Para a nossa sexta independente eu preparei uma coletânea gorda e especial. Como podemos ver no encarte exclusivo, criado para dar forma a essas gravações, temos um Luiz Gonzaga inteiramente instrumental. Trata-se de gravações diversas feitas por ele na década de 40. Procurei reunir material lançado em discos de 78 rpm e também gravações realizadas por ele em programas de rádio. Temos aqui mais de 50 músicas! O que daria um belo box, com pelo menos uns três discos. Mas para a minha edição, eu preferi criar apenas dois volumes. O primeiro compreende os anos de 41 a 43, o segundo vai de 43 a 45. Ao ouvirmos esses registros fica mais fácil entender o porquê do Baião fazer tanto sucesso. Sem dúvida, é um ritmo contagiante, que se contrasta de forma relevante com a música popular produzida naqueles tempos. Luiz Gonzaga foi mesmo o Rei. Ele está para o Baião assim como João Gilberto para a Bossa Nova. São os donos da bola, os fodas! Entre essas gravações temos coisas de espantar e mesmo com uma qualidade sofrível do registro sonoro, percebemos em muitas músicas e no jeito de tocar de Lua uma contemporaneidade e semelhança com coisas que nem são do universo da música nordestina. É certo que muitas das músicas apresentadas aqui não são, naturalmente, só em ritmo de Baião ou mesmo de autoria de Gonzaga. Elas se tornam Baião ao serem tocadas por ele. Confiram e comentem também. É sempre gratificante um retorno, seja ele para complementar, corrigir ou criticar. Fazer um blog desses e sozinho, só mesmo contanto com os amigos cultos e ocultos :)
Volume 1
saudades de são joão del rey
numa serenata
farolito
arrancando caroá
o chamego da guiomar
segura a polca
véspera de são joão
vira e mexe
apitando na curva
calangotango
minha guanabara
pé de serra
pisa de mansinho
sanfonando
santana
saudade de ouro preto
saudades de areal
seu januário
verônica
apanhei-te cavaquinho
araponga
destino
galo garnizé
manoelita
meu passado
Volume 2
bili bilu
caprichos do destino
o carimbó
despedida
escorregando
fazendo intriga
fuga da áfrica
luar do nordeste
subindo ao céu
madrileña
pingo namorando
recordações de alguém
wanda
xodó
última inspiração
aperreado
bolo mimoso
caxangá
sanfona dourada
zinha
dança do macaco
impertinente
mara
na hora h
passeando em paris
provocando as cordas
queixumes
16 comentários:
"Congratualtions for" mais este humilde lançamento da "MT-Records" (Musical Touch Records, como os nativos gostam)Afinal a iniciativa privada continua fazendo aquilo que a iniciativa pública evita e exita
Tinha que falar na merda desse João Gilberto.
Nossa senhora, comé que você conseguiu isto ???
Já é o 3º obrigado da noite.
Vou escutar até rachar este gonzagão.
ps: moro em recife, tem muita gente aqui que vai pirar com estas 2 preciosidades.
Beleza, moçada! Como já dizia o João Gilberto em final de show, OBRIGADO!
Amigo, obrigado pelas raridades.
Peço um esclarecimento: o nome correto da faixa 3 do volume 2 não é "O catimbó", em vez de "O carimbó"?
Pergunto isto porque não encontrei qualquer registro de gravação do Luiz Gonzaga de música com o nome que consta da postagem, mas achei "O catimbó", cujos autores são Carneiro Filho e Vasco Gomes.
Com certeza, Luiz Carlos, o nome está errado, falha minha... desculpe
Obrigadão Tm para estas duas peças raras... suas! ...nossa!
Chris - Niteroi
P.S. o bicho peludo mas feio e mas hermoso voltou, feidendo mas do que nunca ! só poderia ser ele mas uma vez para querer se diferenciar desse jeito tão sutil...cancela o veterinário....
