domingo, 22 de abril de 2012
Erasmo Carlos, As Frenéticas E Sérgio Sampaio - Projeto Pixinguinha (1981)
terça-feira, 10 de abril de 2012
Alfredo Moretti, Blackout, Carlos Galhardo, Cauby Peixoto, Francisco Alves - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 17 (2012)
Projeto Pixinguinha - Coletânea Especial Do Toque Musical (2012)
Boa noite, amigos cultos, cultos e associados! Chegamos à mais um sábado de coletâneas. Aleluia! Para o dia de hoje eu estou trazendo um seleção de alguns registros ao vivo, do memorável "Projeto Pixinguinha", ainda em suas primeiras edições. Este famoso projeto musical foi, de uma certa forma, idealizado (ou viabilizado) por Hermínio Bello de Carvalho, então vice presidente da Sombras (Sociedade Musical Brasileira). Inspirado na série "Seis e Meia", de shows, com ingressos a preços populares, que acontecia no Teatro João Caetano (RJ), em 1976. O Projeto nasceu em 1977, reunindo diversos artistas da MPB. Eram colocados num mesmo espetáculo dois ou três nomes, iniciantes e veteranos. Uma 'dobradinha' musical de sucesso que fez história e mereceu novas edições. Bom, mas essa história quem conta em detalhes é o site da Funarte, o "Brasil Memóra das Artes", que busca digitalizar um acervo de imagens, áudios e vídeos preciosíssimo e que para a nossa felicidade está totalmente disponível. Uma iniciativa super bacana que merece ser explorada. Dentro desta 'exploração', eu tomei o trabalho de extrair todos os áudios, as gravações do Projeto Pixinguinha. Que coisa fascinante, passei o dia de hoje só por conta disso. Minha ideia inicial não era a de copiar esses arquivos, mas vendo a dificuldade de muitos em acessar os arquivos através de uma conexão 'meia boca banda larga', achei que seria uma boa copilar tudo, criando assim alguns 'disquinhos virtuais', típicos aqui do Toque Musical. Agora todos podem ter realmente acesso às gravações, sem necessariamente depender de uma conexão contínua, que muitas vezes sofre interrupções (é um saco isso). Por outro lado, espero estar também ajudando a divulgar esse maravilhoso site de cultura. Pretendo ir, ao longo do tempo, apresentando aqui as diversas gravações, em edições como esta. Teremos, em produções exclusivas, as gravações dos shows, editadas e remixadas, com capinhas atraentes (como se precisasse) que irão certamente agradar a todos no GTM.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Ademilde Fonseca - 16- Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 16 (2012)
No dia 27 de março de 2012, o Brasil perdeu uma de suas cantoras mais expressivas, e um autêntico ícone da chamada era do rádio: Ademilde Fonseca Delfim. E o Grand Record Brazil presta merecida e expressiva homenagem a esta que foi conhecida como “rainha do chorinho”, reunindo 40 preciosas gravações em 78 rpm, selecionadas entre as mais de 80 deixadas pela cantora nesse formato. Ademilde nasceu em Macaíba, RN, em 4 de março de 1921. Aos quatro anos de idade mudou-se com a família para a capital potiguar, Natal, ali vivendo até 1941. Gostava de cantar desde criança, e ainda na adolescência começou a se interessar por serestas, travando conhecimento com músicos lá de Natal. Foi com um desses seresteiros, Naldimar Gedeão Delfim, que Ademilde contraiu núpcias, indo morar com ele no Rio de Janeiro. Em 1942, após um teste na Rádio Clube do Brasil, apresentou-se no programa de calouros “Papel carbono”, de Renato Murce. Nesse mesmo ano cantou em uma festa, acompanhada pelo regional do flautista Benedito Lacerda, o choro clássico “Tico-tico no fubá”, de Zequinha de Abreu, com letra do dentista Eurico Barreiros, que a havia feito especialmente para sua filhinha Ely cantar, onze anos antes, sendo tal letra conhecida por Ademilde desde menina. Benedito gostou tanto de sua interpretação que a levou à gravadora Columbia (futura Continental), cujo diretor artístico era o grande João “Braguinha” de Barro, para registrar seu primeiro disco. Isso se deu em 10 de agosto de 1942, e foi a primeira vez que o “Tico-tico” foi gravado com letra, e sete anos depois da morte de Zequinha de Abreu. Lançado em setembro seguinte com o número 55638, o disco trouxe no verso o samba “Volte pro morro”, do próprio Benedito Lacerda com Darcy de Oliveira. Nele também comparece como sanfoneiro o grande Luiz Gonzaga, certamente não creditado no selo por ser contratado da RCA Victor. E os chorinhos cantados por Ademilde foram se sucedendo, sempre com sucesso: “Apanhei-te, cavaquinho”, “Urubu