “Ninguém me compreende”, matriz C-3456, de autoria de Peterpan (José Fernandes de Almeida, Maceió, AL, 1911-Rio de Janeiro, 1983). Autor de clássicos como “Última inspiração”, “Se queres saber” e “Fita meus olhos”, Peterpan era cunhado da cantora Emilinha Borba, que, curiosamente, regravaria “Ninguém me compreende” em 2003, em seu último disco, o CD independente “Emilinha pinta e Borba”. No verso, matriz C-3457, outro hit de Linda Rodrigues, por ela composto em parceria com José Braga, “Vício”, regravado em 1980 por Cármen Costa. Depois temos os dois lados do Continental 17158, gravado em 18 de março de 1955 e lançado em outubro do mesmo ano. Abrindo-o, matriz C-3604, o samba “Olha no espelho”, da dupla Zé e Zilda (José Gonçalves, o Zé da Zilda, havia falecido em outubro de 1954, de AVC). No verso, matriz C-3606, o fox “Aquilo que eu vejo”, de Vicente Paiva e Chianca de Garcia, amigos e colegas desde os tempos do Cassino da Urca. Para o carnaval de 1956, Linda Rodrigues grava na Todamérica, a 18 de outubro de 55, com lançamento ainda em novembro sob número TA-5591, a marchinha “Rico é gente bem”, de Ari Monteiro, A  Rebelo e J. Rupp, matriz TA-889, e o samba 'Folha de papel”, também de Ari Monteiro em parceria com Paulo Marques e Sávio Barcelos, matriz TA-890. Linda despediu-se de vez da Continental com o disco 17279, editado em abril-maio de 1956. De um lado, um samba-canção dela própria em parceria com Aylce Chaves, “Farrapo humano”, matriz C-3796, certamente inspirado no filme americano de mesmo nome (no original, “The lost weekend”), de 1945, produzido pela Paramount e estrelado por Ray Milland. No verso, matriz C-3797, um samba de Noel Rosa (1910-1937) em parceria com Henrique Brito, seu companheiro no Bando de Tangarás, “Queimei teu retrato”, até então inédito em disco e cujo ano de composição é ignorado. Para finalizar, apresentamos as faixas do disco de estreia da cantora na RCA Victor, número 80-1705, gravado em 13 de setembro de 1956 e lançado em novembro seguinte, visando o carnaval de 57, ambas marchinhas: “A dona da casa”, de Arnô Canegal (Rio de Janeiro, 1915-idem, 1986) e uma certa Dina, matriz BE6VB-1301, e “Barca da Cantareira”, de Arnaldo Ferreira e J. Rupp, matriz BE6VB-1302. A barca do título fazia na época o trajeto do Rio de Janeiro a Niterói, antes da construção da ponte fixa. Das duas faixas, “A dona da casa” foi a única a chegar também ao LP, no álbum coletivo “Carnaval RCA Victor”. Na próxima semana, encerraremos esta nossa retrospectiva dedicada a Linda Rodrigues. Até lá!


*Texto de SAMUEL MACHADO FILHO 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Cyro Monteiro - 100 Anos - Coletânea Comemorativa Toque Musical (2013)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Ontem, dia 28, eu por descuido, deixei passar em branco a comemoração de centenário de Cyro Monteiro. Se estivesse vivo, estaria completando 100 anos. Como foi dito por alguns, nesta data poucos foram aqueles que lembraram do grande artista. Afinal, Cyro Monteiro não foi apenas mais um cantor de samba. Muito aliás, foi cantor e compositor. Teve uma atuação marcante na música popular brasileira, sendo responsável por inúmeros sambas de sucessos, que se tornaram clássicos.
Para celebrar este centenário, montei aqui agora, meio às pressas, essa coletânea, trazendo doze momentos ainda da fase do bolachão. Cyro Monteiro até merecia mais, uma coletânea de peso, equivalente a um álbum triplo. Mas para que tenhamos em outras oportunidades novas postagens com o artista, vou limitando a seleção, que por certo irá agradar. Vamos conferir?

