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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Nilo Sérgio, Dick Farney, Lúcio Alves, Tito Madi, Bill Farr, Johnny Alf - Seleção 78 RPM Do Toque Musical - Vol. 43 (2012)

E chegamos à quadragésima-terceira edição do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil. Esta semana, apresentamos gravações de alguns intérpretes considerados precursores da bossa nova, e feitas antes da eclosão oficial do movimento, em 1958, com o LP “Canção do amor demais”, de Elizeth Cardoso, e o 78 rpm “Chega de saudade”/”Bim bom”, com João Gilberto. 
Começamos com Nilo Sérgio, pseudônimo de Nilo Santos Pinto. Também compositor, arranjador e maestro, iniciou sua carreira nos áureos tempos da lendária Rádio Nacional, e gravou seus primeiros discos em 1943/44, com músicas americanas. Após gravar na RCA Victor, onde se iniciou, na Continental e na Todamérica, fundou, em 1953, sua própria gravadora: a Musidisc, por sinal uma das pioneiras do LP no Brasil. Embora pequena, a gravadora tornou-se notável no período em que atuou, e por lá passaram nomes do quilate de Ed Lincoln, Orlandivo, Eliana Pittman e o também maestro Léo Peracchi. Teve também o selo Nilser (iniciais de seu nome artístico). A Musidisc notabilizou-se por álbuns temáticos tipo “Música para adormecer”, “Datas felizes”, etc., e lançou orquestras ditas “grandiosas”, como Violinos Mágicos e  Românticos de Cuba (ambas, na verdade, eram a Tabajara de Severino Araújo), esta última a de maior êxito, que executava versões aboleradas de hits nacionais e internacionais, até mesmo de Roberto Carlos. Este último álbum, de 1979,  foi a última produção de Nilo, que faleceria dois anos mais tarde. Para esta seleção, o GRB escalou seu primeiríssimo disco interpretado em português, o Continental 16085, lançado entre julho e setembro de 1949. No lado A, matriz 2122, a “Canção de aniversário” (“Hoje é o dia do teu aniversário, parabéns, parabéns”...), de José Maria de Abreu e Alberto Ribeiro. No verso, matriz 2123, o samba (que na verdade é samba-canção) “Falta-me alguém”, de Pedro Caetano e Claudionor Cruz. No acompanhamento, a mesma Tabajara de Severino Araújo que se converteria na Violinos Mágicos (também conhecida como “Orquestra Romântica de Severino Araújo”) e na Românticos de Cuba, anos mais tarde.
Farnésio Dutra e Silva, aliás Dick Farney (Rio de Janeiro, 1921-São Paulo, 1987) é outro que também começou em disco interpretando músicas americanas, tendo inclusive feito longas temporadas nos EUA. Foi o primeiro, inclusive, a gravar um clássico da música popular americana, o fox 'Tenderly”. E o disco escalado para esta edição do GRB, também da Continental, é o primeiro no qual interpretou música brasileira, com o número 15663, gravado em 2 de junho de 1946 e lançado em agosto do mesmo ano, com dois sambas. A faixa de abertura, matriz 1509, é o clássico “Copacabana”, de João de Barro, o Braguinha, e Alberto Ribeiro, e justamente a que chamou mais atenção, principalmente pela maneira de interpretar, calcada em cantores americanos como Bing Crosby (inevitavelmente criticada por conservadores da época), e pelo acompanhamento de orquestra de cordas, no caso a de Eduardo Carmelo Patané (São Paulo, 1906-idem, 1969), que passaram, desde então, a constituir modelo de sofisticação para a MPB. O verso, matriz 1508, é “Barqueiro do São Francisco”, também de Alberto Ribeiro, agora em parceria com Alcyr Pires Vermelho, que também teve repercussão, ainda que um pouquinho menor que a de “Copacabana”. Ambas as músicas seriam regravadas por Dick Farney inúmeras vezes ao longo de sua carreira, assim como outras expressivas páginas de seu repertório: “Marina”, “Alguém como tu”, “Somos dois”, “Ponto final” etc. 