malandro”, “Brasileirinho”, “Teco-teco”, “O que vier eu traço” “Pedacinhos do céu”, “Pinicadinho”, etc., dando à cantora o título incontestável de “rainha do chorinho”. Em 1944, levada pelo cantor Déo, Ademilde foi para a Rádio Tupi (“o cacique do ar”), apresentando-se com os regionais de Claudionor Cruz e Rogério Guimarães. Em 1952, ela seguiu para a França, junto com a Orquestra Tabajara de Severino Araújo para participar de um espetáculo produzido em Paris pelo jornalista e empresário de comunicação Assis Chateaubriand, dono dos Diários e Emissoras Associados. Em 1954, transferiu-se para a então poderosa Rádio Nacional, onde se apresentou com os regionais de Canhoto (Waldomiro Frederico Tramontano), Jacob do Bandolim e Pixinguinha, e também das orquestras de dois “cracões” da emissora da Praça Mauá, Radamés Gnatalli e Chiquinho. Em 1964, a cantora fez uma excursão pela Península Ibérica (Portugal e Espanha), ao lado de nada mais nada menos que Jamelão, sendo que em Lisboa Ademilde ficou cerca de seis meses em cartaz. Após quinze anos de afastamento, em 1975, Ademilde voltou ao disco, lançando um bem cuidado LP na marca Top Tape, apresentado-se, durante essa década, em shows no Teatro Opinião, do Rio. Participou do CD coletivo 'Café Brasil”(2001) e do espetáculo “As eternas cantoras do rádio”, ao lado de Violeta Cavalcanti, Carmélia Alves e Ellen de Lima. Nos últimos anos de vida, Ademilde vinha fazendo shows juntamente com a filha, Eymar Fonseca, mostrando que ainda estava em plena forma. Dias antes de falecer, aos 91 anos de idade, a cantora havia gravado uma entrevista para o programa “Sarau”, da emissora de TV paga Globo News. Nesta décima-sexta edição do GRB, inúmeros momentos expressivos da carreira de Ademilde Fonseca. “Tico-tico no fubá”, claro, está nesta seleção, e é a primeira faixa. Ao lado de outros chorinhos famosos, como “Apanhei-te, cavaquinho”, “Doce melodia”, “Galo garnizé”, Dinorah”, tem também samba de carnaval (“Sentenciado”), baião (“Meu Cariri”, co-autoria de Dilú Mello, também responsável pelo hit “Fiz a cama na varanda”, sendo que na época do lançamento desse baião, 1953, havia uma gravíssima seca no Nordeste), toada (a bem-feitinha “Se amar é bom”, melodia de José Maria de Abreu e letra de Antônio Domingues, o lado B do disco de “Meu Cariri”), música de festa junina (“Fogueira”, também de Abreu com Jair Amorim), e até mesmo a curiosa “Baião em Cuba”, mostrando a nítida semelhança do baião com os ritmos afro-caribenhos então em moda, tipo rumba, mambo, etc. O clássico baião “Delicado” também marca ponto, e dada a tessitura rítmica, só Ademilde poderia gravá-lo, posto ser um “baião -choro”, com a vertiginosa rapidez que lhe era peculiar. Enfim, uma riquíssima e expressiva retrospectiva da carreira desta insubstituível cantora que é Ademilde Fonseca.
Pra terminar, eu gostaria de fazer uma solicitação que nada tem a ver com esta resenha, mas que o próprio Augusto me sugeriu. Estou à procura da música “Maria da Piedade”, de Evaldo Ruy, que foi a primeira gravação do cantor Mauricy Moura (Santos, SP, 1926-São Paulo, 1977). Ela saiu pela Sinter em maio de 1952, no 78 de número 142-A (com um monte de zero antes!). Teve inclusive um blogueiro chamado Marcos Massolini, também jornalista e poeta, que administra o blog Almanaque do Malu (é o apelido dele) que comprou em um sebo da Av. Duque de Caxias, centro de São Paulo, um LP de 10 polegadas chamado “Meia-noite”, também da Sinter, claro, que reproduz a gravação do Mauricy pra “Maria da Piedade”, mostrou a capa do disco no blog, tudo, mas não o disponibilizou para download. Cheguei a escrever ao tal Malu pedindo uma cópia em mp3 do “Maria da Piedade”, ele até me respondeu dizendo que ia mandar, mas já se passaram três semanas... e nada! Talvez seja precipitação minha, mas duvido de que ele cumpra sua promessa. Por essa razão, solicito aos amigos cultos e ocultos do TM, que acompanham estas minhas resenhas do GRB, que se alguém tiver o “Maria da Piedade” com Mauricy Moura, enviem uma cópia em mp3 pro email do TM, que aí o Augusto me repassa. Combinado? Por ora, curtamos a inesquecível Ademilde...segunda-feira, 26 de março de 2012
Vários - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 15 (2012)
Luzes, câmera, ação... e música! Sim, esta décima-quinta edição do Gran Record Brazil é dedicada à música de cinema, apresentando temas de filmes nacionais e também de produções hollywoodianas, estas em versões para o idioma tupiniquim.
