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segunda-feira, 26 de maio de 2014

Dick Farney - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 102 (2014)



Prosseguindo sua longa e auspiciosa trajetória de sucesso, o Grand Record Brazil, “braço de cera” do Toque Musical, chega à sua centésima-segunda edição reverenciando mais um grande nome de nossa música popular, criador de páginas inesquecíveis de nosso cancioneiro e autêntico precursor da bossa nova. Estamos falando de Dick Farney.  Farnésio Dutra e Silva (seu nome de batismo) nasceu no Rio de Janeiro em 14 de novembro de 1921. Oriundo de família rica, teve apenas um irmão, Cyleno, que viria a ser famoso galã do cinema tupiniquim com o nome de Cyll Farney e chegou a tocar bateria nos primeiros conjuntos do jovem Dick. Seus pais cultivavam a música clássica: o pai era pianista, e a mãe cantava. Dick faria o curso de teoria musical na Escola Nacional de Música, e estudaria canto com Diva Pasternack. Essa formação clássica não o impediria de se passar para o piano jazzístico, já que sempre foi um apaixonado pela música norte-americana, com influências especialmente do piano de Nat King Cole e da voz de Bing Crosby. Em 1934, com 12 anos, o pré-adolescente Dick se apresentou na Rádio Guanabara, executando o “Prelúdio n.o 7” de Chopin. Em 1936, no programa “Picolino”, de Barbosa Júnior, tocou a “Dança ritual do fogo”, de Manuel  de  Falla, e a “Canção da Índia”,  de Korsacov. Um ano depois, estreia como cantor, na  Rádio Cruzeiro do Sul, interpretando “Deep purple”, de  David Rose. Em 1938, foi até a Rádio Mayrink Veiga, levando um disco seu particular, ouvido por César Ladeira, então diretor artístico da emissora (ele pensou que estava ouvindo Bing Crosby, tal a semelhança vocal). A coisa, claro, resultou em contrato, de quatrocentos mil-réis por mês, e um programa exclusivo, “Dick Farney, a voz e o piano” . Dois anos mais tarde, transferiu-se para a poderosa e lendária PRE-8, Rádio Nacional. Entre 1941 e 1944, Dick também se integrou à orquestra de Carlos Machado, no Cassino da Urca, como pianista e cantor. Ainda em 44, gravou seu primeiro disco, pela Continental, com músicas norte-americanas, ao qual seguiram-se mais quatro em inglês. Seu primeiro disco com música brasileira, o sexto, só viria agosto de 1946, com o clássico “Copacabana” (nesta seleção), pontapé inicial para inúmeros outros hits, entre os quais estão “Ponto final”,”A saudade mata a gente”, “Marina”, “Somos dois”, “Um cantinho e você”, “Alguém como tu”, “A fonte e o teu nome’, “Grande verdade”, “Este seu olhar”, “Perdido de amor”, “Tereza da praia” (dueto com Lúcio Alves), “Você” (dueto com Norma Bengell) e os presentes nesta edição do GRB, muitos dos quais regravados por ele mesmo inúmeras vezes. Em fins de 1946, após um encontro com o maestro Bill Hitchcock e o pianista Eddie Duchin no Copacabana Palace Hotel, Dick Farney embarca para os EUA, onde permanece por dois meses, visando conhecer o ambiente musical  de lá e travar amizade com vários artistas, seus ídolos. Quase em seguida, meados de 1947, volta à terra do Tio Sam, preso a um contrato de 56 semanas com os cigarros Philip Morris, então patrocinador de programas da NBC (National Broadcasting Company), entre eles o do prestigiado comediante Milton Berle, no qual atua como intérprete fixo. Nessa ocasião, Dick Farney grava alguns discos na Majestic, vindo a ser o criador de um clássico norte-americano, o  fox “Tenderly”, de Jack Lawrence e Walter Gross. Ao desembarcar no Rio de Janeiro, já um astro, Dick assina vultoso contrato com a PRG-3, Rádio Tupi (“o cacique do ar”), recebendo a soma de trinta mil cruzeiros por mês! Em 1948, admiradores do jazz norte-americano fundaram o Sinatra-Farney Fã Clube, histórico reduto pré-bossanovista, tendo entre seus frequentadores ilustres o compositor e pianista João Donato, e a cantora Nara Leão. Dick atuou também no cinema, participando dos filmes  “Somos dois” (Cinédia, 1950), no qual contracenava e cantava, mas que não lhe deixaria boas lembranças, “Carnaval Atlântida” (1952) e “Perdidos de amor” (Cinelândia Filmes, 1953). O currículo internacional de Dick Farney inclui também a Argentina, onde esteve duas vezes, em 1949 e 1951, atuando na Rádio El Mundo e na Boate Embassy de Buenos Aires, sendo conhecido pelos portenhos como “el Bing Crosby brasileño”. Em 1956/58 retorna a Nova York, EUA, a fim de se apresentar no Hotel Waldorf Astoria. Durante seis meses, ainda se apresentou  em Cuba, República Dominicana e Porto Rico. Nos anos seguintes, continua somando mais e mais admiradores, com uma discografia de mais de vinte LPs, e apresentações principalmente na noite, chegando até a ser dono de casas noturnas, a Farney’s e a Farney’s Inn, ambas em São Paulo, cidade para a qual se muda em 1959. Nessa época, apresenta o programa “Dick Farney show”, na TV Record, e mais tarde constrói uma bela casa nas cercanias da Represa Billings, projetada por ele mesmo e sua terceira mulher.  