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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Vários - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 28 (2012)

Fratura no joelho é um troço bem complicado... O nosso Augusto TM que o diga! Mas depois de mais um período de ausência forçada (até eu senti saudades), eis aqui a vigésima-oitava edição do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil, apresentando mais dez preciosos fonogramas da era das 78 rotações por minuto para enriquecer os acervos de nossos amigos cultos e associados. E começamos com um sucesso de Patrício Teixeira (1893-1972), carioca da Rua São Leopoldo, na lendária Praça Onze, que começou a gravar ainda pelo processo mecânico e continuou de maneira bem sucedida na fase elétrica, até quando saiu seu último disco, em 1944. (depois disso, ainda gravaria a canção “Azulão”, de Hekel Tavares e Luiz Peixoto, para um LP da Sinter).  Foi até professor de violão, e entre suas alunas mais ilustres estão Nara Leão e as irmãs Linda e Dircinha Batista. E Patrício aqui comparece com um clássico: o samba “Gavião calçudo”, do mestre Pixinguinha, com letra de Cícero “Baiano” de Almeida, cujo sucesso desaguaria no carnaval de 1930. Saiu em duas gravações de Patrício: a primeira no selo Parlophon, em março de 1929, e esta segunda, com o selo Odeon, lançada em agosto do mesmo ano com o n.o 10436-A, matriz 2685, na qual o intérprete canta a letra completa, acompanhado de piano e violão (no registro original era com orquestra, e nele só foram apresentados o estribilho e uma das estrofes). “Azulão” também está aqui, mas no registro original do “cantor das noites enluaradas”, Paraguassu (Roque Ricciardi, 1894-1976), lançado pela Columbia em fevereiro de 1930, disco 5141-A, matriz 380474.
Em seguida, um monólogo divertidíssimo interpretado pelo ator Pinto Filho. Trata-se de “Guerra ao mosquito”, de Luiz Peixoto e Marques Porto, lançado pela Parlophon em agosto de 1929 com o n.o 12989-A, matriz 2670. Mais atual impossível, uma vez que o Brasil tem sido, nos últimos tempos, atingido por endemias tropicais como a dengue, especialmente no verão. Não faltam farpas a políticos de prestígio na época, como o então candidato a presidente da República Júlio Prestes.
A próxima faixa vem a ser o primeiro grande sucesso nacional de Ary Barroso como compositor: a marchinha “Dá nela”, interpretada por Francisco Alves com a Orquestra Pan American de Simon Bountman, e um dos hits do carnaval de 1930. Gravação de 9 de janeiro daquele ano, lançada pouco depois sob n.o 10558-A, matriz 3258. No dia 18, a música venceu um concurso promovido no Teatro Lírico do Rio de Janeiro, e com o dinheiro ganho (cinco contos de réis!), Ary Barroso teve condições de se casar (com Yvonne Belfort Arantes) e ainda recebeu seu diploma de advogado. De letra extremamente machista (característica da época), “Dá nela” também deu nome a uma revista do Teatro Recreio, nela interpretada (de calça comprida!) por Zaíra Cavalcanti.
Um dos clássicos de Ary Barroso em parceria com Luiz Peixoto, o samba-canção “Na batucada da vida” (subintitulado “A canção da enjeitada”) tornou-se inovador na época do lançamento, pelo realismo com que tratava uma temática de cunho social. Originalmente saiu em 1934, na voz de Cármen Miranda, e aqui é apresentada no registro de Dircinha Batista, feito na Odeon em 14 de abril de 1950 e lançado em agosto seguinte, disco 13031-B, matriz 8685, com acompanhamento de piano do próprio mestre de Ubá. Como bem sabem os fãs de Elis Regina, em 1974 ela também fez um registro memorável desta composição.
O inesquecível Kid Morenguera, o grande Moreira da Silva (1902-2000), insubstituível rei do samba de breque, aqui comparece com o raríssimo disco Star 225, datado de 1951, com acompanhamento do conjunto do violonista Claudionor Cruz, destacando-se o saxofone de Portinho (Antônio Porto Filho), também maestro e arranjador de prestígio. De um lado, o samba-choro “Entrevista”, do próprio Moreira, e no verso, nesse mesmo ritmo, a homenagem do GRB aos motoristas na semana do dia deles e de seu santo padroeiro, São Cristóvão: “Sou motorista”!
Humberto Marsicano fez parte da geração de artistas paulistas surgidos no final dos anos 1920. De sua escassa discografia como cantor (apenas 16 fonogramas distribuídos em nove 78 rpm), apresentamos o disco Columbia 5051, lançado em julho de 1929, com acompanhamento da orquestra de Álvaro Ghiraldini. Abrindo-o, matriz 380143, o samba-choro “Mulher sem coração”, composto por um nome que iniciava então sua carreira, José Maria de Abreu (1911-1966), paulista de Jacareí, responsável por sucessos inesquecíveis, tais como “E tome polca”, “Alguém como tu”, “Dançando com você” e muitos outros. No verso, matriz 380144, o delicioso “sambinha-embolada” Tico-tico vuô”, de Juca Paulista e Juvenal de Abreu.
Para encerrar, uma marchinha do carnaval de 1957, lançada pela Continental em janeiro desse mesmo ano, com o n.o 17375-B, matriz C-3912. É “Seu Romeu”, de João Rosa, Arnaldo Moraes e do paulistano Ruy Rey (1915-1995), sendo este último o intérprete. Ruy, que se chamava Domingos Zeminian, foi também exímio “bandleader”, e especializou-se em ritmos hispano-americanos, precursores da atual salsa. Enfim, um belo apanhado com o qual o GRB mata as saudades de todos que estavam aguardando esta retomada. Divirtam-se e recordem! 

* TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

sábado, 21 de julho de 2012

Trios Em Bossa, Samba E Jazz - Uma Coletânea Toque Musical (2012)


Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados! Estamos preparando para breve a nossa web rádio, ou mais exatamente o nosso ‘player’, recheado de músicas para acompanhar vocês como uma rádio. Semanalmente estaremos aqui apresentando uma seleção de tudo o que rola nas postagem do Toque Musical. Eu tenho certeza de que vai agradar :)
E por falar em agradar, hoje eu estou trazendo para o nosso sábado de coletâneas uma seleção de tirar o chapéu. Esta logo vai estar rolando também na nossa rádio, aguardem!
Criei para vocês uma coletânea especial, dedicada aos diversos trios musicais de samba, bossa e jazz dos anos 60. Temos aqui 19 diferentes trios que eu fui reunindo ao longo da semana. Por certo que existem muitos outros e eu até gostaria de incluí-los nesse time, mas se for o caso, ficam para um segundo volume. Com toda certeza vai agradar em cheio.
A pressa nem sempre é inimiga da perfeição. Prova disso foi essa capinha que eu produzi aqui rapidinho, inspirada na boa música e na arte gráfica daquele momento. Ficou bonitinha, não é mesmo?

vamos embora uau – bossa jazz trio
nanã – sambalanço trio
farjuto – rio trio 65
zimbo samba – zimbo trio
samba novo – le trio câmara
canto de ossanha – manfredo fest trio
samblues – som três
sambete n. 4 – bossa três
nós e o mar – tamba trio
seu chopin, desculpe – jongo trio
cidade vazia – milton banana trio
tema pro gaginho – salvador trio
água de beber – trio 3d
sambrasa – sambrasa trio
aleluia – trio boliche
estatuto da gafieira – trio plaza
primavera – sansa trio
o barquinho – trio harmônico
                                                               azul contente – trio seleno

Sílvio Caldas - Seleção Grand Record Brazil - Vol. 27 (2012)