Começamos com dois temas do filme “Rua sem sol”, dirigido por Alex Viany para a Brasil Vita Filmes, e estrelado por Glauce Rocha, Carlos Cotrim, Dóris Monteiro (ainda de tranças, no papel de uma deficiente visual) e Modesto de Souza. Ambos os sambas-canções são cantados por Ângela Maria, que também participou do filme, claro, interpretando-os, no disco Copacabana 5170, lançado em dezembro de 1953. Abrindo o disco, a faixa-título do filme, “Rua sem sol”, matriz M-641, assinada por Mário Lago e Henrique Gandelmann, e no verso, matriz M-642, o clássico “Vida de bailarina”, de Chocolate (também humorista de rádio e TV) e Américo Seixas. Música muitíssimo gravada (Elis Regina, Zizi Possi, Quarteto em Cy, Agnaldo Timóteo, etc.).
Já que falamos em Adelina Dóris Monteiro (sim, é esse o nome completo dela), ela aqui comparece com o disco Todamérica TA-5220, gravado em 8 de setembro de 1952 e lançado em outubro seguinte, no qual interpreta duas músicas de outro filme de Alex Viany no qual ela também atuou, “Agulha no palheiro”, co-produzido por Moacyr Fenelon (um dos fundadores da lendária Atlântida) e pela Flama Filmes, da família Berardo (em cujos estúdios, situados no bairro carioca das Laranjeiras, instalou-se mais tarde a TV Continental, Canal 9). Primeiro, a música-título do filme, “Agulha no palheiro”, matriz TA-366, de César Cruz e Vargas Jr., e no verso, matriz TA-365, “Perdão”, também de César Cruz, mas sem parceiro.
O eterno Rei da Voz Francisco Alves era um cantor eclético, versátil, e interpretava de tudo que fazia sucesso em sua época em matéria de música. E nesta cinematográfica edição do GRB, ele comparece com três gravações bastante apreciadas: do disco Columbia 55248-A, gravado em 7 de novembro de 1940 e lançado em dezembro seguinte, matriz 339, o samba-exaltação de Braguinha, Alberto Ribeiro e Alcyr Pires Vermelho, “Onde o céu azul é mais azul”, que Chico também cantou no filme “Céu azul”, da Sonofilms, dirigido pelo lusitano Ruy Costa (que como compositor assinava J. Ruy) e tendo no elenco Jaime Costa, Déa Selva, Heloísa Helena (homônima da famosa política), Oscarito e Grande Otelo. Completando a participação do grande intérprete, duas versões gravadas na Odeon, ambas de Haroldo Barbosa, compositor, produtor e redator de programas de rádio (entre eles o de Francisco Alves aos domingos) e TV, jornalista, etc. Do disco 125o5-A, gravado em 8 de agosto de 1944, matriz 7628, o fox “Para sempre adeus (It can't be wrong)”, de Max Steiner e Kim Gannon, do filme americano “A estranha passageira (Now voyager)”, produzido pela Warner em 1942 sob a direção de Irving Rapper e estrelado por Bette Davis, Paul Henreid, Gladys Cooper e Claude Rains. A película venceu, inclusive, o Oscar de melhor escore de filme não-musical. Do filme francês “Inquietação (Fièvres)”, Chico Viola interpreta o fox-canção “Maria”, de Luchesi e Feline, gravação de 21 de setembro de 1946, porém só lançada em maio de 47 com o número 12773-A, matriz 8098. No selo original, a versão é erroneamente creditada a Haroldo Lobo, mas o Haroldo que a fez é mesmo o Barbosa!