É também um dos pioneiros da TV Globo do Rio de Janeiro, inaugurada em 1965, apresentando, ao lado da atriz Betty Faria, o programa ‘Dick e Betty”. Por volta de 1979, Dick Farney deixa de atuar na noite, por achar que o público não era mais o mesmo, porém continuando a gravar e a se apresentar em ocasiões especiais, como em 1981, no Ópera Cabaré, em São Paulo,numa noite recebendo seu amigo Lúcio Alves, com quem gravara, em 1954, o clássico “Tereza da praia”, de Tom Jobim e Billy Blanco. Por essa época, já se dedicava à pintura, uma antiga paixão que finalmente podia desenvolver, e com talento. Dick Farney morreu no dia 4 de agosto de 1987, em São Paulo, aos 65 anos, de edema pulmonar. Deixou, porém, um invejável legado musical. Dele, o GRB foi buscar 14 gravações de seus primeiros anos de carreira, todas feitas na Continental, sua primeira gravadora.  Abrindo a seleção desta semana, temos o fox “What’s new?”, de Bob Haggart e Johnny Burke, de seu segundo disco, número 15186-A, lançado em agosto de 1944, matriz 819, grande hit na voz de Farney entre nós. Do primeiro disco, n.o 15180, lançado em junho do mesmo ano, foi escalado outro fox, também lado A, “The music stopped”, de Harold Adamson e Jimmy McHugh, matriz 839. A faixa 3, já com música brasileira, é o samba-canção “Ela foi embora”, do organista Djalma Ferreira em parceria com Oscar Belandi, lançado pela então “marca dos sininhos” em setembro de 1946, matriz 1543. Na faixa 4, o clássico que abriu definitivamente as portas do sucesso para Dick Farney: “Copacabana”, de João de Barro (Braguinha) e Alberto Ribeiro, gravado em 2 de junho de 46 e lançado em agosto do mesmo ano com o número 15663-A, matriz 1509. O samba tinha sido feito sob encomenda para um filme norte-americano de mesmo nome,mas acabou não entrando no mesmo. Claro que os puristas consideraram a interpretação de Dick Farney por demais americanizada, calcada em Bing Crosby, mas a interpretação e o acompanhamento, feito por orquestra de cordas, com regência de Eduardo Patané, passaram a se constituir modelo de sofisticação para nossa música popular. “Foi e não voltou”, de Oscar Belandi e Chuca-Chuca, é outro samba-canção típico dessa época, que Dick Farney gravou acompanhando-se ao piano em 19 de abril de 1947, com lançamento em junho seguinte sob número 15783-B, matriz 1655. O que ocorre também na faixa seguinte, “Esquece”, de autoria do cantor Gilberto Milfont, sendo que desta vez Dick está acompanhado de Betinho (Alberto Borges de Barros, autor e intérprete de “Enrolando o rock” e do fox “Neurastênico”, entre outras) e Juvenal. Também samba-canção, gravado em 29 de maio de 1948 e lançado entre julho e setembro do mesmo ano, disco 15927-A, matriz 1869. “Meu Rio de Janeiro”, uma das muitas homenagens musicais já prestadas  à “cidade maravilhosa” e então capital do Brasil, é um samba de Oscar Belandi e Nélson Trigueiro, em registro feito na mesma sessão de “Esquece” e editado pela Continental  no mesmíssimo suplemento, sob número 15917-A, matriz 1867. A 24 de maio desse mesmo ano de 1948, Dick grava o samba-canção “Ser ou não ser”, de José Maria de Abreu (também regente da orquestra que o acompanha) e Alberto Ribeiro, outra expressiva página de seu repertório, que a Continental lançará também entre julho e setembro desse ano, com o número 15916-A,matriz 1858. Cinco dias depois, na mesmíssima sessão de “Meu Rio de Janeiro” e “Esquece”, Dick imortaliza o samba “Olhos tentadores”, de Oscar Belandi e  Chico Silva, matriz 1868, mas que a Continental só traz para as lojas em março-abril de 1949, com o número 16008-B. Entre julho e setembro desse mesmo ano de 49, é lançado pela “marca dos sininhos” outro clássico do samba-canção (então predominante nessa época pré-bossa nova, como percebem), “Sempre teu”, da festejada dupla José Maria de Abreu-Jair Amorim, com o número 16083-B, matriz 2099. Para os festejos natalinos desse 1949, entre outubro e dezembro, Dick Farney lança uma canção muito apropriadamente chamada “Feliz Natal” (mais conhecida como “Noite azul”, primeiro verso da letra),um dos inúmeros hits da dupla Klécius Caldas-Armando Cavalcanti, com o número 16123-A,matriz 2173, que a Continental relançará em 1955 sob número 17230-B. Do multi-instrumentista Garoto (Aníbal Augusto Sardinha), verdadeiro mágico das cordas, é o samba-canção seguinte, parceria com José Vasconcelos (seria o humorista?), “Nick Bar” (também  nome de peça teatral e de um bar de São Paulo, então instalado na  Rua Major Diogo, ao lado do TBC, Teatro Brasileiro de Comédia, onde os artistas que lá se apresentavam sempre apareciam para tomar um drinque após as funções). O próprio Garoto está no acompanhamento deste registro de Farney, ao lado de Vero (Radamés Gnattali), Vidal e Trinca, com lançamento pela Continental entre outubro e dezembro de 1951, disco 16479-B, matriz 2718. “Ranchinho de palha”, samba romântico, igualmente tendendo para o samba-canção, é de outro violonista e compositor de renome, Luiz Bonfá, e Dick Farney o imortalizou na Continental em 27 de março de 1951, com lançamento em maio-junho seguintes, sob n.o 16412-A, matriz 2596. Para finalizar, uma gravação feita por Dick em Buenos Aires, capital da Argentina, nos estúdios da TK, gravadora que então representava a Continental naquele país (e que a empresa brazuca, por tabela, representava aqui). É outro samba-canção de Luiz Bonfá, “Sem esse céu”, lançado no Brasil entre setembro e dezembro de 1952 com o número 16659-A, matriz IB-260/52, tendo no acompanhamento o organista Jorge Kenny. Enfim, um pouco do vasto e expressivo legado de Dick Farney, com justiça um dos imortais de nossa música popular. 