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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Linda Rodrigues - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 55 (2013)

Esta semana, o Grand Record Brazil, em sua edição de número 55, apresenta a primeira parte, de uma série de três, em que iremos focalizar o trabalho de uma cantora excelente, que teve sua época, mas que infelizmente foi esquecida com o passar do tempo. Refiro-me a Linda Rodrigues.
Nossa focalizada recebeu, na pia batismal, o nome de Sophia Gervasoni, e veio ao mundo no dia 11 de agosto de 1919, provavelmente no Estado do Rio de Janeiro. Embora seu primeiro disco tenha sido lançado para o carnaval de 1945, pela Continental, Linda Rodrigues é considerada uma das intérpretes da música popular brasileira que melhor representa e celebra a chamada dor-de-cotovelo. Linda também foi compositora, e fez trabalhos para outros artistas, em parceria com nomes do quilate de J. Piedade e Aylce Chaves, entre outros. Sua discografia, além da Continental,  inclui passagens pelos selos Star, Carnaval, Sinter, Todamérica, RCA Victor e Chantecler. Nesta última, em 1961, lançou aquele que parece ter sido seu único LP, “Companheiras da noite”. Seu maior sucesso foi o samba-canção “Lama”, de Paulo Marques e Aylce Chaves (que está neste volume), e outros hits da cantora foram os sambas-canções “Vício”, dela própria com José Batista, e “Negue”, clássico de Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos, que apresentaremos nos próximos volumes deste nosso retrospecto. Em 78 rpm, Linda gravou um total de 30 discos com 59 fonogramas, além do LP já mencionado, e alguns compactos de produção independente, e faleceu no Rio de Janeiro, em 16 de novembro de 1995, aos 76 anos, de infecção pulmonar e problemas cardíacos (miocardiopatia e arritmia).
Neste primeiro volume que o GRB dedica a Linda Rodrigues, apresentamos 21 preciosos fonogramas, correspondentes aos primeiros anos de sua carreira. Trabalho esse resultante do esforço do amigo e colaborador Alberto Oliveira, que reuniu as gravações de Linda em 78 rpm que iremos apresentar nestes 3 volumes. Ficaram faltando cinco delas, mas o esforço dele valeu a pena, como vocês irão constatar.
De seu 78 de estreia, o Continental 15222, lançado em janeiro de 1945 para o carnaval, está o lado B, o samba “Abaixo do nível”, de Alvaiade e Odaurico Mota, matriz 893. O disco seguinte, o Continental 15280, lançado em março de 1945, vem com as duas faixas, também sambas: “Você não sabe amar”, de João Bastos Filho e Antônio Amaral, matriz 1028, e “...E Odete não voltou”, de Paquito e José Marcílio, matriz 1027. Em setembro de 1945, saíram mais dois sambas, no disco 15423: “Arma perigosa”, de Paquito e Paulo da Portela, matriz 1136, e “Cantora de samba”, de Amado Régis, matriz 1137. Para o carnaval de 1946, Linda lança quatro músicas, todas aqui incluídas: no Continental 