Nesta edição também comparece o grande Jorge Goulart, recentemente falecido, com um disco de seu período áureo na Continental, o de número 16816, lançado em julho-agosto de 1953, no qual igualmente interpreta versões de filmes famosos internacionalmente. No lado A, matriz C-3164, a célebre canção “Luzes da ribalta (Limelight)”, composta por Charles Chaplin para o filme de mesmo nome (só lançado nos EUA em 1972, uma vez que Chaplin estava exilado na Suíça por pressão do Comitê de Atividades Anti-Americanas) e vertido por João “Braguinha” de Barro e Antônio Almeida. Versão muito gravada, inclusive por sua mulher, Nora Ney. No verso, matriz C-3165, a “Canção do Moulin Rouge”, de uma produção britânica de 1952 dirigida por John Huston e distribuída pela United Artists (portanto nada a ver com o “Moulin Rouge” de Baz Luhrman). É um a valsa de Georges Aurick e William Engoick, com letra brasileira de Carlos Alberto.
Neyde Fraga (São Paulo, 1924-Rio de Janeiro, 1987), hoje esquecida mas que tinha uma bela voz de veludo, comparece aqui com uma faixa do disco Odeon 13562-A, matriz 9920, gravado em 16 de outubro de 1953 e lançado em dezembro seguinte. É o clássico “Lili (Hi´lili, hi´lo)”, de Bronislau Kaper e Helen Deutsch, com letra brasileira do sempre eficiente Haroldo Barbosa. É do clássico musical americano “Lili”, da MGM, protagonizado por uma das mais famosas atrizes do estúdio do leão, a francesa Leslie Caron. Foi regravada até mesmo em versão “disco music”, por Nalva Aguiar, em 1977!
Sílvio Caldas, o eterno “caboclinho querido”, bate ponto com duas músicas do filme “Maria Bonita”, da Sonoarte Filmes, dirigido por Julian Mandel e baseado no romance homônimo de Afrânio Peixoto, por ele gravadas na Odeon em primeiro de junho de 1937, com acompanhamento da Orquestra Copacabana do palestino Simon Bountman, e lançadas em julho seguinte com o número 11487. No lado A, matriz 5587, o conhecido tema folclórico “Meu limão, meu limoeiro”, adaptado para “samba sertanejo” por José Carlos Burle, também cineasta, e com a participação vocal de Gidinho. No final dos anos 1960, este seria um dos carros-chefes de Wilson Simonal, que só aproveitou o estribilho, mas mesmo assim muita gente cantou isso junto com ele. No verso, matriz 5588, também de José Carlos Burle em parceria com o escritor J. G. De Araújo Jorge (tão discutido quanto lido), esta joia de canção, “Confessando que te adoro”.
Para encerrar, músicas do filme “O cangaceiro”, produção da Vera Cruz dirigida por Lima Barreto e vencedora da Palma de Prata no Festival de Cannes, na França, como melhor filme de aventuras (naquele tempo ainda não tinha a Palma de Ouro e sim o Grande Prêmio da Crítica, vencido na ocasião por “O salário do medo”, de Henri Georges-Clouzot). Vanja Orico, que também esteve no elenco do filme, interpreta a lírica toada “Sodade, meu bem sodade”, feita por Zé do Norte (Alfredo Ricardo do Nascimento, Cajazeiras, PB-1908-idem, 1979) ainda na adolescência. No acompanhamento, o violonista Aymoré e orquestra dirigida por Gabriel Migliori, também responsável pela direção musical do filme, em gravação RCA Victor de 29 de janeiro de 1953, lançada em abril seguinte com o número 80-1101-B, matriz SB-093597. O Trio Marabá, cujos integrantes eram provavelmente mexicanos (afinal chamavam-se Pancho, Panchito e Cármen Durán) vem com sua versão de “Muié rendera”, o tema principal de “O cangaceiro”, lançada pela Copacabana em março-abril de 1953 com o número 5044-A, matriz M-332. No acompanhamento, a curiosa presença do conjunto de Alberto Borges de Barros, o Betinho, filho de Josué de Barros, descobridor de Cármen Miranda, e intérprete do conhecido fox “Neurastênico” (seu e de Nazareno de Brito) e do rock “Enrolando o rock”(dele e de Heitor Carillo), entre outras. Apesar do sucesso, Betinho deixou a carreira para cumprir missão evangelizadora. O próprio Zé do Norte vem com o lado A de “Sodade, meu bem sodade”, com Vanja Orico, matriz SB-093598, interpretando o coco “Meu pinhão”, ou “Meu pião”, de sua autoria, também cantado por ele próprio em “O cangaceiro”. Apesar do êxito internacional do filme, a maior parte dos lucros ficou com a distribuidora, a multinacional americana Columbia Pictures (mais tarde vendida à Coca-Cola e repassada à nipônica Sony), e a Vera Cruz, que tencionava ser uma Hollywood tupiniquim em São Bernardo do Campo (SP), acabou fechando suas portas em 1954, retomando suas atividades em ocasiões esporádicas. Enfim, esta cinematográfica edição do GRB vai enriquecer as coleções de muitos amigos cultos e ocultos com um pouco do melhor que a música produziu para a chamada sétima arte. É ouvir e colecionar!sábado, 24 de março de 2012