Lúcio Ciribelli Alves (Cataguazes, MG, 1927-Rio de Janeiro, 1993), de longa e vitoriosa carreira como intérprete, começou a tocar seu violão na mais tenra idade, estimulado pelo pai, maestro da banda de música de sua cidade natal, mudando-se com a família para o Rio de Janeiro quando tinha sete anos. Foi ironicamente apelidado pelo compositor e humorista Silvino Neto de “cantor das multidinhas” (em comparação a Orlando Silva, “o cantor das multidões”). Aos 14 anos, fundou o conjunto Namorados da Lua, do qual era cantor, violonista e arranjador, que fez grande sucesso e desfez-se em 1947 (já sem Lúcio Alves, passaria a chamar-se Os Namorados). Como compositor, seu maior hit foi o samba “De conversa em conversa”, em parceria com Haroldo Barbosa, que gravou junto com os Namorados da Lua mais Isaura Garcia. Outras páginas expressivas de seu repertório são “Nunca mais” (Dorival Caymmi), “Reverso” (Gilberto Milfont e Marino Pinto), “Valsa de uma cidade” (Ismael Neto e Antônio Maria), “Tereza da praia” (dueto com Dick Farney, de Tom Jobim e Billy Blanco), etc. De Lúcio, eis aqui o disco Continental 16730, gravado em 25 de fevereiro de 1953 e lançado em maio-junho do mesmo ano. Abrindo-o, matriz C-3056, o beguine “Cedo para amar”, dos compositores americanos Sidney Lippman e Sylvia Dee, em versão de Bruno Gomes, no original intitulado 'Too young”e sucesso dois anos antes com Nat King Cole. Esta mesma versão teve outro registro em seguida, com Dóris Monteiro, na Todamérica. Bruno também assina, em parceria com Fernando Lobo, a música do lado B, matriz C-3057, o samba “Procurando meu bem”. Ambas as faixas com acompanhamento dirigido pelo notável maestro gaúcho Radamés Gnattali, com o pseudônimo de Vero. 
Radamés também acompanha Chaiki Madi, aliás Tito Madi, paulista de Pirajuí (n.1929), em outro disco Continental, o de número 17416, gravado em 4 de setembro de 1956, porém só lançado em março-abril de 57, apresentando dois clássicos do repertório de Tito. No lado A, matriz C-3917, a valsa “Chove lá fora”, que mereceria inúmeras outras gravações, inclusive do próprio compositor, tendo até uma versão em inglês com os Platters, “It's raining outside”. No verso, matriz C-3916, o samba-canção, com tendência mais para toada, “Gauchinha bem querer”, composto por Tito quando participou de festejos promovidos pela Rádio Farroupilha de Porto Alegre. Tito Madi teve inúmeros outros sucessos como compositor e intérprete, destacando-se “Não diga não” (dele com Georges Henry), “Sonho e saudade”, “Carinho e amor”, “Balanço Zona Sul” e “Menina moça” (esta última de Luiz Antônio). 
Em seguida temos Bill Farr, pseudônimo de Antônio Medeiros Francisco (Sapucaia, RJ, 1925-Rio de Janeiro, 2010). Passou a infância em Petrópolis, e organizou um grupo vocal quando ainda estudava no Colégio Werneck, ingressando na carreira artística ao terminar o curso científico. Começou como vocalista no Hotel Quitandinha, e depois passou a atuar na Rádio Nacional carioca, por intermédio de César de Alencar. Gravou seu primeiro disco na Sinter, em 1952, com o samba-canção “Abraça-me”, de Luiz Bittencourt, e o bolero “Depois do amor”, de José Maria de Abreu e Oswaldo Santiago. Nos anos 1960, deixou a carreira de cantor, mudando-se para Madri, capital da Espanha, onde trabalhou em um escritório de comércio exterior. De Bill Farr apresentamos o disco Continental 16941, lançado em abril de 1954. No lado A, matriz C-3334, aquele que foi certamente o maior sucesso de sua carreira: o fox “Oh!”, de Byron Gay e Arnold Johnson, em versão de Haroldo Barbosa. No verso, matriz C-3335, um samba-canção do então estreante Billy Blanco, “Maria Tereza”. 
E para encerrar com chave de ouro, apresentamos Johnny Alf, pseudônimo de Alfredo José da Silva (Rio de Janeiro, 1929-Santo André, SP, 2010). Cantor, compositor, pianista, autor de inúmeras músicas de sucesso (quem não se lembra, por exemplo, de “O que é amar” e “Eu e a brisa”?), gravou seu primeiro disco, apenas instrumental, em 1953, na Sinter, exectando ao piano com seu trio o samba-canção “De cigarro em cigarro” (Luiz Bonfá) e o choro “Falseta”, dele mesmo. De Alf apresentamos o disco Copacabana 5568, de 1956, com duas composições próprias. Abrindo-o, a matriz M-1392 traz o samba “Rapaz de bem”, autêntico precursor da bossa nova, não só pela maneira de Alf interpretá-lo, como também pela letra, que traduzia bem o modo de vida da juventude da Zona Sul do Rio de Janeiro. A música daria título, em 1961, ao primeiro LP do compositor, lançado pela RCA Victor. No verso desse 78 da Copacabana, matriz M-1391, o samba-canção “O tempo e o vento”, que aproveita apenas o título da famosa trilogia de romances do escritor gaúcho Érico Veríssimo, na época com dois volumes já publicados (“O continente”, de 1949, e “O retrato”, de 1951, sendo o terceiro e último, “O arquipélago”, de 1961). Um fecho realmente de ouro para esta edição do GRB, focalizando intérpretes precursores da bossa nova, inovadores para a época em que surgiram. Bom divertimento! 

