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terça-feira, 23 de setembro de 2014

Linda Batista, Elizeth Cardoso, Onilda Figueiredo & Carmen Barbosa - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 118 (2014)




E vai para o ar mais uma edição do Grand Record Brazil, a de número 118. É mais um volume dedicado às cantoras, apresentando quatro grandes intérpretes que fizeram história em nossa música popular.
Para começar, temos Linda Batista (Florinda Grandino de Oliveira, São Paulo, 14/6/1919-Rio de Janeiro,  17/4/1988),que marca presença no GRB desta semana com quatro faixas bastante expressivas, todas em gravações Victor. A primeira é a divertida marchinha “No boteco do José”, sucesso do carnaval de 1946, alusivo à conquista do campeonato carioca de futebol pelo Vasco da Gama (o time era então chamado “expresso da vitória”), no ano anterior, invicto, fazendo menção inclusive ao atacante Lelé (Manuel Pessanha, 1918-2003), artilheiro do certame, de chute fortíssimo.  Flamenguista convicto, Wilson Batista fez a marchinha em parceria com Augusto Garcez, e Linda a gravou em 21 de setembro de 1945, sendo lançada ainda em  novembro com o n.o 80-0348-A, matriz S-078294. Logo depois,ao lado das Três Marias, com acompanhamento da orquestra do maestro Passos,  Linda interpreta o clássico samba-canção “Bom dia”, de Herivelto Martins e Aldo Cabral, em gravação de 2 de julho de 1942, lançada pela marca do cachorrinho Nipper em setembro do mesmo ano, disco 34962-A, matriz S-052569. “Bom dia” tem inúmeras regravações, destacando-se as de Dalva de Oliveira e Maria Bethânia. Ruço do Pandeiro e Alfeu de Brito assinam o samba “Quem sabe da minha vida sou eu”, que Linda gravou em 13 de agosto de 1941, com lançamento em outubro seguinte sob n.o 34814-A, matriz S-052327. Linda Batista encerra sua participação neste volume com o divertido samba-de-breque “Eu fui à Europa”, de Chiquinho Sales. No enredo, Linda é uma cantora brasileira que vai se apresentar numa rádio europeia, mas é presa, confundida com uma espiã, e levada para a execução. Porém... tudo não passou de um sonho! Gravação de 10 de junho de 1941, lançada em agosto do mesmo ano com o n.o 34785-A, matriz S-052241. Nestas duas últimas faixas,o acompanhamento é creditado aos Diabos do Céu, mas estes não eram mais os integrantes da orquestra formada e dirigida por Pixinguinha, e sim os do regional de Benedito Lacerda, como sempre fazendo maravilhas com sua flauta inconfundível.  Como a denominação era de propriedade da Victor, outros grupos também podiam aparecer nos selos dos discos como Diabos do Céu, caso do regional de Benedito.
 A eterna “Divina”, “Enluarada” e “Magnífica” Elizeth Cardoso, nascida (16/7/1020) e falecida (7/5/1990) no Rio de Janeiro, intérprete de uma longa e vitoriosa carreira, bate ponto aqui com outras quatro faixas,todas gravadas em seu início de carreira. Primeiro, temos seu primeiro  sucesso maiúsculo, “Canção de amor”, samba do comediante Chocolate (Dorival Silva, 1923-1989) em parceria com Elano de Paula, que se tornaria para sempre carro-chefe de Elizeth. Saiu no disco de estreia da cantora na Todamérica, n.o TA-5010-B, gravado em 27 de julho de 1950 e lançado em outubro seguinte, matriz TA-20, do qual também apresentamos logo depois o lado A, “Complexo”, samba de Wilson Batista e Magno de Oliveira, matriz TA-19. Meses antes, porém, Elizeth  havia gravado seu primeiro disco na Star, futura Copacabana, número 202, do qual apresentamos o samba do lado B, “Mensageiro da saudade”, composto por Ataulfo Alves e José Batista, com acompanhamento da orquestra de Acyr Alves. Esse disco, lançado provavelmente em março de 1950, seria logo retirado das lojas pela gravadora, que alegou “problemas técnicos”, jamais esclarecidos devidamente. Por fim, Elizeth canta “Venho de longe”, samba-canção de Dermeval Fonseca e Alberto Ribeiro, gravação Todamérica de 25 de janeiro de 1952, lançada em abril do mesmo ano, disco TA-5145-B, matriz TA-238.
Natural do Recife, a capital pernambucana, Onilda Figueiredo, a cantora que apresentamos a seguir, deixou, segundo consta,  uma escassa discografia. Gravou, em 78 rpm, quatro discos com oito músicas, entre 1956 e 1958, todos pela Mocambo, gravadora que por sinal tinha sede no Recife, e pertencia aos irmãos Rozenblit.  Foi também contratada da Rádio Jornal do Commércio, e era presença constante nos programas de auditório da emissora recifense, cujo slogan era “Pernambuco falando para o mundo”.  Fez ainda uma participação na coletânea “Catorze maiorais em boleros” (Copacabana, 1964), interpretando “Duas cruzes”. Ei-la aqui com as faixas de seu 78 de estreia, o Mocambo 15094, lançado em junho de 1956, com dois boleros. Primeiro, o lado B, matriz R-695, “Desespero”, de autoria de Ângelo Iervolino. E, em seguida, o lado A, o clássico “Nunca! Jamais! (Nunca! Jamás!)”, matriz R-694, de autoria do mexicano Lalo Guerrero, em versão de Nélson Ferreira, também notável compositor e então diretor artístico da Mocambo. Enorme sucesso, “Nunca! Jamais!” seria mais tarde faixa de abertura do único LP da cantora, o 10 polegadas “A voz de Onilda Figueiredo”, sendo também gravado por outros intérpretes (Ivon Cúri, Ângela Maria, Rosa Pardini, Zezé Gonzaga etc.).
Finalmente, lembramos de uma cantora expressiva, que infelizmente partiu muito cedo: Cármen Barbosa. Carioca do bairro do Catumbi, nascida em 4 de setembro de 1912, ela faleceria em 3 de setembro de 1942, um dia antes de fazer trinta anos, vítima de grave doença. Ela aqui comparece com as quatro faixas finais de nossa seleção desta semana. De início tem “Banalidade”, samba de Gilberto Martins (nada banal,apesar do título), gravação Columbia de 19 de junho de 1939, lançada em julho seguinte sob n.o  55073-A, matriz 165. O samba-canção “Carnaval que passou” é do mestre Benedito Lacerda, que muito incentivou Cármen Barbosa em sua carreira e por sinal a acompanha com sua flauta mágica em todas as quatro faixas que ela interpreta aqui, à frente de seu regional.  Gravação Victor de 30 de abril de 1937, lançada em agosto do mesmo ano, disco 34192-A, matriz 80390 (aqui, o regional de Benedito Lacerda aparece com o nome de Boêmios da Cidade). O samba “Depois que ele partiu” é também de Benedito, agora em parceria com Gilberto Martins, e Cármen o gravou na Columbia em 8 de agosto de 1939, com lançamento em setembro sob n.o 55157-B, matriz 187. Por fim, temos outro bom samba, “Adeus, Favela”, de Nélson Trigueiro e Paulo Pinheiro, gravação Columbia de 13 de maio de 1939, lançada em junho seguinte sob n.o  55069-A, matriz 152. Enfim, uma edição em que o GRB revive quatro grandes cantoras da MPB, cujo legado é sempre desfrutável e imperdível. Até a próxima! 

Texto de Samuel Machado Filho

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Di Melo - Pedra Bruta (2011)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Eu ainda não tive tempo de repor todos os 'toques' solicitados e nem sei se o conseguirei fazê-lo neste fim de semana. Mas podem ficar tranquilos que no mais breve possível tudo ficará resolvido, ok? Enquanto isso, vão curtindo aí as postagens dos últimos dias.
Como eu já havia comentado, na semana passada tivemos em Belo Horizonte o Conexão Vivo, lá no Parque Municipal. Rolou um bom e variado espetáculo, com os mais diferentes artistas. Nos dois dias em que eu pude estar presente, foi possível assistir a muitos shows. Entre tantos que por lá passaram, veio também o Di Melo que se apresentou ao lado da banda Black Sonora. Para os que não se lembram, o Di Melo é aquele artista pernambucano, que nos anos 70 gravou pela EMI-Odeon um álbum muito interessante, tendo como participação nomes como Heraldo do Monte, Hermento Pascoal, Claudio Bertrami e outros... (inclusive o pai do Taiguara tocando bandoneon). Eu já tive este disco, mas por alguma razão o passei para frente.
O Di Melo voltou a tona depois que nos anos 90 foi redescoberto por DJs ingleses. A sua música "A vida em seus métodos diz calma" foi na época incluida na coletânea "Blue Brazil 2" para o mercado internacional. Como sempre acontece, bastou ser resgatado lá fora para que o pessoal aqui dentro redescobrisse ou reconhecesse o talento do cara. Di  Melo volta a ganhar projeção e interesse das novas gerações, já tem inclusive um filme sendo finalizado sobre sua trajetória. Sinceramente, não conheço a história do cara, mas será que vale um filme? Ele é considerado por muitos como um dos importantes artistas que contribuiram para a formação de um estilo 'blacksoulmusicsambarock' (o mesmo onde são colocados Tim Maia, Cassiano, Hyldon, Trio Mocotó e por aí a fora...)
O certo é que no Conexão, o Di Melo volta à cena trazendo debaixo do braço um cd de coletâneas. Quando vi o 'cedezinho', achei que fosse piada. Produção caseira, reunindo além das músicas de seu disco de 1975, outras composições. A piada não é pela produção caseria, mas pela capa que estampa uma caricatura sua (até bem feita). Quem vê aquele cd há de pensar que se trata de um disco de piadas ou historinhas infantis. Sinceramente, não me contive... Após ouvir o disco (vendido por ele por 25 paus e sem autógrafo) e por sugestão de um amigo, pensei: pô, esse cara é uma pedra bruta! Precisa de uma lapidação, uma capa nova e mais divulgação! Vou postá-lo no Toque Musical!
Para quem está querendo retomar a carreira na mesma 'pompa', além de uma música boa (que ele já tem) é preciso também ter uma boa apresentação. Foi aí que eu resolvi criar essa nova capa, algo mais apropriado para o nosso artista. Modéstia a parte, acho que ficou ótima. Eu me sentiria muito honrado se o Di Melo passasse a usá-la. Tenho certeza que ninguém mais vai lhe fazer piadinhas.