Fazia tempo que não visitava este blog e me surpreendi com o infeliz comentário desta faxineira. Ela continua a achar que eu sou o único que faz comentários críticos ao blog. Caro TM, utilize o google analítico e confirme a minha não autoria do comentário sobre o João Gilberto, embora compartilhe da mesma opinião, todos temos o direito de gostar ou não de algum artísta, toda unanimidade (que não é o caso), é burra! Faxineira, quem dorme toda noite acariciando o "bicho peludo" é você! Aproveita melhor seu tempo, fazendo um curso de Português, para aprender a escrever melhor e a gente entender o que vc quer dizer, aliás, depois de tanto tempo refugiada em Niterói, já deveria se expressar bem melhor, o que vem a ser uma característica de burros!
A4Ever
TM, bom dia amigão! Sou da terra do Lula e nunca soube dessa obrarrelíquia dele. Até agora estou me beliscando fortemente para confirmar se estou sonhando ou se estou vivamente pegando essa obra. O ser humano não é eterno mas você deveria se eternizar pelo seu trabalho. Parabéns e que Deus te ilumine sempre. Melo
Sr. Anônimo,
A "merda do João Gilberto" (palavras suas) é o artista brasileiro mais importante da segunda metade do século 20. Sem ele, não haveria Nara Leão, que lançou Chico Buarque e Maria Bethânia (que trouxe com ela Caetano Veloso e Gal Costa). Sem ele, a música brasileira não alcançaria o status mundial que tem hoje, e o país continuaria a ser, na mpusica, um longíncuo lgar onde se dança o samba no carnaval das mulatas e de outros exotismos. O que veio antes de João é maravilhoso, mas, exceto Carmen Miranda (que projetou Caymmi e Ary Barroso), o Brasil continuaria no Terceiro Mundo da música.
Acorda, bobão, e vá falar mal, por exemplo, de Ana Carolina, Marisa Monte, Roberta Sá, Maria Rita, Lenine, Zeca Baleiro, Diogo Nogueira, Zélia Duncan, Vanessa da Mata, Chico César, Nando Reis, Moska etc, um bando de cabeças-vazias, que ganham muito para atazanar a paciência do público com suas "canções" (falsamente cult), mais pobres do que um diário de adolescente movido a McDonalds e Cloaca-Cola. João Gilberto, ao contrário disso, é ícone da cultura mundial, e - para seu governo - amava Luiz Gonzaga: inclusive foi ele quem ligou para a biógrafa Dominique Dreifuss, altas horas da madrugada, para falar com ela que LG tinha partido. Você sabia? Não, né?
Nossa! não sabia que Nara era filha de João, que era mãe de Chico, de Caetano, da Bethânia e da Gal. Já ouvi esta mesma ladainha-ufanista-arcaica-rancorosa por aqui.
Hahahahaha!!!
Não sou os outros anônimos, sou o
A4Ever
Ouvindo estes registros do tempo em que Luiz Gonzaga só podia gravar como solista de sanfona, percebe-se o genial acordeonista que ele foi. Tenho o prazer de possuir tudo isso em CDs da incansável Revivendo, do Paraná, e espero que o trabalho desse selo, que acompanho desde seu início, não seja prejudicado pela morte de seu fundador, Leon Barg.
Pois é, Samuel, tudo tem seu tempo e pelo tempo se transforma. É triste, as vezes, ver que algumas coisas mudam e nem sempre para o que consideramos melhor.
A Revivendo, por certo, não pode mais ser a mesma, os tempos mudaram. E se ela muda, não é apenas pela falta de seu criador...
Espero apenas que este material não se torne inacessível, restrito e dependente apenas de uma fonte ou mídia controlada. Melhor ser compartilhada, não acha?
Sensacional!
adorei a ideia do gonzagão instrumental. valew.
Brasa! Maravilha de blog, obrigado por compartilhar estes discos!
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