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Trio De Ouro - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 101 (2014)


Ultrapassando a barreira das 100 edições , o Grand Record Brazil chega justamente à centésima-primeira.  E, para abrilhantá-la em grande estilo, eis aqui um dos grupos vocais mais queridos e populares de nossa música popular: o Trio de Ouro.  A história do trio começa em 1932, ocasião em que Herivelto Martins e Francisco Sena faziam parte do Conjunto Tupi, de J. B. de Carvalho, e ao mesmo tempo formaram a Dupla do Preto e do Branco. Com a morte prematura de Sena, em 1935, Herivelto reorganiza a dupla, agora com Nilo Chagas.  No ano seguinte, Herivelto conhece Dalva de Oliveira, e esta, a seu convite, passa cantar junto com o duo. Inicialmente conhecidos como Dalva de Oliveira e Dupla Preto e Branco, foram depois rebatizados como Trio de Ouro. O grupo estreou em gravações na Victor, em 1937, interpretando “Ceci e Peri” e “Itaquari”. Nessa ocasião, Herivelto e Dalva se casam, e dão a seu primeiro filho o nome de Pery (o excelente cantor Pery Ribeiro), tirado justamente da marchinha “Ceci e Peri” (se fosse menina, claro, seria Ceci, conforme combinado com os ouvintes de rádio).  O Trio de Ouro, em sua primeira fase, deixou um acervo de mais de 50 gravações, a maioria na Odeon, com passagem também pela Columbia, futura Continental, repertório esse de grande valor artístico, sem as exigências comerciais que se registrariam tempos depois. Entretanto, o grupo se desfez em 1949, com a ruidosa separação de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins. Um ano mais tarde, o Trio de Ouro retoma suas atividades, ainda com Nilo Chagas (já com as relações bastante estremecidas com Herivelto) e, agora, com Noemi Cavalcanti, descoberta por Príncipe Pretinho, que a ouvira no programa de César de Alencar, na Rádio Nacional, levada pelo também compositor  Raul Sampaio, capixaba de Cachoeiro de Itapemirim.  Ele desempenhou papel decisivo para que o trio não acabasse de vez com a retirada de Dalva, e tem mais de 250 músicas gravadas como autor,  entre elas clássicos como “Eu chorarei amanhã”, “Nono mandamento” e “Meu pequeno Cachoeiro” (que seu conterrâneo Roberto Carlos converteu em hit nacional, em 1970). O primeiro disco dessa segunda formação, lançado em agosto de 1950, trouxe o samba “A Bahia te espera” e o samba-canção “Caminho certo”.  Essa fase, porém, dura pouco, pois, no começo de 1952, Nilo Chagas e Noemi Cavalcanti abandonam Herivelto Martins em definitivo, deixando um saldo artístico de 15 discos gravados, todos pela RCA Victor. Uma noite, Herivelto Martins e Raul Sampaio foram à casa de Nélson Gonçalves, a fim de entregar uma nova composição de Herivelto para o “metralha do gogó de ouro” gravar. É quando a então mulher de Nélson, Lourdinha  Bittencourt, se oferece para cantar no Trio de Ouro.  Assim começa a terceira fase do grupo vocal, com Lourdinha, Herivelto e Raul. O primeiro disco do novo trio sai pela RCA Victor em agosto de 1952, trazendo uma regravação do clássico “Ave-Maria  no Morro”, e o bolero “Se a saudade falasse” (este último aqui incluído). Aqui, já se registra, de forma mais acentuada, a necessidade de sucesso imediato, e até versões como “Índia”, “Luzes da ribalta” (ambas nesta seleção) e “Vaya com Diós” são gravadas pelo trio, atendendo a interesses comerciais, mas o grupo nunca deixou de cultivar nossas origens. Nessa  fase, o Trio de Ouro gravou 32 discos em 78 rpm, quase todos pela RCA Victor, e a  formação duraria bem mais tempo: até 1979,com o falecimento de Lourdinha  Bittencourt. Contudo, para matar as saudades de seus fãs, Herivelto e Raul continuaram a recompor o Trio de Ouro em ocasiões especiais, com a colaboração da excelente cantora Shirley Dom. A morte de Herivelto  Martins, em 1992, encerraria definitivamente a longa trajetória do Trio de Ouro. Trajetória esta que agora o GRB revive,  apresentando 13 gravações de suas três fases (principalmente da primeira, com Herivelto, Dalva de Oliveira e Nilo Chagas), sempre se mantendo em alto nível artístico. A seleção abre com uma gravação da terceira fase, a conhecidíssima guarânia paraguaia “Índia”,de José Asunción Flores e Manuel Ortiz Guerrero, em versão de José Fortuna. Como todos sabem, este foi um dos carros-chefes da dupla Cascatinha e Inhana, que lançou a versão com êxito arrebatador em 1952. Aqui, a gravação do terceiro Trio de Ouro, na RCA Victor, datada de 13 de março de 1953, e lançada em maio seguinte com o número 80-1120-A, matriz BE3VB-0045. Pulamos depois para a primeira fase, com o batuque “Lamento negro”, de Constantino “Secundino” Silva e Humberto Porto (este falecido prematuramente, em 1943, aos 35 anos), lançado pela Columbia em maio de 1941, sob número  55270-B, matriz 385. Lourdinha Bittencourt e Raul Sampaio voltam a cantar com Herivelto na faixa seguinte, “Luzes da ribalta” (“Limelight”), de Charles Chaplin, do filme de mesmo nome, o último em que ele interpretou Carlitos, só lançado nos EUA em 1972, uma vez que o comediante estava na lista negra do macartismo. A versão de Antônio Almeida e João de Barro, o Braguinha, teve inúmeros registros, e o do Trio de Ouro, na RCA Victor, em ritmo de bolero,  é de 14 de agosto de 1953, lançada em outubro seguinte com o número 80-1216-A, matriz BE3VB-0239. Já do final da primeira fase do trio é a marchinha “Minueto”, sucesso do carnaval de 1948. De autoria de Herivelto Martins e Benedito Lacerda, é gravação Odeon de 27 de novembro de 47, lançada um mês antes dos festejos momescos, em janeiro, disco 12830-A,matriz 8299. Dessa fase também é o samba “Calado venci”, que, segundo o próprio Herivelto Martins, foi a única parceria dele com Ataulfo Alves. É do carnaval de 1947, gravado na Odeon em 6 de dezembro de46, lançada bem em cima da folia, em fevereiro, sob número 12758-B, matriz 8145. Waldemar de Abreu, o Dunga, e Mário Rossi assinam o samba “Fantasia”, que o Trio de Ouro grava na “marca do templo” em 2 de outubro de 1945 e é lançado em novembro do mesmo ano com o número 12644-A,matriz 7915. Lauro “Gradim” dos Santos e Príncipe Pretinho vêm em seguida com outro samba, “Sorri”, para o carnaval de 1941, que o trio grava na Columbia em 11 de novembro de 1940, com lançamento ainda em dezembro, disco 55252-B, matriz 343. “Adeus, Estácio”,outro samba, é de Benedito Lacerda e Gastão Viana,para o carnaval de 1939, numa gravação Odeon do primeiro Trio de Ouro, feita em 8 de dezembro de 38 e lançada bem em cima da folia momesca, em fevereiro, disco 11696-B, matriz 5989. Da terceira fase do grupo é a regravação, em ritmo de baião, do samba-canção “Um caboclo apaixonado”, da parceria Herivelto Martins-Benedito Lacerda, originalmente lançado em 1936 por Sílvio Caldas. Herivelto, Raul Sampaio e Lourdinha Bittencourt o reviveram na RCA Victor em 13 de março de 1953, com lançamento em maio do mesmo ano, disco 80-1120-B, matriz BE3VB-0046. Voltando à primeira fase, temos o interessante samba-crônica “Bom dia, Avenida”, dando boas vindas à Avenida Rio Branco, antiga Central, como novo palco dos desfiles das escolas de samba cariocas, em substituição à Praça Onze de Junho, demolida para dar lugar a outra avenida, a Presidente Vargas (nem se sonhava com o atual Sambódromo da Rua Marquês de Sapucaí!). De autoria de Herivelto Martins e do ator Grande Otelo (Sebastião Bernardes de Souza Prata), que também fizeram pouco antes o clássico “Praça Onze” (glosando tal demolição), foi gravado pelo trio na Odeon em 23 de novembro de 1943, sendo lançado um mês antes do carnaval de 44, janeiro, disco 12406-B, matriz  7425. Voltando à terceira fase, temos outro samba de Herivelto, agora em parceria com David Nasser: “Maria Loura”, gravação RCA Victor de 14 de agosto de 1953, lançada em outubro seguinte com o número 80-1216-B, matriz BE3VB-0240. Da segunda fase do trio (Herivelto, Nilo Chagas e Noemi Cavalcanti) é a penúltima faixa, o samba-canção “Vingança”, de Lupicínio Rodrigues, gravado na mesmíssima RCA Victor em 10 de abril de 1951, e lançado em junho do mesmo ano, disco 80-0776-B, matriz S-092932. Este registro original, porém, passou em branco, pois, como todos sabem, “Vingança” só fez sucesso meses mais tarde, na interpretação de Linda Batista, que o tornou um clássico, sendo talvez o maior de todos os hits de Lupicínio como autor (com os direitos autorais da música, ele até comprou um carro que apelidou de “Vingança”!).  Foi inspirado numa mulher com quem Lupi viveu seis anos, e a quem ele abandonou ao descobrir que ela o traía (quando ela tentou uma reconciliação, Lupi compôs “Nunca”, hit de Dircinha Batista, irmã de Linda, um ano mais tarde). Encerrando esta seleção do GRB, temos justamente o lado A do primeiro disco da terceira fase do Trio de Ouro, o RCA Victor 80-0957, do qual falamos lá atrás:  o bolero “Se a saudade falasse”, de Herivelto sem parceiro, gravação de 11 de junho de 1952, lançada em agosto do mesmo ano, matriz SB-093321. Uma seleção que traz aos amigos cultos, ocultos e associados do GRB e do TM um pouco da trajetória do Trio de Ouro, que, durante todos esses anos, sempre fez por merecer seu nome. Ouçam e confirmem!  