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO
       



segunda-feira, 14 de maio de 2012

Vários - Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 21 (2012)


E chegamos à vigésima-primeira edição do meu, do seu, do nosso Grand Record Brasil. E esta particularmente me orgulha, pois foi feita com a minha humilde colaboração. Alguns dos fonogramas preciosos que a compõem são de minha coleção particular, e nesse caso sinto-me feliz em ter ajudado a fazer a edição desta semana do GRB.
Para começar, apresentamos um disco do Quarteto Quitandinha, que teve uma atuação curta porém marcante. Era formado pelos gaúchos Alberto Ruschel (mais tarde ator de cinema), Francisco Pacheco, Luiz Teles e o violonista Luiz Bonfá, autêntico precursor da bossa nova que, evidentemente, integrou-se ao movimento, e é autor de clássicos como “De cigarro em cigarro” e “Manhã de carnaval”, este em parceria com Antônio Maria. O nome do grupo foi dado pelo produtor Carlos Machado quando o mesmo se apresentava no Hotel Quitandinha, na cidade serrana de Petrópolis, RJ. Em 1946, com o fim dos cassinos no Brasil, por decreto do então presidente Dutra, o conjunto foi para o Rio de Janeiro em busca de novos horizontes para continuar sua carreira, apresentando-se em rádios como a lendária e então poderosa Nacional. Seu primeiro disco saiu pela Continental, em setembro de 1946, apresentando o samba-jongo “Vou vender meu barco” e a popular canção mexicana “Malagueña”. Nesta edição do GRB, o segundo disco dos Quitandinhas, o Continental 15835, gravado em 25 de setembro de 1947 e lançado em outubro seguinte. O lado A, matriz 1729,  é a clássica toada “Felicidade”, um dos maiores hits de Lupicínio Rodrigues como compositor, e que voltaria a fazer sucesso em 1974, mesmo ano da morte do autor, numa regravação de Caetano Veloso. No verso, matriz 1730, uma canção típica gaúcha, da autoria de Artur Elzner e Ney Messias, “Minuano”, vento frio e gelado, típico da Região Sul. O Quarteto Quitandinha, depois Quitandinha Serenaders, gravaria mais tarde seis discos pela Odeon, e se desfez em 1952.
Sílvio Caldas, o sempre festejado “caboclinho querido”, aqui comparece com o disco Sinter 00.00-186, lançado em abril de 1953, com duas composições de Joubert de Carvalho, e acompanhamento da orquestra do sempre eficiente Lírio Panicalli. Abrindo o disco, matriz S-413, a pungente canção “Silêncio do cantor”. Os versos de David Nasser foram escritos a pedido de Francisco Alves, que imaginava com tristeza o dia em que se aposentasse da carreira artística. Chico musicou a letra, mas a melodia se perdeu, sem ser gravada, justamente por causa do acidente automobilístico que o vitimou, em 27 de setembro de 1952. A letra estava dentro do violão de Chico, e salvou-se milagrosamente do fogo do acidente. Então David Nasser recorreu a Joubert de Carvalho, que fez nova melodia, e “Silêncio do cantor” acabou se tornando uma homenagem póstuma àquele que foi o Rei da Voz. Completando o 78, matriz S-395, a valsa “Flamboyant”, de Joubert sozinho.