15554, lançado ainda em dezembro de 45, o samba “Sublime perdão”, de Amado Régis, matriz 1315, e a marchinha “Quando a gente fica velho”, matriz 1316, dela própria com Aylce Chaves e o mesmo Amado Régis que assina a música do lado ª Em janeiro de 46 sai o disco 15585, com a marchinha “Atchim!”, de J.Piedade e Príncipe Pretinho, matriz 1381, e o samba “Claudionor”, de Cândido Moura e Miguel Baúso, matriz 1382. Em março de 1946, Linda lança o samba “Não adianta chorar”, de Ari Monteiro e Felisberto Martins, no Continental 15591-A, matriz 1399 (o outro lado é com Emilinha Borba, apresentando a batucada “Ai, Luzia!”, de Guaraná e Jararaca). Em junho de 1946, no Continental 15644, saem dois sambas de Paquito (Francisco da Silva Fárrea Júnior, 1915-1975), consagrado compositor de sucessos carnavalescos: “Banco de jardim”, parceria dele com Dorival Aires e Jaime de Souza, matriz 1444, e “Banco de praça”, que ele assina junto com Carlos de Souza e João Bastos Filho, matriz 1443. A primeiro de julho de 1948, Linda grava a rumba “Jack, Jack, Jack”, de Haroldo Barbosa e Armando Castro, matriz 1900, e o samba “Mais um amor, mais uma desilusão”, de José Maria de Abreu, matriz 1901, que a Continental irá lançar para seu suplemento de julho a setembro desse ano, com o número 15926. A marchinha “Parceiro de Schubert” e o samba “A escrava Isaura” saíram pela Star, para o carnaval de 1948, disco 0009, que não consta nem mesmo na Discografia Brasileira em 78 rpm, e eu próprio não encontrei informações a respeito de quem seriam seus autores, quem souber favor informar pra gente. Para a folia de 1951, Linda grava o disco Carnaval 008, com o samba  “Vou partir”, de Aylce Chaves e Paulo Gesta, e a batucada “Batuqueiro novo”, de Tancredo Silva, Rual Marques e José Alcides. Do disco Star 243, também de 1951, vem o lado B, o samba africano “Raça negra”, também de Aylce Chaves e Paulo Gesta. Por essa mesma gravadora, futura Copacabana, Linda lança, para o carnaval de 1952, e ainda em dezembro de 51, o disco 308, do qual apresentamos o lado A, a marchinha “Recruta 23” (referência a programa humorístico da Rádio Mayrink Veiga do Rio de Janeiro, então grande rival da poderosa Nacional, e de grande audiência na época), de autoria do radialista, compositor e pianista  Aloysio Silva Araújo e do comediante Zé Trindade (aquele do bordão “Mulheres, cheguei!”). Por fim, encerrando esta primeira parte, apresentamos aquele que foi o maior sucesso da carreira de Linda Rodrigues: o samba-canção “Lama”, de Paulo Marques e Aylce Chaves, regravado mais tarde por Ângela Maria e Maria Bethânia, entre outros intérpretes, e até hoje um clássico. Linda o imortalizou na Continental em 10 de abril de 1952, com lançamento em maio-junho do mesmo ano sob número 16559-A, matriz C-2839. Um fecho realmente de ouro para a primeira parte desta nossa retrospectiva a respeito de Linda Rodrigues. Até a próxima!

TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Jacob Do Bandolim 7 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 54 (2013)

E chegamos à edição número 54 do Grand Record Brazil. Uma trajetória muito boa, mas certamente iremos muito além, graças a vocês, nossos amigos cultos, ocultos e associados que tanto nos prestigiam. Aqui, encerramos a nossa retrospectiva dedicada ao mestre Jacob do Bandolim, apresentando mais preciosos fragmentos extraídos de suas apresentações radiofônicas.
Nas primeiras faixas, apresentamos excertos de uma apresentação feita por Jacob na Rádio Bandeirantes de São Paulo, então conhecida como “a mais popular emissora paulista”, no ano de 1962, quando a emissora funcionava em um prédio da Rua Paula Souza, zona cerealista da capital bandeirante, com apresentação de um importantíssimo nome da radiofonia paulistana, Moraes Sarmento. Abrindo o programa, a clássica valsa “Revendo o passado”, de Freire Júnior, cuja primeira gravação, apenas instrumental, surgiu em 1926, a cargo da Banda da Casa Edison. Em 1933, surgiu o primeiro registro cantado, na voz de Augusto Calheiros (“a patativa do Norte”). Tem várias outras gravações, e é lembrada até hoje. Depois vem o choro “Ingênuo”, que, segundo o próprio Pixinguinha, era, de todas as músicas que compôs, a que mais admirava. Sua primeira gravação surgiu em 1947, num daqueles famosos duetos entre o sax do mestre Pizindim e a flauta de Benedito Lacerda (que entrou como co-autor por conta de um acordo comercial que havia entre ambos). Peça inclusive regravada pelo próprio Jacob, em 1967, no álbum “Vibrações”. Logo depois, Moraes Sarmento lê trechos da resposta de Jacob a uma carta de 19 (!) páginas, enviada a Jacob em 1968 (na qual ele é até chamado de driblador de enfartes), lamentando o descaso das rádios, televisões e gravadoras a seu trabalho e a de outros de sua geração que ainda estavam vivos. Revela, inclusive, que a RCA havia preparado os LPs-coletâneas “Era de ouro” e “Assanhado” na época em que sofreu um enfarte (março de 1967), e pretendia lançá-los tão logo o mago do bandolim falecesse, o que só aconteceria dois anos mais tarde (os álbuns, claro, saíram ainda em vida do mestre). E, claro, agradece a todos os que então o prestigiavam, e que ainda o estimulavam a permanecer na ativa. Lembrava que numa entrevista dada ao jornal “O Tempo”, de São Paulo, em 1953-54, o choro acabaria em 10 anos. Ele parecia ter acertado, pois, de fato, o choro teve momentos de decadência, mas ainda hoje permanece vivíssimo, e felizmente o mago do bandolim errou esta profecia.