* Texto de Samuel Machado Filho

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Maysa Matarazzo - Seleção 78 RPM do Toque Musical Vol. 100 (2014)



Com muito orgulho, chegamos à centésima edição do Grand Record Brazil. Uma trajetória brilhante e bastante expressiva. Isto só foi possível graças ao prestígio e à acolhida de nossos amigos cultos, ocultos e associados, a quem eu e o Augusto agradecemos de todo o coração. E nesta edição de número 100, reverenciamos a memória de uma das melhores cantoras e compositoras que a música popular brasileira já teve: Maysa.  
Batizada como Maysa Figueira Monjardim, nossa focalizada veio ao mundo no dia 6 de junho de 1936, segundo algumas fontes no Rio de Janeiro, no bairro de Botafogo e, segundo outras, em São Paulo, oriunda de família rica e tradicional do Espírito Santo, filha de Inah e Alcebíades Monjardim, este último Fiscal de Rendas. Esta indefinição quanto ao local de nascimento da futura estrela talvez se deva ao fato de seus pais terem fugido de seu estado natal para o Rio de Janeiro, após se casarem, pois a família de sua mãe se opunha ao matrimônio, dada a boemia de Alcebíades. Residiram também em Bauru, interior paulista, voltando depois para a capital bandeirante, onde, mesmo fixando-se na mesma, trocaram de endereço várias vezes. Maysa estudou nos tradicionais colégios paulistanos Assunção, Sacre-Couer de Marie e no Ginásio Ofélia Fonseca (onde foi reprovada por suas notas e comportamento). Sempre foi rebelde e chegava a comparecer às aulas sem uniforme e com trajes ousados, sendo por isso proibida de frequentar os bancos escolares. Bilhetes eram enviados aos pais de Maysa e, como estes viviam na boemia, era difícil encontrá-los, e ela chegava a ficar três dias sem ir à escola, aguardando a assinatura deles.  Tentou se matricular, depois, no Mackenzie, mas foi recusada em virtude de seu currículo, e por isso Maysa parou os estudos na segunda série ginasial. As férias  ela passava em Vitória, onde ia rever seus tios e primos. Seu envolvimento com a música começou bem cedo: aos 12 anos, compôs sua primeira música, o samba-canção “Adeus” (primeira de uma série de 26), e desde a adolescência já gostava de cantar em festas familiares, além de tocar piano. Aos 17 anos, em 1955, Maysa casou-se com o empresário André Matarazzo, 17 anos mais velho que ela, e amigo de seus pais, da união resultando seu único filho, Jayme Monjardim Matarazzo, criado pela avó e posteriormente num colégio interno na Espanha, que iria se converter em  talentoso diretor  de cinema e televisão, realizando novelas e minisséries na extinta TV Manchete e depois na Globo (onde dirigiu inclusive a famosa minissérie sobre a vida de sua mãe, “Maysa - Quando fala o coração”, de 2009, com excelente desempenho de Larissa Maciel no papel-título). Ela não teve mais filhos por complicações no parto. Ainda grávida, Maysa conheceu o produtor Roberto Corte Real, que ficou encantado com sua voz. Combinaram então que, assim que Jayme nascesse, ela gravaria seu primeiro disco. Corte Real tentou, sem êxito, a contratação de Maysa pela Columbia, hoje Sony Music, e o jeito foi lançá-la em disco por uma nova gravadora: a RGE (Rádio Gravações Especializadas), de propriedade de José Brasil Ítalo Scatena, até então apenas um estúdio de jingles publicitários. E é pela RGE que a cantora-compositora  lança, em novembro de 1956, seu primeiro LP, o histórico dez polegadas “Convite para ouvir Maysa”, com oito músicas de sua autoria, e cuja renda foi revertida para o Hospital do Câncer de São Paulo.  Depois, claro, viria muito mais, tendo também gravado em outros selos, inclusive um álbum na mesma Columbia que a recusara, em 1961. Foi inclusive contratada das Emissoras Unidas (Rádio e TV Record). André, porém, se opunha à carreira musical de Maysa, e ao temperamento boêmio que ela herdou de seu pai, daí resultando sua ruidosa separação (em 1958, aos 22 anos, ela chegou a tentar suicídio cortando os pulsos, uma das inúmeras tentativas de liquidar a própria vida, aliás). Namorou depois o jornalista e compositor Ronaldo Bôscoli (tendo-se mudado, em 1960, para o Rio de Janeiro, a convite dele), o empresário Miguel Azanza (seu segundo marido), o maestro Júlio Medaglia e o ator Carlos Alberto, entre outros. Fez inúmeras temporadas em casas noturnas de São Paulo (como o Juão Sebastião Bar, o restaurante Urso Branco  e as boates Cave, Oásis e Igrejinha) e  Rio de Janeiro (como Au Bon Gourmet e Canecão). O alcoolismo e o uso de moderadores de apetite deixavam seu temperamento instável, o que causou notórios escândalos  em hotéis e aviões de diversos países em que se apresentou. Manteve contato com inúmeros nomes da bossa nova, com os quais pôde expandir experiências musicais. Excursionou pela América Latina, passando várias vezes por Buenos Aires (Argentina), Montevidéu (Uruguai) e Lima (Peru), e cumpriu temporadas no Olympia de Paris (França),  Lisboa (Portugal), onde ficou bastante tempo em cartaz no Cassino Estoril, Tóquio (Japão) e  Luanda (Angola), além de ter residido na Espanha. No exterior, Maysa era conhecida como “a condessa descalça”, por sempre tirar os sapatos quando cantava. Participou também de algumas edições do FIC (Festival Internacional da Canção), que aconteceu no Maracanãzinho do Rio de Janeiro entre 1966 e 1972, e ninguém ousava lhe dar uma só vaia, o que a tornou uma das cantoras mais queridas do certame.  Sua discografia abrange 17 LPs no Brasil (e um nos EUA, nunca editado entre nós), sem contar as coletâneas, 21 discos 78 rpm com 41 músicas, e alguns compactos. Maysa faleceu em 22 de janeiro de 1977, em trágico acidente automobilístico na Ponte Rio-Niterói, quando dirigia sua Brasília azul em alta velocidade (estava a caminho de sua casa em Maricá, litoral fluminense). Supõe-se que o efeito de anfetaminas somado à ingestão de álcool tenha causado o desastre, perdendo, assim, a música popular brasileira, uma de suas personalidades mais singulares. Para esta edição em que o GRB reverencia a memória de Maysa, foram selecionadas dez gravações preciosas e importantes histórica e artisticamente. As oito primeiras saíram em LP e também em 78 rpm  (não esquecendo que era uma época de transição de formatos), todas sambas-canções e editadas por sua primeira gravadora, a RGE.  Abrindo esta seleção, o clássico samba-canção “Meu mundo caiu”, uma de suas composições mais conhecidas, lançado em março de 1958 com o número 10083-A, matriz RGO-484, que ela também interpretou no filme “O batedor de carteiras”, da Nova América, distribuído pela Pelmex e estrelado por Zé Trindade (pouco antes de sua morte, em 1976, foi revivido na novela global “Estúpido  Cupido”, de Mário Prata). O lado B, matriz RGO-486, é a faixa 8, “Buquê de Isabel”, também samba-canção e praticamente o primeiro grande sucesso do compositor Sérgio Ricardo (mais tarde famoso como “o homem do violão quebrado” daquele festival da Record, o de 1967). Ambas as músicas saíram, apenas alguns dias depois,também no LP “Convite para ouvir Maysa  número 2” (o terceiro álbum de carreira, apesar do título, e o primeiro da intérprete em doze polegadas).  A faixa 2 é outro clássico indiscutível de e com Maysa, o famoso “Ouça”, lançado em maio de 1957 sob número 10047-A, matriz RGO-220, inesquecível hit por ela também interpretado no filme ‘O camelô da Rua Larga”, da Cinedistri, também estrelado por Zé Trindade, sendo o lado B a faixa 6, “Segredo”, ambas constantes do também do segundo LP da vcantora-compositora, ainda em 10 polegadas e intitulado apenas ‘Maysa”. Na faixa 3, aparece “Suas mãos”, clássico de Pernambuco (Ayres da Costa Pessoa) e Antônio Maria, editado em setembro de 1958 com o número 10117-A,matriz RGO-767.  O lado B está na faixa 5, “Mundo vazio”, de Amaury Medeiros e Antônio Bruno, matriz RGO-774, ambas também incluídas no terceiro volume de “Convite para ouvir Maysa”, sendo “Mundo vazio” a faixa de abertura do vinil.  A faixa  4, originalmente abrindo o segundo LP de Maysa, de 1957, é o clássico “Se todos fossem iguais a você”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, lançado na peça teatral “Orfeu da Conceição” e originalmente gravado por Roberto Paiva. O registro de Maysa foi relançado na cera pela RGE em dezembro  de 57 com o número 10074-A, matriz RGO-295. Para o lado B, foi escalado “Tarde triste”, da própria Maysa, matriz RGO-123, que originalmente foi editada em vinil no primeiro “Convite para ouvir Maysa”, de 10 polegadas, em novembro de1956. Completando esta seleção, duas raríssimas faixas extraídas de um compacto duplo gravado por Maysa na marca francesa Barclay, número 70526,  durante uma temporada em Paris, em 1963: o clássico bossanovista “Chega de saudade” de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, e “Cent-mille chansons”, de Eddy Mamay e Michel Magné, do filme “O repouso do guerreiro”, de Roger Vadim. Enfim, uma seleção que apresenta alguns dos melhores momentos de Maysa, abrilhantando esta centésima edição do nosso GRB (e pretendemos, claro, ir muito além). Ouçam e recordem conosco estes agradáveis momentos!  