Aécio Flávio - Coletânea Toque Musical (2012)
segunda-feira, 19 de março de 2012
Trio De Ouro, Trio Melodia, Trio Madrigal, Trio Marabá, Trio Nagô - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 14 (2012)
Encontros a três... vozes! É o que apresenta esta décima-quarta edição do Gran Record Brazil, apresentando trios vocais que marcaram época na história da música popular brasileira. Logo de saída, temos o Trio de Ouro. E em sua primeira fase, com o “rouxinol do Brasil” Dalva de Oliveira (Rio Claro, SP-1917-Rio de Janeiro, 1972), Herivelto Martins, seu fundador (Engenheiro Paulo de Frontin, RJ, 1912-Rio de Janeiro, 1992), e Nilo Chagas (Barra do Piraí, RJ-1917-Rio de Janeiro, 1973). O disco escolhido foi o Odeon 12185, gravado em 5 de junho de 1942 e lançado em agosto do mesmo ano, com acompanhamento da orquestra do maestro Fon-Fon (Otaviano Romero Monteiro, Santa Luzia do Norte, AL, 1908-Atenas, Grécia, 1951). O lado A, matriz 6964, é simplesmente um clássico: o samba-canção “Ave Maria no morro”, uma das mais famosas obras-primas de Herivelto. Foi muitas vezes gravada, até mesmo em... esperanto! Uma joia apresentada em seu registro original, daqueles indispensáveis para quem não conhece. No verso, matriz 6965, o curioso “lamento negro” “Festa de preto”, de autoria de Humberto Porto (Salvador, BA, 1908-Rio de Janeiro, 1943), parceiro de outros dois grandes compositores, Assis Valente e Benedito Lacerda. A composição é característica da obra de Porto, que trata muito da religiosidade baiana e da história de escravidão dos negros. Porto morreu uma semana depois de seu pai... se suicidando! E o primeiro Trio de Ouro acabaria em 1949, com a ruidosa separação de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins, que organizaria mais duas formações do grupo vocal: a segunda ainda com Nilo Chagas mais Noemi Cavalcanti, e a terceira com Raul Sampaio e Lurdinha Bittencourt.
Em seguida temos o Trio Madrigal, formado na Rádio Mayrink Veiga do Rio de Janeiro, em 1946, pelo maestro Alceu Bocchino. Sua primeira formação tinha Edda Cardoso, Magda Marialba e Margarida de Oliveira (irmã de Dalva), que seis meses depois abandonou o trio para se casar, sendo substituída por Lolita Koch Freire. É esta a formação que aparece nos discos Continental aqui incluídos, com acompanhamento instrumental dirigido pelo maestro gaúcho Radamés Gnatalli, sob o pseudônimo de Vero. No primeiro, de número 16554, gravado em 10 de abril de 1952 e lançado em maio-junho do mesmo ano, elas estão junto com o Trio Melodia (integrado por Albertinho Fortuna, Nuno Roland e Paulo Tapajós e formado na lendária Rádio Nacional para apoio do programa “Um milhão de melodias”) acompanhando vocalmente o cantor Jorge Goulart, que por uma triste coincidência acaba de falecer, aos 86 anos, em sua cidade natal, Rio de Janeiro. São regravações de dois hits de João de Barro, o Braguinha, então diretor artístico da gravadora dos irmãos Byington, intimamente ligados às festas juninas. No lado A, matriz C-2836, a marchinha “Noites de junho”, parceria com Alberto Ribeiro e criação de Dalva de Oliveira em 1939, e, no verso, matriz C-2835, uma obra-prima de Braguinha sem parceiro: o samba-canção 'Mané Fogueteiro”, originalmente lançado em 1934 por Augusto Calheiros. O segundo disco do Trio Madrigal aqui incluído, também de 1952, com lançamento em julho, leva o número 16586. No lado A, matriz C-2903, uma versão do especialista Lourival Faissal para o fox “Bom dia, mister Eco” (“Good morning, mister Echo), de Bill e Belinda Putman. Aqui, nota-se a criatividade do técnico de gravação Norival Reis, o Vavá, que até idealizou uma câmara de eco, fato que ajudou este registro, inclusive, a receber prêmio da Associação Brasileira de Discos naquele ano. No verso, matriz C-2809, a valsa “Convite ao amor”, na verdade uma versão com letra para “Sobre as ondas” (“Sobre las olas”), do uruguaio Juventino Rosas, versos de Lourival Faissal e Luiz de França. Valsa bastante gravada instrumentalmente no Brasil, e seu primeiro registro entre nós surgiu em 1910, com o rancho Ameno Resedá, sob o selo (olha só a coincidência)... Gran Record Brazil!!!