Voltaremos em seguida a 1946, mais precisamente aos tempos em que o grande Almirante apresentava o programa “Pessoal da velha guarda”, na Rádio Tupi do Rio de Janeiro (“o cacique do ar”). Aqui, Jacob interpreta dois choros de sua autoria, muitíssimo bem apoiado pelo regional de Benedito Lacerda mais o sax de Pixinguinha: “Remelexo” e “Treme-treme”, por ele lançados, respectivamente, em 1948 e 1947, na Continental. Jacob, claro, também passou pela lendária Rádio Nacional, e, acompanhado pela orquestra da emissora, apresenta, de Hervê Cordovil (mineiro de Viçosa e autor de clássicos como “Cabeça inchada”, “Sabiá na gaiola” e “Rua Augusta”), a “Valsa simples”, ao que parece jamais levada a disco comercial.
Logo depois, apresentamos participações do bandolim do mestre Jacob em gravações marcantes e expressivas, todas da RCA Victor. A primeira é a que Dorival Caymmi fez para seu clássico samba-canção “Marina”, em 11 de julho de 1947, com lançamento em agosto seguinte sob n.o 80-0536-A, matriz S-078762. “Marina” foi uma coqueluche na época, e recebeu três gravações anteriores nesse mesmo ano: Francisco Alves (Odeon), Dick Farney (Continental, tida como a de maior êxito) e Nélson Gonçalves (também na RCA Victor). O clássico choro “Doce de coco”, lançado pelo próprio Jacob em 1951, aqui aparece cantado por Isaura Garcia, “a personalíssima”, com letra do mestre caipira João Pacífico, gravada na marca do cachorrinho Nipper em 10 de setembro de 1954, com lançamento em dezembro seguinte, disco 80-1389-A, matriz BE4VB-0571. Porém, a letra mais conhecida feita para “Doce de coco” é a de Hermínio Bello de Carvalho, por certo posterior a esta aqui. No outro lado, matriz BE4VB-0572, Isaurinha canta o samba “Sou paulista”, de Jayme Florence (o violonista Meira dos regionais) e Augusto Mesquita, também responsáveis pelo clássico “Molambo”. Depois vem a regravação feita por Luiz Gonzaga para seu primeiro grande sucesso como solista de sanfona: o “xamego” Vira e mexe”, feita em 5 de janeiro de 1950 e lançada em março seguinte. O disco (34748-B) e a matriz (52155) receberam os mesmíssimos números do original, que é datado de 1941. A matriz de cera teve tantas cópias prensadas que ficou totalmente inutilizada, o que obrigou Gonzagão a fazer este novo registro, agora com o reforço do bandolim do grande Jacob. A diferença é que, no original, o lado A tinha a valsa “Saudades de São João del Rei”, e aqui, a faixa que acompanha “Vira e mexe” é o baião “Qui nem jiló”, do próprio Gonzagão e Humberto Teixeira.
Para finalizar, apresentamos trechos do programa “Jacob e seus discos de ouro”, da Rádio Nacional, o último que fez em vida, gravado exatamente um dia antes de seu falecimento, 12 de agosto de 1969, e que seria apresentado no dia 15, o que evidentemente não aconteceu. A apresentação é feita pela Voz da América, emissora sediada na capital dos EUA, Washington, dentro do programa “Galeria musical da América”. É com essa apresentação que encerramos esta retrospectiva do GRB dedicada a Jacob do Bandolim, um mestre das cordas como poucos, e cuja saudade ainda dói na gente!

TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO 



segunda-feira, 15 de abril de 2013

Jacob Do Bandolim 6 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 53 (2013)

E aqui vamos nós com a edição de número 53 do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil, a sexta dedicada ao mago do bandolim, mestre Jacob Pick Bittencourt. Desta feita, apresentamos uma seleção de 14 fonogramas preciosos, extraídos de acetatos radiofônicos. O início da gloriosa carreira do mestre foi justamente como calouro no “Programa dos novos”, da Rádio Guanabara, em 1934. Sem pretensões profissionais, alcançou a nota máxima, disputando com 28 concorrentes, e ainda com um júri do qual faziam parte Orestes Barbosa, Francisco Alves e Benedito Lacerda, entre outros. Na mesma emissora, formou o grupo Jacob e sua Gente, revezando-se com o Gente do Morro, de Benedito Lacerda, no acompanhamento dos grandes astros da época (Noel Rosa, Lamartine Babo, Ataulfo Alves, Augusto Calheiros...). Com o sucesso obtido na Guanabara, o mestre Jacob passa a ser presença constante em programas radiofônicos, tocando, em troca de cachê , nas rádios Cajuti, Fluminense, Transmissora, Mayrink Veiga (onde atuava no programa de Ademar Casé, avô da Regina) e Ipanema, depois Mauá, sendo nesta última que Jacob ganhou um programa só seu.                                                                                                                                                         
Bem, senhores ouvintes, a PR-GRB tem o prazer de apresentar esta seleção dos melhores momentos das audições radiofônicas de Jacob do Bandolim. Para começar, temos o choro “Dengoso”, de autoria de João Pernambuco (João Teixeira Guimarães, Jatobá, hoje Petrolândia, PE, 1883-Rio de Janeiro, 1947), gravado originalmente por ele mesmo em solo de violão, em 1930. Em seguida temos “Gadu namorando”, de Ladislau Pereira da Silva e Alcyr Pires Vermelho (não anunciado pelo locutor como parceiro). A peça tem inúmeros registros, o primeiro deles feito em 1956 pelo trombonista Raul de Barros. Passando do choro à valsa, temos “Lamento”, de Nestor Monteiro e Gilberto Santos, uma joia rara que, infelizmente, não chegou ao disco comercial. Voltando ao choro, Jacob nos oferece “Soluçando”, de Cândido Pereira da Silva, o Candinho Trombone (Rio de Janeiro,1879-idem, 1960), originalmente gravado em 1916 pelo Grupo o Passos no Choro. Em seguida temos mais uma valsa, “Adelina”, de autoria do cavaquinista Mário Álvares Conceição, o Mário Cavaquinho (Rio de Janeiro, 1861-idem, 1905), cujas primeiras gravações foram feitas ainda na fase mecânica, pela Banda da Casa Edison, sem indicação exata de anos. Depois vem um choro do próprio Jacob, “Carícia”, por ele mesmo gravado na RCA Victor em 1956. O tango “O despertar da montanha”, faixa seguinte, é certamente o mais famoso trabalho do compositor Eduardo Souto, paulista de Santos (ou São Vicente, não há certeza), nascido em 1882 e falecido no Rio de Janeiro em 1942. “O despertar” foi composto em 1919 e sua primeira gravação data de 1931, pela Orquestra Colonial. Tem vários registros, inclusive do próprio Jacob do Bandolim, feito em 1949, e é uma obra conhecida até mesmo a nível internacional. Ganhou letra de Francisco Pimentel em 1946, gravada nesse ano por Sílvio Caldas. Logo depois, os choros “Cristal” e “Diabinho maluco”, do próprio Jacob, por ele gravados, respectivamente, em 1951 e 1956. Compositor, organista e maestro, Henrique Alves de Mesquita (Rio de Janeiro, 1830-idem, 1906) comparece aqui com “Batuque”, rotulado como “tango característico” no selo da primeira gravação, feita em 1910 pela Banda do Corpo de Bombeiros na Victor americana. Já o “Choro da saudade” é de autoria de um... paraguaio! Sim, é do violonista Agustín Barrios (1885-1944), que homenageou a música e o povo de seu Paraguai natalício compondo obras modeladas a partir de canções populares das Américas Central e do Sul. “Saxofone, por que choras?” é o choro mais conhecido do clarinetista Severino Rangel, o Ratinho (Itabaiana, PB, 1896-Duque de Caxias, RJ, 1972), que também formou dupla humorística com Jararaca, de geral agrado. O choro foi lançado pelo próprio Ratinho em 1930, e tem vários registros (o próprio Jacob fez o seu em 1952). “Heróica” é outra composição do mago do bandolim, mas só seria gravada comercialmente em 1980, por outro bandolinista de renome, Déo Rian. E, para terminar, temos uma fala do próprio Jacob do Bandolim, na qual ele exalta a força de vontade e a capacidade de seus músicos acompanhantes, e elogia a acolhida que o público de São Paulo sempre lhe deu, mais que o do próprio Rio de Janeiro natal. Ah, como são as coisas... Não poderia haver melhor encerramento para esta compilação de registros radiofônicos do mestre Jacob, que certamente será muitíssimo bem recebida pelos ouvintes da PR-GRB. E semana que vem tem mais Jacob, hein? Aguardem... 

TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO


segunda-feira, 8 de abril de 2013

Jacob Do Bandolim 5 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 52 (2013)

Este é o quinquagésimo-segundo volume do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil, e o quinto dedicado ao riquíssimo legado deixado por esse autêntico mestre das cordas que foi Jacob do Bandolim. E com ele, retomamos a apresentação de registros comerciais de Jacob, uma vez que, como os amigos cultos, ocultos e associados do TM se recordam, no volume anterior tivemos gravações domésticas extraídas dos “saraus” que o mago do bandolim promovia em sua casa no bairro carioca de Jacarepaguá.
São doze preciosas gravações, todas evidentemente feitas na RCA Victor. Abrindo nossa seleção desta semana, um choro do próprio Jacob, “Ciumento”, gravação de 14 de março de 1955, lançada em maio do mesmo ano, disco 80-1434-B, matriz BE5VB-0700. Em seguida, outra joia do choro concebida por ele mesmo, “Sempre teu”, gravada em 13 de junho de 1955 e lançada em agosto seguinte com o número 80-1476-A, matriz BE5VB-0769. Depois tem a música do verso desse disco, matriz BE5VB-0770, uma regravação do choro “Um a zero”. Ele foi composto por Pixinguinha em 1919,  por ocasião da conquista do Campeonato Sul-Americano de Futebol pelo Brasil, que derrotou o Uruguai exatamente por essa contagem, gol de Arthur Friendenreich. A primeira gravação, no entanto, só saiu em 1946, com o próprio Pixinguinha ao saxofone em dueto com a flauta de Benedito Lacerda, que entrou como parceiro na música por acordo comercial que existia entre ambos. Jacob recorda logo depois o “tango brasileiro” “Amapá”, de Juca Storoni (João José da Costa Jr., Rio de Janeiro, 1868-idem, 1917), cujo primeiro registro deu-se em 1909, na Victor americana, pela Banda do Corpo de Marinheiros Nacionais. Jacob fez seu registro em 13 de janeiro de 1956, com lançamento em março seguinte sob n.o 80-1565-B, matriz BE6VB-0942, e voltaria a gravar “Amapá” em 1960, no LP “Na roda do choro”. O registro do “ponteado” “De Limoeiro a Mossoró”, do próprio executante, data de 13 de março de 1956, com lançamento em maio seguinte sob n.o 80-1596-A, matriz BE6VB-1015. Outra obra-prima do mestre é “Carícia”, choro que ele gravou em 13 de julho de 1956, com lançamento em setembro do mesmo ano, com o n.o 80-1667-B, matriz BE6VB-1214. Temos em seguida outra demonstração do apreço de Jacob ao carnaval pernambucano, com o frevo “Buscapé”, gravado em 14 de setembro de 1956 e lançado em novembro (certamente com vistas à folia recifense de 57) sob n.o 80-1706-A, matriz BE6VB-1305. Apresentamos também o verso desse disco, matriz BE6VB-1306, outro frevo, só que de Jonas Cordeiro, “Pimenta no salão”. Um clássico do mestre Pixinguinha, o choro “Sofres porque queres” foi por ele composto inspirado em uma briga conjugal! Ele próprio o gravou pela primeira vez com sua flauta, em 1917, e o regravaria ao saxofone junto com o flautista Benedito Lacerda (que recebeu co-autoria) em 1946. Onze anos depois, a 10 de julho de 1957, Jacob do Bandolim gravou esta sua versão, lançada em setembro seguinte com o n.o 80-1845-A, matriz 13-H2PB-0165. Do limiar de 1958, em 17 de janeiro, é a gravação de Jacob para seu choro “Implicante”, lançada em abril do mesmo ano com o n.o 80-1930-A, matriz 13-J2PB-0339. O maxixe “Fubá”, motivo folclórico adaptado por Romeu Silva, surgiu em 1925, em gravação do cantor Fernando Albuquerque, e é revivido por Jacob em registro de 26 de agosto de 1959, lançado em novembro seguinte com o n.o 80-2125-A, matriz 13-K2PB-0736. A voz que se ouve vocalizando o refrão junto com o coro é a do próprio Jacob! Para finalizar, o lado B desse disco, matriz 13-K2PB-0737: o choro “Velhos tempos”, outra composição própria do mestre com a qualidade habitual. E atenção: nas próximas duas semanas, teremos mais tesouros preciosos gravados pelo mestre Jacob do Bandolim. Aguardem!

* TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO 




segunda-feira, 1 de abril de 2013

Jacob Do Bandolim 4 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol 51 (2013)