* Texto de Samuel Machado Filho

 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Jackson Do Pandeiro - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 99 (2014)


Estamos de volta com o Grand Record Brazil, em sua edição de número 99, apresentando a segunda e última parte da retrospectiva que dedicamos ao “rei do ritmo”, Jackson do Pandeiro. Aqui encontraremos mais 14 gravações históricas deste que foi sem dúvida um dos mais expressivos intérpretes da música regional nordestina. Abrindo a seleção desta semana, temos “O desordeiro”, samba de autoria de Maruim (Ricardo Lima Tavares), lançado pela Philips em junho de 1962 com o número P61135H-B, sendo também faixa de abertura do LP “A alegria da casa!”. Em seguida, as músicas do 78 de estreia de Jackson na Philips, número P61021H, lançado em julho de 1960, ambas composições suas: o baião “Os cabelos de Maria”, que fez com Rosil Cavalcanti (lado B), e o rojão (tipo mais acelerado de baião) “O povo falou”, parceria com Elias Soares (lado A), ambas também incluídas no compacto duplo de 45 rpm “O sucesso do momento”. Da safra de Jackson do Pandeiro na Columbia são as faixas seguintes, ambas lançadas por volta de maio de 1959 sob número CB-11146: no lado A, o chamego ‘Forró na gafieira”, de Rosil Cavalcanti, matriz CBO-2025, e no verso, matriz CBO-2027, o baião “Cantiga do sapo”, do próprio Jackson em parceria com o misterioso Buco do Pandeiro. Ambas as músicas também integraram o primeiro LP do “rei do ritmo” na Columbia, sem título (LPCB-37056), e que abre justamente com “Forró na gafieira”. Depois temos um autêntico clássico: o batuque “O canto da ema”, de João do Valle, Ayres Viana e Alventino Cavalcanti, lançado pela Copacabana em 1956 com o número 5661-B, matriz M-1678, regravado inclusive por Gilberto Gil. E, na faixa seguinte, você tem o lado A, “Coco social”, de Rosil Cavalcanti (crônica interessante a respeito da aceitação dos ritmos nordestinos na chamada alta sociedade, citando até mesmo Jacinto de Thormes, colunista social muito lido na época), matriz M-1677, ambas também incluídas no LP de 10 polegadas “Os donos do ritmo” (isto é, Jackson do Pandeiro e Almira Castilho), que abre com “O canto da ema”. O rojão “Ele disse”, de Edgar Ferreira, é uma homenagem ao ex-presidente Getúlio Vargas, e foi lançado pela Copacabana em 1956, dois anos após o trágico suicídio do chefe da Nação, sob número 5579-A, matriz M-1503. A música cita inclusive uma frase da carta-testamento de Getúlio: “O povo de quem fui escravo jamais será escravo de ninguém”. Do Copacabana 5553, também de 1956, são as faixas seguintes, o coco “Falso toureiro”, do próprio Jackson com Heleno Clemente (lado B, matriz M-1415), e o baião “Rosa”, de Ruy de Moraes e Silva (lado A, matriz M-1416). Ambas as faixas, mais “Ele disse”, saíram também no LP de 10 polegadas “Forró do Jackson”, sendo “Falso toureiro” a faixa de abertura do mesmo. Nesse vinil também está nossa próxima faixa, “Coco do Norte”, composição de Rosil Cavalcanti lançada em agosto-setembro de 1955 no 78 número 5444-B, matriz M-1168. Depois temos as faixas do primeiríssimo disco de Jackson, o Copacabana 5155, lançado em outubro-novembro de 1953, ambas clássicos inesquecíveis: o rojão “Forró em Limoeiro”, de Edgar Ferreira, matriz M-578, e o divertido coco “Sebastiana”, de Rosil Cavalcanti, matriz M-579. E, encerrando com chave de ouro, e aproveitando o atual clima de Copa do Mundo, o rojão “Um a um”, de Edgar Ferreira, lançado em 1954 com o número 5234-A, matriz M-750, curiosamente às vésperas de uma outra Copa, que aconteceu na Suécia, e na qual o Brasil foi eliminado pelo então supertime da Hungria (apesar disso, os húngaros acabaram perdendo o título para a antiga Alemanha Ocidental). Enfim, uma impecável seleção com momentos inesquecíveis do legado de Jackson do Pandeiro, para colecionadores e apreciadores da melhor música nordestina e brasileira. Até a próxima, pessoal!