Em seguida apresentamos o pernambucano e recifense José Tobias de Santana, que veio ao mundo no dia 6 de março de 1928. Iniciou sua carreira na Rádio Jornal do Commércio, e pouco depois mudou-se para o Rio de Janeiro, contratado pela PRG-3, Rádio Tupi (“o cacique do ar”), atuando na também na Rádio Record de São Paulo, PRE-8 (então “a maior”). Estreou em disco na Star, em 1952, interpretando dois baiões de Zé Dantas, “Acauã” e “Chora baixinho”. O disco daqui é o Copacabana 5276, lançado em meados de 1954, provavelmente em junho. No lado A, matriz M-605, o samba (tendendo mais para toada) “Criança má”, de Luiz Gonzaga em parceria com o escritor e radialista Giuseppe Ghiaroni. E o lado B, matriz M-606, é um verdadeiro clássico: a rancheira “Você vai gostar”, muitas vezes regravada, e também conhecida com os títulos “Casinha branca” e “Lá no pé da serra”. Seu autor, Elpídio dos Santos, apelidado de Conde (1909-1970), era paulista de São Luiz de Paraitinga, cidade que, lamentavelmente, teve seu patrimônio histórico destruído por enchentes, mas atualmente em processo de reerguimento. Elpídio era também o compositor predileto do comediante Mazzaropi, tendo feito inúmeras músicas para seus filmes.
Em seguida apresentamos as músicas do disco de estréia do cantor Carlos Antunes, sobre o qual há pouquíssimas informações biográficas disponíveis. Mineiro de Guarani, chamava-se Joaquim Sérgio Ferreira, e residiu por muitos anos em São Paulo, onde ganhou a vida como professor. Depois disso, voltou à sua Guarani para desfrutar da aposentadoria, direito aliás de qualquer cidadão, e faleceu por volta de 1998. Sua discografia como cantor, que vai de 1952 a 1959, tem apenas 7 discos com 13 músicas, a maioria pela Continental e apenas um na RCA Victor. E sua estréia deu-se justamente com nosso disco desta semana, o Continental 16525, gravado em 28 de agosto de 1951, porém só lançado em março-abril de 1952 , com duas composições de João Manoel Alves (português de Monção, que se radicou no Brasil em 1929) e Arlindo Pinto (São Paulo, 1906-idem, 1968), este parceiro de Mário Zan e Palmeira em inúmeros sucessos. Abrindo o disco, matriz 11251-R, o tango-canção “Farrapo humano”, ao que parece inspirado em um filme americano de mesmo nome, de 1945, dirigido por Billy Wilder e estrelado por Ray Milland, retratando de forma realista o problema do alcoolismo. A película ganhou quatro Oscars: filme, ator (Milland), direção (Wilder) e roteiro original. No verso, matriz 11250-R, a canção “Cigana”. Ambas as músicas, com acompanhamento do regional do violonista Nélson Miranda, alcançaram expressivo sucesso, em particular no Nordeste, graças à interpretação única que Carlos Antunes lhes soube dar, e ainda hoje comovem o sentimento popular, sendo muito lembradas e procuradas por colecionadores.
Por fim, apresentamos o grande Tito Madi, verdadeiro ícone de nosso cancioneiro romântico. E seu disco desta semana no GRB, o Continental 17416, lançado em março-abril de 1957, apresenta dois clássicos de sua autoria, muito lembrados até hoje. Abrindo o disco, matriz C-3917, a valsa “Chove lá fora”, sucesso fulminante, inclusive no exterior, sendo gravada em inglês pelo grupo vocal americano The Platters com o título “It's raining outside”. No verso, matriz C-3916, o samba-canção “Gauchinha bem querer”, que Tito compôs quando participou de festejos promovidos pela Rádio Farroupilha de Porto Alegre. Ambos os registros têm acompanhamento orquestral do gaúcho Radamés Gnattali, e são portanto bem diferentes dos que estão nos LPS disponibilizados pelo Toque Musical. Nunca tiveram qualquer relançamento, e portanto são verdadeiras relíquias, como aliás todos os que compõem esta edição do GRB, para você guardar com carinho e desfrutar de verdadeiras joias raras de nossa música popular. Bom divertimento! 