Este é o segundo volume do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil, o vigésimo-sétimo  no geral, dedicado a este grande nome da MPB que foi o carioca Sílvio Narciso de Figueiredo Caldas. Além de cantar e contar interessantes histórias da MPB com um pique invejável, o “titio” possuía espírito aventureiro, gostava de caçar e pescar, e até se embrenhou nos sertões para garimpar ouro, vejam só! Era também um cozinheiro de mão cheia (suas peixadas, por exemplo, eram bastante apreciadas), e obviamente foi proprietário de restaurantes e casas noturnas. Sílvio Caldas era também um especialista em... despedidas. “Aposentou-se” várias vezes oficialmente, mas quando menos se esperava... lá estava ele de novo! Aposentadoria mesmo, só com a sua morte, em 1998.
 Aí vão, para deleite e apreciação de tantos quantos apreciem nossa música popular no que ela tem de melhor e mais expressivo, mais doze preciosas gravações de Sílvio. Em ordem cronológica de lançamento, temos, para começar, o lado A do disco Victor 33911,  gravado em 12 de outubro de 1934 e lançado em março de 35: a famosa valsa “Serenata”, matriz 79729, de sua profícua parceria com Orestes Barbosa, cuja introdução, sem palavras, tornou-se prefixo pessoal de Sílvio.  Dois violões e um bandolim (o de Luperce Miranda) acompanham Sílvio nessa gravação, sem dúvida uma das melhores e mais importantes de sua carreira. Logo depois, do Odeon 11255, gravado em 25 de junho de 1935 e lançado em setembro seguinte, apresentamos o lado A, matriz 5082: o samba “Inquietação”, uma das obras-primas do mestre Ary Barroso, que Sílvio também interpretou no filme “Favela dos meus amores”, de Humberto Mauro. No acompanhamento, a Orquestra Odeon, do palestino Simon Bountman, que também teve os nomes Pan American, Copacabana, Parlophon (quando gravava nessa marca, coligada da Odeon)e Simão e sua Orquestra Columbia. Quer dizer, todas eram a mesmíssima orquestra. Falando na Columbia, eis um  importantíssimo disco de Sílvio nessa marca, lançado em dezembro de 1938 com o número 55002 e acompanhamento do regional do multi-instrumentista Garoto (Aníbal Augusto Sardinha, 1915-1955), trazendo duas joias de altíssimo quilate: no lado A, matriz 3716, a canção “Mágoas de um trovador”, de J. Cascata e Manezinho Araújo (o “rei da embolada”, aqui mostrando seu lado sentimental). O verso, matriz 3715, traz mais uma conhecidíssima página da parceria de Sílvio com Orestes Barbosa: a clássica valsa “Suburbana”. Curiosamente, em 1943, quando a Columbia converteu-se na Continental, esse disco foi escolhido para inaugurar a nóvel marca, sendo relançado com o número 15001, inclusive os primeiros cem títulos da Continental foram relançamentos da antiga Columbia. De volta à Victor, temos depois o lado B do disco 34804, gravado em 4 de julho de 1941 e lançado em outubro seguinte, matriz S-052258, apresentando o fox-canção “Sempre você”, de Cristóvão de Alencar e Newton Teixeira. Em seguida, outro disco de Sílvio na marca do cachorrinho Nipper, o de número 80-0080, gravado em 2 de março de 1943 e lançado em maio seguinte, com duas valsas-canções de Georges Moran, russo que se radicou entre nós, e autor de outro hit de Sílvio, “Kátia”, além de outros dois clássicos imortalizados por Orlando Silva, “Balalaika” e “Zíngaro”. Abrindo-o, matriz S-052732, “Não voltarás nem voltarei”, parceria de Moran com Walter Nogueira da Silva e, no verso, matriz S-052733, “Ninotchka”, em que desta vez o parceiro é Cristóvão de Alencar, certamente inspirada no filme de mesmo nome, da MGM, de 1939, estrelado por Greta Garbo e Melvyn Douglas, sob a direção de Ernst Lubistch. Completando nosso roteiro da semana, dois discos gravados por Sílvio Caldas na Continental, em 1949, com acompanhamento da orquestra do maestro, compositor e flautista Nicolino Cópia, o Copinha. O primeiro deles é o de número 16034, lançado em março-abril desse ano, com duas composições do paulista (de Jacareí) José Maria de Abreu (1911-1966). No lado A, matriz 2030, o samba (estruturalmente um samba-canção) “Não me pergunte”, parceria de Abreu com outro consagrado nome da MPB, Jair Amorim. No verso, matriz 2031, a toada “Você de mim não tem dó”, de Abreu sozinho. O outro é o de número 16086, abrindo com outra composição de José Maria de Abreu, agora com a parceria de Alberto Ribeiro, a valsa “Chuva e vento”, matriz 2121. Alberto também assina, em parceria com Osvaldo Sá, a música do lado B, matriz 2120, o samba-canção “Tarde de maio”. Enfim, é tudo isso que apresentamos esta semana com Sílvio Caldas, e eu, particularmente, espero que ele volte a ser focalizado pelo GRB, dada a extensa bagagem fonográfica que deixou registrada em cera. Ouçam esta seleção e irão concordar comigo: ela nos dá aquele irresistível gostinho de quero-mais!
Texto Samuel Machado Filho 

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Sílvio Caldas - Seleção Grand Record Brazil - Vol. 26 (2012)