* Texto de Samuel Machado Filho 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Taxi - Dois Em Um (2014)


Bom dia, amigos cultos e ocultos! Mexendo em meus arquivos musicais ontem, topei com dois discos que me foram enviados, nem lembro por quem. Trata-se do grupo carioca Taxi, uma banda de funk e soul que agitava os bailes do Rio nos anos 70. O fato é que ao ouvir, na curiosidade, acabei também indo atrás de alguma informação, pois eu pouco me lembrava deste grupo, a não ser pelo 'sucesso regional' da música "Pode chorar", que chegou a ecoar também entre os 'blacks' aqui da minha Beagá.
O Taxi foi uma banda de 'black music' formada por ex-integrantes dOs Diagonais, de Cassiano. Os motoristas desse Taxi eram Amaro, Camarão e Max. Camarão é irmão de Cassiano que também andou dando suas 'palinhas' nesse taxi. Pelo que eu sei, o grupo gravou apenas dois discos, o "Pode chorar" em 79 e outro, "Um dia no tempo" em 80. Embora apresentando uma música de boa qualidade, o Taxi não conseguiu ir muito longe. Isso talvez tenha a ver com o fato de que ao longo desse curto espaço de tempo muita merda aconteceu. Dois dos integrantes originais (Max e Amaro) morreram, dando assim uma desestabilizada no trabalho, levando o Taxi a parar definitivamente.
Os dois discos do Taxi, pode se dizer, são hoje puras raridades. Não se encontra um exemplar nem no Mercado Livre. As capas então, muito menos. Por essas e por outras é que eu achei de ressuscitá-los aqui, reunindo os dois discos numa embalagem só. Com fragmentos, criei uma nova capa, montando assim um 'webdisco' exclusivo para listar em nossa coleção, o qual eu dei o nome de "Dois em Um". Espero que esteja no agrado daqueles que escutam música com outros olhos ;)

quero dançar
pode chorar
eu não quero esquentar
nosso mundo de sonhos
ame os seus
eu preciso de você
tema do taxi
foi você
tempo de viver
melô da garrafa
um dia no tempo
amor nào vai faltar
só saudade restou
vacilão
o homem
lindo é teu amar
canção de amor
razão de ser
a volta
bobeira

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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Jackson Do Pandeiro - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 98 (2014)


Em sua nonagésima-oitava edição, e prosseguindo em sua brilhante e expressiva trajetória, o Grand Record Brazil tem a honra de apresentar a primeira de duas partes de uma retrospectiva dedicada a um dos nomes mais expressivos da música regional nordestina. Estamos falando de Jackson do Pandeiro.  Nosso focalizado recebeu na pia batismal o nome de José Gomes Filho, e foi o primeiro grande artista paraibano surgido em plena era do rádio. Veio ao mundo na cidade de Alagoa Grande, no dia 31 de agosto de 1919, filho de José Gomes e de Flora Maria da Conceição, uma cantora de cocos que usava o pseudônimo de Flora Mourão, e lhe deu de presente  o primeiro instrumento musical:  um pandeiro, é claro. Seu nome artístico veio de um apelido dado por ele mesmo: Jack, inspirado em um mocinho de filmes de faroeste americanos, Jack Perry. Cantava no interior da sua Paraíba natal desde a adolescência, e fez algumas duplas antes de se consagrar como artista-solo, a primeira com Zé Lacerda, em Campina Grande, ainda como Jack do Pandeiro. Em 1947, às vésperas de começar a ganhar popularidade nas rádios locais, e de ser rebatizado artisticamente como Jackson do Pandeiro (por sugestão de um diretor de programa de rádio, pois ficaria mais sonoro e causaria mais efeito quando fosse anunciado), formou a dupla Café com Leite, com Rosil Cavalcanti, em João Pessoa. Esse duo teve apenas um ano de existência, mas a amizade e a parceria refletiriam no início da carreira-solo de Jackson.  Em 1953, foi contratado pela Rádio Jornal do Commercio, do Recife,  (que tinha o slogan “Pernambuco falando para o mundo”), pertencente à família Pessoa de Queiroz. Foi lá que conheceu Almira Castilho de Albuquerque, com quem se casou em 1956, e viveu até 1967. A segunda esposa de Jackson foi a baiana Neuza Flores dos Anjos, de quem ele também se separou pouco antes de morrer.  Ainda em 1953, já ganhando notoriedade nacional e despertando o interessa das gravadoras, Jackson conhece Luiz Gonzaga, que imediatamente propõe encaminhá-lo à direção da RCA Victor. Porém, Jackson acaba preferindo a Copacabana, por ter escritório no Nordeste. Antes do Natal de 1953, sai seu primeiro disco, um 78 com “Forró em Limoeiro” (Edgar Ferreira) e “Sebastiana” (Rosil Cavalcanti), com êxito imediato. E seguiram-se inúmeros outros sucessos, tais como “O canto da ema”, “O crime não compensa”,  “Lapinha de Jerusalém”, “Chicletes com banana”, “Um a um”, “Cantiga do sapo”,  além dos que foram reunidos neste primeiro volume e comentaremos a seguir. Após serem agredidos fisicamente durante uma passagem pelo Recife, Jackson e Almira  decidem residir no Rio de Janeiro, onde são contratados pela então poderosa Rádio Nacional, “a estação das multidões”. Mesclando com sabedoria temas carnavalescos, juninos e até natalinos, os discos de Jackson animavam qualquer ocasião, e deixavam os críticos abismados  com sua facilidade em cantar gêneros variados. O longo tempo em que Jackson tocou em cabarés aprimorou sua capacidade jazzística, sendo também famosa  sua maneira de dividir a música. Diz-se até que o próprio João Gilberto aprendeu a dividir com Jackson, que é considerado por muitos o maior ritmista da música popular brasileira, tanto que era conhecido como “o rei do ritmo”. Além de vários 78 rpm, sua discografia inclui mais de 30 LPs, o último deles, “Isso é que é forró”, lançado em 1981. Foram 29 anos de carreira, tendo passado também pelas gravadoras Columbia (e sua sucessora, a CBS), Philips, Continental e Cantagalo, tendo também participado de inúmeros projetos coletivos. Diabético desde os anos 1960, Jackson do Pandeiro faleceu em 10 de julho de 1982, na Casa de Saúde Santa Lúcia, em Brasília, DF, em decorrência de complicações de embolia pulmonar e cerebral. Ele tinha participado de um show na Capital Federal  uma semana antes, e no dia seguinte passou mal no aeroporto antes de embarcar para o Rio de Janeiro. Seu corpo foi sepultado no Cemitério do Caju, no Rio, e hoje seus restos mortais encontram-se em sua cidade natal, Alagoa Grande, em um memorial que a população do município preparou em sua homenagem. Alceu Valença costuma dizer que Luiz Gonzaga é o Pelé da música, e Jackson do Pandeiro, o Garrincha. É o que comprovaremos na seleção deste primeiro volume que o GRB lhe dedica, com 16 gravações, evidentemente preciosas e de valor histórico, a maior parte delas editadas em 78 rpm pela Copacabana, e reunidas depois em LPs de 10 e 12 polegadas. Abrindo este volume, o coco “A mulher do Aníbal”, de Genival Macedo e Nestor de Paula, lançado por volta de abril de 1954 com o n.o 5234-B, matriz M-749. A faixa seguinte é o xote “Cremilda”, de Edgar Ferreira, bem divertido e malicioso, lançado em maio de 1955 sob n.o 5412-A, matriz M-1014. O outro lado, matriz M-885-2, está na faixa 8: é o samba “Falsa patroa” de Geraldo Jacques e Isaías Ferreira. A faixa 3 é da fase de Jackson na Philips, o “Frevo do bi”, de Brás Marques e Diógenes Bezerra, alusivo à conquista do bicampeonato mundial de futebol (Copa do Mundo) pela Seleção Brasileira no Chile, lançado em junho de 1962, disco P61135H-A (inquebrável e de vinil!), e que nessa ocasião também foi gravado na Continental por um certo Papi Galan. Na quarta faixa, voltando à Copacabana, temos o rojão (tipo de baião mais acelerado) “Cabo Tenório”, de Rosil Cavalcanti, por certo inspirado em um polêmico político dessa época, o alagoano Tenório Cavalcanti (1906-1987), aliás interpretado pelo recém-falecido José Wilker no filme ‘O homem da capa preta”, em 1986. O disco recebeu o número 5741-B, e foi lançado por volta de março de 1957, matriz M-1866. Em seguida você tem justamente o lado A, o “Xote de Copacabana”, do próprio Jackson do Pandeiro (que assina com seu nome verdadeiro, José Gomes), matriz M-1865. A sexta faixa é outro  xote,“Moxotó”, também de José Gomes (ou seja,o próprio Jackson), agora em parceria com Rosil Cavalcanti, datado de 1956, disco 5579-B, matriz M-1504. Em seguida, o clássico “Dezessete na corrente”, rojão de Edgar Ferreira e Manoel Firmino Alves, de 1954, disco 5287-A, matriz M-884-2. O lado B está na décima faixa: é o batuque “O galo cantou”, de Edgar Morais, matriz M-883-2. Na faixa 9, o baião “No quebradinho”, de Marçal Araújo e José dos Prazeres, lançado em agosto-setembro de 1955, disco 5444-A, matriz M-1015. Na décima-primeira faixa, o contagiante “Micróbio do frevo”, de Genival Macedo, para o carnaval de 1955, e que saiu ainda em novembro de 54 com o número 5331-A, matriz M-980. E o lado B, matriz M-981, e faixa 15 desta seleção, é “Vou gargalhar”, samba de Edgar Ferreira que foi um dos campeões da folia de 1955. Na décima-segunda faixa, o divertido “Forró em Caruaru”, rojão que tem a respeitável assinatura do pernambucano Zé Dantas (1921-1962), também parceiro de Luiz Gonzaga em inúmeros hits. Foi lançado em março-abril de 1955 sob n.o 5397-A, matriz M-1104, tendo no verso justamente a faixa seguinte, o batuque “Pai Orixá”, de Edgar Ferreira, matriz M-882-3). Para encerrar, as duas faixas são do disco Copacabana 5277, lançado em 1954: “Eta baião!”, de Marçal Araújo (lado B, matriz M-823-2, faixa 14) e o coco “Boi brabo”, de Rosil Cavalcanti (lado A, matriz M-822-2). É a faixa que termina com chave de ouro a primeira parte da retrospectiva que o GRB dedica a Jackson do Pandeiro, fazendo justiça a este notório, expressivo e até hoje lembrado nome da música regional nordestina, prometendo a segunda parte para a próxima semana. Até lá e fiquem com Deus!

* Texto de Samuel Machado Filho 


segunda-feira, 7 de abril de 2014

A Música De Buci Moreira (parte 2) - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 97 (2014)


E aí vai para todos os nossos amigos cultos, ocultos e associados, mais uma edição do Grand Record Brasil, a de número 97, apresentando a segunda e última parte da retrospectiva dedicada ao compositor Buci Moreira (1909-1982), oferecendo mais dez gravações históricas com suas músicas. Abrimos esta segunda parte com Carlos Galhardo, interpretando o samba “Loucura”, parceria de Buci com Oswaldo Lira e A. F. Conceição, gravado na RCA Victor em 17 de outubro de 1955 e lançado em janeiro de 56, destinando-se evidentemente ao carnaval, sob n.o 80-1539-B, matriz BE5VB-0896. “O cantor que dispensa adjetivos” também está na faixa 8, “Adoro o samba”, em que Buci Moreira tem como parceiro (aliás, um de seus mais constantes) Arnô Canegal, gravação Victor de 26 de agosto de 1941, lançada em novembro do mesmo ano sob n.o  34830-B, matriz S-052344. Prosseguindo, na faixa 2, temos o grande flautista Benedito Lacerda, à frente de seu grupo Gente do Morro, e também cantando, no samba “Preto d’alma branca”, só de Buci Moreira, que mostra a banalidade do preconceito racial. Foi lançado pela Brunswick (marca americana de curta duração no Brasil) em janeiro de 1931, por certo também visando o carnaval, com o n.o 10128-A, matriz 528. Em seguida  vem o misterioso H. G. Americano, intérprete de curta carreira fonográfica (apenas seis discos com dez gravações, em 1929/30), com o samba “Mulher soberba”, em que Buci tem como parceiro Oswaldo Santiago, lançado pela Odeon em agosto de 1930 com o n.o 10657-B. Depois, Francisco Alves nos traz outro samba, “Em uma linda tarde”, parceria de Buci Moreira com Nasinho (apelido de Norival Reis), gravação Victor de 16 de abril de 1935, lançada em julho seguinte com o n.o 33946-A, matriz 79877, com acompanhamento da orquestra Diabos do Céu, do mestre Pixinguinha. O gaúcho Alcides Gerardi vem com “Protesto”, samba em que Buci tem como parceiro Felisberto Martins, então diretor artístico da Odeon, onde o cantor o gravou em 9 de junho de 1952, com lançamento em setembro do mesmo ano, disco 13318-B, matriz 9332. Henricão (Henrique Felipe da Costa, 1908-1984), também compositor de renome, aqui comparece com o samba “Pra que tanto ciúme?”, de Buci Moreira em parceria com Lacy Martins (irmão de Herivelto), gravado na mesma Odeon em 10 de dezembro de 1937 e lançado em janeiro de 38, com vistas ao carnaval, disco 11565-A, matriz 5731. Pioneiro da música country no Brasil, Bob Nélson (Nélson Roberto Perez, Campinas, SP, 1918-Rio de Janeiro, 2009), devidamente acompanhado de seus “rancheiros” (entre eles nada mais nada menos que Luiz Gonzaga à sanfona), apresenta a marchinha “Companheiro de caçada”, em que o parceiro de Buci Moreira é o ator Macedo Neto, que atuou no rádio e na televisão e foi inclusive marido de Dolores Duran. Foi gravada na RCA Victor em 26 de outubro de 1949, e lançada em janeiro de 50 (para o carnaval, claro) sob n.o 80-0634-A, matriz S-078961. O eterno “metralha do gogó de ouro”, Nélson Gonçalves (1919-1998) nos traz o samba “Perfeitamente”, do trio Buci Moreira-Arnô Canegal-Carlos de Souza, gravação Victor de 7 de abril de 1943, lançada em junho seguinte sob n.o 80-0086-B, matriz S-052749. Tem versos algo confusos, mas merece ser ouvido.  E, para encerrar com chave de ouro, volta Francisco Alves, agora junto com o Trio de Ouro em sua primeira formação (Dalva de Oliveira, Herivelto Martins e Nilo Chagas), com o samba “Não é assim que se procede”, do quarteto Bucy Moreira-Arnô Canegal-Raul Marques-Henrique de Almeida, do carnaval de 1945, gravação Odeon de 13 de dezembro de 44 lançada bem em cima da folia, em fevereiro, disco 12550-B, matriz 7735. O próprio Herivelto comanda o acompanhamento, a cargo de sua escola de samba, e no final da gravação comete um erro crasso dizendo “Não é assim que se PORCEDE”! Isso, porém, é apenas é um detalhe. E assim apresentamos a segunda e última parte da retrospectiva do GRB dedicada a Buci Moreira. Até a próxima e muito obrigado pela atenção e carinho!