barulho de fafá
lúcifer
distando estava
d'ouro brilhante
multificheiro
podes vir
lantemário
chifre iluminado
verso e prosa
manda e desmanda
posar de rainha
basta bem pensar
querelante
entardeceu, anoiteceu
milagre da sobrevivência
bailarina do cantor
eu não
frágil passarinho
e o vento levou
lábios de rubis 

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Luiz Claudio - Programa Olhar Brasileiro (2010)

Olá amigos cultos e ocultos! Eu também faço parte do grupo de discussão do cantor mineiro Luiz Cláudio. Recentemente, alguém por lá enviou a gravação de um programa de rádio dedicado ao artista. Embora não fosse um material inédito, em termos do repertório, não deixou de ser interessante como uma pequena amostra de quem foi este artista.
O que temos aqui é um registro parcial e editado de um programa da Rádio USP, produzido e apresentado pelo radialista Omar Jubran, chamado "Olhar Brasileiro". No programa ele faz um apanhado da carreira do artista e nos apresenta alguns de seus melhores momentos. Infelizmente a gravação do programa não estava completa, me parece que faltou mais um bloco, o final. Mesmo assim, temos quase uma hora de Luiz Claudio, que vale a pena ouvir.
Transformei a gravação contínua em um 'protótipo fonográfico'. Ela agora tem um formato de disco, com direito a capa e contracapa. Uma criação exclusiva para os amigos do Toque Musical ;) Como se tratava de uma gravação de rádio e em baixa qualidade, resolvi também dar um 'trato' no som e incluir à parte uma outra versão do repertório, extraído de vinil. Espero que vocês gostem... :)

poeira da saudade
my funny valetine
canção de amor
estrada branca
tenha pena de mim
canção em dois tempos
felicidade
olê olá
maninha
aí que saudade da amélia
menina
onde eu nasci passa um rio


sábado, 31 de julho de 2010

Show Lô Borges Convida Milton Nascimento (2009)

Olá amiguíssimos cultos e ocultos! Está aberta a festa de aniversário do nosso blog Toque Musical. Fechem os olhos e procurem imaginar a celebração. Se quiserem, podem também fazer o contrario, abrindo um vinho ou qualquer outra bebida para brindarmos juntos esse terceiro ano. Vamos fazer uma festa virtual, cada um em seu canto, mas juntos no mesmo encanto.
Mais uma vez, quero agradecer a todos, principalmente àqueles que ao longo dos três anos vem acompanhando de perto nossas postagens. Obrigado a você amigo, seja culto ou oculto, anônimo ou não. O Toque Musical vem a cada dia se tornando um blog de verdade, sendo respeitado inclusive pelos artistas que aos poucos estão descobrindo nele um bom canal para divulgação de seus trabalhos. Fico muito feliz com tudo isso e é por essas e outras que vamos nos tornando tradição. Quando se faz um trabalho com amor e sem segundas intenções, não há porque dar errado. O conhecimento musical, as boas amizades e a aproximação com nossos ídolos, não há dinheiro que pague. Por isso, não faço do meu blog um caça níqueis. Não faço propaganda, não vendo e nem cobro nada. Só aceito doações de discos ou colaborações para postagens.
E aproveitando mais uma das boas contribuições de um dos nossos anônimos visitantes é que eu estou trazendo, como uma postagem de aniversário, este 'bootleg', editado e encapado especialmente e exclusivamente para o TM. Trata-se do show de encerramento do Festival No Ar Coquetel Molotov, edição 2009, que aconteceu em Recife - PE.
O encontro de Lô Borges com Milton Nascimento se deu na comemoração dos 35 anos de Clube da Esquina. Os dois artistas mineiros fizeram inicialmente este show em São Paulo e em virtude do sucesso, acabaram levando-o para um dos festivais de música jovem mais importante do país. Embora o Coquetel Molotov seja um evento voltado mais para o rock, pop e música eletrônica - o chamado som 'indie' - a presença da MPB deu ao festival um caráter mais maduro. O show da dupla começa nas dez primeiras músicas por conta de Lô Borges. Milton Nascimento só entra a partir da daí, como convém a um convidado. No repertório estão alguns dos clássicos da turma e também músicas dos últimos discos de Lô.
Este registro de show foi bem divulgado na rede e pode ainda ser encontrado em diferentes sites e blogs, porém e até então, só era possível baixá-lo como um arquivo bruto. O que fizemos foi apenas dar um trato na mixagem, separando as músicas e criando as capinhas para dar um charme a mais. Espero que tenha ficado no agrado de todos. Confiram no presente...

feira moderna
tudo em cores pra você
clube da esquina II
a força do vento
tudo que você podia ser
segundas mornas intenções
qualquer lugar
dois rios
trem azul
paisagem da janela
cais
clube da esquina I
resposta
quem sabe isso quer dizer amor
nuvem cigana
nada será como antes
um girassol da cor do seu cabelo
para lennon e mccartney
um cafuné na cabeça, malandro, eu quero até de macaco

domingo, 13 de dezembro de 2009

Gilberto Gil - Ao Vivo Na Escola Politécnica Da USP (1973) Repost!

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje eu estou trazendo para vocês uma raridade das melhores. Uma colaboração do DJ Mandacaru, do site Hipopótamo Zeno. Ele generosamente me enviou a dica do link referente à gravação integral do lendário show de Gilberto Gil na Escola Politécnica da USP, em 1973. Este material, embora já tenha sido anunciado a quatro cantos na rede, já há sete anos atrás, parece ter sido novamente esquecido. Apenas alguns poucos blogs chegaram a publicar os arquivos e mesmo assim incompletos. Pelas informações que li, este material seria lançado comercialmente numa edição especial em três cds, com o aval do artista. Se isto aconteceu realmente, eu não fiquei sabendo. Para mim, a coisa ficou apenas nos arquivos de som compartilhados na rede e sem os devidos tratamentos. Desta vez, temos tudo na íntegra, num pacote que incluí a re-remasterização, edição das músicas e capinhas/encarte, confeccionados especialmente pelo Toque Musical. Acredito que o resultado ficou bastante aceitável.
Em 1973, o estudante de geologia da USP, Alexandre Vanucci Leme, foi torturado e morto pela repressão política do regime militar. Gilberto Gil, que estava em São Paulo, então recém chegado do exílio, foi procurado pelos universitários que o convidaram para fazer um show de protesto, improvisado no campus. Por volta de umas duas mil pessoas assistiram a esta apresentação nas dependências da Escola Politécnica da USP. Gil tocou e conversou com o público durante três horas de show. Esta apresentação foi registrada pelos estudantes em um gravador de rolo (benditos gravadores de rolo!). A fita ficou guardada e esquecida por um longo tempo. Apenas algumas poucas pessoas tiveram acesso a este material. As cópias em fita K7 eram fragmentadas e com um som de má qualidade. Vinte anos depois a fita master foi encontrada e restaurada, inicialmente pelo músico do Grupo Rumo, Paulo Tatit, para um projeto de lançamento da gravação comercial em cd.
Como eu disse, a gravação aqui apresentada foi extraída da fita original, integral e já remasterizada. Sua edição posterior, para o Toque Musical, foi feita de maneira a não perder nenhuma informação gravada. Estão incluídas, além das músicas, as longas conversas de Gil com o público. Um serviço completo e um registro acima de tudo, histórico!

oriente
gil fala
chicletes com banana
minha nêga na janela
senhor delegado
eu quero um samba
meio de campo
cálice
gil fala
o sonho acabou
ladeira da preguiça
expresso 2222
procissão
gil fala
domingo no parque
gil fala
umeboshi
objeto sim objeto não
gil fala
ele e eu
noite morena
cidade de salvador
iansã
eu só quero um xodó
edith cooper
back in bahia
filhos de gandhi
eu preciso aprender a só ser
cálice (final)