Nesta vigésima-sexta edição, o Grand Record Brazil começa a nos trazer alguns dos momentos mais expressivos de um cantor e compositor que marcou época: Sílvio Narciso de Figueiredo Caldas, o sempre festejado “caboclinho querido”, também carinhosamente chamado de “titio”. Era carioca do bairro de São Cristóvão, onde veio ao mundo no dia 23 de fevereiro de 1906, mas só seria registrado em 1908, segundo ele próprio declarou ao pesquisador, de saudosa memória, Abel Cardoso Júnior. Seu pai, Antônio (autor da valsa “Neusa”, hit de Orlando Silva), era dono de uma pequena loja de instrumentos musicais, e sua mãe, a gaúcha Dona Neném, era afamada modista. Nosso Sílvio foi um talento precoce, pois já com cinco anos de idade apresentou-se no Teatro Fênix, sendo presença requisitada também nas festas e nos clubes de São Cristóvão. No carnaval, era saudado como “o rouxinol” do bloco Família Ideal. Embora macérrimo, foi o primeiro Rei Momo do carnaval carioca! Após deixar  o grupo escolar, trabalhou como mecânico de automóveis na Garagem Esperança, nessa condição transferindo-se para São Paulo em 1924. Mas não esqueceu o violão. Quando volta ao seu Rio natal, atraído pelo desenvolvimento por que então passavam o rádio e o disco, Sílvio resolve entrar pra valer na carreira artística, e é levado pelo cantor de tangos Milonguita (Antônio Gomes) para cantar na Rádio Mayrink Veiga. No disco, iniciou-se em fevereiro de 1930 na Victor, alternando gravações nessa marca e na Brunswick, até ficar apenas na Victor, em virtude do fechamento da Brunswick. A princípio, Sílvio cantava basicamente marchinhas e sambas, e seu talento seresteiro iria se revelar a partir de 1934, através de sua importantíssima parceria com Orestes Barbosa, que produziu clássicos inesquecíveis, tais como “Serenata”, “Chão de estrelas” e “Suburbana”. Um dos maiores defensores da MPB, Sílvio Caldas jamais deixava de enfatizar a necessidade de sua preservação, e até preconizava a inclusão de seu ensino nas escolas. Nos últimos anos de vida, residiu em um sítio na cidade de Atibaia, interior de São Paulo, onde morreu no dia 3 de fevereiro de 1998.
Nesta nossa primeira edição do GRB com o grande Sílvio Caldas, oferecemos a nossos amigos cultos, ocultos e associados doze preciosíssimas gravações. Abrindo esta seleção, esta joia de valsa, de autoria de Newton Teixeira e Jorge Fáraj, a clássica “Deusa da minha rua”, imortalizada por Sílvio na Victor em 10 de julho de 1939, matriz 33118, e editada em setembro seguinte com o número 34485-A. Muitíssimo gravada, até mesmo por Roberto Carlos. A segunda faixa também é muito conhecida e regravada: o samba (ou choro) “Da cor do pecado”, principal produto da inspiração do carioca Alberto de Castro Simões da Silva, o Bororó (1898-1986). Vem a ser o lado B da faixa anterior, porém gravado quatro dias antes, a 6 de julho de 1939, matriz 33110. Logo depois, da fase de Sílvio na Continental, trazemos o choro “Pastora dos olhos castanhos”, do violonista Horondino Silva, o Dino Sete Cordas, com letra de Alberto Ribeiro, e acompanhamento do regional do clarinetista potiguar (de Taipu) K-Ximbinho (Sebastião de Barros, 1917-1980). Gravação de 5 de agosto de 1946, porém só lançada em julho de 47 com o número 15786-B, matriz 1565. Trazemos também o lado A, que é o samba “Não chores assim”, do próprio Sílvio Caldas mais Alberto Ribeiro, em gravação de 28 de agosto de 46, matriz 1585, e desta vez quem acompanha Sílvio é o regional do violonista Laurindo de Almeida (Miracatu, SP, 1917-Los Angeles, EUA, 1995), que desenvolveu bem-sucedida e premiada carreira nos EUA. Voltando à Victor, um disco com duas regravações, o de número 34496, lançado em outubro de 1939. No lado A, um nome que começa na palma da mão de todo mundo: o samba-canção “Maria”, dos mestres Ary Barroso e Luiz Peixoto, originalmente registrado pelo próprio Sílvio em 1932 e aqui em regravação de 10 de julho de 1939, matriz 33119. O outro lado, gravado em 6 de julho desse ano, matriz 33115, é outro clássico de Ary, e também samba-canção, agora com letra de outro mestre, Lamartine Babo: “No rancho fundo”, originalmente lançado em 1931 por Elisa Coelho e regravado até mesmo por Chitãozinho e Xororó! A preciosidade seguinte é o samba “Algodão”, de Custódio Mesquita com letra do jornalista David Nasser, também parceiro de Francisco Alves em inúmeros hits. Aludindo ao sofrimento dos negros à época da escravidão no Brasil, foi imortalizado por Sílvio na Victor em 7 de junho de 1944 com lançamento em agosto seguinte, disco 80-0200-A, matriz S-052972. No lado B, que apresentamos em seguida, matriz S-052973, “Noturno em tempo de samba”, também de Custódio Mesquita, agora com seu parceiro mais constante, Evaldo Ruy. Em ambas as faixas, Sílvio é acompanhado pela orquestra do próprio Custódio. Recuando no tempo, encontraremos outro clássico da valsa tupiniquim, “Sorris da minha dor”, do niteroiense Paulo Medeiros, compositor e professor falecido prematuramente, aos 30 anos de idade, em 1941. Gravação Victor de 18 de agosto de 1938, lançada em outubro seguinte, disco 34367-B, matriz 80872, do qual apresentamos em seguida o lado A, do mesmo autor, matriz 80871, a valsa-canção “Falsa felicidade”. Encerrando esta primeira parte, duas composições de Joubert de Carvalho, lançadas em outubro de 1946 pela Continental no mesmo disco, o de número 15712, gravado em 2 de agosto desse ano: a conhecida canção “Minha casa”, matriz 1563, clássico regravado aos cachos, até mesmo por Agnaldo Timóteo, e a valsa “Nunca soubeste amar”, matriz 1564. Vocês não acham que está muito bom pra começar uma retrospectiva do grande Sílvio Caldas? Então recordem, apreciem e aguardem, que na semana que vem tem mais. Até lá!

TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Vocalistas Tropicais - Vol. 3 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical (2012)


E eis aqui a terceira edição (no geral, a de número 25) que o meu, o seu, o nosso Grand Record Brazil dedica a este grande conjunto vocal-instrumental que foram os Vocalistas Tropicais. Mais doze fonogramas raros que certamente irão parar nos arquivos de muitos colecionadores. Continuando nossa retrospectiva, ainda com originais Odeon, abrimos esta terceira parte com o samba “Como é que vai ser?”, de Marino Pinto e Mário Rossi, dupla respeitável da MPB, gravado em 3 de setembro de 1948 com lançamento em novembro seguinte sob número 12883-B, matriz 8410 (o outro lado de “Ester”, de nossa edição anterior). Em seguida, uma versão bastante conhecida: “Trevo de quatro folhas (I'm looking over a four leaf clover)”, de Harry Woods e Mort Dixon, fox composto em 1927 e sucesso na voz de Al Jolson, cantor americano que costumava pintar o rosto de preto, interpretado por Larry Parks em dois filmes da Columbia: “Sonhos dourados” e “O trovador inolvidável”, sendo a música reapresentada neste último. Nilo Sérgio fez a letra brasileira e a gravou na Continental em 1949, com grande sucesso. Logo em seguida, em 13 de maio desse ano, os Vocalistas Tropicais fizeram nosso registro desta edição, lançado pela “marca do templo” em julho seguinte com o número 12934-A, matriz 8493. No verso, matriz 8492, a faixa seguinte, “Irmão do samba”, de Nestor de Holanda (também escritor e jornalista, pernambucano de Vitória de Santo Antão) e Jorge Tavares. Eles também foram parceiros, vale ressaltar, no samba-canção “Quem foi?”, gravado por Aracy de Almeida exatamente com os Vocalistas Tropicais junto. A quarta faixa, que até eu queria ter na coleção, é o samba “A maior Maria”, de Waldemar Ressurreição e Gerôncio Cardoso, lado B do disco de “Minha terra”, de nossa edição anterior, o Odeon 12952, gravado em primeiro de agosto de 1949 e lançado em outubro seguinte, matriz 8540. Temos depois outro samba, agora para o carnaval de 1950: “Supremo poder”, de Fernando Martins e Victor Simon (este último autor dos clássicos “Bom dia, café” e “O vagabundo”), gravado pelos Vocalistas em 4 de novembro de 1949 e lançado um mês antes da folia, em janeiro, com o número 12979-B, matriz 8580 (é o verso de “Ela é falsa”, de nossa edição anterior). A faixa seguinte é o maracatu “Maracatucá”, de Geraldo Medeiros e Jorge Tavares. É o lado B do disco em que saiu a versão “Bebê (Baby face)”, apresentada em nossa edição anterior, o Odeon 12989, gravado em 16 de dezembro de 1949 e lançado bem depois do carnaval de 50, em março, matriz 8608. Depois tem o samba “Não devemos mais brigar”, do cantor Gilberto Milfont em parceria com Mílton de Oliveira, lado B do disco de outra faixa de nossa edição anterior, “Ilha dos amores”, o Odeon 13005, gravado em 13 de junho de 1949 mas só lançado em março de 50, matriz 8519. Continuando a completar os discos de nossa edição anterior, vem o samba “Trinta dinheiro” (assim mesmo, sem “s”!), também de Waldemar Ressurreição, agora em parceria com Amaro Gonçalves. É o lado B do 78 de “Diamante Negro”, o Odeon 13024, gravado em 20 de março de 1950 e lançado em julho seguinte, matriz 8656. Em seguida completamos o 78 de “Desculpa”, o Odeon 13042, apresentando o lado A, “Quem é que não sente?”, samba assinado pelo mestre Ataulfo Alves. Gravação de 3 de julho de 1950, lançada em setembro seguinte, matriz 8718. A próxima faixa é simplesmente um clássico de nosso cancioneiro carnavalesco: a famosa marchinha “Tomara que chova”, de Paquito e Romeu Gentil, da folia de 1951. Foi criada pelos Vocalistas Tropicais na Odeon em 6 de setembro de 1950, com lançamento ainda em dezembro sob número 13066-A, matriz 8792 (como se sabe, Emilinha Borba fez outro registro desta composição na Continental, também com sucesso, e  a cantou no filme “Aviso aos navegantes”, da Atlântida). Apresentamos também o lado B de “Tomara que chova”, o samba “Já é noite”, de Fernando Lobo, Paulo Soledade e Nestor de Holanda, gravado dias depois, em 12 de outubro de 1950, matriz 8823. E, para encerrar esta terceira parte, completamos o disco da “Marcha da vizinhança” (de nossa edição anterior), o Odeon 13081, oferecendo o lado B, outra composição de Waldemar Ressurreição: o samba “Mulher de carnaval”, gravação de 12 de outubro de 1950, lançada em janeiro de 51, matriz 8822, e obviamente também destinada à folia daquele ano. Como vêem os amigos cultos e ocultos do Toque Musical e do GRB, mais doze preciosas gravações dos Vocalistas Tropicais, para enriquecer os acervos de tantos quantos apreciem a boa música brasileira. Imperdível! 

*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

sábado, 9 de junho de 2012

Jóia 25 - Seleção Instrumental Do Toque Musical (2012)


Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados de plantão! Pensei que meu feriadão fosse ser mais tranquilo e folgado. Qual nada! Compromisso atrás de compromisso. Mal tive tempo para entrar aqui no blog e fazer uma postagem descente. Embora tenha sido na base do 'arrastão', esta vai ser uma coletânea muito boa. Escolhi aqui alguns números instrumentais que eu acho ótimos, feitos para se ouvir em alto e bom som. Música de qualidade para quem sabe apreciar. Uma ótima seleção para se ouvir no carro, em casa e numa boa caminhada ou de bicicleta. Amanhã, já estarei ouvido no meu iPod, com certeza! E vocês, querem ouvir também?

tem dó - rio 65 trio
rio - roberto menescal e seu conjunto
insensatez - eumir deodato
o morro não tem vez - joão donato e seu trio
nanã - sergio mendes and bossa rio
reza - tamba trio
você e eu - roberto menescal e seu conjunto
tristeza de nós dois - tamba trio
diz que fui por aí - dom um romão
samba de verão - meirelles e os copa 5
coisa n. 2 - moacir santos
só danço samba - joão donato
vivo sonhando - walter wanderley
preciso aprender a ser só - tom jobim
samba de uma nota só - baden powell e jimmy pratt
manhã de carnaval -  rio 65 trio
samba carioca - meirelles e os copa 5
chegança - luiz eça
consolação - tenório junior e seu conjunto
berimbau - tom jobim
zimbo samba - zimbo trio
samba em blue - sansa trio
margarida - som três
samadhi - tenório junior
jungle - som três

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Vocalistas Tropicais - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 24 (2012)


E aqui está a vigésima-quarta edição do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil, apresentando a segunda parte da antologia dedicada aos Vocalistas Tropicais, de cuja trajetória e carreira vocês já tomaram conhecimento na edição anterior. Começando a seleção desta semana, ainda pela Odeon, temos o samba “Ester”, de Haroldo Lobo e Mílton de Oliveira, gravação de 3 de setembro de 1948, lançada em novembro seguinte com o número 12883-A, matriz 8409, certamente visando ao carnaval de 1949, considerado pelos estudiosos um dos mais ricos em matéria de produção musical, e foi mesmo. Vem também a ser o caso do samba “Não vou dizer”, de João Corrêa da Silva e Walter de Oliveira, gravado na “marca do templo” em 21 de outubro de 1948 e lançado bem em cima da folia, em janeiro de 49, com o número 12893-B, matriz 8426, apresentando no lado A o hit “Jacarepaguá”, marchinha de Paquito, Romeu Gentil e Marino Pinto que já revivemos anteriormente nesta série. Temos em seguida o balanceio “Maricota é a tal”, composto por Aleardo Freitas e Danúbio, em gravação de 16 de dezembro de 1948, e prudentemente lançado em março de 49 com o número 12925-B, matriz 8469. Logo depois, uma regravação: a da canção “Minha terra”, de autoria do paraense Waldemar Henrique, nascido (1905) e falecido (1995) na capital do Pará, Belém. Originalmente esta música, composta por Waldemar na plenitude de seus 17 anos de idade, foi gravada em 1935 pelo cantor Jorge Fernandes, também na Odeon. Em 1946, novo registro, na voz do Rei Francisco Alves e, finalmente, este aqui, com os Vocalistas Tropicais, datado de primeiro de agosto de 1949 e lançado em outubro seguinte com o número 12952-A, matriz 8540. E tem mais música de carnaval, com o disco 12963-A, gravado em 30 de setembro de 1949 e lançado ainda em dezembro, visando, claro, à folia de 1950. No lado A, matriz 8561, um megahit, a marchinha “Daqui não saio”, de uma dupla colecionadora de êxitos carnavalescos, Paquito e Romeu Gentil, retratando o problema da moradia, já grave naquela época, quer dizer, mais atual impossível! No verso, matriz 8562, o samba “Remorso”, de Arnõ Canegal e Amaro do Espírito Santo. Também de Paquito e Romeu Gentil e para o mesmo carnaval é o samba “Ela é falsa”, gravado pelos Tropicais em 4 de novembro de 1949 com lançamento em janeiro de 50 sob número 12979-A, matriz 8579. A faixa seguinte é “Bebê”, versão do especialista Haroldo Barbosa para o fox “Baby face”, dos americanos Harry Akst e Benny Davis, composto em 1926 e lançado nesse mesmo ano pelo bandleader Jan Garber, sendo depois registrado por inúmeros outros artistas, entre eles Al Jolson e Bobby Darin. Os Vocalistas Tropicais gravaram esta versão na Odeon em 16 de dezembro de 1949, com lançamento em março de 50, disco 12989-A, matriz 8607 (o curioso é que há uma outra versão, de Fred Jorge, gravada em 1961 por Elis Regina em seu primeiro LP, “Viva a brotolândia”). A faixa seguinte, “Ilha dos amores”, samba de Waldemar Silva e Marino Pinto, foi gravada em 13 de junho de 1949, mas a Odeon a pôs na “geladeira” por quase um ano, sendo lançada somente em maio de 1950 com o número 13005-A, matriz 8518. Leônidas da Silva (Rio de Janeiro, 1913-Cotia, SP, 2004), um dos maiores jogadores de futebol de seu tempo, artilheiro da Copa do Mundo de 1938 (7 gols) e criador da pirueta conhecida como “bicicleta”, é homenageado em seguida com o samba de Marino Pinto e David Nasser muito apropriadamente intitulado “Diamante Negro”, apelido dado pelo jornalista francês Raymond Thourmagem, da revista “Paris Match”, que também deu a Leônidas o apelido de “homem-borracha”, por sua elasticidade (em sua homenagem, a Lacta lançou o chocolate Diamante Negro, que existe até hoje). Gravação Odeon de 20 de março de 1950, lançada em julho seguinte com o número 13024-A, matriz 8655. Em seguida, o samba “Desculpa”, de Waldemar Gomes, gravação de 3 de julho de 1950, lançada em setembro seguinte, disco 13042-B, matriz 8719. E encerramos esta segunda parte no maior alto astral, com a “Marcha da vizinhança”, dos então “hitmakers” carnavalescos Paquito e Romeu Gentil,visando à folia de 1951, lançada em janeiro desse ano com o número 13081-A, e gravada ainda em 6 de setembro de 50, matriz 8791 (nessa época eles também lançaram o clássico “Tomara que chova”, da mesma dupla, já revivido anteriormente em nossa série). Como os leitores-ouvintes já perceberam, todas estas gravações saíram pela Odeon, onde os Vocalistas Tropicais ficariam até 1954, quando se transferiram para a Continental. Assim, o GRB apresentou, somando-se estas duas partes, 23 fonogramas do grupo vocal nordestino para a “marca do templo”, além de “Jacarepaguá” e “Tomara que chova”, já anteriormente apresentadas, perfazendo um total de 25 gravações deles no nosso GRB. Creio que em, todos eles, está o que existe de mais representativo e histórico dos Vocalistas Tropicais na Odeon. Ouça e recorde com carinho!

*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Vocalistas Tropicais Vol. 1 - Seleção 78 RPM Do Toque Musical (2012)


Em sua vigésima-terceira edição, o Grand Record Brazil apresenta a primeira parte de uma retrospectiva das mais expressivas gravações dos Vocalistas Tropicais. Grupo vocal e instrumental, formou-se em 1941 na capital do Ceará, Fortaleza, e teve inúmeras formações até se definir com os seguintes componentes: Nilo Xavier da Mota (líder, violonista e arranjador), Raimundo Evandro Jataí de Souza (vocal, viola americana e arranjos), Artur Oliveira (percussionista e vocalista), Danúbio Barbosa Lima (percussionista), todos de Fortaleza, mais o recifense Arlindo Borges (vocalista e  solista de violão).
Eles se apresentaram, até 1944, na Ceará Rádio Clube, depois foram para São Luís do Maranhão, cantando na Rádio Timbira e no Hotel Cassino Central, e depois para Manaus, capital do Amazonas, onde se apresentaram na Rádio Baré.
Em 1945, acontece a inevitável mudança do grupo para a então Capital da República, o Rio de Janeiro, em busca de melhores oportunidades de trabalho. Ali chegando, foram contratados pela Rádio Mundial e pela gravadora Odeon. Exatamente em 6 de fevereiro de 1946, o quinteto comparece aos estúdios da “marca do templo” para gravar seu primeiro disco, lançado em março seguinte com o número 12681. No lado A, a matriz 8004 apresentava o fox “Papai, mamãe, você e eu”, de Paulo Sucupira (que também integrou o conjunto nessa ocasião e gravou com eles seus primeiros discos), e no verso, a matriz 8005 trouxe o balanceio “Tão fácil, tão bom”, do também cearense Lauro Maia. Foi aquele sucesso!
 Terminado o contrato com a Mundial, os Vocalistas Tropicais passam-se para a PRG-3, Rádio Tupi (“o cacique do ar”), e também atuaram em diversos cassinos cariocas, antes do governo Dutra proibir o jogo, além de participar de cinco filmes brasileiros. Em 1949/50, atuaram em duas revistas com Dercy Gonçalves, encenadas no Teatro Glória: “Quem está de ronda é São Borja” e “Confete na boca”. Ainda em 49, emplacam seu primeiro hit no carnaval, a marchinha “Jacarepaguá”, de Marino Pinto, Paquito e Romeu Gentil, vencedora do concurso oficial da prefeitura carioca, realizado no Teatro João Caetano. Sua discografia inclui 49 discos em 78 rpm, gravados nos selos Odeon, Continental, Copacabana e Indisco, além de um compacto simples pela RGE, em 1966, com as músicas “Hello, Dolly” e “Tô nesse bolo”. Esse foi o último disco deles, pois o grupo se desfez logo em seguida por falta de espaço na mídia, a exemplo de outros artistas contemporâneos deles. Neste primeiro volume, começamos a desfrutar um pouco da arte dos Vocalistas Tropicais, em registros de sua primeira fase, na Odeon. De início, as músicas do primeiro disco, já mencionadas aqui, “Papai, mamãe, você e eu” e “Tão fácil, tão bom”. Do segundo, de número 12691, gravado em 21 de março de 1946 e lançado em maio seguinte, o lado B, matriz 8011, outra composição de Lauro Maia, o “miudinho” “Tabuleiro d'areia”. Do terceiro disco, de número 12725, gravado em 6 de junho de 1946 e lançado em outubro seguinte, vem o lado B, matriz 8058, com o samba “Motivos musicais”, de Assis Valente e Alfredo de Proença. Do quarto disco, número 12740, gravado em 24 de setembro de 1946 e lançado em novembro seguinte, vem o lado A, matriz 8104, com a marchinha “Isto é que é amor”, de Matos Neto e Valter Silva. Evidentemente, a música visava o carnaval de 1947, assim como a faixa seguinte, o samba “Helena arrependida”, de Aristides Silva e J. Dutra, gravação de 19 de setembro de 1946 lançada um mês antes da folia, janeiro, com o número 12749-A, matriz 8096. Temos em seguida uma faixa histórica: 'Tio Sam no samba”, que foi a primeira composição gravada de Zé Kéti (José Flores de Jesus, 1921-1999), um dos futuros monstros sagrados da MPB com hits do porte de “A voz do morro”, “Diz que fui por aí” e “Máscara negra”. Neste seu “debut” como autor, ele tyeve a parceria de Felisberto Martins, que então era também diretor artístico da Odeon. Os Vocalistas o gravaram em 16 de julho de 1946, mas a “marca do templo” só lançou a música em março de 47, com o número 12769-B, matriz 8074. Logo depois, as músicas do oitavo disco do grupo, número 12808, gravado em 2 de abril de 1947 e lançado em setembro seguinte, com dois sambas. Abrindo-o, matriz 8202, “Não manche o meu Panamá” (alusão a um tipo de chapéu em moda na época), de Alcebíades Nogueira, e, no verso, matriz 8203, “Exaltação a Noel”, de Waldemar Ressurreição, como indica o título, uma homenagem ao eterno Noel Rosa, morto prematuramente (26 anos) de tuberculose dez anos antes. Do nono disco dos Vocalistas, número 12818, gravado em 25 de agosto de 1947 e lançado em novembro seguinte, vem o lado B, matriz 8257, apresentando o samba “Perdoar nunca mais”, de Wilson Goulart, Álvaro Xavier e Romeu Gentil, visando ao carnaval de 1948, assim como a faixa seguinte, a marchinha “Pachá”, de Arnô Canegal e J. Piedade, gravação de 8 de outubro de 1947 lançada um mês antes dos festejos momescos, janeiro, com o número 12827-A, matriz 8278. Finalizando esta primeira parte, temos o samba “Apanhei do boogie woogie” (referência a um ritmo musical americano em voga na época), de Luiz Guilherme e Walter Teixeira, gravação de 31 de março de 1948 lançada em maio seguinte sob número 12856-A, matriz 8345. Enfim, é tudo que estamos apresentando para nossos amigos cultos e ocultos nesta primeira parte que o GRB dedica aos Vocalistas Tropicais. Aguardem que vem mais por aí!    