Samuel Machado Filho

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Tito Madi, Juca Chaves, Jonas Silva E Baden Powell - Seleção 78 RPM Do Toque Musical (2011)

O Gran Record Brazil chega à sua terceira edição, e apresenta relíquias do final da década de 1950, começo da de 60, que certamente se constituem em autênticos presentes de Papai Noel para colecionadores.
Para começar, um nome que dispensa qualquer tipo de apresentação: Chaiki Madi, aliás Tito Madi, paulista de Pirajuí. E ele abrilhanta a terceira edição do GRB com seu 78 rpm de estreia na gravadora Colúmbia, futura Sony Music, lançado ao apagar das luzes de 1959 (certamente em dezembro) com o número 3101, já emplacando dois sucessos estrondosos, com orquestração e regência de Lírio Panicalli (Queluz, SP, 1906-Niterói, RJ, 1984), autêntica fera do setor. Abrindo o disco, matriz CBO-2172, uma joia inspiradíssima de Luiz Antônio: "Menina-moça", que fez parte da trilha sonora do filme "Matemática, zero... amor dez", comédia dirigida por Carlos Hugo Christensen, filmada em cores (Agfacolor) e estrelada por Alberto Ruschel e Suzana Freire, tendo também no elenco Jayme Costa, Agildo Ribeiro, Heloísa Helena (não confundir com a política fundadora do PSOL), entre outros. E "Menina-moça" era o tema principal da película, cuja trilha sonora também saiu em LP pela Colúmbia (apenas o lado A foi disponibilizado em blogs). Teve inúmeras gravações, mas a melhor continua sendo a de Tito Madi. O lado B, gravado oito matrizes depois (CBO-2180) é outro carro-chefe do autor de "Chove lá fora", mais um produto de sua inspiração: o belo samba "Carinho e amor", outra pérola imperdível do cancioneiro romântico, e também regravada inúmeras vezes, inclusive pelo próprio Tito. "Carinho e amor" também fez do parte do LP de mesmo nome, que Tito dividiu com o pianista José Ribamar, e foi o primeiro álbum brasileiro da Colúmbia gravado em estéreo (esse sim esta inteiro nos blogs!). Em seguida, iremos nos encontrar com o "menestrel do Brasil", Juca Chaves. Ele estreou em disco na Chantecler, em outubro de 1959, com dois sambas de sua autoria: "Nós, os gatos..." e "Chapéu de palha com peninha preta". Apenas três meses depois, em janeiro de 1960, e já por outra gravadora, a RGE de José Scatena, foi para as lojas o segundo 78 do humorista, estampando no selo o número 10206, e com arranjo e regência do italiano Enrico Simonetti, então um dos maestros de plantão na gravadora. A matriz RGO-1440, no lado A, apresenta uma divertida gozação do "Juquinha" com o então chefe da nação Juscelino Kubitschek de Oliveira, a hoje clássica "Presidente bossa nova", não faltando referências a seu característico sorriso, a suas viagens aéreas constantes, à nova capital que seria inaugurada em abril daquele ano (Brasília) e às aulas de violão que JK tinha com Dilermando Reis. Com a mesma mordacidade, o lado B, matriz RGO-1441, é o choro "Tô duro", crítica clara à situação de miséria que vivia (e ainda vive) boa parte de nossa população. Aliás, era uma época de inflação galopante, que estava perto de 40% ao ano (diante disso, inflação de 6% ou 7% ao ano como a atual não é nada...). Ambas as músicas também constaram do primeiro LP do humorista, "As duas faces de Juca Chaves". Outra preciosidade é o segundo e último 78 rpm do cantor Jonas Silva, sobre o qual não há informações disponíveis. Ele estreou em 1955 na Mocambo, com os sambas "Andorinha" e "Eu gosto de você", e - um mistério! - só fez o segundo 78 seis anos mais tarde. Ele saiu pela Philips em julho de 1960, com o número P61068H e a vantagem de ser inquebrável, prensado em vinil! No lado A, uma das mais conhecidas composições de Tito Madi, o samba "Saudade querida", hit absoluto naquele ano, gravado por inúmeros intérpretes e, claro, pelo próprio Tito. No lado B, outro samba, "Complicação", dos mesmos Chico Feitosa e Ronaldo Bôscoli que nos deram, nesse mesmo ano, o samba-canção "Fim de noite", na voz de Alaíde Costa. É a única gravação desta preciosidade, ao menos em 78 rpm, e o acompanhamento no selo diz apenas que é por conjunto. Para finalizar, temos o genial violonista Baden Powell de Aquino (Varre-Sai, RJ, 1937-Rio de Janeiro, 2000) em mais um bolachão inquebrável da Philips, com o número P61103H, lançado em julho de 1961. Abrindo o disco, uma "Lição de Baião" assinada por Jadir de Castro e Daniel Marechal. E o curioso é que o baião na época andava meio esquecido, com a bossa nova no apogeu, mas ainda com um público fiel ao gênero, particularmente a colônia nordestina, que sempre existiu nos grandes centros urbanos, São Paulo em especial. A letra é cantada por coral masculino, e começa até em francès! O lado B nos traz o belo samba instrumental "Do jeito que a vida quer", assinado por nada mais nada menos do que o cearense de Fortaleza Eduardo Lincoln Barbosa Sabóia, mais conhecido como Ed Lincoln. Ambas as músicas do 78 que encerra este volume do GRB saíram depois no segundo LP de Baden Powell, intitulado "Um violão na madrugada". Enfim, oito joias imperdíveis para colecionadores. Não percam!

menina moça - tito madi
carinho e amor - tito madi
presidente bossa nova - juca chaves
tô duro - juca chaves
complicação - jonas silva
saudade querida - jonas silva
lição de baião - baden powell
do jeito que a gente quer - baden powell

*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO