O Grand Record Brazil oferece hoje, mui prazeirosamente, aos
amigos cultos, ocultos e associados do TM, a segunda parte da retrospectiva
dedicada a Getúlio “Amor” Marinho, compositor carioca intimamente ligado ao
carnaval e ás escolas de samba, oferecendo mais dez preciosas gravações de
obras suas. Para começar, a marcha-rancho “Gegê”, parceria de “Amor” com
Eduardo Souto (compositor de belas páginas desse gênero), do carnaval de 1932.
A gravação ficou por conta de Jayme Vogeler, na Odeon, acompanhado pela
Orquestra Copacabana de Simon Bountman, em 24 de novembro de 31, disco 10876-A,
matriz 4369. É a crônica musical de um episódio segundo o qual o então
presidente Getúlio Vargas, assim que tomou posse, em 1930, começou a receber
inúmeros pedidos de empregos públicos, e, para protelar e desacelerar essa
avalanche (era um período de crise financeira, como agora), passou a exigir
requerimento estampilhado, com foto e selos.
Só que “Gegê”, aqui, não é o apelido de Getúlio, e sim um nome
qualquer, ou seja, apenas uma
coincidência. A música, por sinal, até venceu um concurso promovido pelo
“Correio da Manhã”, através de votos impressos no próprio jornal, apontando a
melhor música da folia momesca de 1932, deixando em segundo lugar o clássico
“Teu cabelo não nega”, dos irmãos Valença e Lamartine Babo. Logo depois, o
partido-alto “Tentação do samba”, que “Amor” fez com seu mais constante
parceiro, João Bastos Filho. Foi gravado por Patrício Teixeira na Victor em 2
de fevereiro de 1933, com lançamento em março do mesmo ano, disco 33633-A,
matriz 65660. Luiz Barbosa, sambista prematuramente desaparecido, mas cujo
estilo deixou inúmeros seguidores , aqui comparece com a batucada “Bumba no
caneco”, parceria de Getúlio “Amor”
Marinho com Orlando Vieira. Destinada ao carnaval de 1933, foi gravada na Odeon
em 24 de janeiro desse ano, com lançamento a toque de caixa sob número de disco
10974-A, matriz 4594. Patrício Teixeira retorna em seguida para interpretar
“Quando me vejo num samba”, de “Amor” sem parceiro, gravação Victor de 17 de
maio de 1933, somente lançada em setembro de 34 (!), disco 33818-B, matriz 65735.
Castro Barbosa vem depois com “De que será?”, marchinha do carnaval de 1935, da
parceria “Amor”-João Bastos Filho. Acompanhado pelos Diabos do Céu, de Pixinguinha,
Barbosa gravou a música na Victor em 4 de dezembro de 34, com lançamento bem em
cima da folia, em fevereiro, disco 33899-A, matriz 79795. Aurora Miranda, irmã
de Cármen, comparece aqui com o samba “Molha o pano”, de “Amor” e Vasconcelos,
do carnava de 1936. Gravação Odeon de 16 de dezembro de 35, lançada um mês
antes da folia, em janeiro, disco 11320-A, matriz 5213. Ainda de “Amor” e João
Bastos Filho é a valsa “Teu olhar”, executada por Luiz Americano à clarineta
com a maestria habitual, em gravação Odeon de 3 de outubro de 1936, lançada em
abril de 37, disco 11459-B, matriz 5390. Ídolo popular inesquecível, Orlando
Silva aqui apresenta o samba “Vai cumprir o teu fado”, da parceria Getúlio
“Amor” Marinho-João Bastos Filho, sucesso do carnaval de 1940. Gravação Victor
de 26 de setembro de 39, lançada ainda em novembro, disco 34517-B, matriz
33165. Dessa parceria é também a marchinha “Oh! Mariana”, da mesma folia
momesca, interpretada pelo irmão de Sílvio Caldas, Murilo. Gravação Victor de
22 de novembro de 1939, lançada em janeiro de 40, disco 34561-B, matriz 33286.
Por fim, o grande Nélson Gonçalves, interpretando, também de “Amor” e João
Bastos Filho, a valsa “Nadir”, gravação Victor de 30 de maio de 1944, lançada
em agosto do memso ano, disco 80-0198-A, matriz S-052968. Um belo fecho para
esta seleção que o GRB dedica a Getúlio “Amor” Marinho, com toda a certeza. Até
a próxima!
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