* Texto de Samuel Machado Filho


sexta-feira, 4 de abril de 2014

João Gilberto - El Concierto Del Dia Seguinte - Madrid 1985 (2014)

Olá amigos cultos e ocultos! Como havia dito, esta é uma semana de surpresas e exclusividades, que fazem do Toque Musical um espaço único e sem igual (ups, até rimou). Para a nossa sexta feira eu estou trazendo uma outra produção da casa. Mais um bom registro do nosso querido João Gilberto, que com toda certeza vai fazer sucesso por aqui.
Há algum tempo atrás, conversando com um amigo espanhol, ele me contou sobre a primeira vez que o João Gilberto se apresentou na Espanha. Me disse que um amigo seu havia gravado todo show e por contingências do destino, ele foi quem acabou ficando com a fita. Uma pepita de ouro para ele. Um registro histórico guardado a sete chaves. Eu, na época dessa conversa bem que tentei convencê-lo a liberar o áudio para o Toque Musical, mas ele foi irredutível. Mas, como dizem, o que é do homem o bicho não come. Foi só esperar e eis que agora me chegou todo o material. Através de uma boa dica de um dos nossos amigos, consegui puxar pelo Torrent o comentado primeiro concerto de João Gilberto na Espanha. Acredito que este arquivo sonoro não seja o mesmo deste amigo espanhol. Provavelmente haviam outros também fazendo o 'piratex'. O arquivo que baixei no Torrent veio com um áudio baixo, com as músicas separadas de maneira tosca, desmembradas de um áudio linear, um programa da Radio Nacional de España/Radio 3, segundo informação do texto em anexo, veiculado em 2010. Certamente, desde então, muita gente pode ter gravado este programa. E agora ele está aqui. Eu recuperei o áudio, dando um ganho substancial. Criei a arte e capinha, pois afinal a coisa aqui tem que ter uma boa apresentação. Não sei se vou agradar, mas acho que a capa ficou bonitinha.
Para uma melhor compreensão do que foi este show em Madrid, reproduzo a baixo o texto do "Anonymous":
Show realizado em 19 de julho de 1985, João contava 54 anos de idade. Na noite anterior, portanto aos 18 de julho daquele ano, João havia executado sua mítica apresentação no festival de Montreux, que virou o primeiro disco ao vivo de sua carreira. Organizado pela prefeitura de Madrid, o show fazia parte da programação de "Los Veranos de la Villa", onde constavam duas noites dedicadas à Bossa Nova. Na programação estavam agendados Antônio Carlos Jobim & Banda Nova para o dia 19/07 e João Gilberto para o dia 20/07. Tom já estava na Espanha, onde se apresentou no IX Festival de Jazz de Vitória-Gasteiz no dia 17/07. Contudo, João e sua equipe solicitaram à organização do evento que invertesse as datas de apresentação – muito possivelmente por motivos de saúde, uma vez que é possível perceber nessa gravação que João começava a transparecer um início de gripe, tossindo entre as canções. Com as entradas esgotadas para os dois dias, os organizadores atenderam ao pedido do artista e trocaram as datas. Assim, quem havia comprado entradas para ver Tom acabou assistindo João e vice-versa. Foram quase 1h30min de espera no sufocante verão de Madrid, e o público recebeu João "en el recinto castrense del Patio Central del Conde Duque de Madrid" com uma algazarra entre o alívio e a indignação. É possível que tenha sido seu primeiro concerto na Espanha. Vestia a mesma roupa que usara na noite anterior na Suíça (paletó cinza de padronagem xadrez, calça bege e tênis branco). Manteve praticamente o mesmo repertório e a mesma máxima potência hipnótica, ainda assim percebe-se um show sensivelmente distinto do anterior, capaz de revelar, no cotejo entre as apresentações, informações preciosas acerca do bruxo de Juazeiro. Para além das canções incluídas no disco de Montreux, podemos escutar nessa gravação de Madrid as canções "Wave", "Chega de saudade", "Eclipse", "Doralice" e "Aos pés da cruz". O destaque fica para "Você já foi à Bahia?", escrita por Dorival Caymmi e inédita em toda a discografia oficial ou mesmo dentre as gravações piratas disponíveis na rede.

tim tim por tim tim
você já foi a bahia?
rosa morena
sem compromisso
wave
retrato em branco e preto
pra que discutir com madame
desafinado
chega de saudade
garota de ipanema
o pato
eclipse
adeus américa
a felicidade
estate
isto aqui o que é
doralice
menino do rio
aos pés da cruz
preconceito
aquarela do brasil

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quinta-feira, 3 de abril de 2014

Rita Lee & Tutti Frutti - Ao Vivo No Teatro Zaccaro SP 1976 (2014)

Olá, amigos cultos e ocultos! Estou tendo uma semana cheia de novidades, porém me falta o tempo necessário para encantar vocês. Nesta semana eu espero ainda apresentar aqui pelo menos duas curiosidades, ao estilo do Toque Musical. Ou melhor dizendo, duas produções exclusivas da casa ;)
Eis aqui a primeira, Rita Lee e sua banda Tutti Frutti em show realizado no Teatro Zaccaro, em Sampa, no ano de 1976. Um ano conturbado para a cantora, quando então enfrentou entre outras uma prisão por porte de maconha. Foi o ano também de lançamento do álbum "Entradas & Bandeiras". Este show, me parece, foi o último com a banda. Ela depois partiria para uma carreira, digamos, mais solo e pop. O presente registro não é nenhuma coisa muito rara, podendo até ser encontrado no Youtube. Aqui, eu trago para vocês o show todo editado e no formato que a gente gosta, de um autêntico disco. A qualidade do som é razoável, vale mais pelo seu lado histórico. Além de tocar o repertório de "Entradas & Bandeiras", ela ainda incrementa o show com clássicos dos Stones, Emerson Lake & Palmer, Rick Derringer e até o "Para Lennon e McCartney" de Milton Nascimento.

bruxa amarela
from the beginning
2001
com a boca no mundo (tico tico)
rock and roll hoochie koo
arrombou a festa
superstafa
para lennon e mccartney
corista de rock
posso contar comigo
drift away
esse tal de roque enrow
coisas da vida
superstafa bis
brown sugar

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