Em seguida temos os Trios Madrigal e Melodia novamente juntos no Continental 20106, lançado para os festejos natalinos de 1951, matrizes 2720 e 2721-R. Evidentemente, como diz o próprio título, é um popurri das mais expressivas”Cantigas de Natal”, de vários autores e/ou de origem folclórica, em arranjo de Paulo Tapajós e Radamés Gnatalli, com o sempre eficiente acompanhamento orquestral deste último, igualmente como Vero.
O Trio Marabá era formado por Pancho, Panchito e Cármen Duran (seriam mexicanos?). Aqui comparece com seu oitavo disco, o Copacabana 5044, lançado em março-abril de 1953, com regravações de dois hits da época: no lado A, matriz M-332, o baião “Mulher rendeira”, de origem folclórica, internacionalmente conhecido graças ao filme “O cangaceiro”, e nele interpretado pelos Demônios da Garoa. A película ganhou a Palma de Prata no festival de Cannes, França, como melhor filme de aventuras, mas quem mais se beneficiou de seu sucesso foi a distribuidora Columbia Pictures, sendo que a produtora, a lendária Vera Cruz, com estúdios em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, acabou falindo um ano depois. No verso, matriz M-333, o clássico samba-canção “Ninguém me ama”, de exclusiva autoria de Antônio Maria, mas com parceria de Fernando Lobo, por acordo que havia entre ambos. Originalmente saiu na voz de Nora Ney, em 1952.
Encerrando, vamos encontrar o Trio Nagô, integrado por Mário Alves de Almeida, Epaminondas de Souza e Evaldo Gouveia. Mário e Epaminondas cantavam na Rádio Clube do Ceará, quando conheceram o então estreante Evaldo Gouveia. Os três logo se tornaram amigos e passaram a cantar juntos na noite de Fortaleza. O grupo se chamava, a princípio, Trio Cearense, nome depois mudado para Trio Iracema e, finalmente, para Trio Nagô. Seu primeiro disco saiu em janeiro de 1953, pela Sinter, com o rasqueado “Moça bonita” e o maracatu “Paisagem sertaneja”. Eles estão aqui com o disco RCA Victor 80-1951, gravado em 24 de março de 1958 e lançado em junho do mesmo ano, com duas composições de Paulo Borges. No lado A, matriz 13-J2PB-0387, o conhecido e clássico rasqueado “Cabecinha no ombro”, lançado em fins do ano anterior por Alcides Gerardi e regravado inúmeras vezes, sendo conhecido até os dias de hoje (quem nunca ouviu?). No verso, matriz 13-J2PB-0388, o belo samba-canção “Cartão postal”. Enfim, uma edição do GRB que irá enriquecer o acervo de muitos amigos cultos e ocultos com algumas das melhores interpretações a três vozes. Divirtam-se!segunda-feira, 12 de março de 2012
Pedro Raimundo - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 13 (2012)
segunda-feira, 5 de março de 2012
Vários Sertanejos - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 12 (2012)
sábado, 3 de março de 2012
A Música De Makely Ka (2012)
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Grand Record Brazil

Muraro - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 11 (2012)
E chegamos à décima-primeira edição do Gran Record Brazil. Aqui apresentamos algumas das melhores gravações do pianista, maestro e compositor Heriberto Leandro Muraro (La Plata, Argentina, 1903-Rio de Janeiro, 1968). Este ilustre “hermano” aportou em terras brasileiras em 1932, logo se apaixonando pela nossa terra. Por décadas a fio percorreu todo o país exercendo sua arte de exímio pianista, excursionando em seguida por Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Itália com repertório de música brasileira. No rádio, atuou nas emissoras cariocas Mayrink Veiga, Nacional e Globo, na Record de São Paulo e na Farroupilha de Porto Alegre. Dirigiu a lendária Nacional por 18 anos, impulsionando a carreira de nomes como Dircinha Batista, Nélson Gonçalves, Joel e Gaúcho, e as irmãs Cármen e Aurora Miranda. Gravou seu