E chegamos à edição número 51 do Grand Record Brazil, apresentando a quarta e última parte desta retrospectiva dedicada a este mestre das cordas que foi Jacob do Bandolim. E neste volume, o acervo do pesquisador Sérgio Terra nos revela 20 gravações que nunca foram lançadas comercialmente, feitas em gravador doméstico durante os antológicos “saraus” que o mestre promovia em sua casa, no bairro carioca de Jacarepaguá, semanalmente. Abrindo esta seleção, a valsa “Quando me lembro”, de outro bandolinista famoso, Luperce Miranda (1904-1977), por ele próprio gravada originalmente em 1932. O choro “Murmurando”, que vem em seguida, não é a famosa composição do maestro Fon-Fon, parece ser um outro choro do próprio Jacob. “O voo da mosca”, também do mestre, é uma réplica ao “Voo do besouro”, de Rinsky e Korsakov, e seria por ele gravada na RCA Victor em 1962, no álbum “Primas e bordões”. “Mariposa da luz” é da pianista e professora de música Neusa França, só gravado comercialmente em 1973, pelo citarista Avena de Castro. Na faixa 6, outro clássico do choro, “Flor do abacate”, de autoria de Álvaro Sandim (1862-1919), surgido em 1913, na fase mecânica de gravação, em registros do Grupo Faceiro e dos Chorosos do Abacate. Jacob do Bandolim o gravou duas vezes pela RCA Victor, em 1949 e 1960. E já que, neste 2013, comemoramos os 150 anos de nascimento do compositor e pianista Ernesto Nazareth (1863-1934), ele comparece nesta seleção de inéditas do mestre Jacob com uma de suas obras mais famosas, a polca-choro “Apanhei-te cavaquinho”, faixa 4, surgida em disco no ano de 1916, na gravação do flautista Passos, e inúmeras vezes regravada, inclusive pelo próprio Nazareth em solo de piano. Temas clássicos também batem ponto nesta seleção: a “Valsa número 7 de Chopin” (temos também a “número 1”) e as “Czardas”, do italiano Vittorio Monti (1868-1922). “Noites cariocas” é outro choro clássico do mestre Jacob, por ele lançado em 1957 e com inúmeras regravações, sendo até hoje peça obrigatória no repertório de qualquer “chorão”. “Receita de samba” e “Vibrações” são outras composições muito apreciadas do mago do bandolim, e foram por ele gravadas na RCA Victor em 1967, no excelente álbum “Vibrações”. Um certo doutor Formiga (quem seria?) recita um “Poema para Jacob”, por ele feito em justa homenagem ao mestre. Chico Buarque comparece aqui com “Carolina”, composição surgida em 1967 no Terceiro Festival Internacional da Canção (FIC), da TV Globo, defendida por Cynara e Cybele, recém-saídas do Quarteto em Cy. Jacob muito admirava Chico, e previu, acertadamente, que ele “atravessaria os anos”. O mestre também apresenta sua valsa “Santa Morena”, cuja gravação comercial, de 1954, está no volume 3 de nosso retrospecto. A clássica valsa “Velho realejo”, de Custódio Mesquita e Sadi Cabral, é outro clássico de nosso cancioneiro, e foi lançada em 1940 na voz de Sílvio Caldas, sendo várias vezes regravada. Outro clássico é “Três estrelinhas”, de autoria de Anacleto de Medeiros (1866-1907), músico, compositor, fundador e regente da Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro. Recebeu depois letra de Catulo da Paixão Cearense, sendo rebatizada como “O que tu és”. Antônio d'Áuria (1912-1988) aparece como uma espécie de convidado especial, nas faixas “Poesia e amor”, de Mário Álvares Conceição, só gravada comercialmente em 1976 por outro bandolinista, Déo Rian, e “Helena”, valsa de Albertino Pimentel, surgida ainda no tempo da gravação mecânica, em 1909, em execução da já mencionada Banda do Corpo de Bombeiros carioca. Encerrando esta seleção tempos “Marilene”, choro de Pixinguinha e Benedito Lacerda, por eles próprios lançado em 1950, com o mestre Pizindim ao saxofone e Benedito à flauta (na verdade a música é só de Pixinguinha, e Benedito entrou como parceiro por acordo comercial entre ambos). Enfim, um tesouro raro, de notável importância histórica, que o GRB oferece a tantos quantos apreciem a boa música instrumental brasileira. As 122 fitas cassetes gravadas por Jacob do Bandolim durante seus “saraus” foram doadas ao Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, e aqui apresentamos uma preciosíssima amostra deste trabalho. Bom divertimento!

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.