* texto SAMUEL MACHADO FILHO

domingo, 27 de maio de 2012

Elza Soares E Batatinha - Projeto Pixinguinha 1983 (2012)


Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados! Esses registros de shows do Projeto Pixinguinha tem se tornado uma mão na roda, principalmente quando eu me encontro assim, quase sem tempo para preparar novas postagens. Estão se tornando novos 'arquivos de gaveta', aqueles que eu utilizo nas emergências.
Para hoje eu escolhi, entre tantos registros  extraídos do site da Funarte, "Brasil - Memória das Artes", já devidamente 'digitalizados', um show dos mais deliciosos, o encontro de Elza Soares e o baiano Batatinha. Querem saber mais detalhes desse encontro? Então, vão lá nas páginas do "Projeto Pixinguinha". O som, se alguém quiser ouvir, além de ser no site, basta pedir que o TM envia para o GTM ;)

malandro - elza soares
poema do imperador - elza soares
todo mundo vai ao circo - elza soares e batatinha
homenagem ao mestre cartola - elza soares
hora da razão- batatinha
jardim suspenso - batatinha
zaratempo - batatinha
diplomacia / imitação - batatinha
babá de luxo - batatinha
toalha da saudade - batatinha
segredo - elza soares
grito de prazer - elza soares
oração das duas raças - elza soares
amor até o fim - elza soares
enredo da pirraça - elza soares
alagoas - elza soares
independencia - elza soares
na baixa do sapateiro - elza soares e batatinha

sexta-feira, 25 de maio de 2012

As Novelas De 70 - Temas Instrumentais (2011)


Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados! Cheguei em casa, hoje mais cedo, pensando o que eu iria apresentar aqui no Toque Musical. Ao ligar o computador, fui dar uma espiada no show do Sepultura, lá no Rock In Rio Lisboa. Acabei assistindo toda a apresentação e de bandeja ainda vi boa parte do Metallica. Só parei por que lembrei de fazer a postagem. Na 'voação', acabei também por confundir os dias. Não sei porque, mas achei que hoje era dia de coletâneas. Esqueci que estamos na sexta, dia de artista/disco independente. Como já montei todo o esquema e espírito para uma coletânea, vamos a ela! Estou invertendo as bolas, amanhã vamos de independente, ok?
Como disse, eu estava pensando que fosse hoje um dia de coletânea e daí, muito por sorte encontrei, bem escondidinha essa coletânea que eu já tinha, por mim, com já postada. Mas verifiquei que não. O pior foi que eu me esqueci quem me enviou. Sei que foi algum amigo, na época em que eu andei convidando outros blogueiros para participarem das postagens. Porém, agora deu um branco. Me desculpe, meu prezado, pela demora e esquecimento. Independente de qualquer coisa, fica aqui o meu agradecimento. Sua seleção de temas instrumentais de novelas dos anos 70 foi (agora, mais que nunca) providencial. Salvou o dia e com certeza vai salvar o bom gosto de muita gente por aqui. Vamos conferir, né não?


1. Pigmalião 70 - Umas & Outras
(Marcos Valle/Paulo Sergio Valle/Novelli)  
2. Tema de Cristina - Erlon Chaves Orquestra
(José Briamonte)
3. Tema de Kiko - The Youngsters
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)  
4. Pêndulo - Egberto Gismonti
(Egberto Gismonti)  
5. Tema de Cristina - Briamonte Orquestra
(José Briamonte) 
6. Tema de Nando e Candinha - Erlon Chaves Orquestra
(Luli/Luiz Carlos Sá/Sônia Praseres)  
7. A Feira - Wilson das Neves
(Nonato Buzar/Mônica Silveira)  
8. Ao Redor (Tema de Amor) - Globetes
(Antônio Adolfo/Tibério Gaspar)  
9. Os Povos - Erlon Chaves Orquestra
(Milton Nascimento/Marcio H. Borges) 
10. Pigmalião 70 - Erlon Chaves Orquestra
(Marcos Valle/Paulo Sergio Valle/Novelli) 
11. Verão Vermelho - Elis Regina
(Nonato Buzar)  
12. Jornada - Wilson das Neves
(Roberto Menescal)  
13. Onde Você Mora? - Luiz Eça
(Paulinho Tapajós/Edmundo Souto)  
14. Baião do Sol - Geralda
(Nelson Ângelo)   
15. The Time of Noon - Erlon Chaves
(A. Kerr) 
16. Ela - Regininha
(Antonio Adolfo/Tibério Gaspar) 
17. Vitória, Vitória - Erlon Chaves
(Nonato Buzar)  
18. Assim É A Bahia - Roberto Menescal
(Roberto Menescal/Ronaldo Bôscoli)  
19. Verão Vermelho - Luiz Eça
(Nonato Buzar) 
20. Jeronimo - Luiz Carlos Sá
(Luiz Carlos Sá)  
21. Porto Seguro - Banda Cores Mágicas
(Dory Caimmi)
22. Irmãos Coragem - Banda Cores Mágicas
(Nonato Buzar/Paulinho Tapajós)  
23. Branca - Luiz Eça
(Danilo Caymmi/João C. Pádua)  
24. Bachiana nº5 - Joyce
(Heitor Villa-Lobos) 
25. Mon Ami - José Roberto
(José Roberto/Paulinho Tapajós) 
26. Tema de Suzi - Umas & Outras
(Roberto Menescal/Paulinho Tapajós)
27. Tema de Zorra - Orquestra CBD
(Waltel Branco) 
28. Assim na Terra Como no Céu - Roberto Menescal
(Roberto Menescal/Nonato Buzar/P.Tapajós)
29. Zip – Briamonte Orquestra
(José Briamonte)
30. Sol Nascente – Roberto Menescal
(Nonato Buzar/William Prado)

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Antenógenes Silva, Edú Da Gaita, José Menezes, Waldir Azevedo E Dilermando Reis - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 22 (2012)