primeiro disco na Victor, em 1939, solando ao piano, em ritmo de fox, os sambas “O homem sem mulher não vale nada” e “Meu consolo é você”, hits do carnaval daquele ano na voz de Orlando Silva. Foram mais de trinta discos gravados, entre 78 rpm e Lps. Nesta edição do GRB, um pouco da arte deste talentoso pianeiro portenho-brasileiro, em doze fonogramas. Pra começar, o disco Continental 15887, gravado em 18 de março de 1948 e lançado em maio-junho do mesmo ano, com duas conhecidas marchinhas do mestre João de Barro, o Braguinha, em ritmo de fox. No lado A, matriz 1813, “A mulata é a tal”, parceria com Antônio Almeida, e no verso, matriz 1812, “Tem gato na tuba”, que Braguinha fez com Alberto Ribeiro. Em seguida, registros certamente realizados fora do país. O Odeon 2987 apresenta no lado A, matriz 14719, o fox “Dragões canadenses” (“Canadian capers”), dos americanos Gus Chandler, Bert White e Henry Cohen, composto em 1915. No verso, matriz 14466, e igualmente como fox, “Estudo em vermelho” (“Study in red”), do também americano Larry Clinton, trompetista, trombonista e bandleader. De volta ao Brasil, a interpretação de Muraro para o fox “Narcissus”, do americano Ethelbert Nevin, lançada pela Continental em agosto de 1944 com o número 15182-A, matriz 835. No verso, matriz 836, outra interpretação de Muraro em tempo de fox para “Gigolette”, trecho da opereta homônima de Franz Lehar, nascido na cidade de Komárom, no antigo Império Austro-Húngaro, e hoje situada na Eslováquia, com o nome de Komarno. Prosseguindo, mais um disco gravado no exterior, o Odeon 2947. Abrindo-o, matriz 15662, “Linda flor” (na verdade o famoso “Ai, ioiô”, de Henrique Vogeler, cuja letra mais famosa foi a de Luiz Peixoto e Marques Porto, gravada por Aracy Cortes em 1929). No verso, matriz 15578, o chorinho “Tangará na dança”, de autoria de Lina Pesce, compositora, cantora, bandolinista e pianista, lançado em 1946 pelo acordeonista George Brass. Portanto, este disco, assim como outros dois aqui incluídos, deve ser de 1947, mais ou menos. Em seguida, mais um disco de Muraro aqui gravado, o Odeon 13043, de 22 de maio de 1950, lançado em setembro do mesmo ano. De um lado, matriz 8704, o famoso “Baião”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, e no verso, matriz 8705, o célebre “Moto perpétuo”, de Paganini, que mais tarde recebeu outra ótima interpretação, a cargo de Edu da Gaita. Finalizando, mais duas gravações internacionais de Muraro, em disco Odeon 2912, apresentando dois chorinhos muito conhecidos. No lado A, matriz 14573, “Não me toques”, do mestre Zequinha de Abreu, e no verso, matriz 14465, “Bem-te-vi atrevido”, outra composição de Lina Pesce. Enfim, um resgate mais que oportuno, deste grande músico que foi o argentino-brasileiro Heriberto Muraro. Bom divertimento!
* TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Pery Ribeiro - Apaixonadamente Na Memória (2012)
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Branca De Neve E Os Sete Anões - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 10 (2012)
O Grand Record Brazil, em sua décima edição, convida todos os amigos e ocultos do Toque Musical a voltarem a seu feliz tempo de criança! Aqui trazemos um dos mais famosos contos infantis de todos os tempos: “Branca de Neve e os sete anões”, escrito pelos irmãos alemães Jacob e Wilhelm Grimm, e brilhantemente adaptado para desenho animado por Walt Disney, em 1937, tendo sido, aliás, o primeiro cartoon de longa metragem produzido, e ainda em cores! Deu início a uma série memorável de longas animados da Disney: “Pinóquio”, “Dumbo”, “Bambi, “Cinderela”, “A bela adormecida, “Alice no país das maravilhas” e muitos, muitos outros, praticamente com a mesma característica: para serem vistos e também ouvidos.