Easy listening tupiniquim da melhor qualidade. É o que nos oferece esta vigésima-segunda edição do Grand Record Brazil, apresentando instrumentistas brasileiros que deixaram sua marca em nossa música popular.Começamos com um autêntico mago do acordeão: Antenógenes Silva (1906-2001), mineiro de Uberaba. Ele também exerceu profissões paralelas: comerciante de queijos e químico industrial, tendo sido fundador, no Rio de Janeiro, do Laboratório Creme Marcília, que existe até hoje. Os discos de Antenógenes, quando cantados (gravou com muitos intérpretes, tais como Gilberto Alves, Alcides Gerardi e Jamelão), traziam seu nome em destaque, aparecendo embaixo do de quem cantava, tamanho era seu prestígio popular. Da extensa discografia de Antenógenes, foi escalado para esta edição o disco Odeon 11739, gravado em 19 de junho de 1939 e lançado em julho seguinte, com duas valsas adaptadas por ele próprio. Abrindo o disco, a matriz 6113 apresenta a tradicional “Saudades de Ouro Preto”, gravada e regravada por inúmeros intérpretes, entre eles outro sanfoneiro, o grande Luiz Gonzaga (de quem Antenógenes, aliás, afinava ocasionalmente a sanfona, conforme revelou em entrevista a um programa de rádio). No verso, matriz 6114, vem “Saudades de Uberaba”, de autoria de Oscar Louzada, cuja primeira gravação foi feita ainda na fase mecânica pelo Grupo Vienense, em 1917. O acompanhamento em ambas as faixas é do violonista Rogério Guimarães.Em seguida, aquele que sem dúvida foi o maior virtuose da gaita que o Brasil já teve: Eduardo Nadruz, aliás, Edu da Gaita (Jaguarão, RS, 1916-Rio de Janeiro, 1982). Ele aqui aparece com “Capricho nortista”, uma seleção de baiões compostos por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, numa época em que o baião estava no auge do sucesso. Saiu pela Continental em maio-junho de 1950, ocupando os dois lados do 78 rpm 16192, matrizes 2259 e 2260. O arranjo e a regência do acompanhamento de cordas são de Alexandre Gnattali, irmão de Radamés.Trazemos depois o multi-instrumentista José Menezes de França, cearense de Jardim, nascido em 6 de setembro de 1921. O disco aqui apresentado é o Sinter 00.00-053, lançado em meados de 1951, em que Menezes executa seu cavaquinho à frente de seu conjunto e com a participação ao clarinete de outro grande instrumentista brasileiro, Abel Ferreira. Abrindo o disco, matriz S-107, o choro “Encabulado”, do próprio Menezes em parceria com Luiz Bittencourt, então diretor artístico da Sinter. No verso, matriz S-108, o clássico “De papo pro á”, de Joubert de Carvalho, em ritmo de baião, e lançado em 1931 por Gastão Formenti, com letra de Olegário Mariano. José Menezes, nos anos 1960, criou a orquestra dos Velhinhos Transviados, que tocava músicas atuais com arranjos antigos e vice-e-versa, lançando mais de 15 LPs.O nome seguinte é uma autêntica referência quando se fala em solistas de cavaquinho: Waldir Azevedo (Rio de Janeiro, 1923-São Paulo, 1980). Autor e intérprete de choros que marcaram época (como “Brasileirinho”, “Carioquinha”, “Pedacinhos do céu”, “Vê se gostas” e “Amigos do samba”, além do baião “Delicado”, hit internacional), Waldir aqui comparece com o disco Continental 16428, gravado em 27 de junho de 1951 e lançado entre julho e setembro do mesmo ano. No lado A, matriz 2635, Waldir sola o tango “Jalousie”, clássico de autoria do dinamarquês Jacob Gadé, composto em 1925 e sucesso instantâneo em todo o mundo. No verso, matriz 2637, o choro “Camundongo”, do próprio Waldir em parceria com o pandeirista Risadinha, então músico do conjunto do notável cavaquinista.E, para encerrar com chave de ouro, um violonista que também é referência obrigatória: Dilermando Reis (Guaratinguetá, SP, 1916-Rio de Janeiro, 1977). Ele manteve durante anos na lendária Rádio Nacional carioca o programa “Sua majestade, o violão”, além de ter dado aulas de seu instrumento a Juscelino Kubitschek de Oliveira, quando este era presidente do Brasil. Dilermando, um autêntico mago do violão, comparece aqui com duas gravações Continental: do disco 17522-A, lançado em janeiro-fevereiro de 1958, matriz C-4075, ele sola sua valsa “Se ela perguntar”, que fora sucesso em 1952 na voz de Carlos Galhardo, com letra de Jair Amorim. E do 78 de número 17604-A, lançado em novembro-dezembro do mesmo ano, matriz 12154, ele apresenta a canção (na verdade, um estudo em mi) “Romance de amor”, de autoria controvertida. Nesse disco, aparece como autor o nome de outro violonista e guitarrista, Vicente Gómez (Madri, Espanha, 1911-Los Angeles, EUA, 2001). Outras fontes atribuem a paternidade de “Romance de amor” a um misterioso Antonio Rovira, de biografia desconhecida, provavelmente um pseudônimo (fala-se até que ele nunca existiu). Ambas as faixas também saíram no LP “Sua majestade, o violão”, o segundo de Dilermando e o primeiro no formato-padrão de doze polegadas. Enfim, uma primorosa edição do GRB, para aqueles que sabem o que é bom e apreciam a arte de nossos maiores músicos. Não deixe de ouvir e guardar! 

*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Vários - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 21 (2012)


E chegamos à vigésima-primeira edição do meu, do seu, do nosso Grand Record Brasil. E esta particularmente me orgulha, pois foi feita com a minha humilde colaboração. Alguns dos fonogramas preciosos que a compõem são de minha coleção particular, e nesse caso sinto-me feliz em ter ajudado a fazer a edição desta semana do GRB.
Para começar, apresentamos um disco do Quarteto Quitandinha, que teve uma atuação curta porém marcante. Era formado pelos gaúchos Alberto Ruschel (mais tarde ator de cinema), Francisco Pacheco, Luiz Teles e o violonista Luiz Bonfá, autêntico precursor da bossa nova que, evidentemente, integrou-se ao movimento, e é autor de clássicos como “De cigarro em cigarro” e “Manhã de carnaval”, este em parceria com Antônio Maria. O nome do grupo foi dado pelo produtor Carlos Machado quando o mesmo se apresentava no Hotel Quitandinha, na cidade serrana de Petrópolis, RJ. Em 1946, com o fim dos cassinos no Brasil, por decreto do então presidente Dutra, o conjunto foi para o Rio de Janeiro em busca de novos horizontes para continuar sua carreira, apresentando-se em rádios como a lendária e então poderosa Nacional. Seu primeiro disco saiu pela Continental, em setembro de 1946, apresentando o samba-jongo “Vou vender meu barco” e a popular canção mexicana “Malagueña”. Nesta edição do GRB, o segundo disco dos Quitandinhas, o Continental 15835, gravado em 25 de setembro de 1947 e lançado em outubro seguinte. O lado A, matriz 1729,  é a clássica toada “Felicidade”, um dos maiores hits de Lupicínio Rodrigues como compositor, e que voltaria a fazer sucesso em 1974, mesmo ano da morte do autor, numa regravação de Caetano Veloso. No verso, matriz 1730, uma canção típica gaúcha, da autoria de Artur Elzner e Ney Messias, “Minuano”, vento frio e gelado, típico da Região Sul. O Quarteto Quitandinha, depois Quitandinha Serenaders, gravaria mais tarde seis discos pela Odeon, e se desfez em 1952.
Sílvio Caldas, o sempre festejado “caboclinho querido”, aqui comparece com o disco Sinter 00.00-186, lançado em abril de 1953, com duas composições de Joubert de Carvalho, e acompanhamento da orquestra do sempre eficiente Lírio Panicalli. Abrindo o disco, matriz S-413, a pungente canção “Silêncio do cantor”. Os versos de David Nasser foram escritos a pedido de Francisco Alves, que imaginava com tristeza o dia em que se aposentasse da carreira artística. Chico musicou a letra, mas a melodia se perdeu, sem ser gravada, justamente por causa do acidente automobilístico que o vitimou, em 27 de setembro de 1952. A letra estava dentro do violão de Chico, e salvou-se milagrosamente do fogo do acidente. Então David Nasser recorreu a Joubert de Carvalho, que fez nova melodia, e “Silêncio do cantor” acabou se tornando uma homenagem póstuma àquele que foi o Rei da Voz. Completando o 78, matriz S-395, a valsa “Flamboyant”, de Joubert sozinho.
Em seguida apresentamos o pernambucano e recifense José Tobias de Santana, que veio ao mundo no dia 6 de março de 1928. Iniciou sua carreira na Rádio Jornal do Commércio, e pouco depois mudou-se para o Rio de Janeiro, contratado pela PRG-3, Rádio Tupi (“o cacique do ar”), atuando na também na Rádio Record de São Paulo, PRE-8 (então “a maior”). Estreou em disco na Star, em 1952, interpretando dois baiões de Zé Dantas, “Acauã” e “Chora baixinho”. O disco daqui é o Copacabana 5276, lançado em meados de 1954, provavelmente em junho. No lado A, matriz M-605, o samba (tendendo mais para toada) “Criança má”, de Luiz Gonzaga em parceria com o escritor e radialista Giuseppe Ghiaroni. E o lado B, matriz M-606, é um verdadeiro clássico: a rancheira “Você vai gostar”, muitas vezes regravada, e também conhecida com os títulos “Casinha branca” e “Lá no pé da serra”. Seu autor, Elpídio dos Santos, apelidado de Conde (1909-1970), era paulista de São Luiz de Paraitinga, cidade que, lamentavelmente, teve seu patrimônio histórico destruído por enchentes, mas atualmente em processo de reerguimento. Elpídio era também o compositor predileto do comediante Mazzaropi, tendo feito inúmeras músicas para seus filmes.
Em seguida apresentamos as músicas do disco de estréia do cantor Carlos Antunes, sobre o qual há pouquíssimas informações biográficas disponíveis. Mineiro de Guarani, chamava-se Joaquim Sérgio Ferreira, e residiu por muitos anos em São Paulo, onde ganhou a vida como professor. Depois disso, voltou à sua Guarani para desfrutar da aposentadoria, direito aliás de qualquer cidadão, e faleceu por volta de 1998. Sua discografia como cantor, que vai de 1952 a 1959, tem apenas 7 discos com 13 músicas, a maioria pela Continental e apenas um na RCA Victor. E sua estréia deu-se justamente com nosso disco desta semana, o Continental 16525, gravado em 28 de agosto de 1951, porém só lançado em março-abril de 1952 , com duas composições de João Manoel Alves (português de Monção, que se radicou no Brasil em 1929) e Arlindo Pinto (São Paulo, 1906-idem, 1968), este parceiro de Mário Zan e Palmeira em inúmeros sucessos. Abrindo o disco, matriz 11251-R, o tango-canção “Farrapo humano”, ao que parece inspirado em um filme americano de mesmo nome, de 1945, dirigido por Billy Wilder e estrelado por Ray Milland, retratando de forma realista o problema do alcoolismo. A película ganhou quatro Oscars: filme, ator (Milland), direção (Wilder) e roteiro original. No verso, matriz 11250-R, a canção “Cigana”. Ambas as músicas, com acompanhamento do regional do violonista Nélson Miranda, alcançaram expressivo sucesso, em particular no Nordeste, graças à interpretação única que Carlos Antunes lhes soube dar, e ainda hoje comovem o sentimento popular, sendo muito lembradas e procuradas por colecionadores.
Por fim, apresentamos o grande Tito Madi, verdadeiro ícone de nosso cancioneiro romântico. E seu disco desta semana no GRB, o Continental 17416, lançado em março-abril de 1957, apresenta dois clássicos de sua autoria, muito lembrados até hoje. Abrindo o disco, matriz C-3917, a valsa “Chove lá fora”, sucesso fulminante, inclusive no exterior, sendo gravada em inglês pelo grupo vocal americano The Platters com o título “It's raining outside”. No verso, matriz C-3916, o samba-canção “Gauchinha bem querer”, que Tito compôs quando participou de festejos promovidos pela Rádio Farroupilha de Porto Alegre. Ambos os registros têm acompanhamento orquestral do gaúcho Radamés Gnattali, e são portanto bem diferentes dos que estão nos LPS disponibilizados pelo Toque Musical. Nunca tiveram qualquer relançamento, e portanto são verdadeiras relíquias, como aliás todos os que compõem esta edição do GRB, para você guardar com carinho e desfrutar de verdadeiras joias raras de nossa música popular. Bom divertimento! 