A dublagem com que o filme foi lançado nos cinemas brasileiros, feita pela Cinelab, foi supervisionada por João de Barro, o Braguinha, então diretor artístico da gravadora Columbia, mais tarde Continental. Apesar dos recursos técnicos limitados, o resultado foi tão bom que o próprio Walt Disney, em reconhecimento, presenteou Braguinha com um relógio de ouro, especialmente dedicado a ele. Para dublar “Branca de Neve”, recrutou-se a nata da música popular brasileira daqueles tempos: Dalva de Oliveira (a personagem-título), Carlos Galhardo, (o príncipe), Almirante (a voz do Espelho Mágico), além do comediante Batista Júnior, pai das cantoras Linda e Dircinha Batista (o anão Soneca) e dos atores Túlio de Lemos (o caçador), Cordélia Ferreira (a rainha), Estephana Louro (a bruxa), Edmundo Maia (o anão Atchim) e Aristóteles Pena (o anão Zangado), entre outros. Esta dublagem antiga, infelizmente, se perdeu, tanto que em 1965 teve de ser refeita pela extinta Riosom, sob a supervisão de Aloysio de Oliveira e com outro elenco de vozes (foi com esta última dublagem que o filme foi exibido pela Rede Globo de Televisão, no Natal de 2010).
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Nelson Faria, Nico Assumpção E Lincoln Cheib - Trio (2000)
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Orlando Correia, Ronaldo Lupo E Solon Sales - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 09 (2012)
A alegria do reencontro! Assim é que se pode definir esta nona edição do Grand Record Brazil, após duas semanas de ausência involuntária. Apresentamos nesta edição três cantores de muito sucesso em suas épocas, ainda que sejam pouco lembrados atualmente. São eles:
Orlando José Correia (Niterói, RJ, 1928-Rio de Janeiro, 2002). Antes de ser cantor, era mecânico de motores à explosão, diplomado pela General Motors, tendo sido dono até de uma oficina mecânica, além de um hotel e um restaurante, isso após deixar a carreira.. Ciro Monteiro, o “Formigão”, foi quem o descobriu cantando em um parque de diversões de lá de Niterói e o levou para o rádio carioca, atuando primeiro na Mayrink Veiga, depois na Guanabara, na Clube do Brasil e, por 28 anos, na Tupi. Orlando aqui comparece com o disco Todamérica TA-5325, gravado em 16 de junho de 1953 e lançado em agosto do mesmo ano. Na faixa de abertura, matriz TA-485, o samba-canção “Sistema nervoso”, que Wilson Batista, Roberto Roberti e Arlindo Marques Jr. compuseram em uma noite nas escadarias do Palácio Monroe, mais tarde demolido, com a presença de Orlando. Note-se a criatividade do técnico de gravação, Norival Reis, que, para a sonoplastia, usou um carrilhão e um despertador, além de fazer de câmara de eco o banheiro do estúdio! Completando, matriz TA-486, o belo fox “Dançando com você”, da parceria José Maria de Abreu-Jair Amorim, marcada por inúmeros hits inesquecíveis, bastando lembrar, por exemplo, “Alguém como tu”, um marco na carreira de Dick Farney. Dos anos 1980 até 2002, quando morreu, Orlando Correia residiu em Maricá, litoral norte fluminense.
Ronaldo Lupo (São Paulo, 1913-Rio de Janeiro, 2005). Pseudônimo de Ronaldo Lupovici. De origem judaica, foi também compositor, produtor e ator de cinema, tendo presidido o Sindicato Nacional da Indústria Cinematográfica. Ronaldo marca presença aqui com outra preciosidade do acervo da Todamérica, o disco TA-5040, gravado em 4 de dezembro de 1950 e lançado em fevereiro de 51, com duas músicas de sua autoria, No lado A, matriz TA-81, “Baião em Paris”, parceria com o baiano Duque (Antônio Lopes de Amorim Diniz), também dentista e dançarino, responsável pela divulgação do maxixe na Europa e nos EUA, a partir dos anos 1910. Ao parar de dançar, Duque inaugurou, em 1932, a Casa de Caboclo, de arquitetura rústica, na Praça Tiradentes, destinada a divulgação de música brasileira regional e folclórica. Completando o disco, matriz TA-82, Ronaldo apresenta o divertido fox “Depois eu conto”, que fez com Nestor Tangerine, A participação do coro pedindo “Conta! Conta!” é um dos pontos fortes desta composição, que Ronaldo voltaria a gravar em 1958, desta vez pela Columbia. Sua discografia em 78 rpm como intérprete tem apenas 13 discos com 45 fonogramas, nos selos Continental, Todamérica, Columbia e Mocambo.