Samuel Machado Filho

domingo, 13 de maio de 2012

Céu - Extras E Com... (2012)


Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados de plantão. Hoje o sábado foi pesado, com tantas caixas de elepês que eu carreguei para a Feira do Vinil, que tem acontecido sempre no segundo sábado de cada mês, numa galeria que fique ali na Savassi, rua Pernambuco com Inconfidentes. Quem é de Belô, certamente deve conhecer. O dia foi pesado sim, mas só pelas pilhas de discos, de resto foi ótimo ficar ali o dia inteiro ouvido músicas variadas, folheado os álbuns e falando sobre a Música e seus artistas. Bom demais essa convivência. Para melhorar, ainda me encontrei com pessoas super simpáticas, entre essas, uma de nossas amigas cultas, Madame Mignez, que generosamente me presenteou com um disco de Dilermando Reis (muito obrigado, mais uma vez). Em resumo, a feira foi ótima! Tudo azul!
Este azul então me remeteu ao azul do céu e o céu à Céu, entendeu? Não? Eu explico... Estou falado dessa lindeza que é a cantora Céu. Acredito que todos devam conhecer, quem não conhece, faça-me o favor! Temos aqui uma seleção enviada pelo amigo André Stangl, reunido 22 músicas, que essa jovem cantora nos apresenta ao lado de outros artistas e bandas da nova geração da música 'pop' brasileira.
Eu estava quase disposto a escrever mais sobre essa coletânea bem variada, mas percebo que já vamos entrar no domigo e antes que o sábado acabe de vez, vamos dar a ele a sua postagem. Segue aqui mais uma produção exclusiva do Toque Musical. Amanhã tem mais :)

nação postal - céu e beto villares
salve - céu e dozna zica
tempo de carne e osso - céu e mombojó
inferno - céu e nação zumbi
caimbo - céu e sonantes
miopia - céu e sonantes
defenestrando - céu e sonantes
quilombo te espera - céu e sonantes
braz - céu e sonante
frevo de saudade - céu e sonantes
visgo de jaca - céu
skate phaser - céu e guizado
tempo de amor - céu e herbie hancock
neverland - céu e anelis assumpção
doce demora - céu e gui amabis
fim de tarde - céu e gui amabis
swell - céu e gui amabis
it's a long way - céu  (in red hot rio II)
música - céu e lucas santana

sábado, 5 de maio de 2012

Abel Ferreira E Ademilde Fonseca - Projeto Pixinguinha Vol. 2 (2012)


Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados! Enquanto as prováveis novas mudanças no Blogger não acontecem, eu continuo seguindo no mesmo ritmo. Vamos mantendo as postagens diárias e se possível, sempre com coisas e músicas para se ouvir com outros olhos. Afinal, capengando ou não, aqui ainda é o Toque Musical. Aliás, é bom dizer, a cada novo golpe eu fico mais criativo :) De burro eu só tenho mesmo a teimosia.
Hoje, embora seja um dia onde me dedico às coletâneas, por falta de tempo e de lembrança, acabei optando por mais um número do Projeto Pixinguinha. Vamos para o volume 2, com Ademilde Fonseca e Abel Ferreira, em show realizado em 1977, na primeira edição do evento. Como já havia informado, não entrarei não entrarei no mérito da questão. Estas postagens servirão sempre como um chamarisco, uma porta a mais de entrada para o site Brasil Memória das Artes. Tenho certeza que todos que entrarem aqui, irão de imediato buscar no site da Funarte as informações. Essa é a minha contrapartida, dar mais  visibilidade à esse site maravilhoso. Não deixem de visitar!

rapaziada do brás
corta jaca
cochilando
chorando baixinho
odeon
andré de sapato novo
acariciando
títulos de nobreza
o que vier eu traço
dinorah
pedacinhos do céu
choro chorão
coração trapaceiro
ingênuo
chorinho do suvaco de cobra
saxofone, porque choras?
luar de coromandel
apresentação dos músicos
chora moçada
lamentos
doce melodia
paraquedista
tece teco
tico tico no fubá - apanhei-te cavaquinho
brasileirinho - urubu malandro